sábado, 13 de julho de 2013

Bones/Ossos - oitava temporada

Alerta Spoiler: este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que só é aconselhável lê-lo caso tenha visto todos os episódios da oitava temporada de Bones/Ossos, até para a própria compreensão desta entrada.



A única série, das que vejo há mais tempo, que sigo com fidelidade absoluta é Bones/Ossos. A emissão da oitava temporada terminou na FOX há algumas semanas e já se sabe que teremos nona temporada.

Começarei pelo melhor. Os pontos fortes da série - a interação entre as personalidades díspares do elenco e o humor negro da praxe - mantém-se, distinguindo-se de tantas outras séries policiais. Também se nota uma evolução nas personagens, com óbvio destaque para a protagonista Temperance Brennan, também conhecida por Bones. Durante vários anos, Bones refugiara-se atrás de uma máscara de racionalidade. Contudo, o seu relacionamento com Booth e a maternidade deixaram-na mais vulnerável ao seu lado emotivo, apesar de muitos dos seus traços mais característicos se manterem: a sua visão do mundo a preto e brando, a sua fria mas ingénua honestidade, sem subtilezas. Esta mudança refletiu-se no último episódio, quando ela pede Booth em casamento.


Notou-se, também, ao longo desta temporada, uma tentativa de introduzir variações no esquema habitual dos episódios, com resultados finais de qualidade díspar. Os que mais gostei foram "The Patriot in Purgatory" - em que se aborda a ferida por cicatrizar que é o 11 de setembro - e "The Pathos in the Pathogens", por envolver conceitos de Virologia, uma das disciplinas de que mais gostei até agora no meu curso. Aquele de que menos gostei foi The Shot in the Dark, em que Brennan foi alvejada. Este foi um dos capítulos que procurou comprovar a evolução emocional da protagonista mas de uma forma desnecessariamente batida: o contacto com entes queridos falecidos durante uma experiência de quase morte é um enorme chavão e a descoberta de que o distanciamento emocional de Brennan resulta da última conversa que teve com a mãe antes de a abandonar, para além de ser também um cliché, destrói a explicação bem menos melodramática, sustentada por mais de sete anos da série, de que a frieza resulta do trauma do abandono em si. 

A temporada exibiu outras fraquezas para além desta. No primeiro episódio, o nome de Brennan é limpo e ela regressa após meses em fuga com a filha. Seria de esperar que esta ausência prolongada trouxesse consequências para a relação com Booth mas tais problemas são resolvidos logo no segundo episódio e, depois, é como se Brennan nunca tivesse fugido. E embora, como li algures, seja refrescante ver na televisão uma relação saudável, sem dramas de maior, às vezes não parece credível.


Existiu também alguma falta de consistência entre os episódios envolvendo Peleant e os outros. Para além de serem absurdamente tensos quando comparados com os outros da série, nos outros episódios, as personagens parecem esquecer-se que anda um assassino psicopata decidido a magoá-los à solta. Parecem duas séries diferentes, por vezes. 

Também não me agrado que a linha narrativa envolvendo Peleant tenha sido prolongada até à próxima temporada. Começam a enrolar demasiado a história que, de resto, não ocupou mais do que três episódios este ano. Receio que, a menos que a ponta seja atada logo no primeiro episódio da nona temporada, a coisa descarrile.

De resto, é apenas uma especificação da minha opinião geral sobre Bones. Apesar de não ser atualmente a minha série preferida, continua a ser um entretenimento eficaz. Por quanto tempo mais, não sei dizer. Sinto que Bones se encontra perigosamente à beira de exibir sinais de desgaste. Como tal, espero que os produtores não deixem que uma boa série como esta vá por água abaixo - algo que tem acontecido demasiadas vezes - que saibam quando devem parar e que, nessa altura, possamos despedir-nos de Brennan, de Booth e de toda a equipa forense do Jeffersonian da melhor forma.

Bones/Ossos - oitava temporada

Alerta Spoiler: este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que só é aconselhável lê-lo caso tenha visto todos os episódios da oitava temporada de Bones/Ossos, até para a própria compreensão desta entrada.

 

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A única série, das que vejo há mais tempo, que sigo com fidelidade absoluta é Bones/Ossos. A emissão da oitava temporada terminou na FOX há algumas semanas e já se sabe que teremos nona temporada.

 

Começarei pelo melhor. Os pontos fortes da série - a interação entre as personalidades díspares do elenco e o humor negro da praxe - mantém-se, distinguindo-se de tantas outras séries policiais. Também se nota uma evolução nas personagens, com óbvio destaque para a protagonista Temperance Brennan, também conhecida por Bones. Durante vários anos, Bones refugiara-se atrás de uma máscara de racionalidade. Contudo, o seu relacionamento com Booth e a maternidade deixaram-na mais vulnerável ao seu lado emotivo, apesar de muitos dos seus traços mais característicos se manterem: a sua visão do mundo a preto e brando, a sua fria mas ingénua honestidade, sem subtilezas. Esta mudança refletiu-se no último episódio, quando ela pede Booth em casamento.

