sábado, 3 de agosto de 2013

Dead By Sunrise - Out of Ashes (2009)


Hoje quero falar-vos de um álbum que já saiu há quase quatro anos mas que só descobri há alguns meses. Entre vídeos dos Linkin Park, no YouTube, encontrei alguns relativos a Dead By Sunrise, o chamado side-project ou projeto lateral de Chester Bennington, em parceria com membros da banda Julien-K. Cheguei a ouvir uma ou outra música e, como gostasse do que ouvia, quis conhecer o álbum todo. Em Out of Ashes, Chester adotou uma direção que considerava não encaixar no estilo dos Linkin Park - em vez de teorias híbridas, temos um rock mais clássico, em comparação; nalgumas faixas mais pesado, noutras mais leve e acústico, noutras com algumas influências eletrónicas. As letras são bastante pessoais, bem mais pessoais do que a larga maioria das músicas dos Linkin Park.

O nome Out of Ashes (Das Cinzas) refere-se, como se deduz facilmente, a uma recuperação, ao abandono de um caminho auto-destrutivo, a um renascimento. Nessa linha, abordam os vários altos e baixos experimentados pelo Chester ao longo da sua vida, em particular nos anos imediatamente anteriores à edição deste álbum.


Músicas como Crawl Back In, My Sufferin', Condemned não diferem muito de certas músicas dos Linkin Park, sobretudo no que toca à letra, embora a sonoridade seja mais grunge do que o habitual na banda. Não faltam os icónicos gritos do Chester, bem como solos de guitarra em quase todas as faixas. Estas músicas bastante sombrias referem-se as dificuldades por que Chester passou: uma infância eufemisticamente difícil, problemas amorosos, dependência de drogas e álcool. Crawl Back In é uma crise existencial. Em Condemned, o sofrimento é tanto que já se transformou em masoquismo. End of the World é uma crítica à sociedade atual.

A faixa extra Morning After, que fala sobre a vontade de adormecer até a tempestade passar, foi composta por Chester aos quinze anos (!!!) e possui duas versões: uma mais eletrónica e outra mais roqueira, de que gosto mais. Apesar do caráter mais rock, não deixa de ter algumas notas eletrónicas, que chegam a confundir-se com o solo de guitarra, criando um som que me agrada muito. Também gosto da repetição da palavra "Alive" no segundo e terceiro refrão.

 Por outro lado, em Inside of Me, dá-se o reconhecimento de que se está no caminho errado e que cabe ao próprio sujeito narrativo mudar essa situação.


Para além destas faixas, existem outras com uma sonoridade mais leve. Estas expressam sentimentos de alguma vulnerabilidade, algumas delas fazendo-me lembrar Castle of Glass. Let Down, a mais eletrónica do álbum, com um arranjo que considero bem conseguido, dando um tom etéreo à música, fala de desilusão e receio de passar pelo mesmo outra vez. Walking in Circles, guiada pela guitarra acústica recorda-me, em termos de letra, From the Inside e Somewhere I Belong, dos Linkin Park. Vem em linha com End of the World na medida em que também exprime desilusão perante o mundo em redor.

Too Late é uma das minhas preferidas em todo o álbum. Também com elementos eletrónicos, desta feita mais discretos mas que não deixam de conferir um tom etéreo, recorda-me Astronaut, dos Simple Plan. Mais porque ambas definem bem um momento particular do meu terceiro livro, uma das minhas partes preferidas da obra. Tal como Astronaut, fala de solidão, abandono, desorientação. No entanto, para além disso, o sujeito narrativo sabe que terá de ser ele mesmo a salvar-se. Por fim, gosto dos vocais no último refrão, perto do fim da faixa.

Into You olha para o caminho passado, de altos e baixos, vários erros cometidos, a que se sobreviveu contra todas as expectativas, que o tornou na pessoa que é hoje.


No entanto, foram as músicas de amor que mais me surpreenderam, por serem inéditas na discografia dos Linkin Park - estes possuem várias baladas mas nenhuma assume, preto no branco, um carácter romântico. In the Darkness é um tema mais para o romântico-erótico. Fire é uma balada rock, grandiosa, de letra simples mas cantada magistralmente, dando-lhe um carácter épico, em que nem o discreto grito de Chester destoa. Por sua vez, Give Me Your Name podia rivalizar com as clássicas músicas românticas. É definitivamente uma canção que se poderia ouvir num casamento, até pela letra. Confesso que nunca esperei ouvir o Chester - o tipo que, no Rock in Rio do ano passado, exibia quase sempre cara de mau, ficando vermelho como um pimentão e suando cascatas quando gritava, ao ponto de eu recear que o homem rebentasse ali mesmo, no palco - cantar uma música deste género. Mas está mais do que provado que ele pode fazê-lo.

Devo dizer que gostei muito deste álbum, considero-o uma experiência bem sucedida. Ficou demonstrada a versatilidade do Chester como cantor - a sua voz é compatível tanto com as teorias híbridas dos Linkin Park como com as várias variantes do rock, desde o grunge às baladas mais suaves. Gostaria de ouvir um eventual segundo álbum de Dead by Sunrise mas parece que é pouco provável que este seja criado. Infelizmente.

