Ora bem, é a primeira vez em seis anos que escrevo um texto para esta rubrica. Um texto que só entrou nos planos há relativamente pouco tempo. A minha ideia era a próxima entrada ser a análise ao terceiro álbum a solo de Hayley Williams, Ego Death at a Bachelorette Party.
Não desisti dessa análise, atenção. Tenho andado a trabalhar nela nos últimos meses de forma intermitente. Está demorada por, entre outros motivos, ter passado por mais uma fase de menos tempo e energia para escrever – algo que pode vir a acontecer outra vez. Também perdi uma parte das minhas notas com a pesquisa e planeamento desta análise – mas isso é uma história para outra ocasião.
Pelo meio, em maio, Olivia Rodrigo lançou the cure, o segundo avanço do seu terceiro álbum you seem pretty sad for a girl so in love. A música ficou-me na cabeça desde então, sobretudo pela letra e pela maneira como acaba por se relacionar com temas explorados em Ego Death at a Bachelorette Party.
Assim, decidi dedicar-lhe um texto de Músicas Ao Calhas. Durante algum tempo andei indecisa sobre quando o escreveria: se antes ou depois da análise a Ego e a outros textos que pretendo escrever. Cheguei a decidir deixar para mais tarde. No entanto, durante as minhas pesquisas para Ego, o tema voltou a surgir. Não fazia sentido deixar para depois.
Terceira e última parte da análise a Virgin. Podem ler as partes anteriores aqui e aqui.
Falemos, então, sobre Favourite Daughter, uma música sobre a relação de Ella com a sua mãe – embora também possa ser, um pouco, sobre a relação com os fãs e com a indústria musical.
Penso que qualquer fã de Lorde se recordará que, quando esta apareceu no mundo da música, muitos a descreveram como madura para a idade. Ao ponto de surgir a piada de que ela, na verdade, tinha quarenta e dois anos. Brincadeiras à parte, Ella terá sido “diagnosticada” como sobredotada aos seis anos. Ou seja, terá passado a vida toda sendo tratada como um génio – para o melhor e para o pior.
Segunda parte da minha análise a Virgin. Podem ler a primeira parte aqui.
Terminámos essa parte dizendo que existe um tema que, na minha opinião, funciona melhor como primeiro avanço de Virgin que What Was That. Para ser justa, este tema foi o terceiro single do álbum, lançado cerca de uma semana antes da edição oficial. Falo de Hammer, uma das minhas preferidas em Virgin, cuja mensagem se resume a “esta é a minha vida agora, permitam-me que desenvolva já a seguir”.
O título – “hammer”, martelo – diz respeito ao estado de hipersexualidade em que Lorde se encontrou depois de ter deixado de tomar a pílula e voltado a ovular. Ella descreve tais impulsos como violentos, quase masculinos. É uma interpretação comum na nossa cultura, ainda que bastante conservadora: associar virilidade a hipersexualidade, ter um papel mais ativo, ter a iniciativa, no que toca a sexo e/ou a romance. Por outro lado, há aqui abertura a algo além do vínculo físico: “I know you don’t deal much in love and affection but I really believe there could be a connection”.
Não estava nos meus planos escrever uma retrospetiva musical para 2025. Não cheguei a fazê-lo para 2024 – o mais parecido foi o apanhado de concertos que, de qualquer forma, acabou por cobrir uma boa parte do ano seguinte.
No que toca a 2025, o meu ano musical foi marcado, acima de tudo o resto, por três álbuns: From Zero, dos Linkin Park; Virgin, de Lorde; Ego Death at a Bachelorette Party, de Hayley Williams. Ando a analisá-los aqui no blogue – já escrevi sobre o primeiro, tenho o segundo já esquematizado – e ficava 2025 representado. Iria apenas referir de passagem os hábitos musicais que não se encaixassem nestes álbuns no final da análise a Virgin.
Só que as notas para essa parte acabaram por se estender por várias páginas. Assim, decidi escrever um texto independente para a retrospetiva musical que vai além dos três álbuns que referi acima. Aproveito para desenvolver um pouco mais sobre alguns dos temas.
Neste último ano, ano e meio, tenho ido a muitos concertos. Mesmo muitos. Já nem conto. No ano passado dizia que 2023 tinha sido o ano dos concertos só porque tinha ido a cinco – que tonta! De tal forma que, neste último ano, concertos passaram a ser a minha “cena”: aquilo pelo qual quase toda a gente na minha vida me pergunta. Isto porque, depois, publico fotografias e vídeos nas minhas redes sociais, sobretudo no Facebook e Instagram.
Não que isto tenha vindo do nada. Quem acompanhe o meu blogue há algum tempo saberá que adoro concertos. Tive a sorte de, no último ano, ter podido cruzar-me com as digressões de vários nomes de peso do meu núcleo duro de músicos preferidos. Três deles no mesmo mês. Dois deles no mesmo dia.
Mas os principais culpados pela minha era de ir-a-todos-os-concertos-possíveis são os amigos que fiz entre os fãs do tributo português aos Linkin Park (bem… um deles). O nosso problema é desencaminharmo-nos uns aos outros. Para concertos dos Hybrid Theory na maior parte dos casos, mas também para outros artistas ou bandas.
Tenho gasto muito dinheiro em bilhetes, sim. Ninguém espera que a Eras Tour ou o Rock in Rio sejam baratos. Ao mesmo tempo, tenho ido a muitos outros a preços relativamente acessíveis ou mesmo gratuitos. Na minha busca por concertos dos HT e, mais tarde, de nomes como GNTK ou Diogo Piçarra ou outras bandas de tributo, como os Decoded ou Hybrid Park, tenho descoberto vários clubes, festas de aldeia em cantos remotos do país, festivais de música locais. Já podia ter começado a ver artistas nacionais de que gosto sem gastar muito há bastante tempo.
Segunda parte da minha... análise? O que quer que queiram chamar aos milhares de palavras que gastei para lidar com o regresso dos Linkin Park. Podem ler a primeira parte aqui.
Com tudo o que discutimos na parte anterior, quase me esqueço de falar sobre as músicas novas. Quase que é o menos importante no meio disto tudo.
Terceira parte da história dos Paramore. Podem ler as partes anteriores aqui e aqui.
Mesmo com as desistências de Josh e Zac Farro, Hayley, Taylor e Jeremy eventualmente decidiram continuar com a banda – e o mundo susteve a respiração para saber como sobreviveriam os Paramore sem dois dos seus membros fundadores. O tal concerto no Optimus Alive decorreu cerca de seis meses depois da bomba. Lembro-me de estar sentada no chão da plateia, no meio de muitas pernas, conversando com uma fã mais experiente do que eu – penso que terá sido entre as atuações dos Kaiser Chiefs e dos Paramore. Ela explicou-me que Josh fora o principal parceiro de Hayley na composição – e não sabia se Taylor conseguiria desempenhar esse papel.
Enquanto escrevia o parágrafo acima, fiquei com umas estranhas saudades dessa rapariga, cujo nome não recordo, e dos outros fãs de Paramore que conheci nesse festival. Gostava de falar com eles sobre tudo o que aconteceu com a banda depois de 2011 (e aconteceu muita coisa, esta procissão ainda vai no adro). Será que não gostaram do rumo que os Paramore tomaram nos álbuns seguintes e deixaram de segui-los? Ou será que concordam comigo que, no fim, a banda deu a volta por cima?
