segunda-feira, 27 de abril de 2026

Lorde – Virgin (2025) #3

           



            Terceira e última parte da análise a Virgin. Podem ler as partes anteriores aqui e aqui


        Falemos, então, sobre Favourite Daughter, uma música sobre a relação de Ella com a sua mãe – embora também possa ser, um pouco, sobre a relação com os fãs e com a indústria musical. 


Penso que qualquer fã de Lorde se recordará que, quando esta apareceu no mundo da música, muitos a descreveram como madura para a idade. Ao ponto de surgir a piada de que ela, na verdade, tinha quarenta e dois anos. Brincadeiras à parte, Ella terá sido “diagnosticada” como sobredotada aos seis anos. Ou seja, terá passado a vida toda sendo tratada como um génio – para o melhor e para o pior. 

domingo, 26 de abril de 2026

Lorde – Virgin (2025) #2

           Segunda parte da minha análise a Virgin. Podem ler a primeira parte aqui

         Terminámos essa parte dizendo que existe um tema que, na minha opinião, funciona melhor como primeiro avanço de Virgin que What Was That. Para ser justa, este tema foi o terceiro single do álbum, lançado cerca de uma semana antes da edição oficial. Falo de Hammer, uma das minhas preferidas em Virgin, cuja mensagem se resume a “esta é a minha vida agora, permitam-me que desenvolva já a seguir”.




        O título – “hammer”, martelo – diz respeito ao estado de hipersexualidade em que Lorde se encontrou depois de ter deixado de tomar a pílula e voltado a ovular. Ella descreve tais impulsos como violentos, quase masculinos. É uma interpretação comum na nossa cultura, ainda que bastante conservadora: associar virilidade a hipersexualidade, ter um papel mais ativo, ter a iniciativa, no que toca a sexo e/ou a romance. Por outro lado, há aqui abertura a algo além do vínculo físico: “I know you don’t deal much in love and affection but I really believe there could be a connection”.

Lorde – Virgin (2025) #1

          



             Ella Yelich-O'Connor, profissionalmente conhecida por Lorde, lançou Virgin, o seu quarto álbum de estúdio a 27 de junho de 2025 – sensivelmente quatro anos após o lançamento do álbum anterior, Solar Power, mantendo o padrão que se tem observado ao longo da sua carreira. Hoje vamos finalmente começar a analisá-lo. Esta é a primeira de três partes.


Tornei-me fã de Lorde há cerca de dez anos – numa altura em que o entusiasmo geral em torno do seu álbum de estreia, Pure Heroine, já havia arrefecido um pouco. No ano seguinte, Lorde lançou o álbum Melodrama – só um dos melhores álbuns de todos os tempos, indiscutivelmente. Escrevi sobre ele poucos meses depois de ter sido lançado – hoje, se calhar, acrescentar-lhe-ia coisas. 



Quatro anos depois, no verão de 2021, Lorde lançou Solar Power. Um álbum que, infelizmente, não roça nem de perto os calcanhares dos seus antecessores, conforme expliquei na altura. Em suma, gostei mais da ideia do álbum, da estética dos videoclipes e da era em geral, do que do álbum em si, das músicas em si. Várias delas estão mal produzidas, soam entediantes, incompletas, denunciando (penso que não intencionalmente) alguma futilidade da parte de Lorde, alguma falta de noção, as suas contradições. 

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