 


 

Notou-se, também, ao longo desta temporada, uma tentativa de introduzir variações no esquema habitual dos episódios, com resultados finais de qualidade díspar. Os que mais gostei foram "The Patriot in Purgatory" - em que se aborda a ferida por cicatrizar que é o 11 de setembro - e "The Pathos in the Pathogens", por envolver conceitos de Virologia, uma das disciplinas de que mais gostei até agora no meu curso. Aquele de que menos gostei foi The Shot in the Dark, em que Brennan foi alvejada. Este foi um dos capítulos que procurou comprovar a evolução emocional da protagonista mas de uma forma desnecessariamente batida: o contacto com entes queridos falecidos durante uma experiência de quase morte é um enorme chavão e a descoberta de que o distanciamento emocional de Brennan resulta da última conversa que teve com a mãe antes de a abandonar, para além de ser também um cliché, destrói a explicação bem menos melodramática, sustentada por mais de sete anos da série, de que a frieza resulta do trauma do abandono em si. 

 

A temporada exibiu outras fraquezas para além desta. No primeiro episódio, o nome de Brennan é limpo e ela regressa após meses em fuga com a filha. Seria de esperar que esta ausência prolongada trouxesse consequências para a relação com Booth mas tais problemas são resolvidos logo no segundo episódio e, depois, é como se Brennan nunca tivesse fugido. E embora, como li algures, seja refrescante ver na televisão uma relação saudável, sem dramas de maior, às vezes não parece credível.

 


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Existiu também alguma falta de consistência entre os episódios envolvendo Peleant e os outros. Para além de serem absurdamente tensos quando comparados com os outros da série, nos outros episódios, as personagens parecem esquecer-se que anda um assassino psicopata decidido a magoá-los à solta. Parecem duas séries diferentes, por vezes. 

 

Também não me agrado que a linha narrativa envolvendo Peleant tenha sido prolongada até à próxima temporada. Começam a enrolar demasiado a história que, de resto, não ocupou mais do que três episódios este ano. Receio que, a menos que a ponta seja atada logo no primeiro episódio da nona temporada, a coisa descarrile.

 

De resto, é apenas uma especificação da minha opinião geral sobre Bones. Apesar de não ser atualmente a minha série preferida, continua a ser um entretenimento eficaz. Por quanto tempo mais, não sei dizer. Sinto que Bones se encontra perigosamente à beira de exibir sinais de desgaste. Como tal, espero que os produtores não deixem que uma boa série como esta vá por água abaixo - algo que tem acontecido demasiadas vezes - que saibam quando devem parar e que, nessa altura, possamos despedir-nos de Brennan, de Booth e de toda a equipa forense do Jeffersonian da melhor forma.

Grey's Anatomy/Anatomia de Grey - nona temporada

Alerta Spoiler: este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que só é aconselhável lê-lo caso tenha visto todos os episódios da nona temporada de Grey's Anatomy/Anatomia de Grey, até para a própria compreensão desta entrada.


No verão passado, nas primeiras entradas deste blogue, falei sobre algumas séries que acompanhava. Ainda acompanho Bones/Ossos, à medida que os episódios são emitidos na televisão portuguesa - farei . Fartei-me de Sobrenatural a meio da sétima temporada. Quanto a Anatomia de Grey, este ano apenas a segui ocasionalmente, saltei muitos episódios, em particular na segunda parte da temporada, muitos deles vi-os só para fazer companhia ao resto da família ou porque queria ver televisão e não tinha nada melhor nas gravações.

A nona temporada até teve um arranque razoável, com o rescaldo do acidente de avião que encerrara a oitava época a dar algum fulgor à série. Mas as falhas não demoraram muito a dar de si.


Começando pelo acidente de avião. Numa altura em que as vítimas e/ou familiares tentavam decidir se processavam ou não a companhia aérea, gostei do discurso de Derek, em que este traça um paralelismo entre os erros médicos e os erros aéreos, como os que haviam conduzido ao acidente, explicando que é com os erros que os médicos aprendem, evoluem, e que, desse modo, a companhia aérea devia seguir o exemplo, de modo a evitar uma nova tragédia. Um discurso muito bonito e tal mas, no fim, em vez que seguirem com esse processo para a frente, decidem processar o hospital, por terem escolhido aquela companhia aérea, levando-o quase à falência, colocando a carreira dos colegas - a larga maioria amigos deles - apenas por ser uma via mais lucrativa em termos de indemnização.

Além de que, ver o hospital em crise financeira não é novidade depois da sexta temporada.


Uma das personagens que mais me irritou foi April Kepner. Eu até gostava dela na sexta e sétima temporadas, pela sua insegurança, por se preocupar com os doentes enquanto pessoas, pela maneira como ficou marcada por um erro que cometeu, custando a vida a uma doente, o que a levou a agarra-se às regras e à burocracia. No entanto, nos últimos anos ficou reduzida ao estereótipo da virgem-que-deixou-de-o-ser, com conflitos patéticos entre a descoberta da sua sexualidade e as suas convicções religiosas, que não levam a nada e apenas magoam Jackson, o namorado que lhe roubou a virtude, que se vê reduzido ao papel de "pecado", de erro de percurso.


Um arco narrativo particularmente forçado foi o de Callie e Arizona. A amputação da perna de Arizona, consequência do acidente de avião, foi claramente uma maneira de forçar um casal feliz, que já tivera a sua quota-parte de peripécias, a ter problemas de novo. Foi uma das coisas que até funcionou durante uma boa parte da temporada. Os guionistas, no entanto, estragaram tudo ao meterem Arizona traindo Callie - algo que, pelo menos a mim, parece inverosímil num casal que já havia passado por tanto, que devia estar mais unido do que nunca. O mais ridículo ainda foi a justificação dada por Arizona: literalmente, "Tu cortaste-me a perna!". Para além de desenterrar uma questão que, ao que tudo indicava, já estava resolvida, faz Arizona parecer ainda mais ingrata e egoísta do que no início da temporada, onde Callie era obrigada a cuidar de Arizona e a ouvi-la culpá-la pelo que lhe acontecera.

