sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Músicas Ao Calhas: Tudo O Que Eu Te Dou


Tudo o que eu te dou, tu me dás a mim.
E tudo o que eu sonhei, tu serás assim. 
Hoje quero falar-vos de uma música portuguesa, de Pedro Abrunhosa, Tudo O Que Eu Te Dou. Esta faixa tem múltiplos significados para mim, tornando-se, por isso, multiplamente especial.

Musicalmente, é uma balada apenas com piano e a voz rouca de Pedro Abrunhosa, que soa perfeitamente adequada à música. Eu, pelo menos, ouvi uma versão da música por Rita Guerra e não gostei. Sem a voz de Abrunhosa, não tem o sentimento correto. Além de que, na minha opinião, o arranjo musical não é o adequado. A versão original está perfeita da forma que está, o melhor é mesmo não mexer.

No entanto, os maiores pontos fortes desta música vêm do conteúdo. Toda a letra em si é muito vaga mas a vantagem destas músicas é poderem ser interpretadas da maneira que quisermos.

Em termos de letra, separaria as estrofes do refrão. As estrofes são constituídas por imagens atiradas um pouco aleatoriamente, de carácter romântico-erótico, um pouco fora do politicamente correto, insinuando um relacionamento complicado, associado a dor e prazer em partes iguais.

O refrão contrasta com as estrofes pela sua simplicidade, pela sua quase pureza, ainda que mais dentro do politicamente correto. Tais versos poderiam descrever qualquer tipo de relacionamento amoroso, seja ele complicado, como o descrito nas estrofes, ou mais saudável.

Pode até ser aplicado a outro tipo de relacionamento. Aqui, a interpretação é muito pessoal e está relacionada com a maneira como conheci esta faixa. Foi com um anúncio do BES, que usava o refrão desta música cantado em coro, talvez gravado durante um concerto, como banda sonora. Este passava na televisão em 2004, alguns meses antes do Europeu. Se me recordo bem, incluía imagens antigas, a petro e branco, de jogos da Seleção, do tempo dos Magriços, provavelmente. O anúncio terminava com imagens do Cristiano Ronaldo marcando um golo e a frase "Temos Equipa".

Já pedi no Facebook deles que colocassem este anúncio no YouTube. Se chegarem a fazê-lo, acrescentá-lo-ei a esta entrada.

Este anúncio acabou por revelar-se profético pois, poucos meses depois, a Seleção Nacional fez aquela lendária caminhada no Euro 2004. E Cristiano Ronaldo, na altura com dezanove anos, o "puto", como costumava eu chamá-lo, ajudaria nisso.

Acreditem ou não, já na altura, consideravelmente antes do Euro 2004, já no tempo em que o jogador madeirense dava os primeiros passos no Sporting, eu sabia que ele seria algo grande. E vejam só, passados todos estes anos, onde está ele! É aqui que entra o refrão de Tudo O Que Eu Te Dou: "Tudo o que eu sonhei, tu serás assim". Além disso, ao longo destes anos todos como fervorosa adepta da Equipa de Todos Nós, Cristiano Ronaldo tem ajudado a Seleção, direta ou indiretamente, a dar-me alegrias, permitindo-me colecionar várias boas recordações. "Tudo o que eu te dou, tu me dás a mim" Por muitos defeitos que ele possa ter, ainda que, de vez em quando, ele e os colegas nos desiludam, como fizeram esta semana, este mérito ninguém lhe pode tirar.

EDITADO (20/11/13): Mais de um ano depois de escrever esta entrada, finalmente encontrei o anúncio! Obrigada ao locutor da Rádio Comercial João Vaz que o publicou no Facebook, logo depois da grande noite de Ronaldo ao serviço da Seleção que nos colocou no Mundial 2014!
 

São músicas como esta, associadas a tantas histórias, a tantas recordações, com tantos significados, que se tornam imortais. Hoje em dia, músicas e artistas surgem, de repente, sendo substituídos por outros tão rapidamente como surgiram. No entanto, existirá sempre alguém que não os deixará desaparecerem completamente. O que eu faço neste blogue, entre outras coisas, é precisamente imortalizar ainda mais músicas e cantores que, para mim, já são eternos.

Termino esta entrada com um vídeo que encontrei agora de um dueto de Pedro Abrunhosa com... Nelly Furtado, interpretando esta mesma canção. Tenho de admitir que foi um lindo momento, daqueles que só acontecem uma vez na vida. Mas vejam por vocês...

