quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Linkin Park - The Hunting Party (2014) #3


Continuamos a analisar o álbum dos Linkin Park, The Hunting Party. Partes anteriores aqui e aqui.

9) Mark the Graves



"There's a fragile game we play
With the ghosts of yesterday"

Esta é uma faixa que mistura bateria e guitarras pesadas com elementos menos agressivos; alterna longos instrumentais com vocais suaves, dramáticos, de Chester (e Mike?), mais uma vez quase em tom de canção de embalar, e outros mais vibrantes, em que não faltam os icónicos gritos de Chester. A melancolia é, aliás, uma característica comum às últimas canções do álbum. A letra, curta, traça um cenário pós-batalha, com ecos de I'll Be Gone e Powerless, em que predomina a destruição, o vazio, os remorsos. Mark the Graves não é das minhas preferidas de The Hunting Party, mas acho que está bem feita. Pelo menos, não tenho defeitos a apontar.

10) Drawbar




Este é outro interlúdio instrumental, mais comprido que The Summoning e, na minha opinião, melhor conseguido. Muitos têm considerado um desperdício o facto de a participação de Tom Morello, guitarrista da banda Rise Against the Machine (com cujo trabalho não estou familiarizada), ter resultado apenas num mísero interlúdio e eu compreendo esse ponto de vista. No entanto, independentemente desse aspeto, na minha opinão Drawbar é uma bela peça musical, suave, melancólica, com as notas de guitarra (de Morello?), o piano, a bateria. Na conclusão, já só com o piano, adivinham-se algumas notas de Final Masquerade Tudo isto faz de Drawbar uma bela ponte entre Mark the Graves e o mais recente single de The Hunting Party, apesar da participação desperdiçada de Tom Morello.

11) Final Masquerade




"Shadows floating over
Scars begin to fade"

Esta é a faixa de The Hunting Party que me cativou mais facilmente. Não é difícil perceber porquê: é a mais melódica de todo o álbum, sendo a melodia agradável, fluida, mesmo a pedir para ser cantada. Final Masquerade é uma balada rock, com um tema e um sentimento semelhante a Until It's Gone, mas menos eletrónica e com uma letra bem superior, mesmo não sendo nada de extraordinário. O tratamento musical é relativamente simples, mas desempenha muito bem o seu papel. Gosto particularmente do solo de guitarra desacompanhado antes do último refrão, que realça a emotividade da faixa.

Final Masquerade não traz nada de muito novo, tem até claros ecos de músicas como Powerless e I'll Be Gone, bem como das baladas de Minutes to Midnight e mesmo do side-project de Chester, Dead By Sunrise. No entanto, está tão bem feita que essa fraqueza é quase esquecida - e é uma pena que Until It's Gone não se possa gabar do mesmo. Final Masquerade dá, aliás, mais convicção à crença de que Until It's Gone devia ter sido excluída da tracklist ou, pelo menos, ter uma letra melhorzinha. 

Esta faixa foi recentemente lançada como single, o que não surpreende pois a música é das mais radiofónicas do CD. Seria uma boa faixa-conclusão a The Hunting Party... se não fosse A Line in the Sand.

12) A Line int the Sand



"And when they
They told us to go
We paid them no mind
Like every other time
But little did we know..."

A Line in the Sand é a faixa mais longa de The Hunting Party. Possui um princípio, meio e fim razoavelmente bem definidos. Começa suave, com os vocais misteriosos de Mike, antes de arrancar com a bateria, as guitarras, com caros ecos de Guilty All the Same. Esta faixa tem várias semelhanças com Mark the Graves, na medida em que alterna momentos mais agressivos com momentos mais suaves, vocais variados por parte de Chester e Mike com longos instrumentais.. Gosto do rap nesta canção, em que Mike diz uma frase de cada vez, com pausas pelo meio, uma variação ao esquema habitual. Por outro lado, não gosto dos versos "Pay for what you've done"  e "Give me back what's mine", cantados por Chester em screamo - parecem-me pouco originais.

