O texto de hoje será mais curtinho que os anteriores – e os próximos, provavelmente. Quase todas as minhas retrospectivas anuais têm incluído uma música isolada, que entra na minha lista por um motivo muito específico.
Este ano, essa música é a versão de Post Malone de Only Wanna Be With You, dos Hootie and the Blowfish. E o motivo não será difícil de adivinhar para quem der uma rápida vista de olhos a este blogue.
Em fevereiro comemorámos o vigésimo-quinto aniversário de Pokémon enquanto franquia. Escrevi sobre isso aqui. A propósito dessas comemorações, The Pokémon Company lançou uma compilação com temas de vários músicos.
Acho que ninguém percebeu muito bem a lógica da decisão – e não aderiram muito. Mesmo eu só me dei ao trabalho de ouvir esta e Electric, de Katy Perry (que não sendo má, não é nada por aí além).
Only Wanna Be With You foi a primeira do projeto a ser lançada. Ainda assim, não me afeiçoei logo à música – demorou um bocadinho. A versão de Post Malone é relativamente fiel ao original, mas inclui um excerto do tema de Ecruteak, dos jogos da segunda geração de Pokémon. Ecruteak é uma das minhas cidades preferidas e um dos meus temas preferidos de toda a banda sonora dos jogos.
Agora, imaginem estarem a trabalhar, com o rádio ligado, e de repente ouvirem estas notas em 8bit. Notas que estão habituados a ouvir em circunstâncias muito diferentes. No meu caso, era sobretudo quando andava à caça do trio de Johto – sempre que precisava que estes mudassem de localização, voava sempre para Ecruteak. Era estranho, mas sabia-me bem.
E isto é o suficiente para me afeiçoar à canção. Aquelas notinhas em 8bit. É o que eu digo, esta franquia consegue pôr-me a comer da mão deles com coisas tão simples como esta.
Não que esse seja o único ponto forte de Only Wanna Be With You, pelo contrário. É uma música gira, tanto o original (o vocalista Darius Rucker tem uma voz bonita) como esta versão. Noutras circunstâncias, se a ouvisse na rádio, não mudaria de estação. Talvez até usasse o Shazam, para mais tarde adicioná-la ao meu Spotify.
Por outro lado, por muito gira que seja a música… esta não tem muito a ver com Pokémon. Only Wanna Be With You é uma canção de amor, sobre um romance que não parece ser muito harmonioso. Lá está, noutras circunstâncias não faria mal, mas para uma música associada a Pokémon não faz muito sentido.
Na minha opinião, a menos que quisessem criar música que servisse como temas de abertura ou encerramento do anime, se quisessem que as canções funcionassem fora do contexto de Pokémon, as letras teriam de ser mais vagas. Canções de amor suficientemente genéricas para se poderem aplicar a relações platónicas – como Carry On, do filme Detetive Pikachu – ou músicas com típicas mensagens inspiradoras, sobre tornar sonhos realidade ou assim – como Electric, de Katy Perry.
Mas pronto. Gosto de Only Wanna Be With You à mesma. Foi uma das músicas que mais toquei este ano à mesma.
Para já é tudo. No próximo episódio, vou escrever sobre uma banda que nunca referi aqui no blogue – ou na páginasequer. Uma pista: eles cantam em mais do que uma língua.
Caso não volte a publicar antes do Ano Novo, boas entradas em 2022!
Esta é outra que vem na sequência do ano passado – e que eu sabia que podia voltar a aparecer na lista de fim de ano. Taylor Swift continua a subir nas minhas preferências e acredito que, não sendo propriamente a melhor cantora, é certamente a melhor compositora da nossa geração.
No final do ano passado, eu estava ainda a começar a explorar folklore e evermore. Agora que já passei bastante tempo com esses álbuns, posso alongar-me um pouco mais sobre eles.
Não que tenha muito a dizer que outros não tenham dito já. Apenas que ambos são álbuns poderosíssimos, que mexem com as emoções – um pouco demais para o meu conforto, até. As músicas de separação (pelas quais Taylor é infame) nem sequer são as piores, pelo menos não no meu caso.
Devo dizer que gosto mais de folklore do que de evermore – ambos são excelentes, mas, no geral, gosto mais das músicas do primeiro. De todas as faixas de folklore – incluindo a faixa extra, the lakes – apenas peace e hoax não me cativam muito.
Cardigan não é das minhas favoritas, mas existe um par de versos que batem forte – sobretudo no final do ano passado, início deste. “Tried to change the ending, Peter losing Wendy” lembra-me Kizuna. Embora talvez a primeira versão da letra fosse mais adequada “Peter leaving Wendy”. Ou mesmo ao contrário “Wendy losing Peter”.
Exile, my tears ricochet e illicit affairs são todas tristes, cada uma à sua maneira. Identifico-me um pouco com this is me trying. Seven, então, é terrível, traz-me lágrimas aos olhos de todas as vezes. August é a melhor do triângulo amoroso musical e mesmo de todo o álbum.
Por fim, tomei o gosto a mirrorball. Traduz de maneira interessante aquilo que Taylor estaria a sentir no início da pandemia: o mundo do espetáculo fechando portas, mas o desejo dela de entreter não fora a lado nenhum. “When they called off the circus, burned the disco down, when they sent home the horses and the rodeo clowns, I’m still on that tightrope, I’m still trying everything to get you laughing at me”.
Evermore tem menos músicas causando o mesmo impacto, mas elas estão lá. Como primeiro single, gosto mais de willow do que de cardigan. Gold rush é muito gira: um cruzamento entre o synth pop de 1989 e música dos anos 50. No body no crime é deliciosamente sombria. Cowboy like me merecia mais apreciação. Marjorie foi inspirada pela falecida avó de Taylor, mas também me recorda a minha – é outra que me faz chorar.
São bons álbuns mas, como referi várias vezes ao longo do ano, a partir de certa altura tornaram-se demasiado pesados emocionalmente para mim. Comecei a sentir falta de música mais alegre.
Entretanto, Taylor começou a lançar as regravações dos seus álbuns antigos. Fearless na primavera, Red agora no outono. Na altura em que se começou a falar disso, não achei que fosse resultar. Se Avril decidisse regravar os seus primeiros álbuns, não resultaria de todo, na minha opinião. A sua voz muda muito de álbum para álbum, sobretudo na primeira metade da sua carreira – a sua voz hoje em dia é muito mais firme, ela nunca conseguiria replicar a fragilidade dos seus vocais em Let Go ou o timbre mais grave, à maria-rapaz, de Under My Skin.
Além disso, qual era a piada de voltar a lançar música que os fãs já conhecem de trás para a frente e de frente para trás?
No entanto, tive de engolir as minhas dúvidas depois do que ela fez com Fearless (Taylor’s Version) e sobretudo Red (Taylor’s Version). Como a própria Taylor explicou, acaba por ser uma nova forma de explorar nostalgia e fan service. Taylor pega no feedback que recebeu ao longo dos anos dos fãs em relação às músicas mais populares, àquelas que deviam ter sido singles/recebido videoclipes (o caso mais óbvio é All Too Well, como veremos já de seguida). Por sua vez, os fãs recordam um álbum e uma era que os marcou e ainda recebem conteúdo extra.