Músicas Ao Calhas: Tudo O Que Eu Te Dou


 


Tudo o que eu te dou, tu me dás a mim.
E tudo o que eu sonhei, tu serás assim. 

Hoje quero falar-vos de uma música portuguesa, de Pedro Abrunhosa, Tudo O Que Eu Te Dou. Esta faixa tem múltiplos significados para mim, tornando-se, por isso, multiplamente especial.

 

Musicalmente, é uma balada apenas com piano e a voz rouca de Pedro Abrunhosa, que soa perfeitamente adequada à música. Eu, pelo menos, ouvi uma versão da música por Rita Guerra e não gostei. Sem a voz de Abrunhosa, não tem o sentimento correto. Além de que, na minha opinião, o arranjo musical não é o adequado. A versão original está perfeita da forma que está, o melhor é mesmo não mexer.

 

No entanto, os maiores pontos fortes desta música vêm do conteúdo. Toda a letra em si é muito vaga mas a vantagem destas músicas é poderem ser interpretadas da maneira que quisermos.

 

Em termos de letra, separaria as estrofes do refrão. As estrofes são constituídas por imagens atiradas um pouco aleatoriamente, de carácter romântico-erótico, um pouco fora do politicamente correto, insinuando um relacionamento complicado, associado a dor e prazer em partes iguais.

 

O refrão contrasta com as estrofes pela sua simplicidade, pela sua quase pureza, ainda que mais dentro do politicamente correto. Tais versos poderiam descrever qualquer tipo de relacionamento amoroso, seja ele complicado, como o descrito nas estrofes, ou mais saudável.

Pode até ser aplicado a outro tipo de relacionamento. Aqui, a interpretação é muito pessoal e está relacionada com a maneira como conheci esta faixa. Foi com um anúncio do BES, que usava o refrão desta música cantado em coro, talvez gravado durante um concerto, como banda sonora. Este passava na televisão em 2004, alguns meses antes do Europeu. Se me recordo bem, incluía imagens antigas, a petro e branco, de jogos da Seleção, do tempo dos Magriços, provavelmente. O anúncio terminava com imagens do Cristiano Ronaldo marcando um golo e a frase "Temos Equipa".

Já pedi no Facebook deles que colocassem este anúncio no YouTube. Se chegarem a fazê-lo, acrescentá-lo-ei a esta entrada.

Este anúncio acabou por revelar-se profético pois, poucos meses depois, a Seleção Nacional fez aquela lendária caminhada no Euro 2004. E Cristiano Ronaldo, na altura com dezanove anos, o "puto", como costumava eu chamá-lo, ajudaria nisso.

Acreditem ou não, já na altura, consideravelmente antes do Euro 2004, já no tempo em que o jogador madeirense dava os primeiros passos no Sporting, eu sabia que ele seria algo grande. E vejam só, passados todos estes anos, onde está ele! É aqui que entra o refrão de Tudo O Que Eu Te Dou: "Tudo o que eu sonhei, tu serás assim". Além disso, ao longo destes anos todos como fervorosa adepta da Equipa de Todos Nós, Cristiano Ronaldo tem ajudado a Seleção, direta ou indiretamente, a dar-me alegrias, permitindo-me colecionar várias boas recordações. "Tudo o que eu te dou, tu me dás a mim" Por muitos defeitos que ele possa ter, ainda que, de vez em quando, ele e os colegas nos desiludam, como fizeram esta semana, este mérito ninguém lhe pode tirar.

EDITADO (20/11/13): Mais de um ano depois de escrever esta entrada, finalmente encontrei o anúncio! Obrigada ao locutor da Rádio Comercial João Vaz que o publicou no Facebook, logo depois da grande noite de Ronaldo ao serviço da Seleção que nos colocou no Mundial 2014!
 



EDITADO (29/05/16): Pedro Abrunhosa criou agora uma versão de Tudo O Que Eu te Dou, convertendo-a num hino para a Seleção Nacional. Eu não podia deixar de assinalar isso. Saibam mais aqui.

 

 

São músicas como esta, associadas a tantas histórias, a tantas recordações, com tantos significados, que se tornam imortais. Hoje em dia, músicas e artistas surgem, de repente, sendo substituídos por outros tão rapidamente como surgiram. No entanto, existirá sempre alguém que não os deixará desaparecerem completamente. O que eu faço neste blogue, entre outras coisas, é precisamente imortalizar ainda mais músicas e cantores que, para mim, já são eternos.

