sábado, 22 de dezembro de 2012

Música de 2012 #1

O final do ano aproxima-se a passos largos. Uma coisa que costume fazer no fim de cada ano é eleger os cantores, faixas e/ou álbuns musicais que mais me marcaram nesse mesmo ano.

 

2011, por exemplo, foi um ano bastante rico em termos musicais para mim. Há um ano, elegi Goodbye Lullaby, de Avril Lavigne, e The Unforgiving, de Within Temptation (Crítica AQUI), como os álbuns do ano, com destaque para os singles Smile e Shot in the Dark, respetivamente. Também marcantes foram o single Monster, dos Paramore, e a banda Sum 41, apesar de não ter gostado tanto assim de Screaming Bloody Murder.

 


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Este ano, Alanis Morissette foi uma cantora marcante. Já a conhecia há bastante tempo e músicas como Ironic e You Learn há muito que fazem parte da minha playlist. Este ano decidi ouvir-lhe a discografia completa. Vou ser sincera, gosto muito de cerca de uma dúzia de músicas dela, na sua maioria singles, mas o resto não me diz muito. A minha favorita, tirando Guardian, é Hand In My Pocket - um dia falarei sobre ele e sobre outras na rubrica Músicas Ao Calhas.

 

Uma coisa em que reparei ao ouvir as músicas de Alanis é que esta parece ter uma personalidade semelhante a Bia, a minha personagem principal feminina. As músicas de Alanis dão-me a ideia de uma mulher de carácter forte, terra-a-terra embora não deixe de ter uma componente espiritual, que comete erros, possui imperfeições e não tem problemas em admiti-lo, chegando a ser, por vezes, politicamente incorreta.

 

No entanto, a semelhança com Bia é mais evidente em Guardian.


 



 

Em termos musicais não há muito a dizer. O estilo é o típico rock leve e feminino, característico de Alanis. Aquilo que mais me atraiu na música foi mesmo a letra. Alanis escreveu-a pensando no filho que teve há pouco tempo, embora admita que ela mesma é bastante altruísta e protetora relativamente aos demais. A música fala, precisamente, sobre amor, dedicação, lealdade, instintos protetores.

Na verdade, Guardian acaba por ter mais a ver, não com Bia, mas com a personagem que lhe deu origem, a personagem principal da história que serviu de principal base a "Planetas Homólogos". A função dessa personagem no mundo onde a história decorre é, precisamente, a de Guardiã. Foi uma coincidência incrível que, mais de seis depois de ter criado a Guardiã, mais de dois anos depois de a ter adaptado para aquele que foi o primeiro livro que publiquei, tenha saído uma música com o mesmo nome e descrevendo perfeitamente a personalidade da minha protagonista.


 


 

Bia é uma jovem que passou por muito na vida tendo conseguido dar a volta a tais situações da melhor maneira. Só por isso serve de exemplo, de inspiração, àqueles que a rodeiam, quando eles mesmos passam por dificuldades. Ela própria é também muito altruísta, capaz de fazer tudo por aqueles que ama. Em particular por Alex, a minha personagem principal masculina.

Começo a entrar um pouco no campo dos spoilers, mas enfim... Em "O Sobrevivente", Bia torna-se a principal protetora, a principal mentora de Alex e da sua irmã no mundo em que entram. O mais engraçado é que a própria letra de Guardian acaba por remeter para Alex: "You who has pushed beyond what's humaine", "they were distracted and shut down". Outra coisa em Guardian que me recorda as minhas personagens é o facto de o protegido já possuir uma certa força por si só, já ser um ser extraordinário à sua maneira, não apenas uma criatura indefesa e insignificante.




Uma outra música que acaba por ter um espírito semelhante a Guardian é Angel With a Shotgun, dos The Cab. A letra fala igualmente em instinto protetor, algo feroz até, embora com um carácter mais romântico e ficcionado. Lembra igualmente Bia, capaz de tudo como ela é para proteger aqueles que ama, que ainda por cima anda sempre munida de uma arma. A soniridade remete igualmente para a ficção, com um rock algo sinfónico, que lhe confere um carácter épico.

O único "defeito" desta música é mesmo não ter voz feminina. Se tivesse, Bia poderia assinar por baixo. Sei que existe uma versão feminina, por Nightcore, mas nota-se que é uma manipulação informática da música orignal. Se surgir algum cover feminino genuíno de Angel With A Shotgun, avisem!



 

Fica aqui a receita: se algum artista que me quiser conquistar, tem de criar música que se ligue, de uma forma ou de outra, às minhas histórias. Se a música for capaz disso, rapidamente tornar-se-à imortal para mim. Falo aqui meio a brincar meio a sério pois, desde que comecei a considerar-me uma escritora buscando inspiração em diversas fontes, sinto cada vez menos paciência para música superficial e anseio por música com algum conteúdo. Foi por isso que não gostei tanto quanto esperava da recém-lançada trilogia de álbuns dos Green Day.

É claro que existem algumas exceções, em particular uma certa exceção e mesmo nesses casos, é raro tais músicas serem as minhas preferidas. Mas isso fica para outras escritas, se se justificar.

Esta foi apenas a primeira entrada sobre Música de 2012. Planeio publicar mais uma. Mantenham-se ligados!

E, já agora, Feliz Natal!

Música de 2012 #1

O final do ano aproxima-se a passos largos. Uma coisa que costume fazer no fim de cada ano é eleger os cantores, faixas e/ou álbuns musicais que mais me marcaram nesse mesmo ano.

2011, por exemplo, foi um ano bastante rico em termos musicais para mim. Há um ano, elegi Goodbye Lullaby, de Avril Lavigne, e The Unforgiving, de Within Temptation (Crítica AQUI), como os álbuns do ano, com destaque para os singles Smile e Shot in the Dark, respetivamente. Também marcantes foram o single Monster, dos Paramore, e a banda Sum 41, apesar de não ter gostado tanto assim de Screaming Bloody Murder.


Este ano, Alanis Morissette foi uma cantora marcante. Já a conhecia há bastante tempo e músicas como Ironic e You Learn há muito que fazem parte da minha playlist. Este ano decidi ouvir-lhe a discografia completa. Vou ser sincera, gosto muito de cerca de uma dúzia de músicas dela, na sua maioria singles, mas o resto não me diz muito. A minha favorita, tirando Guardian, é Hand In My Pocket - um dia falarei sobre ele e sobre outras na rubrica Músicas Ao Calhas.

Uma coisa em que reparei ao ouvir as músicas de Alanis é que esta parece ter uma personalidade semelhante a Bia, a minha personagem principal feminina. As músicas de Alanis dão-me a ideia de uma mulher de carácter forte, terra-a-terra embora não deixe de ter uma componente espiritual, que comete erros, possui imperfeições e não tem problemas em admiti-lo, chegando a ser, por vezes, politicamente incorreta.

No entanto, a semelhança com Bia é mais evidente em Guardian.


Em termos musicais não há muito a dizer. O estilo é o típico rock leve e feminino, característico de Alanis. Aquilo que mais me atraiu na música foi mesmo a letra. Alanis escreveu-a pensando no filho que teve há pouco tempo, embora admita que ela mesma é bastante altruísta e protetora relativamente aos demais. A música fala, precisamente, sobre amor, dedicação, lealdade, instintos protetores.

Na verdade, Guardian acaba por ter mais a ver, não com Bia, mas com a personagem que lhe deu origem, a personagem principal da história que serviu de principal base a "Planetas Homólogos". A função dessa personagem no mundo onde a história decorre é, precisamente, a de Guardiã. Foi uma coincidência incrível que, mais de seis depois de ter criado a Guardiã, mais de dois anos depois de a ter adaptado para aquele que foi o primeiro livro que publiquei, tenha saído uma música com o mesmo nome e descrevendo perfeitamente a personalidade da minha protagonista.


Bia é uma jovem que passou por muito na vida tendo conseguido dar a volta a tais situações da melhor maneira. Só por isso serve de exemplo, de inspiração, àqueles que a rodeiam, quando eles mesmos passam por dificuldades. Ela própria é também muito altruísta, capaz de fazer tudo por aqueles que ama. Em particular por Alex, a minha personagem principal masculina.

Começo a entrar um pouco no campo dos spoilers, mas enfim... Em "O Sobrevivente", Bia torna-se a principal protetora, a principal mentora de Alex e da sua irmã no mundo em que entram. O mais engraçado é que a própria letra de Guardian acaba por remeter para Alex: "You who has pushed beyond what's humaine", "they were distracted and shut down". Outra coisa em Guardian que me recorda as minhas personagens é o facto de o protegido já possuir uma certa força por si só, já ser um ser extraordinário à sua maneira, não apenas uma criatura indefesa e insignificante.