Taylor tem regravado as faixas-padrão de modo a soarem idênticas às originais, por motivos óbvios. Mas com as b-sides – ela chama-lhes From the Vault, do cofre – é diferente. Tecnicamente estas nunca foram lançadas por meios oficiais, nunca renderam dinheiro (mesmo que os fãs mais hardcore já as conheçam há muitos anos), ela agora pode fazer o que quiser com elas: rearranjá-las, mudar partes da letra, trazer convidados.
É diferente, é interessante. Com isto em conta, decidi aproveitar estas regravações para ficar a conhecer melhor a discografia de Taylor, um álbum de cada vez.
Fearless não me impressionou por aí além, no entanto. Tirando aquelas de que já gostava antes – Love Story, White Horse, Fifteen – acrescentei poucas às minhas playlists: a faixa-título, Superstar, The Other Side of the Door, Mr. Perfectly Fine e Don’t You. E mesmo assim não adoro nenhuma delas.
Com Red foi diferente. Gosto mais de Red do que de Fearless. Não sei se esta é uma opinião popular na comunidade de fãs. Será o equivalente a dizer que gosto mais de The Best Damn Thing do que de Under My Skin?
De resto, acho que o lançamento de Red TV teve mais impacto. Talvez por causa do lançamento da versão de dez minutos de All too Well, com direito a curta-metragem e tudo.
À semelhança de toda a gente, All too Well é uma das minhas preferidas de Taylor. Até escrevi sobre ela no ano passado e tudo. A minha declaração de que não precisávamos da versão de dez minutos envelheceu como um iogurte. Apesar do que escrevi, quando ficou confirmado que teríamos dez minutos de All too Well, fiquei tão entusiasmada como toda a gente. Na noite anterior ao lançamento de Red TV, mal consegui dormir pensando na música, sonhando constantemente que esta já tinha saído e que a ouvia pela primeira vez.
Isto já me dá direito ao cartão de Swiftie?
Em relação à música em si, começo por dizer que as minhas previsões não estavam erradas. A versão longa de All too Well não tem os mesmos clímaxes em termos de instrumental que a versão curta tem. A letra é menos linear em termos de progressão, chegando a contradizer-se a si mesma. Perto do fim da música, a narradora diz que o ex se lembra tão bem como ela – a parte de ele não ter devolvido o cachecol e tal. Mas na estância final, ela pergunta-lhe se ele também sofreu com a separação, se ele também se lembra.
É possível que seja intencional, no entanto.
Em todo o caso, estes são problemas menores. Os pontos fortes da versão longa compensam sobejamente. Os cinco minutos extra oferecem novas perspectivas sobre o romance falhado, novas camadas de emoção, talvez demasiado melodramática nalguns momentos, mas sem deixar ninguém indiferente.
Taylor diz que esta versão é o primeiro rascunho da música, tal como a compôs em 2011 ou 2012… mas será verdade? Estou disposta a admiti-lo para noventa por cento da letra, mas existem partes que são demasiado 2021, nomeadamente o foco na diferença de idades. Duvido que Taylor aos vinte e um, vinte e dois, estivesse afastada o suficiente da situação para se aperceber desse aspeto.
Enfim, é apenas um pormenor. Concordo com Taylor quando diz que esta é a versão definitiva de All too Well.
Mas esta não é a única música de destaque em Red TV. Eu já adorava o tema-título mesmo antes disto, por exemplo, bem como Treacherous (ainda que há menos tempo). Quando saiu a regravação, no entanto, tomei o gosto a Begin Again.
Por acaso, várias das que gosto vêm do “cofre”. Por exemplo, gosto imenso de Girl At Home. A versão original tinha um arranjo mais country que não era mau. Mas esta versão, mais ao estilo de 1989, é muito mais gira. E a letra envelheceu surpreendentemente bem.
Também gosto de Come Back… Be Here. O início recorda-me Wish You Were Here, de Avril Lavigne. É possível que tenham inspirações comuns, típicas do início dos anos 2010.
Finalmente, temos I Bet You Think About Me. Adoro o tom trocista da letra (que será sobre o mesmo interesse romântico de All too Well), muito bem explorado pelo videoclipe, lançado poucos dias depois de Red TV. Pontos para o que fizeram com o branco e o vermelho – e o bolo parece delicioso. Se algum dia me casar e for um casamento dos grandes, também quero um bolo de noiva red velvet.
Dizem que a próxima regravação será de 1989. Sendo este um dos álbuns que melhor conheço de Taylor, isto contraria um pouco o meu plano. Mas não me queixo: continuo a querer conhecer mais músicas do cofre, quiçá com novos videoclipes.
Não se admirem, assim, se voltar a escrever sobre Taylor daqui a um ano.
E chegámos ao fim da segunda parte desta retrospetiva. Se não voltar a publicar antes, boas entradas em 2022!
Chegámos àquele período em que olhamos para trás e refletimos sobre o ano que termina. Quem acompanha este blogue há algum tempo saberá que, nesta altura, gosto de fazer um apanhado da música que mais me marcou ao longo do ano.
Uma espécie de Spotify Wrapped por escrito.
Estes têm sido textos difíceis de escrever, contudo. Em parte por ter menos tempo, já que coincidem com as festas. Mas também tenho tido dificuldades em decidir os moldes adequados para a retrospetiva.
Este ano decidi regressar ao básico e fazer como fazia nos primeiros anos deste blogue: uma publicação para cada artista ou banda, sensivelmente (poderão haver exceções). Mesmo que me atrase e só consiga concluir a retrospectiva em inícios ou mesmo meados de janeiro (espero que não), na pior das hipóteses já tenho esta primeira parte publicada. E talvez seja mais apelativo, tanto para mim como para quem leia.
Vou seguir uma ordem mais ou menos cronológica. As primeiras artistas vêm em continuidade de 2020. Começando por Hayley Williams, que, depois de ter encerrado 2020 com o EP Petals For Armor: Self-Serenades, de ter deixado pistas nas redes sociais e ter “vazado” o tema My Limb, lançou o seu segundo álbum a solo, Flowers For Vases em inícios de fevereiro.
Vários temas de Flowers For Vases aparecem no meu Spotify Wrapped, mas isso não é representativo. Conforme expliquei aqui, tirando quando tenho o Premium, geralmente só uso o Spotify no meu computador, enquanto escrevo ou preparo textos para publicação.
Assim, as músicas de Flowers For Vases terão acumulado reproduções enquanto eu tratava da análise. Eu nem sequer gosto assim tanto de Inordinary ou de Good Grief. O álbum foi marcante no início do ano, sim. Mas, tal como previ na altura, regressei pouco a este trabalho, tirando as minhas músicas preferidas – My Limb, Over Those Hills, Find Me Here, Just a Lover. Asystole quando estou para aí virada.
Conforme escrevi na análise, Flowers For Vases tem os seus momentos, mas é um álbum demasiado minimalista em termos de instrumental. As músicas são demasiado curtas e, nalguns casos, pouco intensas, incapazes de me cativar.
