domingo, 29 de dezembro de 2013

Música de 2013 #1 - Avril Lavigne

Mais um ano que se aproxima do término. À semelhança do que fiz no fim de 2012, falarei aqui no blogue das músicas, álbuns e artistas musicais que mais marcaram 2013.

 

Em 2012 os Linkin Park foram a banda mais marcante, para mim. Pouco mais houve de relevante no mundo da música, pela parte que me toca. 2013 foi diferente Aliás, considero mesmo que o melhor dest ano foi o facto de ter havido imensa música nova por parte dos meus artistas preferidos. Poucas coisas se comparam à primeira audição de um novo single ou de um novo álbum, prestando atenção às melodias, aos diversos instrumentos, às letras, aos vários momentos e nuances. Ouvir as novas faixas em loop e, mesmo assim, estas demorarem algum tempo a entranhar-se na minha memória. E, claro, escrever sobre elas aqui no blogue. O Natal foi na semana passada mas, acreditem, o dia do lançamento de um single ou de um álbum é capaz de suplantá-lo na maior das calmas.



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Quero começar por falar de Avril Lavigne, o álbum por que esperava com maior ansiedade. Isto é, pelo menos por altura do início do ano. A verdade é que os constantes adiamentos e a fraca promoção do álbum e respetivos singles arrefeceram um pouco o entusiasmo. Mesmo assim, o meu coração não deixou de acelerar quando descobri que o álbum já estava disponível para audição.

Se leram a minha crítica (AQUI), saberão que este me desiludiu um bocadinho. Não que não goste dele - é a Avril Lavigne! É-me impossível não gostar daquilo que ela faz! Gosto muito, aliás. Por muitos defeitos que possam ter, as músicas da Avril sempre me deram vontade de cantar - tenho muitas canções de que gosto muito mas que não canto, servem apenas para ouvir. Não sei ao certo o que é, isso que me dá vontade de cantar, mas está presente em praticamente todas as músicas dela, desde baladas às mais agitadas. Ela nunca teve dificuldades em criar melodias cativantes, de resto.

Isso passa-se muito no álbum homónimo. Que tem vivido no auto-rádio. É, aliás, o CD ideal para se ouvir no carro, em volumes elevados, e cantar em altos berros - é uma sensação do catano.





Há músicas que se têm destacado. Falo, por exemplo, de Bitchin' Summer, uma das melhores deste álbum em termos de instrumental e uma das melhores da Avril de entre as mais pop. Destaco o rap, que é divertido de cantar. Ando com esperança de que se torne um dos últimos singles deste álbum, por altura do verão do próximo ano, evidentemente. 

 

Give you What You Like é outra das que mais tenho ouvido deste álbum, talvez por diferir tanto do registo habitual da Avril, assemelhando-se apenas ao cover que ela gravou de How You Remind Me - com quem partilha influências jazz, vocais suaves, sem estridências, e um tom amadurecido, sensual. Iria gostar imenso se ela gravasse um álbum inteiro neste estilo. Também não me importava se Give You What You Like se tornasse single. 

 

Outra que se tem tornado cada vez mais irresistível é Bad Girl. Há uns anos atrás, a letra deixar-me-ia traumatizada; mesmo hoje, não tem absolutamente nada a ver comigo mas, que diabo, é contagiante para catano! A minha irmã gosta imenso dela - e acreditem, traumatizante é ouvir a nossa irmãzinha inocente, que ainda no outro dia tinha cinco anos, a cantar "Hey hey, I'll let you walk all over me, me". De resto, Avril referiu numa entrevista recente que podia gravar um álbum assim. Antes, gostava de vê-la apresentando a música em palco, com Marilyn Manson. 

 

Também tem sabido bem ouvir Let Me Go na rádio portuguesa. É muito raro isso acontecer, ouvir músicas da Avril na rádio por cá, mas Let Me Go tem tocado tanto na RFM como na Comercial, tendo mesmo tido a proeza de atingir os lugares cimeiros no TNT. Em nome da equipa do Avril Portugal, não têm de quê.





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Em suma, Avril Lavigne é, essencialmente, um álbum feel good - e nada mais. Por escolha própria já que a mesma referiu, recentemente, que deixou de fora as músicas mais profundas a favor das mais pop. Contudo, conforme já afirmei aqui no blogue, de uma forma ou de outra, preciso de música com conteúdo, com mais história do que as mesmas de sempre. Daí que, de certa forma, tenha gostado mais do EP dos Simple Plan, lançado no início deste mês. A cantautora garante que ainda planeia lançar essas músicas excluídas mas duvido que o faça. Outra das coisas a que os fãs da Avril já estão habituados é às músicas que nunca são lançadas. Muitas vezes até conhecemos um excerto, um instrumental, uma curta referência em entrevistas, pequenas coisas que aguçam a nossa curiosidade mas que nunca dão em nada. Costumo comparar tudo isto à situação de alcoólicos em recuperação a quem atiram gotas de vinho do Porto - bebêmo-las rapidamente e ficamos a penar pela garrafa inteira.

Por outro lado, conforme já tinha afirmado na minha crítica a Avril Lavigne, o problema até pode ser meu. Para além da fasquia elevada, são já muitos anos seguindo a cantautora canadiana. É natural que as coisas comecem a parecer repetitivas. Agora compreendo aqueles fãs que vão "desistindo" da Avril, ou porque já não se identificam com o estilo dela, ou por se, pura e simplesmente, se cansam.





Ora, em entrevistas mais ou menos recentes, a cantautora canadiana tem andado a brincar com a ideia de um álbum de Natal, a ser editado no próximo ano. Essa ideia agrada-me por diversos motivos. Para começar, foi assim que ela começou a cantar em público, tinha ela sete anos: canções de Natal na igreja. Temos, além disso, uma bela amostra com a interpretação da clássica Oh Holy Night, em 2003. Por fim, seria uma mudança bastante bem-vinda, que poderia conquistar-lhe novos fãs, em particular se incluísse colaborações com outros artistas. A inovação que, tirando um ou outro caso, faltou ao quinto álbum.