Entretanto, hei de ouvir, também, as músicas do Fort Minor, o projeto lateral de Mike Shinoda, o rapper dos Linkin Park. Talvez fale dele aqui no Álbum.


Chester Bennington é uma das pessoas que tenho aprendido a admirar nos últimos tempos. Sem saber pormenores - e não estou interessada em conhecê-los, não são da minha conta - sei que a sua vida não tem sido fácil. Out of Ashes é um testemunho disso. No entanto, em vídeos de bastidores, o homem não parece nada traumatizado nem nada do género, antes pelo contrário: passa a vida a fazer palhaçadas, em particular com os colegas de banda, seja ela Linkin Park ou Dead By Sunrise. Não sei se é apenas para a câmara, não sei se é por estar entre amigos, não sei se é por muita gente no mundo da música rock ser também assim. Talvez a música seja suficientemente terapêutica para ele não ser demasiado assombrado pelo seu passado durante o resto do tempo. Em todo o caso, ele não parece ser uma pessoa amarga e misantrópica em que, se calhar, outro que tivesse experimentado o mesmo se transformaria.

Espero que o Chester tenha, de facto, ultrapassado a dependência em álcool e drogas, até porque estes tornaram recentemente a levar a melhor sobre mais um famoso. O Chester é das últimas pessoas que desejaria que se juntassem a esse mórbido clube. Seria um desperdício. Se, pelo contrário, ele conseguiu ultrapassar tudo isto, pode-se dizer que Chester Bennington é um exemplo e uma inspiração para todos nós.

Dead By Sunrise - Out of Ashes (2009)



BWGEneLCIAAdta3.jpg


 




Hoje quero falar-vos de um álbum que já saiu há quase quatro anos mas que só descobri há alguns meses. Entre vídeos dos Linkin Park, no YouTube, encontrei alguns relativos a Dead By Sunrise, o chamado side-project ou projeto lateral de Chester Bennington, em parceria com membros da banda Julien-K. Cheguei a ouvir uma ou outra música e, como gostasse do que ouvia, quis conhecer o álbum todo. Em Out of Ashes, Chester adotou uma direção que considerava não encaixar no estilo dos Linkin Park - em vez de teorias híbridas, temos um rock mais clássico, em comparação; nalgumas faixas mais pesado, noutras mais leve e acústico, noutras com algumas influências eletrónicas. As letras são bastante pessoais, bem mais pessoais do que a larga maioria das músicas dos Linkin Park.

O nome Out of Ashes (Das Cinzas) refere-se, como se deduz facilmente, a uma recuperação, ao abandono de um caminho auto-destrutivo, a um renascimento. Nessa linha, abordam os vários altos e baixos experimentados pelo Chester ao longo da sua vida, em particular nos anos imediatamente anteriores à edição deste álbum.

 



Músicas como Crawl Back In, My Sufferin', Condemned não diferem muito de certas músicas dos Linkin Park, sobretudo no que toca à letra, embora a sonoridade seja mais grunge do que o habitual na banda. Não faltam os icónicos gritos do Chester, bem como solos de guitarra em quase todas as faixas. Estas músicas bastante sombrias referem-se as dificuldades por que Chester passou: uma infância eufemisticamente difícil, problemas amorosos, dependência de drogas e álcool. Crawl Back In é uma crise existencial. Em Condemned, o sofrimento é tanto que já se transformou em masoquismo. End of the World é uma crítica à sociedade atual.

A faixa extra Morning After, que fala sobre a vontade de adormecer até a tempestade passar, foi composta por Chester aos quinze anos (!!!) e possui duas versões: uma mais eletrónica e outra mais roqueira, de que gosto mais. Apesar do caráter mais rock, não deixa de ter algumas notas eletrónicas, que chegam a confundir-se com o solo de guitarra, criando um som que me agrada muito. Também gosto da repetição da palavra "Alive" no segundo e terceiro refrão.

 Por outro lado, em Inside of Me, dá-se o reconhecimento de que se está no caminho errado e que cabe ao próprio sujeito narrativo mudar essa situação.





Para além destas faixas, existem outras com uma sonoridade mais leve. Estas expressam sentimentos de alguma vulnerabilidade, algumas delas fazendo-me lembrar Castle of Glass. Let Down, a mais eletrónica do álbum, com um arranjo que considero bem conseguido, dando um tom etéreo à música, fala de desilusão e receio de passar pelo mesmo outra vez. Walking in Circles, guiada pela guitarra acústica recorda-me, em termos de letra, From the Inside e Somewhere I Belong, dos Linkin Park. Vem em linha com End of the World na medida em que também exprime desilusão perante o mundo em redor.