Termino esta entrada com um vídeo que encontrei agora de um dueto de Pedro Abrunhosa com... Nelly Furtado, interpretando esta mesma canção. Tenho de admitir que foi um lindo momento, daqueles que só acontecem uma vez na vida. Mas vejam por vocês...


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Músicas Ao Calhas: How Do Ya Feel Tonight

Neste momento, encontro-me em aulas, num semestre difícil e, no que toca à minha escrita, consegui, finalmente, inspiração para dar seguimento ao meu terceiro livro. Em princípio, devo conseguir terminar o primeiro rascunho ainda este ano. Com tudo isto, tenho deixado este blogue um pouco de lado. Tenho compilado várias notas para futuras entradas, daquelas extensas, estilo a que escrevi sobre o Ciclo da Herança. E, nesta altura do campeonato, não tenho tido tempo nem paciência para redigi-las e duvido que tenha tão cedo.

 

Como, no entanto, não queria deixar este blogue ao abandono, decidi criar uma rúbrica intitulada "Músicas Ao Calhas". Nestas entradas, tenciono escrever, não exatamente críticas, mas pura e simplesmente a minha interpretação e o significado de faixas da lista de reprodução que ando a construir há já quase sete anos - desde que recebi o meu primeiro leitor de MP3 - e que, atualmente, vai em mais de quinhentas músicas. Em princípio, serão textos relativamente pequenos. Relativamente... De qualquer forma, implicam menos planeamento que outras entradas e podem ser redigidos, rapidamente em dias menos inspirados para outras escritas.

 


 

(Este foi o único vídeo que consegui encontrar no YouTube com esta música)

'Cause being here feels right

Quero começar por falar de How Do Ya Feel Tonight, uma das músicas de Bryan Adams mais especiais para mim. Conheci-a em março de 2010, numa altura em que os CD's do cantautor canadiano andavam a sair em fascículos de dez euros cada. Aproveitei pois, apesar de o Bryan já ser havia imenso tempo o meu cantor masculino preferido, apenas conhecia os dois últimos álbuns de estúdio, a banda sonora de Spirit, os singles e pouco mais.

 

Ora, comprei o CD On A Day Like Today apenas um dia depois de ter tido a epifania que deu a ideia-base para O Sobrevivente e respetivas sequelas. Apaixonei-me imediatamente pela primeira faixa, How Do Ya Feel Tonight. Durante os dias que se seguiram, ouvi frequentemente o CD, até porque, nessa altura, estava sem MP3. How Do Ya Feel Tonight destacava-se de entre todas. Foi também nessa altura que, partindo da ideia-base, defini os primeiros conceitos e escrevi os primeiros capítulos de O Sobrevivente. How Do Ya Feel Tonight não foi propriamente uma inspiração. O que aconteceu foi que, na minha mente, o espírito do livro que comecei a escrever na altura entrelaçou-se com o espírito da música. Desse modo, How Do Ya Feel Tonight acabou por se tornar como que a faixa-tema da minha saga.

 


 

Quando à música em si, no que toca ao arranjo musical, esta não difere muito de On a Day Like Today, a faixa que dá o título ao CD e que também sempre foi uma das minhas preferidas. Ambas começam com apenas uma guitarra, a que se vão juntando discretamente outros instrumentos, ganhando acompanhamento completo após o primeiro refrão. How Do Ya Feel Tonight tem, contudo, uma aura mais melancólica, tanto em termos de sonoridade como de letra. No que toca à letra - bastante simples, como de resto todas as músicas de Bryan Adams - e ao sentimento, lembra-me um pouco I'm With You, de Avril Lavigne, que também fala de solidão, de procura por alguém que ofereça consolo e companhia.






I don't know who you are but I, I'm with you


Citei ambas as músicas no primeiro capítulo de O Sobrevivente pois achei - bastante depois de escrevê-lo, bem entendido - que ambas as músicas traduzem relativamente bem aquele primeiro encontro entre as minhas personagens principais, Bia e Alex. Porque ela passara os últimos anos, em vários aspetos, sozinha e, a partir daquele momento, estava irreversivelmente ligada àquele desconhecido, ainda que não o soubesse na altura ("I don't know who you are but I, I'm with you"). Porque ele apenas a conhecera por acidente mais sentia que estava no lugar certo à hora certa e, mais tarde, quando se recordasse daquele momento, tal pressentimento transformar-se-ia numa certeza. ("'Cause being here feels right").

