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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Digimon Adventure 02: O Início

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Digimon Adventure 02: O Início estreou nos cinemas japoneses em outubro de 2023. Pouco mais de seis meses depois, no dia 16 de maio de 2024, chegou aos cinemas portugueses na sua versão original legendada. Fez parte de um ciclo de anime da Nos, que incluiu outros filmes do género: por exemplo, Spy x Family Código: Branco – um anime de que gosto muito, como penso já ter referido algures aqui no blogue.


O Início é protagonizado (bem… mais ou menos) pelo elenco de heróis de Digimon 02. Decorre pouco menos de dois anos após os eventos de Digimon Adventure Kizuna: A última evolução. Na minha opinião, Kizuna é uma das melhores coisas que Digimon alguma vez fez (só mesmo em termos de impacto emocional). Os temas que aborda – crescimento, perda, escolhas, lidar com o passado, encarar o futuro – são universais, daquelas lições que temos de aprender vezes e vezes sem conta. Vi o filme em três alturas diferentes da minha vida: em finais de 2020, quando me cansei de esperar pela estreia; em 2022, quando estreou a dobragem portuguesa nos cinemas; no encontro português do Odaiba Memorial Day (ajudou-me a lidar com algo sobre o qual escrevi aqui). 

terça-feira, 10 de julho de 2018

10 coisas para fazer este verão

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Há imenso tempo que não fazia uma destas. A Bruxa Mimi desafiou-me para responder à tag “10 coisas para fazer este verão”. Parece-me uma boa maneira de regressar a este blogue, após quase dois meses sem publicar. E também uma boa oportunidade de escrever sobre assuntos fora do habitual – nos últimos meses, pelo menos.


Eis as regras:



  • Agradecer a quem o nomeou, fazendo uma ligação para o blogue em questão;

  • Fazer uma lista de dez coisas que gostaria de fazer – e que sejam exequíveis – este verão;

  • Nomear cinco bloggers para fazer o mesmo.


Vamos a isso, então:


 


1) Recuperar do desgosto da expulsão do Mundial


Esta não deverá surpreender quem conheça o meu outro blogue. Quando isto acontece, quando Portugal é excluído de uma grande competição (o que tem acontecido sempre, tirando em há precisamente dois anos), fico chateada – às vezes durante uns dias, às vezes durante semanas, depende. Desta feita, contudo, não quero que o mau humor dure demasiado.


Não que esteja a ser muito mau, na verdade. Esta tag veio na altura certa: pensar nos planos que tenho para o resto da estação tem ajudado. Há de passar.


 

2) Publicar textos em atraso





…nomeadamente, o texto sobre Pokémon Omega Ruby e Alpha Sapphire, que queria ter publicado antes do Mundial. Quando terminei o gigantesco testamento sobre XY, pensava que tinha o primeiro rascunho sobre ORAS mais ou menos alinhavado. Esqueci-me que tinha deixado um enorme buraco no texto. Por outras palavras, tinha escrito o início e o fim, faltava o meio – ou, vá lá, uma parte dele.


Tentei ir preenchendo o buraco nos escassos intervalos entre textos do meu outro blogue, mas pouco progredi. Agora que estamos fora do Mundial, estou a tentar acabá-lo de vez.


É, de resto, a única vantagem de não termos chegado mais longe neste campeonato: agora tenho tempo para este blogue.


Depois deste texto, começo a escrever a análise a Bokura No Mirai, o último filme de Digimon Adventure Tri. O plano sempre foi escrevê-lo depois do Mundial e, de preferência, terminá-lo antes do fim deste mês. Está mais ou menos planeado, só falta mesmo escrever.


O que nos leva, aliás, ao próximo item desta lista...


3) Ir ao encontro do Odaiba Memorial Day Portugal





Depois de ter estado pouco tempo no encontro de 2016 e de ter falhado o encontro de 2017, este ano quero mesmo ir. Não vai ser no dia 1 de agosto, será no sábado anterior, o que é muito mais conveniente para mim, confesso. Pelo que se lê aqui, parece que o António se esmerou. Estou ansiosa por ver o resultado.



  • Tirar férias no Algarve


Eu adoro praia e o Algarve é o meu destino de eleição. Vou para o mesmo sítio todos os anos, desde miúda, mas é mais do que suficiente para mim. É capaz de ser o único local em todo o mundo onde consigo sentir-me verdadeiramente de férias, sem preocupações, sem dramas. Como reza uma frase que vi estampada numa t-shirt, a vida pura e simplesmente é melhor no Algarve.



  • Jogar jogos de tabuleiro com os meus irmãos

 




Esta é parecida com um dos itens da Bruxa Mimi. O meu irmão é emigrante, mas vem passar duas semanas connosco. Uma das coisas que mais anseio fazer com ele e com a minha irmã é precisamente jogar jogos de tabuleiro: sobretudo Munchkin (embora este seja mais um jogo de cartas) e Catan.


É engraçado que, numa era cada vez mais tecnológica, as pessoas continuem a achar piada a estes jogos.



  • Pôr leituras em dia


Eu ando uma vergonha em termos de leituras: nestes últimos dois anos, tenho lido muitos poucos livros – leio artigos do Pocket e assim, não tanto livros. Continuo a ler mais do que a maior parte das pessoas, é certo, mas menos do que queria. Em parte porque a escrita ocupa uma grande parte do meu tempo, em parte porque, muitas vezes, só tenho energia para me esticar no sofá, à frente do Netflix.


Quero ver se compenso durante as férias. Comprei uns quantos na Feira do livro mas, até agora, só li uma parte de “Inês da Minha Alma”, de Isabel Allende. Também já soube que o Joel Dicker, entretanto, lançou um livro novo. A ver se o compro.



  • Escrever sobre My Indigo e Post-Traumatic


Estes – My Indigo, o projeto lateral de Sharon Den Alden, dos Within Temptation, e Post-Traumatic, o álbum a solo de Mike Shinoda – são álbuns que saíram nos últimos meses, por pessoas que admiro muito no mundo da música. Ainda não tive oportunidade de ouvi-los com ouvidos de ouvir, de ler as letras como deve ser, de consultar as interpretações no Genius, mesmo de escolher as minhas faixas preferidas.


Quando acabar a análise a Tri, hei de escrever sobre eles aqui no blogue – mas sem pressas. Os últimos meses têm sido um bocadinho stressantes no que toca aos meus blogues. Depois do texto sobre Mirai, vou querer ir com calma. O “quem corre por gosto, não cansa” só é verdade até certo ponto. Às vezes, é necessário abrandar, ou mesmo parar.



  • Ir ao cinema






Este verão há uma série de filmes que quero ver. Queria ter visto o Deadpool 2 quando saiu, há um mês ou dois, mas não tive oportunidade. Felizmente, consegui ver os Incríveis 2, no fim de semana passado. Gostei muito. Está muito bem feito, ao nível do primeiro. O único problema que tenho com o filme, sem dar grandes spoilers, diz respeito à motivação do vilão – podia ter sido melhor explorada.


Por sua vez, a curta-metragem, Bao, antes do filme, deu cabo de mim. Acho que foi a primeira vez que chorei numa sala de cinema – e vocês sabem que eu raramente choro com estas coisas.


Para além deste, também quero ver o Mamma Mia 2 – é possível que o faça em família. E, mais tarde, o novo Missão Impossível. Por sua vez, estava renitente em ir ver o Ocean’s Eight, mas disseram-me que era giro. Talvez o veja.


  • Jogar Sims


O Sims é um jogo curioso. Costumo jogá-lo durante o verão (o Sims 3 saiu em junho de 2009 e o hábito ficou). Não sei se o mesmo acontece convosco, mas, quando começo a jogar, o jogo agarra-me, vicia-me, não consigo largá-lo durante horas. Ao fim de algum tempo, contudo, deixo de jogar, por um motivo ou por outro (na maior parte das vezes é porque as férias acabam). Durante vários meses quase me esqueço que o jogo existe. Até que a certa altura (geralmente por volta do verão) bate-me a saudade e começa tudo de novo.


Não sei explicar ao certo que me me vicia tanto no Sims. Talvez a possibilidade de sermos Deus, de termos controlo absoluto sobre vidas virtuais, de escrevermos as suas histórias – essencialmente como brincar com bonecos. Talvez por ser o único sítio onde se consegue ter casa própria e, para ter um emprego, basta pedi-lo.





Uma coisa que gosto de fazer, pessoalmente, é recriar personagens ficcionais e deixá-las como vizinhos NPCs. Às vezes resulta em coisas engraçadas – como quando recriei o elenco de Friends, e o Chandler traiu a Monica com… a Emma. Sim, a filha do Ross e da Rachel. Já adulta, atenção – mas sim, é um bocadinho incestuoso…


A versão que jogo é o The Sims 3: Ambições Profissionais. Não comprámos o Sims 4 porque, pelo que vi de Let’s Plays e críticas na altura, tiraram algumas das minhas partes preferidas do Sims 3: o Create-a-Style, que permite personalizar tudo até ao infinito, e a possibilidade de jogarmos com o bairro inteiro, sem inúmeros ecrãs de carregamento e com todos os NPCs envelhecendo ao mesmo ritmo. Prefiro continuar a jogar o 3, mesmo que já tenha quase uma década de vida.


