terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Primeiras bandas, uma metaleira cabeça-no-ar e uma bilionária sem noção – Música 2025

             Não estava nos meus planos escrever uma retrospetiva musical para 2025. Não cheguei a fazê-lo para 2024 – o mais parecido foi o apanhado de concertos que, de qualquer forma, acabou por cobrir uma boa parte do ano seguinte. 


No que toca a 2025, o meu ano musical foi marcado, acima de tudo o resto, por três álbuns: From Zero, dos Linkin Park; Virgin, de Lorde; Ego Death at a Bachelorette Party, de Hayley Williams. Ando a analisá-los aqui no blogue – já escrevi sobre o primeiro, tenho o segundo já esquematizado – e ficava 2025 representado. Iria apenas referir de passagem os hábitos musicais que não se encaixassem nestes álbuns no final da análise a Virgin. 



Só que as notas para essa parte acabaram por se estender por várias páginas. Assim, decidi escrever um texto independente para a retrospetiva musical que vai além dos três álbuns que referi acima. Aproveito para desenvolver um pouco mais sobre alguns dos temas.








Sem mais delongas, tentando seguir uma ordem mais ou menos cronológica, no início de 2025 andava em preparação para o concerto dos Grey Daze e dos Hybrid Theory (tributo português aos Linkin Park) no Pavilhão Atlântico. Foi na noite de 22 de março, conforme escrevi aqui. Como referi antes, a minha preferida e Shouting Out: a versão do álbum Amends e a lindíssima versão acústica. Depois dessa, tenho umas três ou quatro de que gosto, embora não tanto como de Shouting Out: What’s in the Eye, Soul Song, Sometimes, The Syndrome. Confesso que reduzi a rotação de Grey Daze depois de março, mas voltei a ouvir algumas das músicas em preparação para este texto e continuo a gostar.



Por outro lado, não gosto tanto das músicas pós-Chester que lançaram até agora. Fake Little Lies não é má, mas não me entusiasma por aí além. Ando a curtir a mais recente, no entanto – Monster You Adore, lançada a 9 de janeiro deste ano.



Curiosamente, mais ou menos na mesma altura em que andava a explorar a discografia da primeira banda de Chester Bennington, o falecido vocalista dos Linkin Park, comecei a explorar a discografia da primeira banda da sua sucessora, Emily Armstrong: Dead Sara. De notar que, apesar de Emily ser a atual vocalista dos Linkin Park, tecnicamente nunca chegou a abandonar os Dead Sara. 



A ideia que eu tenho é de que os Dead Sara serão conhecidos sobretudo pelo hard rock, pelas influências grunge – o seu maior êxito é Weatherman. No entanto, pelo que tenho visto do seu catálogo – e ainda não explorei tudo o que havia para explorar – há mais diversidade do que se pensa. Não sou muito boa a distinguir géneros musicais, tirando as designações mais abrangentes. Mas vou tentar agora.



Para começar, diria que Blue Was the Beautiful You e Lover Stay Wild, por exemplo – a última foi uma das primeiras a cativar-me – soam a glam rock dos anos 80. Lover Stay Wild, então, quase podia ser uma música dos Heart – e, agora que penso nisso, a voz de Emily tem algumas parecenças com a voz de Bonnie Tyler. O Google classifica Heaven’s Got a Back Door como indie/alternativo. Whispers & Ashes lembra-me pop/rock dos anos 2000. One Day We’ll Make it Big e Starry Eyed metem um bocadinho de synth pop. 



A minha preferida deles é a versão acústica de Anybody (acústica é como quem diz… tem notas de guitarra elétrica). Foi a música que mais ouvi em 2025, de acordo tanto com o meu Spotify Wrapped como o relatório do Last.fm. A versão de estúdio não é má mas, na minha opinião, está muito mal produzida: a voz de Emily com demasiados efeitos, o instrumental demasiado comprimido. A versão acústica soa muito melhor em todos os aspetos. Emily canta maravilhosamente, adoro a guitarra elétrica e o piano. 







Emily deu a entender em entrevistas recentes que as suas letras vêm por fluxo de consciência, não serão assim tão profundas. Ainda assim, Dead Sara tem algumas letras interessantes. Identifico-me um pouco com Anybody, por exemplo. Uma das minhas preferidas nesse capítulo é Heaven's Got A Back Door. Mesmo não trazendo nada que não tenhamos ouvido noutros lugares, é uma letra sobre revolta contra dogmas religiosos, sobre ter confiança na sua própria identidade e nos seus próprios valores. 



Algo que faz sentido vindo de uma mulher homossexual fugida da seita onde nasceu. 



Por outro lado, One Day We'll Make it Big soa a uma auto-biografia dos Dead Sara até àquele instante: a criação da banda, lutando pelo momento do salto para o estrelato. Algo que ainda não tinha acontecido, embora já contassem dez anos de carreira.



