sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Within Temptation - Hydra (2014) #1


2014 começa muito bem, com o lançamento do sexto álbum de estúdio da banda holandesa Within Temptation, Hydra. Um disco bastante variado, com muitas participações especiais - todas elas desconhecidas até ao lançamento das músicas em questão - em que a banda não desilude.

Ao contrário do que fiz com críticas anteriores, desta feita não vou ordenar as faixas de acordo com a minha preferência. Isto porque, neste álbum, a qualidade é relativamente homogénea, não existe nenhuma de que não goste, todas têm os seus pontos fortes. Assim sendo, neste texto seguirei a ordem da tracklist oficial.

1) Let Us Burn


"I'll face all that is coming my way!
Denying the devil of silence,
Embracing the world on the edge..."

A faixa de abertura de Hydra não é propriamente desconhecida. Foi uma das que foi lançada sob a forma de demo com o single Paradise (What About Us), em setembro de 2013. Segundo o que a vocalista Sharon Den Adel disse em entrevista recente, foi a primeira a ser composta para este álbum servindo, assim, de modelo para as faixas seguintes. Das três demos, Let Us Burn foi a menos alterada, logo, não existem grandes surpresas na versão final. As poucas alterações, no entanto, foram bem conseguidas, na minha opinião. Começando pela introdução, que a adequa à abertura do disco. Foram, também, adicionados vocais de Sharon à parte inicial e aqui e ali, ao longo da faixa. Este género de vocais é um denominador comum à larga maioria das músicas de Hydra e pergunto-me se não terá sido influência da participação de Tarja em Paradise.

Outro denominador comum à maioria das músicas de Hydra é o facto de, em várias musicas, como esta, repetirem várias vezes o verso que dá o título à faixa. É um vício que herdam da rádio atual e que, por vezes, se torna cansativo e passa por falta de imaginação.

Em todo o caso, fiquei satisfeita por terem retirado os efeitos à voz de Sharon na terceira estância, bem como do coro no fundo, aumentando o dramatismo desse segmento da faixa.

A letra de Let Us Burn não é propriamente original, existem melhores neste álbum - já toda a gente sabe que o fogo pode simbolizar revolta, os Jogos da Fome são um bom exemplo disso. No entanto, cumpre o seu papel, condiz com o dramatismo da música. Em suma, não sendo das mais marcantes de Hyrda, Let Us Burn abre bem o álbum.

2) Dangerous


"We're going on, no we'll never stop
We're going on 'till worlds collide"

Dangerous já havia sido lançada como segundo single de Hydra, no final do ano passado. Com a participação de Howard Jones, é provavelmente a faixa mais "moderna" do álbum, com o seu ritmo absurdamente rápido, pedindo headbangs. A participação de Howard enriquece a música, dá-lhe mais tensão. Gosto particularmente da terceira estância, em que o ritmo abranda ligeiramente, fazendo-me pensar num momento de êxtase provocado pela adrenalina. A letra fala, precisamente, da apetência por liberdade, experiências fortes, por viver nos limites, esticar a corda o mais possível - um tema que recorda The Unforgiving.

Se a música em si não desiludiu, o mesmo não se pode dizer no videoclipe. Penso que a banda perdeu aqui uma oportunidade para criar algo memorável. Em vez disso, há uma gritante falta de coesão entre as cenas patrocinadas pela Red Bull - mais adequadas a um estilo musical mais leve, menos dramático - e as da atuação da banda, que até estão bem conseguidas. As cenas em que Howard aparece também não encaixam - ele recorda-me demasiado o Timbaland, não um vocalista de heavy metal. Um tiro falhado sem que, contudo, impeça de apreciar a música.

3) And We Run


"Don't blink, you'll miss it
Lift up your head
We gotta get gone

Yeah, we outta here"

Esta será, certamente, a faixa que mais opiniões divide em Hydra. Mesmo eu demorei algum tempo a formar uma opinião. And We Run - que, segundo o que Sharon deu a entender numa entrevista recente, será single de Hydra - começa só com piano, a que se vão juntando acordes de guitarra e, depois, a bateria, num crescendo de tensão até ao refrão. Na segunda parte deste, ouve-se um crescendo de bateria, que se assemelha estranhamente a dubstep - será de propósito? - culminando nos primeiros versos de rap de Xzibit. Sim, rap. Quem diria que os Within Temptation incluiriam rap numa música?

Como seria previsível, esta participação do rapper Xzibit gera controvérsia entre os fãs e não só, mas eu gosto. Talvez por ser fã de Linkin Park - Mike Shinoda seria, igualmente, uma boa escolha para And We Run. A letra, que fala de demónios interiores, cicatrizes por sarar, desejo de fugir, acaba por ter, também, um tema muito Linkin Park. Na minha opinião, combina surpreendentemente bem com o resto da música, dando um elemento original àquilo que seria um típico tema dos Within Temptation. A única coisa que eu, eventualmente, acrescentaria seria uma segunda estância, cantada por Sharon, deixando o rap para a terceira parte da música. Admito, no entanto, que tal tornasse a faixa demasiado comprida - e Hydra já tem a sua quota-parte de faixas com cinco ou seis minutos de duração.

Segunda parte

Within Temptation - Hydra (2014) #1


 


2014 começa muito bem, com o lançamento do sexto álbum de estúdio da banda holandesa Within Temptation, Hydra. Um disco bastante variado, com muitas participações especiais - todas elas desconhecidas até ao lançamento das músicas em questão - em que a banda não desilude.

Ao contrário do que fiz com críticas anteriores, desta feita não vou ordenar as faixas de acordo com a minha preferência. Isto porque, neste álbum, a qualidade é relativamente homogénea, não existe nenhuma de que não goste, todas têm os seus pontos fortes. Assim sendo, neste texto seguirei a ordem da tracklist oficial.

1) Let Us Burn




"I'll face all that is coming my way!
Denying the devil of silence,
Embracing the world on the edge..."