Neste momento, estou na fase da saudade. No entanto, este item está bastante abaixo na minha lista de prioridades para este verão. Por muito divertido que seja o jogo, está longe de ser uma atividade produtiva ou mesmo muito saudável. Primeiro, está a praia, a escrita, os livros, os jogos de tabuleiro. Se houver tempo para o Sims, ótimo. Se não houver, paciência.



  • Convencer a minha irmã a jogar Pokémon Sun


Quando começou a sétima geração, o plano era eu e a minha irmão jogarmos Sun juntas. No entanto, era difícil arranjar períodos em que ambas estivéssemos livres e, sobretudo, eu via que a minha irmã não estava tão interessada no jogo como eu. Finalmente, no verão passado, ela deixou-me jogar Sun sozinha.


E assim fiz. Mais tarde, quando saiu Ultra Sun e Ultra Moon, comprei a segunda e joguei-a de imediato até ao fim.


Quero ver, contudo, se consigo convencer a minha irmã a jogar pelo menos Sun. A sétima geração é fixe, os jogos são bons. Quero falar com a minha irmã sobre eles e quero que ela os aprecie, tal como eu apreciei. Além disso, é uma boa maneira de recordar os jogos, para quando escrever sobre eles em Pokémon através das gerações.

 



E aqui está. Estiquei-me um bocadinho com as respostas, mas é assim que o meu blogue funciona. Mais uma vez, muito obrigada à Bruxa Mimi para o desafio. Se quiserem nomear-me para outras tags deste género, estou disponível.


Deixo, então os meus nomeados: a Magda, a Mula, a Psicogata, a Happy e o David.


Tenham um bom verão!

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Digimon Adventure Tri - Ketsui (Determinação) #2

1) Spoilers: as entradas desta série terão inúmeras revelações sobre o enredo do primeiro e segundo filmes de Digimon Adventure Tri e, possivelmente, dos enredos de Adventure e 02. Leia por sua conta e risco.


 


2) Alguns conceitos próprios desta série animada têm traduções controversas - na língua portuguesa, têm mais do que uma possível. Neste texto, vou adotar as traduções com que estou mais familiarizada e/ou que considero mais adequadas.


 


3) Apesar de as legendas do filme usarem os nomes japoneses das Crianças Escolhidas, eu vou usar as versões americanizadas dos nomes, visto que estou mais habituada.


 


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Nesta segunda parte (primeira parte aqui), vamos deixar as personagens um pouco de lado e passar à intriga do filme em si. São-nos dadas mais algumas pistas sobre o que se está a passar ao certo no Mundo Digimon e sobre as distorções. Daigo e Maki suspeitam que os Digimons Infetados tenham como alvo um dos companheiros dos Escolhidos – não são precisos muitos dedos de testa para se somar dois e dois e chegar logo a Meicoomon. Uma pessoa estranha que Daigo e Maki não cheguem a essa conclusão… ou será que chegam?


 


Entretanto, Leomon reúne-se com os Escolhidos no Mundo Real para fazer o ponto da situação. As informações dele ajudam Izzy a perceber que o que quer que esteja a infetar os Digimons está, igualmente, a provocar as distorções (impagável a reação dos Digimons dos miúdos, que debatem se devem usar repelente ou protetor solar para evitar infeções. Por outro lado, se forem como as bactérias multirresistentes, estão feitos…). A pergunta que se segue diz respeito à origem da infeção, ao primeiro Digimon Infetado – a resposta é-nos dada de maneira trágica.


 


Pelo meio, Izzy recebe um e-mail misterioso em digi-código. Depois de traduzido, este diz algo como “Aqueles que desejam o verdadeiro poder, devem conhecer a Escuridão e ir além”. Por alturas do fim do filme, fica claro que esta profecia, ou lá o que é, diz respeito às novas evoluções para nível Extremo/Hiper Campeão (sou a única aqui a ter um déjà-vu?), mas quando vi a profecia pela primeira vez, a minha mente saltou para Ken. Se há pessoa que conheça a escuridão e tenha ido mais além é ele. Mas antes de falarmos melhor sobre Ken – sim, vamos voltar a falar sobre Ken (*suspiro*) – digo que o significado desta profecia parece-me claro. Para os Escolhidos desbloquearem as Digievoluções para nível Extremo, terão de olhar para dentro de si mesmos, reconhecer os seus defeitos, o seu lado negro, e procurar ultrapassá-lo de uma forma ou de outra. Nada de inédito em Digimon, pelo contrário, este tem sido o seu ponto forte desde o início de Adventure. Segundo o que li na Internet, os produtores de Tri têm dado a entender que vão continuar a associar o estado psicológico das personagens às Digievoluções.


 


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Um dos (muitos) enigmas deixados pelo filme diz respeito ao autor deste e-mail – que também foi enviado a Maki. A resposta óbvia seria Gennai, não seria a primeira vez que ele dava uma mãozinha aos Escolhidos, mas porque não assinaria o e-mail? Estou, até, a estranhar a ausência de Gennai da história de Tri mas, tendo em conta que ele pouco mais é que um deus ex-machina, não acho que isso seja mau. Por outro lado, continuo com sérias dúvidas de que ele esteja mesmo a colaborar voluntariamente com a organização para a qual Maki e Daigo trabalham.


 


Queria falar agora de Maki. Em Saikai ela pouco mais era que uma motorista mas, em Ketsui, conhecemo-la melhor e o seu comportamento levanta algumas suspeitas. Já referi acima da cumplicidade entre ela e Meiko. Mais tarde, é a primeira a vislumbrar e a reconhecer Ken em modo Imperador Digimon (sim…) durante o festival cultural. Pouco depois, pergunta por Meicoomon e descobre que, à semelhança dos outros Digimons, está com Izzy no seu escritório. Assim que pode, atrai Izzy para o festival… enviando-lhe uma foto de Mimi num traje reduzido de menina de claque.


 


Lembram-se de eu ter elogiado Saikai por ter sido discreto na parte romântica da história? Pois, Ketsui não faz o mesmo. Para além das cenas das termas de que falei, somos brincados por duas vezes com um Izzy com cara… chamemos-lhe “de apaixonado”. Uma cara que todos nós sempre quisemos ver num herói de infância... só que não. Da segunda vez em que Izzy faz essa cara, a câmara faz questão de focar o busto e as ancas de Mimi antes. Menos, digi-guionistas, menos!


 


Regressando a Maki, há que assinalar o calculismo e frieza dela ao usar as hormonas de um miúdo de dezasseis anos contra ele. Ela oferece-se para tomar conta dos Digimons no escritório por ele mas, por sinal, estes já não lá estavam. Tinham conseguido convencer Leomon (que fazia as vezes de baby-sitter) a levá-los ao festival – destaque para o Meicoomon fazendo olhinhos de Gato das Botas do Shrek (algo que, em retrospetiva, é perturbador). No festival (depois de o filme perder tempo mostrando os Digimons entrando num concurso de máscaras) Maki consegui, finalmente, deitar as mãos a Meicoomon. Deixa-a sozinha no pátio da escola enquanto vai buscar um petisco às tendas. Poucos minutos depois, forma-se uma nova distorção de onde surge o Imperador Digimon, que agarra Meicoomon. Ninguém acredita que isto tenha sido acidental, sobretudo depois do que acontecerá bem no cair do pano. Muitos interrogam-se o que teria acontecido se Maki tivesse encontrado os Digimons no escritório, se teria conseguido convencer Leomon, Agumon e os outros a levar Meicoomon consigo.


 


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Uma das coisas que mais me incomodou em Saikai foi o facto de, depois de o filme começar com imagens de Davis, Yolei, Cody e Ken tombando perante Alphamon, nenhuma das outras personagens parece aperceber-se e/ou importar-se com o destino dos miúdos de 02. Agora apareceu-lhes Ken à frente de novo, em modo Imperador Digimon (depois de tudo por que ele passou para se redimir disso), acompanhado por Imperialdramon, aparentemente infetado (recordo que Imperialdramon resulta da fusão de Wormon com Veemon, o Digimon de Davis, mas deste último nem cheiro). Como é que os Escolhidos reagem, especialmente Kari e T.K.? Como se fosse um inimigo insignificante qualquer a regressar, como Etemon, não um Escolhido, um velho amigo desaparecido, que tinham ajudado a redimir, ao lado de quem tinham salvado o Mundo. Enquanto os via dizendo coisas como “Ele outra vez?”, “Que faz ele aqui?”, “Porque é que ele apareceu?”, a minha reação era esta. Eu quase gritava para o ecrã: “Alguém pergunte pelo Davis e os outros! Alguém perceba que eles estão desaparecidos!”.