Na minha opinião, a história deste casal já devia ter acabado há um ano ou dois. Callie é uma das minhas personagens preferidas mas ela e Arizona deviam ter ido viver para outra cidade depois de Arizona ter recuperado do acidente, ou mesmo antes do acidente.


Ao menos, a linha narrativa envolvendo Owen e Cristina parece, finalmente, ter sido encerrada. Com dois anos de atraso, diga-se. Os guionistas merecem um prémio pela maneira como conseguiram esticar até aos limites do ridículo a história de um casal que se sabia, há dois anos, que não tinha futuro. E, mesmo assim, não me admirava se os guionistas arranjassem outra maneira de manter o casal junto durante mais uma temporada.

Estes são apenas alguns exemplos das incoerências e falhas da série. Não posso falar de mais nenhuma pois não vi todos os episódios. Dá, no entanto, para ver que Anatomia de Grey mantém as mesmas fraquezas: melodramatismo, focalização excessiva nas relações amorosas em detrimento dos aspetos médicos - a que se soma uma absoluta falta de imaginação, uma gritante previsibilidade, em suma, um claro desgaste. Na minha opinião, a série pede encerramento urgente.

Admito que, depois de nove anos atirando peripécias atrás de peripécias para cima dos médicos, não será fácil encerrar todos os arcos narrativos assim sem mais nem menos. Há algumas temporadas que estou convencida que tudo acabará com Meredith, a protagonista, desenvolvendo Alzheimer mais cedo ou mais tarde - algo que será trágico, sobretudo agora que tem dois filhos pequenos. Talvez continue a acompanhar a série nos moldes que descrevi no início da entrada mas suspeito que será cada vez mais penoso fazê-lo. Espero, sinceramente, que o décimo seja o seu último ano e que a série tenha um encerramento minimamente digno.

Entretanto, a seguir, falarei da mais recente temporada de Bones/Ossos.

Grey's Anatomy/Anatomia de Grey - nona temporada

Alerta Spoiler: este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que só é aconselhável lê-lo caso tenha visto todos os episódios da nona temporada de Grey's Anatomy/Anatomia de Grey, até para a própria compreensão desta entrada.


No verão passado, nas primeiras entradas deste blogue, falei sobre algumas séries que acompanhava. Ainda acompanho Bones/Ossos, à medida que os episódios são emitidos na televisão portuguesa - farei . Fartei-me de Sobrenatural a meio da sétima temporada. Quanto a Anatomia de Grey, este ano apenas a segui ocasionalmente, saltei muitos episódios, em particular na segunda parte da temporada, muitos deles vi-os só para fazer companhia ao resto da família ou porque queria ver televisão e não tinha nada melhor nas gravações.

A nona temporada até teve um arranque razoável, com o rescaldo do acidente de avião que encerrara a oitava época a dar algum fulgor à série. Mas as falhas não demoraram muito a dar de si.


Começando pelo acidente de avião. Numa altura em que as vítimas e/ou familiares tentavam decidir se processavam ou não a companhia aérea, gostei do discurso de Derek, em que este traça um paralelismo entre os erros médicos e os erros aéreos, como os que haviam conduzido ao acidente, explicando que é com os erros que os médicos aprendem, evoluem, e que, desse modo, a companhia aérea devia seguir o exemplo, de modo a evitar uma nova tragédia. Um discurso muito bonito e tal mas, no fim, em vez que seguirem com esse processo para a frente, decidem processar o hospital, por terem escolhido aquela companhia aérea, levando-o quase à falência, colocando a carreira dos colegas - a larga maioria amigos deles - apenas por ser uma via mais lucrativa em termos de indemnização.

Além de que, ver o hospital em crise financeira não é novidade depois da sexta temporada.


Uma das personagens que mais me irritou foi April Kepner. Eu até gostava dela na sexta e sétima temporadas, pela sua insegurança, por se preocupar com os doentes enquanto pessoas, pela maneira como ficou marcada por um erro que cometeu, custando a vida a uma doente, o que a levou a agarra-se às regras e à burocracia. No entanto, nos últimos anos ficou reduzida ao estereótipo da virgem-que-deixou-de-o-ser, com conflitos patéticos entre a descoberta da sua sexualidade e as suas convicções religiosas, que não levam a nada e apenas magoam Jackson, o namorado que lhe roubou a virtude, que se vê reduzido ao papel de "pecado", de erro de percurso.


Um arco narrativo particularmente forçado foi o de Callie e Arizona. A amputação da perna de Arizona, consequência do acidente de avião, foi claramente uma maneira de forçar um casal feliz, que já tivera a sua quota-parte de peripécias, a ter problemas de novo. Foi uma das coisas que até funcionou durante uma boa parte da temporada. Os guionistas, no entanto, estragaram tudo ao meterem Arizona traindo Callie - algo que, pelo menos a mim, parece inverosímil num casal que já havia passado por tanto, que devia estar mais unido do que nunca. O mais ridículo ainda foi a justificação dada por Arizona: literalmente, "Tu cortaste-me a perna!". Para além de desenterrar uma questão que, ao que tudo indicava, já estava resolvida, faz Arizona parecer ainda mais ingrata e egoísta do que no início da temporada, onde Callie era obrigada a cuidar de Arizona e a ouvi-la culpá-la pelo que lhe acontecera.