A faixa de abertura de Hydra não é propriamente desconhecida. Foi uma das que foi lançada sob a forma de demo com o single Paradise (What About Us), em setembro de 2013. Segundo o que a vocalista Sharon Den Adel disse em entrevista recente, foi a primeira a ser composta para este álbum servindo, assim, de modelo para as faixas seguintes. Das três demos, Let Us Burn foi a menos alterada, logo, não existem grandes surpresas na versão final. As poucas alterações, no entanto, foram bem conseguidas, na minha opinião. Começando pela introdução, que a adequa à abertura do disco. Foram, também, adicionados vocais de Sharon à parte inicial e aqui e ali, ao longo da faixa. Este género de vocais é um denominador comum à larga maioria das músicas de Hydra e pergunto-me se não terá sido influência da participação de Tarja em Paradise.

Outro denominador comum à maioria das músicas de Hydra é o facto de, em várias musicas, como esta, repetirem várias vezes o verso que dá o título à faixa. É um vício que herdam da rádio atual e que, por vezes, se torna cansativo e passa por falta de imaginação.

Em todo o caso, fiquei satisfeita por terem retirado os efeitos à voz de Sharon na terceira estância, bem como do coro no fundo, aumentando o dramatismo desse segmento da faixa.

A letra de Let Us Burn não é propriamente original, existem melhores neste álbum - já toda a gente sabe que o fogo pode simbolizar revolta, os Jogos da Fome são um bom exemplo disso. No entanto, cumpre o seu papel, condiz com o dramatismo da música. Em suma, não sendo das mais marcantes de Hyrda, Let Us Burn abre bem o álbum.

2) Dangerous

 


 

"We're going on, no we'll never stop
We're going on 'till worlds collide"

Dangerous já havia sido lançada como segundo single de Hydra, no final do ano passado. Com a participação de Howard Jones, é provavelmente a faixa mais "moderna" do álbum, com o seu ritmo absurdamente rápido, pedindo headbangs. A participação de Howard enriquece a música, dá-lhe mais tensão. Gosto particularmente da terceira estância, em que o ritmo abranda ligeiramente, fazendo-me pensar num momento de êxtase provocado pela adrenalina. A letra fala, precisamente, da apetência por liberdade, experiências fortes, por viver nos limites, esticar a corda o mais possível - um tema que recorda The Unforgiving.

Se a música em si não desiludiu, o mesmo não se pode dizer no videoclipe. Penso que a banda perdeu aqui uma oportunidade para criar algo memorável. Em vez disso, há uma gritante falta de coesão entre as cenas patrocinadas pela Red Bull - mais adequadas a um estilo musical mais leve, menos dramático - e as da atuação da banda, que até estão bem conseguidas. As cenas em que Howard aparece também não encaixam - ele recorda-me demasiado o Timbaland, não um vocalista de heavy metal. Um tiro falhado sem que, contudo, impeça de apreciar a música.

3) And We Run





"Don't blink, you'll miss it
Lift up your head
We gotta get gone

Yeah, we outta here"


Esta será, certamente, a faixa que mais opiniões divide em Hydra. Mesmo eu demorei algum tempo a formar uma opinião. And We Run - que, segundo o que Sharon deu a entender numa entrevista recente, será single de Hydra - começa só com piano, a que se vão juntando acordes de guitarra e, depois, a bateria, num crescendo de tensão até ao refrão. Na segunda parte deste, ouve-se um crescendo de bateria, que se assemelha estranhamente a dubstep - será de propósito? - culminando nos primeiros versos de rap de Xzibit. Sim, rap. Quem diria que os Within Temptation incluiriam rap numa música?

 

 

Como seria previsível, esta participação do rapper Xzibit gera controvérsia entre os fãs e não só, mas eu gosto. Talvez por ser fã de Linkin Park - Mike Shinoda seria, igualmente, uma boa escolha para And We Run. A letra, que fala de demónios interiores, cicatrizes por sarar, desejo de fugir, acaba por ter, também, um tema muito Linkin Park. Na minha opinião, combina surpreendentemente bem com o resto da música, dando um elemento original àquilo que seria um típico tema dos Within Temptation. A única coisa que eu, eventualmente, acrescentaria seria uma segunda estância, cantada por Sharon, deixando o rap para a terceira parte da música. Admito, no entanto, que tal tornasse a faixa demasiado comprida - e Hydra já tem a sua quota-parte de faixas com cinco ou seis minutos de duração.


Segunda parte



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domingo, 26 de janeiro de 2014

Músicas Ao Calhas - Heaven

Primeira entrada de 2014! Feliz Ano Novo. Eu sei que já se passaram algumas semanas mas, este mês, tenho-me focado mais no meu quarto livro. Além disso, estava a precisar de uma pausa dos meus blogues, do frete que, às vezes, se torna passar páginas e páginas de rascunhos para o computador. Planeio, no entanto, publicar algumas entradas nos próximos tempos, com destaque para a crítica a Hydra, o novo álbum dos Within Temptation, editado no próximo dia 31.

Hoje gostava de vos mostrar um pouco o meu lado mais lamechas e falar-vos da minha canção de amor preferida: Heaven, de Bryan Adams.


"Now our dreams are coming true
And through the good times and the bad
Yeah, I'll be standing there by you"

Sei que muitos fãs consideram (Everything I Do) I Do it For You a melhor canção romântica de Bryan Adams, mas eu discordo. Primeiro, por considerar Heaven melhor, tanto em termos de letra como de música, mais emotiva. Segundo, porque Heaven tem imensas versões diferentes e, em todas elas, soa linda - algo que é raro. Heaven é, há já muitos anos, uma música muito especial para mim. Sei tocá-la na guitarra, cheguei a tentar aprendê-la no piano e, um dia, se tiver a felicidade de me casar, será a música do meu casamento.