 


Nesta altura do campeonato, já não existe explicação possível para o desconhecimento e/ou desprezo pelo destino dos miúdos de 02 (incluindo alterações de memória estilo Once Upon a Time) que não tenha buracos. É óbvio que os guionistas queriam focar-se nos protagonistas de Adventure, que lidar com oito (e agora nove) Escolhidos já é difícil, quando mais doze, mas… não existiam maneiras mais fáceis de excluí-los da história? Eu consigo arranjar algumas: os D3 deles avariados, os Digimons deles retidos no Mundo Digital, os quatro terem ido viver para outras cidades por um motivo ou outro. Pela via que tomaram, são capazes de estar a cavar um buraco da qual será difícil saírem. A boa notícia no meio disto tudo é que, depois daquele final, não vão poder adiar a questão por muito mais tempo – e, ainda assim, continuo com um feeling de que os digi-guionistas se vão enterrar ainda mais com esta história.


 


Mas passemos à luta em si com Imperialdramon, que se desenrola numa estranha dimensão criada pelas distorções para onde o Imperador Digimon levou Meicoomon. Este era o momento mais aguardado de todo o filme, sobretudo pelas estreias de Vikemon e Rosemon, os níveis Extremo/Hiper Campeão de Gomamon e Palmon, respetivamente). Estas estreias cumprem os requisitos que eu tinha definido? Mais ou menos. Ao contrário de muitos fãs, não achei que tenham vindo do nada, quanto mais não seja porque já tinha havido um bom desenvolvimento de Mimi e Joe – um progresso em relação a pelo menos metade das Digievoluções em 02. A epifania de Joe resulta um pouco melhor, pois ele tinha acabado de decidir lutar ao lado do seu Digimon (será daqui que vem o título Ketsui, que significa Decisão ou Determinação?). O grito de “Ike! GOMAMOOON!” forçou um bocadinho o drama, mas resultou. Teoricamente, Mimi, por esta altura, já poderia ter desbloqueado Rosemon – talvez precisasse do empurrãozinho final de Joe. Se tudo isto parece fácil comparado com Tai e Matt, que tiveram de levar com flechas? Parece. Mas sempre foi melhor que ter apenas Gennai e Azulongmon puxando uns cordelinhos.


 



 


À parte tudo isto, a batalha em si não desilude. O som do dispositivo digital ativando-se e as primeiras notas de Brave Heart emocionam e arrepiam como fazem desse o primeiro episódio de Adventure. As sequências de digievolução para os níveis Perfeito/Super Campeão e Extremo/Hiper Campeão por que ansiávamos não desapontam. Gostei em particular das Digievoluções para nível Perfeito, sobretudo de estas sempre me terem parecido apressadas em 02. Destaco os dispositivos mudando de cor e os símbolos das virtudes. Agora anseio por ver as does restantes Digimons.


 


Da primeira vez que vi o combate com o Imperialdramon estive sempre a beira do assento, sustendo a respiração. Há quem reclame por, agora, os Digimons nem sempre gritarem os nomes dos seus ataques, mas eu nunca achei grande piada a isso. Parece-me muito mais realista que Digimons em pleno combate poupem o fôlego para outras coisas. Como, aliás, já tinha assinalado na análise a Saikai, as lutas entre Digimons estão muito mais orgânicas.


 


Aparentemente, Leomon, Vikemon e Rosemon matam Imperialdramon (que, recordo, resulta da combinação de dois Digimons ligados a Escolhidos) e… nenhum dos Escolhidos se rala com isso. Por incrível que pareça, o mais estranho é o que acontece a seguir: o Imperador Digimon solta Meicoomon, assim sem mais nem menos, antes de desaparecer. Ele literalmente desvanece-se no ar. Não sabemos ao certo se aquele ela mesmo Ken ou uma cópia ou holograma ou projeção ou algo assim – ou seja, sabemos essencialmente o mesmo que sabíamos aquando dos primeiros trailers em que aparecia o Imperador Digimon. Também não sabemos se aquele era mesmo o Imperialdramon. Se for, que raio lhe aconteceu para ser infetado? Se não for, que raio era aquilo, então? Também uma projeção ou cópia? Outro Imperialdramon qualquer? Tudo isto vai dar à questão original: onde raio param Davis e os outros?


 


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O mais chocante acontece mesmo no fim, depois de os quatro Digimons regressarem ao Mundo Real. Um pouco do nada, o dispositivo digital de Meiko enegrece, Meicoomon muda de forma (não se percebe se evolui para o nível Perfeito ou se é apenas uma nova forma) e mata Leomon. Já é uma piada recorrente em Digimon, Leomon morre sempre, mas acho que ninguém estava à espera que acontecesse desta forma… Eu confesso que, quando Meicoomon deu o golpe fatal, fiquei com a mesma cara e a mesma reação dos Escolhidos: “Que acabou de acontecer aqui?”. Com o choque, nem sequer reparei no infame sorriso de Maki, que tem deixado os fãs em polvorosa. Enquanto os Escolhidos estão ainda a tentar perceber o que aconteceu, Maki vira as costas à cena, confirma que as distorções e os Digimons Infetados começaram com Meicoomon, e começa já a pensar na próxima jogada (ela é mesmo fria!). O filme termina com este cliffhanger, com Meiko aos gritos por Meicoomon. Da primeira vez que vi Ketsui, eu rebobinei para a frente nesta altura, a ver se existiam cenas pós-créditos como em Saikai, qualquer coisa que desvendasse o mistério, mas não.


 


Pelas internetes fora, já há quem especule que Maki está a ser controlada pela Escuridão e tal. Não concordo. Acho que já passámos essa fase, a preto e branco. Penso que Maki, pura e simplesmente, tem os miúdos e a população humana em geral como prioridade, os Digimons são-lhe indiferentes, mesmo sacrificáveis. Daí as armas que desenvolve, daí ter facilitado a captura de Meicoomon e ter sorrido quando este atacou Leomon – foi a confirmação daquilo que ela provavelmente vinha a suspeitar por algum tempo. É também por isso que eu não acredito que o Gennai esteja a ajudá-los. Pelo menos não voluntariamente, ou está a fazê-lo sem conhecer as verdadeiras intenções da organização.


 


Tivemos uma resposta sobre a origem das distorções e dos Digimons Infetados, mas é uma daquelas respostas que não esclarecem nada, que criam uma infinidade de novas perguntas. Queremos saber como Meicoomon foi infetada, se ela já nasceu assim ou se foi depois (há quem especule que o Digiovo que vemos no início de Saikai era o de Meicoomon). O que nos leva de novo à pergunta: como é que Meiko se tornou uma Escolhida? Com isto tudo, talvez Alphamon não seja o verdadeiro vilão da história, talvez, em Saikai, ele estivesse a tentar eliminar a fonte dos problemas todos. Mas isso não explica o interesse de Ken (se é que era mesmo ele) em Meicoomon – ele queria também eliminar a fonte de infeção ou queria espalhá-la ainda mais?


 


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É por estas perguntas todas que ficam por responder – e muitas delas são herdadas de Saikai – que não consigo gostar tanto Ketsui como gostei do seu antecessor. Além do mais, como fui dando a entender, as cenas de ação, de lutas entre Digimons, foram breves e só Palmon e Gomamon lutaram. Em Saikai pudemos ver todos os Digimons em pelo menos o nível Campeão, tirando Ikakumon e, apesar de ter apenas terem lidado com Kuwangamons (que é o equivalente no Mundo Digimon a lidar com uma praga de ratazanas), foi excitante – toda a equipa a lutar de novo, passados todos estes anos. Eu não me queixaria muito disso se isso significasse mais tempo para a caracterização das personagens. Não que esta não ocorra mas, lá está, há muita cena desnecessária neste filme – a visita às termas, o festival cultural, os Digimons dos Escolhidos portando-se como crianças travessas – que poderia ter sido trocada por mais tempo de antena para os combates ou para o desenvolvimento dos Escolhidos (Tai, Matt, Sora e T.K. fazem muito pouco neste filme). Por outro lado, eu não costumo criticar o CGI e outros aspetos mais técnicos (por falta de experiência, por normalmente valorizar mais o conteúdo), mas até a mim me incomodaram os ocasionais planos estáticos. Dá a ideia de que aquelas partes foram feitas um bocadinho em cima do joelho, o que dá a ideia de falta de consideração pelos fãs que aguardaram meses (ou se calhar anos) por esta série de filmes.


 


Admito que uma boa parte das opiniões que referi no parágrafo anterior possa mudar quando todos os filmes tiverem saído e pudermos vê-los em sequência. Por agora é desanimador termos esperado três meses por Ketsui e o filme perder tempo com fillers, fanservice desnecessário, comédia fácil e deixar quase todas as perguntas por responder. Por outro lado, à semelhança de Saikai e de, bem, Digimon em geral, é na caracterização das personagens que Digimon brilha, sendo aqui que Ketsui se redime.


