Segunda parte da minha... análise? O que quer que queiram chamar aos milhares de palavras que gastei para lidar com o regresso dos Linkin Park. Podem ler a primeira parte aqui.
Com tudo o que discutimos na parte anterior, quase me esqueço de falar sobre as músicas novas. Quase que é o menos importante no meio disto tudo.
Chegámos à última parte da história dos Paramore (que começámos a contar aqui). Retomamo-la algures em 2018, quando Hayley e Taylor terão começado a namorar. Sim, é ele o amor da vida dela a que me referi antes. Segundo declarações e letras escritas à posteriori, de início Hayley tentou reprimir os seus sentimentos. Em parte precisamente porque já não era a primeira vez que se envolvia com um colega de banda – e o fim da relação com Josh dera cabo da amizade entre os dois e quase destruíra os Paramore.
Mas também terão existido outros motivos. Depois do traumático relacionamento anterior, acredito que Hayley tenha receado apaixonar-se de novo. Ao mesmo tempo, a jovem não estava habituada a uma relação saudável. Parte de si não se sentia à vontade com isso – mais sobre isso adiante.
Mas, de uma maneira muito típica e muito descrita em inúmeras canções de amor, os sentimentos foram mais fortes.
Terceira parte da história dos Paramore. Podem ler as partes anteriores aqui e aqui.
Mesmo com as desistências de Josh e Zac Farro, Hayley, Taylor e Jeremy eventualmente decidiram continuar com a banda – e o mundo susteve a respiração para saber como sobreviveriam os Paramore sem dois dos seus membros fundadores. O tal concerto no Optimus Alive decorreu cerca de seis meses depois da bomba. Lembro-me de estar sentada no chão da plateia, no meio de muitas pernas, conversando com uma fã mais experiente do que eu – penso que terá sido entre as atuações dos Kaiser Chiefs e dos Paramore. Ela explicou-me que Josh fora o principal parceiro de Hayley na composição – e não sabia se Taylor conseguiria desempenhar esse papel.
Enquanto escrevia o parágrafo acima, fiquei com umas estranhas saudades dessa rapariga, cujo nome não recordo, e dos outros fãs de Paramore que conheci nesse festival. Gostava de falar com eles sobre tudo o que aconteceu com a banda depois de 2011 (e aconteceu muita coisa, esta procissão ainda vai no adro). Será que não gostaram do rumo que os Paramore tomaram nos álbuns seguintes e deixaram de segui-los? Ou será que concordam comigo que, no fim, a banda deu a volta por cima?
Retomamos a nossa história em 2007, 2008 (podem ler o início aqui). Riot! foi, então, o álbum que colocou os Paramore na ribalta. Infelizmente, a banda não lidou muito bem com isso. Uma das piores fases foi no início de 2008. Os Paramore chegaram a cancelar concertos na Europa. Diz que a banda esteve à beira de colapsar nessa altura.
Para começar, Hayley e Josh terminaram a relação algures em finais de 2007. Há quem diga que Hayley o traiu com o futuro marido, Chad Gilbert, guitarrista dos New Found Glory (mais sobre ele já a seguir… infelizmente), mas não encontrei nenhuma confirmação oficial, preto no branco. Algures nesta altura Hayley compôs e gravou uma música a solo – a sua primeira oficial – chamada Teenagers, que acabou por ir parar à banda sonora do filme O Corpo de Jennifer, de 2009. Parece ter sido inspirada por esta separação. Eu mesma só a conheci há relativamente pouco tempo mas acho-a fascinante.
Calculo que tenha sido difícil para ambos serem obrigados a trabalhar juntos na banda depois de se separarem, a partilhar um autocarro de digressão. Até porque Hayley estava a apaixonar-se por outra pessoa. Ao mesmo tempo, Josh ressentia-se amargamente de toda a atenção dada a Hayley, muitas vezes em detrimento do resto da banda.
Não vou dizer que não compreenda a posição de Josh – sobretudo tendo em conta a questão do contrato. Talvez ele nunca se tenha sentido seguro dentro da banda. Por outro lado… ele não sabia como o mundo da música funciona? Não acontece o mesmo com inúmeras bandas, os holofotes virarem-se mais para os vocalistas? Freddie Mercury com os Queen, Bono com os U2, Chris Martin com os Coldplay, Thom Yorke com os Radiohead… Bolas, os Panic! At the Disco foram basicamente um projeto a solo de Brendon Urie nos últimos anos de vida da banda. Hayley ao menos sempre fez questão de dizer que os Paramore eram uma banda, não apenas um projeto a solo.
Dito isto – e isto são apenas especulações minhas – acredito que, a certa altura, durante estes conflitos todos, Hayley poderá ter-se agarrado demasiado à banda, à sua família, o que terá feito mais mal do que bem.
Falando com mais de uma década de distância, Hayley disse – provavelmente com razão – que eles eram miúdos. Estavam a entrar na idade adulta, estavam a crescer em direções diferentes, a lidar com questões com que músicos bem mais velhos têm tido dificuldades em lidar desde que existem bandas musicais. Hayley também disse que, apesar de muita gente destacar a juventude dos Paramore, muitos adultos à volta deles esqueceram-se convenientemente desse facto quando a banda estava em crise e ninguém os ajudou.
Por outro lado, foi nesta altura que Taylor York se juntou à banda – ainda que só tenha sido anunciado como um membro oficial em 2009. Taylor esteve sempre lá desde o início, como referido antes. Compôs algumas canções em All We Know Is Falling e Riot!. No entanto, os pais quiseram que ele concluísse o equivalente ao nosso décimo-segundo ano antes de se juntar aos Paramore.
Foi então nesta altura, um período particularmente vulnerável para Hayley, que esta começou a namorar Chad… um homem de vinte e seis anos. Tal como Taylor Swift, provavelmente na mesma altura até, envolveu-se com um homem mais velho quando ainda mal tinha chegado à idade adulta. O caso de Hayley foi pior: as relações de Taylor com John Mayer e Jake Gyllenhaal foram relativamente curtas. Hayley esteve uma década com aquele gajo, chegou a casar com ele.
E já referi que Chad era um homem casado quando se envolveu com Hayley?
Falo com mais pormenores sobre esta relação retorcida no meu texto sobre Petals For Armor, o primeiro álbum a solo de Hayley (mais sobre isso adiante). Para já, dizer apenas que Hayley sentiu imensa vergonha durante anos por ter “roubado” o marido a outra mulher.
Como se isso não bastasse, Chad era a personificação da frase “se ele traiu para estar contigo, há de te trair também”. Ainda agora, em pesquisas para este texto, dei com esta publicação que, entre outras coisas, detalha várias ocasiões em que Chad traiu Hayley. Não sei se é tudo verdade. Espero que não porque, meu Deus! Como é que Hayley aturou isto tudo?!
Caso ainda não tenha ficado claro, nós odiamos Chad.
Havemos de voltar a ele, infelizmente. Como dissemos antes, 2008 foi um ano particularmente tumultuoso para os Paramore, mas também ficou marcado pelo lançamento de um dos meus maiores êxitos: Decode, para a banda sonora do primeiro filme de Twilight. Ainda no fim do ano passado, num concerto na Austrália, houve alguém que levou uma figura do Edward Cullen.
Como a própria Hayley disse, icónico.
Não sendo das minhas preferidas, Decode é uma bela música, com vocais espetaculares de Hayley e um instrumental que captura perfeitamente o espírito dos filmes da franquia, sobretudo o primeiro: muito emo, quase gótico. Irá de certeza ser tocada durante a Eras Tour.
Por outro lado, Decode tem uma irmã menos conhecida mas igualmente boa, talvez ainda melhor: I Caught Myself. Uma autêntica pérola escondida que, infelizmente, só os fãs mais hardcore devem conhecer. Não foi composta de propósito para Twilight, mas também se encaixa no espírito, logo, também foi para a banda sonora. A letra fala de resistir à tentação de um interesse romântico que, na verdade, não queremos na nossa vida.