Retomamos a nossa história em 2007, 2008 (podem ler o início aqui). Riot! foi, então, o álbum que colocou os Paramore na ribalta. Infelizmente, a banda não lidou muito bem com isso. Uma das piores fases foi no início de 2008. Os Paramore chegaram a cancelar concertos na Europa. Diz que a banda esteve à beira de colapsar nessa altura.
Como é do conhecimento geral, Taylor Swift, a D.D.T. do mundo da música, vai trazer a Eras Tour para Lisboa. Mais especificamente para o Estádio da Luz, nos próximos dias 24 e 25 de maio.
Mas Taylor não vem sozinha. A abertura dos concertos da digressão europeia tem estado a cargo da banda de Nashville, Paramore. Que por acaso são a minha banda preferida, mais ou menos empatados com os Linkin Park (e respetivo excelente tributo português). Assim, quando foi anunciado que eles viriam com Taylor a Lisboa – e eu depois consegui bilhetes para o dia 25 (dos mais baratos) – não podia ter ficado mais feliz.
Finalmente, a última parte do balanço musical de 2023. Chegámos à secção das miscelâneas, das músicas soltas que se mantiveram na minha rotação ao longo do ano.
Uma delas, mais no início do ano, foi The Thing That Wrecks You, um dueto entre Bryan Adams e a cantora canadiana Tenille Townes. Não tenho muito a dizer sobre ela, é linda.
Outra marcante foi Don’t Take the Money, do projeto Bleachers de Jack Antonoff – com Lorde contribuindo com vocais de apoio, embora não seja creditada. Existe uma versão acústica, da MTV Unplugged, em que Lorde canta mais, é um dueto como deve ser.
Foi a minha irmã quem me mostrou a música. É muito gira.
Hoje vamos então falar da dona disto tudo, da omnipresente. Taylor Swift é um poço sem fundo de ótima música. Dez álbuns de estúdio, um décimo-primeiro a caminho, em menos de vinte anos de carreira, incluindo reedições e respectivos baús e, no caso de Midnights, múltiplas edições especiais. Chega a ser irritante.
Mas não há volta a dar. Taylor tornou a ser uma das artistas que mais ouvi em 2023.
A minha ideia inicial para o balanço de 2023 era que este tivesse duas partes apenas. Uma para os concertos, outra para música em si. No entanto, esse texto estava a ficar muito grande e achei por bem dividi-lo em três – até porque faz sentido do ponto de vista temático, mesmo que os textos fiquem relativamente curtos. Há de ficar parecido com o balanço de 2021.
Suspeito que, mais uma vez, só devo terminar lá para finais de fevereiro, se não for mais tarde. Já não é a primeira vez que uso a expressão aqui no blogue mas, citando uma das bandas visadas neste texto, olhem… c’est comme ça.
Como escrevi na parte anterior, os meus hábitos musicais em 2023 não foram muito diferentes dos do ano anterior. Com as devidas exceções – Linkin Park e Meteora20, por exemplo – diria que 2023, em termos musicais, foi uma continuação de 2022. Em parte no que toca a música (mais ou menos) emo.
Um dos maiores exemplos disso foi a prevalência de Jimmy Eat World, uma banda que entrou no meu radar através de, precisamente, Everything is Emo, o podcast que Hayley gravou em 2022. Em particular o álbum Bleed American, que continuou com muita rotação em 2023.
Primeira publicação de 2024! Um ano muito feliz, caros leitores.
Nos últimos tempos, tem estado na moda nas internetes descrever diferentes fases das nossas vidas como eras – inspirando-nos, pelo menos em parte, em Taylor Swift. É uma coisa recente nas redes sociais, mas a verdade é que é algo que faço há já muitos anos, de certa forma. Penso em diferentes períodos da minha vida, recordo-me de filmes e séries que via na altura, da música que ouvia, em que ciclos de álbuns estavam os meus artistas e bandas preferidos.
Daí este meu hábito de fazer um balanço musical no fim de cada ano aqui no blogue. É uma maneira de escrever a minha própria história, de criar um cânone pessoal, romantizar a minha própria vida. É pura auto-indulgência, provavelmente só eu é que quero saber, mas também noventa por cento deste blogue é auto-indulgência.
2023 foi um ano longo e intenso, de altos e baixos. Tenho-lhe chamado o ano dos feels, um ano em que pensei demasiado, senti demasiado. Muitas emoções contraditórias ao mesmo tempo – não é a primeira vez que falo disso. Muitas delas boas, sim, e vou falar da maior parte neste texto, mas também emoções más, ansiedade. Tive alguns motivos para isso (situações pessoais, no trabalho, etc.), mas em muitos casos não há motivo, é só a minha cabeça, sou eu a fazê-lo a mim mesma. Muitas letras dos Linkin Park fazendo sentido.
No passado dia 6 de outubro, os Paramore lançaram Re: This is Why, um álbum de remixes das músicas de This is Why, editado em fevereiro deste ano. Este é essencialmente o Reanimation dos Paramore. Os membros da banda enviaram as faixas a músicos que os influenciaram e/ou com quem se dão bem para eles as reinterpretarem como melhor entendessem. O álbum inclui também uma canção inédita chamada Sanity.
Nunca esperei uma destas da parte dos Paramore. Não é algo que eu necessariamente desejasse. No entanto, até foi uma surpresa agradável, algo diferente e interessante.
Gosto da maior parte das novas versões, em geral. Por sinal, aquelas de que menos gosto são das canções de que menos gosto no álbum original: Running Out of Time (ainda por cima são duas) e Big Man Little Dignity. Imenso respeito por Zane Lowe, mas o remix dele é exatamente do género de que nunca gostei. O outro, de Panda Bear, não é tão mau. A letra tem os seus momentos. Mesmo assim… ficou secante.
Quanto ao de Big Man Little Dignity, basicamente apenas mudaram o acompanhamento. Não ficou bem, na minha opinião. Como disse antes, não gosto muito da versão original, mas o acompanhamento até tem partes bonitas. O remix nem isso tem.
Acho que os outros ficaram melhores. O de The News, com as Linda Lindas, não ficou radicalmente diferente, mas as vozes adicionadas deram um tom reacionário à música, à riot grrrl. O remix de Figure 8 ficou bastante diferente – Bartees Strange transformou-a essencialmente numa música de Lorde, com voz masculina.
You First também ficou fixe. Como vimos antes, a música original é sobre conflito entre o lado bom e o lado mau de uma pessoa. Nesta reinterpretação, a letra toma a perspetiva do lado mau. Por sua vez, Crave e Thick Skull são covers, basicamente. São interessantes, gosto em particular do primeiro, mas as versões originais são melhores.
A minha preferida, no entanto, é a nova versão de Liar. Esta é a única que, na minha opinião, rivaliza com a versão original.
Como comentámos antes, a Liar original é uma balada acústica com elementos atmosféricos. O que Romy e a co-produtora Francine Perry fizeram foi essencialmente transformar Liar numa balada atmosférica com elementos acústicos. Não contrasta com a interpretação vocal de Hayley Williams – pelo contrário, até a favorece. Romy também acrescentou versos da sua autoria, também eles dentro do tema de relutância em relação ao amor. Ficou linda.
Continuo a gostar imenso da Liar original. Ainda agora saiu um episódio do podcast Song Exploder em que os Paramore falam dela. Não a trocaria pelo remix. Mas é a melhor de todas as reinterpretações.