Agora, em 2026, volvida quase outra década, uma deles conseguiu saltar para  ribalta… mas não o resto da banda (quanto muito, terão ganho fãs, eu incluída, depois de Emily se ter juntado aos Linkin Park). É algo agridoce. 



Confesso que, por nenhum motivo especial, tenho focado-me sobretudo em música mais recente dos Dead Sara – o álbum de 2021, Ain’t it Tragic, e o EP Temporary Things Taking Up Space. Mas queria deixar uma palavra para Weatherman. Não sendo a minha preferida, é um tema extraordinário – consigo perceber porque é a mais popular da banda. O instrumental tem os seus momentos de destaque – gosto do “drumroll” no início e do riff da guitarra elétrica – mas está construído de forma a exibir a voz de Emily.


 





E a voz de Emily em Weatherman, minha gente… Oiçam a maneira como canta “skin soft as leather, I’m the weatherman” ou “I sing for the melody and I sing for reason”. Diria que é um dos melhores desempenhos vocais dela.



Logo nos primeiros tempos da nova era dos Linkin Park, Mike Shinoda (co-vocalista, multi-instrumentista e produtor) falou de uma curta playlist de músicas dos Dead Sara que compilou para mostrar aos colegas de banda, em jeito de portfólio. Mike acabou por partilhá-la com o público em finais de novembro do ano passado, mas só a encontrei há pouco tempo, na preparação deste texto. É um sítio tão bom como qualquer outro para começar a explorar a música dos Dead Sara. A minha lista seria ligeiramente diferente – poderão ver uma parte na minha playlist de Música 2025, no fim deste texto. 



Em todo o caso, tenciono continuar a ouvir a música dos Dead Sara. E espero que, um dia, se reúnam para lançar pelo menos mais um álbum.

 


Ainda dentro do rock, nos últimos dois anos tenho estado exposta a vários temas mais ou menos clássicos deste género musical. Culpa, naturalmente, da família HT, tantas vezes referida aqui. Mas também dos vários concertos a que tenho ido. O Rockin’1000, por exemplo, mas também a música que colocam a tocar nos altifalantes antes dos concertos em si. 



O que, por outro lado, se não tiver cuidado, pode ter o efeito contrário. Fui a três dos quatro dias da Concentração Motard de Loures, o que, por uns tempos, me deixou enjoada dos Enter the Sandman e Killing in the Name desta vida. 



Há músicas e bandas que têm pegado mais do que outras, como seria de esperar. Um exemplo disso têm sido uns quantos temas de System of a Down. Pouquinhas para já e, confesso, estão entre as mais populares deles: para começar, Chop Suey!, obviamente. Toxicity costuma aparecer na playlist pré-concertos dos Hybrid Theory (Misery Business também, aqueles moces são lindos!). Por outro lado, conheci I-E-A-I-A-I-O graças a esta montagem deliciosa



Num futuro próximo tenciono juntar os Foo Fighters e The Pretty Reckless à minha lista. Mais sobre isso perto do fim deste texto.



Ainda dentro do rock, outra banda que tem sido prevalente nos meus hábitos musicais nos últimos dois anos é Papa Roach. Conforme já escrevi antes, comecei a ouvir em finais de 2023. Outros conseguirão descrever o género musical deles melhor do que eu: nu metal, rock com um bocadinho de rap, alguns elementos eletrónicos, sei lá. Só sei que gosto, encaixa comigo. Também gosto do facto de abordarem temas pró-saúde mental, anti-suicídio, de resistência, resiliência, mesmo de esperança. O vocalista Jacoby Shaddix parece ser boa pessoa – por exemplo, aquando do regresso dos Linkin Park, as palavras dele foram das que mais me ajudaram. 






Aliás, conforme já referi antes, se comecei a ouvir Papa Roach, isso foi muito por influência dos Hybrid Theory, banda e família. Last Resort faz inclusivamente parte da playlist pré-concertos dos HT e pelo menos dois amigos meus recomendaram-me a banda. Tendo isso em conta e juntando o facto de Colin Brittain continuar a produzir para eles, na minha cabeça, os Papa Roach fazem parte do universo Linkin Park. 



Assim, quando tanto os Hybrid Theory como os Papa Roach foram anunciados para o mesmo dia do lendário Festival Vilar de Mouros, foi como se os planetas se tivessem alinhado. 



Eu nunca viria só pelos moces (se só eles é que tivessem sido convidados ou se atuassem num dia diferente dos Papa Roach). Gosto muito deles, mas tenho outras oportunidades para vê-los, mais baratas e menos complicadas. Mas foi muito melhor assim. 