Muitos, se calhar, não o sabem, mas Heaven esteve quase para não ser incluída no quarto álbum de Bryan Adams, Reckless. A música foi composta para a banda sonora do filme A Night in Heaven (Noites de Paixão, em Portugal). Filme esse que se centrava num stripper masculino e que... foi um fracasso de bilheteira. Deve ter sido essa uma das razões que levaram Bryan a ponderar excluir a música do álbum. Em todo o caso, à última hora resolveu incluí-la e fez bem: Heaven tornou-se o primeiro single da carreira dele a atingir o topo das tabelas de música nos Estados Unidos.

A letra de Heaven é muito simples, como quase todas as músicas de Bryan Adams. Ligeiramente nostálgica, fala de uma relação que tem resistido ao teste do tempo, aos altos e baixos, às dificuldades. É uma música de final feliz, na minha opinião, daí achar que é a música de casamento perfeita.


Vou agora falar de algumas das muitas versões que existem desta música, começando, naturalmente, pela orginal. Esta é conduzida pelo piano (ou será pelo órgão?), acompanhada por notas de guitarra elétrica, que funciona como uma segunda voz - tal como acontece com muitas canções de Bryan Adams - acordes no refrão, baixo a partir da segunda estância, tudo isto numa aura etérea, muito romântica, perfeita para o primeiro slow dos noivos num casamento.


Em 1997, Bryan apresentou uma versão acústica de Heaven, a propósito da MTV Unplugged. Esta caracteriza-se por, na sua maioria, ser quase só a voz de Bran, com a guitarra acústica muito discreta. Só no segundo refrão é que o resto da banda se junta - toda ela em acústico - destaque para a linda flauta do irlandês Davy Spillane. Banda essa que torna a desaparecer nos últimos refrões. Bem, não desaparece completamente, pois ainda se ouve uma ou outra nota de piano e a flauta, em particular na conclusão da música.

Na digressão Bare Bones, dos últimos anos, Bryan tem igualmente apresentado Heaven em acústico. Desta feita, sem banda - regra da digressão - só com guitarra acústica e piano. Apesar de não ser uma má versão,  não é das minhas preferidas. Teria sido mais interessante uma versão sem guitarra, só com o piano.

A minha versão preferida de Heaven é a do DVD ao vivo Live in Lisbon, editado em 2005. Tenho imensa pena de não poder mostrá-la mas não está disponível online. Terão mesmo de adquirir o DVD. Algo que recomendo, de resto, pois está excelente, muito graças ao fantástico público português. Esta versão é também conduzida pela guitarra acústica - é esta que eu toco na minha - acompanhada pela bateria discreta, o baixo, a guitarra elétrica de Keith Scott, notas de piano. Tudo muito suave, emprestando um tom etéreo à música. Pontos para o solo de Keith, após a terceira estância, e sobretudo para audiência no refrão seguinte, que canta como um coro contratado, quase abafando a voz de Bryan. De repente, contudo, a música aumenta de ritmo, explode para um último refrão em alta - para isso contribui também, uma vez mais, a guitarra de Keith Scott. Sem dúvida, uma das melhores versões de Heaven, recomendo vivamente que comprem o DVD e a ouçam. Heaven... e o resto do concerto.


Queria, agora, falar de versões de Heaven gravadas por outros cantores. Começando por uma de Brandi Carlile - responsável por The Story, outra das minhas canções de amor preferidas. Brandi oferece-nos uma versão mais folk de Heaven, bem ao seu estilo, conduzida pela guitarra acústica, acompanhada, ocasionalmente, por notas de órgão.


Outras versões mais conhecidas (julgo eu) foram criadas por DJ Sammy e cantadas por Yanou. Uma delas é conduzida por notas de piano, muitas delas agudas, fazendo com que a música se assemelhe a uma canção de embalar, acompanhada aqui e ali por violinos. A interpretação doce de Yanou é perfeitamente compatível. É uma das versões mais açucaradas de Heaven mas isso não é defeito. Tal como todos os exemplos aqui mencionados, mostra uma prespetiva diferente da canção.


A outra versão, de DJ Sammy é bem diferente: é um remix tecno de Heaven, lançado em 2002. Temos muitos exemplos de remixes deste género, que transformam todo o tipo de canções em temas dançáveis, muitas vezes com grande prejuízo para a qualidade da música original. Não é este o caso, nem de longe nem de perto. De alguma forma, este remix conseguiu preservar a magia e o romance da versão original e, ao mesmo tempo, adequá-la às pistas de dança. Também ajuda o facto de Yanou ter uma boa voz e de esta soar quase sem alterações - naquela altura o auto-tune ainda não estava na moda, belos tempos! Quase vinte anos depois de ser lançada pela primeira vez, Heaven regressava às rádios sob outro "disfarce" e também conseguiu atingir os primeiros lugares das tabelas.

Conforme afirmei no início, poucas músicas se podem gabar de terem inúmeras versões diferentes e soarem ótimas em todas. É incrível como uma canção como Heaven, que parece tão simples, pode afinal ter tantas facetas. É por estas e por outras que este tema é-me imortal desde há, pelo menos, nove anos, conseguindo sempre derreter o meu coração. Algo que, de resto, Bryan Adams nunca teve dificuldade em fazer.

Bem, depois de um tema tão meloso como este, acho que este texto me deixou com a glicémia elevada. Se não se importam, vou ouvir Linkin Park. Entretanto, mantenham-se ligados: em breve publicarei a crítica a Hydra.

Músicas Ao Calhas - Heaven

Primeira entrada de 2014! Feliz Ano Novo. Eu sei que já se passaram algumas semanas mas, este mês, tenho-me focado mais no meu quarto livro. Além disso, estava a precisar de uma pausa dos meus blogues, do frete que, às vezes, se torna passar páginas e páginas de rascunhos para o computador. Planeio, no entanto, publicar algumas entradas nos próximos tempos, com destaque para a crítica a Hydra, o novo álbum dos Within Temptation, editado no próximo dia 31.

 

Hoje gostava de vos mostrar um pouco o meu lado mais lamechas e falar-vos da minha canção de amor preferida: Heaven, de Bryan Adams.