Na minha opinião, Hayley precisa de pelo menos uma outra pessoa com quem compôr. As músicas de Flowers For Vases, mesmo deixando a desejar, continuam acima da média no que toca a música no geral. Ainda assim, mesmo as melhores neste álbum mal conseguem competir com os temas de Petals For Armor e da maioria da discografia dos Paramore. Adaptando uma frase que citei na análise a PFA, Hayley até se pode safar muito bem a solo, mas sozinha já não se safa tão bem.
Além disso, só prova que aqueles que dizem que os Paramore são Hayley-mais-dez não sabem do que falam. Hayley é claramente uma jogadora de equipa.
A mim parece-me que o início de 2021, quando saiu Flowers For Vases, foi há imenso tempo. Foi um ano muito comprido para mim, tanto quanto 2020 pareceu na altura.
Isto será em parte porque mudei de emprego este ano. Tenho rotinas diferentes, questões de trabalho que me apoquentavam há um ano hoje nada significam. Mas mesmo tirando estas questões mais pessoais, as coisas mudaram. Em janeiro/fevereiro estávamos na pior fase da pandemia, no nosso segundo confinamento, sem sequer podermos beber um café “ao postigo”. Desde aí a pandemia melhorou significativamente à medida que a vacinação se disseminou. Tornou a piorar nas últimas semanas e os próximos meses são muito incertos, mas longe da gravidade do início do ano.
Assim, quando oiço certas músicas de Flowers For Vases, sobretudo aquelas que oiço menos vezes, tenho recordações do início do ano. Entretanto, Hayley entrou em estúdio com Taylor e Zac e, agora, o sexto álbum dos Paramore já esteve bem mais longe. Hayley praticamente confirmou-o para 2022 e acho que está na altura. Até porque os Paramore acabam de ter o seu melhor ano de sempre no Spotify – um feito notável para uma banda que não lança música nova há mais de quatro anos. A ideia que eu tenho é que eles têm ganho popularidade no Tik Tok.
Eles têm de aproveitar.
Tenho-me esforçado por não pensar muito no próximo álbum dos Paramore. Em parte por, como referi quando escrevi sobre All We Know is Falling, ter precisado de me alhear um pouco do universo cinemático deles (embora tenha começado a ouvir este podcast, que recomendo).
Ao mesmo tempo, não quero especular demasiado nem criar expectativas, que correm o risco de serem defraudadas. Estou a tentar manter a minha mente o mais aberta possível. Ao contrário de uma grande fatia dos fãs, não tenho preferência pelo género musical do próximo trabalho. Podem trazer o som mais pesado dos primeiros álbuns – juntando-se a Avril Lavigne, Travis Barker e companhia – podem trazer as influências de synth pop e new wave de After Laughter ou seguir uma direção completamente diferente. A mim é-me igual, desde que a qualidade seja a mesma de sempre.
Só tenho dois desejos. O primeiro, o mais importante, é que Hayley não cante sobre o ex-marido. Falando por mim, estou farta, ela que enterre esse cavalo morto de vez. Que cante antes sobre o Taylor sobre a nova relação saudável que diz ter neste momento.
O segundo desejo é que Hayley aplique as lições aprendeu com os seus trabalhos a solo. Que suje as mãos com a instrumentação, mesmo que use algumas das influências de Petals For Armor e Flowers For Vases. Não seria absolutamente essencial, mas seria interessante.
A ver no que dá. 2022 vai ser bom pois a minha santíssima trindade – o meu cantor preferido, a minha cantora preferida e a minha banda preferida – irá toda lançar música nova. Não tenho grande pressa com o álbum novo dos Paramore – até me covinha que eles “deixassem” Avril e Bryan lançarem os seus trabalhos primeiro antes de anunciarem o seu.
Ficamos por aqui, para já. Se não conseguir publicar antes, votos de Boas Festas e de boas entradas em 2022, sempre com os devidos cuidados porque pandemia. Até à próxima!
No passado dia 11 de outubro, Bryan Adams lançou So Happy It Hurts, o primeiro single do álbum com o mesmo nome, que sairá no próximo dia 11 de março. Não estava nos meus planos dedicar-lhe um texto – apenas alguns parágrafos no fim do texto anterior. No entanto, quando estava quase a terminar essa publicação, Bryan lançou uma segunda música, On the Road. Assim, decidi escrever sobre as duas canções no mesmo texto. Quando estava quase a terminar essa publicação, o homem lança-me uma terceira música, Kick Ass.
Não há respeito neste mundo por blogueiras em part-time que gostam de escrever sobre músicas novas dos seus artistas preferidos!
Sigamos a ordem dos lançamentos. Mais do que Avril Lavigne com Bite Me, So Happy it Hurts é Bryan sendo Bryan, sobretudo o dos últimos anos. Um som rock clássico, vagamente retro, um tom alegre. Imagino-o tocando isto em palco e era capaz de apostar que os gestos e movimentos dele na minha mente – as suas expressões, a maneira como ele toca a guitarra, a cabeça dele abanando ao ritmo da música – não serão muito diferentes da realidade.
Em termos de letra, So Happy it Hurts também está longe de ser um tema super raro na discografia de Bryan. Basicamente, fala sobre saltar para dentro de um carro, arrancar pela noite dentro, deixando todas as preocupações para trás. Mais ou menos o mesmo tema de The Last Night on Earth, do álbum anterior – e este é apenas o exemplo mais recente.
Por outro lado, gostava de saber onde é que o homem andou nestes últimos dois anos para vir, agora, dizer que está “tão feliz que dói”.
Não é má canção. E o videoclipe é fofinho, sobretudo as partes em que aparece a mãe dele, bem como a mulher grávida e o jogador de futebol americano. É a música ideal para abrir um concerto, sobretudo no pós-confinamento… mas estou a adiantar-me.
Ao contrário de So Happy it Hurts, On the Road é um pouco diferente do costume para Bryan. Esta foi lançada aquando da divulgação do calendário Pirelli de 2022.
Lançada é como quem diz… durante mais de uma semana a música só estava disponível no YouTube. Nem sequer havia letra em lado nenhum. Lá está, como blogueira em part-time que gosta de escrever sobre música nova dos seus artistas preferidos, foi um bocadinho chato. Felizmente, quando saiu Kick Ass, On the Road foi também lançada como deve ser.
O instrumental de On the Road é algo mais pesado que o costume para Bryan. Não sei como descrevê-lo senão como música de motoqueiros. Talvez seja influência da letra ou mesmo do videoclipe, onde Bryan surge de casaco de cabedal preto.
A letra de On the Road entra em territórios parecidos aos de So Happy it Hurts, se bem que com um tom menos delirantemente feliz. Uma vez mais, nada de muito original, a comparação com Open Road chega a ser óbvia. Segundo declarações de Bryan, a letra serve para celebrar o regresso à normalidade (normalidade com vários asteriscos, claro), bem como o estilo de vida de muitos artistas e bandas: sempre na estrada, sempre em digressão.
E de facto aquilo que me é mais óbvio destas duas músicas é que Bryan estava farto de estar confinado. Não era o único, claro. Mas imagino que para ele – ele que, de acordo com a sua música, passou quase toda a sua vida na estrada, já deu a volta ao mundo cerca de mil vezes – tenha sido particularmente doloroso. E que doa ainda mais agora, que contraiu Covid, precisamente no seu regresso aos palcos.