Too Late é uma das minhas preferidas em todo o álbum. Também com elementos eletrónicos, desta feita mais discretos mas que não deixam de conferir um tom etéreo, recorda-me Astronaut, dos Simple Plan. Mais porque ambas definem bem um momento particular do meu terceiro livro, uma das minhas partes preferidas da obra. Tal como Astronaut, fala de solidão, abandono, desorientação. No entanto, para além disso, o sujeito narrativo sabe que terá de ser ele mesmo a salvar-se. Por fim, gosto dos vocais no último refrão, perto do fim da faixa.

Into You olha para o caminho passado, de altos e baixos, vários erros cometidos, a que se sobreviveu contra todas as expectativas, que o tornou na pessoa que é hoje.




No entanto, foram as músicas de amor que mais me surpreenderam, por serem inéditas na discografia dos Linkin Park - estes possuem várias baladas mas nenhuma assume, preto no branco, um carácter romântico. In the Darkness é um tema mais para o romântico-erótico. Fire é uma balada rock, grandiosa, de letra simples mas cantada magistralmente, dando-lhe um carácter épico, em que nem o discreto grito de Chester destoa. Por sua vez, Give Me Your Name podia rivalizar com as clássicas músicas românticas. É definitivamente uma canção que se poderia ouvir num casamento, até pela letra. Confesso que nunca esperei ouvir o Chester - o tipo que, no Rock in Rio do ano passado, exibia quase sempre cara de mau, ficando vermelho como um pimentão e suando cascatas quando gritava, ao ponto de eu recear que o homem rebentasse ali mesmo, no palco - cantar uma música deste género. Mas está mais do que provado que ele pode fazê-lo.

Devo dizer que gostei muito deste álbum, considero-o uma experiência bem sucedida. Ficou demonstrada a versatilidade do Chester como cantor - a sua voz é compatível tanto com as teorias híbridas dos Linkin Park como com as várias variantes do rock, desde o grunge às baladas mais suaves. Gostaria de ouvir um eventual segundo álbum de Dead by Sunrise mas parece que é pouco provável que este seja criado. Infelizmente.

Entretanto, hei de ouvir, também, as músicas do Fort Minor, o projeto lateral de Mike Shinoda, o rapper dos Linkin Park. Talvez fale dele aqui no Álbum.



 

Chester Bennington é uma das pessoas que tenho aprendido a admirar nos últimos tempos. Sem saber pormenores - e não estou interessada em conhecê-los, não são da minha conta - sei que a sua vida não tem sido fácil. Out of Ashes é um testemunho disso. No entanto, em vídeos de bastidores, o homem não parece nada traumatizado nem nada do género, antes pelo contrário: passa a vida a fazer palhaçadas, em particular com os colegas de banda, seja ela Linkin Park ou Dead By Sunrise. Não sei se é apenas para a câmara, não sei se é por estar entre amigos, não sei se é por muita gente no mundo da música rock ser também assim. Talvez a música seja suficientemente terapêutica para ele não ser demasiado assombrado pelo seu passado durante o resto do tempo. Em todo o caso, ele não parece ser uma pessoa amarga e misantrópica em que, se calhar, outro que tivesse experimentado o mesmo se transformaria.

 

Espero que o Chester tenha, de facto, ultrapassado a dependência em álcool e drogas, até porque estes tornaram recentemente a levar a melhor sobre mais um famoso. O Chester é das últimas pessoas que desejaria que se juntassem a esse mórbido clube. Seria um desperdício. Se, pelo contrário, ele conseguiu ultrapassar tudo isto, pode-se dizer que Chester Bennington é um exemplo e uma inspiração para todos nós.

sábado, 20 de julho de 2013

Músicas Não Tão Ao Calhas - Rock N Roll


BPezDOZCUAAri6v.jpg


 



Já se sabia há algum tempo que Rock N Roll seria o segundo single de trabalho do quinto álbum de estúdio de Avril Lavigne. Sabia-se que sairia em julho. Confesso que não andava particularmente entusiasmada com o lançamento da música. Segundo o que a própria Avril dissera, podia-se deduzir que pouco de novo traria. Estava mais ansiosa por saber mais sobre o quinto disco. Além de que a irritante lentidão que tem caracterizado os trabalhos relacionados com este álbum em nada tem ajudado.

 

Em linha com este espírito, quando ontem, quinta-feira dia 19 de julho, no site oficial da cantora, desafiaram-nos a nós, os fãs, a desbloquear Rock N Roll através de tweets, julguei que, na melhor das hipóteses, desbloquearíamos um excerto de vinte ou trinta segundos da faixa. Não deixei de participar na campanha, mesmo assim, juntamente com outros fãs. Ao fim de para aí duas horas, depois de ter excedido o limite de tweets e de os ter recuperado, para minha surpresa, a música foi divulgada na sua totalidade. 

 



"I am the motherfreaking princess
You still love me"

Não sei dizer se foi por a música ser, de facto, boa, de qualidade acima da média, ou se foi apenas a emoção pelo lançamento de uma faixa nova da minha cantora preferida, ainda por cima depois de duas horas antecipando este lançamento no Twitter. A verdade é que as mãos tremiam-me quando ouvi a música pela primeira vez e, depois disso, passei mais um par de horas, com Rock N Roll em repetição nos meus headphones, dançando pela casa fora, ora no meu quarto, ora na presença de outras pessoas, quando ninguém estava a ver.