Confesso que comprei o bilhete um pouco por impulso, depois de perceber que o festival calhava nos meus dias de férias. Não fazia ideia de como chegar lá – nem tinha noção de que era tão a norte, tão perto da fronteira – nem do que me esperava. O que na altura pensava era “quem vai a Paris ver os Linkin Park, vai a Vilar de Mouros” – uma mentalidade perigosa.Tecnicamente não fui sozinha, encontrei-me com amigos no recinto, mas eles vieram de sítios diferentes, por meios diferentes. Na prática foi uma aventura a solo. 



A viagem não foi muito má. Havia autocarro direto de Lisboa até Caminha, a vila mais próxima. Tinha colocado a hipótese de conduzir, mas esta alternativa foi bem mais económica e menos cansativa. Na verdade, na véspera estava em Lagos, sítio onde costumo passar férias (e uma das melhores cidades do mundo), e vim para Lisboa também de autocarro. Na manhã seguinte, embarquei para Caminha. Percorri o país de ponta a ponta de autocarro em vinte e quatro horas quase certinhas. 



Essencialmente o mesmo percurso que os lacobrigenses Hybrid Theory fizeram. Podia ter-lhes pedido boleia. Só não o fiz porque precisava mesmo de parar em Lisboa antes de seguir para Caminha. Não ia fazer-lhes este transtorno. 



Foi só mesmo por isso.






Caminha é uma terra linda. Já viajei um bom bocado por todo o país, mas quase não tinha estado no Minho antes disto. É pena pois o pouco que vi, sobretudo em Caminha, é lindíssimo. Tive pena por não ter tido oportunidade de passear. 



Por outro lado, só tenho elogios, tanto para a organização do festival como para a Câmara de Caminha, pelos autocarros em constante rotação entre a vila e o recinto – inclusive de madrugada. E adorei o espírito de Vilar de Mouros. Metaleiros, “malta da pesada”, agitados, mas, regra geral, sem maldade, cumprindo o “if someone falls, pick them up”. Uma homenagem ao chefe de segurança, Nuno Damas, que ia pescando os crowdsurfers. Também eu acabei no colinho dele… mas estou a adiantar-me. 



Não tenho muito a dizer sobre a atuação dos Hybrid Theory – que, ainda por cima, foi mais curta que o habitual. A maior diferença foi ter sido a minha primeira deles à luz do dia (confirmei que eles não são vampiros). Aliás, foi quase à hora do pôr-do-sol, uma luminosidade lindíssima. Vejam as fotos oficiais



E eles foram fantásticos, como sempre. Como disse antes, não viria só pelos HT. Ainda assim, a atuação deles já tinha valido tudo: o tempo, o dinheiro, o stress. 



Durante a atuação dos Hybrid Theory estive na grade, claro, com duas das minhas amigas. Elas mantiveram-se lá, mas eu não fazia questão disso para o resto dos concertos. Fui fazendo tempo até aos Papa Roach, ora sozinha, ora acompanhada. Cheguei a encontrar alguns dos membros dos HT entre o público, o que foi muito agradável. Já não conversava com eles assim há muito tempo –  alguns desde o segundo Pavilhão Atlântico, alguns havia quase um ano. Já tinha saudades. Mostrei-lhes a minha tatuagem, vi parte do concerto dos Refused com eles – só conhecia Liberation Frequency por causa dos Paramore e do sample do verso “We want the airwaves back”. 






Quando, finalmente, os Papa Roach subiram ao palco, mesmo não fazendo questão de estar na grade, não queria estar demasiado longe, queria estar envolvida. Por outras palavras, queria andar ao moche. Depois do Family Values no RCA, sentia-me capaz de tudo, uma verdadeira metaleira. Naquela noite, no entanto, talvez tenha… metalado demasiado perto do sol. Entrei no moche, ainda no início da atuação dos Papa Roach. Durante Dead Cell, alguém me perguntou se queria fazer crowdsurfing. Eu disse que sim. Senti-me tão fixe lá em cima – e as minhas amigas ficaram de queixo caído quando me viram.



Esqueci-me só de um pequenino pormenor. O meu telemóvel estava no bolso de trás das minhas calças. Quando o Damas me pousou lá à frente, já lá não estava. 



Para além de todos os inconvenientes óbvios, só tinha o bilhete de autocarro de regresso no meu email, em formato digital. Sem telemóvel, não tinha acesso a ele. 



O meu lado de metaleira traído pela minha cabeça no ar. 



Passei o concerto praticamente todo fazendo contas à minha vida sem telemóvel a quatrocentos quilómetros de casa. Lembro-me de ouvir o Jacoby cantando “I think I need help” e de pensar “Pois, realmente dava jeito…”



Ainda assim, consegui estar presente, curtir – em retrospetiva, admiro-me por isso. Foi um belo concerto, com boa energia – e também momentos mais calmos e sentidos. Leave a Light On foi um momento lindíssimo, por exemplo. Jacoby também não se coibiu de partilhar mensagens pró-saúde mental e anti-suicídio – uma extensão dos temas da discografia dos Papa Roach. Fez uma rápida homenagem a Chester Bennington (de quem foi amigo) e, para nosso deleite, deixou palavras simpáticas aos Hybrid Theory. 