 

 


 

"Now our dreams are coming true


And through the good times and the bad

Yeah, I'll be standing there by you"


Sei que muitos fãs consideram (Everything I Do) I Do it For You a melhor canção romântica de Bryan Adams, mas eu discordo. Primeiro, por considerar Heaven melhor, tanto em termos de letra como de música, mais emotiva. Segundo, porque Heaven tem imensas versões diferentes e, em todas elas, soa linda - algo que é raro. Heaven é, há já muitos anos, uma música muito especial para mim. Sei tocá-la na guitarra, cheguei a tentar aprendê-la no piano e, um dia, se tiver a felicidade de me casar, será a música do meu casamento.

 

Muitos, se calhar, não o sabem, mas Heaven esteve quase para não ser incluída no quarto álbum de Bryan Adams, Reckless. A música foi composta para a banda sonora do filme A Night in Heaven (Noites de Paixão, em Portugal). Filme esse que se centrava num stripper masculino e que... foi um fracasso de bilheteira. Deve ter sido essa uma das razões que levaram Bryan a ponderar excluir a música do álbum. Em todo o caso, à última hora resolveu incluí-la e fez bem: Heaven tornou-se o primeiro single da carreira dele a atingir o topo das tabelas de música nos Estados Unidos.

 

A letra de Heaven é muito simples, como quase todas as músicas de Bryan Adams. Ligeiramente nostálgica, fala de uma relação que tem resistido ao teste do tempo, aos altos e baixos, às dificuldades. É uma música de final feliz, na minha opinião, daí achar que é a música de casamento perfeita.

 


 

Vou agora falar de algumas das muitas versões que existem desta música, começando, naturalmente, pela orginal. Esta é conduzida pelo piano (ou será pelo órgão?), acompanhada por notas de guitarra elétrica, que funciona como uma segunda voz - tal como acontece com muitas canções de Bryan Adams - acordes no refrão, baixo a partir da segunda estância, tudo isto numa aura etérea, muito romântica, perfeita para o primeiro slow dos noivos num casamento.





Em 1997, Bryan apresentou uma versão acústica de Heaven, a propósito da MTV Unplugged. Esta caracteriza-se por, na sua maioria, ser quase só a voz de Bran, com a guitarra acústica muito discreta. Só no segundo refrão é que o resto da banda se junta - toda ela em acústico - destaque para a linda flauta do irlandês Davy Spillane. Banda essa que torna a desaparecer nos últimos refrões. Bem, não desaparece completamente, pois ainda se ouve uma ou outra nota de piano e a flauta, em particular na conclusão da música.

Na digressão Bare Bones, dos últimos anos, Bryan tem igualmente apresentado Heaven em acústico. Desta feita, sem banda - regra da digressão - só com guitarra acústica e piano. Apesar de não ser uma má versão,  não é das minhas preferidas. Teria sido mais interessante uma versão sem guitarra, só com o piano.

A minha versão preferida de Heaven é a do DVD ao vivo Live in Lisbon, editado em 2005. Esta versão é também conduzida pela guitarra acústica - é esta que eu toco na minha - acompanhada pela bateria discreta, o baixo, a guitarra elétrica de Keith Scott, notas de piano. Tudo muito suave, emprestando um tom etéreo à música. Pontos para o solo de Keith, após a terceira estância, e sobretudo para audiência no refrão seguinte, que canta como um coro contratado, quase abafando a voz de Bryan. De repente, contudo, a música aumenta de ritmo, explode para um último refrão em alta - para isso contribui também, uma vez mais, a guitarra de Keith Scott. Sem dúvida, uma das melhores versões de Heaven. De resto, recomendo o resto do DVD pois o concerto é excelente, muito graças ao fantástico público português.

 



Queria, agora, falar de versões de Heaven gravadas por outros cantores. Começando por uma de Brandi Carlile - responsável por The Story, outra das minhas canções de amor preferidas. Brandi oferece-nos uma versão mais folk de Heaven, bem ao seu estilo, conduzida pela guitarra acústica, acompanhada, ocasionalmente, por notas de órgão.




Outras versões mais conhecidas (julgo eu) foram criadas por DJ Sammy e cantadas por Yanou. Uma delas é conduzida por notas de piano, muitas delas agudas, fazendo com que a música se assemelhe a uma canção de embalar, acompanhada aqui e ali por violinos. A interpretação doce de Yanou é perfeitamente compatível. É uma das versões mais açucaradas de Heaven mas isso não é defeito. Tal como todos os exemplos aqui mencionados, mostra uma prespetiva diferente da canção.




A outra versão, de DJ Sammy é bem diferente: é um remix tecno de Heaven, lançado em 2002. Temos muitos exemplos de remixes deste género, que transformam todo o tipo de canções em temas dançáveis, muitas vezes com grande prejuízo para a qualidade da música original. Não é este o caso, nem de longe nem de perto. De alguma forma, este remix conseguiu preservar a magia e o romance da versão original e, ao mesmo tempo, adequá-la às pistas de dança. Também ajuda o facto de Yanou ter uma boa voz e de esta soar quase sem alterações - naquela altura o auto-tune ainda não estava na moda, belos tempos! Quase vinte anos depois de ser lançada pela primeira vez, Heaven regressava às rádios sob outro "disfarce" e também conseguiu atingir os primeiros lugares das tabelas.

Conforme afirmei no início, poucas músicas se podem gabar de terem inúmeras versões diferentes e soarem ótimas em todas. É incrível como uma canção como Heaven, que parece tão simples, pode afinal ter tantas facetas. É por estas e por outras que este tema é-me imortal desde há, pelo menos, nove anos, conseguindo sempre derreter o meu coração. Algo que, de resto, Bryan Adams nunca teve dificuldade em fazer.