Uma outra música que acaba por ter um espírito semelhante a Guardian é Angel With a Shotgun, dos The Cab. A letra fala igualmente em instinto protetor, algo feroz até, embora com um carácter mais romântico e ficcionado. Lembra igualmente Bia, capaz de tudo como ela é para proteger aqueles que ama, que ainda por cima anda sempre munida de uma arma. A soniridade remete igualmente para a ficção, com um rock algo sinfónico, que lhe confere um carácter épico.

O único "defeito" desta música é mesmo não ter voz feminina. Se tivesse, Bia poderia assinar por baixo. Sei que existe uma versão feminina, por Nightcore, mas nota-se que é uma manipulação informática da música orignal. Se surgir algum cover feminino genuíno de Angel With A Shotgun, avisem!


Fica aqui a receita: se algum artista que me quiser conquistar, tem de criar música que se ligue, de uma forma ou de outra, às minhas histórias. Se a música for capaz disso, rapidamente tornar-se-à imortal para mim. Falo aqui meio a brincar meio a sério pois, desde que comecei a considerar-me uma escritora buscando inspiração em diversas fontes, sinto cada vez menos paciência para música superficial e anseio por música com algum conteúdo. Foi por isso que não gostei tanto quanto esperava da recém-lançada trilogia de álbuns dos Green Day.

É claro que existem algumas exceções, em particular uma certa exceção e mesmo nesses casos, é raro tais músicas serem as minhas preferidas. Mas isso fica para outras escritas, se se justificar.

Esta foi apenas a primeira entrada sobre Música de 2012. Planeio publicar mais uma. Mantenham-se ligados!

E, já agora, Feliz Natal!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Sobrevivente - Planetas Homólogos


Uma vez que faz hoje um ano desde o lançamento oficial do meu primeiro livro, O Sobrevivente, julgo que é altura de, finalmente, falar sobre ele aqui no blogue. Não que nunca o tenha feito. Se repararem nas minhas outras entradas, em várias delas faço referência à minha escrita. Mas nesta falarei exclusivamente sobre o processo de criação da minha obra. Este, "oficialmente", começou em inícios de 2010 mas, na verdade, sinto que o tenho criado ao longo de toda a minha vida e só há quase três anos é que comecei a deitá-lo cá para fora.

Toda a minha vida adorei livros, eu e os meus dois irmãos mais novos, muito por influência dos nossos pais. É uma coisa quase inata. Ainda mal sabíamos andar e já íamos à estante dos policiais da minha mãe. É claro que na altura era para rasgá-los, não exatamente para lê-los... O meu pai ainda hoje nos lê livros em voz alta. Nós, os cinco, adoramos ler. Mas apenas a mim me calhou gostar de escrever. 

Escrever sempre foi, de resto, a minha atividade preferida, quase desde que aprendi a fazê-lo. Lembro-me de ter começado quando devia ter uns sete ou oito anos. Ou nove. Como já referi em entradas anteriores, comecei por escrever histórias com personagens de desenhos animados, como o Bugs Bunny ou o Rato Mickey e respetiva companhia. Foi algo que nunca deixei de fazer ao longo dos anos. Escrevia historietas de vários tipos, algumas fanfics before-it-was-cool (antes de ser fixe, de estar na moda); experimentei escrever poemas mas não tinha jeito; tive um diário durante vários anos; e, nesta altura, já saberão do meu primeiro blogue, O Meu Clube é a Seleção.




A ficção sempre foi aquilo que mais me atraiu. Ainda no outro dia estava a folhear um dos meus diários e encontrei uma passagem referente à altura em que me apercebi disso, há cerca de seis anos: "Deu-me um prazer infinito escrever a história. Criar as personagens, definir-lhes a personalidade, jogar com os seus pensamentos e emoções, com o medo, a coragem, a angústia, a cumplicidade, a determinação, motivados pela aventura... E como se fosse uma private joke dos escritores." Na altura, escrevia já as histórias que me serviriam de base a "Planetas Homólogos", a saga que começa com "O Sobrevivente".

Olhando para trás, reparo que os melhores períodos da minha vida têm sido aqueles em que criava ficção a um ritmo frenético. Ao mesmo tempo, aqueles períodos em que me sentia mais vazia correspondem a altura em que escrevia menos, em particular ficção. Com poucas exceções, só este género de escrita me preenche por completo.

E há já muitos anos que pouquíssimas coisas são melhores do que estar ao computador, passando a limpo o rascunho de uma qualquer história que estivesse a escrever na altura, ao som da minha música.

Já tinha feito algumas tentativas de escrever algo para publicar, mas não funcionaram. Demorei algum tempo a perceber porquê: eram demasiado impessoais. Para aquilo resultar, teria de torná-lo pessoal, de amar as personagens, de verter a minha personalidade, as minhas crenças, as minhas ideias, na história. Se não significar nada para mim, a minha escrita nunca passaria da mediania. Ou mesmo da mediocridade. Falo por experiência.


O que nos leva às minhas fontes de inspiração. Já falei de muitas delas em entradas anteriores. A inspiração pode vir de qualquer lado e de diferentes alturas da minha vida. Em termos de livros, destacaria a série Harry Potter e o Ciclo da Herança, de que falei AQUI

Outra fonte de inspiração é a música, como já devem ter percebido a partir das várias entradas deste blogue dedicadas ao tema. Existem músicas que me deram ideias (não dou exemplos por serem spoilers). Músicas que descobri e que calharam descrever bem uma determinada personagem (Guardian, de Alanis Morissette; Into The Fire, de Bryan Adams), um determinado sentimento (Keep Holding On, de Avril Lavigne) ou um determinado acontecimento, sobre o qual já tinha escrito, se não nesta história em particular, nas histórias que serviram de base (New Divide, dos Linkin Park). Músicas que ouvi numa altura em que trabalhava numa determinada parte, que me ajudaram na escrita da mesma (Faster, de Within Temptatin) ou cujo espírito se entrelaçou com o espírito da história (How Do Ya Feel Tonight, de Bryan Adams). Alguns dos capítulos do livro, bem como dos próximos, abrem com citações e a larga maioria delas são versos de músicas, como as que citei. 

Também me inspiro a partir de filmes, séries, coisas que me aconteceram, as minas próprias crenças e dúvidas. Obtenho inclusivamente inspiração a partir dos meus estudos - isso foi particularmente importante na definição do conceito-base da história. Como já afirmei NESTA ENTRADA, tudo isto pode não ser suficiente para tornar a história original mas torna-a algo que só eu poderia contar.

Isso transforma-se numa faca de dois gumes, é claro. Billie Joe Armstrong, dos Green Day, à sua maneira irreverente, definiu na perfeição esse sentimento: um misto de orgasmo e ataque de pânico. Uma pessoa sente-se entusiasmada por realizar o seu sonho, orgulhosa quando as pessoas lhe dão os parabéns e elogiam o seu livro e, ao mesmo tempo, sente-se aflita pois todo o seu eu está ali, escarrapachado nas suas páginas, disponível para qualquer um ler, à mercê da troça e da crítica de toda a gente. Dias antes do lançamento oficial estive com vómitos - algo que, segundo o meu pai, acontece a mim e à minha mãe quando nos stressamos a sério. Não é fácil, digam o que disserem. 


Esta parte da entrada tem imensos spoilers, por isso, caso não tenham lido o livro, aconselho-vos a saltar estes parágrafos.

Antes de começar a delinear a história sabia o que queria fazer. Queria criar algo que misturasse aventura, ação, romance, alguma fantasia e/ou ficção científica, lá está, estilo Harry Potter ou Ciclo da Herança. As personagens surgiram-me primeiro, adaptadas de histórias anteriores. O conceito demorou-me um pouco mais. Na altura - relembrando: inícios de 2010 - estavam muito na moda os vampiros e tinha acabado de sair o filme Avatar. Os vampiros não me diziam muito mas não nego que o Avatar me tenha influenciado, embora não saiba dizer se consciente ou inconscientemente. Queria criar as minhas próprias criaturas sobrenaturais.