É claro que a coisa teria de ser bem feita. As músicas teriam de ser, se não originais - no que toca ao Natal, é difícil fugir dos clichés - pelo menos inéditas. Não quero um álbum inteiro de re-interpretações de clássicos de Natal. Devia, também, ser tão variado quanto um típico álbum de Avril Lavigne: incluir baladas e músixas mais alegres. Acredito que a Avril seria capaz de levar a cabo tal projeto, até porque ela gosta bastante do espírito natalício - muito mais do que eu, diga-se.

Ainda que este último álbum tenha ficado aquém das minhas expectativas, não vou desistir assim tão facilmente de Avril Lavigne. Posso já não seguir febrilmente tudo o que ela faz, como o fazia há uns anos, mas não deixarei de estar lá quando ela lançar música nova. Só espero que o seu próximo material tenha mais substância do que este álbum teve - eu sei que ela consegue fazer melhor.

Música de 2013 #1 - Avril Lavigne

Mais um ano que se aproxima do término. À semelhança do que fiz no fim de 2012, falarei aqui no blogue das músicas, álbuns e artistas musicais que mais marcaram 2013.

Em 2012 os Linkin Park foram a banda mais marcante, para mim. Pouco mais houve de relevante no mundo da música, pela parte que me toca. 2013 foi diferente Aliás, considero mesmo que o melhor dest ano foi o facto de ter havido imensa música nova por parte dos meus artistas preferidos. Poucas coisas se comparam à primeira audição de um novo single ou de um novo álbum, prestando atenção às melodias, aos diversos instrumentos, às letras, aos vários momentos e nuances. Ouvir as novas faixas em loop e, mesmo assim, estas demorarem algum tempo a entranhar-se na minha memória. E, claro, escrever sobre elas aqui no blogue. O Natal foi na semana passada mas, acreditem, o dia do lançamento de um single ou de um álbum é capaz de suplantá-lo na maior das calmas.


Quero começar por falar de Avril Lavigne, o álbum por que esperava com maior ansiedade. Isto é, pelo menos por altura do início do ano. A verdade é que os constantes adiamentos e a fraca promoção do álbum e respetivos singles arrefeceram um pouco o entusiasmo. Mesmo assim, o meu coração não deixou de acelerar quando descobri que o álbum já estava disponível para audição.

Se leram a minha crítica (AQUI), saberão que este me desiludiu um bocadinho. Não que não goste dele - é a Avril Lavigne! É-me impossível não gostar daquilo que ela faz! Gosto muito, aliás. Por muitos defeitos que possam ter, as músicas da Avril sempre me deram vontade de cantar - tenho muitas canções de que gosto muito mas que não canto, servem apenas para ouvir. Não sei ao certo o que é, isso que me dá vontade de cantar, mas está presente em praticamente todas as músicas dela, desde baladas às mais agitadas. Ela nunca teve dificuldades em criar melodias cativantes, de resto.

Isso passa-se muito no álbum homónimo. Que tem vivido no auto-rádio. É, aliás, o CD ideal para se ouvir no carro, em volumes elevados, e cantar em altos berros - é uma sensação do catano.



Há músicas que se têm destacado. Falo, por exemplo, de Bitchin' Summer, uma das melhores deste álbum em termos de instrumental e uma das melhores da Avril de entre as mais pop. Destaco o rap, que é divertido de cantar. Ando com esperança de que se torne um dos últimos singles deste álbum, por altura do verão do próximo ano, evidentemente. 

Give you What You Like é outra das que mais tenho ouvido deste álbum, talvez por diferir tanto do registo habitual da Avril, assemelhando-se apenas ao cover que ela gravou de How You Remind Me - com quem partilha influências jazz, vocais suaves, sem estridências, e um tom amadurecido, sensual. Iria gostar imenso se ela gravasse um álbum inteiro neste estilo. Também não me importava se Give You What You Like se tornasse single. 

Outra que se tem tornado cada vez mais irresistível é Bad Girl. Há uns anos atrás, a letra deixar-me-ia traumatizada; mesmo hoje, não tem absolutamente nada a ver comigo mas, que diabo, é contagiante para catano! A minha irmã gosta imenso dela - e acreditem, traumatizante é ouvir a nossa irmãzinha inocente, que ainda no outro dia tinha cinco anos, a cantar "Hey hey, I'll let you walk all over me, me". De resto, Avril referiu numa entrevista recente que podia gravar um álbum assim. Antes, gostava de vê-la apresentando a música em palco, com Marilyn Manson. 

Também tem sabido bem ouvir Let Me Go na rádio portuguesa. É muito raro isso acontecer, ouvir músicas da Avril na rádio por cá, mas Let Me Go tem tocado tanto na RFM como na Comercial, tendo mesmo tido a proeza de atingir os lugares cimeiros no TNT. Em nome da equipa do Avril Portugal, não têm de quê.


Em suma, Avril Lavigne é, essencialmente, um álbum feel good - e nada mais. Por escolha própria já que a mesma referiu, recentemente, que deixou de fora as músicas mais profundas a favor das mais pop. Contudo, conforme já afirmei aqui no blogue, de uma forma ou de outra, preciso de música com conteúdo, com mais história do que as mesmas de sempre. Daí que, de certa forma, tenha gostado mais do EP dos Simple Plan, lançado no início deste mês. A cantautora garante que ainda planeia lançar essas músicas excluídas mas duvido que o faça. Outra das coisas a que os fãs da Avril já estão habituados é às músicas que nunca são lançadas. Muitas vezes até conhecemos um excerto, um instrumental, uma curta referência em entrevistas, pequenas coisas que aguçam a nossa curiosidade mas que nunca dão em nada. Costumo comparar tudo isto à situação de alcoólicos em recuperação a quem atiram gotas de vinho do Porto - bebêmo-las rapidamente e ficamos a penar pela garrafa inteira.