 


Agora temos de esperar até 24 de setembro pelo próximo filme. Posso tirar um parágrafo para me queixar disso? Eu contava com um lançamento de Kokuhaku (Confissão) para julho ou agosto (desde que fosse depois do Euro 2016, por mim tudo bem). Idealmente seria à roda do Odaiba Memorial Day. Mas 24 de setembro? Seis meses depois deste? Eu até estou habituada a esperar por estas coisas – com a Seleção Nacional, que só faz jogos de longe a longe; com o drama que foram os lançamentos dos últimos dois álbuns da Avril Lavigne – mas seis meses? É muito tempo! Ninguém merece…


 


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Bem, já que tão cedo não voltarei a escrever sobre Digimon, quero especular um bocadinho sobre Kokuhaku. Consta que se focará em Izzy e T.K., algo que muitos têm estranhado. Toda a gente esperava que T.K dividisse o protagonismo de um dos filmes com Kari mas, na minha opinião, o parzinho já é um cliché quase tão grande como a morte de Leomon. O emparelhamento entre T.K. (que pouco tem feito em Tri) e Izzy será uma novidade, poderá ser interessante. Por outro lado, isto pode significar que Sora e Kari protagonização o quarto filme. Esta é uma parelha quiçá ainda mais interessante. Foram as minhas personagens preferidas quando era mais nova (Sora em Adventure, Kari em 02), mas têm sofrido de uma gritante falta de caracterização. Quero ver o que Tri fará com elas (rezando às quatro Bestas Sagradas do Mundo Digital para que os digi-guionistas não as releguem para meros interesses amorosos…).


 


Por sua vez, o título Confissão é intrigante. A hipótese mais óbvia é que sejam declarações amorosas – sendo este filme protagonizado por Izzy e T.K., tais declarações serão destinadas a Mimi e a Kari. Acho, no entanto, que existem outras possibilidades mais interessantes. Em Ketsui tivemos muitos segredos, muitas verdades por encarar: as dúvidas existenciais de Tai, como Meiko se tornou uma Escolhida, as verdadeiras intenções de Maki, o que aconteceu aos miúdos de 02 (é possível que alguém saiba mais do que aparenta). Tais segredos tiveram consequências trágicas em Ketsui, talvez estes venham à luz em Kokuhaku. Ou talvez não venham e as coisas se tornem ainda mais difíceis para os nossos adorados Escolhidos. Talvez não seja por acaso que Izzy vá ser um dos protagonistas de Kokuhaku – se há Escolhido que não suporte perguntas por responder, é ele.


 


Um aspeto que tem intrigado em relação ao poster de Confissão é o facto de o Digimon de Izzy surgir na sua forma Extrema, HerculesKabuterimon, mas o de T.K. aparecer apenas como Patamon. Se a isto acrescentarmos o teaser em que Patamon se despede de T.K. e este grita por ele, uma pessoa começa a recordar o que aconteceu em Adventure e a temer que o jovem volte a perder o seu Digimon. Não sei se é a melhor opção ir por aí – um segundo sacrifício de Patamon terá o mesmo impacto que o primeiro? Não me importarei, contudo, se voltarem a explorar este trauma de T.K., bem como a sua intolerância para com a Escuridão – pegaram nisso em 02, mas não o concluíram como deve ser, na minha opinião.


 


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Apesar de tudo – apesar das críticas que aponto a Ketsui, apesar de ainda termos de esperar seis meses por Kokuhaku – esta é uma ótima altura para se ser fã de Digimon (tal como é uma ótima altura para se ser fã de Pokémon). Mais de quinze anos depois, não apenas reencontramos os nossos heróis de infância, descobrimos mais sobre eles, conhecemo-los ainda melhor. Abrimos uma porta que julgámos ter ficado encerrada no final de 02. E ainda vamos no início, ainda há muito por descobrir acerca das eternas Crianças Escolhidas (Por favor! Por favor! Desenvolvam Sora e Kari como deve ser!).


 


Naturalmente, o próximo Odaiba Memorial Day será especial. Pelo menos é o que estão a tentar fazer no nosso país, aproveitando o “reacender da chama” (como referem na página de Facebook) que o lançamento de Tri proporcionou. Não sei muitos pormenores, mas a ideia seria fazer um encontro de fãs portugueses no dia 1 de Agosto, esse dia tão especial para a comunidade Digimon. Ainda não sei se posso ir, mas vou tentar.


 


Continuo um bocadinho de coração partido por Kokuhaku não sair por essa altura – nada me deixaria mais feliz do que ver o filme pela primeira vez com outros fãs no Odaiba Memorial Day (mesmo que significasse não vê-lo no próprio dia do lançamento e ter de evitar spoilers por uns dias). Há no entanto algo que bem poderia estrear nesse encontro: a dobragem portuguesa de Saikai, que está a ser realizada pelo AniMedia.


 



 


 


Por surpreendente que seja, inclusive para mim mesma, tendo em conta o que escrevi anteriormente sobre as dobragens portuguesas de Adventure e 02, eu fiquei entusiasmadíssima quando soube deste projeto. Foi uma daquelas coisas que eu não sabia que desejava até descobrir acerca delas – bem, cheguei a sonhar algumas vezes com uma dobragem portuguesa, logo, o meu subconsciente andou a enviar-me sinais. Já que vai ser uma realidade, espero que esta fique bem feita. E que aproveitem a minha sugestão de estreá-la no Odaiba Memorial Day em Portugal. Até lá...

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Digimon Adventure Tri - Ketsui (Determinação) #1

1) Spoilers: as entradas desta série terão inúmeras revelações sobre o enredo do primeiro e segundo filmes de Digimon Adventure Tri e, possivelmente, dos enredos de Adventure e 02. Leia por sua conta e risco.


 


2) Alguns conceitos próprios desta série animada têm traduções controversas - na língua portuguesa, têm mais do que uma possível. Neste texto, vou adotar as traduções com que estou mais familiarizada e/ou que considero mais adequadas.


 


3) Apesar de as legendas do filme usarem os nomes japoneses das Crianças Escolhidas, eu vou usar as versões americanizadas dos nomes, visto que estou mais habituada.


 


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Quando estava para ver o primeiro filme de Digimon Adventure Tri, Saikai, não sabia o que esperar. Sabia que decorreria três anos após os acontecimentos de 02, com o elenco de Adventure, mais nada. Não tinha grandes expetativas, pelo menos não em concreto. Tal como escrevi antes, Saikai não foi apenas uma trip de nostalgia, foi um exemplo do que Digimon tem de melhor. No entanto, em termos de enredo, serviu apenas para colocar as peças no tabuleiro, para definir o conflito – deixou imensas perguntas por responder.


 


Com Ketsui (que significa Determinação ou Decisão), o segundo filme que estreou no passado dia 11 de maio, a história foi outra. Desta feita, já as premissas tinham sido mais do que estabelecidas, já tinha uma ideia mais concreta do que nos esperava. Para além disso, desta vez fiz questão de ir-me mantendo a par de todas as pistas, teasers, trailers e afins que fossem saindo. As expetativas foram aumentando. Sabendo desde já que o filme se centraria em Joe e Mimi, queria saber o que fariam com eles, como seriam as estreias de Rosemon e Vikemon. Queria saber que raio aconteceu aos miúdos de 02. Queria ver a evolução das dúvidas existenciais de Tai, do seu desentendimento com Matt e, já agora, queria descobrir mais do que se estava a passar com os outros miúdos. Queria algumas respostas às perguntas deixadas no fim de Saikai. Será que Ketsui correspondeu às expetativas?


 


Bem…


 


A análise a este filme tem mais ou menos o dobro da extensão da análise a Saikai, pelo que virá dividida em duas. Esta é a primeira parte, publico a segunda assim que puder. Comecemos pelo resumo do filme, mais uma vez adaptado da Wikipédia:


 



“Enquanto Joe fica em casa a estudar para os exames de acesso à faculdade, os Escolhidos e seus Digimons vão de passeio a uma estação termal, onde eles se deparam com Daigo Nishijima e Maki Himekawa. Na estação termal, as raparigas passam por uma inconveniência quando Biyomon e Meicoomon são separadas delas e acabam por invadir o balneário dos homens. Após o passeio, Maki e Daigo testam armas especializadas contra um Ogremon infetado que havia aparecido. Ogremon acaba por ser levado de volta para o mundo digital por Leomon. Mais tarde, enquanto Mimi preparava um café temático de meninas de claque para o festival cultural da escola, Ogremon regressa, desta feita na zona onde Mimi e Meiko se encontram. Mimi tenta lutar contra o Ogremon infetado, na esperança de melhorar a reputação dos Digimons. No entanto, os ataques de Togemon provocam a queda de um helicóptero de notícias nas proximidades, resultando no efeito oposto. Enquanto Leomon se aproxima dos Escolhidos, explicando o que aconteceu com Ogremon quando ele ficou infetado, Mimi é repreendida pelos amigos pelas suas ações aparentemente egoístas. Enquanto Mimi lamenta o quão egoísta ela tem sido, ela ouve Joe dizendo que ele tem evitado os combates com os Digimons para tentar encaixar-se na idade adulta, lamentando sua própria covardia.