Pergunto-me os Paramore tocarão algumas destas novas versões ao vivo, em concertos futuros. Talvez as toquem com os respetivos músicos.
Mas o principal tema deste texto é mesmo Sanity. Não sem antes explicar o contexto, a sua backstory. A música foi referida pela primeira vez em 2018, num artigo que Hayley escreveu para a Paper Magazine sobre os seus problemas de saúde mental. Na altura, Hayley encontrara pouco antes uma nota no seu telemóvel com os versos da primeira estância de Sanity – e quase chorara.
Supostamente, estes versos foram escritos algures no fim do ciclo do Self-Titled. Antes de o piano ter caído em cima de Hayley, antes de a batata quente lhe ter rebentado nas mãos. Por outras palavras, antes de Jeremy Davies ter deixado os Paramore de forma litigiosa e antes de o, na altura, noivo de Hayley a ter traído, supostamente – os dois eventos que terão desencadeado o episódio depressivo que inspirou a larga maioria de After Laughter. Segundo Hayley, estes versos foram o primeiro indício trágico do que aí viria, o primeiro sinal do seu subconsciente de que algo não estava bem.
É interessante ler este artigo hoje, depois da era Petals For Armor. Em 2018, Hayley estava ainda no início da sua jornada, mas já falava de ignorar sinais do seu subconsciente, de reprimir partes de si mesma, as partes de si que escrevem as letras. Ela mesma deu o exemplo: escrevendo a letra de Forgiveness sobre não conseguir perdoar, mas indo para a frente com o casamento.
Nunca esperei que os Paramore lançassem a música. Quando escreveu o artigo, Hayley disse que não chegaram a terminar a música e eu nunca mais pensei nela. Assumi que nunca tinham ido além desses versos. Foi, assim, uma surpresa quando o título Sanity apareceu no alinhamento de Re: This is Why. Tal como muitos fãs, associei-a de imediato ao versos do artigo de 2018. E tínhamos razão.
Não se sabe ao certo quando é que Sanity foi composta na sua totalidade, mas parece ter sido gravada durante os trabalhos de This is Why. Sim, a música tem imensas semelhanças com o estilo de After Laughter, nomeadamente o ritmo dançante e alegre enquanto se canta sobre temas sérios. Mas a produção é menos polida, mais industrial, indiciando o estilo de This is Why. Sanity, no entanto, não se encaixa das temáticas do sexto álbum dos Paramore, daí ter sido deixada de fora. Já acho estranho, aliás, terem-na incluído em Re: This is Why – mais sobre isso já a seguir. Hayley disse que tinham Sanity pendurada há muito tempo até terem encontrado “um lar” para ela.
A letra de Sanity parece falar, assim, de alguém que se encontra à beira do precipício, a sentir o escuro a chamá-la, à beira de perder o controlo. Nunca sofri de depressão, mas acho que sei o que é isto.
“No one’s home but the void is loud, echoes around my empty house”. Às vezes fico presa à minha própria cabeça, sobretudo se estou sozinha. Se não tenho cuidado comigo mesma, começo a catastrofizar, a pensar em todas as maneiras, reais ou imaginárias, em como estou a falhar na vida.
“Synapses are slowing down” parece aludir a um sintoma muito comum na depressão: falta de energia. A mim, às vezes acontece-me quando estou muito ansiosa, por paradoxal que pareça: ficar sem energia, ficar com sono. Passei um dia assim há coisa de mês e meio… não foi divertido.
Felizmente passou, resolveu-se. Se fosse mais grave, teria pedido ajuda.
Por outro lado, a segunda estância – “levity, fill me up, let me flow. I’ll let you take care of me, you can help me let go” – descreve bem o conceito do álbum e da era After Laughter: leviandade, músicas alegres sobre assuntos muito sombrios, auto-depreciação. A forma que Hayley e o resto dos Paramore arranjaram para lidar, na altura.
Foi a forma mais saudável? Discutível. A curto/médio prazo terá ajudado e sempre resultou num excelente álbum. Mas, tal como já foi comentado cá no blogue, a certa altura Hayley teve de parar e enfrentar estes problemas como deve ser.
A terceira parte da música – “Finally I have arrived”. Suponho que seja sobre o momento em que finalmente o piano lhe cai em cima, em que finalmente é atingida pela depressão. E é um lugar sem calor, sem vida – “and there is nothing to see”, “and there is nothing to breathe”.
É uma música muito interessante, mesmo ignorando o contexto. O único problema é que acho que não faz sentido no contexto de This is Why. Na minha opinião, os Paramore deviam tê-la guardado para uma reedição de After Laughter – num aniversário ou assim.
No entanto, não me vou queixar por os Paramore não terem querido esperar tanto tempo para partilharem esta música connosco. Sempre me deu algo sobre que escrever.
Tal como já tínhamos referido depois de falarmos sobre This is Why, a esta hora os Paramore estarão em estúdio – pelo menos até aos seus concertos na Austrália. Alguns fãs especularam sobre uma edição Deluxe de This is Why, com faixas extra gravadas agora. Depois de Re: This is Why, no entanto, acho pouco provável. Mais provável lançarem um EP ou mesmo um novo álbum. Continuamos à espera.
Antes de terminarmos, queria só deixar uma nota rápida sobre o recente single dos Sum 41, Landmines. O primeiro de Heaven :x: Hell, finalmente. Corrijam-me se estiver enganada, mas é a primeira vez em imenso tempo que eles lançam uma música neste estilo mais pop punk, não é? A última vez foi em 2007, com Underclass Hero, não foi?
Não é a sonoridade mais original, admito. Sobretudo com aqueles “whoa!” depois do refrão. Mas gosto à mesma.
Os Sum 41 anunciaram há uns meses que irão dissolver a banda no próximo ano, após o ciclo deste álbum. Na altura fiquei triste, claro, mas – indo por aí outra vez – depois do que aconteceu com Chester Bennington e os Linkin Park, não é isto que me vai tirar o sono. Desde que esteja toda a gente viva e a dar-se bem com os colegas, não me queixo. O importante é ter saúde.
Eu já tinha aprendido essa lição, mas Deus Nosso Senhor mesmo assim sentiu necessidade de reforçar essa ideia.
Para começar, Dave Brownsound Baks, o guitarrista, teve de lidar com um tumor maligno – que felizmente foi removido antes que pusesse causar estragos.
Mais tarde, em setembro, Deryck Whibley, o vocalista, apanhou Covid e acabou por evoluír para uma pneumonia. Chegou a falar-se em insuficiência cardíaca e eu assustei-me. “Deryck, não te atrevas…” Talvez tenha sido exagero da minha parte, talvez estivesse escaldada e com medo de água fria. Mas, em minha defesa, este não foi o primeiro susto que Deryck que nos pregou.
Felizmente tudo se resolveu, os Sum 41 já atuaram no festival When We Were Young e tudo. Diz que Heaven :x: Hell sai na próxima primavera. Ficamos à espera.
Não sei quando é que volto a publicar aqui no blogue. À hora desta publicação, The Beginning, o filme de Digimon 02, sequela a Kizuna, estará prestes a sair nos Estados Unidos. Devo conseguir vê-lo em breve. Será um novo desafio para o meu coração, que tem passado por muito este ano… Por outro lado, vai ser bom mudar um pouco o registo aqui no blogue. Ainda não sei quando conseguirei publicar a eventual análise a esse filme – antes do fim do ano será difícil. Provavelmente, terei de interromper para escrever o balanço de fim de ano – este deverá ser mais curto.