Por outro lado, um dos momentos de que mais gostei foi da “Nu metal time machine” e da maneira como transitou para Last Resort. Pelo meio, Jacoby disse que voltariam a Portugal em novembro deste ano. No entanto, à data desta publicação, ainda nada foi anunciado oficialmente. Começo a pensar se não alucinámos todos… 



Espero que o confirmem em breve. Gostava de vê-los de novo – desta feita, sem distrações.



Como ficou resolvida a história do telemóvel? Bem, a certa altura, durante o concerto, acabei por chegar de novo à grade e reparei que haviam um ou dois telemóveis pousados à beira do palco. Depois de terminar o concerto, pedi ao segurança (acho que era o próprio Damas) para ver se algum deles era o meu…



…e era. Não imaginam o alívio.



Mais tarde disseram-me que não é assim tão raro perderem-se telemóveis, chaves, carteiras e outros itens do género em festivais. Consta que, regra geral, as pessoas apanham e entregam aos seguranças. Isso é raro na vida real – como venho de uma família de cabeças-no-ar, falo por experiência própria. Pelo menos com o meu caso em específico, fiquei genuinamente comovida. 



Eu sei que o estereótipo do metaleiro, do festivaleiro, veio de algum sítio e que já ocorreram tragédias em concertos e festivais. Mas a minha experiência tem sido bem diferente. A família HT é o maior exemplo, mas não são os únicos.



Mas a história de Vilar de Mouros não acaba aqui. Depois de os concertos terminarem e de me ter despedido dos meus amigos – deviam já ser uma ou duas da manhã – ainda andei às voltas pelo recinto à procura do sítio onde parava o autocarro, mas consegui encontrá-lo. Um motivo de orgulho (ainda se diz flex?): quando cheguei a Caminha, já quase não tinha bateria no telemóvel, a minha power bank estava vazia. Ainda assim, consegui orientar-me pelas ruas de Caminha (uma terra que eu não conhecia) até ao quarto que aluguei, sem Google Maps, sem um mapa sequer (diz que nos tique-toques desta vida lhe chamam “raw dogging”). 






Quando cheguei ao quarto, no entanto, tive de lidar com outro problema: terra. Terra por todo o lado: nas minhas roupas, na capa do meu telemóvel, até nas minhas narinas – acordei com o nariz entupido na manhã seguinte (isto é, duas horas depois) e, quando me assoei, saiu terra. Devia ter calculado: recinto no meio do campo, tanta gente aos pulos e ao moche… O meu saco ficou cheio de terra quando lá enfiei a roupa suja. Devo ter passado uns quarenta e cinco minutos no duche – e mesmo assim acho que só fiquei completamente limpa quando voltei a casa no dia seguinte e me enfiei num raro banho de imersão. Tentei também limpar o quarto, dentro do possível. 



Em suma, foi uma experiência muito gira, um dos melhores dias do ano. Dito isto, não faço questão de repetir. É demasiado longe, é um tudo nada demasiado extremo. Não vou dizer nunca, mas também duvido que tão cedo Vilar de Mouros volte a convidar um artista ou banda de quem goste ao ponto de fazer isto tudo outra vez. 



Antes de deixarmos Vilar de Mouros para trás, queria só referir uma última música. A Super Bock era um dos patrocinadores e, durante o festival, fartaram-se de passar este anúncio nos ecrãs. Se tivesse sido outro anúncio qualquer, eu teria enjoado rapidamente. Mas este tem uma mensagem simples mas bonita, acompanhada por uma versão lindíssima de Umbrella que encaixa na perfeição. E eu nem sequer gosto de cerveja!



Junto esse cover, então, às músicas que me marcaram este ano. Pela música em si, pelo anúncio e por ser mais uma recordação de Vilar de Mouros.



Avancemos. Em finais de agosto, Bryan Adams lançou um álbum novo, Rolling With the Punches. Foi estranho: o cantor andava a prometer este álbum desde meados de 2024, se a memória não me falha. Lançou o primeiro avanço a 14 de fevereiro, mas o álbum em si só foi lançado seis meses depois. 



Como estava à espera, Rolling With the Punches segue a mesma linha de Shine a Light e So Happy it Hurts: músicas que Bryan provavelmente vai compondo quando se sente inspirado. Quando as tem em número suficiente na gaveta, lança-as em álbum e ganha mais uma desculpa para continuar em digressão. Ninguém espera que ele vá reinventar a roda ou que regresse às tabelas comerciais nesta altura do campeonato.



Dos seus três últimos álbuns, na minha opinião, So Happy it Hurts é o melhor. Em Rolling With the Punches, nem sequer gosto do primeiro single e só umas três músicas me cativaram – entre as quais, Never Ever Let You Go e Will We Ever Be Friends Again.