Na minha opinião, a história deste casal já devia ter acabado há um ano ou dois. Callie é uma das minhas personagens preferidas mas ela e Arizona deviam ter ido viver para outra cidade depois de Arizona ter recuperado do acidente, ou mesmo antes do acidente.


Ao menos, a linha narrativa envolvendo Owen e Cristina parece, finalmente, ter sido encerrada. Com dois anos de atraso, diga-se. Os guionistas merecem um prémio pela maneira como conseguiram esticar até aos limites do ridículo a história de um casal que se sabia, há dois anos, que não tinha futuro. E, mesmo assim, não me admirava se os guionistas arranjassem outra maneira de manter o casal junto durante mais uma temporada.

Estes são apenas alguns exemplos das incoerências e falhas da série. Não posso falar de mais nenhuma pois não vi todos os episódios. Dá, no entanto, para ver que Anatomia de Grey mantém as mesmas fraquezas: melodramatismo, focalização excessiva nas relações amorosas em detrimento dos aspetos médicos - a que se soma uma absoluta falta de imaginação, uma gritante previsibilidade, em suma, um claro desgaste. Na minha opinião, a série pede encerramento urgente.

Admito que, depois de nove anos atirando peripécias atrás de peripécias para cima dos médicos, não será fácil encerrar todos os arcos narrativos assim sem mais nem menos. Há algumas temporadas que estou convencida que tudo acabará com Meredith, a protagonista, desenvolvendo Alzheimer mais cedo ou mais tarde - algo que será trágico, sobretudo agora que tem dois filhos pequenos. Talvez continue a acompanhar a série nos moldes que descrevi no início da entrada mas suspeito que será cada vez mais penoso fazê-lo. Espero, sinceramente, que o décimo seja o seu último ano e que a série tenha um encerramento minimamente digno.

Entretanto, a seguir, falarei da mais recente temporada de Bones/Ossos.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Músicas Ao Calhas - Renegade & Escape Route

Já descrevi este fenómeno aqui no blogue: ouvir um álbum novo de um cantor ou banda equivale a ler a sequela a um livro: depois de o fazermos, o trabalho anterior ganha novo significado ao comparamos o novo com o velho, ao repararmos em coisas que nos haviam passado despercebidas. É possível testemunhar o amadurecimento dos artistas em questão, bem como, sobretudo em bandas como os Paramore, cujo trabalho é altamente autobiográfico, a sua história.

Isto já tinha acontecido no ano passado com os Linkin Park. Tornou a acontecer este ano com os Paramore. A proximidade do lançamento do seu quarto álbum fez-me rever a discografia da banda ganhando, desse modo, gosto por músicas que, anteriormente, não me haviam despertado grande atenção. E depois de ouvir o quarto disco, outras músicas antigas ganharam significado.



Em Brand New Eyes, um álbum particularmente sombrio, dá para notar um ou outro indício de crise eminente - entre outros motivos, por se suspeitar que várias das faixas fazem referência ao relacionamento entre Hayley Williams e Josh Farro e respetivo término, um dos aspetos que terá desencadeado a traumática deserção de Josh e do irmão, Zac. Um acontecimento que marcou não apenas o álbum de estúdio seguinte, Paramore, mas também - embora isto seja eu apenas a especular - as dos Singles Club, lançadas ao longo de 2011, o ano que se seguiu à crise.

Estas músicas - entre as quais se encontra Renegade, tema desta entrada - parecem dizer respeito ao rescaldo, a reações imediatas à deserção. Acabam, desse modo, por serem mais do que sucessoras a Brand New Eyes e antecedentes de Paramore, são, respetivamente, sequela e prequela.


"I'm not sure where you went
Now we are just past tense"

Renegade é, talvez, o exemplo mais gritante disso, sobretudo no que diz respeito à crise dos Farro. Com uma sonoridade intermédia entre o rock mais pesado de Monster e o som um pouco mais pop (embora não deixe o rock de lado) de Hello Cold World, tem o arranjo musical típico de antes do quarto álbum da banda. Destaco, no entanto, a bateria forte, fazendo lembrar Let the Flames Begin, bem como dois momento em particular: o que antecede o segundo refrão, com os padrões da bateria e os vocais em eco da Hayley; e a terceira parte da música, que começa com bateria, o riff de guitarra elétrica discreto, notas de baixo e os "I'll keep running", também em eco - estes vocais dão, precisamente, a ideia de distância, de afastamento, de fuga - e que acaba com a musica a explodir e a poderosa voz da Hayley.

Não se pode ter certezas absolutas, evidentemente, mas, para quem tenha acompanhado os recentes conflitos da banda, é difícil não associar Renegade à deserção dos Farro. A letra aborda, claramente, traição, rejeição, abandono, perda de esperança - sentimentos que provocam vontade de fugir para um lugar seguro, longe de todos esses sentimentos negativos. Assinalo, em particular, os versos: "The spark never lit up a fire, though I tried and tried and tried. The winds came from your lungs", que fazem pensar em Let the Flames Begin, Part II e, sobretudo, Last Hope, dando mesmo a ideia de que, tal como assinalei acima, Renegade é uma prequela ao álbum Paramore.