Bem, depois de um tema tão meloso como este, acho que este texto me deixou com a glicémia elevada. Se não se importam, vou ouvir Linkin Park. Entretanto, mantenham-se ligados: em breve publicarei a crítica a Hydra.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Música de 2013 #3 - Paramore

Queria fazer uma rápida referência a um álbum de música portuguesa, para variar. Infinito, o álbum de estreia de Catarina Rocha, editado no início deste ano. Já o tinha mencionado brevemente nesta entrada. É um disco bastante agradável, com músicas calminhas, sustentadas pela linda voz de Catarina, lembrando-me, de certa forma, o Goodbye Lullaby, da Avril.

 

2013, no entanto, pertenceu aos Paramore.

 


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Quando o ano começou, já o álbum havia sido anunciado. Pouco após, sairia a preview de Now. A faixa inteira seria lançada dois dias antes do meu aniversário. O respetivo videoclipe sairia poucas semanas depois - esse e o vídeo de Rock N Roll, de Avril Lavigne, foram para mim os melhores videoclipes do ano. Apesar de hoje considerar que a letra de Now é das mais fracas do álbum, o primeiro single de Paramore foi especialmente marcante durante o início de 2013. Muito porque, nessa altura, andava a escrever a parte final do meu terceiro livro; uma daquelas partes ricas em sequências de ação, as que mais gosto de escrever, já falei várias vezes disso cá no Álbum. Tanto a faixa Now em si como o seu videoclipe ajudavam-me a entrar no espírito, davam-me inspiração.

Seguiu-se o lançamento de Still Into You - que se tornaria um êxito estrondoso - e, poucas semanas mais tarde, as restantes músicas do álbum. Que, entretanto, já tiveram tempo de amadurecer no meu ouvido, deixando de soar tanto a novidade. Algumas que, inicialmente, não me agradavam por aí além, hoje aprecio melhor. Uma delas é a Interlude Holiday - depois de entrar em férias de verão e, mais tarde, ao emparelhá-la com as músicas estivais do Avril Lavigne.

O exemplo mais significativo, contudo, é mesmo Future. 



 

Levei algum tempo a compreender o propósito da faixa que encerra Paramore. Vejo agora que a letra faz referência a várias outras músicas do álbum, acabando por ser uma conclusão retirada das mesmas, por ser a mensagem do álbum. Uma mensagem de esperança, aconselhando a não olhar para trás e a focar-se no futuro, nos sonhos que estão por realizar. Funciona verdadeiramente como um epílogo do álbum, como um encerramento de capítulo. O tratamento instrumental da faixa - apesar de continuar a achar desnecessariamente longa, que a voz da Hayley podia soar mais clara no início da música e uns quantos vocais em eco, na parte instrumental, davam mais carácter a Future - confere a esta canção um tom adequadamente misterioso, agridoce, fazendo-me imaginar os membros da banda lutando num cenário semelhante ao vídeo de Now, ou então no mar em plena tempestade, ou num deserto, enfim, sobrevivendo numa situação agreste.

 

Vejo em Future certas semelhanças com Goodbye, de Avril Lavigne, e See the Light, dos Green Day. Goodbye também funciona como um epílogo de Goodbye Lullaby, pela maneira como retira uma conclusão a partir do álbum. Acaba, até, por ser uma mensagem relativamente semelhante, embora o sentimento seja diferente. Já See the Light tem um sentimento mais parecido e também me parece, de certa forma, uma conclusão a 21st Century Breakdown. Para além disso, tem uma mensagem semelhante, de procura de um sentido, de uma esperança, de desconhecimento sobre o futuro, tudo isto no típico tom agridoce de um epílogo.

 


 

É por estas e por outras que acho que o álbum foi mal batizado. Compreende-se a decisão de lançar um álbum homónico após terem sobrevivido a uma crise que quase destruiu a banda. Além de que quiseram mostrar todos os estilos que podiam adotar, todas as potencialidades dos Paramore. No entanto, o facto de terem batizado o seu quarto álbum assim, um álbum com uma sonoridade diferente dos anteriores, pode gerar equívocos. Podem dar a ideia e que estão a renegar os discos anteriores, de que estes eram menos Paramore do que o quarto álbum.

Na minha opinião, este álbum podia ter sido chamado Future. Por diversos motivos: pela canção-epílogo, que resume a mensagem geral do álbum. Por futuro ser o denominador comum a vários temas do disco: crescimento, sobrevivência, sonhos, esperança. Poque, com este álbum, a banda recuperou algo que esteve perto de perder: um futuro.

Mas trata-se apenas do título, é evidente que isso em nada diminui a qualidade do álbum. E enquanto músicas de que não gostava por aí além no início subiram na minha opinião (exceto Anklebiters. Não consigo mesmo gostar dessa), outras por que me apaixonei nas primeiras audições... continuam assim. Aliás, com o tempo, fui reparando nos pormenores, nas linhas de baixo de Jeremy, nos riffs de guitarra de Taylor, presentes em músicas como Daydreaming, Last Hope e, sobretudo, Ain't It Fun. É uma pena não termos ainda versões instrumentais oficiais...




Daydreaming tornou-se em poucas semanas uma das minhas preferidas, não apenas por descrever muito bem a fase da vida em que me encontro, como também por adorar cantá-la - aquelas estâncias suspiraras e depois o poderoso refrão. Daydreaming acabaria por ser lançada como single em alguns países da Europa, com direito a videoclipe. Como poder ver, é um vídeo muito simples, que nem sequer prima pela originalidade mas, na minha opinião, adequa-se à música que serve. Além de que, visto que não foi um lançamento mundial, não se justificava algo muito melhor.



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Uma das poucas coisas que me desiludiu em relação a este álbum, aliás, é o facto de terem sido lançados tão poucos singles. Aquando do lançamento de Paramore, eu pensava que haveria tempo para uns três singles até ao final do ano. A banda tentou gravar um vídeo para Ain't it Fun durante o verão -  que sempre se soube que seria single mais cedo ou mais tarde - mas parece que o processo não correu bem. Eles lançaram Daydreaming em novembro e, no início deste mês, fizeram uma segunda tentativa num videoclipe para Ain't it Fun. Parece que esta foi bem sucedida e o vídeo será lançado em janeiro.