Por outro lado, conforme já tinha afirmado na minha crítica a Avril Lavigne, o problema até pode ser meu. Para além da fasquia elevada, são já muitos anos seguindo a cantautora canadiana. É natural que as coisas comecem a parecer repetitivas. Agora compreendo aqueles fãs que vão "desistindo" da Avril, ou porque já não se identificam com o estilo dela, ou por se, pura e simplesmente, se cansam.



Ora, em entrevistas mais ou menos recentes, a cantautora canadiana tem andado a brincar com a ideia de um álbum de Natal, a ser editado no próximo ano. Essa ideia agrada-me por diversos motivos. Para começar, foi assim que ela começou a cantar em público, tinha ela sete anos: canções de Natal na igreja. Temos, além disso, uma bela amostra com a interpretação da clássica Oh Holy Night, em 2003. Por fim, seria uma mudança bastante bem-vinda, que poderia conquistar-lhe novos fãs, em particular se incluísse colaborações com outros artistas. A inovação que, tirando um ou outro caso, faltou ao quinto álbum.

É claro que a coisa teria de ser bem feita. As músicas teriam de ser, se não originais - no que toca ao Natal, é difícil fugir dos clichés - pelo menos inéditas. Não quero um álbum inteiro de re-interpretações de clássicos de Natal. Devia, também, ser tão variado quanto um típico álbum de Avril Lavigne: incluir baladas e músixas mais alegres. Acredito que a Avril seria capaz de levar a cabo tal projeto, até porque ela gosta bastante do espírito natalício - muito mais do que eu, diga-se.

Ainda que este último álbum tenha ficado aquém das minhas expectativas, não vou desistir assim tão facilmente de Avril Lavigne. Posso já não seguir febrilmente tudo o que ela faz, como o fazia há uns anos, mas não deixarei de estar lá quando ela lançar música nova. Só espero que o seu próximo material tenha mais substância do que este álbum teve - eu sei que ela consegue fazer melhor.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Simple Plan - Get Your Heart On - The Second Coming!

 

Os Simple Plan lançaram ontem, dia 3 de dezembro, um EP de sete canções intitulado "Get Your Heart On - The Second Coming!". Segundo eles mesmos, este conjunto inclui tanto sobras do álbum Get Your Heart On e outras posteriores ao álbum. Vou analisar casa uma delas por ordem crescente das minhas preferências. Não é demais relembrar que esta ordem é provisória, muitas das músicas estão praticamente empatadas.

Ordinary Life


"I don't want to wake up
With my best years behind me
I think I'd better wake up
Before my life's behind me"

Esta é a 642ª música (ou música número 642) na discografia dos Simple Plan sobre frustração com a vida atual e vontade de fugir à rotina. Ordinary Life nem sequer tem o ponto forte de Anywhere Else But Here que, ao menos, tinha uma sonoridade fora do habitual da banda. Antes pelo contrário, o arranjo de Ordinary Life é vulgaríssimo na discografia dos Simple Plan e até traz ecos de Jump. Daí que considere Ordinary Life a mais fraca deste EP.

Fire In My Heart


"Felt the spark, left a mark I can't erase"

Esta faixa vai na linha de várias músicas pop de hoje em dia que adotam metáforas relacionadas com fogo. Em Fire In My Heart simboliza, obviamente, paixão romântica. Não é de surpreender que a letra, que explora esta metáfora, não seja particularmente memorável.

Em termos de sonoridade, Fire In My Heart soa-me a uma Sippin' On Sunshine, de Avril Lavigne, mais roqueira. Também possui alguns ecos de Summer Paradise. No fundo, Fire In My Heart é uma música de verão, de lua-de-mel, mas longe de ser uma das mais marcantes deste EP.

The Rest Of Us


"We do it better than the rich and the fabulous"

Seguindo-se a Ordinary Life na tracklist, The Rest Of Us acaba por contrariar a mensagem da faixa anterior. Enquanto Ordinary Life se queixa da vulgaridade da rotina, da anonimidade, The Rest Of Us não se importa com isso, chega mesmo a enaltecer a condição de simples mortal. Vai em linha com a moda das músicas para elevar a auto-estima (Born this Way, Firework, Anklebiters, entre outras) que se mistura com campanhas anti-bullying. Esta mensagem de que as pessoas comuns, mesmo estranhas, são melhores que as celebridades convencionais vai também em linha com os tempos atuais, de crise, em que fica bem a figuras como a Princesa Leticia e Kate Middleton aparecerem em público com roupas de marcas mais económicas, em que personalidades mais terra-a-terra, como a atriz Jennifer Lawrence, ganham popularidade. Não admira que tenham escolhido esta música para montarem um videoclipe. Não sei se The Rest Of Us chegará a ser single e a tocar nas rádios mas, se o for, tenho a certeza de que, pelo menos pela mensagem, seria bem sucedida.

Destaque ainda para a referência a Bruno Mars.

In


"Tell me why, Tell me why we wait so long
When we know, When we know where we belong"


A letra de In fala sobre baixar a guarda e arriscar no amor, ter a coragem necessária para se abrir para outra pessoa, para se comprometer com outra pessoa. Como se pode calcular, não é um conceito completamente original, mas não faltará quem se identifique com ele.

Em termos de sonoridade, recorda-me um pouco Another Heart Calls, dos All-American Rejects, pela maneira como alterna momentos calmos, misteriosos, algo etéreos - só com piano e batidas leves - com momentos mais frenéticos, sustentados por guitarras elétricas. Tal como outras músicas deste EP, não difere radicalmente da sonoridade típica dos Simple Plan mas é suficientemente interessante para ganhar carácter próprio.