Lembro-me razoavelmente do dia em que defini, finalmente, o conceito-base da história e certos pormenores do enredo, do momento em que tive a epifania - durante uma aula teórica - e até do raciocínio que a ela levou. Acima, estão algumas das digitalizações das notas que tomei na altura. Lembro-me de estar a ouvir a versão dos Full Blown Rose de In The Air Tonight - a versão que aparece em Tru Calling. Lembro-me de estar a pensar no Digimon, no conceito dos mundos/dimensões/realidades alternativas, de acabar por decidir criar um conceito misto de outro planeta e respetivos habitantes, com portais de acesso espalhados um pouco por todo o planeta Terra. Batizei o planeta de Minerva visto ser a única figura mitológica greco-romana de que me lembrava que não tinha dado nome a um planeta. Chamei nervianos aos habitantes. 

Nesta parte entra o meu curso. Visto que, naquela altura, andava a estudar a bioquímica do ADN e tudo o que a ele está ligado, decidi fazer uma analogia com os cromossomas homólogos. Daí que os portais se chamem "pontos de quiasma", que a troca de habitantes entre ambos os planetas se designe "crossing over", que a saga se chame "Planetas Homólogos".

Como forma de imortalizar esse dia, 22 de março de 2010, decidi torná-lo no dia de aniversário de Alex, a minha personagem masculina principal.


Fim dos spoilers

Comecei a escrever o primeiro capítulo no dia seguinte - bem, em rigor, não comecei pois já tinha um esboço. O que fiz foi escrevê-lo tendo em conta o conceito recém-criado. Foi nesse dia, também, que ouvi How Do Ya Feel Tonight pela primeira vez, a música que acabou por se tornar a faixa-tema da saga (mais pormenores AQUI).

Escrevi este livro sem grande planeamento, exceto no início de cada capítulo, deixando que a história se contasse a si mesma. Só quando ia mais ou menos a meio é que defini o esqueleto básico do que restava, bem como dos outros livros da série: quatro no total. Agora já não faço isso, já não parto às escuras para a escrita mas também não planeio tudo ao pormenor. Não sou capaz de fazê-lo, há coisas que só surgem durante a escrita propriamente dita. Só dessa fora consigo sentir a alma do livro.

Mas também me acontece o contrário, também me acontece bloquear quando tento ir às cegas. Foi o que me aconteceu no meu terceiro livro. Mas já lá vamos. Nesse aspeto, ESTA ENTRADA do blogue da escritora de fantasia Rachel Aaron foi uma ajuda valiosa. Esta e outras semelhantes do blogue dela. Só é pena que os livros dela não estejam a venda no nosso País, já que os textos dela me têm ajudado tanto. Além de que fiquei curiosa em relação aos livros dela.



Como já afirmei anteriormente, "O Sobrevivente" é o primeiro livro de uma série de quatro. O seu objetivo principal é quase só o de apresentar as personagens, o conceito. De certa forma, a história a sério começa no segundo livro, chamado "O Tsunami". Este já está escrito mas ainda está em bruto, falta-lhe ser editado. Na verdade, acabei de escrevê-lo há cerca de ano e meio mas tenho adiado o processo de edição pois as atenções estavam, na altura, todas voltadas para o lançamento de "O Sobrevivente". Posso desde já adiantar que "O Tsunami" está melhor que o seu antecessor, mais tenso, mais emotivo, com um enredo mais complexo. Estou bastante orgulhosa dele. Ainda não dei a ler a ninguém, tirando a minha irmã e mesmo ela não chegou a acabá-lo. Quero editá-lo primeiro, mas estou ansiosa por ouvir a opinião da minha mãe, do meu irmão e, depois de publicado, das outras pessoas. 

Neste momento, encontro-me a escrever o terceiro livro. Como já tinha mencionado no verão passado (ver AQUI), este está a custar-me mais. Enquanto os dois primeiros foram escritos em cerca de seis ou sete meses - lembro-me que, no início de "O Sobrevivente", escrevia um capítulo por semana - ando há mais de um ano a trabalhar neste. Tive vários bloqueios. Por exemplo, reescrevi várias vezes os primeiros capítulos - tanto "O Sobrevivente" como "O Tsunami" têm um bom primeiro capítulo, se tivesse seguido o plano inicial, a história teria demorado demasiado tempo a começar. Admito que aquele misto de entusiasmo e ansiedade ao lançamento de "O Sobrevivente", em particular, a parte da ansiedade, tenham contribuído grandemente para tais bloqueios. 




Outro fator terá sido, pelo menos inicialmente, a falta de planeamento, como referi anteriormente. No início, sabia como o livro começava e como acabava. Levei algum tempo a preencher o grande buraco no meio. Só consegui acabar de fazê-lo há poucos meses, depois de ter tido tempo de me organizar, durante o verão. Assim que tal buraco ficou preenchido, consegui retomar o ritmo de escrita dos dois primeiros livros. Só me falta escrever o fim. Ao longo das últimas semanas, fui passando a computador todos os rascunhos que fui escrevendo desde o início do ano, em particular nos últimos meses - cem páginas, no total! - de modo a montar o puzzle, dar coesão à história e descobrir como encerrá-la devidamente. No verão achava o livro não teria grande força por si só mas acho que consegui dar a volta ao texto - literalmente e não só. No processo da escrita, consegui descobrir a alma do livro, já antes mencionada, arranjar maneira de ligá-lo ao livro seguinte. Pode não ficar tão bom como "O Tsunami" mas andará perto, pelo menos em termos de tensão e emotividade. Conto acabar de escrevê-lo dentro de um mês ou dois. E depois começar o quarto e último livro.

Nem sempre tem sido fácil esta jornada. Não falo apenas na dualidade orgasmo/ataque de pânico de que falei acima. Tenho plena consciência de que os meus livros não são perfeitos, antes pelo contrário. Existem muitas coisas que gostaria de mudar em "O Sobrevivente" e angustia-me já não poder fazê-lo. Tenho consciência de algumas das fraquezas da minha história, mas temo não estar a conseguir vê-las todas. Nos últimos dois anos habituei-me a ler críticas de livros, filmes, séries, etc - uma das coisas que me levou a criar este blogue. E se isso me permite aprender com os erros alheios, também me faz pensar no que diriam os críticos sobre o meu livro. Interrogar-me se este será pior do que a noção que tenho dele, se estarei a criar estereótipos em vez de personagens, se a minha história será previsível, cheia de clichés, se o meu livro será, pura e simplesmente, patético. Se teria feito melhor se nunca o tivesse publicado.

Em suma, muitas vezes sinto-me uma criança brincando aos escritores.


Não é o suficiente para me fazer parar de escrever, de criar ficção. Não é por teimosia, é porque já está tão enraizado em mim que se tornou quase uma necessidade fisiológica, como já mencionei anteriormente, como  o são a comida, a bebida, o sexo, o sono, etc. A minha mãe disse-me uma vez que admira a minha persistência por ter escrito um livro do princípio ao fim, mas para mim não se trata disso. Isto não me é um esforço, não é trabalho, antes pelo contrário. É ócio. É como ver televisão, estar no Facebook, jogar videojogos. É algo que me serve de consolo, que me ajuda tantas vezes a manter a sanidade mental. Acaba por se tornar um vício. Com a vantagem de, ao contrário do álcool e das drogas, não me dar cabo do fígado e estar a criar algo relativamente útil.

Pelo menos é o que digo a mim mesma.

De qualquer forma, a escrita - de ficção e não só - já se enraizou de tal forma na minha personalidade que, se não fosse escritora, não seria a mesma pessoa. Seria ainda mais insignificante, mais patética, do que sou atualmente. Além de que a escrita já me levou mais longe do que tudo o resto - não muito, mas o suficiente para me fazer sentir que, em quase vinte e três anos de respiração individual, já fiz alguma coisa nesta vida, por pequena que seja.

Como podem ver, desistir da escrita ou mesmo fazer apenas uma pausa, por curta que seja, não é opção.
Ainda não sei o que escreverei depois de terminar esta história. Tenho uma ou duas ideias muito vagas. O problema é que sinto que os "Planetas Homólogos" são a história que estava destinada a escrever, a história que esteve dentro de mim a vida inteira mas que só comecei a deitar cá para fora em 2010. E tendo em conta o que disse anteriormente, que a minha ficção só funciona quando amo as personagens, quando amo a história, tenho algum receio de não conseguir amar outras histórias, outras personagens, da maneira que amo estas.

Visto que ainda estou longe de terminar esta história, não terei de me preocupar com isso tão cedo. Nos próximos tempos, continuarei a trabalhar nela. Ao mesmo tempo, vou lendo livros, vendo séries e filmes, ouvindo música, falando sobre algumas dessas obras aqui no blogue, de modo a encontrar fontes de inspiração.