Não se pode dizer, de resto, que este adiamento tenha prejudicado a banda pois Still Into You teve imenso sucesso. Este segundo single de Paramore não é das minhas preferidas deste álbum mas, tal como afirmei aquando do seu lançamento, consegue conjugar uma história forte por detrás da letra - Hayley chegou a afirmar numa entrevista que Still Into You era uma espécie de sequela a The Only Exception - com o carácter infeccioso das melhores canções pop.

Outros pontos fortes do álbum Paramore são Grow Up - sobretudo por causa dos elementos eletrónicos - e Part II. Não me vou alongar tantou sobre esta última pois tenciono dedicar-lhe uma entrada em breve.

No entanto, a melhor música, não apenas do álbum Paramore mas de todo o 2013, foi Last Hope.





Já falei aqui no blogue de como Last Hope me apaixonou à primeira audição, de como me arrebatou, de como dava vontade de cantar em altos berros. Algo que ainda acontece. Os Paramore, entretanto, referiram que esta se tornou uma das músicas preferidas de tocar ao vivo. Não surpreende, de facto. Diz-se vulgarmente que as músicas ideiais para concertos são as mais agitadas e alegres. Não concordo totalmente. Certas baladas arrebatadoras, cantadas em altos berros por milhares de pessoas, são muitas vezes o ponto alto de concertos.

Uma das coisas que ajudam à adesão de uma audiência será a letra com praticamente toda a gente se identifica - Lucky One, dos Simple Plan, também é assim. No entanto, emobra a mensagem de Last Hope seja generalizável, também se torna específica ao referir-se a dores de crescimento, àquilo que custa mas a que é necessário não resistir e, mesmo, aceitar - aquilo de que Hayley fala no seu blogue, uma lição que ainda estou a aprender.




Last Hope é, em suma, uma música perfeita em todos os sentidos. Se não for a melhor de sempre, será pelo menos a melhor deste ano. Ando a fazer figas para que a banda goste tanto de tocá-la ao vivo que a torne single.

Este álbum ajudou-me, assim, a apreciar ainda mais a banda, os seus trabalhos anteriores, os próprios integrantes.  Eu sei que Hayley detestaria ser discriminada positivamente em relação a Jeremy e a Taylor mas eu tenho de destacá-la. Eu já vinha a identificar-me com ela desde há uns anos a esta parte mas agora tornou-se um exemplo ainda maior para mim, por diversos motivos. Respeito-a imenso pela lealdade que tem para com os Paramore, ao contrário do que chegou a ser insinuado. O facto de, ao contrário do que acontece com quase todas as cantoras pop, ela não explora ostensivamente a sua sensualidade - só este ano é que começou a aparecer ainda mais descapotável mas, para ser sincera, ela parece uma freira quando comparada com o que se viu este ano... - e, mesmo assim, consegue há anos - incluindo numa altura em que muitas vezes aparecia de top e calças de ganga - ser considerada das cantoras mais sexys. Prova assim que sensualidade não é sinónimo de vulgaridade.

No entanto, o maior motivo da minha admiração diz respeito às letras, que são escritas por ela. É Hayley a principal responsável pelas mensagens das músicas, logo, dos álbuns. Para mim, essa é a parte mais importante, é o que me liga aos Paramore.


 



 


Porque este é, de resto, o principal motivo pelo qual este álbum teve um impacto tão grande em mim, mais do que a maior parte da música tem. Já o disse várias vezes aqui no blogue que, no finla, é o conteúdo da música que faz com que esta se torne verdadeiramente imortal - muito por colher inspiração dela. Paramore tem feito mais do que isso: as músicas, as mensagens por detrás, uma ou outra declaração sobre as mesmas, a própria história recente da banda, têm-me ensinado imenso, têm-me ajudado a descodificar a vida, a descobrir quem sou, aquilo que se passa comigo - sobretudo agora que me encontro à beira de um ponto de viragem. Coisas que já sabia e que estou a redescobrir, coisas que preciso de saber mas que ainda estou a tentar aprender.

 

Saber, por exemplo, quando ignorar as opiniões dos demais. Aprender que apenas seu sei o que é ser eu, percorrer o caminho que percorro, aceitar que não sou como toda a gente, que não faço o que é suposto fazer, que não sou normal e não tenho de o ser - em teoria, sei isto desde que tenho quinze anos mas, na prática, nem sempre consigo ignorar o que os outros pensam de mim.

 

Reconhecer que tudo o que tenho é sonhos, que vivo a meio gás e que está nas minhas mãos mudar isso, por assustador que seja. Porque muitas vezes, somos nós mesmos a impedirmo-nos de sermos felizes. Não esquecer que o Mundo Real é duro e tentará deitar-nos abaixo de todas as maneiras possíveis e imaginárias mas, se há pessoas a conseguirem sobreviver nele, também devo conseguir.

 


 

Aprender, também, que, por vezes, a maneira de ganhar a guerra não é derrotando o inimigo mas sim abraçando-o - quer literalmente, quer nos múltiplos sentidos figurados. Fazendo as pazes, perdoando, quer aos outros como a nós mesmos.

 

Pelo que vou vendo pela Internet, não apenas no que toca aos Paramore, o mesmo acontecendo com outros artistas, os fãs preferem embarcar em discussões sobre o sexo dos anjos, comparando o material novo com o antigo, muitas vezes desenterrando a velha questão da partida dos irmãos Farro. Eu prefiro focar-me naquilo que a música traz à minha vida. Se esta é mainstream ou indie é irrelevante. Se é conservadora ou inovadora é secundário - dái que o CD Avril Lavigne tenha ficado abaixo do EP dos Simple Plan: este podia trazer muito pouca novidade, ainda menos que o álbum da cantautora canadiana, ms as músicas deram mais. O álbum Paramore, esse, deu imenso: ajudou a clarificar o sentido da vida. Este devia, de resto, ser o principal propósito da Arte. Também serve de inspiração à minha escrita precisamente porque esta é, igualmente, a minha maneira de descodificar o Mundo.