 


No dia seguinte, Gomamon decide fugir da casa de Joe, Izzy recebe uma mensagem estranha em código digital. No dia do festival cultural, Meiko mostra o seu apoio a Mimi vestindo o fato de menina de claque que as duas tinham desenhado para o café. Entretanto, os Digimon infiltram-se no festival para tentar ganhar um concurso de máscaras para comerem de graça no festival. Gomamon reencontra-se com Joe e diz-lhe que fugiu porque sentiu que Joe não queria mais lutar a seu lado. Joe enfurece-se e deixa Gomamon sozinho. Nessa altura, Meicoomon é capturado por Ken Ichijouji, que parece ter revertido para o seu alter-ego Imperador Digimon. Palmon e Gomamon, juntamente com um Leomon parcialmente infetado, perseguem-no até um portal das distorções digitais. No interior da distorção, Ken aparece lado a lado com um Imperialdramon infetado, sendo que Imperialdramon é (o nível Extremo/Hiper Campeão da fusão dos Digimons Wormmon e Veemon, parceiros Digimon dos antigos Escolhidos Ken Ichijouji e Davis Motomiya). Kari convence Joe regressar para junto de Gomamon e lutar ao lado dele. Superando suas próprias preocupações em nome do seu parceiro, Joe consegue fazer Gomamon digievoluir pela primeira vez até seu nível Extremo/Hiper Campeão, Vikemon. Mimi também consegue fazer Palmon digievoluir até sua forma no nível Extremo/Hiper Campeão, Rosemon. Até esse momento, apenas Agumon e Gabumon tinham conseguido atingir esse nível, no caso destes WarGreymon e MetalGarurumon. Os Digimons conseguem derrotar Imperialdramon e regressar com segurança ao Mundo Real. No entanto, Meicoomon torna-se de repente hostil, matando Leomon e escapando para o mundo digital.”



 


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Um dos maiores problemas de Ketsui diz respeito aos fillers. Uma das coisas que elogiei na primeira temporada de Adventure foi o facto de não ter quase nada só para encher chouriços, quase tudo o que acontecer contribui para avançar a história ou, pelo menos, para desenvolver as personagens e as relações entre elas. Uma pessoa ainda pode tolerar um ou outro filler numa série de televisão normal, com episódios todas as semanas, mas esta uma série de apenas seis filmes, que só saem de tantos em tantos meses. É no mínimo frustrante termos passado semanas especulando sobre este filme, sobre os mistérios apresentados em Saikai, para depois Ketsui perder tempo com uma visita a uma estância termal e um festival cultural em que pelo menos metade das cenas são irrelevantes, os combates entre Digimons serem despachados em minutos e quase todas as perguntas ficarem por responder.


 


O dia passado na estância termal sempre serviu para fazer alguns desenvolvimentos discretos, se não tanto em termos de enredo, pelo menos em termos de personagens. Não sou grande fã de Meiko, mas, sendo eu uma pessoa um bocadinho tímida e introvertida, identifico-me um pouco com ela. Gostei da maneira calorosa como os Escolhidos (resolvi deixar de dizer Crianças Escolhidas pois o termo, obviamente, já não faz sentido) receberam o novo membro do grupo, sobretudo Mimi (mais sobre isso adiante). Por outro lado, isso fez com que Meiko roubasse o protagonismo à maior parte dos Escolhidos que conhecemos e adoramos quando a novata não é assim tão interessante como personagem – a partir de certa altura, os seus modos envergonhados começam a cansar.


 


O episódio das termas serviu também para mostrar um pouco da relação entre Meicoomon e Meiko (uma nota: só eu acho irritante o facto de uma Escolhida e o seu Digimon terem praticamente o mesmo nome? Que falta de imaginação…). Os companheiros dos Escolhidos sempre foram, regra geral, um pouco acriançados mas Meicoomon chamou-me a atenção por ser extremamente dependente de Meiko, quase como uma criança pequena depende da sua mãe. Tendo em conta o que acontece no final do filme, este comportamento gera algumas suspeitas. Eu, pelo menos, gostava de saber exatamente como é que Meiko se tornou uma Escolhida e conheceu Meicoomon – sobretudo tendo em conta que, ao que parece, ela e Maki já se conheciam havia algum tempo (desde o início de Saikai?).


 


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Também deu para descobrir um bocadinho mais sobre a misteriosa organização governamental e, sobretudo, sobre os agentes que conhecemos: Daigo e Maki. Percebe-se que Daigo gosta dos miúdos, preocupa-se genuinamente com eles. Maki é mais desprendida (de uma maneira que chega a causar impressão, conforme veremos adiante), mais focada no trabalho que tem de fazer. Percebe-se que a intenção da organização é manter os Escolhidos de fora dos combates, dentro do possível. Se por um lado se compreende que eles não queiram depender de adolescentes para proteger a população, por outro é óbvio que há coisas que eles querem esconder dos Escolhidos – sobretudo aquelas armas especiais para Digimon, calculo eu. Aparentemente, os miúdos não vão muito na conversa deles. Algo que é de esperar, sobretudo Izzy, que sempre gostou de ter a informação toda e que, por esta altura, começa a assumir, discretamente, o papel de líder do grupo. Eu mesma, se estivesse habituada a salvar o mundo desde uma idade em que alguns ainda não sabem apertar atacadores, também ficaria incomodada se, de repente, viessem adultos fazer o trabalho por nós. 


 


Por fim, segundo T.K., a viagem às termas serviria também, mais uma vez, para ver se Tai e Matt fariam as pazes. Eu não sei qual é a melhor maneira de persuadir dois rapazes de dezassete anos a ter uma conversa franca, mas não me parece que metê-los seminus numa sauna e/ou fonte de água quente seja a opção mais eficaz. Na verdade, nesta altura do campeonato, eu recomendaria um terapeuta de casais. Mas já falaremos do “casalinho” adiante.


 


Tirando isso, as cenas nas termas foram mais fanservice e humor fácil que outra coisa qualquer. Algumas semanas antes de sair Ketsui, eu tinha-me queixado pelas internetes fora por, em materiais promocionais, as raparigas aparecerem em biquíni e os rapazes completamente vestidos. Ao menos agora repôs-se a igualdade… E, confesso, diverti-me demasiado com a cena em que as meninas invadem o balneário masculino. Mimi cantando I Wish para distrair os homens? Impagável! Claro que tinha de vir T.K. em socorro de Kari, qual Cavaleiro Andante em pelota. Por outro lado, Meiko pode ser muito envergonhadinha e tal, mas teve lata suficiente para dar uma espreitadela a Tai.


 



 


Enfim, isto pode ter sido só fanservice e tal, podia (acho mesmo que devia) ter sido cortado do filme sem grandes consequências, mas ao menos conseguiu fazer-me rir como uma parvinha. O mesmo não posso dizer do festival cultural, que tem os seus momentos, mas perde demasiado tempo com cenas irrelevantes.


 


Lá iremos. Depois de Tai ter sido o protagonista de Saikai, em Ketsui o protagonismo é dividido entre Mimi, Joe e, em parte, Meiko. Mimi foi uma das minhas personagens preferidas em Saikai e o mesmo torna a acontecer neste filme. Conforme escrevi antes, em contraste com os seus modos caprichosos e irritantes em Adventure, em Tri, Mimi traz vida e alegria a um grupo que, por esta altura, tem tendência a cair no desânimo – com um Tai invulgarmente apático, um Matt sempre de mau humor, uma Sora constantemente tentando manter a paz, um Joe sempre ausente e Izzy e Kari, personagens mais discretas. Mimi é extrovertida, despreocupada, incapaz de duplicidade ou hipocrisia, de esconder o que pensa e sente – algo que se vira contra ela, neste filme. Mimi enfrenta Ogremon quando este aparece segunda vez no Mundo Real, ajudada apenas por uma inexperiente Meiko, contrariando instruções explícitas de Izzy, numa tentativa de mudar a opinião pública sobre os Digimon. No entanto, sai-lhe o tiro pela culatra quando Togemon atira um helicóptero da Comunicação Social para o lago.


 


Leomon acaba por levar Ogremon de regresso ao Mundo Digital – o confronto de Ogremon com Togemon e Meicoomon não dura muito, depois de o mesmo ter acontecido com a primeira aparição de Ogremon no Mundo Real. No rescaldo do combate, Mimi leva nas orelhas por ela não ter esperado pelos amigos, chegando a ser apelidada de egocêntrica por parte de Izzy.


 


Todos concordam que existe verdade nas palavas de Izzy, incluindo a própria Mimi. A jovem leva as críticas do amigo muito a peito, até porque acaba por ouvir críticas semelhantes a propósito da sua ideia para o café temático do festival cultural. Para ser justa, eu adoro-te Mimi, mas eu também não quereria ser transformada numa empregada do Hooters, que é a inspiração de Daters, a cadeira de restaurantes americana ficcional que Mimi refere (para aqueles que não sabem, Hooters é uma cadeira de restaurantes americana em que as empregadas usam trajes reduzidos e a sua função é esbanjarem sex appeal. Pelas descrições, parece-me nojento. Ao menos em Daters são meninas de claque, o que sempre é um bocadinho melhor. Só um bocadinho…).


