Ella Yelich-O'Connor, profissionalmente conhecida por Lorde, lançou Virgin, o seu quarto álbum de estúdio a 27 de junho de 2025 – sensivelmente quatro anos após o lançamento do álbum anterior, Solar Power, mantendo o padrão que se tem observado ao longo da sua carreira. Hoje vamos finalmente começar a analisá-lo. Esta é a primeira de três partes.
Tornei-me fã de Lorde há cerca de dez anos – numa altura em que o entusiasmo geral em torno do seu álbum de estreia, Pure Heroine, já havia arrefecido um pouco. No ano seguinte, Lorde lançou o álbum Melodrama – só um dos melhores álbuns de todos os tempos, indiscutivelmente. Escrevi sobre ele poucos meses depois de ter sido lançado – hoje, se calhar, acrescentar-lhe-ia coisas.
Quatro anos depois, no verão de 2021, Lorde lançou Solar Power. Um álbum que, infelizmente, não roça nem de perto os calcanhares dos seus antecessores, conforme expliquei na altura. Em suma, gostei mais da ideia do álbum, da estética dos videoclipes e da era em geral, do que do álbum em si, das músicas em si. Várias delas estão mal produzidas, soam entediantes, incompletas, denunciando (penso que não intencionalmente) alguma futilidade da parte de Lorde, alguma falta de noção, as suas contradições.