Tive alguma pena por o Bryan não ter tocado esta no concerto que deu no ano passado, no Pavilhão Atlântico. Não que isso me tenha surpreendido por aí além pois How Do Ya Feel Tonight não é single. No entanto, o Bryan deu a entender, no Twitter, que vai lançar um segundo CD Bare Bones no próximo ano. Tenho andado a fazer figas para que How Do Ya Feel Tonight seja incluído no álbum ao vivo, para ficar a conhecer uma nova versão da faixa. Em todo o caso, How Do Ya Feel Tonight será sempre uma das minhas músicas preferidas por estar tão ligada aos meus primeiros livros.

Músicas Ao Calhas: How Do Ya Feel Tonight

Neste momento, encontro-me em aulas, num semestre difícil e, no que toca à minha escrita, consegui, finalmente, inspiração para dar seguimento ao meu terceiro livro. Em princípio, devo conseguir terminar o primeiro rascunho ainda este ano. Com tudo isto, tenho deixado este blogue um pouco de lado. Tenho compilado várias notas para futuras entradas, daquelas extensas, estilo a que escrevi sobre o Ciclo da Herança. E, nesta altura do campeonato, não tenho tido tempo nem paciência para redigi-las e duvido que tenha tão cedo.

Como, no entanto, não queria deixar este blogue ao abandono, decidi criar uma rúbrica intitulada "Músicas Ao Calhas". Nestas entradas, tenciono escrever, não exatamente críticas, mas pura e simplesmente a minha interpretação e o significado de faixas da lista de reprodução que ando a construir há já quase sete anos - desde que recebi o meu primeiro leitor de MP3 - e que, atualmente, vai em mais de quinhentas músicas. Em princípio, serão textos relativamente pequenos. Relativamente... De qualquer forma, implicam menos planeamento que outras entradas e podem ser redigidos, rapidamente em dias menos inspirados para outras escritas.


(Este foi o único vídeo que consegui encontrar no YouTube com esta música)
'Cause being here feels right
Quero começar por falar de How Do Ya Feel Tonight, uma das músicas de Bryan Adams mais especiais para mim. Conheci-a em março de 2010, numa altura em que os CD's do cantautor canadiano andavam a sair em fascículos de dez euros cada. Aproveitei pois, apesar de o Bryan já ser havia imenso tempo o meu cantor masculino preferido, apenas conhecia os dois últimos álbuns de estúdio, a banda sonora de Spirit, os singles e pouco mais.

Ora, comprei o CD On A Day Like Today apenas um dia depois de ter tido a epifania que deu a ideia-base para O Sobrevivente e respetivas sequelas. Apaixonei-me imediatamente pela primeira faixa, How Do Ya Feel Tonight. Durante os dias que se seguiram, ouvi frequentemente o CD, até porque, nessa altura, estava sem MP3. How Do Ya Feel Tonight destacava-se de entre todas. Foi também nessa altura que, partindo da ideia-base, defini os primeiros conceitos e escrevi os primeiros capítulos de O Sobrevivente. How Do Ya Feel Tonight não foi propriamente uma inspiração. O que aconteceu foi que, na minha mente, o espírito do livro que comecei a escrever na altura entrelaçou-se com o espírito da música. Desse modo, How Do Ya Feel Tonight acabou por se tornar como que a faixa-tema da minha saga.


Quando à música em si, no que toca ao arranjo musical, esta não difere muito de On a Day Like Today, a faixa que dá o título ao CD e que também sempre foi uma das minhas preferidas. Ambas começam com apenas uma guitarra, a que se vão juntando discretamente outros instrumentos, ganhando acompanhamento completo após o primeiro refrão. How Do Ya Feel Tonight tem, contudo, uma aura mais melancólica, tanto em termos de sonoridade como de letra. No que toca à letra - bastante simples, como de resto todas as músicas de Bryan Adams - e ao sentimento, lembra-me um pouco I'm With You, de Avril Lavigne, que também fala de solidão, de procura por alguém que ofereça consolo e companhia.


I don't know who you are but I, I'm with you

Citei ambas as músicas no primeiro capítulo de O Sobrevivente pois achei - bastante depois de escrevê-lo, bem entendido - que ambas as músicas traduzem relativamente bem aquele primeiro encontro entre as minhas personagens principais, Bia e Alex. Porque ela passara os últimos anos, em vários aspetos, sozinha e, a partir daquele momento, estava irreversivelmente ligada àquele desconhecido, ainda que não o soubesse na altura ("I don't know who you are but I, I'm with you"). Porque ele apenas a conhecera por acidente mais sentia que estava no lugar certo à hora certa e, mais tarde, quando se recordasse daquele momento, tal pressentimento transformar-se-ia numa certeza. ("'Cause being here feels right").