Mesmo que nunca seja uma escritora de sucesso, que não consiga vender muitos livros, que nunca realize os meus sonhos mais irrealistas - com ver os meus livros adaptados ao cinema - mesmo que nem sequer consiga publicar mais nenhum livro, ninguém será capaz de roubar o prazer destas epifanias criativas, dos impulsos febris de escrita, de escrevinhar até sentir a mão dorida, gastando bics atrás de bics, de passar horas e horas ao computador, convertendo o texto manuscrito em texto digital. Enquanto for capaz de escrever, quer seja ficção, quer seja nos meus blogues, de desfrutar tudo o que a isso está associado, nunca serei um fracasso como escritora, pois uma grande parte de mim viverá para sempre nos meus textos.

Podem adquirir o livro AQUI.

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O Sobrevivente - Planetas Homólogos


 

Uma vez que faz hoje um ano desde o lançamento oficial do meu primeiro livro, O Sobrevivente, julgo que é altura de, finalmente, falar sobre ele aqui no blogue. Não que nunca o tenha feito. Se repararem nas minhas outras entradas, em várias delas faço referência à minha escrita. Mas nesta falarei exclusivamente sobre o processo de criação da minha obra. Este, "oficialmente", começou em inícios de 2010 mas, na verdade, sinto que o tenho criado ao longo de toda a minha vida e só há quase três anos é que comecei a deitá-lo cá para fora.

 

Toda a minha vida adorei livros, eu e os meus dois irmãos mais novos, muito por influência dos nossos pais. É uma coisa quase inata. Ainda mal sabíamos andar e já íamos à estante dos policiais da minha mãe. É claro que na altura era para rasgá-los, não exatamente para lê-los... O meu pai ainda hoje nos lê livros em voz alta. Nós, os cinco, adoramos ler. Mas apenas a mim me calhou gostar de escrever. 


Escrever sempre foi, de resto, a minha atividade preferida, quase desde que aprendi a fazê-lo. Lembro-me de ter começado quando devia ter uns sete ou oito anos. Ou nove. Como já referi em entradas anteriores, comecei por escrever histórias com personagens de desenhos animados, como o Bugs Bunny ou o Rato Mickey e respetiva companhia. Foi algo que nunca deixei de fazer ao longo dos anos. Escrevia historietas de vários tipos, algumas fanfics before-it-was-cool (antes de ser fixe, de estar na moda); experimentei escrever poemas mas não tinha jeito; tive um diário durante vários anos; e, nesta altura, já saberão do meu primeiro blogue, O Meu Clube é a Seleção.




 

 

A ficção sempre foi aquilo que mais me atraiu. Ainda no outro dia estava a folhear um dos meus diários e encontrei uma passagem referente à altura em que me apercebi disso, há cerca de seis anos: "Deu-me um prazer infinito escrever a história. Criar as personagens, definir-lhes a personalidade, jogar com os seus pensamentos e emoções, com o medo, a coragem, a angústia, a cumplicidade, a determinação, motivados pela aventura... E como se fosse uma private joke dos escritores." Na altura, escrevia já as histórias que me serviriam de base a "Planetas Homólogos", a saga que começa com "O Sobrevivente".


Olhando para trás, reparo que os melhores períodos da minha vida têm sido aqueles em que criava ficção a um ritmo frenético. Ao mesmo tempo, aqueles períodos em que me sentia mais vazia correspondem a altura em que escrevia menos, em particular ficção. Com poucas exceções, só este género de escrita me preenche por completo.

E há já muitos anos que pouquíssimas coisas são melhores do que estar ao computador, passando a limpo o rascunho de uma qualquer história que estivesse a escrever na altura, ao som da minha música.

 

Já tinha feito algumas tentativas de escrever algo para publicar, mas não funcionaram. Demorei algum tempo a perceber porquê: eram demasiado impessoais. Para aquilo resultar, teria de torná-lo pessoal, de amar as personagens, de verter a minha personalidade, as minhas crenças, as minhas ideias, na história. Se não significar nada para mim, a minha escrita nunca passaria da mediania. Ou mesmo da mediocridade. Falo por experiência.

 


 

O que nos leva às minhas fontes de inspiração. Já falei de muitas delas em entradas anteriores. A inspiração pode vir de qualquer lado e de diferentes alturas da minha vida. Em termos de livros, destacaria a série Harry Potter e o Ciclo da Herança, de que falei AQUI

 

Outra fonte de inspiração é a música, como já devem ter percebido a partir das várias entradas deste blogue dedicadas ao tema. Existem músicas que me deram ideias (não dou exemplos por serem spoilers). Músicas que descobri e que calharam descrever bem uma determinada personagem (Guardian, de Alanis Morissette; Into The Fire, de Bryan Adams), um determinado sentimento (Keep Holding On, de Avril Lavigne) ou um determinado acontecimento, sobre o qual já tinha escrito, se não nesta história em particular, nas histórias que serviram de base (New Divide, dos Linkin Park). Músicas que ouvi numa altura em que trabalhava numa determinada parte, que me ajudaram na escrita da mesma (Faster, de Within Temptatin) ou cujo espírito se entrelaçou com o espírito da história (How Do Ya Feel Tonight, de Bryan Adams). Alguns dos capítulos do livro, bem como dos próximos, abrem com citações e a larga maioria delas são versos de músicas, como as que citei. 

 

Também me inspiro a partir de filmes, séries, coisas que me aconteceram, as minas próprias crenças e dúvidas. Obtenho inclusivamente inspiração a partir dos meus estudos - isso foi particularmente importante na definição do conceito-base da história. Como já afirmei NESTA ENTRADA, tudo isto pode não ser suficiente para tornar a história original mas torna-a algo que só eu poderia contar.

 

Isso transforma-se numa faca de dois gumes, é claro. Billie Joe Armstrong, dos Green Day, à sua maneira irreverente, definiu na perfeição esse sentimento: um misto de orgasmo e ataque de pânico. Uma pessoa sente-se entusiasmada por realizar o seu sonho, orgulhosa quando as pessoas lhe dão os parabéns e elogiam o seu livro e, ao mesmo tempo, sente-se aflita pois todo o seu eu está ali, escarrapachado nas suas páginas, disponível para qualquer um ler, à mercê da troça e da crítica de toda a gente. Dias antes do lançamento oficial estive com vómitos - algo que, segundo o meu pai, acontece a mim e à minha mãe quando nos stressamos a sério. Não é fácil, digam o que disserem. 

 


 

 

Esta parte da entrada tem imensos spoilers, por isso, caso não tenham lido o livro, aconselho-vos a saltar estes parágrafos.

 

Antes de começar a delinear a história sabia o que queria fazer. Queria criar algo que misturasse aventura, ação, romance, alguma fantasia e/ou ficção científica, lá está, estilo Harry Potter ou Ciclo da Herança. As personagens surgiram-me primeiro, adaptadas de histórias anteriores. O conceito demorou-me um pouco mais. Na altura - relembrando: inícios de 2010 - estavam muito na moda os vampiros e tinha acabado de sair o filme Avatar. Os vampiros não me diziam muito mas não nego que o Avatar me tenha influenciado, embora não saiba dizer se consciente ou inconscientemente. Queria criar as minhas próprias criaturas sobrenaturais.

 


 



 



 



 


Lembro-me razoavelmente do dia em que defini, finalmente, o conceito-base da história e certos pormenores do enredo, do momento em que tive a epifania - durante uma aula teórica - e até do raciocínio que a ela levou. Acima, estão algumas das digitalizações das notas que tomei na altura. Lembro-me de estar a ouvir a versão dos Full Blown Rose de In The Air Tonight - a versão que aparece em Tru Calling. Lembro-me de estar a pensar no Digimon, no conceito dos mundos/dimensões/realidades alternativas, de acabar por decidir criar um conceito misto de outro planeta e respetivos habitantes, com portais de acesso espalhados um pouco por todo o planeta Terra. Batizei o planeta de Minerva visto ser a única figura mitológica greco-romana de que me lembrava que não tinha dado nome a um planeta. Chamei nervianos aos habitantes. 

 

Nesta parte entra o meu curso. Visto que, naquela altura, andava a estudar a bioquímica do ADN e tudo o que a ele está ligado, decidi fazer uma analogia com os cromossomas homólogos. Daí que os portais se chamem "pontos de quiasma", que a troca de habitantes entre ambos os planetas se designe "crossing over", que a saga se chame "Planetas Homólogos".

 

Como forma de imortalizar esse dia, 22 de março de 2010, decidi torná-lo no dia de aniversário de Alex, a minha personagem masculina principal.