Pergunto-me se esse será um tema recorrente em So Happy it Hurts.
Falta falar sobre Kick Ass – a mais engraçada das três. Começa com uma narração melodramática do lendário John Cleese, sobre um anjo enviado por Deus, vestido com calças de ganga, botas e boné – podia ser eu – para salvar a Humanidade do inferno da música má e trazer o rock aos mortais.
No fundo é a mesma filosofia de Kids Wanna Rock e Go Down Rockin’, apresentada de forma hilariante. Pergunto-me o que Travis Barker e respetiva turma pensariam desta música.
À parte isso, é certo que esta música não é para ser levada cem por cento a sério, mas podemos parar de fingir que o rock é o único género musical que é bom? Rock é o meu género musical preferido, rock e todas as suas variantes, mas se uma pessoa só se limita a isso arrisca-se a perder muita música boa.
Mas pronto.
Mesmo sem a introdução de Cleese – e existe uma versão da música sem essa parte – Kick Ass é uma boa música. Gosto da parte em que Bryan – falando pelo tal anjo – nomeia cada instrumento e este se junta à música. Faz-me lembrar o filme Escola de Rock, a parte em que Dewey atribui um instrumento a cada miúdo.
Por outro lado, acho um bocadinho estranho Bryan falar na primeira pessoa do plural, apresentando-se como uma “kickass rocking band”, quando tecnicamente ele é um artista a solo. Se bem que nós, fãs um pouco mais hardcore, já vamos conhecendo os membros da banda dele. Em particular, o lendário Keith Scott.
Em suma, estas são três boas músicas de Bryan, mesmo não sendo nada por aí além. So Happy it Hurts é a mais fraquinha das três, mas não por muito, apenas por causa da previsibilidade. On the Road e Kick Ass sempre têm qualquer coisa de diferente para se distinguirem.
O que nos leva a So Happy it Hurts, o álbum. Não estou assim tão ansiosa por ele. Estou à espera que seja semelhante ao seu antecessor, Shine a Light: um conjunto de músicas agradáveis ao ouvido, mas pouco memoráveis.
Mas posso estar enganada, claro. Estas três músicas até são boas, como vimos. Se o resto do álbum for de qualidade semelhante, ficarei satisfeita.
Ainda assim, em princípio não deverei escrever sobre So Happy it Hurts. A menos que o álbum seja deveras interessante, o que duvido.
Antes de lançar So Happy it Hurts, no entanto, Bryan irá voltar a Portugal! Dia 29 de janeiro em Gondomar e dia 30 em Lisboa – tenho bilhetes para esse último. Não contente com isso, Bryan ainda virá ao Festival Marés Vivas, em julho.
Algo me diz que ele tem saudades nossas.
É um bocadinho estranho, pois só se passaram dois anos desde a última vez que ele este cá. Estava habituada a encontros tetra-anuais. Mas não me queixo! Noutras circunstâncias talvez pusesse a hipótese de não ir, mas depois da pandemia, enquanto estiver dentro das minhas possibilidades, não quero desperdiçar oportunidades.
Além disso, como o último concerto foi em finais de 2019, poucos meses antes de isto tudo se ter virado do avesso, as recordações dessa noite foram um dos meus consolos durante a pandemia. Vai ser especial regressar aos concertos precisamente com Bryan – e criar novas recordações.
Também será especial pois, se tudo correr bem, vou ver os meus dois pais musicais com cerca de um mês e meio de diferença – o concerto de Avril Lavigne em Zurique é a 7 de março. Isso já devia ter acontecido há dois anos (com um intervalo maior entre concertos). A ver se desta não falha. Os álbuns também deverão sair mais ou menos na mesma altura, à semelhança do que aconteceu em 2019 – o de Avril, no entanto, ainda não tem data oficial; não me admirava se se atrasasse um bocadinho.
Estou é com medo que o concerto seja cancelado, com a evolução da pandemia nas últimas semanas. As festas de fim de ano já foram canceladas – mas suponho que tenha sido por ser difícil verificar testes e certificados de vacinação. Não me importo se tiver de mostrar certificado e fazer teste antes do concerto de Bryan.
A parte da máscara é que será mais difícil. Uma pessoa vai para lá dançar, saltar, cantar em altos berros e, pelo menos no meu caso, soprar beijinhos para o palco. Não dá jeito fazê-lo com máscara. Mas se tiver de ser…
Só não cancelem, por favor. Quero mesmo ir a estes concertos!!
Entretanto, conforme prometido, hei de escrever uma sequela a este texto. Desta vez, vou fazer por publicar a tempo – nas vésperas dos concertos de Bryan cá. Também já estou a preparar a minha retrospetiva musical de 2021. Ainda estou a tentar decidir os moldes, mas à partida vou voltar ao modelo dos primeiros anos deste blogue: uma publicação por artista ou banda, sensivelmente.
E é tudo por agora. Obrigada pela vossa visita, como sempre. Até à próxima!
Aqui no estaminé, Avril Lavigne dispensa apresentações. É uma personagem recorrente desde os primeiros tempos deste blogue – gosto de chamar-lhe a minha mãe musical – tendo inspirado múltiplos textos. Este é mais um deles, a propósito de Bite Me, o primeiro single do seu sétimo álbum.
Avril já anda a lançar pistas sobre este álbum há um ano, na verdade – embora, segundo entrevistas mais recentes, nessa altura ainda estava a começar. Típico dela, fazendo anúncios e promessas antes de tempo, deixando os fãs baralhados. Mas ao menos já temos o primeiro single.
Este álbum, ainda sem nome, representa o regresso de Avril ao pop punk. A cantora sempre esteve associada a este género musical. Se perguntarem por aí, dir-vos-ão que Let Gofoi a sua era mais pop punk, mas o álbum que mais explora este estilo é na verdade o The Best Damn Thing. Antes do seu terceiro álbum, Avril só contava duas músicas lançadas oficialmente influenciadas por este estilo: Sk8er Boi, em Let Go, e He Wasn’t, em Under My Skin.
Temos ainda I Always Get What I Want, dos trabalhos do segundo álbum, que faz parte da banda sonora do segundo filme d’O Diário da Princesa. Este é um tema que tem tido muita rotação nos concertos de Avril: está no top 10 das músicas mais tocadas segundo o Setlist.fm, mais do que alguns singles. Tenho quase a certeza que Avril se arrepende de não ter incluído a música na edição-padrão de um álbum.
Na minha opinião, devia ter sido guardada para o The Best Damn Thing. Encaixa-se que nem uma luva ao lado de I Can Do Better e a faixa-título.
Penso que a b-side Take It, também the Under My Skin, poderá ser igualmente considerada pop punk. Por outro lado, temos um caso estranho com I Don’t Give, dos trabalhos de Let Go. A música foi lançada como b-side do single Complicated e soa semelhante à larga maioria de Let Go. No entanto, durante a digressão Try to Shut Me Up (ela antigamente era mais imaginativa com os nomes das digressões), Avril tocava uma versão diferente de I Don’t Give: mais pesada, mais rápida, pode-se dizer mesmo mais pop punk.