Tive alguma pena por o Bryan não ter tocado esta no concerto que deu no ano passado, no Pavilhão Atlântico. Não que isso me tenha surpreendido por aí além pois How Do Ya Feel Tonight não é single. No entanto, o Bryan deu a entender, no Twitter, que vai lançar um segundo CD Bare Bones no próximo ano. Tenho andado a fazer figas para que How Do Ya Feel Tonight seja incluído no álbum ao vivo, para ficar a conhecer uma nova versão da faixa. Em todo o caso, How Do Ya Feel Tonight será sempre uma das minhas músicas preferidas por estar tão ligada aos meus primeiros livros.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Homeland/Segurança Nacional

AVISO: Esta entrada inclui informações relevantes sobre o enredo da série pelo que só é aconselhável lê-la caso tenha visto a primeira temporada de Homeland/Segurança Nacional.


Visto que hoje estreia na FOX a segunda temporada de Homeland/Segurança Nacional, quis escrever sobre aquela que considero, até ao momento, a série mais bem feita dos últimos anos.

Na verdade, não tenho muito a dizer em termos de crítica que já não tenha sido dito antes, sobretudo depois de outro blogueiro o ter feito de forma primorosa, como poderão ver AQUI. Limitar-me-ei, por isso, a fornecer a minha visão pessoal da série.

Uma das coisas de que mais gosto em Homeland é o facto de me recordar  24 - aliás, um dos atuais produtores também trabalhou na série protagonizada por Kiefer Sutherland - e as questões que debatia: intolerância religiosa, o choque entre os princípios idealistas e a segurança nacional. Homeland aborda estes temas de forma ainda mais brilhante pois, aqui, praticamente todas as personagens são muito humanas, com virtudes e defeitos, sem pretos e brancos. Isto desde as personagens principais àquelas que apenas participam em um ou dois episódios.

Há uns anos, li uma entrevista de Kiefer Sutherland em que este opinava que 24 devia ser mais explícita. Homeland não tem esse problema. Admito que não estava habituada a isso, que demorei algum tempo a adaptar-me. Ainda me questiono se algumas cenas de sexo são absolutamente necessárias. No entanto, faz tudo sentido dentro do contexto. Não se trata de sexo e violência gratuitos, como em Spartacus.

Engraçado é ver as legendas da FOX para disfarçar a linguagem violenta. O exemplo mais ridículo é uma deixa que, traduzida literalmente, daria: "Não consegues f*der a tua mulher" mas cuja respetiva legenda é "Não consegues fazer amor com a tua mulher". Tudo a ver...

A primeira temporada teve vários episódios marcantes mas, para mim, o mais marcante foi o último. De cortar a respiração, em particular durante a cena em que Brody fala com a filha ao telemóvel. A maneira pueril, crua, como Dana pede ao pai para voltar para casa é de partir o coração. E, obviamente, resulta. 



A premissa com que a primeira temporada é encerrada, "Porquê matar um homem quando se pode matar uma ideia?" deixou-me um pouco de pé atrás. Dá a entender que Brody adotará, na segunda temporada, uma atitude mais diplomática, mais pacifista. É um exemplo bonito, quem me dera que a Al-Qaeda adotasse esta metodologia de matar ideias em vez de pessoas. Mas não sei se funcionará em termos de ficção. 

A série - uma das preferidas de Barack Obama - foi uma das grandes vencedoras dos Emmys deste ano, merecidamente e sem surpresas. Daí que, depois de a FOX a ter relegado para segundo plano no ano passado - chegando mesmo, na reta final, a despachá-la com dois episódios por semana e dando maior protagonismo a produções como Spartacus e Walking Dead. Séries bem inferiores mas, pelos vistos, generosamente patrocinadas - esta temporada, Segurança Nacional seja exibida apenas uma semana após a exibição nos Estados Unidos. Tanto quanto sei, tal honra só foi concedida a Lost. Estou ansiosa por ver Homeland. Será refrescante ter episódios novos de uma boa série, numa altura em que, como afirmei anteriormente, é cada vez mais difícil fazê-lo. Espero, por isso, que Homeland se mantenha no topo da qualidade por muitos mais anos. Mas, para já, veremos se consegue fazê-lo nesta sua segunda temporada.