Não demorei, contudo, muito tempo a aperceber-me que Rock N Roll é, no fundo, uma segunda versão de Smile - que também foi segundo single de Goodbye Lullaby e teve o mesmo produtor - tanto em termos de sonoridade como de letra. As semelhanças são gritantes. Tal como Smile, Rock N Roll assenta em batidas fortes e acordes de guitarra elétrica, que dão um carácter dançante e verdadeiramente contagioso, com uma parte em acústico antes dos últimos refrões. Mesmo a melodia é parecida, cantada da mesma forma, apimentada com "hey! hey! hey!" e "oh oh oh oh yeah", que deixam a música ainda mais cativante. Há também quem compare à clássica I Love Rock N Roll, criada por The Arrows e imortalizada por Joan Jett.




Uma coisa de que gostei muito em Rock N Roll foi a inclusão de um solo de guitarra. Tirando Sk8er Boi e outras faixas de Let Go, uma ou outra música nos outros álbuns, não existem mais solos de guitarra na discografia da Avril, apesar do seu registo predominantemente pop rock. O que é uma pena. Todos os apreciadores de rock gostam de um bom solo de guitarra.

Por outro lado, na minha opinião, o encerramento da música ficou demasiado apressado. Gostava que tivessem prolongado a parte final. Que tivessem repetido mais duas vezes a frase "Rock N Roll! Hey! Hey! Hey!" e esticado o solo de guitarra por detrás.


 

A letra descreve um relacionamento semelhante ao descrito em Smile: a uma narradora amalucada, roqueira, e um homem que a ama mesmo assim, que também é assim. Enquanto Smile se foca mais no lado romântico, Rock N Roll fala mais do espírito livre, que acaba por ser uma boa descrição da atitude que tem caracterizado a carreira musical da Avril: rebeldia no comportamento, na aparência, nas palavras, muitos dedos do meio levantados. Para além das referências a Girlfriend e a Bad Reputation, de Joan Jett mais uma vez, a letra traz ainda alguns ecos de Here's to Never Growing Up.

Uma das polémicas entre os fãs relacionadas com Rock N Roll tem sido, mesmo antes de a música tem sido lançada, se a faixa é suficientemente rock para merecer ser chamara Rock N Roll. Tem a ver, também, com a velha questão, se Avril Lavigne é rock ou pop, com que muitos fãs se debatem. Penso que já aqui expliquei que não ligo por aí além a este tipo de rótulos, que os considero limitativos, que não vou gostar mais ou menos de uma música consoante esta é mainstream ou não. Daí que, para mim, a questão sobre se a música da Avril é pop ou rock é secundária, para não dizer irrelevante. Considero que Rock N Roll tem suficientes elementos rock para o título não parecer ridículo. Por outro lado, não sei se o espírito descrito na música é rigorosamente aquilo que os especialistas entendem por atitude "rock and roll" mas, tal como afirmei anteriormente, descreve bem a Avril.



 

Como podem ver, Rock N Roll está longe de ser uma música do outro mundo, tal como Here's to Never Growing Up não o foi. Depois da última ter "recriado" Complicated, Rock N Roll "recria" Smile. Estou, aliás, com medo que este álbum traga pouco de original. No entanto, Rock N Roll teve o mérito de me deixar de novo enfeitiçada, dançando que nem uma maluca, tal como descrevi acima - algo que Here's to Never Growing Up não conseguiu fazer. Numa altura em que me começava a fartar dos caprichos da Avril e respetiva editora discográfica, em que pensava que, se calhar, já não gostava assim tanto dela, Rock N Roll aparece para me recordar do motivo pela qual continuo a referir Avril Lavigne como a minha cantora preferida. Para renovar o encantamento. E, se já fiquei assim com apenas mais um single, imaginem o estado em que ficarei quando o quinto álbum sair, finalmente, mesmo que, tal como mencionei antes, traga pouco de inédito. Juro que não consigo explicar porque é que isto acontece. Já o afirmei aqui várias vezes, no que toca à Avril não sou capaz de ser racional. A mulher enfeitiçou-me, e bem!

E acho que não fui a única.

O que me chateia, por outro lado, é continuarmos sem saber pormenores sobre o quinto álbum (título, capa, data de lançamento...). Se realmente sair em setembro (algo de que começo a duvidar), tudo isso terá de ser divulgado em breve. Em todo o caso, até lá, ainda sairá o lyric video e o videoclipe.




Entretanto, os Within Temptation têm também um álbum prestes a sair do forno e o primeiro single deve sair em breve. Pelo que dá para ver neste vídeo-teaser, parece que vem aí uma coisa em grande. Não deixarei de escrever sobre este single mas tenho medo que este saia quando estiver de férias e sem acesso à Internet. Mesmo que não consiga publicar logo a seguir ao lançamento, mantenham-se ligados, publicarei a minha análise assim que puder.