Outra semelhança com Mark the Graves reside na letra, que faz uma continuação da mensagem de MTG: voltamos a cenários pós-batalha, pós-Apocalipse, falamos de consequências da guerra, da perda das ilusões, da inocência, da arrogância. A música lembra-me um pouco o terceiro livro dos Jogos da Fome na medida em que parece, também, falar da sensação de se ter sido usado, como peças num jogo de estratégia. De resto, com um bocadinho de imaginação, podemos discernir pontuais referências a outras músicas de The Hunting Party na letra de A Line in the Sand, tendo em conta sobretudo que a maioria dela fala das várias vertentes da guerra, daí que esta música seja um epílogo perfeito para este álbum.

A música acaba da mesma maneira como começou, com mágoa e mistério, encerrando The Hunting Party da forma adequada.


Estão analisadas as faixas de The Hunting Party. Alegações finais e, ainda, apontamentos sobre o concerto do Rock in Rio na última parte.


Linkin Park - The Hunting Party (2014) #3



 



Continuamos a analisar o álbum dos Linkin Park, The Hunting Party. Partes anteriores aqui e aqui.

 

9) Mark the Graves

 



 

 

"There's a fragile game we play

With the ghosts of yesterday"

 

 

Esta é uma faixa que mistura bateria e guitarras pesadas com elementos menos agressivos; alterna longos instrumentais com vocais suaves, dramáticos, de Chester (e Mike?), mais uma vez quase em tom de canção de embalar, e outros mais vibrantes, em que não faltam os icónicos gritos de Chester. A melancolia é, aliás, uma característica comum às últimas canções do álbum. A letra, curta, traça um cenário pós-batalha, com ecos de I'll Be Gone e Powerless, em que predomina a destruição, o vazio, os remorsos. Mark the Graves não é das minhas preferidas de The Hunting Party, mas acho que está bem feita. Pelo menos, não tenho defeitos a apontar.

 


10) Drawbar






 

 

Este é outro interlúdio instrumental, mais comprido que The Summoning e, na minha opinião, melhor conseguido. Muitos têm considerado um desperdício o facto de a participação de Tom Morello, guitarrista da banda Rise Against the Machine (com cujo trabalho não estou familiarizada), ter resultado apenas num mísero interlúdio e eu compreendo esse ponto de vista. No entanto, independentemente desse aspeto, na minha opinão Drawbar é uma bela peça musical, suave, melancólica, com as notas de guitarra (de Morello?), o piano, a bateria. Na conclusão, já só com o piano, adivinham-se algumas notas de Final Masquerade. Tudo isto faz de Drawbar uma bela ponte entre Mark the Graves e o mais recente single de The Hunting Party, apesar da participação desperdiçada de Tom Morello.

 


11) Final Masquerade






 

"Shadows floating over
Scars begin to fade"


 

Esta é a faixa de The Hunting Party que me cativou mais facilmente. Não é difícil perceber porquê: é a mais melódica de todo o álbum, sendo a melodia agradável, fluida, mesmo a pedir para ser cantada. Final Masquerade é uma balada rock, com um tema e um sentimento semelhante a Until It's Gone, mas menos eletrónica e com uma letra bem superior, mesmo não sendo nada de extraordinário. O tratamento musical é relativamente simples, mas desempenha muito bem o seu papel. Gosto particularmente do solo de guitarra desacompanhado antes do último refrão, que realça a emotividade da faixa.

 

Final Masquerade não traz nada de muito novo, tem até claros ecos de músicas como Powerless e I'll Be Gone, bem como das baladas de Minutes to Midnight e mesmo do side-project de Chester, Dead By Sunrise. No entanto, está tão bem feita que essa fraqueza é quase esquecida - e é uma pena que Until It's Gone não se possa gabar do mesmo. Final Masquerade dá, aliás, mais convicção à crença de que Until It's Gone devia ter sido excluída da tracklist ou, pelo menos, ter uma letra melhorzinha. 

 

Esta faixa foi recentemente lançada como single, o que não surpreende pois a música é das mais radiofónicas do CD. Seria uma boa faixa-conclusão a The Hunting Party... se não fosse A Line in the Sand.

 

 

12) A Line int the Sand

 

 



 

 

"And when they

They told us to go

We paid them no mind

Like every other time

But little did we know..."