Análise à segunda temporada

Homeland/Segurança Nacional

AVISO: Esta entrada inclui informações relevantes sobre o enredo da série pelo que só é aconselhável lê-la caso tenha visto a primeira temporada de Homeland/Segurança Nacional.

 


 


Visto que hoje estreia na FOX a segunda temporada de Homeland/Segurança Nacional, quis escrever sobre aquela que considero, até ao momento, a série mais bem feita dos últimos anos.

 

Na verdade, não tenho muito a dizer em termos de crítica que já não tenha sido dito antes, sobretudo depois de outro blogueiro o ter feito de forma primorosa, como poderão ver AQUI. Limitar-me-ei, por isso, a fornecer a minha visão pessoal da série.

 

Uma das coisas de que mais gosto em Homeland é o facto de me recordar  24 - aliás, um dos atuais produtores também trabalhou na série protagonizada por Kiefer Sutherland - e as questões que debatia: intolerância religiosa, o choque entre os princípios idealistas e a segurança nacional. Homeland aborda estes temas de forma ainda mais brilhante pois, aqui, praticamente todas as personagens são muito humanas, com virtudes e defeitos, sem pretos e brancos. Isto desde as personagens principais àquelas que apenas participam em um ou dois episódios.

 

Há uns anos, li uma entrevista de Kiefer Sutherland em que este opinava que 24 devia ser mais explícita. Homeland não tem esse problema. Admito que não estava habituada a isso, que demorei algum tempo a adaptar-me. Ainda me questiono se algumas cenas de sexo são absolutamente necessárias. No entanto, faz tudo sentido dentro do contexto. Não se trata de sexo e violência gratuitos, como em Spartacus.

 

Engraçado é ver as legendas da FOX para disfarçar a linguagem violenta. O exemplo mais ridículo é uma deixa que, traduzida literalmente, daria: "Não consegues f*der a tua mulher" mas cuja respetiva legenda é "Não consegues fazer amor com a tua mulher". Tudo a ver...

 

A primeira temporada teve vários episódios marcantes mas, para mim, o mais marcante foi o último. De cortar a respiração, em particular durante a cena em que Brody fala com a filha ao telemóvel. A maneira pueril, crua, como Dana pede ao pai para voltar para casa é de partir o coração. E, obviamente, resulta. 

 

 


 

A premissa com que a primeira temporada é encerrada, "Porquê matar um homem quando se pode matar uma ideia?" deixou-me um pouco de pé atrás. Dá a entender que Brody adotará, na segunda temporada, uma atitude mais diplomática, mais pacifista. É um exemplo bonito, quem me dera que a Al-Qaeda adotasse esta metodologia de matar ideias em vez de pessoas. Mas não sei se funcionará em termos de ficção. 

 

A série - uma das preferidas de Barack Obama - foi uma das grandes vencedoras dos Emmys deste ano, merecidamente e sem surpresas. Daí que, depois de a FOX a ter relegado para segundo plano no ano passado - chegando mesmo, na reta final, a despachá-la com dois episódios por semana e dando maior protagonismo a produções como Spartacus e Walking Dead. Séries bem inferiores mas, pelos vistos, generosamente patrocinadas - esta temporada, Segurança Nacional seja exibida apenas uma semana após a exibição nos Estados Unidos. Tanto quanto sei, tal honra só foi concedida a Lost. Estou ansiosa por ver Homeland. Será refrescante ter episódios novos de uma boa série, numa altura em que, como afirmei anteriormente, é cada vez mais difícil fazê-lo. Espero, por isso, que Homeland se mantenha no topo da qualidade por muitos mais anos. Mas, para já, veremos se consegue fazê-lo nesta sua segunda temporada.

Análise à segunda temporada

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Grey's Anatomy/Anatomia de Grey


 

 

Não posso dizer que esta seja uma das minhas séries preferidas. Acompanho-a há vários anos e temos sempre tido, digamos, uma relação de amor-ódio. Penso que é aquilo a que se chama um guilty pleasure. Ainda tentei deixar de a acompanhar mas, uma vez que está constantemente em reposição na FOX Life, julgo que já vi praticamente todos os episódios emitidos pelo menos uma vez.