Nunca foi confirmado preto no branco, mas é altamente provável que I Caught Myself tenha sido inspirada pela separação de Hayley e Josh. Com o tempo, no entanto, terá ganho novos significados. Terá passado a ser sobre a relação entre Hayley e Chad. Saltando alguns anos na nossa história, os dois anunciaram o divórcio em julho de 2017. No concerto seguinte, em Hamburgo, na Alemanha, Hayley parece à beira das lágrimas enquanto canta I Caught Myself – quando chega à parte do “don’t know what I want, but I know it’s not you”.
Não admira que esta seja uma das favoritas de Hayley. É especial. É excelente.
Rebobinando quase uma década de novo, Hayley terá conhecido Taylor Swift algures em 2008, 2009. Acho que está mais ou menos confirmado que Hayley foi a amiga que inspirou a letra da canção Speak Now, conforme se suspeita há anos: a tal que viu a sua paixão de infância casando-se com outra. Neste caso Josh, que se casou com Jenna Rice em Abril de 2010.
Ainda há relativamente pouco tempo, a propósito dos anos de Taylor, Hayley falou de ir a esse casamento (ela não referiu Josh pelo nome) na companhia dela. Hayley já estava com Chad, mas continuava a sentir-se pouco à vontade – era o seu ex a casar-se! Taylor, no entanto, terá tornado a experiência divertida e, depois, citando Hayley “baldaram-se ao copo-de-água para irem ao Cheesecake Factory”.
Na letra de Speak Now, a narradora deseja sabotar o casamento, pedir ao noivo para fugir com ela. Pessoalmente, duvido que Hayley alguma vez tenha desejado tal coisa – pelo menos não nesta fase. Mas é possível que Taylor tenha falado com Hayley na brincadeira sobre esse cenário – e que, mais tarde, se tenha inspirado nele para a história de Speak Now.
Vamos, agora, falar de Brand New Eyes, o terceiro álbum da banda, editado em setembro de 2009. É o favorito de muitos fãs, o equivalente dos Paramore ao Rumours dos Fleetwood Mac – com muito menos drogas, tanto quanto sei.
Os conflitos de 2008 nunca chegaram a ser resolvidos e acabaram por verter para as músicas deste álbum. Hayley escreveu algumas das letras inspiradas pelos problemas que tinha com os outros membros da banda, sobretudo Josh. Chegou a contar ao The Guardian sobre as gravações da primeira versão de Ignorance: do quão nervosa estava em relação ao que escrevera, de cantar muito baixinho na cabine de gravação. Calhou Taylor estar junto à coluna de som: ouviu tudo e terá ficado furioso com ela.
Aqui entre nós, custa-me imaginar Taylor zangado seja com quem for. Ainda menos com Hayley.
De qualquer forma, este episódio terá obrigado a banda a conversar e, supostamente, a resolver os problemas que tinham uns com os outros. Exemplos como este estão por detrás da ideia que Hayley pregava na altura de que este álbum salvara a banda. O nome “Brand New Eyes” terá vindo da ideia de que os membros dos Paramore foram obrigados a colocar-se na posição uns dos outros, a verem as coisas sobre novos prismas, com “novos olhos” para conseguirem fazer as pazes.
Pelo menos era o que a banda dizia. A realidade não era bem assim. Já aí vamos.
Queria referir algumas músicas importantes em termos da mitologia da banda em Brand New Eyes. Turn it Off é uma favorita entre muitos fãs (não no meu caso). Misguided Ghosts (que chegou a ser considerada como título para o álbum) mostra uma perspetiva mais suave, mais terna, sobre os conflitos no seio da banda – refletindo a ideia de que, lá está, estavam todos a mudar, a crescer em direções diferentes. Ainda há relativamente pouco tempo, mais de uma década depois, Hayley admitiu que, na altura, os membros da banda lidaram muito mal com as mudanças uns dos outros.
Uma música com quem Hayley e pelo menos uma boa parte dos fãs, eu incluída, tem tido uma relação complicada ao longo dos anos é The Only Exception. Esta foi a primeira canção de amor com todas as letras que Hayley compôs. É um dos maiores sucessos da banda, uma das minhas preferidas deles – foi uma das músicas que, a par de crushcrushcrush, me cativou para os Paramore – e é uma das minhas canções de amor preferidas de todos os tempos.
Na letra, Hayley admite que não acredita no amor, depois de tudo por que passou com os divórcios dos pais. No entanto, o seu interesse romântico – Chad – era a única exceção, o único capaz de fazê-la mudar de ideias.
É uma mensagem bonita que ressoa com muitas pessoas, incluindo comigo mesma. O reverso da medalha é que, segundo o que se deduz de entrevistas posteriores, essa mentalidade foi uma das coisas que fez com que Hayley se mantivesse numa relação tóxica com aquele homem durante tanto tempo. Porque achava que só ele é que poderia amá-la.
Tendo isso em conta, sem surpresas, depois do divórcio, em 2017, Hayley não quis cantar The Only Exception – foi uma situação mais complexa do que, pura e simplesmente, não querer cantar uma canção inspirada por um romance falhado. Mesmo eu “cancelei” a música em 2020, quando descobri mais acerca da relação dela com Chad.
Mas mantive sempre uma esperança secreta de que Hayley mudasse de ideias. Afinal de contas, ela passaria por uma jornada semelhante à descrita em The Only Exception quando encontrou o verdadeiro amor.
E de facto a música foi oficialmente “descancelada” no início de 2023, após um breve discurso de Hayley. Fiquei contente por ter The Only Exception de volta. Podem crer que, quando os Paramore a tocarem no Estádio da Luz, hei de cantá-la a plenos pulmões, tal como já tinha feito em 2011, no Optimus Alive.
E não se admirem se, no fim, estiver de lágrimas nos olhos. Porque não resisto àquele final e porque, depois de tudo por que ela passou, estarei a ver Hayley lado a lado com o amor da vida dela.
Uma música de Brand New Eyes bem menos controversa – longe disso – é All I Wanted. Diria que All I Wanted é mais ou menos equivalente à All Too Well de Taylor Swift – no sentido em que, durante muitos anos, foi uma pérola escondida que só os fãs conheciam, mas cuja popularidade acabou por alastrar para fora da comunidade.
No caso de All I Wanted, a culpa foi do Tik Tok, durante o ressurgimento do emo. Tivemos este bacano e o desafio de cantar o refrão – de tentar atingir os agudos impossíveis de Hayley.
O problema é que, durante muitos anos, Hayley recusou-se a cantá-la ao vivo. Lá está, é um refrão difícil, ela tinha medo de não conseguir fazer-lhe justiça. Os Paramore tocaram todas as outras músicas de todos os outros álbuns, incluindo algumas B-sides, menos esta. A partir de certa altura tornou-se quase um meme entre Hayley e os fãs, sobretudo depois de All I Wanted ter crescido em popularidade nos últimos anos. Vejam, por exemplo, este tweet de 2021.
Ora bem, em Outubro de 2022 começa a era This Is Why, a banda volta a dar concertos pela primeira vez após a pandemia e o ressurgimento da música emo. Participam no festival When We Were Young. No primeiro concerto abrem-me assim:
O pessoal, naturalmente, passou-se. Vivo pelo bacano no vídeo repetindo “No fucking way… No fucking way…”
Depois desta, All I Wanted tornou-se uma faixa mais ou menos regular em concertos dos Paramore. Compreensivelmente não a tocam em todos os concertos – mesmo depois de When We Were Young, passaram-se uns quantos meses até a tocarem de novo.
Mas já é tão bom. Destaque para a noite em que Billie Eilish subiu ao palco para cantar All I Wanted (a favorita dela) com eles. Billie sendo todos nós quando, antes do refrão à capela, gritou: “Hayley… C’mon!”
Demorou, mas All I Wanted está a finalmente a receber o amor que merece.
Voltemos de novo para a era de Brand New Eyes, mais especificamente para 2010. Foi o ano em que Hayley fez um dueto com B.o.B em Airplanes, um dos maiores êxitos de 2010. Mas a maior bomba rebentou no final desse ano, quando Josh e Zac anunciaram a sua saída dos Paramore. Josh então escreveu uma bonita carta de despedida, lavando roupa suja – as réplicas continuam a ser sentidas hoje, quase década e meia depois.