 

 

A Line in the Sand é a faixa mais longa de The Hunting Party. Possui um princípio, meio e fim razoavelmente bem definidos. Começa suave, com os vocais misteriosos de Mike, antes de arrancar com a bateria, as guitarras, com caros ecos de Guilty All the Same. Esta faixa tem várias semelhanças com Mark the Graves, na medida em que alterna momentos mais agressivos com momentos mais suaves, vocais variados por parte de Chester e Mike com longos instrumentais.. Gosto do rap nesta canção, em que Mike diz uma frase de cada vez, com pausas pelo meio, uma variação ao esquema habitual. Por outro lado, não gosto dos versos "Pay for what you've done"  e "Give me back what's mine", cantados por Chester em screamo - parecem-me pouco originais.

Outra semelhança com Mark the Graves reside na letra, que faz uma continuação da mensagem de MTG: voltamos a cenários pós-batalha, pós-Apocalipse, falamos de consequências da guerra, da perda das ilusões, da inocência, da arrogância. A música lembra-me um pouco o terceiro livro dos Jogos da Fome na medida em que parece, também, falar da sensação de se ter sido usado, como peças num jogo de estratégia. De resto, com um bocadinho de imaginação, podemos discernir pontuais referências a outras músicas de The Hunting Party na letra de A Line in the Sand, tendo em conta sobretudo que a maioria dela fala das várias vertentes da guerra, daí que esta música seja um epílogo perfeito para este álbum.

A música acaba da mesma maneira como começou, com mágoa e mistério, encerrando The Hunting Party da forma adequada.


Estão analisadas as faixas de The Hunting Party. Alegações finais e, ainda, apontamentos sobre o concerto do Rock in Rio na última parte.





segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Linkin Park - The Hunting Party (2014) #2


Segunda parte da crítica a The Hunting Party. Primeira parte AQUI.

5) War



"Victory decides who's wrong or right"

War é provavelmente a música mais pesada de The Hunting Party. Cantada totalmente em screamo por parte de Chester, com um ritmo alucinante proporcionado pela bateria de Rob Bourdon (não admira que este tenha tido problemas nas costas durante as gravações deste álbum...) e uma letra muito pró-bélica, é unidimensionalmente um grito de guerra sob a forma de música, com todas as vantagens e desvantagens associadas a esse carácter.

6) Wastelands




"They talk like a shotgun
But how many got bred with integrity?
Not one"

Aquela que se tornou o terceiro single de The Hunting Party tem um significado especial para mim, pois a primeira vez que a ouvi na íntegra foi na fila da frente do Rock in Rio. Ainda durante o concerto dos Queen of Stone Age, Joe Hahn, o DJ dos Linkin Park, andou a distribuir CDs com o single pelo público, precisamente na zona onde me encontrava. Mais tarde, como podem ver no vídeo acima, Mike atiraria uma mão-cheia de CDs para a audiência antes da primeira apresentação da música. Não consegui nenhum CD, infelizmente, mas cheguei a ver um deles e a explicar a um dos felizes contemplados que receberam um que era o novo single. Tal como seria de esperar, o single apareceu no YouTube na manhã seguinte; no entanto, gostava de ter ficado com um dos CDs por motivos sentimentais - até porque suspeito que o tipo com quem falei não valorizaria o CD tanto como eu.

De qualquer forma, já foi bom ver o Joe Hahn a passar mesmo à minha frente.

Falarei melhor sobre o Rock in Rio mais à frente, para já continuemos a análise ao álbum. Se as circunstâncias em que Wastelands foi lançada como single foram especiais, a música em si, infelizmente, não é nada de especial. Em termos de letra está bem colocada no álbum a seguir a War, na medida em que pega onde a faixa anterior parou e segue até a um cenário pós-apocalíptico. Tem a estrutura-tipo das música dos Linkin Park, com o rap de Mike e o refrão de Chester, mas poucos elementos que lhe deem carácter para além disso. O refrão, aliás, soa-me demasiado similar ao de Guilty All the Same e nem sequer tem a mesma força. No entanto, gosto do último refrão, em que a música abranda e os vocais de Chester soam mais melodiosos. Pontos também para a transição para Until It's Gone. No entanto, na minha opinião, é das menos conseguidas de The Hunting Party.