 



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Fim dos spoilers

Comecei a escrever o primeiro capítulo no dia seguinte - bem, em rigor, não comecei pois já tinha um esboço. O que fiz foi escrevê-lo tendo em conta o conceito recém-criado. Foi nesse dia, também, que ouvi How Do Ya Feel Tonight pela primeira vez, a música que acabou por se tornar a faixa-tema da saga (mais pormenores AQUI).

 

Escrevi este livro sem grande planeamento, exceto no início de cada capítulo, deixando que a história se contasse a si mesma. Só quando ia mais ou menos a meio é que defini o esqueleto básico do que restava, bem como dos outros livros da série: quatro no total. Agora já não faço isso, já não parto às escuras para a escrita mas também não planeio tudo ao pormenor. Não sou capaz de fazê-lo, há coisas que só surgem durante a escrita propriamente dita. Só dessa fora consigo sentir a alma do livro.

 

Mas também me acontece o contrário, também me acontece bloquear quando tento ir às cegas. Foi o que me aconteceu no meu terceiro livro. Mas já lá vamos. Nesse aspeto, ESTA ENTRADA do blogue da escritora de fantasia Rachel Aaron foi uma ajuda valiosa. Esta e outras semelhantes do blogue dela. Só é pena que os livros dela não estejam a venda no nosso País, já que os textos dela me têm ajudado tanto. Além de que fiquei curiosa em relação aos livros dela.

 

 


 

Como já afirmei anteriormente, "O Sobrevivente" é o primeiro livro de uma série de quatro. O seu objetivo principal é quase só o de apresentar as personagens, o conceito. De certa forma, a história a sério começa no segundo livro, chamado "O Tsunami". Este já está escrito mas ainda está em bruto, falta-lhe ser editado. Na verdade, acabei de escrevê-lo há cerca de ano e meio mas tenho adiado o processo de edição pois as atenções estavam, na altura, todas voltadas para o lançamento de "O Sobrevivente". Posso desde já adiantar que "O Tsunami" está melhor que o seu antecessor, mais tenso, mais emotivo, com um enredo mais complexo. Estou bastante orgulhosa dele. Ainda não dei a ler a ninguém, tirando a minha irmã e mesmo ela não chegou a acabá-lo. Quero editá-lo primeiro, mas estou ansiosa por ouvir a opinião da minha mãe, do meu irmão e, depois de publicado, das outras pessoas. 

 

Neste momento, encontro-me a escrever o terceiro livro. Como já tinha mencionado no verão passado (ver AQUI), este está a custar-me mais. Enquanto os dois primeiros foram escritos em cerca de seis ou sete meses - lembro-me que, no início de "O Sobrevivente", escrevia um capítulo por semana - ando há mais de um ano a trabalhar neste. Tive vários bloqueios. Por exemplo, reescrevi várias vezes os primeiros capítulos - tanto "O Sobrevivente" como "O Tsunami" têm um bom primeiro capítulo, se tivesse seguido o plano inicial, a história teria demorado demasiado tempo a começar. Admito que aquele misto de entusiasmo e ansiedade ao lançamento de "O Sobrevivente", em particular, a parte da ansiedade, tenham contribuído grandemente para tais bloqueios. 

 


 

 

 

Outro fator terá sido, pelo menos inicialmente, a falta de planeamento, como referi anteriormente. No início, sabia como o livro começava e como acabava. Levei algum tempo a preencher o grande buraco no meio. Só consegui acabar de fazê-lo há poucos meses, depois de ter tido tempo de me organizar, durante o verão. Assim que tal buraco ficou preenchido, consegui retomar o ritmo de escrita dos dois primeiros livros. Só me falta escrever o fim. Ao longo das últimas semanas, fui passando a computador todos os rascunhos que fui escrevendo desde o início do ano, em particular nos últimos meses - cem páginas, no total! - de modo a montar o puzzle, dar coesão à história e descobrir como encerrá-la devidamente. No verão achava o livro não teria grande força por si só mas acho que consegui dar a volta ao texto - literalmente e não só. No processo da escrita, consegui descobrir a alma do livro, já antes mencionada, arranjar maneira de ligá-lo ao livro seguinte. Pode não ficar tão bom como "O Tsunami" mas andará perto, pelo menos em termos de tensão e emotividade. Conto acabar de escrevê-lo dentro de um mês ou dois. E depois começar o quarto e último livro.

 

Nem sempre tem sido fácil esta jornada. Não falo apenas na dualidade orgasmo/ataque de pânico de que falei acima. Tenho plena consciência de que os meus livros não são perfeitos, antes pelo contrário. Existem muitas coisas que gostaria de mudar em "O Sobrevivente" e angustia-me já não poder fazê-lo. Tenho consciência de algumas das fraquezas da minha história, mas temo não estar a conseguir vê-las todas. Nos últimos dois anos habituei-me a ler críticas de livros, filmes, séries, etc - uma das coisas que me levou a criar este blogue. E se isso me permite aprender com os erros alheios, também me faz pensar no que diriam os críticos sobre o meu livro. Interrogar-me se este será pior do que a noção que tenho dele, se estarei a criar estereótipos em vez de personagens, se a minha história será previsível, cheia de clichés, se o meu livro será, pura e simplesmente, patético. Se teria feito melhor se nunca o tivesse publicado.

 

Em suma, muitas vezes sinto-me uma criança brincando aos escritores.

 




 

Não é o suficiente para me fazer parar de escrever, de criar ficção. Não é por teimosia, é porque já está tão enraizado em mim que se tornou quase uma necessidade fisiológica, como já mencionei anteriormente, como  o são a comida, a bebida, o sexo, o sono, etc. A minha mãe disse-me uma vez que admira a minha persistência por ter escrito um livro do princípio ao fim, mas para mim não se trata disso. Isto não me é um esforço, não é trabalho, antes pelo contrário. É ócio. É como ver televisão, estar no Facebook, jogar videojogos. É algo que me serve de consolo, que me ajuda tantas vezes a manter a sanidade mental. Acaba por se tornar um vício. Com a vantagem de, ao contrário do álcool e das drogas, não me dar cabo do fígado e estar a criar algo relativamente útil.

 

Pelo menos é o que digo a mim mesma.

 

De qualquer forma, a escrita - de ficção e não só - já se enraizou de tal forma na minha personalidade que, se não fosse escritora, não seria a mesma pessoa. Seria ainda mais insignificante, mais patética, do que sou atualmente. Além de que a escrita já me levou mais longe do que tudo o resto - não muito, mas o suficiente para me fazer sentir que, em quase vinte e três anos de respiração individual, já fiz alguma coisa nesta vida, por pequena que seja.

 

Como podem ver, desistir da escrita ou mesmo fazer apenas uma pausa, por curta que seja, não é opção.




Ainda não sei o que escreverei depois de terminar esta história. Tenho uma ou duas ideias muito vagas. O problema é que sinto que os "Planetas Homólogos" são a história que estava destinada a escrever, a história que esteve dentro de mim a vida inteira mas que só comecei a deitar cá para fora em 2010. E tendo em conta o que disse anteriormente, que a minha ficção só funciona quando amo as personagens, quando amo a história, tenho algum receio de não conseguir amar outras histórias, outras personagens, da maneira que amo estas.

 

Visto que ainda estou longe de terminar esta história, não terei de me preocupar com isso tão cedo. Nos próximos tempos, continuarei a trabalhar nela. Ao mesmo tempo, vou lendo livros, vendo séries e filmes, ouvindo música, falando sobre algumas dessas obras aqui no blogue, de modo a encontrar fontes de inspiração.

 

Mesmo que nunca seja uma escritora de sucesso, que não consiga vender muitos livros, que nunca realize os meus sonhos mais irrealistas - com ver os meus livros adaptados ao cinema - mesmo que nem sequer consiga publicar mais nenhum livro, ninguém será capaz de roubar o prazer destas epifanias criativas, dos impulsos febris de escrita, de escrevinhar até sentir a mão dorida, gastando bics atrás de bics, de passar horas e horas ao computador, convertendo o texto manuscrito em texto digital. Enquanto for capaz de escrever, quer seja ficção, quer seja nos meus blogues, de desfrutar tudo o que a isso está associado, nunca serei um fracasso como escritora, pois uma grande parte de mim viverá para sempre nos meus textos.

Podem adquirir o livro AQUI.

Visitem a página do Facebook AQUI.