Isto é, se nessa altura já tiver conseguido ouvir outra música que não seja Rock N Roll. É que, até agora, está difícil...

Músicas Não Tão Ao Calhas - Rock N Roll


Já se sabia há algum tempo que Rock N Roll seria o segundo single de trabalho do quinto álbum de estúdio de Avril Lavigne. Sabia-se que sairia em julho. Confesso que não andava particularmente entusiasmada com o lançamento da música. Segundo o que a própria Avril dissera, podia-se deduzir que pouco de novo traria. Estava mais ansiosa por saber mais sobre o quinto disco. Além de que a irritante lentidão que tem caracterizado os trabalhos relacionados com este álbum em nada tem ajudado.

Em linha com este espírito, quando ontem, quinta-feira dia 19 de julho, no site oficial da cantora, desafiaram-nos a nós, os fãs, a desbloquear Rock N Roll através de tweets, julguei que, na melhor das hipóteses, desbloquearíamos um excerto de vinte ou trinta segundos da faixa. Não deixei de participar na campanha, mesmo assim, juntamente com outros fãs. Ao fim de para aí duas horas, depois de ter excedido o limite de tweets e de os ter recuperado, para minha surpresa, a música foi divulgada na sua totalidade. 


"I am the motherfreaking princess
You still love me"

Não sei dizer se foi por a música ser, de facto, boa, de qualidade acima da média, ou se foi apenas a emoção pelo lançamento de uma faixa nova da minha cantora preferida, ainda por cima depois de duas horas antecipando este lançamento no Twitter. A verdade é que as mãos tremiam-me quando ouvi a música pela primeira vez e, depois disso, passei mais um par de horas, com Rock N Roll em repetição nos meus headphones, dançando pela casa fora, ora no meu quarto, ora na presença de outras pessoas, quando ninguém estava a ver.

Não demorei, contudo, muito tempo a aperceber-me que Rock N Roll é, no fundo, uma segunda versão de Smile - que também foi segundo single de Goodbye Lullaby e teve o mesmo produtor - tanto em termos de sonoridade como de letra. As semelhanças são gritantes. Tal como Smile, Rock N Roll assenta em batidas fortes e acordes de guitarra elétrica, que dão um carácter dançante e verdadeiramente contagioso, com uma parte em acústico antes dos últimos refrões. Mesmo a melodia é parecida, cantada da mesma forma, apimentada com "hey! hey! hey!" e "oh oh oh oh yeah", que deixam a música ainda mais cativante. Há também quem compare à clássica I Love Rock N Roll, criada por The Arrows e imortalizada por Joan Jett.


Uma coisa de que gostei muito em Rock N Roll foi a inclusão de um solo de guitarra. Tirando Sk8er Boi e outras faixas de Let Go, uma ou outra música nos outros álbuns, não existem mais solos de guitarra na discografia da Avril, apesar do seu registo predominantemente pop rock. O que é uma pena. Todos os apreciadores de rock gostam de um bom solo de guitarra.

Por outro lado, na minha opinião, o encerramento da música ficou demasiado apressado. Gostava que tivessem prolongado a parte final. Que tivessem repetido mais duas vezes a frase "Rock N Roll! Hey! Hey! Hey!" e esticado o solo de guitarra por detrás.

A letra descreve um relacionamento semelhante ao descrito em Smile: a uma narradora amalucada, roqueira, e um homem que a ama mesmo assim, que também é assim. Enquanto Smile se foca mais no lado romântico, Rock N Roll fala mais do espírito livre, que acaba por ser uma boa descrição da atitude que tem caracterizado a carreira musical da Avril: rebeldia no comportamento, na aparência, nas palavras, muitos dedos do meio levantados. Para além das referências a Girlfriend e a Bad Reputation, de Joan Jett mais uma vez, a letra traz ainda alguns ecos de Here's to Never Growing Up.

Uma das polémicas entre os fãs relacionadas com Rock N Roll tem sido, mesmo antes de a música tem sido lançada, se a faixa é suficientemente rock para merecer ser chamara Rock N Roll. Tem a ver, também, com a velha questão, se Avril Lavigne é rock ou pop, com que muitos fãs se debatem. Penso que já aqui expliquei que não ligo por aí além a este tipo de rótulos, que os considero limitativos, que não vou gostar mais ou menos de uma música consoante esta é mainstream ou não. Daí que, para mim, a questão sobre se a música da Avril é pop ou rock é secundária, para não dizer irrelevante. Considero que Rock N Roll tem suficientes elementos rock para o título não parecer ridículo. Por outro lado, não sei se o espírito descrito na música é rigorosamente aquilo que os especialistas entendem por atitude "rock and roll" mas, tal como afirmei anteriormente, descreve bem a Avril.