O texto na íntegra pode ser lido aqui (foi difícil de desenterrar). Basicamente, Josh revelou ao público que Hayley era a única com contrato assinado com a Atlantic Records. Acusou os Paramore de serem uma fraude, uma fachada, acusou Hayley de ser uma artista a solo disfarçada de banda. Confirmou que os conflitos dos últimos anos nunca tinham ficado resolvidos e estavam por detrás da decisão de partirem – bem como o facto de sentirem que a vida em digressão lhes roubara a juventude.
Eu compreendo esta última parte. Sempre compreendi, desde o dia em que Josh publicou a carta (isto passou-se pouco depois de me ter tornado fã da banda). Ele fala de ter de se despedir de pais chorosos, de não ver os irmãos a crescer – e descobri mais tarde que os pais se separaram quando Josh e Zac estavam em digressão.
Acredito mesmo que foi esse o principal motivo pelo qual Zac quis sair – ele mesmo confirmaria anos mais tarde que não se arrepende de ter deixado os Paramore quando deixou.
Tudo o resto, no entanto, foi desnecessário. Se quiser ser caridosa, ao ler a carta de Josh, posso argumentar que este não visa Hayley diretamente (tirando a questão da letra de Careful). As suas críticas parecem dirigir-se mais aos pais e ao agente de Hayley e à gravadora. Posso admitir que tenha havido muita imaturidade na maneira como ele lidou com a questão. Josh mais tarde mostrar-se-ia arrependido e Zac demarcar-se-ia das palavras do irmão.
Ainda assim, não sei se alguma vez perdoarei Josh. Com ou sem más intenções, as suas palavras estiveram muito perto de destruir os Paramore, provocaram muito sofrimento aos restantes membros e aos seus fãs, Hayley em particular. Não quero dar a entender que ela nunca cometeu erros nas relações com os colegas de banda. Por exemplo, envolver-se com Josh foi um grande erro.
Mas também, ela tinha o quê? Quinze anos? Dezasseis? Dezassete?
De qualquer forma, vimos antes que Hayley tinha problemas de abandono, só queria uma família, mesmo que subconscientemente. E agora, por causa de Josh, não só perdia dois amigos de infância como tinha uma grande parte do público vendo-a como uma vilã.
Josh e os antigos colegas eventualmente fizeram as pazes alguns anos mais tarde. Por outro lado, volvidos mais alguns anos, vieram à tona uns comentários homofóbicos dele numa publicação qualquer no Facebook. O que só diminuiu ainda mais a popularidade de Josh – até porque os Paramore têm muitos fãs da comunidade LGBT+.
Que vá com Deus e que Deus regresse sozinho.
E é com este desejo que nos despedimos por hoje. Se gostaram de ler sobre estes dramas até agora, vão ficar contentes: a próxima parte, amanhã, vai trazer ainda mais. Como o costume, obrigada pela vossa visita.
Como é do conhecimento geral, Taylor Swift, a D.D.T. do mundo da música, vai trazer a Eras Tour para Lisboa. Mais especificamente para o Estádio da Luz, nos próximos dias 24 e 25 de maio.
Mas Taylor não vem sozinha. A abertura dos concertos da digressão europeia tem estado a cargo da banda de Nashville, Paramore. Que por acaso são a minha banda preferida, mais ou menos empatados com os Linkin Park (e respetivo excelente tributo português). Assim, quando foi anunciado que eles viriam com Taylor a Lisboa – e eu depois consegui bilhetes para o dia 25 (dos mais baratos) – não podia ter ficado mais feliz.
Não será a primeira vez que vejo os Paramore ao vivo. Também estive lá quando eles vieram ao Optimus Alive em 2011 (o antigo NOS Alive). Infelizmente foram precisos quase treze anos de espera e um convite de Taylor Swift para eles regressarem a terras lusas.
Não sei quantas das milhares de pessoas que encherão a Luz duas vezes serão fãs dos Paramore. Quero acreditar que não serão assim tão poucas. Eles têm a mesma idade que Taylor, apareceram no mundo da música mais ou menos na mesma altura e têm-se mantido relativamente populares, sobretudo nos últimos anos. Mas mesmo esses eventuais fãs poderão não conhecer assim tão bem a sumarenta história dos Paramore.
É aqui que entro eu. Sei de experiência que o típico fã de Taylor Swift está habituado a conhecer as histórias por detrás das músicas, a mitologia, os “Easter eggs”, como dizem os anglosaxónicos. Quem acompanhe este blogue saberá que sou uma fã recente de Taylor. Acompanho-a mais ou menos de perto desde 1989 (o álbum, não o ano), mas só me passei a considerar fã algures entre folklore e Red (Taylor's Version). Tenho aprendido muito sobre Taylor através de fãs de boa vontade, sobretudo no YouTube, dispostos a explicar a mitologia a fãs mais casuais, como eu.
Como forma de retribuir, eis-me aqui fazendo o mesmo mas para os Paramore. Explicando todo o “lore” a eventuais fãs de Taylor que tenham curiosidade em relação à banda de abertura da Eras Tour.
Até porque a história dos Paramore tem sido tão dramática e atribulada como a de Taylor. Para além de ser amiga dela há já alguns anos, a história de vida da vocalista Hayley Williams em particular tem tido pontos em comum com a vida de Taylor. Ambas se mudaram para Nashville no início da adolescência, ainda que por motivos diferentes. Ambas foram descobertas e assinaram contratos com editoras quando eram ainda muito jovens e esses contratos acabaram por se voltar contra elas. Ambas foram subestimadas, tiveram a sua autenticidade questionada, porque misoginia. Ambas tiveram de lidar com distúrbios alimentares, ainda que ligeiramente diferentes. Ambas, a certa altura, envolveram-se com homens mais velhos e tais relações deixaram-lhes marcas profundas. A história dos Paramore mete romances atribulados, amizades atribuladas, conflitos religiosos, traições, questões legais, abandonos, regressos, resiliência, redenção.
Uma festa, como poderão ver já de seguida.
Se derem uma vista de olhos muito rápida a este blogue, no entanto, notarão que os Paramore são personagens recorrentes aqui no blogue. Já contei partes da história dele noutras ocasiões. Vou fazer um esforço para não me repetir. Assim, resumirei essas partes da narrativa – e deixarei os links para os respectivos textos, caso queiram saber mais pormenores. Ainda assim, há muito sobre que falar. Este texto virá em quatro partes, vou tentar publicar uma por dia. Esta é a primeira.
Vou começar a história, então, com Hayley. Para o melhor e para o pior, este texto vai focar-se muito na vocalista. É ela quem dá a cara, é ela quem escreve as letras e, para o público em geral, é a pessoa que mais importa – o que, como veremos, foi fonte de imenso drama.
Hayley nasceu a 27 de dezembro de 1988 em Meridian, no Mississipi. Infelizmente, não teve uma infância fácil. Os pais eram muito novos quando ela nasceu e o casamento deles não durou. Hayley referiu várias vezes em entrevistas que uma das suas primeiras recordações é de quando, aos quatro anos, se meteu entre os pais enquanto eles discutiam, gritando que se calassem. Depois, uma porta bateu e um dos progenitores já não estava na vida dela.
Se a memória não me falha, Hayley começou a falar desse momento relativamente cedo na sua carreira. No entanto, só há poucos anos, depois de acompanhamento psicológico intenso, é que percebeu que o episódio a marcou profundamente. Deixou-a cética em relação ao amor romântico. Ao mesmo tempo, fê-la sentir-se órfã, deixou-a com problemas de abandono e ansiosa por uma família.
Isso será importante mais tarde.
A mãe de Hayley mais tarde juntou-se a um homem abusivo. Infelizmente as mulheres desse lado da família têm um histórico de relações tóxicas, algumas mesmo com violência doméstica. Como referido acima, não terá sido uma infância fácil. Hayley costumava ver videoclipes de Missy Elliot na MTV, filmes como Spice World, sonhando escapar para esse mundo.