Montei na semana passada (mais) um AMV do Pokémon, desta feita com Renegade. A ideia surgiu de Girantina que, segundo a mitologia dos jogos, é o "Pokémon Renegado", chegando a ser feita uma analogia com Lúcifer. Além desse aspeto, muitas das personagens dos filmes da saga experimentam traição, marginalização ou abandono, pelo que fazia sentido montar um vídeo com essas cenas.

De resto, como tenho andado a ver os filmes dos Pokémon ao longo dos últimos meses, vontade de fazer AMVs não tem faltado. E não vou ficar por aqui - tenciono fazer pelo menos mais três este verão!


"Not quite a victory to run from your problems
But it's the only plan that I've got."

Uma música posterior que ficou muito parecida com Renegade, tanto em termos de letra como de sonoridade, é Escape Route. Esta foi composta e gravada para Paramore mas acabou por ficar de fora da tracklist final, tendo sido lançada como b-side. De acordo com declarações da banda, foi das primeiras a começar a ser composta mas das últimas a serem terminadas. Um pouco porque, no início dos trabalhos do seu quarto álbum, os membros da banda sentiam-se pressionados para criarem música dentro do estilo clássico dos Paramore. Eventualmente, acabaram por desistir de fazê-lo.

Escape Route é, de facto, uma música fortemente influenciada pela sonoridade antiga da banda, sem a abertura a diferentes influências que caracteriza a maioria das faixas de Paramore. De tal forma que me recorda Ignorance, na introdução, e Renegade nalgumas partes. O refrão, contudo, soa tão poderoso como os de muitas músicas dos Paramore. Destaco, também, os vocais agudos de Hayley em "slowly", imediatamente antes dos últimos refrões.

Em termos de letra, Escape Route adota um tema semelhante a Renegade, ao explorar a vontade de fugir, embora com menos possíveis referências à crise dos Farro. Ao mesmo tempo, acaba por não diferir muito de certas músicas de Paramore (sobretudo Daydreaming), que também mencionam a mudança da banda de Nashville para Los Angeles, para gravar o seu quarto álbum. A diferença é que Escape Route aborda um assunto de uma forma mais sombria que as outras músicas de Paramore, como provavelmente teria acontecido aquando dos álbuns anteriores.

Daí que concorde com a exclusão de Escape Route da tracklist final do quarto disco dos Paramore. 



Neste momento, os Paramore são a minha banda preferida - o que não quer dizer que me tenha esquecido dos Linkin Park ou dos Within Temptation, que os considere inferiores - muito graças ao álbum homónimo lançado este ano. Um álbum que já analisei neste blogue mas, tal como costuma acontecer com a melhor música, tem ganho novos significados com o tempo. Começo, inclusivamente, a tomar o gosto a algumas que, inicialmente, pouco me haviam atraído. Acho que já o disse aqui, de uma forma ou de outra: numa altura em que começo a ficar um bocadinho saturada das costumeiras canções de amor e desgosto, que quase nada trazem de novo e, sobretudo, das infinitas músicas sobre borga, que infestam a rádio desde há uns anos a esta parte. Músicas como Daydreaming, Ain't it Fun, Last Hope e Be Alone, por exemplo, têm muito mais a ver comigo do que, por exemplo, Here's to Never Growing Up. A Hayley terá, aliás, afirmado que não sente a necessidade de compôr sobre "sex, drugs & rock 'n' roll" só por ser fixe ou para conquistar uma determinada audiência-alvo. É capaz de ser isto o que mais gosto nos Paramore.

Também não está ausente da música deles aquilo que, para mim, é o maior ponto forte dos Linkin Park e dos Within Temptation: a inspiração para a minha escrita. Músicas como as que motivaram esta entrada, bem como, por exemplo, Monster e Part II, já fazem parte da minha, já conhecida aqui, playlist de cenas de ação. Por outro lado, o tema de Paramore, centrado na ultrapassagem de um momento difícil, em crescimento e focalização no futuro, vai em linha, um pouco, com o que tenho planeado para o meu quarto livro. Este álbum pode, assim, vir a ser bastante últil, tal como Goodbye Lullaby e Living Things continuam a ser.

Tudo indica que ainda virão mais dois álbuns de interesse este ano: o de Avril Lavigne e o dos Within Temptation. Estou com esperança de que ambos me sejam tão marcantes como Paramore está a ser. Sê-lo-ão, certamente, em particular o primeiro. O pior é que, sobretudo no que toca ao da Avril, nunca mais dizem nada sobre eles! Em todo o caso, estando o álbum previsto para setembro e um novo single prestes a ser lançado, não deveremos  ficar na ignorância por muito mais tempo.

Entretanto, graças a Paramore, já não se pode dizer que 2013 está a ser um ano fraco em termos musicais!

Músicas Ao Calhas - Renegade & Escape Route

Já descrevi este fenómeno aqui no blogue: ouvir um álbum novo de um cantor ou banda equivale a ler a sequela a um livro: depois de o fazermos, o trabalho anterior ganha novo significado ao comparamos o novo com o velho, ao repararmos em coisas que nos haviam passado despercebidas. É possível testemunhar o amadurecimento dos artistas em questão, bem como, sobretudo em bandas como os Paramore, cujo trabalho é altamente autobiográfico, a sua história.