Outta My System 



"Now I'm here coming back to life
Turning my wrongs all back to right
I was way down, I was locked up
Now I'm free
"

Esta faixa é a mais eletrónica deste EP sem, no entanto, deixar de lado o pop rock característico dos Simple Plan. Tenho de destacar a bateria atmosférica em conjunto com os acordes de guitarra elétrica e as notas de piano ao longo da terceira parte da faixa, dando um carácter inesperadamente épico à música, elevando a sua qualidade.

A letra descreve a maneira preferida de ultrapassar uma separação: indo para a borga, saturando o fígado com etanol, enrolando-se com perfeitas desconhecidas. Com o risco de se tornar algo machista, acaba por ter a sua graça.

Try



"But if you can give me half a chance I'll show,
How much I can fix myself for you.
"

 Gosto do início de Try: piano com algumas notas eletrónicas, a que se juntam batidas a meio da primeira estância. A sonoridade mantém-se mais ou menos até à terceira estância, durante a qual se juntam guitarras elétricas e bateria "a sério", transformando-a numa balada mais pop rock. Devo dizer que gosto bastante do efeito. Não me lembro de alguma vez ter ouvido algo assim.

Em termos de letra, é uma canção de amor, de súplica por perdão, por uma segunda oportunidade, do género I Will Be, Best Of Me e Far Away (curioso: acabo de citar uma música da Avril Lavigne, uma dos Sum 41 e uma dos Nickelback na mesma frase...). Não é de todo uma letra particularmente original mas a sonoridade eleva a música bem acima da média.

Lucky One



"It feels like it's taking forever
But one day, things could get better
And maybe... my time will come"

Chegámos, assim, à minha preferida deste EP. Lucky One é uma balada quase exclusivamente acústica (se não for totalmente acústica). É um arranjo simples, o mais simples deste EP, mas funciona bem, condiz com a mensagem da canção. 

Esta é, aliás, o ponto forte desta música: pega um pouco na auto-comiseração que caracteriza vários temas da discografia da banda, em particular no início da sua carreira. Existe, contudo, num amadurecimento na maneira como aborda o tema, na maneira como o transforma numa mensagem de esperança, recordando-me Last Hope dos Paramore - uma das músicas deste ano, para mim. Tal como acontece no tema dos Paramore, Lucky One fala sobre infelicidade, contrariedades, sonhos por realizar Fala em particular da sensação de que as coisas boas só acontecem aos outros. Existe, no entanto, a esperança de que venham tempos melhores, de que um dia seja possível conquistar-se um final feliz. Visto que toda a gente já passou, pelo menos uma vez na vida, por um momento de desânimo, em menor ou maior grau, esta é uma mensagem que cativa com facilidade. Destaque para os tempos que correm, em que muitas pessoas passam por dificuldades. Uma mensagem de esperança é sempre bem-vinda - é aqui que reside a força de Lucky One.


Neste EP, a banda canadiana continua igual a si mesma, para o melhor e para o pior: pop rock, punk pop, com uma ou outra influência influência eletrónica, com melodias tão contagiantes como sempre. Letras que, sem serem particularmente originais, têm aquele toque de vida real que é cada vez mais raro na música pop. O tal toque que faltou ao último álbum de Avril Lavigne, que não falta no último álbum dos Paramore. Não existe grande evolução relativamente ao material antigo mas, também, é um EP de sobras. Não se poderia exigir o que se exige de álbuns de doze músicas. No entanto, independentemente da evolução ou da falta dela, tal como listei anteriormente, de uma maneira geral são músicas boas, com conceitos interessantes.

Já li críticas - não apenas relativas a este EP - acusando a sonoridade da banda de estar ultrapassada. Eu mesma critiquei aqui no blogue o facto de os Simple Plan não se aventurarem fora deste espectro. No entanto, depois de ouvir e gostar deste EP, a pergunta que faço é: será mesmo necessário os Simple Plan mudarem?

Mudar só por mudar, só por motivos comereciais, não faz sentido. Corre-se mesmo o risco de a banda perder a sua integridade. Não precisamos de mais artistas cantando temas dubstep sobre borga. O material que os Simple Plan criam pode trnar-se repetitivo mas é autêntico, tem mais qualidade e mais conteúdo do que a média, maior potencial para servir-me de inspiração. E mesmo que os Simple Plan já não tenham a popularidade de outros tempos, ainda são capazes de arrastar fãs atrás de si. Que mais se pode exigir?


A banda deve começar, em breve, a trabalhar no seu quinto álbum de estúdio, um processo que ainda deve demorar algum tempo. Uma eventual mudança de estilo, a acontecer, teria de ser vontade dos próprios Simple Plan. Como terá acontecido com os Paramore - segundo os mesmos, eles tentaram manter o estilo dos álbuns anteriores mas, por motivos variados, a velha fórmula já não resultava. E ainda lhes custou bastante abraçarem a mudança. Quanto aos Simple Plan, para eles o estilo atual parece ainda funcionar. O mesmo parece acontecer com os fãs. Neste EP, para mim, funciona. Que se mantenha assim e ficamos todos felizes.

Simple Plan - Get Your Heart On - The Second Coming!

 

 


Os Simple Plan lançaram ontem, dia 3 de dezembro, um EP de sete canções intitulado "Get Your Heart On - The Second Coming!". Segundo eles mesmos, este conjunto inclui tanto sobras do álbum Get Your Heart On e outras posteriores ao álbum. Vou analisar casa uma delas por ordem crescente das minhas preferências. Não é demais relembrar que esta ordem é provisória, muitas das músicas estão praticamente empatadas.

Ordinary Life



 

 



"I don't want to wake up

With my best years behind me

I think I'd better wake up

Before my life's behind me"

 

Esta é a 642ª música (ou música número 642) na discografia dos Simple Plan sobre frustração com a vida atual e vontade de fugir à rotina. Ordinary Life nem sequer tem o ponto forte de Anywhere Else But Here que, ao menos, tinha uma sonoridade fora do habitual da banda. Antes pelo contrário, o arranjo de Ordinary Life é vulgaríssimo na discografia dos Simple Plan e até traz ecos de Jump. Daí que considere Ordinary Life a mais fraca deste EP.