Finalmente, quando Hayley tinha doze anos, regressou a casa vinda da escola e encontrou a mãe de malas feitas. Ambas fugiram do padrasto abusivo de Hayley para Franklin, no Tennessee, onde viviam amigos da mãe. Foi lá que Hayley conheceu os futuros companheiros de banda – mais tarde diria que a sua vida começou nessa altura.
Josh e Zac Farro, dois de cinco irmãos, são de ascendência italiana. Nasceram em New Jersey mas, a certa altura, a família veio também viver para Franklin. Josh, o mais velho dos dois, era um dos guitarristas e, tal como Hayley, um dos compositores. Zac era – ainda é – o baterista e o mais novo do grupo. Foi ele quem conheceu Hayley, durante um jogo de futebol americano da escola, e a apresentou ao irmão e ao amigo Taylor York, com quem já tinha formado uma banda. Taylor (Paramore's Version), como Hayley o apresentou agora em Paris (adoro esta mulher), é também guitarrista e também compôs com Hayley, mas só se juntou oficialmente aos Paramore vários anos mais tarde.
Por sua vez, Jeremy Davis, baixista, chegou a participar com Hayley com uma banda de versões funk. Hayley trouxe-o para os Paramore.
Houveram dois guitarristas que passaram pela banda nos primeiros álbuns – Jason Bynum e Hunter Lamb – mas estes deixaram os Paramore relativamente cedo.
Ainda agora há pouco tempo, os Paramore divulgaram uma foto de um vídeo caseiro da banda nos seus primórdios. Não consigo ultrapassar o facto de Hayley se parecer imenso com Avril Lavigne nestas imagens.
Eu explico-o com mais pormenores no meu texto sobre All We Know is Falling, o primeiro álbum da banda, mas a procura de uma editora foi turbulenta. Tal como terá acontecido com Taylor Swift, mais ou menos na mesma altura, eram miúdos e tiveram de lidar com as manipulações da indústria musical. As editoras só estavam interessadas em Hayley como artista a solo, mas a jovem queria desesperadamente uma banda. Queria a família que não tivera em criança – ainda que, na altura, não tivesse noção disso.
Finalmente, a Atlantic Records acedeu aos pedidos de Hayley, lançando a banda através de uma da Fueled By Ramen, uma das suas subsidiárias. E mesmo assim só Hayley é que assinou com a Atlantic, um contrato de oito álbuns.
Tal contrato assombrou toda a vida da banda. Só agora no início do ano, cerca de vinte anos depois, é que se libertaram finalmente dele.
Como se este não fosse já um começo suficientemente atribulado, quando a banda estava para começar os trabalhos do seu primeiro álbum, Jeremy decidiu desistir da banda, voltar para casa. A sua partida acabou por inspirar uma grande parte do álbum. Várias das músicas, o nome, a sua capa: um sofá vermelho com a sombra de alguém afastando-se.
Sim, o primeiro álbum dos Paramore define-se pela perda de um membro. A ironia não passa despercebida.
Alguns temas que destacaria em All We Know is Falling são os singles Pressure e Emergency, para começar. Esta última é a minha preferida neste álbum e acaba por servir de prequela a umas quantas músicas posteriores – detalhando o ceticismo de Hayley em relação ao amor. Por sua vez, Conspiracy foi a primeira música que os Paramore compuseram, em que a narradora se sente impotente, que está toda a gente contra ela.
Uma vez mais, a ironia não passa despercebida.
Uma música bastante popular neste álbum é My Heart, uma canção de amor para Deus. Eis um aspeto a ter em conta sobre a banda: eles cresceram num meio bastante religioso e, sobretudo nos primeiros anos da sua carreira, não escondiam as suas convicções cristãs – embora não andassem propriamente a pregar. andassem por aí a pregar. Várias músicas deles fazem referências ao cristianismo, My Heart é apenas uma delas. Há fãs que dizem que Josh era o maior impulsionador desta faceta. E, anos mais tarde, a religião foi fator de discórdia dentro da banda – por exemplo, quando Hayley insistiu em incluir o verso “The truth never set me free” numa música, apesar de isso contrariar a Bíblia.
Enfim. Não sou a melhor pessoa para comentar esta faceta da banda, mas não podia deixar de referi-lo numa biografia dos Paramore. Mesmo numa informal como esta.
Jeremy acabaria por regressar à banda mais ou menos na altura em que All We Know is Falling foi editado. Não sei ao certo qual foi o timing, só sei que ele aparece no primeiro videoclipe da banda, para Pressure. E no entanto, não muito depois, durante os trabalhos de Riot!, o segundo álbum da banda, chegou a ser despedido temporariamente por causa da sua “ética de trabalho”– ou falta dela. Aqui entre nós, a ideia que passa é que Jeremy era como aqueles colegas de trabalhos de grupo que não faz quase nada, que se encosta ao trabalho dos outros e no fim quer assinar.
Havemos de regressar a isso mais adiante.
Um aspeto importante sobre Hayley, talvez uma das primeiras coisas em que as pessoas reparam nela, diz respeito às cores do seu cabelo. Quase toda a gente a conhece pelo seu cabelo cor de chama, que abana com o seu capacete. Hayley pinta-o desde os treze anos. De início usava tintas baratas de farmácia. Mas para o videoclipe de Emergency decidiu que precisava da mão de um profissional.
Assim, foi a um cabeleireiro em Nashville onde conheceu Brian O’Connor – na altura apenas um aprendiz. Foi ele quem cortou o cabelo a Hayley e o pintou de ruivo escuro com as pontas amarelas, como um fósforo, tal como ela pediu. Um visual muito giro.
Algum tempo depois, quando Riot! estava para sair, Hayley foi de novo ter com Brian. Desta feita vinha inspirada pelo tempo que passara no Japão, em digressão, e queria parecer uma personagem de anime. E assim nasceu o icónico cabelo cor de laranja, que se tornou a sua imagem de marca.
Depois desse, Hayley experimentou várias cores no cabelo, mas acaba sempre por voltar ao laranja. Pessoalmente, é a cor que mais gosto de ver nela.
Hayley neste momento está loira – e com o cabelo bastante curto. Parece-se com a Princesa Diana. Eu gosto.
A partir da era de Riot!, Brian passou a ser o cabeleireiro e maquilhador pessoal de Hayley – e os dois rapidamente se tornaram amigos. Dez anos depois de se terem conhecido, mais coisa menos coisa, lançaram a Good Dye Young, uma linha de tintas e outros produtos para o cabelo. Chegaram mesmo a abrir um cabeleireiro em Nashville nos últimos anos.
Regressando à era de All We Know is Falling, durante as digressões desse álbum, a banda passou um mau bocado. Muitos desprezaram-nos por ainda serem jovens, por não se encaixarem perfeitamente na comunidade emo (os anglosaxónicos chamam-lhe “the scene”), terem características pop, por terem uma rapariga como vocalista. Hayley em particular passou muito tempo rodeada de homens, vários deles com o dobro da idade dela, teve de levar com bocas machistas e inclusivamente atiraram-lhe preservativos durante concertos.
De início, Hayley tentou fazer de tudo para que não a tratassem de maneira diferente dos rapazes da banda. Por exemplo, recusando-se a usar gloss durante sessões fotográficas. Aliás, havia também muita misoginia internalizada nesse tempo. Quem foi adolescente durante os anos 2000 há de se recordar: a tentação de dizermos que “não éramos como as outras raparigas”, de nos acharmos melhores que as demais só por termos interesses que muitos classificam como masculinos.
Eu também era assim – e só há relativamente pouco tempo é que me libertei dessa mentalidade.
O que nos leva a Misery Business.
Esta música foi o primeiro single de Riot! e foi o primeiro grande sucesso deles, que os atirou para o estrelato. É um dos temas-símbolo do emo/pop-punk dos anos 2000, ao lado de canções como Sk8er Boi, de Avril Lavigne, Fat Lip, dos Sum 41, All the Small Things, dos Blink 182. Ainda hoje é a primeira música em que muitos pensam quando ouvem falar dos Paramore…
… e, quase desde o momento em que a compuseram, a banda tem tido uma relação complicada com a música.
Misery Business (MizBiz para os amigos) é, no fundo, a Better than Revenge dos Paramore. Hayley tinha um fraquinho pelo seu colega de banda, Josh. Este, no entanto, tinha namorada. Alegadamente, essa rapariga não seria flor que se cheire, terá tratado mal Josh.