Logo se vê.
Como sempre, obrigada pela vossa visita. Deem uma espreitadela à página de Facebook deste blogue. Continuem por aí.
No passado dia 6 de outubro, Mike Shinoda – fundador dos Linkin Park, homem de múltiplos ofícios artísticos e musicais e uma das minhas pessoas favoritas do mundo da música – lançou o single Already Over, uma canção a solo.
Eu chamo-lhe single, mas Mike tem preferido falar de um “capítulo”. Um meio termo entre single e álbum. Algo lançado com tanta pompa e circunstância como um álbum, ou quase, mas sem correr o risco, que às vezes se corre com os álbuns, de que algumas músicas não-singles não recebam a atenção que merecem.
Consigo entender a lógica. No que toca ao seu trabalho a solo, Mike sempre fez esforços nesse sentido. Veja-se Post Traumatic, em que todas as músicas (da edição-padrão) tiveram direito a videoclipe – ainda que Hold it Together só tenha chegado este ano. Julgo que Mike queira que Already Over, e quaisquer outras músicas que lançar depois, tenham cada uma uma mini-era, com uma estética própria, videoclipe (apesar de ainda não ter saído o de Already Over, à hora desta publicação) e sessões como a que fez com músicos australianos – mais sobre isso já a seguir. No fundo, dando-lhes oportunidade para causarem impacto.
Já se sabia há algum tempo (eu referi-o no meu texto sobre Meteora20) que Mike andava a criar música para si mesmo, depois de ter passado um par de anos, mais coisa menos coisa, compondo e produzindo para outros músicos. A certa altura, Mike terá sentido de novo o bichinho e quis criar música para si mesmo.
Tecnicamente, In My Head, que saiu há uns meses, é um exemplo disso, mas é um dueto com Kailee Morgue. Por sua vez, com Already Over, houve quem colocasse a hipótese de convidar alguém, mas Mike rejeitou-a e fez tudo sozinho. Compôs, produziu, tocou todos os instrumentos… e cantou.
Esta será a parte mais importante de tudo: Mike cantando, cantando a sério, sem abusar do auto-tune ou de outros efeitos semelhantes, como em demasiadas músicas a solo dele. Durante muito tempo, demasiado, Mike não pareceu ter grande confiança na sua voz. Compreende-se, pelo menos em parte: qualquer um trabalhando durante tantos anos com Chester Bennington teria complexos de inferioridade.
No entanto, Mike sempre se subvalorizou. Um dos meus aspectos preferidos dos álbuns mais recentes dos Linkin Park são as partes em que Mike e Chester harmonizam nos vocais – saudades. Mas também tivemos Sorry for Now no One More Light e Massive no Meteora20. Entretanto, descobri há pouco tempo No Roads Left, uma B-side de Minutes to Midnight que devia ter sido incluída no alinhamento principal – provavelmente o melhor desempenho vocal de Mike até ao momento.
Em todo o caso, no ano passado, Mike ter-se-á apercebido de que poderia aprender a cantar, desenvolver os seus dotes vocálicos e compôr música adequada à sua própria voz – tal como compõe música para as vozes de outros cantores (Chester, John Legend, Demi Lovato, etc). As expressões dele no vídeo acima enquanto explica isto dão-me vontade de rir – este totó levou décadas a descobrir que sabe cantar.
Dito isto, se Mike tivesse acreditado em si mesmo como cantor há coisa de vinte e cinco anos, depois de Mark Wakefield ter deixado os Xero, ele, Brad e os outros não teriam sentido a necessidade de procurarem um vocalista. Ou seja, não teriam conhecido Chester (mais sobre a génese dos Linkin Park aqui).
Olhemos, então, para Already Over. Confirma-se o que Mike dissera antes sobre regressar às raízes, sobre os fãs dos Linkin Park ficarem contentes. Esta é uma música rock (rock alternativo, segundo dizem), guiada pela guitarra elétrica – aparentemente a mesma de What I’ve Done. Gosto muito da bateria – Mike terá aprendido a tocá-la há pouco tempo. Diz que a editou em estúdio para soar bem… mas pergunto-me se será cem por cento verdade ou se está a ser modesto.
A letra não é nada de extraordinário. Não é má, é apenas algo vaga e superficial. Basicamente sobre alguém que não tem noção do mal que faz. O narrador não sabe se é arrogância, ignorância, ilusão, uma mistura de todas. Mike deu a entender em entrevista que, na hora de escrever letras, por defeito, assume temas semi-sombrios como estes. Sempre foi assim – basta olhar na diagonal para a discografia dos Linkin Park.
Não é grave, mas nesse sentido perde em relação a In My Head, Happy Endings ou mesmo fine. Estas têm letras mais interessantes, mais autênticas. Pelo menos no que diz respeito a mim.
Infelizmente, temos aqui outro exemplo de um refrão circular (que começa e acaba com o mesmo verso). Como poderão ler em textos recentes, é algo a que ganhei alergia nos últimos anos. Não chega a estragar a música, atenção, mas é a parte de que menos gosto.
O melhor de Already Over é mesmo o desempenho vocal de Mike. A versão de estúdio está menos produzida que outros temas (demasiados) a solo dele, mas os efeitos adicionados até são interessantes: um eco fantasmagórico no início da segunda parte, o coro no início do último refrão.
Ainda assim, a voz de Mike ficou ainda mais evidente nas sessões de Sydney, com músicos australianos. O vídeo foi publicado no dia 18. Aqui, a voz de Mike não teve produção nenhuma (isto é… penso eu), podemos ouvi-la em estado puro e… ficou fantástica.
Fico feliz por Mike ter lançado oficialmente o áudio dessas sessões. Para mim, esta é a versão definitiva de Already Over. Até porque, para além de Mike, os outros músicos fizeram um ótimo trabalho com instrumentos.
Uma palavra, já agora, para a apresentação de Bleed it Out que eles fizeram. Adorei. Não estava à espera de gostar tanto de ouvir uma mulher cantando as partes melódicas desta música. Bonnie Fraser, vocalista dos Stand Atlantic (já conhecia a música deles, Lavender Bones. É gira.), fez um ótimo trabalho.
Foi uma noite feliz, quando publicaram este vídeo.
Mike diz que virão mais sessões deste género no futuro, com músicos de diferentes partes do mundo. Se ele quiser fazer uma com músicos portugueses, eu tenho algumas sugestões… Mais sobre isso já a seguir.
Em suma, não sendo uma música do outro mundo, gostei de Already Over, sobretudo por causa da interpretação de Mike. Quero mais. Ele diz que virão mais músicas depois desta, mais “capítulos”. Chegou a comentar que Already Over pertence ao mesmo universo de In My Head e, curiosamente, de fine.
Não referiu Happy Endings, o que faz sentido, suponho eu. Tem um tom diferente, mais leve – apesar de falar de coisas relativamente sérias, como a pandemia e a maneira como esta nos tornou menos tolerantes e pacientes (agora que penso nisso, lembra This is Why). Além disso, é uma colaboração a três.