 

Apesar do nosso relacionamento complicado, a verdade é que Anatomia de Grey até tem sido uma fonte de inspiração para a minha escrita, sobretudo na parte mais emotiva dos meus livros. Sim, porque a série já abordou praticamente todos os tipos de relacionamentos entre humanos. Destaque para os relacionamentos amorosos, é claro - uma das críticas que já ouvi a esta série é a de que já toda a gente andou com toda a gente - mas também os fraternais, os familiares, etc. Explora também alguns conceitos relacionados com a vida real, que, em muitos dos caos, se entrelaçam com os problemas dos doentes - embora, nalguns casos, de forma algo rebuscada -  que fazem refletir e que me são francamente úteis na escrita. 

 


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Um desses conceitos é, na minha opinião, o pilar na qual toda a série assenta: o debate carreira versus vida pessoal. Praticamente todas as variantes desta dualidade, todas as perspetivas são exploradas na série. Se os cirurgiões fazem aquilo por mera ambição pessoal ou para salvar vidas. O convívio da competição com a cooperação na relação entre colegas, estejam estes no mesmo nível ou em diferentes estratos hierárquicos. O facto de os grandes cirurgiões serem vistos pelos pares como heróis, apesar de os entres queridos não conseguirem ignorar a indiferença e mesmo o desprezo com que são tratados. A escolha entre fazer aquilo que se ama ou estar com a pessoa que se ama. Assemelhando-se um pouco ao debate de ficções como "Sobrenatural", o desejo de se marcar a diferença, de fazer algo com significado, de se ser extraordinário, contrastando com o desejo de ter uma vida relativamente mais fácil, uma família, um lar para onde regressar todas as noites.

 


Outro aspeto que me cativa na série é a parte da Medicina, pois frequento um curso de saúde. É claro que, à semelhança do que acontece um pouco noutras séries médicas, nem tudo é cem por cento realista. Algo que igualmente não me parece realista é o facto de os alegados melhores cirurgiões do país, ou mesmo do Mundo, estarem concentrados no mesmo hospital. Além de que, em Anatomia de Grey, quando tudo parece perdido para o doente, há sempre alguém com uma terapia inovadora - na vida real, sobretudo no nosso País, duvido que uma ideia dessas fosse exequível ou que sequer coubesse no orçamento de um hospital.

 


 

O problema da série é ter momentos em que se torna demasiado melodramática, como se quisesse, a todo o custo, arrancar lágrimas às pedras da calçada. A mim, pelo menos, tirando uns quatro ou cinco casos, tais cenas apenas me provocam impaciência pela lamechice toda. Também não ajuda o facto de muitas das personagens serem completa e irritantemente disfuncionais, negando até à loucura aquilo que sentem, chegando ao ponto de se rirem quando deviam chorar. Como uma das personagens, das mais secundárias, disse uma vez, não passam de "crianças com bisturis".

 

Além disso, enquanto algumas das reflexões em voz off no início e no fim dos episódios e certos diálogos das personagens podem, como exemplifiquei acima, fazer-nos pensar, não são raras as vezes em que se dizem banalidades disfarçadas de pensamentos profundos.

 


 

No entanto, quando não estão todos a chorar, a série tem momentos bem divertidos. Isto deve-se, sobretudo, ao contraste entre as diferentes personalidades. Tenho um punhado de personagens preferidas mas a minha favorita é a Dra. Bailey. No início, é-nos apresentada como a mentora rígida e autoritária dos internos recém-chegados ao hospital. No entanto, acaba por equilibrar bem o seu carácter autoritário com a afeição que nutre pelos doentes, pelos colegas e, em particular, o amor maternal que nutre pelos seus internos, até mesmo depois de eles concluírem o internato.

 


 

A série já teve oito temporadas, umas melhores do que outras. A mais recente foi, até ao momento, a pior. Não nos podemos queixar por aí além quando uma série começa a dar sinais de desgaste ao sétimo ou oitavo ano de vida - outras séries têm apresentado tais sinais bem mais cedo. De facto, Anatomia de Grey chegou a um ponto em que já não traz praticamente nada que já não tenha exibido antes. As frágeis tentativas de dar uma lufada de ar fresco à coisa - por exemplo, o episódio do "What If?/E se?" - não resultam. Perdi também a conta às vezes que revirei os olhos nesta temporada.