 

Fire In My Heart

 




"Felt the spark, left a mark I can't erase"

 

Esta faixa vai na linha de várias músicas pop de hoje em dia que adotam metáforas relacionadas com fogo. Em Fire In My Heart simboliza, obviamente, paixão romântica. Não é de surpreender que a letra, que explora esta metáfora, não seja particularmente memorável.


 

Em termos de sonoridade, Fire In My Heart soa-me a uma Sippin' On Sunshine, de Avril Lavigne, mais roqueira. Também possui alguns ecos de Summer Paradise. No fundo, Fire In My Heart é uma música de verão, de lua-de-mel, mas longe de ser uma das mais marcantes deste EP.

 

The Rest Of Us

 




"We do it better than the rich and the fabulous"

 

Seguindo-se a Ordinary Life na tracklist, The Rest Of Us acaba por contrariar a mensagem da faixa anterior. Enquanto Ordinary Life se queixa da vulgaridade da rotina, da anonimidade, The Rest Of Us não se importa com isso, chega mesmo a enaltecer a condição de simples mortal. Vai em linha com a moda das músicas para elevar a auto-estima (Born this Way, Firework, Anklebiters, entre outras) que se mistura com campanhas anti-bullying. Esta mensagem de que as pessoas comuns, mesmo estranhas, são melhores que as celebridades convencionais vai também em linha com os tempos atuais, de crise, em que fica bem a figuras como a Princesa Leticia e Kate Middleton aparecerem em público com roupas de marcas mais económicas, em que personalidades mais terra-a-terra, como a atriz Jennifer Lawrence, ganham popularidade. Não admira que tenham escolhido esta música para montarem um videoclipe. Não sei se The Rest Of Us chegará a ser single e a tocar nas rádios mas, se o for, tenho a certeza de que, pelo menos pela mensagem, seria bem sucedida.

 

Destaque ainda para a referência a Bruno Mars.

 

In

 


 

"Tell me why, Tell me why we wait so long
When we know, When we know where we belong"


A letra de In fala sobre baixar a guarda e arriscar no amor, ter a coragem necessária para se abrir para outra pessoa, para se comprometer com outra pessoa. Como se pode calcular, não é um conceito completamente original, mas não faltará quem se identifique com ele.

Em termos de sonoridade, recorda-me um pouco Another Heart Calls, dos All-American Rejects, pela maneira como alterna momentos calmos, misteriosos, algo etéreos - só com piano e batidas leves - com momentos mais frenéticos, sustentados por guitarras elétricas. Tal como outras músicas deste EP, não difere radicalmente da sonoridade típica dos Simple Plan mas é suficientemente interessante para ganhar carácter próprio.

Outta My System 




 

"Now I'm here coming back to life
Turning my wrongs all back to right
I was way down, I was locked up
Now I'm free
"



Esta faixa é a mais eletrónica deste EP sem, no entanto, deixar de lado o pop rock característico dos Simple Plan. Tenho de destacar a bateria atmosférica em conjunto com os acordes de guitarra elétrica e as notas de piano ao longo da terceira parte da faixa, dando um carácter inesperadamente épico à música, elevando a sua qualidade.

A letra descreve a maneira preferida de ultrapassar uma separação: indo para a borga, saturando o fígado com etanol, enrolando-se com perfeitas desconhecidas. Com o risco de se tornar algo machista, acaba por ter a sua graça.

 

Try




 

"But if you can give me half a chance I'll show,
How much I can fix myself for you.
"

 

 Gosto do início de Try: piano com algumas notas eletrónicas, a que se juntam batidas a meio da primeira estância. A sonoridade mantém-se mais ou menos até à terceira estância, durante a qual se juntam guitarras elétricas e bateria "a sério", transformando-a numa balada mais pop rock. Devo dizer que gosto bastante do efeito. Não me lembro de alguma vez ter ouvido algo assim.

 

Em termos de letra, é uma canção de amor, de súplica por perdão, por uma segunda oportunidade, do género I Will Be, Best Of Me e Far Away (curioso: acabo de citar uma música da Avril Lavigne, uma dos Sum 41 e uma dos Nickelback na mesma frase...). Não é de todo uma letra particularmente original mas a sonoridade eleva a música bem acima da média.

 

Lucky One

 




"It feels like it's taking forever

But one day, things could get better

And maybe... my time will come"

 

Chegámos, assim, à minha preferida deste EP. Lucky One é uma balada quase exclusivamente acústica (se não for totalmente acústica). É um arranjo simples, o mais simples deste EP, mas funciona bem, condiz com a mensagem da canção. 

 

Esta é, aliás, o ponto forte desta música: pega um pouco na auto-comiseração que caracteriza vários temas da discografia da banda, em particular no início da sua carreira. Existe, contudo, num amadurecimento na maneira como aborda o tema, na maneira como o transforma numa mensagem de esperança, recordando-me Last Hope dos Paramore - uma das músicas deste ano, para mim. Tal como acontece no tema dos Paramore, Lucky One fala sobre infelicidade, contrariedades, sonhos por realizar Fala em particular da sensação de que as coisas boas só acontecem aos outros. Existe, no entanto, a esperança de que venham tempos melhores, de que um dia seja possível conquistar-se um final feliz. Visto que toda a gente já passou, pelo menos uma vez na vida, por um momento de desânimo, em menor ou maior grau, esta é uma mensagem que cativa com facilidade. Destaque para os tempos que correm, em que muitas pessoas passam por dificuldades. Uma mensagem de esperança é sempre bem-vinda - é aqui que reside a força de Lucky One.