Mike irá, então, continuar em estúdio, gravando música a solo. Ou seja, para já não irá em digressão, o que dá um bocadinho de pena. Queria voltar a vê-lo ao vivo, quase uma década depois da última vez. A digressão de Post Traumatic não passou em Portugal, infelizmente. Se a próxima não passar, talvez vá vê-lo ao estrangeiro, mas obviamente preferia vê-lo por cá. Não só pela parte prática da coisa, mas também porque… quero que ele conheça os Hybrid Theory. Que faça qualquer coisa com eles (uma sessão, como a de Already Over em Sydney!) ou que, no mínimo, lhes dê a sua benção.
Aqui entre nós, acho que Mike tem saudades dos palcos. Ele fez um par de aparições em concertos nos últimos meses (um com o grandson, outro com a G Flip, na Austrália) e, de ambas as vezes, pareceu estar a divertir-se à grande. Ao mesmo tempo, não me surpreende que não queria ir numa longa digressão. Post Traumatic foi difícil, como comentámos antes. Com a pandemia e tudo o resto, tem passado os últimos anos em casa e talvez lhe saiba bem. Talvez não lhe apeteça passar meses longe da mulher, Anna, e dos filhos. Não o censuro.
Enfim, talvez vá daqui a um ano ou dois. Isso significa, também, que um eventual regresso dos Linkin Park, a acontecer, fica adiado durante mais uns anos. Uma pessoa vê Mike aprendendo a cantar, começa a pensar coisas… mas ainda não estou preparada para essa conversa. Neste momento estou muito feliz com os Hybrid Theory e os seus fãs. Ando a contar os dias até ir a Gondomar vê-los (à hora desta publicação, cinco semanas!).
Para já chega. Não quero que os Linkin Park fiquem parados para sempre, lançando apenas reedições de álbuns anteriores, mas demos-lhe (mais) uns anos.
Não sei se cada um dos próximos capítulos da música a solo de Mike terá direito a um texto como este. Talvez escreva um texto para cada um, talvez escreva sobre dois ou três num só, quando a oportunidade surgir. Nem que seja só nos textos de fim de ano.
Quanto a nós, o próximo texto aqui do blogue será sobre Re: This is Why em geral e sobre a inédita Sanity em particular. Isto apesar de o texto anterior já ter sido sobre a This is Why original. Aparentemente, este ano aqui no blogue só dá Linkin Park (OK, não a banda propriamente dita mas parte do seu extenso universo) e Paramore.
Olhem… c’est comme ça.
E em minha defesa, já Lost tinha saído no mesmo dia que This is Why e agora os Paramore lançaram um álbum de remixes no mesmo dia que Already Over. A culpa não é minha.
Voltamos, assim, a falar em breve. Continuem por aí. Obrigada pela vossa visita.
Segunda parte da minha análise a This Is Why. Primeira parte aqui.
Agora falemos de Liar. Esta também tem muitos fãs, se bem que por motivos muito diferentes. Desde Brand New Eyes, todos os álbuns dos Paramore, incluindo o Singles Club, incluem um número acústico calminho. Em This is Why, esse número acústico é também a canção de amor – a tal que eu esperava que incluíssem.
Já não é a primeira vez que digo aqui que, por defeito, gosto sempre das canções de amor (claro que existem exceções). Mesmo sem o meu viés favorável, acho Liar uma música linda. É um número acústico sim, como Misguided Ghosts, In the Mourning e 26. Ao mesmo tempo é diferente, é única na discografia dos Paramore – eu pelo menos não me recordo de outro tema com este tom atmosférico.
Hão de reparar na bateria incrivelmente intricada de Zac. As pessoas tendem a dar mais importância à bateria em músicas mais agitadas, mas esta é igualmente importante em baladas como esta. Em Liar, então, a bateria casa lindamente com a melodia – Hayley deu a entender que a compôs em consonância com esse ritmo.
Por fim, não sei se foi de propósito, mas aquelas batidas depois do segundo refrão lembram-me batimentos cardíacos.
Aquilo de que toda a gente quer falar, no entanto, é da letra de Liar, claro. Esta é a primeira canção de amor que Hayley lança desde que foi confirmado aquilo que muitos suspeitavam há anos: ela e Taylor estão a namorar. Aliás, nesta altura já estarão a viver juntos.
Agora que já lá vai algum tempo desde a confirmação, tenho gostado da comunicação em torno do relacionamento: muito reduzida. Não surpreende, sobretudo depois de terem demorado três ou quatro anos a torná-la pública. Taylor é muito mais reservado que Hayley. A ideia com que fico é que é sobretudo por causa dele que Hayley não é mais aberta sobre o assunto. Ao mesmo tempo, a relação só pertence a eles. Eles não têm obrigação nenhuma de partilhar detalhes com os fãs – e nós não temos o direito de exigi-los.
Dito isto, eu – à semelhança de muitos outros – fico contente com as migalhas que eles vão deixando. Como as interações dos dois em palco. Ou Hayley usando uma alça de guitarra de Taylor como cinto (ela é um ícone da moda!).
Só peço que nos digam qualquer coisa quando houver casório.
Liar pega em temas já explorados em Petals For Armor. Na letra, Hayley fala de negar aquilo que sente, reprimi-lo, mentir a si mesma e aos demais. Porque existiam imensas objeções ao que ela sentia. Porque Taylor é um colega de banda e isso costuma dar barraca. Já tinha dado barraca quando ela namorara com Josh em miúda. Porque ela tinha medo dos juízos de valor do público – mesmo a minha primeira reação, quando soube dos rumores, não foi das melhores. Porque a relação com Taylor era relativamente fácil, saudável, e Hayley não estava habituada a isso. Porque a relação anterior a esta ia dando cabo dela e Hayley, sem surpresas, tinha medo de se apaixonar outra vez. Porque a própria Hayley não se achava merecedora de Taylor e receava magoá-lo – “All the ways I keep you safe, I keep you safe from me”. Porque, em geral, apaixonar-se pode ser assustador.
Mas Hayley não conseguiu enganar Taylor. E ele nem sequer precisava de ser enganado.
Gosto muito da segunda estância. Começando pelos dois primeiros versos: “Got so good at fighting chemicals and dodging arrows I was asking for”. A sobreposição de duas visões diferentes sobre o amor. A mundana – porque há quem diga que o amor e a atração são apenas produto de hormonas e neurotransmissores. E a divina – as flechas de Cupido, de que Hayley se desviava.
Por seu lado, os versos seguintes – “wading through the fog and then it disappeared, naked when I’m here” – recordam-me Naked, de Avril Lavigne, uma das minhas canções de amor preferidas de todos os tempos. Em particular os versos “Then you came around me, the walls just disappear, nothing to surround me, to keep me from my fears”. Hayley tentando proteger-se e não sendo capaz, dando por si numa posição vulnerável.
Na terceira estância, Hayley aceita finalmente os seus sentimentos, ama sem medo ou vergonha. E estimula os ouvintes a fazerem o mesmo.
Hayley diz que Liar é a sua preferida em This is Why neste momento. Também está entre as minhas, diria eu.
No entanto, a minha preferida neste álbum, pelo menos para já, é Crave. Penso que também é uma das mais populares, mas posso estar enganada.
Em termos de sonoridade, encaixar-se-ia bem no Self-Titled. Temos outro refrão circular, mas este incomoda-me menos que o de Big Man, Little Dignity.
A letra de Crave fala sobre nostalgia, que é um assunto bastante universal, sobretudo na Internet. Eu pelo menos podia encher páginas e páginas sobre isso – vou fazer um esforço por me conter.