 


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Desde que a conhecemos, Mimi diz o que pensa e sente e a verdade é que a narrativa não a tem censurado por isso – pelo contrário, é-lhe atribuído o Cartão da Sinceridade. O mesmo acaba por acontecer em Ketsui, de certa forma, pois os Escolhidos que, neste filme, tentam esconder o que estão a pensar e a sentir não o fazem muito bem. Joe diz a Mimi, com razão a meu ver, que mais vale ser-se egocêntrica mas honesta, agir de acordo com as convicções, do que cobarde – mais sobre isso adiante. Mais tarde, Meiko executa a ideia de Mimi para o café temático. Sora faz as fatiotas, piscando o olho ao epílogo de 02 (Lindos meninos, digi-guionistas, lindos meninos!). Acabam por chegar a um meio-termo com as colegas: apenas Mimi e Meiko vestir-se-ão como meninas de claque. Isto é o suficiente para fazer com que Mimi recupere o ânimo.


 


Eu gosto da amizade que se formou entre Mimi e Meiko. Noutra qualquer história de adolescentes, uma personagem feminina semelhante a Mimi seria aquela miúda popular do liceu, que rebaixaria pessoas mais tímidas e discretas, como Meiko. Mimi faz o exato oposto, passa o filme quase todo tentando espevitar a nova amiga, fazer com que ela perca a timidez. É essa a qualidade redentora de Mimi. Para além de ser incapaz de duplicidade, ela tem o coração no sítio certo, não precisa de pisar ninguém para se sentir bem consigo mesma. A amizade entre Mimi e Meiko fez-me lembrar, aliás, a amizade entre Kari e Yolei, em 02. Tri chegou a fazer quase copy-paste do diálogo do episódio da digievolução ADN, em que Kari diz que admira Yolei por esta ser capaz de exteriorizar os seus sentimentos, ao contrário dela. Faz sentido pois, como escrevi antes, Yolei é praticamente uma cópia de Mimi e Kari tem também um lado reservado (ainda que este não se note tanto agora, que está mais velha e entre amigos que conhece há anos). Esta amizade caracteriza mais Mimi do que Meiko, contudo. Esta continua o mesmo enigma que era no início de Saikai.


 


Os problemas de Joe em Ketsui são mais complicados. O jovem continua a manter-se afastado da ação por causa dos estudos mas, tal como adivinhei, a questão é mais complicada que uma simples incompatibilidade de horários. Joe está numa altura crucial da sua vida, para o seu futuro, e sente que o seu dever como Escolhido é algo que o prende ao passado. E a verdade é que ele nunca escolhera ser… bem, uma Criança Escolhida, tal responsabilidade fora-lhe imposta – estou até admirada por ser esta a primeira vez, tanto quanto me lembro, em que um deles se revolta contra a condição de Escolhido. Por isso, vai usando o trabalho académico para se esquivar aos outros Escolhidos, mas a verdade é que ele também não está a ser particularmente bem sucedido nos seus estudos. Tudo isto faz com que Joe acumule autocomiseração, se sinta um cobarde, alienando Gomamon no processo.


 


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Acho que nunca vimos Joe tão em baixo. Como li no Twitter, ele parecia preso numa canção dos Simple Plan em início de carreira. Eu tive vontade de abraçá-lo, sobretudo nos momentos em que desfez em lágrimas. Não é fácil ver uma personagem que conhecemos e adoramos há tantos anos a sofrer.


 


Antes de voltar a falar sobre Joe, queria falar sobre outra personagem enfrentando um dilema semelhante: Tai. Apesar do que aconteceu na batalha final de Saikai, o jovem continua essencialmente com as mesmas dúvidas sobre o que estão a fazer. O problema é que, desta feita, ele não fala disso. Ele podia ter aproveitado o incidente do helicóptero para dizer algo como: “Estão a ver? É disto que tenho tido medo! Aquelas pessoas podiam ter morrido! Podemos falar sobre isto, por favor?”. Em vez disso, fica calado e deixa Mimi arcar com a culpa – mesmo depois de, em Saikai, ele e os outros terem causado danos semelhantes. Mimi foi imprudente, sim, mas ao menos tentou mudar uma situação com a qual não estava satisfeita, o que é mais do que podemos dizer de Tai. Como diria Joe, mais vale ser-se egocêntrico do que cobarde e, por muito que me custe dizer isso, Tai está a agir como um cobarde. Chega a ser doloroso vê-lo tão apagado, perdendo a liderança do grupo para Izzy. Eu compreendo que ele tenha medo de que Matt se chateie a sério e se afaste do grupo (algo que chegou a fazer temporariamente em Saikai) caso perceba que Tai continua com dúvidas, mas, pela maneira como as coisas estão, acho que Matt se vai chatear mais cedo ou mais tarde, quanto mais não seja pelo silêncio de Tai. E, para ser sincera, eu até estava do lado de Tai no primeiro filme, mas já começo a torcer para que Matt lhe dê um murro, como costumava fazer antes. A sério. Yagami, rapaz, eu adoro-te, mas, em nome de todos os monstrinhos digitais, recompõe-te!


 


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A paciência pode ainda não se ter esgotado a Matt em relação a Tai, mas esgotou-se a Gomamon em relação a Joe. O Digimon andava a fazer o que podia para apoiar o seu Escolhido (incluindo noodles com um ovo estrelado por cima, inveja…), mas a certa altura percebe a mensagem e sai da casa de Joe, sem lhe dizer nada. Pode ter sido um bocadinho infantil, sobretudo a parte de Gomamon pedir a Izzy que não diga onde ele está, mas era a única maneira de obrigar Joe a enfrentar a verdade.


 


Curiosamente, é Kari quem chama Joe à razão. A jovem faz-lhe ver que que, mesmo que Joe não saiba o que está a fazer com a sua vida, mesmo que Joe precise de uma explicação para a sua condição de Escolhido, Gomamon fora Escolhido com ele. Eles estavam naquilo juntos e Joe não lhe podia voltar as costas, independentemente de quem os escolheu para aquela missão que não parece ter fim. O jovem percebe isto numa altura em que Gomamon lutava contra Imperialdramon (mais sobre isso adiante).


 


Poder-se-á traçar um paralelismo entre o arco de Joe em Ketsui e o arco de Tai em Saikai. Ambos enfrentam sérios dilemas sobre o seu dever como Escolhidos ao longo dos respetivos filmes. Eventualmente, cada um dos rapazes se vê entre a espada e a parede e é obrigado a lutar, não necessariamente porque tenham ultrapassado aquilo que os incomodava, antes por alguém de quem gostam. No caso de Tai, esse alguém é Matt. No caso de Joe, esse alguém é Gomamon.


 


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A questão que se coloca é se as dúvidas de Joe estão de facto ultrapassadas ou apenas temporariamente silenciadas. Ficou claro neste filme que Tai não ultrapassou as suas. Estas, aliás, terão feito com que Omegamon/Omnimon se desfizesse. Não que isso tenha tido consequências práticas (só depois de ver Ketsui é que fui rever essa cena e reparei que, realmente, Omegamon começa a desfazer-se um ou dois segundos antes de Alphamon fugir pela distorção), mas foi o suficiente para Matt ficar ainda mais irritado.


 


 


Por sua vez, Joe pareceu seguro de si durante a luta com Imperialdramon. Talvez fazer alguma coisa, tomar uma decisão (será daqui que vem o título Ketsui?) e ser bem sucedido lhe seja suficiente para sair do buraco onde caíra, para se deixar de se sentir como um cobarde. É provável que o jovem ainda não saiba ao certo como conjugar os seus deveres académicos com os seus deveres como Escolhido, mas eu quero acreditar que Joe não tornará a virar a cara à luta, nem que seja só por Gomamon.


 


Por fim, dizer apenas que houve quem estranhasse ser Kari a aconselhar Joe, mas eu acho que faz sentido. Para além de dar a Kari algo para fazer, acabámos de ver que o dilema de Joe não é muito diferente do dilema de Tai. Acredito que, no futuro, a jovem voltará a intervir, desta feita para ajudar o seu onii-chan.


 


Mas continuo a achar que a maneira mais eficaz de fazer Tai acordar para a vida é um murro bem dado por Matt.


 


E com este pensamento concluímos a primeira parte da análise a Ketsui. Segunda parte em breve.


 


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sábado, 24 de janeiro de 2015

Top 7 filmes Pokémon #2

Segunda parte do meu Top 7 de filmes Pokémon (primeira parte aqui), hoje que faço anos. Entramos agora no pódio. Cada um destes três filmes são os meus favoritos por motivos diferentes e, de uma maneira tipicamente minha, nem sempre racionais. 