A minha preferida e uma surpresa agradável, no entanto, foi Love is Stronger than Hate. Musicalmente, Bryan faz algo que eu queria que fizesse há anos: um tema acústico com harmónica. Soa quase country/folk. 






Em termos de letra, Bryan entra em territórios sérios, quase políticos. É uma das primeiras vezes que o faz desde Into the Fire, um álbum na minha opinião não muito bem conseguido – no seu site, Jim Vallance chegou a escrever que ele e Bryan deviam ter deixado estes temas para músicos como Bono ou Bruce Springsteen. Apesar de ter uma afeição especial por músicas como Into the Fire, Heat of the Night e Home Again, infelizmente concordo. Penso que o próprio Bryan concorda, tendo em conta que raramente se ventura em temas deste género.



Em Love is Stronger than Hate, no entanto, Bryan acertou na mouche: conta a história de um veterando de guerra sofrendo de stress pós-traumático, procurando abrigo e consolo. Pergunto-me se Bryan se inspirou no próprio pai, também ele um veterano de guerra. 



Bryan, entretanto, lançou um álbum de Natal. Estou admirada por não o ter feito mais cedo, já que claramente gosta da época e, de vez em quando, sai-se com um tema natalício. Ainda assim, nem sei se isto conta bem como álbum: é essencialmente a gravação de um programa especial de Natal que passou na televisão canadiana. Bryan juntou-se a Alessia Cara, Barenaked Ladies, Alan Doyle e The Sheepdogs para cantar músicas de Natal.



Está engraçado q.b. Ganhei mais uns quantos temas para a minha playlist natalícia. Mas não foi nada que me tenha entusiasmado por aí além. 



Diz que Bryan vai lançar mais um álbum daqui a uns meses, Tough Town, mas parece que é essencialmente o CD bónus de uma das versões Deluxe de Rolling With the Punches, com uma mistura de versões acústicas de músicas desse álbum e algumas inéditas. Uma vez mais, não deve ser nada que me entusiasme.



Existe a possibilidade de Bryan voltar a Portugal este ano. Não que eu faça muita questão: ainda não passou assim tanto tempo desde novembro de 2024. Se ele vier, é provável que eu esteja lá outra vez, mas não tenho pressa. 



Agora temos de falar sobre Taylor Swift… e não vai ser fácil.



Durante a primeira metade do ano, fui continuando a explorar a discografia dela ao meu ritmo. O habitual nos raros períodos em que não andava a lançar álbuns ou a dar concertos, ou seja, em que não havia excesso de exposição. Andei a ouvir Fearless, a ouvir Red. Tive uma fase de obsessão com Untouchable – é uma música fofinha, reconfortante. Foi uma surpresa descobrir que se trata de um cover – soa muito Taylor, mesmo assim.







Ao mesmo tempo, aprendi a apreciar um pouco mais o The Tortured Poets Department. Continuo a achar que tem músicas a mais (não dá para ouvir a antologia de uma assentada, é demasiado entediante), momentos menos conseguidos em termos de letra e uma sonoridade demasiado monótona e pouco cativante. 



Ainda assim, existe muita coisa boa pelo meio. A minha preferida é loml. Também gosto de The Bolter, The Albatross, The Prophecy e de So Long London. Outros temas, como Fresh Off the Slammer, My Boy Only Breaks His Favorite Toys e Guilty As Sin… é quando estou para aí virada.



Em finais de maio, descobrimos que Taylor conseguiu recuperar os direitos sobre a sua música (a notícia saiu no mesmo dia em que anunciaram os Linkin Park no Rock in Rio. Foi um dia em cheio). Agora finalmente tinha “autorização” para ouvir as versões originais – muitas delas para mim desconhecidas.



Quais são melhores: as originais ou as regravadas? Tem de ser analisado caso a caso e não sou eu que vou fazê-lo – pelo menos não tudo de uma vez. Já tenho opiniões sobre algumas das minhas preferidas. Para começar, Red soa ótima em ambas as versões. Sparks Fly e sobretudo Long Live soam melhores nas versões originais. A primeira é cantada com um pouco mais de sentimento na versão de 2010. A segunda tem um instrumental mais detalhado – entre outras coisas, com umas notas de piano ausentes na Taylor's Version. 



Esta velha – para mim nova – versão de Long Live serviu-me de banda sonora para a vitória da Seleção Nacional na Liga das Nações, no ano passado. 



Por outro lado, as Taylor's Versions de Treacherous e sobretudo, uma vez mais, Untouchable são melhores que as originais. A voz de Taylor soa mais madura, mais rica, o que eleva ainda mais as músicas. 