7) Until It's Gone




"'Cause finding what you got sometimes
Means finding it alone"

Já tinha falado sobre o segundo single de The Hunting Party aqui. Pouco após publicar essa entrada, confesso que me senti algo hipócrita por ter criticado tão duramente a letra da música. Afinal, não se pode dizer que os Linkin Park sejam grandes poetas, se formos a ver, muitas das faixas deles têm letras fracas. No entanto, mantenho a minha opinião, pois várias das letras deles, ainda que longe de perfeitas, são suficientes para ser possível contar uma história a partir delas, ou pelo menos definir um cenário ou um sentimento. Por outro lado, em Bleed It Out estamos demasiado distraídos com a energia frenética, quase doentia, da música para nos preocuparmos com a letra.

Infelizmente, o excelente tratamento musical de Until It's Gone não chega para esquecer a letra repetitiva e cheia de clichés. Continuo a achar que bastava não repetirem até à exaustão a irritante frase-feita para Until It's Gone ser uma das melhores dos Linkin Park. Assim, mantém-se apenas mediana, o que é uma pena.

8) Rebellion




"And far away, they burn their buildings
Right in the face of the damage done"

Nesta faixa, participa Daron Malakian, da banda System of a Down, na guitarra. Muitos têm assinalado que Rebellion se assemelha, de facto, a uma canção dos SOAD - como não estou familiarizada com o trabalho da banda, não me posso pronunciar sobre esse aspeto. Apenas posso dizer que é uma das melhores de The Hunting Party.

De início, os vocais graves de Mike sobre este tipo de acompanhamento, causaram-se confusão. Cheguei mesmo a pensar que não era ele a cantar. No entanto, consegui entranhar. Reconheço que a banda arriscou com este tratamento, em vez de se contentar com a habitual estrutura Mike-no-rap-Chester-no-refrão e acho que esta experiência não saiu má de too. As vozes dos dois, Chester e Mike, casam bem, sobretudo no segundo e terceiro refrões. Também gosto das guitarras nesta música, pelo que a participação de Malakian não terá sido desperdiçada. Destaque para a sequência que se segue ao segundo refrão, antes dos gritos de Chester, com o crescendo de "We fall apart... we fall apart".

A letra de Rebellion é, na minha opinião, uma das melhores deste álbum, se não for a melhor. Com traços inesperadamente políticos e atuais, Rebellion fala sobre a opressão, a miséria, a guerra, a revolta dos povos, a partir do ponto de vista de países do primeiro mundo, que não têm de lidar com esses problemas, ou lidam em menor escala. Numa altura em que o mundo lida com tantos conflitos na Ucrânia, na faixa de Gaza, entre outros locais, este é um tema muito atual.

Como podem ver, Rebellion é um ponto forte de The Hunting Party. Muitos esperam que se torne single, mas é difícil de prever.


A crítica continua aqui.

Linkin Park - The Hunting Party (2014) #2



 



Segunda parte da crítica a The Hunting Party. Primeira parte AQUI.

 

5) War

 



 

"Victory decides who's wrong or right"


War é provavelmente a música mais pesada de The Hunting Party. Cantada totalmente em screamo por parte de Chester, com um ritmo alucinante proporcionado pela bateria de Rob Bourdon (não admira que este tenha tido problemas nas costas durante as gravações deste álbum...) e uma letra muito pró-bélica, é unidimensionalmente um grito de guerra sob a forma de música, com todas as vantagens e desvantagens associadas a esse carácter.

6) Wastelands






"They talk like a shotgun
But how many got bred with integrity?
Not one"


Aquela que se tornou o terceiro single de The Hunting Party tem um significado especial para mim, pois a primeira vez que a ouvi na íntegra foi na fila da frente do Rock in Rio. Ainda durante o concerto dos Queen of Stone Age, Joe Hahn, o DJ dos Linkin Park, andou a distribuir CDs com o single pelo público, precisamente na zona onde me encontrava. Mais tarde, como podem ver no vídeo acima, Mike atiraria uma mão-cheia de CDs para a audiência antes da primeira apresentação da música. Não consegui nenhum CD, infelizmente, mas cheguei a ver um deles e a explicar a um dos felizes contemplados que receberam um que era o novo single. Tal como seria de esperar, o single apareceu no YouTube na manhã seguinte; no entanto, gostava de ter ficado com um dos CDs por motivos sentimentais - até porque suspeito que o tipo com quem falei não valorizaria o CD tanto como eu.