Eu adoro esta versão. Há mais de metade da minha vida que lamento que não haja uma versão pop punk de I Don’t Give gravada em estúdio. Seria uma surpresa agradável se isso acontecesse com uma potencial edição comemorativa dos vinte anos de Let Go. Pouco provável, mas uma pessoa pode sonhar…
Por outro lado, faz-me pensar em quantas músicas no primeiro álbum teriam um arranjo parecido com este, se Avril tivesse tido mais controlo sobre o processo.
Isto tudo para dizer que, nos primeiros dois álbuns de Avril, apenas cinco músicas, no máximo, podem ser consideradas pop punk. E destas, só duas fazem parte das edições-padrão. Foi precisamente para colmatar esta falha que Avril criou o The Best Damn Thing – em que pelo menos metade das músicas, mais uma b-side, têm influências pop punk. Por isso, quando a comunicação social diz que Avril está a recuperar o estilo de Let Go com Bite Me, não fizeram o trabalho de casa.
O regresso de Avril a este estilo acontece na mesma altura que o pop punk tem estado de novo na moda. Não é uma coincidência: ela é um dos muitos artistas apadrinhados por Travis Barker, o baterista dos Blink 182, o grande catalisador deste movimento. Outros artistas com quem Travis tem colaborado são Mod Sun, Machine Gun Kelly, Willow Smith, Yungblood.
Não surpreende. Há quem diga que a nostalgia cumpre ciclos de vinte anos. Nos anos 2000 tínhamos saudades dos anos 80, na década de 2010 tínhamos saudades dos anos 90, agora temos saudades dos anos 2000. Suponho que tenha a ver com a geração que está na casa dos vinte e/ou dos trinta durante determinado período, que recorda a sua infância e/ou adolescência.
Um aspeto engraçado em que tenho vindo a reparar é que, na altura, os críticos desprezavam muita da cultura que nós, da minha geração, consumimos. Sobretudo nós, meninas adolescentes. Mas agora que somos adultos, temos a palavra e podemos fazer justiça àquilo que nos definiu.
Travis Barker está, no fundo, a capitalizar esse ciclo de nostalgia. Pode-se debater que percentagem disso é oportunismo e que percentagem é genuína paixão por este estilo musical. Eu pelo menos acho que não havia necessidade de o homem se colar a todos estes artistas, como o “feat Travis Barker” no título de cada música.
Há quem acuse este movimento de alguma falta de carácter, alguma falta de originalidade. Mesmo sem acompanhar essa onda de muito perto, tenho um par de exemplos desse problema. Olivia Rodrigo, para começar, não é uma das artistas patrocinadas por Travis Barker, mas também ela trouxe o pop punk de volta ao mainstream com a música good 4 u. Desde o início, as pessoas assinalaram as semelhanças com Misery Business, o êxito dos Paramore. Até que, há poucos meses, Olivia acabou por incluir Hayley Williams e Josh Farro nos créditos da música, o que deu polémica.
Pessoalmente, não acho good 4 you assim tão parecida com Misery Business. Um bocadinho no refrão, talvez, mas combina com elementos mais modernos, parecidos à música contemporânea. Para acusações de plágio já vi exemplos piores.
Depois, temos grow de Willow – esta sim, um dos artistas apadrinhados por Travis Barker. Avril canta uma parte da música. O tema até é agradável ao ouvido, mas é uma mistura estranha de All the Small Things com música das estrelinhas do Disney Channel, nos anos 2000.
Não se pode ser demasiado duro com Olivia e Willow pela falta de originalidade. São miúdas novinhas, que ainda estarão a desenvolver o seu estilo pessoal, a descobrir a sua identidade.
Depois, temos Machine Gun Kelly. Já falámos dele antes, de passagem – quando participou no concerto de homenagem a Chester Bennington e quando colaborou com Mike Shinoda em Lift Off. Nessa altura, ele era rapper, mas há um par de anos desistiu do rap/hip-hop e decidiu aventurar-se no pop punk, com o álbum Tickets to my Downfall. Ora, eu não teria problemas com isso… só que o tipo parece ser um estafermo.
Segundo consta, o motivo pelo qual MGK trocou de géneros musicais foi por ter entrado em rota de colisão com Eminem. Mas aparentemente não aprendeu nada, pois quando veio para o pop punk arranjou logo picardias. A mais recente foi com Corey Taylor, dos Slipknot. As pessoas já começaram a virar-se contra ele – há um par de meses, MGK foi assobiado durante um festival qualquer. Não contente com isso, o tipo chegou a vias de facto com pessoas da audiência.
Avril referiu MGK como uma das pessoas com quem ela colaborou no seu sétimo álbum, o que não me agrada. Não pelas suas qualidades musicais, mas pela personalidade dele. Preferia que Avril não se associasse a um tipo como este. O que vale é que ela tem juízo suficiente para não se envolver nas encrencas de MGK.
Por outro lado, Avril está a namorar com Mod Sun, com quem colaborou no seu álbum – e no álbum dele, Internet killed the rockstar. Este também tem um passado como rapper, mas parece-me ser um tipo decente, mais decente que MGK. Parece gostar genuinamente de Avril – e tem um Husky muito giro.
No início do ano lançaram um dueto, Flames – que tem vindo a subir na minha consideração, ligeiramente. O instrumental é diferente, é giro – alternando momentos mais calmos, ao piano, com momentos mais intensos e pesados. Só acho o refrão algo repetitivo.
Além disso, eles perderam uma oportunidade ao não terem tentado fazer uma ligação com Bridgerton na promoção da música.
A minha opinião sobre a participação de Avril neste movimento tem oscilado entre contra e a favor. Existe uma parte que parece um bocadinho forçada: a transição da era Head Above Water para esta nova foi muito repentina. Mesmo aspetos como aquele Tik Tok com Sk8er Boi me parecem exploração descarada da nostalgia – algo que ela já tinha feito com Here’s to Never Growing Up (como assim já lá vão mais de oito anos?!). E pergunto-me se a sua associação com Travis Barker e companhia não será uma extensão disso.
Talvez seja um bocadinho. Por outro lado, Avril está longe de ser a única artista musical, sobretudo feminina, em constante reinvenção. Taylor Swift comentou há uns tempos que ela e as suas contemporâneas são obrigadas a fazê-lo, mais do que os seus homólogos masculinos. Para manterem o público interessado nelas.
Não que seja uma coisa má, na minha opinião. Aposto que muitos artistas, de qualquer género, não gostam de estar sempre a fazer o mesmo, gostam de mostrar diferentes facetas. Como Fernando Pessoa e os seus heterónimos. Avril por exemplo é conhecida mais pelo pop rock, mas já brincou com vários estilos musicais.
Ela ia regressar a este estilo, mais cedo ou mais tarde. O seu modus operandi tem sido sempre alternar álbuns mais leves e alegres com álbuns mais sérios e pausados. Já em 2019, em plena era Head Above Water, Avril dizia que o sucessor teria mais guitarra e bateria. E assim o fez, oportunismo ou não. Penso que não corremos o risco de o material novo dela ser demasiado derivativo – ela está há mais de vinte anos nisto, não terá dificuldades em dar carácter próprio à música.