 


3º) Arceus And the Jewel of Life/Arceus e a Jóia da Vida


 


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O décimo, décimo-primeiro e décimo-segundo filmes são um caso excecional no franchise ao formarem uma trilogia: as premissas das duas primeiras metragens são explicadas na terceira. O décimo filme, The Rise of Darkrai/A Ascensão de Darkrai, é fraquinho; o décimo-primeiro, Giratina And the Sky Warrior/Girantina e o Guerreiro Celeste é melhorzito; o décimo-segundo, Arceus and the Jewel of Life/Arceus e a Jóia da Vida, como podem ver, está no meu pódio.


 


Na mitologia do franchise, Arceus criou, entre outros que não entram neste filme, o lendário Dialga - que governa o tempo - o lendário Palkia - que governa o espaço - o lendário Giratina - que foi posteriormente banido para o Mundo Inverso. Terá também criado o próprio mundo Pokémon. Embora nunca tenha sido oficialmente confirmado tanto quanto sei (provavelmente para evitar a previsível controvérsia), entre os fãs Arceus é considerado o Deus deste mundo.


 


Um rápido aparte só para apontar que, conforme referi antes, por essa lógica, Giratina será o equvialente a Lúcifer. 


 


Não sei se é por acaso, se sou eu que o vejo assim por saber, de antemão, do suposto carácter divino de Arceus ou por ter visto este filme pela primeira vez no dia de Páscoa (por mera coincidência, juro!), mas eu noto algumas características bíblicas no enredo deste filme. Para começar, o elenco principal viaja até ao passado (sobre essa vertente, falarei a seguir) para uma era que se assemelha à Antiguidade. Arceus, neste filme, não se assume exatamente como um deus todo-poderoso, mas sim como uma figura divina mas com vulnerabilidades (as dezasseis placas até têm um formato a fazer lembrar as tábuas nos dez mandamentos). Na verdade, assemelha-se um pouco a Jesus que, afinal de contas, era humano em tudo menos no pecado e nos milagres que praticava. Arceus também passa por uma espécie de ressurreição. A personagem Damos assemelha-se a um profeta, ao procurar cumprir a vontade da figura divina, perante a oposição dos demais. Também já vimos seres humanos arrogantes ao ponto de se acharem mais poderosos que a figura divina. Bem como vermos essa figura divina sendo traída (ou assim parece) e ganhar ódio à sua própria Criação.


 


O que me leva ao tópico seguinte. Tal como em Spell of the Unown, temos um vilão relativamente bem construído, com motivações legítimas, mas que opta pelos meios errados. Além disso, este filme tem, talvez, um dos melhores dos chamados "plot twists" de todos, ao percebermos quem é o verdadeiro vilão e assitimos à manipulação por ele praticada. 


 


Depois temos a parte das viagens no tempo, fazendo uso das capacidades de Dialga. Viagens no tempo não são inéditas nem nos filmes nem na série animada, mas tanto quanto sei é a primeira vez que envolvem uma porção tão grande do elenco. Há certos aspetos que fazem alguma confusão na maneira como abordaram o conceito: o tempo no presente continua a correr enquanto o elenco está no passado; quando parece que Arceus vai morrer, os viajantes do tempo começam a desintegrar-se; quando eles regressam ao presente depois de mudarem o passado, eles veem literalmente o presente sendo corrigido.


 


Para mim, o aspeto mais confuso é o desvanecimento do elenco. Não se percebe se eles estão a regressar ao presente ou se estão, pura e simplesmente, a desaparecer, mesmo a morrer. O que se diz é que, com a morte de Arceus, os acontecimentos que motivaram a viagem no tempo desaparecem, logo, o elenco não tem motivos para estar ali. No entanto, quando no fim Arceus sobrevive em paz com Damos, eles também não teriam razões para ir ao passado. Aliás, o filme contradiz-se quando o tempo assume rapidamente que Arceus vai morrer e apressa-se a eliminar os viajantes. Mas quando se chega ao final feliz, o tempo espera até o elenco estar de volta ao presente para fazer as respetivas correções. É um paradoxo temporal de deixar o cérebro em nós...


 


A ideia que fica é que os guionistas quiseram dar mais drama à situação, o que era perfeitamente desnecessário, e mesmo prejudicial. Tal como li em críticas à quinta temporada de Lost, tanto quanto se sabe, nunca ninguém viajou no tempo, logo, quaisquer regras que possamos definir nunca poderão ser confirmadas nem refutadas. Uma pessoa pode aceitar o pressuposto de que o tempo continua a correr enquanto os viajantes estão no passado e que estes mesmo testemunham as correções. O desvanecimento é que contraria a lógica toda.


 


De qualquer forma, tenho mesmo de ver a trilogia Regresso ao Futuro. E talvez um dia eu mesma inclua viagens no tempo num dos meus livros - muitos dos trabalhos de ficção de que gosto incluem ou, pelo menos, já as incluíram.


 


Em suma, como poderão deduzir do testamento (no pun intended) que escrevi sobre ele, considero Arceus and the Jewel of Life um dos filmes mais intrigantes de todo o franchise. É arrojado, ambicioso (mesmo com a falha que expliquei acima), qualidades que também caracterizam Spell of the Unown, ainda que de uma forma diferente. Para mim e para a minha irmã é já o nosso filme de Páscoa.


 


2º) Lucario and the Mystery of Mew/Lucario e o Mistério de Mew


 


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Este é um dos filmes mais populares do franchise, considerado um dos melhores, senão o melhor. Tanto quanto sei, foi o único a ser nomeado para um prémio de filmes do género. À semelhança do que acontece com outros filmes deste top, Lucario and the Mystery of Mew é uma película mexe com as nossas emoções.


 


Para começar, Lucario é uma das personagens mais interessantes de todos os filmes. Ao julgar-se abandonado pelo seu treinador (que ele trata por Mestre), Lucario tem uma forte nocção de dever e honra, à semelhança dos cavaleiros de tempos antigos. No entanto, possui também uma personalidade amarga, cínica, orgulhosa, não acredita nos laços entre Pokémon e treinadores, entrando em conflito com Ash. Isto numa altura particularmente difícil para o jovem treinador, uma vez que este se encontra à procura do seu Pikachu.


 


Este aspeto é outro dos pontos fortes do filme. Eu sempre tive um chamado "soft spot" por Ash e Pikachu, desde o episódio piloto em que se formou o laço inquebrável. De uma das poucas vezes que chorei com algo que vi na televisão, foi quando julguei que eles se iam separar definitivamente (hoje tenho a noção de que isso nunca aconteceria, mas eu tinha dez anos na altura). A abordagem televisiva do franchise pode ter muitos defeitos, mas nesta ligação tem acertado em cheio. Este filme é mais um exemplo.


 


Este laço entre Ash e Pikachu é uma das coisas que contribui para a evolução de Lucario ao longo do filme. Isso e a descoberta da verdade sobre Sir Aaron, o seu mestre. Mais do que lutas grandiosas envolvendo lendários (ainda que estas não sejam coisas más), este é um filme que se centra em emoções, na ligação entre humanos e Pokémon. Que, em última instância, são o centro de todo o franchise.


 


1º) The Power Of One/O Poder Único


 


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Quem já tiver lido o meu Top 10 de filmes de animação não se surpreenderá com o filme em primeiro lugar nesta lista. Nessa entrada, já expliquei os motivos pelos quais gosto imenso de Power of One/O Poder Único, motivos que se mantém, bem como as falhas que listei. Hoje sei que, em termos estritamente racionais, outros filmes do franchise estão melhor feitos, com personagens e enredos melhor construídos - como o segundo, tercido e quarto filmes desta lista. Power Of One está em primeiro sobretudo por uma questão de nostalgia e porque, de qualquer forma, nenhum dos filmes tem o misticismo e a epicidade deste. Também acho que este filme tem as melhores sequências de combate entre lendários.


 


 


Entretanto já se vai sabendo alguma coisa sobre o próximo filme: será protagonizado por Hoopa, um lendário sobre o qual ainda não se sabe muito, mas os rumores são intrigantes. Terá também a participação das estrelas dos mais recentes jogos, os remakes Omega Ruby e Alpha Sapphire: Groudon e Kyogre na sua forma... primitiva (é a melhor tradução que encontro para "primal form"). Tem potencial, mas eu também dizia isso do décimo-sexto filme. O pior é que ainda falta quase um ano, provavelmente, para sair a versão dobrada em inglês, que eu costumo ver. Talvez este ano opte pela versão original legendada por fãs.


 



 


Mesmo com esta qualidade inconstante e imprevisível, gosto dos filmes Pokémon e de mantê-los no meu computador, por várias razões. Para começar, para fazer os meus AMV's - durante 2013 fiz vários à medida que ia vendo os filmes, e muitos deles estão em várias páginas deste blogue. Não fiz nenhum no último ano por falta de tempo e inspiração - mas pode ser que surja uma música que me motive a montar um outra vez.