De qualquer forma, já foi bom ver o Joe Hahn a passar mesmo à minha frente.

Falarei melhor sobre o Rock in Rio mais à frente, para já continuemos a análise ao álbum. Se as circunstâncias em que Wastelands foi lançada como single foram especiais, a música em si, infelizmente, não é nada de especial. Em termos de letra está bem colocada no álbum a seguir a War, na medida em que pega onde a faixa anterior parou e segue até a um cenário pós-apocalíptico. Tem a estrutura-tipo das música dos Linkin Park, com o rap de Mike e o refrão de Chester, mas poucos elementos que lhe deem carácter para além disso. O refrão, aliás, soa-me demasiado similar ao de Guilty All the Same e nem sequer tem a mesma força. No entanto, gosto do último refrão, em que a música abranda e os vocais de Chester soam mais melodiosos. Pontos também para a transição para Until It's Gone. No entanto, na minha opinião, é das menos conseguidas de The Hunting Party.

7) Until It's Gone






"'Cause finding what you got sometimes
Means finding it alone"

Já tinha falado sobre o segundo single de The Hunting Party aqui. Pouco após publicar essa entrada, confesso que me senti algo hipócrita por ter criticado tão duramente a letra da música. Afinal, não se pode dizer que os Linkin Park sejam grandes poetas, se formos a ver, muitas das faixas deles têm letras fracas. No entanto, mantenho a minha opinião, pois várias das letras deles, ainda que longe de perfeitas, são suficientes para ser possível contar uma história a partir delas, ou pelo menos definir um cenário ou um sentimento. Por outro lado, em Bleed It Out estamos demasiado distraídos com a energia frenética, quase doentia, da música para nos preocuparmos com a letra.

Infelizmente, o excelente tratamento musical de Until It's Gone não chega para esquecer a letra repetitiva e cheia de clichés. Continuo a achar que bastava não repetirem até à exaustão a irritante frase-feita para Until It's Gone ser uma das melhores dos Linkin Park. Assim, mantém-se apenas mediana, o que é uma pena.

8) Rebellion






"And far away, they burn their buildings
Right in the face of the damage done"

Nesta faixa, participa Daron Malakian, da banda System of a Down, na guitarra. Muitos têm assinalado que Rebellion se assemelha, de facto, a uma canção dos SOAD - como não estou familiarizada com o trabalho da banda, não me posso pronunciar sobre esse aspeto. Apenas posso dizer que é uma das melhores de The Hunting Party.

De início, os vocais graves de Mike sobre este tipo de acompanhamento, causaram-se confusão. Cheguei mesmo a pensar que não era ele a cantar. No entanto, consegui entranhar. Reconheço que a banda arriscou com este tratamento, em vez de se contentar com a habitual estrutura Mike-no-rap-Chester-no-refrão e acho que esta experiência não saiu má de too. As vozes dos dois, Chester e Mike, casam bem, sobretudo no segundo e terceiro refrões. Também gosto das guitarras nesta música, pelo que a participação de Malakian não terá sido desperdiçada. Destaque para a sequência que se segue ao segundo refrão, antes dos gritos de Chester, com o crescendo de "We fall apart... we fall apart".

A letra de Rebellion é, na minha opinião, uma das melhores deste álbum, se não for a melhor. Com traços inesperadamente políticos e atuais, Rebellion fala sobre a opressão, a miséria, a guerra, a revolta dos povos, a partir do ponto de vista de países do primeiro mundo, que não têm de lidar com esses problemas, ou lidam em menor escala. Numa altura em que o mundo lida com tantos conflitos na Ucrânia, na faixa de Gaza, entre outros locais, este é um tema muito atual.

Como podem ver, Rebellion é um ponto forte de The Hunting Party. Muitos esperam que se torne single, mas é difícil de prever.


A crítica continua aqui.