O que nos leva a Bite Me. É mais ou menos o que se esperava – penso que todos concordamos com isto. Um tema pop punk que, não sendo particularmente original, não é nada que esteja demasiado batido. Mesmo dentro do microcosmos da discografia de Avil, é suficientemente distinto do que ela fez antes.
Gosto imenso do instrumental nas estâncias e no pré-refrão. Também gosto da mudança da velocidade a meio do refrão. E a voz de Avril soa impecável, como sempre.
A letra é Avril sendo Avril, os tropos do costume: um ex-namorado que se arrepende de a ter deixado, mas ela agora manda-o passear. Uma vez mais, não é nada por aí além, mas ela tem letras piores.
Em suma, gosto de Bite Me. Talvez estivesse com a fasquia demasiado baixa, depois das desilusões que apanhei com os trabalhos mais recentes da Avril. Mas, ao contrário da maioria de Head Above Water, Bite Me sabe exatamente quem é, o que vem fazer e fá-lo com eficácia.
Ao que parece, o resto do álbum deverá ser neste estilo. Avril chegou a dizer que não haveria uma única balada no disco – o que seria inédito na discografia dela. Mas entretanto mudou de ideias e incluiu uma.
Eu fico contente.
Em termos de temáticas, Avril disse que, no início dos trabalhos, estava numa fase de desgaste em relação ao amor. Não surpreende: mesmo sem estar a par dos mexericos dos últimos anos, estamos a falar de uma mulher com dois divórcios. Ninguém poderá censurá-la pelo cinismo. Uma das primeiras músicas compostas para este álbum chama-se mesmo Love Sux.
No entanto, quando Mod Sun colaborou com ela, Avril apaixonou-se e começou uma relação com ele. Ou seja, a sua atitude em relação ao amor mudou – o que se deverá refletir no álbum. Outro título avançado por Avril é Kiss Me Like the World is Ending (o que faz sentido em tempos de pandemia). A balada do álbum – aposto que será a faixa de encerramento – chama-se Dare to Love Me, precisamente sobre abrir-se de novo ao amor.
Tudo isto me parece bem. Está longe de ser um tema inédito – veja-se Petals For Armor, de Hayley Williams. Duvido que Avril faça melhor. Mas ao menos sempre dará alguma profundidade a um álbum que, Avril já o confirmou, será bastante descontraído – com The Best Damn Thing nem se preocupou com isso, tirando as baladas e pouco mais.
Nesta fase, não estou à espera que Avril se ponha a re-inventar a roda ou a ser particularmente introspetiva. Nem sequer quero – quando tentou fazê-lo com Head Above Water não resultou, perdeu-se em clichés. Nestas circunstâncias, mais vale manter-se na sua zona de conforto. Além disso, como tenho vindo a referir, nesta altura não quero música demasiado triste.
Estou assim cuidadosamente otimista em relação a este novo álbum. Não deverá ser nada que mude as nossas vidas, mas sei que vou gostar de pelo menos uma mão-cheia de canções. E aposto que haverá pelo menos uma que me tocará de maneira especial.
Ainda não sabemos o nome do álbum, nem a tracklist, nem a data de lançamento. Há poucos dias ela anunciou datas no Canadá sob o nome “Bite Me Tour”. Será esse o nome do trabalho? Espero que não, é pouco imaginativo. Avril disse que lançará um segundo single em janeiro. Talvez divulgue o resto dos pormenores nessa altura. O álbum em si deverá sair “no início do ano”, o que quer que isso signifique (com o histórico dela, lá para abril ou maio, isto se tivermos sorte!).
Entretanto, a digressão europeia foi remarcada, pela segunda vez, para a primavera do próximo ano. A tal que devia ter decorrido em 2020. Como já escrevi antes, tenho bilhetes para o concerto de Zurique.
A ver se é desta. É mais de metade da minha vida à espera.
E pronto, para já é tudo. Acabei por falar muito pouco de Bite Me em si, mas não faz mal. Estes textos de Músicas Não Tão Ao Calhas sobre primeiros singles têm funcionado mais como prequelas às análises dos respectivos álbuns. E pareceu-me importante refletir sobre o histórico de Avril com este género musical antes de me debruçar sobre a música em si.
Como sempre, obrigada pela vossa visita. Continuem desse lado que o próximo texto não deverá demorar muito.
Segunda parte da análise a Solar Power. Podem ler a primeira parte aqui. Como poderão ler, a primeira parte desta análise terminou com uma canção de amor. Esta vai começar com outra canção de amor, ainda que menos convencional. Pelo menos no que toca ao seu destinatário: o seu cãozinho Pearl, entretanto falecido.
Tenho de confessar que gosto desta música mais do que devia, mais do que esta merece – por motivos óbvios. Musicalmente, tem problemas semelhantes a The Man with the Axe: a instrumentação é minimalista no mau sentido, sem presença. Os vocais são um bocadinho melhores em Big Star, mas não muito – o refrão sobretudo precisa desesperadamente de intensidade.
A sorte de Big Star é que o assunto da letra apela diretamente ao meu coração – e ao de muitas pessoas, aposto. Quando Lorde compôs a música, Pearl ainda estava vivo. Ela referiu inclusivamente ter o cãozinho aos seus pés enquanto ela estava ao piano.
A letra fala de muitas coisas que se aplicam a mim como dona da Jane: os nossos cães sendo melhores pessoas do que nós mesmos, dando-nos uma nova razão para apreciar o ar livre, ponderando os prós e contras na hora de viajar, ou mesmo de sair à noite. Pela parte prática de saber quanto tempo conseguem ficar sozinhos em casa e de arranjar quem tome conta deles, mas também porque teremos saudades deles. O refrão é basicamente o meu Instagram.
De notar que a letra usa uma linguagem simplista, inocente, o que faz sentido. É assim que falamos com os nossos cães, como se fossem crianças pequenas.
Não era suposto esta ser uma música triste. Passou a sê-lo depois de Pearl ter falecido. O verso “I’ve got so much to tell you and not enough time to do it” dói particularmente. Lorde diz que ainda hoje sente saudades de Pearl (se bem me recordo, estará a fazer dois anos desde a morte dele nesta altura). Eu compreendo. Aliás, nem posso pensar nisto demasiado a fundo sem que me venham lágrimas aos olhos.
*pausa para sessão de festinhas à Jane*
Olhemos agora para a outra faixa extra. Hold No Grudge, uma das minhas preferidas. Tem uma sonoridade algo diferente do resto do álbum: usa a tal guitarra Fender, alguma guitarra acústica mas, ao contrário do resto do álbum, a percussão é eletrónica. Não são as mesmas batidas fortes de Pure Heroine e algumas músicas de Melodrama. São mais discretas, mas são uma alternativa agradável às múltiplas faixas sem percussão no resto de Solar Power. Gosto muito dos vocais, sobretudo os backvocals no segundo refrão e no fim da música.
Em termos de letra, é uma música de separação – de uma relação que, aparentemente, terá terminado há alguns anos. Lorde invoca recordações felizes, contrastando com o presente: já não se recorda de como o amado cantava, já não se recorda do aniversário dele e ele agora namora com outra.
Lorde não leva nada disso a mal, no entanto – um contraste claro com Melodrama, sobretudo Hard Feelings. Pontos para o amadurecimento, até porque é possível que esta seja a mesma relação explorada no segundo álbum. Lorde não o odeia, perdoa-lhe e deseja que ele seja feliz. Ella soa particularmente terna no refrão e nos versos finais.