 

Isto já tinha acontecido no ano passado com os Linkin Park. Tornou a acontecer este ano com os Paramore. A proximidade do lançamento do seu quarto álbum fez-me rever a discografia da banda ganhando, desse modo, gosto por músicas que, anteriormente, não me haviam despertado grande atenção. E depois de ouvir o quarto disco, outras músicas antigas ganharam significado.

 


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Em Brand New Eyes, um álbum particularmente sombrio, dá para notar um ou outro indício de crise eminente - entre outros motivos, por se suspeitar que várias das faixas fazem referência ao relacionamento entre Hayley Williams e Josh Farro e respetivo término, um dos aspetos que terá desencadeado a traumática deserção de Josh e do irmão, Zac. Um acontecimento que marcou não apenas o álbum de estúdio seguinte, Paramore, mas também - embora isto seja eu apenas a especular - as dos Singles Club, lançadas ao longo de 2011, o ano que se seguiu à crise.

 

Estas músicas - entre as quais se encontra Renegade, tema desta entrada - parecem dizer respeito ao rescaldo, a reações imediatas à deserção. Acabam, desse modo, por serem mais do que sucessoras a Brand New Eyes e antecedentes de Paramore, são, respetivamente, sequela e prequela.

 


 

"I'm not sure where you went

Now we are just past tense"

 

Renegade é, talvez, o exemplo mais gritante disso, sobretudo no que diz respeito à crise dos Farro. Com uma sonoridade intermédia entre o rock mais pesado de Monster e o som um pouco mais pop (embora não deixe o rock de lado) de Hello Cold World, tem o arranjo musical típico de antes do quarto álbum da banda. Destaco, no entanto, a bateria forte, fazendo lembrar Let the Flames Begin, bem como dois momento em particular: o que antecede o segundo refrão, com os padrões da bateria e os vocais em eco da Hayley; e a terceira parte da música, que começa com bateria, o riff de guitarra elétrica discreto, notas de baixo e os "I'll keep running", também em eco - estes vocais dão, precisamente, a ideia de distância, de afastamento, de fuga - e que acaba com a musica a explodir e a poderosa voz da Hayley.

 

Não se pode ter certezas absolutas, evidentemente, mas, para quem tenha acompanhado os recentes conflitos da banda, é difícil não associar Renegade à deserção dos Farro. A letra aborda, claramente, traição, rejeição, abandono, perda de esperança - sentimentos que provocam vontade de fugir para um lugar seguro, longe de todos esses sentimentos negativos. Assinalo, em particular, os versos: "The spark never lit up a fire, though I tried and tried and tried. The winds came from your lungs", que fazem pensar em Let the Flames Begin, Part II e, sobretudo, Last Hope, dando mesmo a ideia de que, tal como assinalei acima, Renegade é uma prequela ao álbum Paramore.

 


 


Montei na semana passada (mais) um AMV do Pokémon, desta feita com Renegade. A ideia surgiu de Girantina que, segundo a mitologia dos jogos, é o "Pokémon Renegado", chegando a ser feita uma analogia com Lúcifer. Além desse aspeto, muitas das personagens dos filmes da saga experimentam traição, marginalização ou abandono, pelo que fazia sentido montar um vídeo com essas cenas.

 

De resto, como tenho andado a ver os filmes dos Pokémon ao longo dos últimos meses, vontade de fazer AMVs não tem faltado. E não vou ficar por aqui - tenciono fazer pelo menos mais três este verão!

 


 

"Not quite a victory to run from your problems

But it's the only plan that I've got."

 

Uma música posterior que ficou muito parecida com Renegade, tanto em termos de letra como de sonoridade, é Escape Route. Esta foi composta e gravada para Paramore mas acabou por ficar de fora da tracklist final, tendo sido lançada como b-side. De acordo com declarações da banda, foi das primeiras a começar a ser composta mas das últimas a serem terminadas. Um pouco porque, no início dos trabalhos do seu quarto álbum, os membros da banda sentiam-se pressionados para criarem música dentro do estilo clássico dos Paramore. Eventualmente, acabaram por desistir de fazê-lo.

 

Escape Route é, de facto, uma música fortemente influenciada pela sonoridade antiga da banda, sem a abertura a diferentes influências que caracteriza a maioria das faixas de Paramore. De tal forma que me recorda Ignorance, na introdução, e Renegade nalgumas partes. O refrão, contudo, soa tão poderoso como os de muitas músicas dos Paramore. Destaco, também, os vocais agudos de Hayley em "slowly", imediatamente antes dos últimos refrões.

 

Em termos de letra, Escape Route adota um tema semelhante a Renegade, ao explorar a vontade de fugir, embora com menos possíveis referências à crise dos Farro. Ao mesmo tempo, acaba por não diferir muito de certas músicas de Paramore (sobretudo Daydreaming), que também mencionam a mudança da banda de Nashville para Los Angeles, para gravar o seu quarto álbum. A diferença é que Escape Route aborda um assunto de uma forma mais sombria que as outras músicas de Paramore, como provavelmente teria acontecido aquando dos álbuns anteriores.

 

Daí que concorde com a exclusão de Escape Route da tracklist final do quarto disco dos Paramore. 