Fica, agora, a incerteza em relação aos álbuns que faltam regravar. Na carta que anunciou a recuperação dos direitos, Taylor revelou que o seu álbum de estreia já estará regravado. É bem possível que o re-edite este ano, em jeito de celebração dos vinte anos de carreira. Reputation é uma incógnita maior. Taylor disse que não se sente capaz de regravá-lo – mas deu a entender que as faixas do baú poderão ver a luz do dia. Há quem especule sobre uma edição Deluxe e/ou de décimo aniversário que incluirá as faixas extra inéditas.



Tenho algumas impressões sobre Reputation, mas para já vou guardá-las. Ficam para quando o álbum for re-editado: seja de que forma for.







Eu estava satisfeita com a situação pós Eras: Taylor não completamente desaparecida, mas não no centro das atenções, dando-me tempo para, como referi antes, ir explorando a discografia dela ao meu ritmo. Em agosto, no entanto, a mulher decidiu anunciar mais um álbum de inéditas – mais sobre isso já a seguir. Um par de semanas antes depois, anunciou o noivado com Travis Kelce.



Eu fiquei tão contente com esta surpresa como qualquer pessoa. Estava no trabalho quando vi a notícia e não consegui evitar ir a correr contar a uma colega que também é fã. Acho bonito: depois de praticamente duas décadas de relações falhadas, de lições aprendidas sobre o amor, a vida, sobre si mesma, sobre o que quer e o que não quer, Taylor finalmente encontrou um homem que a adora, que encaixa com ela, que a apoia – e ela retribui na mesma moeda.



Só um aspeto me preocupa: Taylor parece ser incapaz de estar solteira. Só terminou uma relação de seis anos cuja validade – agora se conclui – há muito expirara para saltar para outro par de braços. Braços esses que toda a gente exceto a própria Taylor sabiam ser os errados. A coisa não durou, mas sempre inspirou a larga maioria do The Tortured Poets Department. Poucas semanas depois dessa – no máximo dois meses – terá começado a namorar o atual noivo.



Não me interpretem mal. Travis parece ser bom rapaz q.b., parece ser a pessoa certa e, de qualquer forma, a minha opinião vale o que vale. Mas espero que esta aparente carência de Taylor não se volte contra eles. 



Avancemos, então, para The Life of a Showgirl. Uma das primeiras coisas em que reparei, quando foi revelada a capa, foi que esta é parecida com a capa do single Head Above Water, de Avril Lavigne – admito, a capa de The Life of a Showgirl está melhor conseguida… tirando o efeito estilhaçado. Agora vejo que Head Above Water, o álbum, e The Life of A Showgirl têm algo em comum: ambos tentaram venderam-nos um conceito, um tema específico. Algo interessante… mas depois o álbum saiu e só duas ou três músicas seguem esse tema. O resto é mais do mesmo.



Esse conceito para The Life of A Showgirl, composto entre datas da Eras, era supostamente o que acontecia nos bastidores da digressão. À semelhança de muito boa gente, assumi que fosse um álbum sobre o impacto que a Eras teve na vida de Taylor, sobre a fama, sobre a sua carreira. O conceito de “showgirl” poderia ser apenas outro termo para “mulher do mundo do espetáculo”. A estética poderia ser uma forma de Taylor romantizar a sua própria vida.



The Life of a Showgirl é um álbum quase só de canções de amor. As únicas músicas que se encaixam no conceito de “showgirl” são o tema-título e quanto muito Elizabeth Taylor e Father Figure.







Não me vou alongar muito, pois já tem corrido tinta digital suficiente sobre Taylor e este álbum. Como outros disseram, The Life of a Showgirl mostra as piores facetas de Taylor: momentos parvos nas letras, falta de noção (Wi$h Li$t, CANCELLED!), a necessidade de ter um inimigo, de se fazer de vítima (Actually Romantic), superficialidade. Mesmo os momentos médio-bons – tirando, talvez, Father Figure – não trazem nada de novo e/ou que ela não tenha explorado melhor anteriormente.



O Expresso usou a expressão “não edifica nem destrói” na crítica que fez ao álbum. Ainda assim, acho que algumas das músicas destroem um bocadinho. De qualquer forma, The Life of a Showgirl não devia existir.



E nem sequer é apenas por o álbum não ser suficientemente bom. É também por toda a polémica que gerou, tanto entre os fãs mais acérrimos como os detratores mais fanáticos e todos os que se encontram no meio – algo que ia dando com muitos de nós em doidos.



Houve muito barulho nessa altura, muita má fé, muita estupidez. Mas também se fizeram muitas críticas legítimas, na minha opinião. Coisas que eu mesma tenho observado ao longo dos últimos anos. Ainda agora referi a falta de noção, a necessidade de ter inimigos – suspeito que seja para justificar a si mesma fazer de tudo para se manter no topo. Taylor gosta demasiado de ser o centro das atenções, de ser famosa, do dinheiro, do poder. Importa-se demasiado com a opinião dos outros, recorre a truques sujos para se manter no topo das tabelas de vendas, para vender coisas, apesar de já ser das pessoas mais ricas do planeta. Diz-se feminista, mas só o é a favor de si mesma e de quem não representa uma ameaça para si mesma. Para ela feminismo é o “direito” de praticar capitalismo selvagem. 