 

Um dos meus desejos para 2014 é poder vê-los ao vivo outra vez, desta feita tocando as canções deste álbum. Não me importava que fossem ao Rock in Rio mas, depois de os ter visto no Alive, queria vê-los num concerto em nome próprio, de longa duração, não apenas com os singles mas, também, com as favoritas dos fãs mais hardcore - como por exemplo My Heart e Let The Flames Begin. Aguardo, igualmente, com ansiedade o vídeo de Ain't It Fun, bem como o single seguinte (Last Hope! Last Hope! Last Hope!). Entretanto, tenciono voltar a falar de músicas dos Paramore em entradas futuras. Mas, sobretudo, desejo que a banda continue a fazer músicas de qualidade, que continue a crescer connosco e a ajudar-nos a decifrar o Mundo.

 


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2014 dificilmente será tão rico musicalmente como 2013 foi. Já sabemos que os Within Temptation lançarão Hydra no final de janeiro. E aquela hipótese do álbum natalício de Avril Lavigne. Consta também que os Linkin Park se encontram, neste momento, em estúdio. Também não torceria o nariz a uma eventual participação dos mesmos no Rock In Rio. Em relação ao resto... não sei. Só o tempo o dirá.

 

Em termos pessoais, será um ano bastante decisivo. O ano em que espero acabar, finalmente, o meu curso. Um dos meus receios é que, quando estiver em estágio, deixe de ter tempo para escrever. Quero ver se consigo concretizar os vários planos de entradas que tenho acumulado nos meus cadernos - alguns dos quais há vários meses - antes do início do estágio mas não será fácil pois, no próximo mês, vou ter exames. Pelo meio, ainda queria avançar no meu quarto livro - escrevi oito capítulos ao longo do verão mas pouco mais escrevi depois disso.

 

Por outro lado, sou uma escritora caprichosa, que já escreveu mais em tempo de aulas do que em férias. Se em cerca de dezasseis anos de vida arranjei quase sempre tempo para escrever, não será agora que isso irá mudar. Como sempre, alguns dos melhores momentos deste ano corresponderam àqueles em que estive a escrever para os meus livros. Tenho a certeza de que, nesse aspeto, 2014 não será diferente. Sobretudo se o fizer catalisada por músicas novas dos meus artistas preferidos.

 

Deixo, então, aqui um voto de boas entradas em 2014, agradecendo aos meus seguidores, desejando que continuem a acompanhar o álbum ao longo do próximo ano. Que 2014 traga muitas alegrias, entre as quais boa música, bons livros, filmes e séries. Feliz Ano Novo!

Música de 2013 #3 - Paramore

Queria fazer uma rápida referência a um álbum de música portuguesa, para variar. Infinito, o álbum de estreia de Catarina Rocha, editado no início deste ano. Já o tinha mencionado brevemente nesta entrada. É um disco bastante agradável, com músicas calminhas, sustentadas pela linda voz de Catarina, lembrando-me, de certa forma, o Goodbye Lullaby, da Avril.

2013, no entanto, pertenceu aos Paramore.


Quando o ano começou, já o álbum havia sido anunciado. Pouco após, sairia a preview de Now. A faixa inteira seria lançada dois dias antes do meu aniversário. O respetivo videoclipe sairia poucas semanas depois - esse e o vídeo de Rock N Roll, de Avril Lavigne, foram para mim os melhores videoclipes do ano. Apesar de hoje considerar que a letra de Now é das mais fracas do álbum, o primeiro single de Paramore foi especialmente marcante durante o início de 2013. Muito porque, nessa altura, andava a escrever a parte final do meu terceiro livro; uma daquelas partes ricas em sequências de ação, as que mais gosto de escrever, já falei várias vezes disso cá no Álbum. Tanto a faixa Now em si como o seu videoclipe ajudavam-me a entrar no espírito, davam-me inspiração.

Seguiu-se o lançamento de Still Into You - que se tornaria um êxito estrondoso - e, poucas semanas mais tarde, as restantes músicas do álbum. Que, entretanto, já tiveram tempo de amadurecer no meu ouvido, deixando de soar tanto a novidade. Algumas que, inicialmente, não me agradavam por aí além, hoje aprecio melhor. Uma delas é a Interlude Holiday - depois de entrar em férias de verão e, mais tarde, ao emparelhá-la com as músicas estivais do Avril Lavigne.

O exemplo mais significativo, contudo, é mesmo Future. 


Levei algum tempo a compreender o propósito da faixa que encerra Paramore. Vejo agora que a letra faz referência a várias outras músicas do álbum, acabando por ser uma conclusão retirada das mesmas, por ser a mensagem do álbum. Uma mensagem de esperança, aconselhando a não olhar para trás e a focar-se no futuro, nos sonhos que estão por realizar. Funciona verdadeiramente como um epílogo do álbum, como um encerramento de capítulo. O tratamento instrumental da faixa - apesar de continuar a achar desnecessariamente longa, que a voz da Hayley podia soar mais clara no início da música e uns quantos vocais em eco, na parte instrumental, davam mais carácter a Future - confere a esta canção um tom adequadamente misterioso, agridoce, fazendo-me imaginar os membros da banda lutando num cenário semelhante ao vídeo de Now, ou então no mar em plena tempestade, ou num deserto, enfim, sobrevivendo numa situação agreste.

Vejo em Future certas semelhanças com Goodbye, de Avril Lavigne, e See the Light, dos Green Day. Goodbye também funciona como um epílogo de Goodbye Lullaby, pela maneira como retira uma conclusão a partir do álbum. Acaba, até, por ser uma mensagem relativamente semelhante, embora o sentimento seja diferente. Já See the Light tem um sentimento mais parecido e também me parece, de certa forma, uma conclusão a 21st Century Breakdown. Para além disso, tem uma mensagem semelhante, de procura de um sentido, de uma esperança, de desconhecimento sobre o futuro, tudo isto no típico tom agridoce de um epílogo.