Pelo menos foi o que ele disse na altura. Sabendo o que eu sei hoje, daria um desconto à palavra dele: Josh parece ser o tipo de pessoa que divide mulheres em santas e em prostitutas.
Hayley terá assumido que a rival conquistara Josh por ser mais ativa sexualmente do que ela. Por outras palavras, como diria Taylor Swift, “she’s better known for the things that she does on the mattress”.
Eventualmente, Josh terminou o namoro com a outra rapariga e juntou-se a Hayley. Esta compôs Misery Business como forma de festejar a sua vitória neste triângulo amoroso, esfregando-a no nariz da rapariga que Josh rejeitou.
Como se Josh tivesse sido uma vítima inocente da outra, como se ele não tivesse querido envolver-se com ela. Referindo de novo Taylor Swift, tal como esta aprendeu depois de Better than Revenge, nenhum terceiro pode conquistar ninguém, “roubar” ninguém, se não for essa a vontade da pessoa. E como se Josh tivesse sido um prémio assim tão grande – a própria Hayley terá chegado a essa mesma conclusão pouco após o lançamento de MizBiz.
Mas não nos adiantemos.
O verso de Misery Business que mais controvérsia tem gerado é o que reza “Once a whore you’re nothing more”. Temos de admiti-lo: é violento. Hayley chamando p*ta a alguém que era uma adolescente durante os eventos descritos na canção.
Em defesa dela, Hayley não queria incluir este verso em Misery Business – precisamente porque o achava cruel. O produtor da música, David Bendeth, admitiu há uns anos que teve de persuadir a jovem a manter o verso.
– Hayley, foste tu a escrevê-lo, é quem tu és, tens de cantá-la.
Hayley acabou por ceder, mas deixou claro que o fazia sob protesto.
Sinceramente? Acho nojento. Um homem adulto alimentando a misoginia internalizada de uma rapariga adolescente. E foi essa mesma adolescente, não o homem adulto, a levar com ataques.
Dito isto, este verso tem as costas largas. Partes da letra que vêm a seguir são igualmente misóginas. “There’s a million other girls who do it just like you”. Pode-se argumentar que estes versos são ainda piores – a narradora chamado “p*tas” a milhões de raparigas. Aqui ninguém terá obrigado Hayley a incluí-los em Misery Business – e ela nunca deixou de cantá-los, ao contrário do que fez com a frase do “whore”.
No lugar deles, quando tocasse Misery Business ao vivo, cortava toda a segunda estância.
Dito isto, há que assinalar que existem por aí músicas bem piores em termos de misoginia – na esfera do emo/pop punk e não só – cujos autores, homens, não têm levado com metade do bullying que Hayley e os Paramore levaram.
A minha opinião em relação a MizBiz? Não é das minhas preferidas, mas é uma canção excelente, sobretudo pelo instrumental e pela interpretação de Hayley. Não adoro a mensagem, mas aceito-a por aquilo que é: uma página do diário de uma miúda de dezassete ou dezoito anos. Como disse Ricardo Araújo Pereira, aos dezoito anos é-se uma besta – mas nem todos temos as nossas versões mais imaturas imortalizadas sob a forma de uma canção com a popularidade de Misery Business.
Por outro lado, compreendo que a questão seja (ainda mais) pessoal para Hayley. Conforme veremos já a seguir, a sua relação mais longa envolveu muito adultério, muita competição com outras mulheres pelo mesmo homem – e muita vergonha por isso.
Assim, em retrospetiva, compreendo que eles tenham querido deixar de tocar a música a certa altura. Eles anunciaram a decisão em 2018, no fim da era do quinto álbum deles – antes de uma pausa de quatro anos.
O povo, no entanto, não deixou a música morrer. Quando se deu o renascimento do emo/pop punk um par de anos mais tarde, MizBiz ganhou imensa popularidade nos Tik Toks desta vida. Daquilo que vi, quase ninguém concordou com o cancelamento da música.
Em 2022, Billie Eilish convidou Hayley para cantar Misery Business durante a sua participação no Coachella. Na altura fiquei chocada – e consta que a própria Hayley tentou dissuadir Billie de tocá-la.
No entanto, Hayley terá percebido que já não era a mesma pessoa que era aos dezassete anos. Tinha percorrido um longo caminho para se libertar da misoginia por detrás de MizBiz. Há muito que deixara de acreditar naquela mensagem, já tinha pedido desculpas vezes suficientes pela letra. E de resto Misery Business já deixara de ser apenas deles há muito tempo. Pertencia também aos fãs – mais a eles do que à própria banda, se calhar.
Assim, quando voltaram ao ativo, durante o outono de 2022, os Paramore voltaram a incluir Misery Business no alinhamento. O cancelamento de MizBiz acabou por não ter efeitos práticos. Hayley não canta o infame verso e até faz caretas de indignação fingida para os fãs que o cantam.
A era do álbum This Is Why, que começou nessa altura, caracteriza-se muito por isso. A banda já não quer saber o que os outros pensam, não têm de provar nada a ninguém. Mas não nos adiantemos.
E de qualquer forma, no cânone dos Paramore, Misery Business já não é apenas uma letra que envelheceu mal. É também a música em que a banca convida uma pessoa (ou mais) da audiência para subir ao palco e cantar. Naturalmente, é uma das partes preferidas deles em todos os concertos.
Queria destacar aqueles que considero os meus momentos preferidos. Um deles foi, naturalmente, o nosso, durante o Optimus Alive – claro que sou suspeita. Outro, que julgo já se ter tornado icónico na comunidade de fãs, ocorreu no Brasil, durante a era do quarto álbum deles. A rapariga caiu para trás enquanto cantava e os três membros da banda na altura – Hayley, Taylor e Jeremy – juntaram-se a ela no chão.
Esta é só mesmo por causa dos cabelos em sincronia – o sonho de qualquer fã com cabelos compridos. Finalmente, a do vídeo abaixo, com uma menina de nove anos, traz-me lágrimas aos olhos.
.
Claro que os Paramore podiam escolher outra música para chamar pessoas ao palco. No entanto, MizBiz já está tão entrelaçada com momentos como este que não sei se seria a mesma coisa. Para mim, estes momentos já pesam mais do que a letra infeliz. Apesar de tudo, apesar de continuar a não ser uma das minhas preferidas, estou feliz por termos Misery Business de volta.
E estou um bocadinho triste porque, estando os Paramore “apenas” a abrir a Eras Tour, para um público que não é o deles, não estão a chamar pessoas ao palco para Misery Business.
Ficamos aqui por hoje. Preparem-se, porque o verdadeiro drama ainda está para começar. A segunda parte vem amanhã. Obrigada pela vossa visita.
Finalmente, a última parte do balanço musical de 2023. Chegámos à secção das miscelâneas, das músicas soltas que se mantiveram na minha rotação ao longo do ano.
Uma delas, mais no início do ano, foi The Thing That Wrecks You, um dueto entre Bryan Adams e a cantora canadiana Tenille Townes. Não tenho muito a dizer sobre ela, é linda.
Outra marcante foi Don’t Take the Money, do projeto Bleachers de Jack Antonoff – com Lorde contribuindo com vocais de apoio, embora não seja creditada. Existe uma versão acústica, da MTV Unplugged, em que Lorde canta mais, é um dueto como deve ser.
Foi a minha irmã quem me mostrou a música. É muito gira.
Outra música que comecei a ouvir mais ou menos na mesma altura foi Dreams, dos Cranberries – depois de os Paramore a terem tocado durante um dos seus concertos na Irlanda. É uma canção de amor, é fofinha – e vocês sabem que não resisto a uma boa música pop rock cantada por uma mulher. Andei viciada nela por uns tempos.
Um grupo que me cativou forte este ano – e que descobri através da família HT – foi a dupla GNTK. Ainda ando a explorar a música deles, mas já houveram dois temas suficientemente marcantes para serem referidos aqui. Por sinal, são ambos duetos.