 


Já expliquei antes, além disso, que os filmes costumam ser melhores que a série animada. Sendo eu escritora de ficção (e tendo aprendendo a sê-lo escrevendo fan fics neste universo), valorizo o chamado storytelling neste franchise. Não apenas na série animada e filmes - também nos jogos, na verdade. Costuma-se dizer que "ninguém joga Pokémon pela história", mas, se formos a ver, todos os jogos assentam na mesma fórmula: primeiro Pokémon, rival, oito ginários, equipa vilã, lendários, Elite 4. O enredo é um dos principais aspetos que distinguem os jogos entre si. Não será por acaso que, nos jogos mais recentes, tenham investido mais nas histórias - os já referidos remakes ORAS são um ótimo exemplo disso.


 


Espero que essa filosofia seja igualmente adotada pelos guionistas dos filmes. De qualquer forma, enquanto puder, vou continuando a acompanhar as principais vertentes deste mundo do qual não consigo, nem quero, sair. 


 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Top 7 filmes Pokémon #1

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Há dois anos, quando falei dos meus filmes de animação preferidos, referi os filmes do Pokémon. Na altura, só tinha visto os primeiros quatro ou cinco. Depois disso, descobri os torrents. Ao longo do ano que se seguiu, eu e a minha irmã fomos vendo os filmes restantes, mais ou menos por ordem cronológica, até ao décimo-sexto, em dezembro de 2013. O filme seguinte só saiu em inglês quase um ano mais tarde, em novembro último - vimo-lo nessa altura. E agora, que já os vi a todos, queria falar dos de que mais gostei.


 


A minha intenção inicial era, naturalmente, fazer um top 10. No entanto, são apenas dezassete filmes, de qualidade muito heterogénea. Tal como já referi antes, há filmes bons, há outros que se assemelham a episódios prolongados da série animada. Há muitos enredos repetidos, lendários desperdiçados, ideias fornecidas pelos jogos que não são aproveitadas, mas há sempre pormenoes que resultam bem - toda a gente gosta de um bom combate entre lendários, mesmo que a justificação nem sempre esteja muito clara. Tentei escolher dez filmes, mas essa lista inicial incluiria alguns filmes de que não gosto assim tanto, sobre os quais não tenho muitas coisas boas a dizer. Daí ter reduzido a lista para sete.


 


Como poderão deduzir, este é um texto só para fãs de Pokémon, e mesmo assim nem todos - há muitos que há muito tempo se cansaram da série animada, não sem razão. Quem à partida não gosta de Pokémon, obviamente não gostará dos filmes. Por outro lado, devo avisar que algumas das análises a estes filmes poderão conter spoilers. 


 


Esta lista será dividida em duas entradas. Nesta, falarei dos quatro primeiros filmes. Assim, sem mais delongas, por ordem crescente de preferência, em sétimo lugar temos...


 


7º) Jirachi Wish Maker/Realizador de Desejos


 


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Um dos aspetos de que nunca gostei muito na série animada (e já li opiniões concordantes) é a maneira como lidam com as relações entre os protagonistas humanos. Eu sei que o principal foco da história é a relação entre humanos e Pokémon - e essa é desenvolvida de forma excelente - mas não é normal três ou quatro miúdos viajarem juntos e as interações entre eles serem tão genéricas (embora menos no grupo original).


 


Nesse aspeto, May e Max são dos meus "companheiros de Ash" preferidos pois, sendo irmãos, tinham um historial comum, a interação entre ambos é mais interessante do que o costume. É sobretudo por essas pequenas interações que elevo este filme acima da media - destaque para a canção de embalar. O filme Jirachi Wish Maker (em português, Jirachi Realizador de Desejos) tem o enredo típico: vilão que quer usar o lendário para interesses próprios. O falso Groudon, no fim, é uma reciclagem da ideia do quarto filme, mas melhor executada, com uma ameaça mais real. Não sendo nada de extraordinário, Jirachi Wish Maker foi um filme que, pelo menos a mim, me deixou um sabor agradável.


 


6º) Diancie and the Cocoon of Destruction


 


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Este é o filme mais recente. Antes de vê-lo, eu tinha baixas expectativas, muito porque os três filmes anteriores não haviam sido nada de especial, sendo que o décimo-sexto foi uma completa desilusão. Diancie and the Cocoon fo Destruction surpreendeu-me pela positiva O lendário principal, a princesa Diancie, revelou-se uma personagem melhor desenvolvida que o habitual, com os seus traços de princesinha mimada mas insegura. O enredo, sem ser particularmente original, é mais complexo do que o costume. Tem até um toque algo Once Upon a Time, ao exigir que Diancie acredite em si mesma para fazer uso dos seus poderes.


 


O filme não deixa de ter as suas incoerências, a maioria delas dizendo respeito a aspetos mal desenvolvidos. Temos um número maior de vilões tentando capturar o Lendário. Dois deles formam um casalinho engraçado que, definitivamente, merecia maior tempo de antena. Muitos esperavam uma luta épica entre Xerneas e Yveltal, mas estes só aparecem no último ato do filme e o segundo - aparentemente o vilão principal - é gritantemente mal desenvolvido. Limita-se a transformar tudo o que o rodeia em pedra, sem se perceber muito bem porquê. Em suma, um anticlímax.


 


Um aparte só para referir a cena em que o Pikachu é vítima do ataque (?) de Yveltal, repetindo, no inverso, a famosa cena do primeiro filme. Só dura cerca de um minuto, a cura chega antes que o filme se torne demasiado sombrio - a idea que fica é que aquilo foi adicionado à última hora, só para dar um bocadinho de drama - mas funciona. Quando é com a velha dupla Ash e Pikachu funciona sempre.


 


Ao pesquisar sobre este filme, dei com teorias de que este teria sofrido cortes para a emissão televisiva, que só veremos o filme na íntegra quando este sair em DVD, algures em fevereiro. Tal teoria explica, de facto, muita coisa, daí que eu esteja a dar o benefício na dúvida a Diancie and the Cocoon of Destruction. Em todo o caso, é um alívio saber que ainda podemos ter bons filmes Pokémon.


 


5º) Mewtwo Strikes Back/Mewtwo Contra-Ataca


 


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Já tinha falado sobre este filme antes. Até à data, Mewtwo continua a ser um dos lendários mais populares (embora não seja dos meus preferidos) e um dos Pokémon mais intrigantes de sempre. No que toca aos filmes, é uma das melhores personagens.


 


O décimo-sexto filme causou controvérsia por trazer Mewtwo de volta, mas não o mesmo: outro, cujas origens foram mal explicadas, com voz feminina - um sacrilégio para muitos. Eu, porém, estaria disposta a aceitar este Mewtwo fêmea (?) se expplicassem melhor como fora criado e, sobretudo, se o décimo-sexto filme não tivesse sido um dos mais fraco em termos de enredo.


 


4º) Spell Of the Unown/O Feitiço do Unown


 


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A premissa do terceiro filme da série é algo sinistra. Centra-se em Molly, uma menina que é separada dos pais - a mãe encontra-se desaparecida e o pai é raptado (não se percebe bem porquê) pelos Unown que investigava. São os próprios Unown que, depois, invadem a casa de Molly e dão forma às suas fantasias sombrias. Desesperada por figuras parentais (mais do que pelos pais propriamente ditos). Os Unown oferecem-lhe uma figura paterna através de uma ilusão com a forma de Entei. Quando Molly sente falta de uma mãe, é o próprio falso Entei quem se encarrega de lhe arranar uma: nada mais nada menos que a mãe... de Ash. É assim que ele e os amigos se envolvem no caso.


 


Um dos poucos defeitos, mas significativos, deste filme é desperdiçar um dos meus lendários preferidos, membro do trio de bestas de Johto. A ideia que fica é que, neste filme, poderiam ter usado qualquer lendário para o papel de "pai" de Molly, que o efeito seria quase o mesmo - ainda que nem todos estejam ligados da mesma maneira à mitologia dos Unown.


 


Esta falha, no entanto, não ensombra os muitos pontos fortes do filme, que é provavelmente o mais complexo em termos de emoção de todo o franchise. Apesar do mundo sinistro que Molly cria (ou é criado através dela), não conseguimos deixar de sentir compaixão pela menina inocente, que apenas quer um pai e uma mãe. O falso Entei, apesar de considerado o vilão do filme, apenas cumpre aquela que pensa ser a vontade de Molly. Por outro lado, esta é uma das poucas ocasiões em que Ash se envolve na história por motivos pessoais, não apenas por mero acaso e/ou para salvar o Mundo/fazer o correto. Motivações pessoais dão sempre maior credibilidade a uma história.


 


Mas não é só de emoções que é feito este filme. Charizard - provavelmente, o mais popular de todos os Pokémon da equipa de Ash - aparece (um pouco vindo do nada, diga-se) para salvar o dia e temos direito a uma série de sequências espetaculares de combate entre ele e o falso Entei.


 


Não sendo o meu filme preferido, pensando de modo estritamente racional, Spell of the Unown é um dos filmes mais consistentes do franchise, feito numa altura em que os guionistas, aparentemente, não tinham medo de fugir um pouco ao que se considera adequado para crianças. Como tal, infelizmente, é pouco provável voltarmos a ter um filme Pokémon assim. O que é uma pena. 


 


 


Segunda parte em breve.

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