 

 


 


Neste momento, os Paramore são a minha banda preferida - o que não quer dizer que me tenha esquecido dos Linkin Park ou dos Within Temptation, que os considere inferiores - muito graças ao álbum homónimo lançado este ano. Um álbum que já analisei neste blogue mas, tal como costuma acontecer com a melhor música, tem ganho novos significados com o tempo. Começo, inclusivamente, a tomar o gosto a algumas que, inicialmente, pouco me haviam atraído. Acho que já o disse aqui, de uma forma ou de outra: numa altura em que começo a ficar um bocadinho saturada das costumeiras canções de amor e desgosto, que quase nada trazem de novo e, sobretudo, das infinitas músicas sobre borga, que infestam a rádio desde há uns anos a esta parte. Músicas como Daydreaming, Ain't it Fun, Last Hope e Be Alone, por exemplo, têm muito mais a ver comigo do que, por exemplo, Here's to Never Growing Up. A Hayley terá, aliás, afirmado que não sente a necessidade de compôr sobre "sex, drugs & rock 'n' roll" só por ser fixe ou para conquistar uma determinada audiência-alvo. É capaz de ser isto o que mais gosto nos Paramore.

 

Também não está ausente da música deles aquilo que, para mim, é o maior ponto forte dos Linkin Park e dos Within Temptation: a inspiração para a minha escrita. Músicas como as que motivaram esta entrada, bem como, por exemplo, Monster e Part II, já fazem parte da minha, já conhecida aqui, playlist de cenas de ação. Por outro lado, o tema de Paramore, centrado na ultrapassagem de um momento difícil, em crescimento e focalização no futuro, vai em linha, um pouco, com o que tenho planeado para o meu quarto livro. Este álbum pode, assim, vir a ser bastante últil, tal como Goodbye Lullaby e Living Things continuam a ser.

 

Tudo indica que ainda virão mais dois álbuns de interesse este ano: o de Avril Lavigne e o dos Within Temptation. Estou com esperança de que ambos me sejam tão marcantes como Paramore está a ser. Sê-lo-ão, certamente, em particular o primeiro. O pior é que, sobretudo no que toca ao da Avril, nunca mais dizem nada sobre eles! Em todo o caso, estando o álbum previsto para setembro e um novo single prestes a ser lançado, não deveremos  ficar na ignorância por muito mais tempo.

 

Entretanto, graças a Paramore, já não se pode dizer que 2013 está a ser um ano fraco em termos musicais!

 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Músicas Ao Calhas - Innocence e similares

Já não publicava aqui no Álbum há algum tempo. Tem-me faltado tempo e vontade por estar em época de exames. E, na verdade, tem-me faltado assunto, numa altura em que começo a ficar sem ideias para Músicas Ao Calhas. Esta entrada é uma cujo planeamento já estava na gaveta há algum tempo. Não queria estar a escrever novamente sobre uma música de Avril Lavigne - já falei sobre ela em duas entradas, no passado recente e, visto que em princípio lançará o seu single Rock 'n' Roll no próximo mês e um álbum novo em setembro, permanecerá um assunto recorrente ao longo dos próximos tempos. No entanto, as ideias alternativas que possuo dizem respeito a músicas dos Paramore ou de Bryan Adams, outros suspeitos do costume. Peço, assim, desculpa pela falta de variabilidade no meu blogue. 

Posto isto, passemos ao assunto desta entrada: Innocence e outras músicas abordando temas semelhantes.


"I think about the little things that make life great"

Innocence faz parte de The Best Damn Thing, o terceiro álbum de estúdio da Avril. Co-composta com Evan Taubenfeld, produzida por Rob Cavallo - responsável por Iris, dos Goo Goo Dolls, uma das músicas preferidas da cantautora canadiana e uma das inspirações para Innocence - ainda hoje é considerada uma das melhores baladas da cantora, das que melhor explora a sua voz. Os vocais encontram-se, de facto, muito bem colocados nesta faixa, a voz dela soa muito pura. Innocence é conduzida pelo piano, ao qual se juntam acordes de guitarra acústica e um arranjo de violinos. Estes são um dos grandes pontos fortes da faixa, pela maneira como vão fluindo, se vão soltando, em particular na terceira parte da música, imediatamente antes dos últimos refrões. O instrumental da música está tão bem arranjado que quase chorei da primeira vez que o ouvi, sem a voz da Avril.

A letra de Innocence fala sobre um momento de paz, benção, felicidade, de completa ausência de sentimentos negativos, de inocência no fundo - um momento a que nos queremos agarrar, que queremos que  dure para sempre, um momento proporcionado pelo amor.

Eu imagino como cenário desta música um dia de sol, em contacto com a Natureza. Pode ser um dia de primavera no campo, um dia de verão numa praia deserta, um dia de outono numa floresta. É, aliás, neste género de cenários que mais gosto de escrever. É claro que nem sempre posso estar no campo ou na praia. Já me contento com um canto ajardinado, um simples banco debaixo de duas árvores.


Innocence chegou a ser single promocional nalguns países mas nunca teve direito a videoclipe. O mais parecido com isso a que tivemos direito foi um anúncio da Canon, lançado em finais de 2009. Tirando a parte da publicidade às câmaras fotográficas, as imagens mostradas - na mansão, num dia de outono, no parte de skate, nas ruas que imitavam Nova Iorque, no estúdio - adequar-se-iam, perfeitamente, ao espírito da música.