 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Músicas Ao Calhas: Another Heart Calls


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Não me recordo da altura exata em que tomei contacto com a banda The All-American Rejects pela primeira vez mas lembro-me como foi. Foi há uns anos quando vi o Behind the Scenes do vídeo para It Ends Tonight, na MTV. Gostei quase de imediato da música. Mais tarde, algures em 2008 ou 2009, o meu irmão tomou contacto com eles, tendo-me falado de Gives You Hell e Real World que, inclusivamente, faria parte da banda sonora de uma série qualquer - mas não consigo descobrir qual, nem mesmo pesquisando... Já andava há algum tempo para conhecer melhor a banda, resolvi fazê-lo este ano. Ouvi-lhes toda a discografia. Ainda não ouvi o último álbum deles, Kids On The Street, mas quero comprá-lo assim que puder. Depois de ouvir, certamente escreverei uma crítica para publicar aqui no Álbum.

 

Gosto da sonoridade pop rock da música deles, das melodias cativantes. Tenho uma mão-cheia de faixas preferidas - Move Along, I Wanna, Damn Girl, Gives You Hell, Another Heart Calls, que deu origem a esta entrada. Gostei, particularmente, do último álbum deles, When The World Comes Down. Estou com grandes expectativas em relação a Kids On The Street. No entanto, tenho sentido uma certa relutância em incluir os All-American Rejects entre as minhas bandas preferidas. Sinto que lhes falta qualquer coisa que os distinga de outras bandas de rock. Os temas estão todos dentro do comum, do politicamente correto - tirando Gives You Hell. Os Green Day têm punk rock rebelde, com ou sem causa. Os Linkin Park têm mistura de estilos musicais com temas emo. Os Sum41 têm punk rock energético, podendo ser, pura e simplesmente, arruaceiro ou abordar temas com que nos podemos identificar. Os Simple Plan têm o punk pop, ainda algo adolescente. Os Paramore têm punk rock adolescente e/ou jovem adulto, com voz feminina. Os Within Temptation têm rock sinfónico, com influências góticas. Estas definições são simplistas, é claro, mas a verdade é que, na minha modesta opinião, aos All-American Rejects falta uma identidade deste tipo, falta um estilo próprio. Tenho esperança, contudo, de que o tenham encontrado em Kids On The Street, que tenham arriscado um pouco mais.

 

Mas, para já, quero falar do produto da colaboração dos Rejects com a banda The Pierces: Another Heart Calls, uma das minhas preferidas deles.


 



 



 

Say it's true,

I'd never ask for anyone but you

 

Another Heart Calls é das músicas mais interessantes e originais, pelo menos musicalmente, dos All-American Rejects, pois começa como balada e acaba agitada, dando vontade de abanar o capacete. Além de que gosto bastante de colaborações homem-mulher deste género.

 

A faixa abre com piano no fundo e notas de guitarra que, apesar de me recordarem os primeiros versos de Incomplete, dos Backstreet Boys, conferem um tom misterioso, etéreo, que se prolonga até ao primeiro refrão, este particularmente emotivo. Destaque ainda para as batidas após o verso "another heart calls", assemelhando-se, precisamente, a batimentos cardíacos.

 

A faixa ganha um carácter completamente diferente após o fim do primeiro refrão. Surgem batidas fortes e guitarras elétricas, sem que se perca a emoção, que se mantém até ao final. Uma das minhas partes preferidas da faixa são os coros após o segundo refrão: os "whoa-o-o-oh" masculinos e os "la la la" femininos.

 

A letra da música é muito vaga, inespecífica, deixando adivinhar pouco mais do que um relacionamento com problemas de comunicação, que já passou a fase de lua-de-mel. A emoção está toda no arranjo musical e nas vozes de Tyson Ritter e Allison Pierce.

 

Não resisto a concluir este texto com um vídeo de uma entrevista que o Tyson deu em conjunto com Avril Lavigne - quem mais? Destaque para os bloopers, no final.

 


Músicas Ao Calhas: Another Heart Calls


Não me recordo da altura exata em que tomei contacto com a banda The All-American Rejects pela primeira vez mas lembro-me como foi. Foi há uns anos quando vi o Behind the Scenes do vídeo para It Ends Tonight, na MTV. Gostei quase de imediato da música. Mais tarde, algures em 2008 ou 2009, o meu irmão tomou contacto com eles, tendo-me falado de Gives You Hell e Real World que, inclusivamente, faria parte da banda sonora de uma série qualquer - mas não consigo descobrir qual, nem mesmo pesquisando... Já andava há algum tempo para conhecer melhor a banda, resolvi fazê-lo este ano. Ouvi-lhes toda a discografia. Ainda não ouvi o último álbum deles, Kids On The Street, mas quero comprá-lo assim que puder. Depois de ouvir, certamente escreverei uma crítica para publicar aqui no Álbum.

Gosto da sonoridade pop rock da música deles, das melodias cativantes. Tenho uma mão-cheia de faixas preferidas - Move Along, I Wanna, Damn Girl, Gives You Hell, Another Heart Calls, que deu origem a esta entrada. Gostei, particularmente, do último álbum deles, When The World Comes Down. Estou com grandes expectativas em relação a Kids On The Street. No entanto, tenho sentido uma certa relutância em incluir os All-American Rejects entre as minhas bandas preferidas. Sinto que lhes falta qualquer coisa que os distinga de outras bandas de rock. Os temas estão todos dentro do comum, do politicamente correto - tirando Gives You Hell. Os Green Day têm punk rock rebelde, com ou sem causa. Os Linkin Park têm mistura de estilos musicais com temas emo. Os Sum41 têm punk rock energético, podendo ser, pura e simplesmente, arruaceiro ou abordar temas com que nos podemos identificar. Os Simple Plan têm o punk pop, ainda algo adolescente. Os Paramore têm punk rock adolescente e/ou jovem adulto, com voz feminina. Os Within Temptation têm rock sinfónico, com influências góticas. Estas definições são simplistas, é claro, mas a verdade é que, na minha modesta opinião, aos All-American Rejects falta uma identidade deste tipo, falta um estilo próprio. Tenho esperança, contudo, de que o tenham encontrado em Kids On The Street, que tenham arriscado um pouco mais.

Mas, para já, quero falar do produto da colaboração dos Rejects com a banda The Pierces: Another Heart Calls, uma das minhas preferidas deles.



Say it's true,
I'd never ask for anyone but you

Another Heart Calls é das músicas mais interessantes e originais, pelo menos musicalmente, dos All-American Rejects, pois começa como balada e acaba agitada, dando vontade de abanar o capacete. Além de que gosto bastante de colaborações homem-mulher deste género.

A faixa abre com piano no fundo e notas de guitarra que, apesar de me recordarem os primeiros versos de Incomplete, dos Backstreet Boys, conferem um tom misterioso, etéreo, que se prolonga até ao primeiro refrão, este particularmente emotivo. Destaque ainda para as batidas após o verso "another heart calls", assemelhando-se, precisamente, a batimentos cardíacos.

A faixa ganha um carácter completamente diferente após o fim do primeiro refrão. Surgem batidas fortes e guitarras elétricas, sem que se perca a emoção, que se mantém até ao final. Uma das minhas partes preferidas da faixa são os coros após o segundo refrão: os "whoa-o-o-oh" masculinos e os "la la la" femininos.

A letra da música é muito vaga, inespecífica, deixando adivinhar pouco mais do que um relacionamento com problemas de comunicação, que já passou a fase de lua-de-mel. A emoção está toda no arranjo musical e nas vozes de Tyson Ritter e Allison Pierce.

Não resisto a concluir este texto com um vídeo de uma entrevista que o Tyson deu em conjunto com Avril Lavigne - quem mais? Destaque para os bloopers, no final.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Músicas Ao Calhas: Mobile

Depois de várias Músicas Ao Calhas, já estava na altura de falar de uma música da minha cantora preferida, Avril Lavigne. A discografia da cantautora canadiana inclui várias faixas que dão pano para mangas pelos motivos citados AQUI e mais alguns ainda. Começarei por Mobile, do álbum Let Go, o primeiro da cantora.





Everything's changing!
When I turn around,
All out of my control
I'm a mobile

Um facto completamente irrelevante para o caso: Mobile foi a primeira música que ouvi no meu primeiro leitor de MP3, que recebi aquando do meu décimo-sexto aniversário.

Let Go é o meu álbum preferido de Avril Lavigne por vários motivos. Um dos quais é o facto de cada uma das músicas ser fortemente icónica, fortemente representativa da personalidade e/ou da vida da Avril. Mobile é um dos exemplos mais significativos disso.