O primeiro é Raízes, uma parceria com Jéssica Cipriano. Estou chocada por esta música não ser mais conhecida. É das melhores músicas portuguesas que ouvi.
A letra para começar é excelente: daquelas que nos dão vontade de ligar aos avós. A sonoridade é muito única: uma mistura de hip-hop moderno com guitarras portuguesas. Já de si fantástica. Mas existe uma versão ao vivo em que arranjaram maneira de enfiar guitarras elétricas na música, incluindo um solo. Ficou brutal.
Uma das melhores partes é o refrão, na voz fabulosa de Jéssica Cipriano. Voz de fadista e muito mais. Até a minha mãe ficou rendida quando ouviu a música. Existe também uma versão a solo, gravada durante o podcast Canta-me uma História de David Antunes, também excelente.
Existem várias outras versões “gravadas” pela Jéssica durante esse podcast. Um dos mais célebres é de O Pastor, dos Madredeus. Também gravou um de Underneath Your Clothes, da Shakira. E também gravou um, fantástico, de In the End. Em janeiro, fui com a família HT mais próxima assistir ao Canta-me Uma História ao vivo, em Santarém. Como éramos nós, “obrigámos” Jéssica a cantar In the End. Mais tarde descobrimos que a Jéssica ficara aflita naquele momento, receava não estar à altura do desafio.
Não sei porquê, sinceramente. Ela arrasou.
Pena a Jéssica ainda não ter música inédita em nome próprio, tirando colaborações como esta com os GNTK. Dizem-me que ela estará a tratar disso. Fico à espera – para ouvir e, depois, mostrar a toda a gente.
Regressando aos GNTK, a segunda música deles que me marcou foi Diamante, a colaboração com N Fly. Esta canção tem uma sonoridade mais familiar – pelo menos em relação à ideia que tenho da música pop portuguesa atual – mas agradável à mesma, cativante.
Aquilo que me cativou a sério, no entanto, foi a letra. A mensagem principal é que tanto alegrias como tristezas (talvez mesmo mais) fazem parte da vida, da natureza humana, tornam-nos mais fortes (“Um dia a sorrir, outro dia a chorar faz de mim um diamante”). Num ano de muitos feels, como já referi antes, não é de surpreender que esta letra me tenha tocado.
Também já escrevi antes que não me sinto muito confortável com tristeza e outros sentimentos mais negativos – e como me senti triste ou ansiosa muitas vezes este ano, tive de aprender a lidar com isso. Ainda estou a aprender – “dá-me capacidade p’ra decifrar que quando chove nem sempre é tempestade”.
Diamante reza mesmo que “é quando os olhos choram que mais brilham”. Soa um bocadinho a frase inspiradora do Facebook, mas percebo o sentido e vale a pena falar sobre ela. Já começa a entrar em território de romantização de tristeza. Este tem sido um tema recorrente cá no estaminé, sobretudo a propósito de Crave,dos Paramore. Mas também me pergunto se será sempre assim tão saudável.
Por um lado, é perfeitamente válido ser-se otimista. Nem acho que seja mera ingenuidade. Muitas vezes, como reza Diamante, “se há portas que fecham, outras se abrirão”. Ou, como reza Bryan Adams, um otimista por natureza (como vimos antes), em Never Gonna Rain, “If there’s a heart that’s been broken, a love that’s been thrown away, it’s gonna be somebody’s treasure, someone else’s happy day”. Às vezes, coisas más dão oportunidades para coisas boas acontecerem. Podia dar exemplos disso ocorrendo na minha vida, mas nesta altura vocês já estão fartos de me ler falando sobre isso.
Mesmo quando isso não acontece… a tristeza é inevitável. Mais vale tentarmos tirar algum sentido disso, tirar lições, mesmo tirar alguma beleza. É o que poetas, músicas e outros artistas têm feito desde tempos imemoriais. Além disso, é da tristeza que nasce a empatia. E, conforme aprendemos com Inside Out e, uma vez mais, com o final da primeira temporada de Ted Lasso, quando lidamos com a tristeza de uma forma saudável, esta tem o potencial para nos aproximar de outras pessoas.
A questão é mesmo essa, no entanto: quando lidamos de forma saudável. Existem maneiras boas e maneiras destrutivas. Em teoria somos nós a escolher a forma como lidamos. Na prática não sei se é sempre assim. Depende de muitos fatores, cada caso é um caso.
E muitas vezes, há que dizê-lo, as coisas más são apenas isso. Às vezes não significam nada, não ensinam nada, não têm lado positivo. São apenas coisas que não deviam ter acontecido. Nestas alturas, há que ter compaixão com os demais e connosco mesmo.
É sempre bom quando músicas convidam à introspecção desta forma. Grata a Diamante por isso. Existem mais temas dos GNTK de que gosto – por exemplo, Voltas à Cabeça (quase parece uma música dos Linkin Park, misturando rock, rap e discos giratórios), Perdoa (João Correia faz sobretudo rap mas também sabe cantar, tem boa voz) e, agora mais recentemente, Amor Eterno – mas ainda preciso de passar mais tempo com elas. Vou continuar a acompanhar o trabalho desta dupla. Talvez torne a escrever sobre músicas deles cá no blogue no futuro.
Ainda dentro do tema dos feels, temos outra das minhas canções preferidas em 2023: What Was I Made For, de Billie Eilish, composta e gravada para o filme da Barbie (spoilers nos parágrafos abaixo).
Toda a gente se lembra do fenómeno Barbenheimer no verão passado. Gostei tanto como qualquer um – a grande vantagem foi ter motivado as pessoas a irem ao cinema, nesta era pós-pandemia. Da mesma forma, gostei do filme da Barbie q.b. A parte do feminismo não me impressionou por aí além. À semelhança de muitos, achei-o básico. Ao mesmo tempo, como dizem aqui, reconheço que foi suficiente para ser banido em vários países. Ou seja, um feminismo superficial mas ainda incómodo.
O que, na verdade, é triste.
Em todo o caso, a parte humanista, existencialista, do filme foi a que mais me tocou. A protagonista sentindo emoções pela primeira vez e tendo dificuldades em lidar com isso.
A minha cena preferida em todo o filme foi a da estação de autocarros, mostrada acima. Barbie tentando ligar-se à mente da sua dona, acabando por observar várias cenas da vida humana em seu redor e as emoções associadas a elas. Reparando numa senhora de idade sentada a seu lado e achando-a linda. Fez-me pensar em mim mesma que, como tenho comentado imensas vezes, passei 2023 sentindo tudo e mais alguma coisa.
Ainda acontece, na verdade. Continuo a ter fases em que passo por todas as emoções do espectro em poucas horas e chegou ao fim do dia exausta. Não sei o que se passa. Foi algo dentro de mim que se quebrou no ano passado, tornando-me mais sensível a tudo? Ou eu é que sempre fui assim, apenas tenho mais consciência do que sinto?
Não sei. Só sei que não é fácil. Às vezes canso de me aturar a mim mesma.
Por outro lado, o momento com a senhora de idade também me recorda aquilo que escrevi neste infame texto sobre ver os membros restantes dos Linkin Park envelhecendo.
É possível que a intenção desta última cena seja passar uma mensagem feminista. Talvez não seja “correto” da minha parte pensar em homens envelhecendo – até porque, regra geral, a sociedade lida melhor com o envelhecimento masculino. Mas, lá está, prefiro olhar para o ângulo humanista. Afinal de contas, tal como as emoções, a criatividade, o conflito, a mortalidade, as imperfeições em geral, envelhecer é humano, faz parte da vida. Daí Barbie, que (ainda) não é humana, sentir-se tão fascinada com a senhora.
E, no fim, Barbie escolhe precisamente ser humana, com todas as suas emoções, contradições e mortalidade. Tal como, agora que penso nisso, Ulisses no conto “A Perfeição”, de Eça de Queiroz. Vale a pena lê-lo.
Dava um bom clickbait: semelhanças entre Eça de Queiroz e o filme da Barbie.
What Was I Made For reflete, então, esse conflito. A narradora reclamando a sua humanidade, tentando adaptar-se a ela. Billie disse que, inicialmente, escreveu a letra pensando apenas na Barbie. Só depois percebeu que escrevera também sobre ela mesma.