"The feel of you just fills the night"

Depois de conhecer Innocence, não demorei muito a compará-la com uma música que já conhecia: Don't Let Go. Mais uma vez, um tema da banda sonora do filme Spirit, desta feita uma colaboração entre Bryan Adams e a cantora canadiana Sarah McLachlan. É, no entanto, a única canção de todo o álbum da banda sonora que não aparece no filme em si, só nos créditos finais, nem parece encaixar-se em nenhum momento da película. Assemelha-se em Innocence em termos de letra por falar, igualmente, sobre um momento que se quer prolongar, um momento em que se descobre o amor. Em termos musicais diferencia-se, contudo, da balada da Avril - possui um tom muito etéreo. Para isso contribuem os vocais de Sarah, em particular nos refrões. Não sou capaz de identificar os instrumentos todos - um piano ali algures, uma guitarra elétrica muito discreta... - mas estes também contribuem para esse efeito, fazendo de Don't Let Go uma autêntica obra de arte.


"We share the scars from our abandon
And what we remember becomes folklore"

Outra música semelhante a Innocence também faz parte de uma banda sonora. É ela The Forgotten, dos Green Day, faixa-tema do filme Amanhecer parte 2. Em termos musicais, traz claros ecos de Last Night on Earth, outra balada relativamente recente da banda. Conduzida pelo piano, acompanhada por violinos, bateria e um solo de guitarra elétrica. A letra em si é muito vaga. Também fala de um momento de felicidade proporcionado pelo amor, com um toque de nostalgia e um não sei quê que costuma estar presente em várias músicas dos Green Day. Um pouco por influência do filme a que fornece banda sonora, bem como de outras histórias escritas por mim, associo The Forgotten a felicidade familiar. Imagino amantes que passaram por muitas dificuldades ao longo dos anos - dificuldades essas que lhes deixaram cicatrizes, que ainda os assombram - mas que conseguiram conquistar o seu final feliz: têm o seu lar, vivem em paz com os filhos resultantes dessa união.


"A alma está calma e acalma
O meu peito está cheio de ti"

Uma das faixa mais recentes deste conjunto é uma música portuguesa, chamada Sabor de Ti, cantada por Catarina Rocha, uma cantora que tive o prazer de conhecer pessoalmente (mais pormenores AQUI). Esta canção faz parte do seu álbum de estreia, Infinito. Musicalmente, é constituída apenas por piano e os belos vocais da Catarina. A letra aborda, também, um momento de felicidade, de paz, de esperança, motivado pela presença do ser amado. Um momento em que ambos se sentem num mundo à parte, fora do tempo e do espaço correntes. É uma das minhas preferidas do CD que, de resto, tem várias músicas lindas - embora seja suspeita para falar disso.


"The first time to really feel alive!
The first time to break the chain!
The first time to walk away from pain..."

First Day Of My Life entrou em Portugal através de uma novela da TVI, cujo nome já não recordo, algures em 2005 ou 2006. Eu já conhecia a ex-Spice Girl, Melanie C, de Baby When You're Gone, que cantou com Bryan Adams. First Day Of My Life tem um arranjo musical semelhante a Innocence - é relativamente fácil obter lindas baladas juntando violinos a piano ou a uma guitarra acústica. A música não fala exatamente de um momento de felicidade mas assemelha-se a Innocence por descrever - de uma forma muito vaga, um uma letra algo fraca - sentimentos semelhantes, de renascimento, de redescoberta de felicidade, motivados pela descoberta do amor.


"Where there was dark, now 

Um tema semelhante tem a música A New Day Has Come, de Céline Dion. Também fala sobre renascimento, esperança, sobre o desaparecimento de sentimentos negativos, a abertura de um novo capítulo na vida, um capítulo feliz, tudo isto graças, uma vez mais, ao surgimento do amor. Em termos musicais, tem um tom mais etéreo, criado pelos vocais de Céline - que tem uma das vozes mais poderosas da música - pelos violinos que acompanham a guitarra acústica, pela bateria suave.

Tenho um par de entradas planeadas para os próximos tempos, incluindo uma de Músicas Ao Calhas sobre os Paramore, tal como referi no início, mas não prometo que seja capaz de publicá-las muito em breve. Com a pouca paciência com que tenho andados nos últimos tempos aqui para o blogue... Em todo o caso, os Within Temptation têm dado a entender que lançarão o primeiro single do seu novo álbum em breve, o que certamente motivará uma entrada sobre isso. No outono passado, eu dizia a brincar que os Paramore iam lançar um álbum novo antes da Avril, que já havia anunciado várias vezes que estava pronta para lançar o seu. Agora, oito ou nove meses depois, sou capaz de apostar que os Within Temptation vão lançar antes dela. É que, com os seus caprichos, não me admirava que a Avril decidisse regressar ao estúdio outra vez. Mas também, conforme disse há pouco, está previsto Rock 'n' roll sair em julho - mas, sabendo o que a casa gasta, não me admirava se saísse perto de dia 31, com sorte! (fã sofre, sobretudo da Avril...).

Por outro lado, daqui a pouco vou sair para ir aos Bon Jovi. Talvez fique com vontade de escrever sobre o concerto.

De qualquer forma, quando finalmente entrar de férias (daqui a duas ou três semanas), terei certamente mais disponibilidade aqui para o blogue. Até lá...
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