 



domingo, 3 de agosto de 2014

Linkin Park - The Hunting Party (2014) #1


A banda californiana Linkin Park lançou no dia 17 de junho o seu sexto álbum de estúdio, intitulado The Hunting Party. Neste trabalho, a banda adota uma das suas sonoridades mais pesadas até à data, se não for a mais pesada. Tal como já mencionei aqui no blogue, o objetivo da banda com este disco é resgatar o rock, o metal, estilos musicais que quase desapareceram, numa época muito dominada pelo eletrónico.

Como podem calcular, estou a publicar esta crítica com um atraso enorme. Em primeiro lugar, este álbum saiu numa altura muito complicada para mim, com o meu estágio e o Mundial. Mesmo estas últimas semanas têm sido complicadas para mim por vários motivos, e admito que tenho tido preguiça... As minhas desculpas se alguém esteve à espera desta análise.

Ainda não tenho uma ordem definida de preferência, pelo que, em vez de ordenar as faixas dessa maneira, vou respeitar a ordem da tracklist. Como o costume, a crítica estará dividida em quatro partes, esta é a primeira.

1) Keys to the Kingdom



"Careful what you shoot because you might hit what you aim for"

The Hunting Party começa logo a matar, com os gritos de Chester abrindo Keys to the Kingdom por cima de uma guitarra que me recorda Waiting for the End (deve ser interessante ter esta música como despertador...). A primeira faixa deste disco assemelha-se gritantemente (até pelos gritos de Chester...) a uma Victimized mais crua, menos eletrónica. As semelhanças são evidentes. Para além de o refrão ser parecido, a estrutura é praticamente a mesma; em ambas, a primeira estância é interpretada por Mike, assemelhando-se a uma canção de embalar, com efeitos de coro e tudo, e a segunda é um rap. Por vezes, quase espero que Chester comece a gritar "Victimized! Victimized! Never again!". O rap em Keys to the Kingdom, no entanto, é particularmente poderoso, sobretudo por causa da bateria, que a certa altura parece acentuar cada palavra de Mike. Gosto também no longo instrumental (um denominador comum a quase todas as canções de The Hunting Party) que se segue ao terceiro refrão, com os vocais de Mike e/ou Chester (não consigo destrinçar as vozes). Keys to the Kingdom define, deste modo, aquilo que nos espera no resto do álbum. 

2) All For Nothing




"And no I'm not your soldier, I'm not taking any orders
I'm a five star general infantry controller"

A segunda faixa de The Hunting Party conta com a colaboração de Page Hamilton, da banda Helmet, nos vocais. All for Nothing adota um ritmo midtempo, começando com um rap de Mike que se encaixa bem e  é extremamente cativante, como nas melhores músicas dos Linkin Park. Dá vontade de gesticular, como se fôssemos estrelas de hip-hop. Os "one, two, three, four" podem ser um pouco clichés, mas funcionam bem. Nisto, Page Hamilton canta o refrão com naturalidade, como se sempre tivesse feito parte dos Linkin Park. Os "you say", cantados por Chester no fim de cada verso do refrão, estão também muito bem sacados - logo na primeira audição eu gesticulava ao som destas palavras. Por fim, o solo de guitarra - elemento que faltou nos primeiros álbuns dos Linkin Park - é outro ponto forte da música. Tudo isto faz de All Fot Nothing um dos destaques de The Hunting Party. É, também, uma das poucas colaborações, entre as várias deste álbum, que realmente se justificam.

3) Guilty All The Same




"To me you're all the same, you're guilty"

Já falei de Guilty All The Same nesta entrada, pouco após o seu lançamento, não tenho muito mais a acrescentar. Apenas que, apesar de no início não ter gostado muito da participação de Rakim, tenho vindo a apreciar a letra do rap e reconheço que Mike não escreveria nada como aquilo. Mesmo no contexto do álbum, Guilty All the Same é uma canção muito sólida e não foi mal escolhida para primeiro single.

4) The Summoning


Esta faixa é um interlúdio de cerca de um minuto de duração, que mistura ruídos de estática com uns ameaços de guitarra elétrica. Suponho que a ideia fosse fazer uma ponte entre Guilty All the Same e War mas, para ser sincera, The Summoning pouco ou nada traz ao álbum. Se fosse cortada do alinhamento do álbum, provavelmente não se sentiria diferença.