O único defeito da música é a letra estar construída um pouco às três pancadas. As letras nunca foram o ponto forte da música da Avril, as suas forças residem mais nas melodias e na emoção. Isto, de resto, contradiz aqueles rumores ocasionais de que a cantora não participa na composição das suas faixas - é muito mais provável uma rapariga de dezasseis anos, saída da escola, tenha escrito esta letra do que um experiente produtor de música.

Em termos musicais, Mobile está dentro da sonoridade predominante em Let Go: guiada pela guitarra acústica, a que se juntam guitarras elétricas no refrão. A melodia é forte, contagiante, como, de resto, quase todas as músicas da Avril. A terceira parte da música, que inclui o terceiro verso, o solo de guitarra, o refrão incompleto e os "la la la"'s, é a minha preferida.




Avril criou esta música inspirando-se na grande e súbita volta que a sua vida deu quando, aos dezasseis anos, assinou o seu primeiro contrato de gravação com a Arista Records, mudando-se, consequentemente, para Nova Iorque e, mais tarde, para Los Angeles, para gravar um disco - uma mudança que ela nem sequer compreendia na sua totalidade. Ela refere-o várias vezes em entrevistas: no início da sua carreira era muito ingénua, não se apercebia da sorte que tinha por ter conseguido assinar com Anthony L.A. Reid, por ter lançado o seu álbum de estreia aos dezassete anos e por os primeiros três singles deste disco (Complicated, Sk8er Boi, I'm With You) terem sido sucessos estrondosos.

Toda a gente passa por uma mudança deste género na passagem para a vida adulta, por essa montanha-russa de emoções contraditórias mas poucas são tão grandes e tão precoces como aquela por que a Avril passou. E ainda a procissão ia no adro aquando da criação de Mobile. Quando Avril a compôs, pensava apenas na mudança de Napanee, a sua terra natal, para Nova Iorque e, depois, Los Angeles. Dentro de um ano ou dois, a jovem tornar-se-ia conhecida por todo o planeta, com todas as vantagens e desvantagens desse estatuto, entraria em digressão pelo Mundo inteiro, demorando algum tempo a adaptar-se a essa vida.  De certa forma, Mobile acabou por ser profética.
 




Foi para ilustrar um pouco isso que se gravou o "videoclipe" de Mobile. Este vídeo apareceu na Internet no início de 2011, numa altura em que surgiam várias filmagens inéditas de bastidores de entre 2002 e 2003, algumas da câmara pessoal da própria Avril (denominadas AvCam). Algumas destas imagens foram incluídas em documentários e no DVD My World, mas a larga maioria permaneceu até inédita até irem parar à Internet em 2010.

Segundo o vídeo acima da AvCam, a ideia era misturar imagens da "vida da Avril na estrada, fazendo e desfazendo malas", em suma, ilustrando o estilo de vida de que falei acima, com imagens da Avril cantando e tocando no meio de uma estrada - estrada que simbolizaria o caminho que a cantautora já percorrera e o caminho ainda por percorrer. O vídeo seria incluído no DVD My World.

Tal nunca chegou a acontecer, provavelmente por as filmagens terem ocorrido à margem da editora discográfica, tal como é assinalado neste vídeo da AvCam. Nota-se até um certo amadorismo na forma como eles arranjam o playback à última hora.





Em todo o caso, houve quem conseguisse ter acesso às filmagens há quase dois anos e montou-as, dando-lhe a forma de um videoclipe. A reação dos fãs foi muito positiva, especialmente por parte dos mais saudosistas da era Let Go. Para mim, tem um significado extra pois, tendo eu o hábito de fazer montagens de vídeos da Avril, material novo é sempre bem-vindo. Avril aparece com muito pouca maquilhagem - o que, hoje em dia, é raro - exibindo feições pueris, parecendo ter bem menos que os dezoito anos que tinha na atura. A jovem surge a chorar nalgumas cenas - não sei se foi de propósito ou não mas considero que a alternância entre lágrimas e sorrisos ilustram bem a montanha-russa emocional de que falei anteriormente. Existe, de facto, um espírito muito Let Go nestas imagens, personalidade forte, rebeldia, à mistura com alguma inocência. Gosto particularmente das imagens finais, em que ela aparece a correr, tal como, mais tarde, aconteceria em My Happy Ending, When You're Gone e Alice - estas cenas são das minhas preferidas e adoro usá-las nas minhas montagens.

Praticamente todas as músicas da Avril são imortais mas as músicas de Let Go têm ainda mais motivos para isso. Vejam só o testamento que estou a escrever só sobre Mobile! Outras músicas do álbum de estreia da cantautora canadiana têm tanto que se lhe diga ou ainda mais.

Em 2002/2003, Avril Lavigne era uma jovem cantautora, vinda de uma terra pequena, nos confins do Canadá, ainda tentando compreender e adaptar-se ao mundo onde acabara de ingressar. Hoje, dez anos, quatro álbuns, uma linha de roupas, três perfumes, uma Fundação, mais tarde, é uma mulher poderosa, perfeitamente à vontade nesse mundo. Escusado será dizer que soube ultrapassar a turbulência dos primeiros anos da sua carreira de uma forma de quem nem todas as jovens celebridades são capazes. Isso enche-me de orgulho. Avril Lavigne já percorreu muitos quilómetros ao longo da sua carreira mas a estrada continua aberta para ela. Ainda tem muitos anos de carreira pela frente, ainda tem muito que percorrer. E eu estarei lá, entre o séquito de fãs de um pouco por todo o Mundo que constantemente a empurram para diante.

Músicas Ao Calhas: Mobile

Depois de várias Músicas Ao Calhas, já estava na altura de falar de uma música da minha cantora preferida, Avril Lavigne. A discografia da cantautora canadiana inclui várias faixas que dão pano para mangas pelos motivos citados AQUI e mais alguns ainda. Começarei por Mobile, do álbum Let Go, o primeiro da cantora.



 





 

 

Everything's changing!

When I turn around,

All out of my control

I'm a mobile


 

Um facto completamente irrelevante para o caso: Mobile foi a primeira música que ouvi no meu primeiro leitor de MP3, que recebi aquando do meu décimo-sexto aniversário.


 

Let Go é o meu álbum preferido de Avril Lavigne por vários motivos. Um dos quais é o facto de cada uma das músicas ser fortemente icónica, fortemente representativa da personalidade e/ou da vida da Avril. Mobile é um dos exemplos mais significativos disso.


 

O único defeito da música é a letra estar construída um pouco às três pancadas. As letras nunca foram o ponto forte da música da Avril, as suas forças residem mais nas melodias e na emoção. Isto, de resto, contradiz aqueles rumores ocasionais de que a cantora não participa na composição das suas faixas - é muito mais provável uma rapariga de dezasseis anos, saída da escola, tenha escrito esta letra do que um experiente produtor de música.

Em termos musicais, Mobile está dentro da sonoridade predominante em Let Go: guiada pela guitarra acústica, a que se juntam guitarras elétricas no refrão. A melodia é forte, contagiante, como, de resto, quase todas as músicas da Avril. A terceira parte da música, que inclui o terceiro verso, o solo de guitarra, o refrão incompleto e os "la la la"'s, é a minha preferida.








Avril criou esta música inspirando-se na grande e súbita volta que a sua vida deu quando, aos dezasseis anos, assinou o seu primeiro contrato de gravação com a Arista Records, mudando-se, consequentemente, para Nova Iorque e, mais tarde, para Los Angeles, para gravar um disco - uma mudança que ela nem sequer compreendia na sua totalidade. Ela refere-o várias vezes em entrevistas: no início da sua carreira era muito ingénua, não se apercebia da sorte que tinha por ter conseguido assinar com Anthony L.A. Reid, por ter lançado o seu álbum de estreia aos dezassete anos e por os primeiros três singles deste disco (Complicated, Sk8er Boi, I'm With You) terem sido sucessos estrondosos.

 

Toda a gente passa por uma mudança deste género na passagem para a vida adulta, por essa montanha-russa de emoções contraditórias mas poucas são tão grandes e tão precoces como aquela por que a Avril passou. E ainda a procissão ia no adro aquando da criação de Mobile. Quando Avril a compôs, pensava apenas na mudança de Napanee, a sua terra natal, para Nova Iorque e, depois, Los Angeles. Dentro de um ano ou dois, a jovem tornar-se-ia conhecida por todo o planeta, com todas as vantagens e desvantagens desse estatuto, entraria em digressão pelo Mundo inteiro, demorando algum tempo a adaptar-se a essa vida.  De certa forma, Mobile acabou por ser profética.