 


 

Um dos problemas desta temporada é o facto de alguns dos casais estarem na fase do "viveram felizes para sempre". Ora, a ficção assenta, não digo na infelicidade, mas nos problemas das personagens, nos obstáculos com que se deparam, nos desejos delas. Nota-se que os argumentistas da série andam com dificuldades em arranjar problemas a, por exemplo, Callie e Arizona. Na minha opinião, o casal lésbico já deu o que tinha a dar, já teve a sua atribulada história de amor com final feliz. Eu já as teria despachado. 

 


 

Outro caso desses, ainda que de maneira diferente, é o casal-centro de Anatomia de Grey, Meredith e Derek. Aqui, as fraquezas da história já vêm desde a temporada anterior: a história do ensaio clínico como tentativa de curar uma doença neurodegenerativa que termina quando um dos médicos o sabota a favor de um ente querido já tinha sido vista em House; a infertilidade de Meredith, então, é um tema batidíssimo em séries. Durante a primeira metade da oitava temporada, enrolaram a história da adoção até a custódia da órfã que querem adotar lhes cair do céu. E mesmo os problemas no casamento se resolveram sem grandes complicações.

 

Depois, existem linhas narrativas ainda mais fracas, nesta temporada. O caso de Cristina e Owen é um deles. Já se notava no fim da época anterior que o casamento estava condenado pelo simples facto de ele querer filhos, ela não e nenhum de ambos parecer disposto a ceder nesta matéria. A maior parte dos casais - incluindo um na mesma série - já se teria separado após a constatação deste facto. No entanto, a história de eles foi enrolada até ao infinito ao longo da temporada inteira. A partir de certa altura, sobretudo depois de ele a ter traído, ficava com vontade de lhes gritar: "Divorciem-se de uma vez, caramba!". O casamento não me parece ter salvação, tendo em conta tanto a discordância no que toca a filhos como a traição dele - há quem se divorcie por apenas um destes requisitos ou por ainda menos. No entanto, a oitava temporada terminou e nem sequer há certezas sobre se vai haver divórcio ou não. O que me parece ridículo.

 


 

Outro arco narrativo que também deixou bastante a desejar foi a relação de Lexie e Mark. O romance entre ambos tem estado on e off desde a sexta temporada, com ambos sempre incertos dos seus sentimentos, mesmo quando andam com outras pessoas, eternamente separados pela diferença de idades, por se encontrarem em fases de vida diferentes, por ele querer constituir família e ela não - olha, afinal são dois casais... Na oitava temporada, então, enrolaram ainda mais a história. Neste último ano, Lexie pouco mais fez do que suspirar por Mark, incapaz de se decidir se o quer ou não.

 

Acabou por não ser muito surpreendente a sua morte, no encerramento da temporada. Era óbvio que os argumentistas já não sabiam o que fazer com a personagem, portanto, adotaram a solução mais fácil. A morte de Lexie é um cliché em todos os aspetos - é claro que Mark só se lembra que quer uma vida com Lexie quando esta está a morrer!

 

Lexie era uma das personagens mais queridas da série, era uma das minhas preferidas, pela sua graça, pela memória fotográfica, pela teimosia que lhe permitiu estabelecer uma ligação com Meredith, mesmo depois de a meia-irmã ter deixado bem claro que não queria ter nada a ver com ela. Na minha opinião, merecia mais do que ter passado estas últimas duas temporadas fazendo pouco mais que suspirar por Mark.

 

Com tudo isto, ainda não sei se me darei ao trabalho de acompanhar a próxima temporada. O último episódio termina em suspense com o acidente de avião mas, para ser sincera, as pontas soltas não me interessam por aí além, não estou propriamente ansiosa por ver o que acontece aos sobreviventes. Isto porque duvido que aconteça algo que não tenha já sido visto em Anatomia de Grey: já antes se lidou com eventos traumáticos; já antes se lidou com a morte de colegas, amigos, parentes ou amantes; já antes se lidou com lesões comprometedoras das capacidades cirúrgicas. Só se, eventualmente, fizessem alterações no elenco é que a série ganharia fôlego. E mesmo assim... Na minha opinião, devia começar a pensar-se em encerrar a série. Já deu o que tinha a dar sobre o tema vida e medicina/cirurgia, duvido que, a partir de agora, surja algo de novo. 

 

A acontecer isso em breve, não terei grandes saudades de Anatomia de Grey. Pelo menos, não tantas como de outras séries, como Friends e House - como já mencionei acima, nunca coloquei Anatomia de Grey entre as minhas preferidas. No entanto, não duvido que sentirei uma certa nostalgia por mais uma boa série, à sua maneira, daquelas que já duram há uns anos, ter terminado.
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