 


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Neste EP, a banda canadiana continua igual a si mesma, para o melhor e para o pior: pop rock, punk pop, com uma ou outra influência influência eletrónica, com melodias tão contagiantes como sempre. Letras que, sem serem particularmente originais, têm aquele toque de vida real que é cada vez mais raro na música pop. O tal toque que faltou ao último álbum de Avril Lavigne, que não falta no último álbum dos Paramore. Não existe grande evolução relativamente ao material antigo mas, também, é um EP de sobras. Não se poderia exigir o que se exige de álbuns de doze músicas. No entanto, independentemente da evolução ou da falta dela, tal como listei anteriormente, de uma maneira geral são músicas boas, com conceitos interessantes.

 

Já li críticas - não apenas relativas a este EP - acusando a sonoridade da banda de estar ultrapassada. Eu mesma critiquei aqui no blogue o facto de os Simple Plan não se aventurarem fora deste espectro. No entanto, depois de ouvir e gostar deste EP, a pergunta que faço é: será mesmo necessário os Simple Plan mudarem?

 

Mudar só por mudar, só por motivos comereciais, não faz sentido. Corre-se mesmo o risco de a banda perder a sua integridade. Não precisamos de mais artistas cantando temas dubstep sobre borga. O material que os Simple Plan criam pode trnar-se repetitivo mas é autêntico, tem mais qualidade e mais conteúdo do que a média, maior potencial para servir-me de inspiração. E mesmo que os Simple Plan já não tenham a popularidade de outros tempos, ainda são capazes de arrastar fãs atrás de si. Que mais se pode exigir?

 


 

A banda deve começar, em breve, a trabalhar no seu quinto álbum de estúdio, um processo que ainda deve demorar algum tempo. Uma eventual mudança de estilo, a acontecer, teria de ser vontade dos próprios Simple Plan. Como terá acontecido com os Paramore - segundo os mesmos, eles tentaram manter o estilo dos álbuns anteriores mas, por motivos variados, a velha fórmula já não resultava. E ainda lhes custou bastante abraçarem a mudança. Quanto aos Simple Plan, para eles o estilo atual parece ainda funcionar. O mesmo parece acontecer com os fãs. Neste EP, para mim, funciona. Que se mantenha assim e ficamos todos felizes.




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Avril Lavigne (2013) #4

 



 

Depois de termos analisado as faixas de Avril Lavigne AQUI, AQUI e AQUI, passemos às alegações finais.


Conclusões:

 

Este é o quinto álbum, homónimo, de Avril Lavigne. Quando anunciaram o título deste disco fiquei de pé atrás. No entanto, depois de ouvi-lo, a verdade é que não consigo pensar num título mais adequado. Com faixas que recordam outras mais antigas, outros álbuns, outras fases da carreira da cantora, Avril Lavigne assemelha-se a um Greatest Hits com três ou quatro faixas novas.

 

Este foi o aspeto que mais me desiludiu neste álbum: a falta de originalidade, de inovação, de músicas com que me identificasse. Os temas abordados são recorrentes na discografia dela, com destaque para as chamadas break up songs - já é o quinto álbum e nem sequer existe a atenuante de Goodbye Lullaby, em que ela vinha de um divórcio e estas músicas foram apresentadas sob uma perspetiva diferente. As músicas de verão, de festa, da celebração do espírito jovem, adolescente, não são tão ostensivamente recorrentes mas também não trazem novidade. Se em Goodbye Lullaby houve uma tentativa - não completamente bem sucedida - de crescer com a sua audiência, em Avril Lavigne ela refere claramente que não quer crescer. OK, é um espírito muito bonito e tal, mas vejam: ela está perto da casa dos trinta. Tinha dezassete anos quando se estreou na música, aproximadamente a mesma idade que os seus fãs tinham, fãs esses que, agora, podem já ter filhos. É fácil ser-se eternamente jovem quando se pode fazer aquilo de que se mais gosta. Quem, no entanto, tem um emprego das nove às cinco, ou mais longo, filhos para criar, contas para pagar, não se pode dar ao luxo de não crescer.

 


 

 

Não estou ainda nessa fase mas, tal como penso ter referido anteriormente, não me identifico particularmente com esse espírito. Nunca fui grande fã de música de festa e continuam a existir demasiadas faixas desse género hoje em dia. Além disso, como escritora que colhe inspiração em música, este álbum não dá grande material. As faixas têm pouca história por detrás - ou melhor, até têm mas são as mesmas de sempre. Já não existem músicas como Mobile, Nobody's Fool, Take Me Away, Slipped Away, Runaway, Keep Holding On, Darlin', Everybody Hurts, mais voltadas para o quotidiano com que muitas pessoas se identificam de uma maneira ou de outra. Mais de fora do habitual espectro de amor/desgosto e borga que, hoje em dia, estão demasiado vulgarizados no mundo da música.

 

É claro que basta olhar para vídeos de bastidores dela, em diferentes fases da carreira dela, para perceber que esse espírito faz mesmo parte na sua personalidade: ela é no geral uma pessoa alegre, descontraída, que não se leva demasiado a sério, que por vezes parece ter a mentalidade de uma miúda de cinco anos. Não é de admirar que se sinta mais à vontade em temas mais ligeiros, que não faça nada mais profundo que uma break up song. E, para o bem e para o mal, a Avril sempre foi genuína, despretensiosa, fazendo aquilo que bem entende, independentemente do comercial, das tendências ou do que era esperado dela.

 


 

Esta é apenas a minha opinião. Sei que existem fãs que não são como eu, que não gostam que os seus artistas evoluam. Nesse aspeto, a diversidade em Avril Lavigne tem a vantagem de possuir faixas que agradam a vários tipos de fãs. E se passarmos à frente dessa questão da falta de originalidade, de amadurecimento significativo, as músicas são boas. As letras, apesar de ainda simples, estão mais elaboradas, mais consistentes em relação aos álbuns anteriores. E mesmo tendo em conta todos os pontos fracos listados ao longo desta crítica, todas as faixas, mesmo Hello Kitty, têm coisas de que gosto, dão me vontade de cantar, dançar, como só as músicas da Avril são capazes de fazer.