Segunda parte da crítica aqui.

Linkin Park - The Hunting Party (2014) #1



 



A banda californiana Linkin Park lançou no dia 17 de junho o seu sexto álbum de estúdio, intitulado The Hunting Party. Neste trabalho, a banda adota uma das suas sonoridades mais pesadas até à data, se não for a mais pesada. Tal como já mencionei aqui no blogue, o objetivo da banda com este disco é resgatar o rock, o metal, estilos musicais que quase desapareceram, numa época muito dominada pelo eletrónico.

 

Como podem calcular, estou a publicar esta crítica com um atraso enorme. Em primeiro lugar, este álbum saiu numa altura muito complicada para mim, com o meu estágio e o Mundial. Mesmo estas últimas semanas têm sido complicadas para mim por vários motivos, e admito que tenho tido preguiça... As minhas desculpas se alguém esteve à espera desta análise.

 

Ainda não tenho uma ordem definida de preferência, pelo que, em vez de ordenar as faixas dessa maneira, vou respeitar a ordem da tracklist. Como o costume, a crítica estará dividida em quatro partes, esta é a primeira.

 

1) Keys to the Kingdom

 



 

"Careful what you shoot because you might hit what you aim for"

 

The Hunting Party começa logo a matar, com os gritos de Chester abrindo Keys to the Kingdom por cima de uma guitarra que me recorda Waiting for the End (deve ser interessante ter esta música como despertador...). A primeira faixa deste disco assemelha-se gritantemente (até pelos gritos de Chester...) a uma Victimized mais crua, menos eletrónica. As semelhanças são evidentes. Para além de o refrão ser parecido, a estrutura é praticamente a mesma; em ambas, a primeira estância é interpretada por Mike, assemelhando-se a uma canção de embalar, com efeitos de coro e tudo, e a segunda é um rap. Por vezes, quase espero que Chester comece a gritar "Victimized! Victimized! Never again!". O rap em Keys to the Kingdom, no entanto, é particularmente poderoso, sobretudo por causa da bateria, que a certa altura parece acentuar cada palavra de Mike. Gosto também no longo instrumental (um denominador comum a quase todas as canções de The Hunting Party) que se segue ao terceiro refrão, com os vocais de Mike e/ou Chester (não consigo destrinçar as vozes). Keys to the Kingdom define, deste modo, aquilo que nos espera no resto do álbum. 


2) All For Nothing






"And no I'm not your soldier, I'm not taking any orders
I'm a five star general infantry controller"

A segunda faixa de The Hunting Party conta com a colaboração de Page Hamilton, da banda Helmet, nos vocais. All for Nothing adota um ritmo midtempo, começando com um rap de Mike que se encaixa bem e  é extremamente cativante, como nas melhores músicas dos Linkin Park. Dá vontade de gesticular, como se fôssemos estrelas de hip-hop. Os "one, two, three, four" podem ser um pouco clichés, mas funcionam bem. Nisto, Page Hamilton canta o refrão com naturalidade, como se sempre tivesse feito parte dos Linkin Park. Os "you say", cantados por Chester no fim de cada verso do refrão, estão também muito bem sacados - logo na primeira audição eu gesticulava ao som destas palavras. Por fim, o solo de guitarra - elemento que faltou nos primeiros álbuns dos Linkin Park - é outro ponto forte da música. Tudo isto faz de All Fot Nothing um dos destaques de The Hunting Party. É, também, uma das poucas colaborações, entre as várias deste álbum, que realmente se justificam.

3) Guilty All The Same






"To me you're all the same, you're guilty"

Já falei de Guilty All The Same nesta entrada, pouco após o seu lançamento, não tenho muito mais a acrescentar. Apenas que, apesar de no início não ter gostado muito da participação de Rakim, tenho vindo a apreciar a letra do rap e reconheço que Mike não escreveria nada como aquilo. Mesmo no contexto do álbum, Guilty All the Same é uma canção muito sólida e não foi mal escolhida para primeiro single.