A narradora de What Was I Made For apercebe-se que os demais não a veem como humana e sim como um objeto, um símbolo em que projetam aquilo que bem entendem. A Barbie é uma boneca, um ícone – como toda a gente sabe, como o próprio filme explora. Ao mesmo tempo, Billie é um ser humano, sim, mas também é a Billie Eilish: uma estrela pop, um ícone, um produto para ser comercializado.
Também não surpreende que Billie tenha, inconscientemente, vertido parte de si quando a letra fala de emoções. Ela nunca escondeu o seu histórico com depressão – “When did it end? All the enjoyment”. Eu identifico-me com os versos “I’m sad again, don’t tell my boyfriend” – não querer sobrecarregar os demais, entes queridos incluídos, com as nossas tretas, deixá-los pensar que está tudo bem. Também “I think I forgot how to be happy” – acontece-me de vez em quando, demasiadas vezes, estarem a acontecer coisas boas e eu estou demasiado presa à minha cabeça para disfrutar.
A música termina numa nota de esperança, no entanto. A narradora apercebendo-se que poderá obter as respostas que procura. Que pode ser ela a decidir para que foi feita.
É uma música linda que merece toda a aclamação que tem recebido. Espero que Billie lance mais música nova a médio prazo.
Queria agora falar de mais música que conheci através dos Hybrid Theory – direta ou indiretamente. A sequência Du Hast, dos Rammstein, Last Resort, dos Papa Roach, e Rollin’, dos Limp Biskit, que a banda põe a tocar antes do início de cada concerto. Tola como sou, só me apercebi que eram estas três com o concerto de Gondomar – e mesmo assim só consegui confirmar a ordem no último concerto deles a que fui, em Amiais de Baixo.
Ainda assim, lembro-me de ouvir pelo menos Rollin’ no ano passado, antes do concerto no Pavilhão Atlântico. Pensei, não sei se não comentei mesmo com a minha irmã:
– Pois… é a mesma geração. É a minha geração.
Vou ser sincera, até gosto destas músicas, mas não diria que estão entre as minhas preferidas. Estão cá mais pelo sentimentalismo, pela reação pavloviana de início de concerto dos Hybrid Theory. Nem sequer sei se eles as mantiveram como introdução agora, com o novo alinhamento (estou a tentar evitar spoilers até ao meu próximo concerto deles, em Grândola... não está fácil). Não importa, ficam nesta cápsula de 2023. As novas, se houverem, ficam na de 2024.
Ainda em relação aos Papa Roach, esta é uma banda que tenho ouvido muito nos últimos três meses, mais coisa menos coisa, precisamente por sugestão de gente da família HT. Tenho gostado muito – a minha preferida neste momento é Scars – mas, como só comecei a ouvir perto do final do ano, já não conta para 2023. Talvez escreva sobre eles no balanço de 2024.
Ainda assim, comecei ouvir Leave a Light On antes, mais ou menos na altura em que foi lançada como single. Já não me lembro ao certo como é que descobri a música. Sei que foi através de um reel do Instagram – não me lembro se foi alguém da família HT a partilhá-lo, se foi o próprio Ivo, o vocalista, numa story. Mas definitivamente falámos sobre a banda no Messenger ou num grupo de WhatsApp.
Em todo o caso, como os próprios Papa Roach assinalaram aqui, acaba por ser uma sequela à já referida Last Resort (cujo narrador se debate com ideação suicida). Leave a Light On é uma mão estendida a alguém passando por essas dificuldades. De tal forma que, em outubro passado, a banda lançou-a como single, com os lucros revertendo para a campanha Talk Away the Dark, da Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio. Chegou mesmo a ser dedicada a Chester Bennington – até porque ele e o vocalista Jacoby Shaddix eram amigos e passaram por dificuldades semelhantes.
É uma música linda. Gosto imenso da voz de Jacoby.
Na mesma linha, temos A Reason to Fight, dos Disturbed. Com uma mensagem semelhante e igualmente bonita. Também fiquei a conhecê-la através da família HT. E os Disturbed merecem a referência, depois de momentos como este e este.
Agora queria falar de uma música com um tom semelhante a estas, ainda que o tema seja ligeiramente diferente. One More Time dos Blink 182.
Mesmo sem nenhum contexto, só com a música em si, esta é de partir o coração – para depois repará-lo de novo. Sobre amizades que se desfizeram e se recompuseram após uns quantos sustos. “I know next time ain’t always gonna happen, I gotta say I love you while we’re here”. Quase nem é preciso referir que a letra foi inspirada pelo regresso dos Blink 182 como banda após anos de separação. Após a luta de Mark Hoppus contra um cancro – felizmente venceu.
Note-se que temos os três membros da banda cantando à vez.
Outra música linda. Para além da beleza da letra, a instrumentação e produção simples estão perfeitas. Para mim One More Time é uma irmã de I Miss You, uma música dos Blink a que me afeiçoei na última meia dúzia de anos.
Há uns tempos, a propósito de Already Over, Mike Shinoda deu uma entrevista que incluiu uma secção de perguntas e respostas rápidas. Perguntaram-lhe que música ele gostaria de ter composto. Mike respondeu precisamente com One More Time. Como eram respostas rápidas, ele não elaborou muito mas, para além de elogiar a composição e a gravação, Mike assinalou o seu impacto, o seu “lugar no mundo”.
Pensemos nisto por um minuto.
Pois. Ainda bem que esta música não saiu uns meses antes. Teria dado cabo de mim. Mesmo agora, se for um dia errado…
Avancemos. Já que falamos sobre o Mike, outras músicas marcantes em 2023 foram as que ele lançou a solo: In My Head e Already Over. Desde que escrevi sobre a segunda, Mike lançou um EP no início de dezembro, intitulado The Crimson Chapter – esclarecendo aquilo que ele tinha referido acerca de “capítulos”.
Vou ser sincera, tirando a Already Over propriamente dita e In My Head, a única faixa de que verdadeiramente gosto é da introdução. O remix Fort Minor não é mau, admito. De qualquer forma, é admirável a maneira como Mike consegue pegar num conceito, numa ideia para uma música, e executá-la de tantas maneiras diferentes.
Ele é dos músicos mais talentosos e criativos da nossa geração. Ninguém me pode dissuadir disso.
Por outro lado, não gosto da nova versão de fine. A original é perfeita! Havia necessidade de andar a mexer?
Tenho também visto e ouvido as sessões que ele tem feito em diferentes países. No entanto, nenhuma teve o impacto da primeira, na Austrália. Continua a ser a minha preferida. Em todo o caso, Mike andou entretido.
Estava a contar que, em 2024, Mike continuasse a lançar música a solo, “capítulos”. Mas agora os Linkin Park preparam-se para lançar um álbum de êxitos, que incluiu uma inédita das sessões de One More Light, Friendly Fire, já lançada como single.
Fiquei contente, tal como qualquer fã. A música é linda (podia elaborar mais, mas isso foge ao assunto deste texto). Por outro lado, o timing desta música e deste álbum deixa-me intrigada – sobretudo quando, supostamente, o Mike ia continuar a lançar música a solo. Porquê agora? Significa alguma coisa? Talvez tenham gostado do sucesso de Lost e tenham querido tentar replicar. Talvez tenha sido ideia da gravadora. Talvez os Linkin Park queiram manter-se na consciência do público, porque não tencionam manter-se em pausa durante muito mais tempo…?
Não quero pensar muito nesta última hipótese. Em parte para não criar falsas expectativas, em parte porque, mais de seis anos depois, continuo sem saber como me sentir em relação a isso. Até porque, neste último ano, uma certa banda de tributo entrou na equação e complicou ainda mais a coisa (essa e muitas outras).
A solução é a mesma de sempre: aguardar notícias, se houverem, e ir lidando com elas.
E como já estamos a olhar para o futuro, recordar que os Sum 41 lançam este mês o seu último álbum, Heaven :x: Hell. Já falei brevemente sobre Landmines antes. Ainda em 2023, lançaram um single da parte Hell, Rise Up. Gosto, mas confesso que ainda não lhe tenho dado muita rotação. Hei de lhe dar quando sair o álbum todo.