 

E não fui a única, de resto. Este álbum anda, aliás, a receber críticas positivas, ao ponto de o classificarem como um dos melhores álbuns pop do ano. Superior aos trabalhos de Katy Perry e Miley Cyrus - e eu não estava de todo à espera disso.


 



No que a mim me diz respeito, este álbum estará sempre associado a Vila Viçosa, onde passava o fim de semana quando o ouvi pela primeira vez.

Fez há pouco tempo dez anos desde que ouvi uma música da Avril pela primeira vez (I'm With You). Desde essa altura tem sido ótimo acompanhar o lançamento de cada single, cada vídeo, cada álbum Este álbum é mais um capítulo dessa história. Um capítulo que serve mais para recordar o caminho percorrido até ao momento. Agora que o CD já foi editado, anseio pelos próximos singles, pelos pormenores da digressão e, mais à frente, saber como será o sexto álbum. Cinco já estão lançados. Agora, na linha de Here's to Never Growing Up, a mais quinze álbuns de Avril Lavigne.

Avril Lavigne (2013) #4


Depois de termos analisado as faixas de Avril Lavigne AQUI, AQUI e AQUI, passemos às alegações finais.

Conclusões:

Este é o quinto álbum, homónimo, de Avril Lavigne. Quando anunciaram o título deste disco fiquei de pé atrás. No entanto, depois de ouvi-lo, a verdade é que não consigo pensar num título mais adequado. Com faixas que recordam outras mais antigas, outros álbuns, outras fases da carreira da cantora, Avril Lavigne assemelha-se a um Greatest Hits com três ou quatro faixas novas.

Este foi o aspeto que mais me desiludiu neste álbum: a falta de originalidade, de inovação, de músicas com que me identificasse. Os temas abordados são recorrentes na discografia dela, com destaque para as chamadas break up songs - já é o quinto álbum e nem sequer existe a atenuante de Goodbye Lullaby, em que ela vinha de um divórcio e estas músicas foram apresentadas sob uma perspetiva diferente. As músicas de verão, de festa, da celebração do espírito jovem, adolescente, não são tão ostensivamente recorrentes mas também não trazem novidade. Se em Goodbye Lullaby houve uma tentativa - não completamente bem sucedida - de crescer com a sua audiência, em Avril Lavigne ela refere claramente que não quer crescer. OK, é um espírito muito bonito e tal, mas vejam: ela está perto da casa dos trinta. Tinha dezassete anos quando se estreou na música, aproximadamente a mesma idade que os seus fãs tinham, fãs esses que, agora, podem já ter filhos. É fácil ser-se eternamente jovem quando se pode fazer aquilo de que se mais gosta. Quem, no entanto, tem um emprego das nove às cinco, ou mais longo, filhos para criar, contas para pagar, não se pode dar ao luxo de não crescer.



Não estou ainda nessa fase mas, tal como penso ter referido anteriormente, não me identifico particularmente com esse espírito. Nunca fui grande fã de música de festa e continuam a existir demasiadas faixas desse género hoje em dia. Além disso, como escritora que colhe inspiração em música, este álbum não dá grande material. As faixas têm pouca história por detrás - ou melhor, até têm mas são as mesmas de sempre. Já não existem músicas como Mobile, Nobody's Fool, Take Me Away, Slipped Away, Runaway, Keep Holding On, Darlin', Everybody Hurts, mais voltadas para o quotidiano com que muitas pessoas se identificam de uma maneira ou de outra. Mais de fora do habitual espectro de amor/desgosto e borga que, hoje em dia, estão demasiado vulgarizados no mundo da música.

É claro que basta olhar para vídeos de bastidores dela, em diferentes fases da carreira dela, para perceber que esse espírito faz mesmo parte na sua personalidade: ela é no geral uma pessoa alegre, descontraída, que não se leva demasiado a sério, que por vezes parece ter a mentalidade de uma miúda de cinco anos. Não é de admirar que se sinta mais à vontade em temas mais ligeiros, que não faça nada mais profundo que uma break up song. E, para o bem e para o mal, a Avril sempre foi genuína, despretensiosa, fazendo aquilo que bem entende, independentemente do comercial, das tendências ou do que era esperado dela.


Esta é apenas a minha opinião. Sei que existem fãs que não são como eu, que não gostam que os seus artistas evoluam. Nesse aspeto, a diversidade em Avril Lavigne tem a vantagem de possuir faixas que agradam a vários tipos de fãs. E se passarmos à frente dessa questão da falta de originalidade, de amadurecimento significativo, as músicas são boas. As letras, apesar de ainda simples, estão mais elaboradas, mais consistentes em relação aos álbuns anteriores. E mesmo tendo em conta todos os pontos fracos listados ao longo desta crítica, todas as faixas, mesmo Hello Kitty, têm coisas de que gosto, dão me vontade de cantar, dançar, como só as músicas da Avril são capazes de fazer.

E não fui a única, de resto. Este álbum anda, aliás, a receber críticas positivas, ao ponto de o classificarem como um dos melhores álbuns pop do ano. Superior aos trabalhos de Katy Perry e Miley Cyrus - e eu não estava de todo à espera disso.



No que a mim me diz respeito, este álbum estará sempre associado a Vila Viçosa, onde passava o fim de semana quando o ouvi pela primeira vez.

Fez há pouco tempo dez anos desde que ouvi uma música da Avril pela primeira vez (I'm With You). Desde essa altura tem sido ótimo acompanhar o lançamento de cada single, cada vídeo, cada álbum Este álbum é mais um capítulo dessa história. Um capítulo que serve mais para recordar o caminho percorrido até ao momento. Agora que o CD já foi editado, anseio pelos próximos singles, pelos pormenores da digressão e, mais à frente, saber como será o sexto álbum. Cinco já estão lançados. Agora, na linha de Here's to Never Growing Up, a mais quinze álbuns de Avril Lavigne.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Avril Lavigne (2013) #3

Terceira parte da crítica de Avril Lavigne. Partes anteriores AQUI e AQUI. Chegámos ao top 5 deste álbum. Por ordem...