Hayley disse na entrevista ao Zane Lowe que, muitas vezes, tem dificuldades em desfrutar de um bom momento porque sabe que este vai acabar. Depois de acabar, fica com saudades, lamenta não ter aproveitado melhor.
Eu também muitas vezes não consigo aproveitar o momento, “estar presente” como agora se diz. Nem sempre é por saber que vai acabar. Muitas vezes estou demasiado presa à minha cabeça, sinto-me triste por algum motivo ou nenhum, sinto-me ansiosa por algum motivo ou nenhum, e estrago a experiência a mim mesma.
Outras vezes tenho grandes expectativas para um determinado evento e depois a realidade não consegue corresponder. Acho que é daquelas coisas que pioram com a idade. Quando somos novos tudo é especial, tudo é novidade, tudo é marcante. Vai-se tornando cada vez mais difícil recaptar essa sensação à medida que vamos vendo mais, vivendo mais.
Este é um tema mais ou menos recorrente nas letras de Hayley. Por exemplo, em First Thing to Go, de Flowers For Vases, que reza: “Why do memories glow the way real moments don’t?”. E sobretudo em All I Wanted, como assinalaram no podcastStill Into You (que recomendo vivamente): “I could follow you to the beginning, just to relive the start, maybe then we’d remember to slow down at all of our favorite parts”.
Já não é a primeira vez que o digo: tenho muito a tendência de querer desesperadamente reviver o passado e negligenciar o presente. É algo que tento ativamente contrariar. Há um par de meses, por exemplo – e perdoem-me por falar disto outra vez – quando tive uma recaída nas minhas saudades de Chester Bennington (de que ainda não recuperei a cem por cento), só queria voltar atrás. Queria aproveitar melhor a curta vida dele: interessar-me mais cedo pelos Linkin Park e pelos Dead By Sunrise, ir a mais concertos dele, reviver aqueles a que fui.
Regressamos a Crave. Se a primeira estância fala de nostalgia por bons momentos, a segunda fala de nostalgia por maus momentos, o que não é comum. Não é a primeira vez que ouvimos Hayley falar de romantizar situações menos boas – e ainda agora vimos, a propósito de C’est Comme Ça, que ela tem afinidade para o caos. Em Crave, Hayley vai mais longe e diz mesmo que não mudaria nada.
O que é… interessante, suponho eu. Arrojado. Afinal de contas, Hayley foi magoada a sério, magoou outras pessoas a sério, teve ideação suicida – algo a que a própria letra de Crave faz referência.
Não se arrepender disso será a atitude mais saudável? Não sei. Por um lado, será fácil dizer agora que faria tudo de novo. Agora que está numa melhor fase da sua vida, agora que sabe que sobreviveu – e se orgulha disso, merecidamente.
Por outro lado, é aquela clássica: se Hayley não tivesse passado por aquilo que passou, se não tivesse cometido os erros que cometeu, não teria aprendido o que precisava de aprender, não estaria onde está hoje. Por exemplo, já antes referi este discurso, em que Hayley declarou que repetiria aquele que descreve como o pior ano da sua vida, só mesmo porque fez com que ela visse o quanto Taylor gostava dela. Mais tarde, em Taken, de Petals For Armor, Hayley reitera que passaria por tudo de novo: “Might’ve taken thirty years but I was always on my way to him”.
E, claro, o que não nos mata torna-nos mais fortes (bem… até certo ponto), dá-nos algo sobre que escrever, dá-nos algo sobre que cantar.
Isso de não acreditar em arrependimentos é daquelas filosofias a que subscrevo em teoria. Admito mesmo que tenho erros que não me arrependo de ter cometido, não por completo pelo menos. Porque deram-me oportunidades que não teria de outra forma.
Na prática, no entanto, arrependo-me de muitas coisas – acabei de falar de algumas. Penso muitas vezes no que teria acontecido se tivesse tomado outras decisões. Mesmo sabendo que talvez fosse uma pessoa diferente hoje.
Ou não.
Apesar de tudo, sei que, tirando a parte de aprender com os erros, não serve de nada carregar arrependimentos. Não serve de nada nadar em águas passadas, pensar em cronologias alternativas, viver na Terra do Nunca de Kizuna. Para quê preocuparmo-nos com o que não podemos mudar?
Se me permitem o exemplo aleatório, o futebolista Rúben Dias disse há um par de meses que “não jogava com ‘se’s” (já nem me lembro do contexto, terá sido na Seleção…?). Uma frase inesperadamente sábia – nem deve ter sido de propósito. O que uma pessoa tem de fazer é jogar o melhor que puder com o aqui e agora – o que remete para a primeira estância de Crave.
(Caso não tenham percebido, a mensagem do parágrafo anterior é para mim mesma.)
A terceira parte da música é a minha preferida, tanto em termos de sonoridade como de letra. Gosto do instrumental depois do segundo refrão, do pequeno solo de guitarra e da bateria de Zac. E Hayley exibe a sua voz impressionante.
Na minha opinião, os versos “Any second feel the present, future and the past connecting” fala daqueles momentos, bons ou maus, que mudam a nossa vida, que se transformam em memórias centrais, como no Inside Out. O que acaba por ser paradoxal: quando estes momentos acontecem, regra geral só o percebemos à posteriori. Lá está, porque estamos presentes no momento, não estamos a pensar demasiado.
Adoro esta canção. Espero que seja lançada como single, com direito a videoclipe. Crave e A Praise Chorus passaram a ser as minhas músicas de dias de concerto: A Praise Chorus para antes, Crave para depois (talvez acrescente Long Live (Taylor’s Version). Afinal de contas, para mim concertos são das melhores coisas do mundo, sobretudo de músicos que adoro. São definitivamente daqueles momentos em que o passado, o presente e o futuro se unem. Não é por acaso que me fartei de dar rotação a Crave há poucas semanas – depois de ter voltado a ver os Hybrid Theory, na noite de 20 para 21 de julho.
E, seguindo a mensagem do refrão, quero repetir a experiência. Já estou a fazer planos para isso.
Havemos de voltar a falar sobre concertos (oh sim). Para já, falta falarmos sobre Thick Skull – a última música do alinhamento de This is Why, mas que terá sido composta em primeiro lugar.
Esta é capaz de ser a faixa mais interessante em todo o álbum em termos de sonoridade. A banda cita dos Radiohead e o álbum A Rush of Blood to the Head dos Coldplay como inspirações, o que faz sentido. Algumas partes recordam-me um pouco Just a Lover, de Flowers For Vases. É um som algo sombrio, com um toque de jazz fora da caixa para os Paramore mas de que gosto imenso. Destaque-se a guitarra elétrica de Taylor.
Por esta altura, qualquer fã de Paramore minimamente bem informado sabe que Hayley é considerada a cara da banda. Para o melhor e para o pior – ela tem as costas largas. Pelos membros que vão e vêm, pelas pessoas que ela namora, pelas letras pouco feministas, tudo à mistura com uma dose generosa de misoginia. O mais saudável seria ignorar, claro, mas Hayley é humana, interiorizou muitas destas críticas. Não é fácil libertar-se delas.
Hayley disse que escreveu a letra de Thick Skull fingindo que tudo o que as más-línguas têm dito sobre ela ao longo dos anos era verdade. Uma maneira de se libertar desses demónios de uma vez por todas, agora que o seu contrato com a Atlantic Records finalmente terminou.