 


 





Foi para ilustrar um pouco isso que se gravou o "videoclipe" de Mobile. Este vídeo apareceu na Internet no início de 2011, numa altura em que surgiam várias filmagens inéditas de bastidores de entre 2002 e 2003, algumas da câmara pessoal da própria Avril (denominadas AvCam). Algumas destas imagens foram incluídas em documentários e no DVD My World, mas a larga maioria permaneceu até inédita até irem parar à Internet em 2010.


 

Segundo o vídeo acima da AvCam, a ideia era misturar imagens da "vida da Avril na estrada, fazendo e desfazendo malas", em suma, ilustrando o estilo de vida de que falei acima, com imagens da Avril cantando e tocando no meio de uma estrada - estrada que simbolizaria o caminho que a cantautora já percorrera e o caminho ainda por percorrer. O vídeo seria incluído no DVD My World.


 

Tal nunca chegou a acontecer, provavelmente por as filmagens terem ocorrido à margem da editora discográfica, tal como é assinalado neste vídeo da AvCam. Nota-se até um certo amadorismo na forma como eles arranjam o playback à última hora.

 









 

Em todo o caso, houve quem conseguisse ter acesso às filmagens há quase dois anos e montou-as, dando-lhe a forma de um videoclipe. A reação dos fãs foi muito positiva, especialmente por parte dos mais saudosistas da era Let Go. Para mim, tem um significado extra pois, tendo eu o hábito de fazer montagens de vídeos da Avril, material novo é sempre bem-vindo. Avril aparece com muito pouca maquilhagem - o que, hoje em dia, é raro - exibindo feições pueris, parecendo ter bem menos que os dezoito anos que tinha na atura. A jovem surge a chorar nalgumas cenas - não sei se foi de propósito ou não mas considero que a alternância entre lágrimas e sorrisos ilustram bem a montanha-russa emocional de que falei anteriormente. Existe, de facto, um espírito muito Let Go nestas imagens, personalidade forte, rebeldia, à mistura com alguma inocência. Gosto particularmente das imagens finais, em que ela aparece a correr, tal como, mais tarde, aconteceria em My Happy Ending, When You're Gone e Alice - estas cenas são das minhas preferidas e adoro usá-las nas minhas montagens.


 

Praticamente todas as músicas da Avril são imortais mas as músicas de Let Go têm ainda mais motivos para isso. Vejam só o testamento que estou a escrever só sobre Mobile! Outras músicas do álbum de estreia da cantautora canadiana têm tanto que se lhe diga ou ainda mais.


 

Em 2002/2003, Avril Lavigne era uma jovem cantautora, vinda de uma terra pequena, nos confins do Canadá, ainda tentando compreender e adaptar-se ao mundo onde acabara de ingressar. Hoje, dez anos, quatro álbuns, uma linha de roupas, três perfumes, uma Fundação, mais tarde, é uma mulher poderosa, perfeitamente à vontade nesse mundo. Escusado será dizer que soube ultrapassar a turbulência dos primeiros anos da sua carreira de uma forma de quem nem todas as jovens celebridades são capazes. Isso enche-me de orgulho. Avril Lavigne já percorreu muitos quilómetros ao longo da sua carreira mas a estrada continua aberta para ela. Ainda tem muitos anos de carreira pela frente, ainda tem muito que percorrer. E eu estarei lá, entre o séquito de fãs de um pouco por todo o Mundo que constantemente a empurram para diante.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Músicas Ao Calhas: Perfect World

A música de quero falar-vos hoje vem em linha com a última Música ao Calhas (Hello Cold World, dos Paramore), mais termos de conceito e por ambas serem representativas do meu estado de espírito nas últimas semanas. Já vos falei anteriormente dos Simple Plan, quando escrevi sobre o último álbum deles (AQUl). Agora quero falar-vos da minha faixa preferida deles: Perfect World, do álbum Still Not Getting Any.

 




I wish that I could turn back time,
'Cause I can't let go, I just can't find my way, yeah.
Without you I just can't find my way

Gosto muito do arranjo musical, em ritmo midtempo, conduzida por arpejos de guitarra elétrica, inicialmente, a que se juntam fortes acordes distorcidos. O solo de guitarra que soa várias vezes ao longo da faixa está muito bem sacado, condiz muito bem com as melodias, em particular no fim da terceira estrofe. Esta é, de resto, a melhor parte da música, pela emoção, mas acaba por não ser muito justo estar a destacar uma parte específica da faixa quando esta mantém um nível elevado deste o primeiro segundo até ao último.

 

A letra fala sobre dor, desalento, desorientação, insegurança. Algo com que ando familiarizada ultimamente. No caso da música, tais sentimentos derivam da perda e/ou desentendimento com alguém querido - não é bem o meu caso mas já vi que poderá ilustrar a situação de uma das minhas personagens no quarto livro.

 

No fundo, como já afirmei acima, pela parte que me toca, é um sentimento semelhante ao que estava associado a Hello Cold World: desilusão com a situação atual, com o Mundo em que vivemos. O futuro que se está a adivinhar não é aquele que eu desejo para mim. Num Mundo perfeito - ou um pouco menos imperfeito, pelo menos - o nosso País não estaria em crise constante, a minha geração não seria obrigada a emigrar para arranjar emprego, os políticos colocariam o País acima das suas necessidades e ambições pessoais. 

 

Mas sejamos sinceros, estarmos a lamentarmo-nos, a sonhar com um mundo utópico, não nos serve de muito. Este é o mundo que nos saiu na rifa, não há devoluções e nem sequer livro de reclamações. Em todo o caso, é sempre reconfortante saber que estas sensações de impotência e desilusão não são exclusivas a nós. 

 

Além de que, no caso de esta música ter sido baseada em experiências pessoais, por parte de um ou mais membros dos Simple Plan, é sempre um estímulo saber que, se eles conseguiram ultrapassar uma fase má, como a descrita na música, talvez nós sejamos capazes de fazer o mesmo. 

Músicas Ao Calhas: Perfect World

A música de quero falar-vos hoje vem em linha com a última Música ao Calhas (Hello Cold World, dos Paramore), mais termos de conceito e por ambas serem representativas do meu estado de espírito nas últimas semanas. Já vos falei anteriormente dos Simple Plan, quando escrevi sobre o último álbum deles (AQUl). Agora quero falar-vos da minha faixa preferida deles: Perfect World, do álbum Still Not Getting Any.


I wish that I could turn back time,
'Cause I can't let go, I just can't find my way, yeah.
Without you I just can't find my way

Gosto muito do arranjo musical, em ritmo midtempo, conduzida por arpejos de guitarra elétrica, inicialmente, a que se juntam fortes acordes distorcidos. O solo de guitarra que soa várias vezes ao longo da faixa está muito bem sacado, condiz muito bem com as melodias, em particular no fim da terceira estrofe. Esta é, de resto, a melhor parte da música, pela emoção, mas acaba por não ser muito justo estar a destacar uma parte específica da faixa quando esta mantém um nível elevado deste o primeiro segundo até ao último.

A letra fala sobre dor, desalento, desorientação, insegurança. Algo com que ando familiarizada ultimamente. No caso da música, tais sentimentos derivam da perda e/ou desentendimento com alguém querido - não é bem o meu caso mas já vi que poderá ilustrar a situação de uma das minhas personagens no quarto livro.

No fundo, como já afirmei acima, pela parte que me toca, é um sentimento semelhante ao que estava associado a Hello Cold World: desilusão com a situação atual, com o Mundo em que vivemos. O futuro que se está a adivinhar não é aquele que eu desejo para mim. Num Mundo perfeito - ou um pouco menos imperfeito, pelo menos - o nosso País não estaria em crise constante, a minha geração não seria obrigada a emigrar para arranjar emprego, os políticos colocariam o País acima das suas necessidades e ambições pessoais. 

Mas sejamos sinceros, estarmos a lamentarmo-nos, a sonhar com um mundo utópico, não nos serve de muito. Este é o mundo que nos saiu na rifa, não há devoluções e nem sequer livro de reclamações. Em todo o caso, é sempre reconfortante saber que estas sensações de impotência e desilusão não são exclusivas a nós. 

Além de que, no caso de esta música ter sido baseada em experiências pessoais, por parte de um ou mais membros dos Simple Plan, é sempre um estímulo saber que, se eles conseguiram ultrapassar uma fase má, como a descrita na música, talvez nós sejamos capazes de fazer o mesmo. 
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