E infelizmente já cheguei à conclusão a que muitos chegaram: não existem mesmo bilionários éticos. Chegam à posição a que chegaram porque só querem saber de si mesmos, de expandir o seu império, independentemente de quem esmagam no processo. Veja-se Cristiano Ronaldo: há anos deixando-se usar para lavar a imagem da Arábia Saudita e, agora, já desceu ao ponto de lamber o cu as botas a Donald Trump. 



Taylor Swift ainda não chegou a isso e, em defesa dela, acho pouco provável que o faça. O documentário sobre a Eras, lançado em dezembro, realça os seus valores pró-LGBT e pró-diversidade em geral – algo que vai contra os princípios do Partido Republicano. E no ano passado Taylor declarou publicamente apoio a Kamala Harris – algo que muitos parecem ter esquecido.



Confesso que esta é uma questão muito completa, que merecia um texto à parte – eu nem sequer sou a melhor pessoa para escrevê-lo. Teríamos de falar do papel da música de intervenção, quer em Portugal, quer nos Estados Unidos – Bruce Springsteen, por exemplo, não ficou quieto perante o que se está a passar em Minneapolis. 







Dito isto, tenho refletido sobre o assunto ao longo dos anos, as minhas opiniões têm variado e é possível que volte a escrever sobre isto num contexto diferente. A minha posição atual é de que músicos, por muito ricos ou famosos que sejam, e celebridades em geral, não têm a obrigação de fazerem política. Se essa for a vontade deles, nada contra – mas isso não significa que percebam mais desses assuntos ou que as suas opiniões valham mais que as opiniões de qualquer um de nós. Voltando a Cristiano Ronaldo, nunca ninguém quis saber a orientação política dele – e agora ainda menos. 



No entanto, Taylor colocou-se nessa posição antes. No seu outro documentário, Miss Americana, exprimiu o desejo de estar “do lado certo da História”.  E agora, que existe uma organização literalmente assassinando os seus compatriotas nas ruas, ela não diz nada? Há fãs de Taylor que dizem que ela não têm a obrigação de consertar o mundo – sendo ela uma das mulheres mais ricas do mundo, não sei se concordo.



De uma coisa tenho a certeza: o mínimo que se exigia de Taylor neste momento – o mínimo era que não se deixasse ser cúmplice de tudo o que está a acontecer. A administração Trump lançou há uns meses um par de vídeos de propaganda usando músicas de Taylor: Eles têm feito o mesmo com músicas de vários outros músicos: SZA, Sabrina Carpenter (conhecida discípula de Taylor), Olivia Rodrigo, até Linkin Park. Todos contestaram o uso. Taylor podia perfeitamente ter feito o mesmo. À hora desta publicação, não o fez.



Taylor Swift. A mulher que virou o mundo da música do avesso para obter os direitos sobre as suas músicas, que foi atrás de Olivia Rodrigo por um suposto plágio de Cruel Summer, que envia notificações de violação de direitos de autor a vídeos de casamentos, mas que não faz o mesmo com governos fascistas. Não querendo chamá-la cobarde… ela é uma cobarde



Para ser justa, neste momento o barulho diminuiu um pouco, estamos melhor que há dois ou três meses. Dito isto, sinto-me muito desgastada com Taylor nesta fase e desejo que ela tire umas férias prolongadas. Não porque tenha problemas com a longevidade da carreira dela, ou porque ache que tem a obrigação de se boicotar a si mesma a favor de outra cantora pop, ou lá aquilo de que ela falou em entrevista no mês passado. Mas porque sinto que as partes boas da sobredosagem de Taylor não são suficientes para contrabalançar as partes más: a Eras já acabou há muito e a música está cada vez pior. Taylor está numa posição em que tem demasiado poder, em que ninguém lhe diz “não”, ninguém lhe sugere correções – uma situação perigosa – tudo o que produz é automaticamente um sucesso de vendas. 



Dito isto, como disse antes, muitas das críticas legítimas feitas a The Life of a Showgirl e às atitudes de Taylor vêm dos próprios fãs. Se ela continuar neste caminho, é possível que um dia destes o mundo se volte contra ela outra vez. 



O que desejo para ela – depois de se casar e de lançar as regravações que faltam – é que faça uma pausa para renovar a sua inspiração, re-inventar-se, desafiar-se, de modo a criar música melhor. Desejo que Taylor volte a fazer coisas boas em número suficiente para contrabalançar com as coisas más. Ou pelo menos que o barulho diminua o suficiente para eu poder continuar a explorar a discografia dela em paz. 