Como podem ver, Rock N Roll está longe de ser uma música do outro mundo, tal como Here's to Never Growing Up não o foi. Depois da última ter "recriado" Complicated, Rock N Roll "recria" Smile. Estou, aliás, com medo que este álbum traga pouco de original. No entanto, Rock N Roll teve o mérito de me deixar de novo enfeitiçada, dançando que nem uma maluca, tal como descrevi acima - algo que Here's to Never Growing Up não conseguiu fazer. Numa altura em que me começava a fartar dos caprichos da Avril e respetiva editora discográfica, em que pensava que, se calhar, já não gostava assim tanto dela, Rock N Roll aparece para me recordar do motivo pela qual continuo a referir Avril Lavigne como a minha cantora preferida. Para renovar o encantamento. E, se já fiquei assim com apenas mais um single, imaginem o estado em que ficarei quando o quinto álbum sair, finalmente, mesmo que, tal como mencionei antes, traga pouco de inédito. Juro que não consigo explicar porque é que isto acontece. Já o afirmei aqui várias vezes, no que toca à Avril não sou capaz de ser racional. A mulher enfeitiçou-me, e bem!

E acho que não fui a única.

O que me chateia, por outro lado, é continuarmos sem saber pormenores sobre o quinto álbum (título, capa, data de lançamento...). Se realmente sair em setembro (algo de que começo a duvidar), tudo isso terá de ser divulgado em breve. Em todo o caso, até lá, ainda sairá o lyric video e o videoclipe.


Entretanto, os Within Temptation têm também um álbum prestes a sair do forno e o primeiro single deve sair em breve. Pelo que dá para ver neste vídeo-teaser, parece que vem aí uma coisa em grande. Não deixarei de escrever sobre este single mas tenho medo que este saia quando estiver de férias e sem acesso à Internet. Mesmo que não consiga publicar logo a seguir ao lançamento, mantenham-se ligados, publicarei a minha análise assim que puder.

Isto é, se nessa altura já tiver conseguido ouvir outra música que não seja Rock N Roll. É que, até agora, está difícil...

sábado, 13 de julho de 2013

Bones/Ossos - oitava temporada

Alerta Spoiler: este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que só é aconselhável lê-lo caso tenha visto todos os episódios da oitava temporada de Bones/Ossos, até para a própria compreensão desta entrada.



A única série, das que vejo há mais tempo, que sigo com fidelidade absoluta é Bones/Ossos. A emissão da oitava temporada terminou na FOX há algumas semanas e já se sabe que teremos nona temporada.

Começarei pelo melhor. Os pontos fortes da série - a interação entre as personalidades díspares do elenco e o humor negro da praxe - mantém-se, distinguindo-se de tantas outras séries policiais. Também se nota uma evolução nas personagens, com óbvio destaque para a protagonista Temperance Brennan, também conhecida por Bones. Durante vários anos, Bones refugiara-se atrás de uma máscara de racionalidade. Contudo, o seu relacionamento com Booth e a maternidade deixaram-na mais vulnerável ao seu lado emotivo, apesar de muitos dos seus traços mais característicos se manterem: a sua visão do mundo a preto e brando, a sua fria mas ingénua honestidade, sem subtilezas. Esta mudança refletiu-se no último episódio, quando ela pede Booth em casamento.


Notou-se, também, ao longo desta temporada, uma tentativa de introduzir variações no esquema habitual dos episódios, com resultados finais de qualidade díspar. Os que mais gostei foram "The Patriot in Purgatory" - em que se aborda a ferida por cicatrizar que é o 11 de setembro - e "The Pathos in the Pathogens", por envolver conceitos de Virologia, uma das disciplinas de que mais gostei até agora no meu curso. Aquele de que menos gostei foi The Shot in the Dark, em que Brennan foi alvejada. Este foi um dos capítulos que procurou comprovar a evolução emocional da protagonista mas de uma forma desnecessariamente batida: o contacto com entes queridos falecidos durante uma experiência de quase morte é um enorme chavão e a descoberta de que o distanciamento emocional de Brennan resulta da última conversa que teve com a mãe antes de a abandonar, para além de ser também um cliché, destrói a explicação bem menos melodramática, sustentada por mais de sete anos da série, de que a frieza resulta do trauma do abandono em si. 

A temporada exibiu outras fraquezas para além desta. No primeiro episódio, o nome de Brennan é limpo e ela regressa após meses em fuga com a filha. Seria de esperar que esta ausência prolongada trouxesse consequências para a relação com Booth mas tais problemas são resolvidos logo no segundo episódio e, depois, é como se Brennan nunca tivesse fugido. E embora, como li algures, seja refrescante ver na televisão uma relação saudável, sem dramas de maior, às vezes não parece credível.


Existiu também alguma falta de consistência entre os episódios envolvendo Peleant e os outros. Para além de serem absurdamente tensos quando comparados com os outros da série, nos outros episódios, as personagens parecem esquecer-se que anda um assassino psicopata decidido a magoá-los à solta. Parecem duas séries diferentes, por vezes. 

Também não me agrado que a linha narrativa envolvendo Peleant tenha sido prolongada até à próxima temporada. Começam a enrolar demasiado a história que, de resto, não ocupou mais do que três episódios este ano. Receio que, a menos que a ponta seja atada logo no primeiro episódio da nona temporada, a coisa descarrile.