Não sei se acredito a cem por cento nessa explicação. A letra parece-me mais sincera do que isso.
“I am a magnet for broken pieces, I am attracted to broken people”. Ainda há pouco vimos que Hayley tende a escolher pessoas tóxicas. Em Thick Skull, Hayley compara-as a cacos de vidro. Apanha-os do chão mas corta-se, é vista pelos demais com sangue nas mãos e estes assumem o pior em relação a ela – quando Hayley estava só a tentar ajudar.
Agora é que compreendo a expressão anglosaxónica “caught red handed”.
Na segunda estância, Hayley fala em cadáveres enterrados que a assustam – poderá ser uma metáfora para erros que ela cometeu no passado e que lhe pesam na consciência. No refrão, Hayley admite ser incapaz de aprender e desafia os demais a dar-lhe sermões: “C’mon, give it to me, give it to me”.
O cenário pintado por Thick Skull faz-me ver o videoclipe de Playing God sob uma nova perspectiva. A protagonista desse vídeo é uma pessoa respeitável com um segredo sombrio. Havemos de falar melhor sobre isso quando escrever sobre Brand New Eyes, mas sempre me interroguei sobre em que é que os Paramore estavam a pensar quando criaram o conceito desse videoclipe. Sobretudo tendo em conta que este saiu poucas semanas antes do infame abandono de Zac e Josh. Sempre teorizei que a ideia para o vídeo partiu de Josh, indiciando as acusações que faria a Hayley mais tarde. Agora pergunto-me se não terá sido ideia de Hayley, já nesta altura gozando com a perceção que as pessoas tinham dela.
Se quiserem lançar algum videoclipe para Thick Skull, espero que façam uma versão noir do videoclipe de Playing God. Esqueçam os raptos, façam de Hayley uma serial killer perseguindo Zac e Taylor. Deem a entender que já apanhou Josh e Jeremy. Seria uma delícia.
Esta dicotomia entre ser-se herói ou vilão, ser-se herói e vilão, remete para You First e na verdade é, para mim, o tema principal de This is Why. O discreto denominador comum de um álbum que, à primeira audição ou mesmo à segunda, parece algo desconjuntado. Sou herói ou sou vilão? Estou a fazer bem ou mal? Sou parte do problema ou parte da solução?
E se for ambos? E se estes atributos não se excluírem uns aos outros?
Praticamente todas as músicas lidam com este tema. Em This is Why, “you’re either with us or you can keep it to yourself” – se concordas tudo bem, se discordas és cancelado. Em The News, se ligas as notícias, sofres com elas e pouco podes fazer para resolver o problema. Se desligas, és egoísta e nem sequer consegues alívio. Em Running Out of Time, até podes ter boas intenções, mas nem sempre consegues concretizá-las e, uma vez mais, ainda passas por egoísta. Em C’est Comme Ça, tenta-se ser bom para si mesmo, um herói para si mesmo, mas isso é uma seca – autodestruição é que é fixe. Em Figure 8 foram as circunstâncias e as outras pessoas que nos transformaram em vilões.
Hayley referiu há pouco tempo que uma das lições de vida que está a tentar aprender nesta era é precisamente sobre dualidade. Sobre como muitas coisas na vida são algo e o seu completo oposto ao mesmo tempo. É a isso que se refere o poema que Hayley escreveu para o seu eu mais jovem e que tem servido de introdução aos concertos dos Paramore.
Confira a intro da turnê ‘This Is Why’ completa e legendada, com takes aéreos belíssimos da filmagem do show do Paramore no Bonnaroo Music and Arts Festival 🤘🌈 pic.twitter.com/84oVMxkDzv
Já dei com esta corrente de pensamento noutros sítios, na verdade. Em Once Upon a Time para começar, no episódio “We Are Both”. Mais recentemente neste vídeo, a propósito do memorável discurso “Thank you… and fuck you” num dos últimos episódios de Ted Lasso. O glorioso “e”, o glorioso “ambos”, o glorioso “tanto… como…”. É possível que isto se torne numa moda nova na psicologia pop, talvez como resposta à cultura de cancelamento que dominou os últimos anos. Não deixa de ser verdadeira.
E estando eu numa altura da minha vida em que ando cheia de emoções contraditórias, a sentir mais do que o costume, isto é algo que também estou a aprender. Como, spoilers, a Barbie no fim do filme.
Aquilo que nos acontece de mau nas nossas vidas faz de nós quem somos hoje, inspiram a nossa arte, dão-nos histórias para contar, e não deixam de ser coisas más, que não deviam ter acontecido. Pais criam os filhos da melhor forma que conseguem, com a melhor das intenções e quase todos cometem erros que os filhos carregam para o resto da vida. Pessoas tóxicas podem ter-nos feito felizes no passado e temos o direito de não querê-las mais na nossa vida, por causa do mal que nos fizeram. Sorrir porque aconteceu e chorar porque acabou – e vice-versa. Esperança, pensamento positivo e realismo, medo.
Dando exemplos mais concretos, os Paramore têm luz e escuridão na sua música. Hayley tem um lado idealista e um lado cínico, um lado saudável e um lado avariado, passa noites a cantar, a dançar, a rir em palco e, na manhã seguinte, pode estar com uma depressão. Josh Farro é um homofóbico, Jeremy Davies terá tentado colar-se ao trabalho de Hayley e Taylor, não fazem falta nos Paramore e a banda não seria o que é hoje se não fossem eles.
Noutros exemplos mais pessoais, os livros do Harry Potter foram altamente formativos na minha infância e adolescência e não tenho nem terei nada a ver com esse mundo enquanto a sua autora não parar de atacar a comunidade trans. A música dos Linkin Park fala de raiva, revolta, sofrimento interior, pensamentos e comportamentos autodestrutivos e, à luz da morte de Chester, nunca se livrará de um filtro triste e alguns dos melhores momentos da minha vida decorreram em concertos ao som dessa música – mesmo depois de perder Chester.
A morte dele, aliás, foi uma tragédia de que muitos de nós ainda estão a tentar recuperar seis anos depois e possibilitou muitas coisas boas que talvez não acontecessem noutras circunstâncias. A mudança de mentalidades em torno da saúde mental, que tem salvo vidas – ainda no outro dia dei com um exemplo disso. Mike Shinoda, amigo e colega de Chester nos Linkin Park, encontrou um novo propósito musical lançando música a solo e, mais tarde, compondo e produzindo música para outros artistas. Os membros dos Hybrid Theory encontraram o propósito musical deles como tributo aos Linkin Park, depois de outros projetos que não resultaram.
Eu podia continuar. Importante realçar que há coisas que não deixam de ser más, que não têm de ser perdoadas, mesmo tendo aspetos que as redimam.
Isto é a minha faceta preferida dos Paramore, o motivo pelo qual são a minha banda preferida, empatados com os Linkin Park: a maneira como a música deles, direta ou indiretamente, apela à introspeção, a reflexões como estas e que marcam diferentes eras nas nossas vidas. This is Why precisou de algum tempo para isso, mas está a ter o mesmo efeito.
Dito isto, não coloco ainda This is Why ao mesmo nível que o Self-Titled e After Laughter ou mesmo Brand New Eyes. A minha opinião tem melhorado com o tempo, mas há falhas que não desaparecem. Continuo a achar que nos foi prometida uma coisa diferente. As faixas têm denominadores comuns entre si, mas o álbum continua algo inconsistente em termos de temáticas. Mesmo a questão da dualidade tem de ser um pouco arrancada a ferros nalgumas músicas. Também não ajuda o facto de o álbum ser curto – dez músicas é pouco. Com mais faixas talvez se conseguisse uma maior coesão, talvez alguns destes temas tivessem mais espaço para respirarem.