Os Sum vêm ao NOS Alive despedir-se de nós, no dia 13 de julho. Eu queria ir, só que demorei demasiado tempo a decidir-me. Os bilhetes para esse dia esgotaram antes que se conseguisse dizer “Os Pearl Jam também atuam no dia 13”.
Não me vou queixar muito pois já vou a muitos concertos este ano. Além de que já os vi duas vezes ao vivo. Que o pessoal que lá vai se despeça deles por mim, que lhes deem um grande abraço e que peçam ao Deryck para, por amor de Deus, deixar de ter experiências de quase-morte.
Pois é, já perdi a conta aos concertos a que vou este ano e/ou a que quero ir. Como já referi antes, já fui outra vez aos Hybrid Theory há um mês, em Amiais de Baixo. Vou vê-los outra vez em Grândola, a 23 de março, e também ao Rock in Rio – eles acabaram de ser anunciados para o dia 15 de junho.
O Rock in Rio! Para além de ser um grande feito para eles – são a primeira banda de tributo a chegar lá – foi o festival onde vi os Linkin Park duas vezes, onde me apaixonei a sério por eles. Será um outro nível de homenagem.
De caminho, vejo o resto do cartaz nesse dia.
E não devo ficar por aqui este ano em termos de HT. Hei de continuar a ir a concertos deles, consoante as minhas possibilidades. Talvez consiga ir a mais um no verão – ainda não tenho a certeza, mas vou tentar. Eles vão ficar fartos de mim.
Para além destes, já referi no blogue que vou ver os Delfins, com a minha tia, e que vou à Eras Tour. Também vou a uns outros quantos com parte da família HT: ao Diogo Piçarra, a 20 de abril, ao dos Anjos, a 28 de dezembro. Não conheço a discografia destes dois super bem. Um pouco melhor a dos Anjos e, mesmo assim, mais o início de carreira deles (acho que não vão tocar a versão deles de As Long As You Love Me).
Mas pronto, são músicos portugueses, são simpáticos, o Diogo cantou com os Hybrid Theory no Pavilhão Atlântico, é um dos nossos. Já tenho andado a ouvir a música do Piçarra como quem estuda para um teste. Hei de fazer o mesmo com a música dos Anjos – tenho tempo até dezembro.
Por outro lado, os Within Temptation vão regressar a Portugal no dia 26 de novembro e vou vê-los – também com malta da família HT. A banda holandesa está numa situação semelhante aos Simple Plan e aos Sum 41, quando os vi em 2022: tenho-os negligenciado nos últimos anos. Como escrevi na altura, não gostei de Resist quando saiu. Ainda dei uma ouvidela a Entertain You, quando saiu em 2020, mas não gostei. Depois disso, nem me dei ao trabalho de ouvir as outras músicas que foram lançando.
No entanto, nem eu nem o pessoal da família HT quis desperdiçar a oportunidade quando esta se apresentou. Já aprendemos a nossa lição.
De qualquer forma, espero que os Within Temptation sigam o exemplo dos Sum 41 e dos Simple Plan e se foquem no material mais antigo.
Por fim, Bryan Adams, o meu velho, vai voltar a Portugal para dois concertos: em Gondomar e cá em Lisboa, no Pavilhão Atlântico. Não estava à espera que voltasse cá tão cedo, ainda durante o ciclo de So Happy it Hurts. Mas claro que fico contente. À hora desta publicação, ainda não comprei bilhetes – a minha irmã não está a viver em Lisboa, ainda precisa que lhe aprovem as férias para estes dias – mas à partida devo estar lá. E também deve vir gente da família HT.
No pouco provável caso de não estar… bem, ninguém morre por isso. Já o vi muitas vezes, a última delas há relativamente pouco tempo. Quase de certeza haverão outras oportunidades e, como dá para ver, já estou muito bem servida de concertos.
E isto são apenas os concertos planeados até ao momento. Poderão haver mais. Aparentemente esta é a minha vida agora. Uma parte de mim acha uma loucura. Mas a verdade é que concertos são das melhores coisas do mundo, rejuvenescem, são o meu excesso, são a melhor versão de mim mesma. E agora tenho mais gente com quem ir – gente que, por sinal, conheci graças a um tributo à banda que me ensinou a gostar de concertos. Na minha idade e depois de dois anos de pandemia, esta é a altura para a curtir, à minha maneira, enquanto posso.
Algumas alegações finais sobre 2023. Como escrevi antes, foi um ano de altos e baixos mas terminou muito bem. E 2024 tem corrido mais ou menos da mesma forma.
Uma coisa com que não estou muito muito satisfeita, no entanto, é com este blogue. Ficou um bocadinho negligenciado em 2023. Já sabia que seria assim, que queria dar atenção a outros projetos e que continuaria sem muito tempo para escrever. Não significa que esteja contente com isso.
Já o disse antes, não é pela falta de qualidade, antes pelo contrário. Nem é tanto pela pouca quantidade. É pela falta de diversidade. Tirando este balanço, só deu universo Linkin Park e universo Paramore.
Nem tudo foi culpa minha. Esperava já ter visto o filme de Digimon nesta altura, mas ainda não foi possível. Entretanto, anunciaram a sua exibição nos cinemas portugueses no próximo verão. Tão bom! Assim sendo, vou esperar até lá.
Mas assim, e como o outro texto nos meus planos é o guia para Swifties sobre os Paramore, o próximo texto que irei escrever será sobre a terceira temporada de Ted Lasso. Para variar, para exercitar músculos que não uso há algum tempo.
É possível, no entanto, que não seja o próximo texto que publicarei. Aconteça o que acontecer, em abril terei de começar a tratar do guia para Swifties, para ver se consigo publicá-lo antes do início da Eras Tour na Europa. Ou, na pior das hipóteses, antes dos concertos em Lisboa.
Porque a verdade é que vou continuar a ter pouco tempo para escrever. Não me vou queixar muito porque um dos motivos pela minha falta de tempo diz respeito a todos estes concertos e outros convívios. Não me vou ralar demasiado se estes textos continuarem a vir com atraso, com semanas ou meses de intervalo – tenho outras coisas mais sérias com que me preocupar. Este blogue é um passatempo, é auto-indulgência, é algo que faço só para mim. Vocês, caros leitores, são apenas danos colaterais.
É estranho falar nisto nesta altura, quando já estamos em março, mas 2024 promete para mim. Já falei dos concertos todos. Também vem aí o Europeu de futebol, para o qual Portugal parte com ambições.
Ao mesmo tempo, passam-se vinte anos desde 2004, um ano marcante para mim. Entre outros motivos, foi quando descobri a MTV e outros canais do género e me tornei fã de música oficialmente. Não acho que seja coincidência que muitos dos meus artistas e bandas preferidos hoje em dia tenham estado ativos em 2004 – mesmo que só tenha adotado oficialmente alguns deles anos mais tarde. Os ciclos de nostalgia seguem um período de vinte anos, vai ser excitante passar por este.
Mas vem aí algo ainda melhor, no próximo verão. Recebemos a notícia pouco antes do Natal: vou ser tia! O meu irmão, que vive em Zurique, vai ter uma menina! Não estava à espera, mas não podia estar mais feliz.
Na verdade, neste início de ano, sinto que na bolha que engloba a mim e as pessoas de quem gosto – que passou a incluir muita gente nestes últimos meses – as coisas estão estáveis, mesmo felizes. No entanto, olhando para fora, para a situação no país e no mundo em geral, só vejo tudo a piorar. Há uma estranha dissonância na minha vida.
Não digo que não tenho esperanças de que as coisas melhorem, mas sinceramente já tive mais. De qualquer forma, o que me vale é que tenho as pessoas na minha bolha para tornarem tudo menos insuportável.
E a minha escrita. Os meus blogues. E a minha música. Como nos anos anteriores, na verdade.
Como habitual, deixo-vos acima a minha playlist do ano, bem como o meu Spotify Wrapped. Obrigada, assim, por me terem acompanhado durante mais um ano. Que o resto de 2024 vos traga muitas coisas boas, tantas como, estou certa, me trará a mim. Continuem por aí.