4) The Summoning




Esta faixa é um interlúdio de cerca de um minuto de duração, que mistura ruídos de estática com uns ameaços de guitarra elétrica. Suponho que a ideia fosse fazer uma ponte entre Guilty All the Same e War mas, para ser sincera, The Summoning pouco ou nada traz ao álbum. Se fosse cortada do alinhamento do álbum, provavelmente não se sentiria diferença.

Segunda parte da crítica aqui.





quarta-feira, 7 de maio de 2014

Músicas Não Tão Calhas - Until It's Gone


Na passada segunda-feira, dia 5 de maio, a banda norte-americana Linkin Park lançou Until It's Gone, o segundo avanço do seu sexto álbum de estúdio, The Hunting Party (tal como eu calculava que fariam mais ou menos nesta altura). Depois de o primeiro single, Guilty All the Same, se destacar pela sonoridade crua e metaleira, em Until It's Gone são resgatados alguns dos elementos que caracterizaram os últimos trabalhos da banda. No entanto, não se deixa de notar uma partida relativamente a Living Things, uma base bem mais rock.

 

"'Cause finding what you got sometimes
Means finding it alone"

Vou começar pelo menos bom da música, que é a letra. Esta encaixa-se no que é típico dos Linkin Park; no entanto torna-se demasiado repetitiva, acabando por se tornar irritante. Martela vezes sem conta a frase-feita "you don't know what you've got until it's gone" e o (escasso) resto da letra gira em torno disso. O que é pena, porque alguns versos da segunda estância tinham potencial para ir além do chavão, dar um pouco mais de profundidade à música, se as ideias latentes tivessem sido desenvolvidas. É a segunda vez num curto espaço de tempo que as letras da banda caem na armadilha dos clichés, das frases-feiras, espero que isto não esteja a constituir-se um hábito.

O arranjo musical é, de longe, o ponto forte de Until It's Gone. Em ritmo midtempo, a faixa abre com uma sequência eletrónica, que se torna a marca identificativa de Until It's Gone. Não faltam guitarras elétricas, com o respetivo solo, que se misturam com órgãos de igreja e um som que se assemelha ao repicar de sinos. A maior surpresa reside nos coros suave. Todos estes elementos conjugados conferem a Until It's Gone um carácter em simultâneo épico e dramático. Não me lembro de os Linkin Park alguma vez terem lançado uma música assim - talvez o tenham feito em A Thousand Suns, não estou tão familiarizada com ese álbum. Possui, contudo, alguns ecos de Powerless.

A única falha da sonoridade de Until it's Gone diz respeito aos perfeitamente desnecessários efeitos na voz de Chester.


Conforme já foi dado a entender anteriormente, Until It's Gone diverge de Guilty All the Same e mesmo daquilo que tem sido descrito como o estilo de The Hunting Party. Calculo que a música tenha sido incluída no álbum de propósito para servir de single radiofónico. Porque, sejamos sinceros, por muito que eles queiram salvar o rock, não vão conseguir fazê-lo se o álbum não for ouvido por ninguém a não ser os fãs da banda e/ou do estilo musical. O tema até se encaixa na premissa de que já falei aqui no blogue: a ideia em que os produtores musicais parecem acreditar, de que, hoje em dia, os apreciadores de música só conseguem decorar três versos por música no máximo.

Não digo que o desejo deles de terem tempo de antena seja uma coisa má, atenção. Numa altura em que, no meu estágio, temos a Rádio Comercial ligada o dia todo (acreditem, não é pêra doce), seria agradável ouvir Until It's Gone por entre os temas que, não sendo maus, se tornam cansativos de tanto serem martelados repetidamente sob a forma de ondas hertzianas. O meu problema com esta música é que, na minha opinião, Until It's Gone tinha potencial para ser algo extraordinário, ao nível dos melhores temas dos Linkin Park - e chegou a parecer-mo da primeira vez que a ouvi - mas, por causa da letra pouco imaginativa, contenta-se em ser apenas "boa". 

Espero, sinceramente, que isso não seja a regra no resto de The Hunting Party porque, depois de Living Things, tenho a fasquia alta. O mesmo se passa com o concerto do Rock in Rio, dia 30 deste mês, que espero tão bom como os das edições de 2008 e 2014. Sei que estou a ser exigente, mas temos pena. Foram os Linkin Park que me habituaram mal.
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