Vamos terminar esta retrospetiva falando sobre música portuguesa. Por estes dias, raramente ouço rádio mas, no fim de 2025, reparei numa moda, numa “trend”: coros masculinos. Gosto imenso. Fazendo lembrar cante alentejano ou tunas académicas. Músicas que têm o seu “quê” de tradicional mas não deixam de soar contemporâneas. O meu primeiro exemplo foi Tu na Tua dos Átoa, Luís Trigacheiro e Buba Espinho – a minha cabeça insiste em chamar-lhe Não Vás P’ra Casa Sozinha – e, um pouco mais tarde, Pôr do Sol, dos Vizinhos. Pelo meio, Diogo Piçarra (um artista que continuo a ouvir muito) lançou um álbum de versões das suas próprias canções. Esse álbum inclui um dueto em Tu e Eu com, lá está, os Bandidos do Cante. Eu adoro – na minha opinião é melhor que a versão original. 



Nestas últimas semanas, na transição entre 2025 e 2026, tenho continuado a explorar esse “género musical”, a ouvir músicas dessas bandas. A nível internacional (leia-se: a nível anglo-saxónico), as pessoas têm se queixado de que 2025 foi um ano mau em termos de música pop. Pessoalmente, entre Linkin Park, Lorde e Hayley Williams, sinto-me bem servida. E, de qualquer forma, na minha opinião, cá em Portugal a música pop está bem e recomenda-se.



À hora desta publicação, tirando a nova banda/projeto de Hayley Williams, Power Snatch, e Tough Town de Bryan Adams, até agora 2026 é uma incógnita em termos musicais. Não é grave – ainda vou passar muito tempo com Virgin e Ego Death at a Bachelorette Party, de Lorde e Hayley Williams respetivamente, enquanto trato dessas análises. Quando acabar – e deverei demorar uns meses – talvez já algo tenha mudado. 



Suspeito que 2026 irá valer sobretudo pelos concertos, à semelhança de 2024. 2025 foi um bocadinho pior que o seu antecessor em parte, precisamente, porque tive períodos com menos concertos – sobretudo dos Hybrid Theory, que andaram mais pelo norte nesse ano. O programa das festas destes últimos para 2026 ainda não foi revelado, mas eles vão voltar ao Lendas do Rock… e eu também. Já é qualquer coisa.



Antes disso, tenho uns quantos concertos dos grandes este ano. Como já referi antes, vou voltar a ver os Linkin Park no Rock in Rio. Três semanas depois, vou ao Nos Alive no dia 10 e no dia 11 de julho. Sim, dois dias seguidos. De início, só ia ver a Lorde – penso já ter referido num texto anterior que, do meu núcleo duro de artistas e bandas, ela é quem me falta ver ao vivo. Comprei esse bilhete quase de imediato. Entretanto, os Foo Fighters foram anunciados e uma amiga minha convenceu-me a ir vê-los também, dizendo que eles dão um bom espetáculo.







Não fui difícil de convencer. Os Foo Fighters são outro exemplo de bandas de rock a que tenho estado mais exposta nos últimos dois anos, conforme expliquei acima. À semelhança dos System of a Down, tenho algumas das mais conhecidas na minha rotação – a minha preferida neste momento é Learn to Fly. 



O meu trabalho de casa, agora, é ficar a conhecê-los melhor. A eles e aos The Pretty Reckless, que atuam no mesmo dia que os Linkin Park no Rock in Rio. Já devia ter começado a ouvi-los, na verdade, mas tive um mês de janeiro algo agitado. Vou tentar não adiar mais, mas lembrem-se do que escrevi antes: às vezes é um frete. 



2025 pode não ter sido um ano tão bom como 2024, mas não deixou de ter os seus pontos altos. Não deixei de ter dias bons, passados com os meus amigos ou com a minha família. Não deixei de ter experiências giras, primeiras vezes – num ensaio de banda, num palco, num clube de strip, a minha primeira tatuagem, fazendo crowd surfing. Coisas que impressionaram o meu eu de há dez ou vinte anos atrás. 



A verdade é que a regra dos últimos dois anos tem sido quase sempre a mesma: o micro às vezes é difícil, o dia-a-dia nem sempre é desagradável, mas, a nível macro, arrisco-me a dizer que sou feliz. Graças à minha família e aos meus amigos, sobretudo. A pior parte é ver as pessoas de que gosto passando por dificuldades e, claro, tudo aquilo que se passa no mundo fora da minha bolha. 



Só me resta esperar que as coisas melhorem em 2026, que o resto do ano corra melhor que janeiro. 



Como sempre, obrigada pela vossa visita. Deixo aqui as minhas músicas mais ouvidas no Spotify, bem como a habitual playlist criada por mim que, na minha opinião, reflete melhor o meu ano musical. No próximo texto iremos, então, falar sobre Lorde e Virgin. Continuem por aí.




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