Bad Girl


 "Just lay your head in daddy's lap"

Sendo este o dueto com Marilyn Manson, este título era, natural, um dos que mais curiosidade, e mesmo algum receio, despertava. Agora que já conhecemos Bad Girl, posso dizer que, de uma maneira geral, fomos todos apanhados de surpresa pela positiva. 

Eu estava mais ou menos à espera deste género de letra e sonoridade, mas não estava à espera que a música fosse tão contagiante nem que a voz de Manson combinasse tão bem. A distorção dos vocais tornam a voz de Avril quase irreconhecível mas reforçam o tom lânguido, condizente com a letra atrevida. Nesse aspeto, contudo, prefiro o refrão, em que a voz da Avril surge sem efeitos e com agudos impressionantes. É a faixa mais rock de todo o álbum, sem deixar de ser dançante. Faz pensar em roupa de cabedal e meias de rede. Há quem compare esta música a Taylor Momsen, de The Pretty Reckless - não a conheço, por isso, não posso concordar nem discordar. A mim, contudo, recorda-me Joan Jett. De qualquer forma, conforme já disse acima, a participação de Marilyn Manson não soa forçada, combina perfeitamente com o estilo da música. Por fim, um destaque positivo para a conclusão, com a gargalhada de Avril e as últimas palavras ofegantes de Manson.


Give You What You Like

 

"I've got a brand new cure for lonely"

Numa entrevista recente, Avril revelou que esta canção nasceu daquilo que era para ser a terceira estância de Bad Girl mas que ela, Chad e, provavelmente, David Hodges, decidiram transformar numa música independente. De facto, Give You What You Like repete o carácter erótico de Bad Girl, embora o faça de uma forma menos ostensiva. Tocada e cantada num tom grave e intimista, condizente com o tema da canção - recordando-me, de certa forma, In the Darkness, de Dead By Sunrise - conduzida pela guitarra acústica, acompanhada pela bateria suave e uma discreta linha de baixo, a que se junta o piano, mistura  erotismo com romance e alguma vulnerabilidade. Tenho lido comparações com Lana Del Rey - concordo, apesar de não a conhecer tão bem. É das poucas deste álbum em que se nota algum amadurecimento e evolução sendo, também, uma das melhor produzidas.

Falling Fast


"I never knew I needed you
Like a sad song needs a sea of lighters"

Da primeira vez que ouvi Falling Fast, o início recordou-me uma canção de Rui Veloso, "Nunca Me Esqueci de Ti" Falling Fast foi composta a solo pela Avril, provavelmente sobre o início do seu relacionamento com Chad. A produção - a guitarra acústica, os vocais incrivelmente suaves - recordam-me 4 Real e Tomorrow. Quanto à letra, nada de especial a assinalar, não diferem muito das habituais canções de amor da Avril. A interpretação dela, quase suspirada, conferindo um tom etéreo à canção, é verdadeiramente o maior pilar da música. Destaque para os "Oh" no fundo, na parte final.

17




"Hey, those days are long gone
But when I hear that song
It takes me back..."

Sem contar com os singles, esta era a música que conhecíamos há mais tempo deste álbum. Já tinha falado dela  AQUI, quando ela a apresentou ao vivo pela primeira vez. Acho que, em vários aspetos, gosto mais dessa versão do que da de estúdio: esta última ficou um bocadinho eletrónica a mais (embora tenha vazado uma versão demo que era ainda pior). Além disso, na versão ao vivo, Avril cantou-a de uma forma mais doce, mais condizente com o espírito da canção. Também ajuda a ausência de auto-tune. À parte tudo isso, contudo, 17 é, tanto na minha opinião como na dos críticos, uma das melhores músicas deste álbum.

Coo se constata facilmente, Avril Lavigne é rico em músicas exaltando o espírito jovem, adolescente. 17 - que já foi apelidado de Teenage Dream de 2013 - é aquela que, na minha opinião, aborda o tema da melhor forma: contando uma história de amor juvenil, com o tom agridoce da nostalgia. Que, tal como já tinha mencionado na primeira crítica, me recorda músicas de Bryan Adams e - sendo esta uma descoberta recente - a música Kids in the Street dos All-American Rejects. Há que lembrar, também, que os dezassete anos da Avril foram uma idade marcante, já que foi nessa altura que lançou o seu primeiro álbum e toda a loucura começou. Ela referiu também, numa entrevista recente, que a parte das cervejas roubadas no parque de caravanas era algo que ela e o irmão costumavam fazer quando eram novos.  Em suma, em termos de conceito, 17 é uma das melhores do álbum, se não a melhor.
 

Hush Hush



"So many questions, but I don't ask why"

Chegámos, finalmente, à minha música preferida de Avril Lavigne, o álbum. Não digo que seja a mais inovadora deste álbum - conduzida pelo piano, em termos de sonoridade é um pouco mais moderna do que as outras baladas da Avril mas, em termos de letra e conceito, é como se fosse uma Goodbye mais elaborada. Mais uma break up song, provavelmente sobre o fim da relação de dois anos com Brody Jenner. Além de que, neste álbum, é apenas a última faixa da tracklist, não tem o carácter de epílogo que Goodbye tem no quarto disco da cantautora canadiana. No entanto, Hush Hush é a mais emotiva de todo o álbum Avril Lavigne, arrebatadora ao ponto de partir o coração, de dar vontade de chorar, à semelhança de várias grandes baladas da cantora. Não é a primeira vez que Avril compõe baladas deste género, provavelmente não será a última mas, que diabo, a mulher sabe fazê-las! Se forem todas tão belas, tão arrebatadoras como esta, ela que esteja à vontade!

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