sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Odaiba Memorial Day - Digimon Adventure #14 - Imagem e som

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Queria falar agora de um dos aspetos de que menos gosto no franchise: o desenho e/ou o conceito de vários Digimon. Referi antes que o Mundo Digital e respetivos habitantes se baseiam em mitologias e crenças humanas. No entanto, várias dessas inspirações são demasiado óbvias. Isto nota-se, sobretudo, nos vilões: temos uma linha evolutiva representando o Diabo, um vampiro e um palhaço retorcido. De uma maneira igualmente óbvia e pouco imaginativa, do lado dos bons, dois dos mais eficazes contra vilões são anjos. Por outro lado, a qualidade do desenho de certos Digimon deixa muito a desejar. Não sei se é de propósito ou não, mas muitos dos monstros digitais mais secundários são francamente repelentes, como poderão ver abaixo:


 


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Nesse aspeto, Pokémon ganha aos pontos. O franchise colhe, igualmente, inspiração em diversas mitologias e culturas, mas fá-lo de uma forma bem mais subtil. E no geral, tirando umas notáveis exceções, a qualidade dos desenhos em geral é muito superior.


 


Um pequeno apontamento sobre dobragens: já tinha afirmado aqui que não tenho grande opinião da dobragem portuguesa. Quando foi para rever a temporada há pouco menos de três meses, vi-a quase toda em japonês (com legendas, é claro). Gostei. Fiquei com uma certa vontade de aprender a língua. Achei particularmente interessante, sobretudo, o conceito dos títulos honoríficos, alguns dos quais já ouvira antes, sem saber o que significavam: -san, -chan, -senpai, -sensei... e, claro, o muito usado em Digimon e amoroso onii-chan.


 


A dobragem japonesa não foi, contudo, a minha primeira escolha. A minha ideia inicial era assistir à dobragem norte-americana. Esta, no entanto, sofreu uma série de alterações em relação ao guião original - para pior, pelo que li/ouvi em críticas. Graças a Deus, o resto do Mundo teve o bom senso de se guiar pela versão japonesa, ao contrário (julgo eu) da norma.


 


No entanto, o maior crime da dobragem norte-americana, o crime que me fez procurar uma alternativa, não diz respeito às alterações no guião. É a ausência de Brave Heart.


 



 


Brave Heart - a canção que toca aquando das digievoluções e que, para mim, é o coração (no pun intended) de toda a série (ou, pelo menos, da primeira temporada). Daí que não tenha suportado ver a versão americana.


 


Conforme já fui explicando várias vezes ao longo desta análise, as digievoluções - sobretudo quando ocorrem pela primeira vez - acontecem quando as Crianças estão em perigo imediato ou quando invocam a virtude do Cartão que lhes foi atribuído. Ao ser tocada nesses momentos, Brave Heart acaba por simbolizar esse crescimento, essa invocação do melhor lado de cada uma das Crianças Escolhidas, o momento em que elas começam a vencer.  A própria essência de Digimon. Não é preciso saber japonês para compreender esta mensagem. Tudo disto faz com que os momentos das digievoluções se tornem verdadeiramente inebriantes - acreditem, eu andei viciada neles!


 


Estamos quase no fim desta análise, a próxima será já a última. Está quase...


 

2 comentários:

  1. Gostaria de acrescentar que diabos, vampiros e anjos não são inspirações tão óbvias ou inúteis num país onde tenshi e anjo sofrem sincretismo, onde kyuketsuki (vampiro) é tido como um tipo aristocrata de oni (ideia brilhante!) e onde 2/3 da minguada população cristã foi miseravelmente explodida junto com inumeráveis japoneses budistas e xintoístas algumas décadas atrás.

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  2. Tens razão, eu falava de uma perspetiva mais ocidental, aceito que, no Japão, as inspirações não sejam tão óbvias. Além disso, eu esqueci-me que esta temporada de Digimon, sobretudo o primeiro arco, foi de baixo orçamento, com poucas pretensões - nesse ponto de vista, um vilão diabo será mais aceitável.

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