Hold No Grudge merecia fazer parte da edição padrão. Era assim que a maioria de Solar Power devia ser.
Falemos agora sobre músicas que fazem comentário social. Começando por Fallen Fruit. Esta é das melhores músicas da segunda categoria em termos de instrumental: não tem percussão, mas tem duas guitarras, a Fender e a acústica, com o tal tom psicadélico que referi antes. Em termos de vocais, é uma das melhores, um belo exemplo de Lorde harmonizando consigo mesma.
A única coisa de que não gosto é de uma espécie de apito que soa de vez em quando. Irrita um bocadinho.
A letra tem uma mensagem ambientalista, acusando as gerações anteriores à nossa de terem arruinado o planeta para os seus filhos e netos. A Terra é comparada a fruta caída – algo com um prazo de validade curto, obviamente.
Era inevitável este tema surgir num álbum (que se diz) inspirado pela natureza, sobretudo depois de Lorde ter estado na Antárctida. Ella admite que não é uma ativista climática, que não tem autoridade para andar por aí a pregar. No entanto, está a fazer um esforço para reduzir a sua pegada ecológica. Trocando o lançamento de CDs por “music boxes” de cartão com códigos para download, planeando uma digressão mais pequena e amiga do ambiente, entre outras coisas.
As próximas duas músicas de que vamos falar pertencem à segunda categoria, mas deixam muito a desejar em termos de qualidade. Uma delas é Dominoes.
Na semana em que saiu o álbum, esta era uma das músicas em torno da qual se estava a criar algum hype. Na altura fiquei com a ideia de que iam lançar um videoclipe para Dominoes durante a madrugada de sexta-feira, 20 de agosto. De tal forma que dormi mal nessa noite, com a excitação. No entanto, de manhã vi que o vídeo era apenas uma apresentação com Jack Antonoff na guitarra. E quando a ouvi, tive a mesma reação que tive quando saiu a primeira versão de Find Me Here:
– ...só isto?
Dominoes é uma faixa curtinha, guiada apenas pela guitarra Fender. Tem um tom mais animado do que as outras músicas da segunda categoria, mas isso acaba por se virar contra si mesma. Mais ainda do que músicas como Big Star e The Man with the Axe, Dominoes pede um instrumental mais completo.
Um elemento nesta música de mau gosto, na minha opinião, são sirenes. Consta que esta música foi gravada no estúdio Electric Lady, em Nova Iorque, num verão em que houveram vários protestos – ou seja, é possível que tenha sido em 2020, embora ela não o tenha confirmado preto no branco. Se foi de facto no verão no ano passado, terá coincidido com os protestos do Black Lives Matter. Ella deixou a porta do estúdio aberta para que os microfones captassem “o som do verão”.
Sou a única que acha isto uma falta de noção gritante? Ainda se a música em si fosse inspirada, direta ou indiretamente, pelo que estava a acontecer… Mais do que as queixas sobre o peso da fama, isto é coisa mesmo à menina branca e privilegiada: tratando um movimento contra a violência policial, algo que mata seres humanos, como um pormenor engraçado para incluir numa música. Estou surpreendida por não ter havido mais polémica em torno disto.
Enfim, passemos à letra. Dominoes fala sobre um sujeito que não presta, mas que se vai esquivando às críticas embarcando em correntes, como por exemplo a dos hippies nos anos 60. Do género “eu já não sou a mesma pessoa que magoou a minha ex. Agora estou numa de “new age”, de “peace and love”, planto flores e tudo!”
Este é um tema recorrente em Solar Power – ou pelo menos é o que Lorde diz, que na prática não é bem assim. Ella revelou que tem encontrado paralelismos entre a cultura hippie dos anos 60 e 70, de fugir ao mundo moderno e abraçar a natureza e a paz, e alguns movimentos dos dias de hoje. O cottagecore (assumo eu) e a cultura de wellness, como veremos já de seguida.
O videoclipe de Solar Power parece explorar esse conceito: uma comunidade que vive na praia, aparentemente sem nenhuma das tecnologias do mundo moderno. Lorde tinha referido que o álbum decorre todo numa ilha, que inclui essa praia. Tenho andado desapontada por ainda não termos visto esses videoclipes, tirando Mood Ring – que decorre num cenário diferente, embora não seja difícil imaginar que fique nessa mesma ilha.
Ainda dentro deste assunto, temos Leader of A New Regime. A letra pinta um cenário pós-apocalíptico em que a narradora – que será uma avatar da própria Lorde – foge para uma comunidade onde estarão os últimos sobreviventes. Um pouco como aconteceu nos anos 60, a situação está caótica devido ao consumo de drogas e à falta de autoridade em geral. Procura-se, lá está, alguém que lidere esta nova sociedade.
Este até seria um conceito interessante se fosse explorado como deve ser. Voltamos a ter uma música demasiado curta – é a mais curta do álbum, só um minuto e meio, ridículo. Voltamos a ter instrumentação escassa – só guitarra e vocais. Para ser justa, é de novo Lorde harmonizando consigo mesma, criando um efeito psicadélico que condiz com o tema.
O facto de, nesta parte do álbum, ser a quarta música neste estilo, com os mesmos problemas, não ajuda. É um alívio quando, depois, ouvimos as primeiras notas de Mood Ring. Finalmente, alguma vida neste álbum!
Mood Ring é uma das minhas preferidas neste álbum. Começando pela sonoridade: um tema da primeira categoria, combinando elementos mais etéreos – os vocais de Lorde, sobretudo – com a bateria e as guitarras acústicas. Um pouco como uma colaboração entre Enya e Natalie Imbruglia.
No que toca a letra, Mood Ring é daquelas músicas que se pode aplicar a múltiplas situações. Segundo Lorde, é uma sátira. A narradora é uma personagem ficcional, diferente de Ella, mais velha, que pinta o cabelo de loiro, será um bocadinho Karen (“the whole world is letting me down”) e tem dinheiro para gastar. Lorde admite que partilha algumas características com esta personagem – e, de facto, pode-se discutir onde é que Ella acaba e a narradora começa. Ao mesmo tempo, apesar de ser uma sátira, Lorde diz sentir compaixão pela personagem que criou.
No fundo, isto é algo que Lorde sempre fez, sobretudo com Melodrama: comentário a uma determinada tendência enquanto participa na mesma.
Mood Ring pode aplicar-se, assim, a vários movimentos dos dias de hoje. Desde a ditadura do pensamento positivo (já abordada em Fake Happy e Rose Colored Boy), astrologia, certas medicinas alternativas, a cultura de wellness em geral, as Gwyneth Paltrow e Gustavos Santos desta vida, a filosofia do livro “Comer, Orar e Amar”, que estava na moda há coisa de uma década, mesmo o culto do sol e da natureza praticado por Lorde em Solar Power.
Por acaso – ou não – desde que a música saiu, tenho encontrado uns quantos artigos e vídeos sobre estes assuntos – alguns dos quais tenho partilhado na página de Facebook deste blogue. Temos este excelente vídeo do The Take, que desmonta Goop, de Gwyneth Paltrow – embora se tenham esquecido de referir que muitas destas práticas foram apropriadas de culturas asiáticas, africanas e sul-americanas.