No fundo, sinto que falta qualquer coisa a This Is Why, embora não sabia precisar ao certo o quê.
De qualquer forma, não são falhas graves. Talvez This is Why seja apenas um ponto de partida – até porque Hayley diz que eles querem regressar ao estúdio, agora que têm um par de meses de pausa entre digressões. Mesmo que não o seja, This is Why continua a ser um bom álbum, respeitável, digno de figurar entre os seus antecessores. E pode ser que a minha opinião continue a melhorar com o tempo.
Com This is Why, Hayley cumpriu finalmente os termos do seu contrato com a Atlantic Records (oito álbuns). Os Paramore vão abrir um novo capítulo nas suas vidas, livres desta âncora. Não sei se vão arranjar uma editora nova, se vão lançar o resto da sua discografia através da Congrats, a gravadora independente de Zac.
Estava à espera que tornassem a fazer uma pausa após o ciclo de This is Why. No entanto, como disse acima, eles querem criar mais música. Não sei se querem fazer mesmo um álbum novo, apenas um EP ou dois ou três singles – e quando pretendem lançá-los. Até porque eles já têm planos para 2024, como veremos já de seguida.
O que parece mais ou menos certo é que não devemos ter de esperar seis anos de novo. Toda a gente agradece.
A minha história com os Paramore já dura há uns anos valentes: mais de doze. O Self-Titled, que foi tão marcante, fez agora uma década. Às vezes ponho-me a pensar no primeiro concerto deles cá em Portugal, em 2011, no Optimus Alive (antecessor do NOS Alive), nos primeiros textos que escrevi sobre os Paramore cá no blogue, em tudo o que se passou na vida deles desde então. E na minha. Tem sido alucinante.
E agora eles vão finalmente voltar a Portugal! E eu vou vê-los ao Estádio da Luz! Não nas circunstâncias ideais, infelizmente. Já me tinha inscrito para a Eras Tour porque Taylor Swift (que vem a Portugal pela primeira vez). Quando soube que os Paramore abririam o concerto dela, naturalmente passei-me. E fiquei ainda mais ansiosa por bilhetes.
Felizmente consegui-os através de uma amiga da minha irmã. Dos de sessenta e oito euros – devemos ficar perto do quarto anel. Eu até tinha possibilidades de pagar um pouco mais (vá lá, cento e vinte euros no máximo), mas o meu lado mais ajuizado fica aliviado. Ficou mais barato que o bilhete diário para o Rock in Rio.
Mas talvez seja boa ideia levar binóculos.
O facto de ser no Estádio da Luz é extra especial para mim. Para começar, será perto do sítio onde vivo, perto do sítio onde trabalho – e vai receber a visita de músicos que adoro mas que costumam estar a um oceano de distância de mim. Melhor do que isso, só recebendo-os em minha casa, ou encontrando-os no meu café habitual.
Além disso, a Luz costuma ser palco de outra das minhas paixões. Os meus mundos vão colidir. Mas também jogos de futebol e concertos não são assim tão diferentes.
A parte chata no que toca aos Paramore é que não será o público deles. O concerto deles só deverá durar uns quarenta e cinco minutos. Eles já abriram a Eras Tour um par de vezes – não vou consultar os alinhamentos para evitar spoilers, mas calculo que toquem só singles. Nada de Last Hope ou All I Wanted ou outras preferidas dos fãs hardcore. E não convidarão ninguém para cantar Misery Business com eles em palco.
Além disso, mesmo que hajam por aí fãs dispostos a pagar os preços exorbitantes dos bilhetes e a fazer o “sacrifício” de ver o concerto de Taylor, só para poder ver os Paramore… estes só foram anunciados depois do fecho do pré-registo. À hora desta publicação, ainda não abriram novas datas e, tanto quanto sei, só puseram à venda uns bilhetes extra dos mais caros. É desagradável.
Em todo o caso, continuam a ser os Paramore. Os Paramore e a Taylor Swift. A minha banda preferida e uma das minhas cantoras preferidas, sobretudo nos últimos anos. Melhor era difícil. E mesmo que sejam só singles da parte dos Paramore, isso inclui os singles dos álbuns que eles lançaram depois de 2011. Uma mão-cheia de músicas excelentes que irei ver ao vivo pela primeira vez.
Além disso, pode ser que os concertos da Luz sirvam para os Paramore se recordarem do quanto gostam de nós. O suficiente para, talvez, nos incluírem na rota, caso façam uma digressão europeia em nome próprio daqui a um par de anos. Ao mesmo tempo, vão apresentar-se a uma nova população, é uma oportunidade de ganharem novos fãs. Isso já está a acontecer com a música a solo de Hayley, depois de Castles Crumbling.
Aliás, já compilei uma playlistpara a minha irmã e para as amigas dela com aquilo que considero serem os essenciais dos Paramore – com algumas das minhas preferidas pelo meio.
Mais: estou a pensar escrever uma espécie de mini-biografia dos Paramore destinada a Swifties. Um guia com todo o “lore” por detrás da banda – os dramas desde a génese, a rotação dos membros, a vida amorosa de Hayley, etc. Se estivéssemos a falar de outro artista, talvez os respetivos fãs não tivessem paciência para estes pormenores todos.
Mas estamos a falar de Swifties. Swifties vivem de easter eggs e mexericos. Quer-me parecer que vão gostar – até pelas semelhanças nas histórias de Hayley e Taylor.
Não a vou escrever já já. Em parte porque já passei muito tempo no universo Paramore enquanto escrevia este texto. Vou apontar para o primeiro trimestre do próximo ano. Definitivamente antes do início da Eras Tour na Europa.
E era isto que queria dizer por agora. Não sei quando regressarei aqui ao estaminé – como tenho vindo a dizer, existe vida fora deste blogue. Por um lado, fico triste por andar a publicar pouco. Por outro, estou muito satisfeita com os últimos textos que escrevi, sobretudo a análise a Meteora e os textos de fim de ano.
Pode não haver quantidade, mas há qualidade.
O plano era agora escrever sobre Pokémon Go mas, aqui entre nós, ando com pouca vontade. Por outro lado, o filme de Digimon 02, The Beginning, sai no Japão em finais de outubro. Se tiver oportunidade de vê-lo, depois escreverei sobre ele, talvez de imediato – a menos que o filme se arme em Kizuna e dê cabo do meu pobre coração, que já tem tido a sua dose.
Pode ser, também, que a qualquer altura um dos músicos do meu “nicho” lance música e eu queira escrever sobre ela. Estou a estranhar isso ainda não ter acontecido, aliás – quando parecia que toda a gente estava prestes a lançar música. Depois de Meteora20, tivemos “apenas” a Speak Now (Taylor’s Version) e The Loveliest Time, de Carly Rae Jepsen (só dei por esta na semana passada…). Sobre esses, e sobre 1989 (Taylor’s Version) provavelmente só escreverei nos textos de fim de ano – que em princípio serão mais curtos que o exagero do ano passado.
Logo se vê. Não prometo nada.
Como sempre, obrigada pela vossa visita. Espreitem a página de Facebook deste blogue. Continuem desse lado!