De resto, é apenas uma especificação da minha opinião geral sobre Bones. Apesar de não ser atualmente a minha série preferida, continua a ser um entretenimento eficaz. Por quanto tempo mais, não sei dizer. Sinto que Bones se encontra perigosamente à beira de exibir sinais de desgaste. Como tal, espero que os produtores não deixem que uma boa série como esta vá por água abaixo - algo que tem acontecido demasiadas vezes - que saibam quando devem parar e que, nessa altura, possamos despedir-nos de Brennan, de Booth e de toda a equipa forense do Jeffersonian da melhor forma.

Bones/Ossos - oitava temporada

Alerta Spoiler: este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que só é aconselhável lê-lo caso tenha visto todos os episódios da oitava temporada de Bones/Ossos, até para a própria compreensão desta entrada.

 

BPezDOZCUAAri6v.jpg


 



A única série, das que vejo há mais tempo, que sigo com fidelidade absoluta é Bones/Ossos. A emissão da oitava temporada terminou na FOX há algumas semanas e já se sabe que teremos nona temporada.

 

Começarei pelo melhor. Os pontos fortes da série - a interação entre as personalidades díspares do elenco e o humor negro da praxe - mantém-se, distinguindo-se de tantas outras séries policiais. Também se nota uma evolução nas personagens, com óbvio destaque para a protagonista Temperance Brennan, também conhecida por Bones. Durante vários anos, Bones refugiara-se atrás de uma máscara de racionalidade. Contudo, o seu relacionamento com Booth e a maternidade deixaram-na mais vulnerável ao seu lado emotivo, apesar de muitos dos seus traços mais característicos se manterem: a sua visão do mundo a preto e brando, a sua fria mas ingénua honestidade, sem subtilezas. Esta mudança refletiu-se no último episódio, quando ela pede Booth em casamento.

 


 

Notou-se, também, ao longo desta temporada, uma tentativa de introduzir variações no esquema habitual dos episódios, com resultados finais de qualidade díspar. Os que mais gostei foram "The Patriot in Purgatory" - em que se aborda a ferida por cicatrizar que é o 11 de setembro - e "The Pathos in the Pathogens", por envolver conceitos de Virologia, uma das disciplinas de que mais gostei até agora no meu curso. Aquele de que menos gostei foi The Shot in the Dark, em que Brennan foi alvejada. Este foi um dos capítulos que procurou comprovar a evolução emocional da protagonista mas de uma forma desnecessariamente batida: o contacto com entes queridos falecidos durante uma experiência de quase morte é um enorme chavão e a descoberta de que o distanciamento emocional de Brennan resulta da última conversa que teve com a mãe antes de a abandonar, para além de ser também um cliché, destrói a explicação bem menos melodramática, sustentada por mais de sete anos da série, de que a frieza resulta do trauma do abandono em si. 

 

A temporada exibiu outras fraquezas para além desta. No primeiro episódio, o nome de Brennan é limpo e ela regressa após meses em fuga com a filha. Seria de esperar que esta ausência prolongada trouxesse consequências para a relação com Booth mas tais problemas são resolvidos logo no segundo episódio e, depois, é como se Brennan nunca tivesse fugido. E embora, como li algures, seja refrescante ver na televisão uma relação saudável, sem dramas de maior, às vezes não parece credível.

 


BWGEneLCIAAdta3.jpg


 



Existiu também alguma falta de consistência entre os episódios envolvendo Peleant e os outros. Para além de serem absurdamente tensos quando comparados com os outros da série, nos outros episódios, as personagens parecem esquecer-se que anda um assassino psicopata decidido a magoá-los à solta. Parecem duas séries diferentes, por vezes. 

 

Também não me agrado que a linha narrativa envolvendo Peleant tenha sido prolongada até à próxima temporada. Começam a enrolar demasiado a história que, de resto, não ocupou mais do que três episódios este ano. Receio que, a menos que a ponta seja atada logo no primeiro episódio da nona temporada, a coisa descarrile.

 

De resto, é apenas uma especificação da minha opinião geral sobre Bones. Apesar de não ser atualmente a minha série preferida, continua a ser um entretenimento eficaz. Por quanto tempo mais, não sei dizer. Sinto que Bones se encontra perigosamente à beira de exibir sinais de desgaste. Como tal, espero que os produtores não deixem que uma boa série como esta vá por água abaixo - algo que tem acontecido demasiadas vezes - que saibam quando devem parar e que, nessa altura, possamos despedir-nos de Brennan, de Booth e de toda a equipa forense do Jeffersonian da melhor forma.

Grey's Anatomy/Anatomia de Grey - nona temporada

Alerta Spoiler: este texto contém revelações sobre o enredo, pelo que só é aconselhável lê-lo caso tenha visto todos os episódios da nona temporada de Grey's Anatomy/Anatomia de Grey, até para a própria compreensão desta entrada.