Por outro lado, este artigo do The Guardian fala sobre negacionistas e/ou anti-vacinas nestas comunidades de wellness. Inclui a história chocante de uma mulher com cancro da mama terminal, a quem convenceram que a sua doença era culpa dela, porque supostamente reprimiu a sua sexualidade ou uma treta qualquer do género.
Não vou dizer que não compreendo o apelo destas práticas. Pelo menos as coisas mais soft. Acredito que coisas como ioga e meditação possam trazer benefícios. Também compreendo o apelo do tarot, por exemplo, mais pelos simbolismos e referências culturais – afinal de contas, as cartas de tarot terão sido no século XV como cartas de jogo. Só a partir do século XVIII é que começaram a ser usadas como futurologia. Mesmo essa parte, eu encará-lo-ia mais como um exercício de auto-reflexão do que realmente uma leitura do futuro.
Por outro lado, sou uma mulher de ciências e estou numa carreira científica, mas tenho colegas que levam os signos mais a sério do que esperava. Admito que já me tenha influenciado um pouco mas, para mim, acaba por ser o equivalente àqueles testes do Buzzfeed que determinam que personagem de Friends vocês seriam ou assim: algo para entreter ou, quanto muito, para auto-reflexão, mas não para levar demasiado a sério.
Em todo o caso, o denominador comum a praticamente todas estas práticas é o desejo dos participantes de encontrarem um propósito para as suas vidas, controlo sobre aspetos que, muitas vezes, são incontroláveis. É aqui que Lorde se identifica com a narradora de Mood Ring.
A narradora, no fundo, sabe que nada daquilo funciona, mas quer desesperadamente que funcione. Quer desesperadamente ver as roupas do rei que vai nu. O anel do humor, que dá o título à música, é um símbolo dessa mentalidade: algo que toda a gente com dois dedos de testa sabe que não funciona, mas toda a gente finge que funciona. Acaba por me lembrar, um pouco, Perfect Places, sobretudo nos versos “Take me to some kind of place”, já que também fala em procurar respostas nos sítios errados.
Em suma, Mood Ring é a música mais interessante em Solar Power.
Chegamos, finalmente, a Oceanic Feeling, que encerra a edição padrão do álbum. Lorde diz que é a sua preferida, mas apenas porque foi a última a ser composta.
De uma maneira estranha, vejo Oceanic Feeling menos como uma canção normal, por si só, mais como banda sonora, música de fundo no bem sentido. Uma “vibe”, como se diz hoje em dia. É pouco provável que a oiça fora do contexto deste álbum ou de uma playlist de verão, como a minha.
Musicalmente, começa minimalista, quase só com vocais de Lorde. Sobretudo nas primeiras vezes que a ouvi, lembrava-me de músicas como Bravado e a reprise de Liability e ficava à espera de batidas à Pure Heroine (o mesmo acontecia com The Path). Aqui, no entanto, ouvem-se cigarras (que Lorde quis incluir no álbum por fazerem parte da banda sonora do verão neozelandês. Também fazem parte do nosso) e, mais tarde, bateria ao vivo.
Faz-me lembrar Edge of the Ocean, de Ivy, que acaba por ter um tema semelhante.
Oceanic Feeling é uma das poucas músicas neste álbum que se encaixa no conceito de “ode ao sol e à natureza”, que Lorde insiste que é o tema principal. Funciona como uma continuação temática de Solar Power, a música: Lorde fala sobre passar o dia à beira-mar com a sua família, pescando ou mergulhando do Bulli Point (um penhasco na Nova Zelândia), imaginando o pai fazendo o mesmo na sua juventude e os seus futuros filhos, no seu tempo.
Voltamos ao tema da renúncia à vida de estrela pop. O batôn preto, símbolo da era de Pure Heroine, esquecido numa gaveta qualquer. Nos últimos versos da música – que me recordam a mensagem de Perfect Places – Lorde refere que ainda não encontrou todas as respostas, mas vai continuar a procurá-las na praia e na natureza. E brinca com a ideia de, um dia, virar definitivamente as costas ao mundo da música.
E é isto Solar Power. É o segundo álbum editado este ano por uma cantora que adoro que, não sendo mau, ficou abaixo das minhas expectativas. O caso de Solar Power foi pior pois, ao contrário de Flowers For Vases, um lançamento surpresa, estávamos à espera do terceiro álbum de Lorde há um par de anos.
Solar Power, aliás, tem alguns problemas em comum com Flowers For Vases: o minimalismo mal executado, faixas incompletas quase todas de seguida, fazendo com que o álbum se arraste. E Lorde não tem a desculpa de ter criado o álbum completo praticamente sozinha, ao contrário de Hayley Williams. Há quem culpe Jack Antonoff pela produção fraquinha. Eu não sei o suficiente sobre o trabalho dele para opinar, mas não me surpreendia se a era dele estivesse a chegar ao fim.
Em junho e julho não me imaginava dizendo isto, mas o tema Solar Power é um dos meus preferidos e gostava que o resto do álbum fosse mais parecido com ele. Aliás, os singles neste álbum – Solar Power, Stoned at the Nail Salon, Mood Ring – foram bem escolhidos, no sentido em que quase todas as outras estão uns quantos furos abaixo (exceto as faixas extra).
Alguns fãs têm acusado Solar Power de ser um álbum demasiado alegre para o gosto dos demais. Não concordo por dois motivos. Primeiro, ao contrário de muitos, não acho que música alegre seja inerentemente inferior a música triste. O estereótipo do artista torturado, como Van Gogh, é um conceito perigoso (mas isso daria azo a um texto à parte). E, como disse antes, ando com falta de música mais animada.
Segundo… este não é um álbum assim tão alegre quanto isso. Não que chegue a ser propriamente pesado ou deprimente mas, lá está, as músicas lentas e incompletas roubam vida a um álbum que se queria animado, de verão.
O meu problema não é o estilo nem o conceito de Solar Power. O que eu queria era mais das partes boas e menos das partes más. E queria também aquilo que nos foi prometido: um álbum de celebração do sol, do verão e da natureza, não Lorde queixando-se de ser estrela pop música sim música não.
Mas pronto, foi o que tivemos. Entretanto, consta que Lorde tem andado a criar música e tem brincado com a ideia de lançar um álbum em breve. Não teríamos de esperar mais quatro anos pelo próximo. Se realmente vier outro, esse deverá ser mais triste que Solar Power – possivelmente processando mais a fundo a morte de Pearl, algo que não coube no terceiro álbum.
Ou então, Lorde pode decidir hibernar outra vez durante dois ou três anos. Não me admirava.
De qualquer forma, espero que o próximo trabalho de Lorde seja um bocadinho melhor, mesmo que fique aquém dos primeiros dois álbuns dela.
E é tudo por hoje. Agora tenho de tratar da análise a Fronteira, mas ainda não terminei a segunda maratona. Esta temporada é bem menos cativante que as anteriores, revê-la tem sido custoso. Vou fazer um esforço a partir de agora, mas ainda assim deve demorar. Obrigada pela vossa visita.