No verão passado, nas primeiras entradas deste blogue, falei sobre algumas séries que acompanhava. Ainda acompanho Bones/Ossos, à medida que os episódios são emitidos na televisão portuguesa - farei . Fartei-me de Sobrenatural a meio da sétima temporada. Quanto a Anatomia de Grey, este ano apenas a segui ocasionalmente, saltei muitos episódios, em particular na segunda parte da temporada, muitos deles vi-os só para fazer companhia ao resto da família ou porque queria ver televisão e não tinha nada melhor nas gravações.

A nona temporada até teve um arranque razoável, com o rescaldo do acidente de avião que encerrara a oitava época a dar algum fulgor à série. Mas as falhas não demoraram muito a dar de si.


Começando pelo acidente de avião. Numa altura em que as vítimas e/ou familiares tentavam decidir se processavam ou não a companhia aérea, gostei do discurso de Derek, em que este traça um paralelismo entre os erros médicos e os erros aéreos, como os que haviam conduzido ao acidente, explicando que é com os erros que os médicos aprendem, evoluem, e que, desse modo, a companhia aérea devia seguir o exemplo, de modo a evitar uma nova tragédia. Um discurso muito bonito e tal mas, no fim, em vez que seguirem com esse processo para a frente, decidem processar o hospital, por terem escolhido aquela companhia aérea, levando-o quase à falência, colocando a carreira dos colegas - a larga maioria amigos deles - apenas por ser uma via mais lucrativa em termos de indemnização.

Além de que, ver o hospital em crise financeira não é novidade depois da sexta temporada.


Uma das personagens que mais me irritou foi April Kepner. Eu até gostava dela na sexta e sétima temporadas, pela sua insegurança, por se preocupar com os doentes enquanto pessoas, pela maneira como ficou marcada por um erro que cometeu, custando a vida a uma doente, o que a levou a agarra-se às regras e à burocracia. No entanto, nos últimos anos ficou reduzida ao estereótipo da virgem-que-deixou-de-o-ser, com conflitos patéticos entre a descoberta da sua sexualidade e as suas convicções religiosas, que não levam a nada e apenas magoam Jackson, o namorado que lhe roubou a virtude, que se vê reduzido ao papel de "pecado", de erro de percurso.


Um arco narrativo particularmente forçado foi o de Callie e Arizona. A amputação da perna de Arizona, consequência do acidente de avião, foi claramente uma maneira de forçar um casal feliz, que já tivera a sua quota-parte de peripécias, a ter problemas de novo. Foi uma das coisas que até funcionou durante uma boa parte da temporada. Os guionistas, no entanto, estragaram tudo ao meterem Arizona traindo Callie - algo que, pelo menos a mim, parece inverosímil num casal que já havia passado por tanto, que devia estar mais unido do que nunca. O mais ridículo ainda foi a justificação dada por Arizona: literalmente, "Tu cortaste-me a perna!". Para além de desenterrar uma questão que, ao que tudo indicava, já estava resolvida, faz Arizona parecer ainda mais ingrata e egoísta do que no início da temporada, onde Callie era obrigada a cuidar de Arizona e a ouvi-la culpá-la pelo que lhe acontecera.

Na minha opinião, a história deste casal já devia ter acabado há um ano ou dois. Callie é uma das minhas personagens preferidas mas ela e Arizona deviam ter ido viver para outra cidade depois de Arizona ter recuperado do acidente, ou mesmo antes do acidente.


Ao menos, a linha narrativa envolvendo Owen e Cristina parece, finalmente, ter sido encerrada. Com dois anos de atraso, diga-se. Os guionistas merecem um prémio pela maneira como conseguiram esticar até aos limites do ridículo a história de um casal que se sabia, há dois anos, que não tinha futuro. E, mesmo assim, não me admirava se os guionistas arranjassem outra maneira de manter o casal junto durante mais uma temporada.

Estes são apenas alguns exemplos das incoerências e falhas da série. Não posso falar de mais nenhuma pois não vi todos os episódios. Dá, no entanto, para ver que Anatomia de Grey mantém as mesmas fraquezas: melodramatismo, focalização excessiva nas relações amorosas em detrimento dos aspetos médicos - a que se soma uma absoluta falta de imaginação, uma gritante previsibilidade, em suma, um claro desgaste. Na minha opinião, a série pede encerramento urgente.

Admito que, depois de nove anos atirando peripécias atrás de peripécias para cima dos médicos, não será fácil encerrar todos os arcos narrativos assim sem mais nem menos. Há algumas temporadas que estou convencida que tudo acabará com Meredith, a protagonista, desenvolvendo Alzheimer mais cedo ou mais tarde - algo que será trágico, sobretudo agora que tem dois filhos pequenos. Talvez continue a acompanhar a série nos moldes que descrevi no início da entrada mas suspeito que será cada vez mais penoso fazê-lo. Espero, sinceramente, que o décimo seja o seu último ano e que a série tenha um encerramento minimamente digno.

Entretanto, a seguir, falarei da mais recente temporada de Bones/Ossos.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...