É por estas e por outras que acho que o álbum foi mal batizado. Compreende-se a decisão de lançar um álbum homónico após terem sobrevivido a uma crise que quase destruiu a banda. Além de que quiseram mostrar todos os estilos que podiam adotar, todas as potencialidades dos Paramore. No entanto, o facto de terem batizado o seu quarto álbum assim, um álbum com uma sonoridade diferente dos anteriores, pode gerar equívocos. Podem dar a ideia e que estão a renegar os discos anteriores, de que estes eram menos Paramore do que o quarto álbum.

Na minha opinião, este álbum podia ter sido chamado Future. Por diversos motivos: pela canção-epílogo, que resume a mensagem geral do álbum. Por futuro ser o denominador comum a vários temas do disco: crescimento, sobrevivência, sonhos, esperança. Poque, com este álbum, a banda recuperou algo que esteve perto de perder: um futuro.

Mas trata-se apenas do título, é evidente que isso em nada diminui a qualidade do álbum. E enquanto músicas de que não gostava por aí além no início subiram na minha opinião (exceto Anklebiters. Não consigo mesmo gostar dessa), outras por que me apaixonei nas primeiras audições... continuam assim. Aliás, com o tempo, fui reparando nos pormenores, nas linhas de baixo de Jeremy, nos riffs de guitarra de Taylor, presentes em músicas como Daydreaming, Last Hope e, sobretudo, Ain't It Fun. É uma pena não termos ainda versões instrumentais oficiais...


Daydreaming tornou-se em poucas semanas uma das minhas preferidas, não apenas por descrever muito bem a fase da vida em que me encontro, como também por adorar cantá-la - aquelas estâncias suspiraras e depois o poderoso refrão. Daydreaming acabaria por ser lançada como single em alguns países da Europa, com direito a videoclipe. Como poder ver, é um vídeo muito simples, que nem sequer prima pela originalidade mas, na minha opinião, adequa-se à música que serve. Além de que, visto que não foi um lançamento mundial, não se justificava algo muito melhor.


Uma das poucas coisas que me desiludiu em relação a este álbum, aliás, é o facto de terem sido lançados tão poucos singles. Aquando do lançamento de Paramore, eu pensava que haveria tempo para uns três singles até ao final do ano. A banda tentou gravar um vídeo para Ain't it Fun durante o verão -  que sempre se soube que seria single mais cedo ou mais tarde - mas parece que o processo não correu bem. Eles lançaram Daydreaming em novembro e, no início deste mês, fizeram uma segunda tentativa num videoclipe para Ain't it Fun. Parece que esta foi bem sucedida e o vídeo será lançado em janeiro.

Não se pode dizer, de resto, que este adiamento tenha prejudicado a banda pois Still Into You teve imenso sucesso. Este segundo single de Paramore não é das minhas preferidas deste álbum mas, tal como afirmei aquando do seu lançamento, consegue conjugar uma história forte por detrás da letra - Hayley chegou a afirmar numa entrevista que Still Into You era uma espécie de sequela a The Only Exception - com o carácter infeccioso das melhores canções pop.

Outros pontos fortes do álbum Paramore são Grow Up - sobretudo por causa dos elementos eletrónicos - e Part II. Não me vou alongar tantou sobre esta última pois tenciono dedicar-lhe uma entrada em breve.

No entanto, a melhor música, não apenas do álbum Paramore mas de todo o 2013, foi Last Hope.


Já falei aqui no blogue de como Last Hope me apaixonou à primeira audição, de como me arrebatou, de como dava vontade de cantar em altos berros. Algo que ainda acontece. Os Paramore, entretanto, referiram que esta se tornou uma das músicas preferidas de tocar ao vivo. Não surpreende, de facto. Diz-se vulgarmente que as músicas ideiais para concertos são as mais agitadas e alegres. Não concordo totalmente. Certas baladas arrebatadoras, cantadas em altos berros por milhares de pessoas, são muitas vezes o ponto alto de concertos.

Uma das coisas que ajudam à adesão de uma audiência será a letra com praticamente toda a gente se identifica - Lucky One, dos Simple Plan, também é assim. No entanto, emobra a mensagem de Last Hope seja generalizável, também se torna específica ao referir-se a dores de crescimento, àquilo que custa mas a que é necessário não resistir e, mesmo, aceitar - aquilo de que Hayley fala no seu blogue, uma lição que ainda estou a aprender.


Last Hope é, em suma, uma música perfeita em todos os sentidos. Se não for a melhor de sempre, será pelo menos a melhor deste ano. Ando a fazer figas para que a banda goste tanto de tocá-la ao vivo que a torne single.

Este álbum ajudou-me, assim, a apreciar ainda mais a banda, os seus trabalhos anteriores, os próprios integrantes.  Eu sei que Hayley detestaria ser discriminada positivamente em relação a Jeremy e a Taylor mas eu tenho de destacá-la. Eu já vinha a identificar-me com ela desde há uns anos a esta parte mas agora tornou-se um exemplo ainda maior para mim, por diversos motivos. Respeito-a imenso pela lealdade que tem para com os Paramore, ao contrário do que chegou a ser insinuado. O facto de, ao contrário do que acontece com quase todas as cantoras pop, ela não explora ostensivamente a sua sensualidade - só este ano é que começou a aparecer ainda mais descapotável mas, para ser sincera, ela parece uma freira quando comparada com o que se viu este ano... - e, mesmo assim, consegue há anos - incluindo numa altura em que muitas vezes aparecia de top e calças de ganga - ser considerada das cantoras mais sexys. Prova assim que sensualidade não é sinónimo de vulgaridade.

No entanto, o maior motivo da minha admiração diz respeito às letras, que são escritas por ela. É Hayley a principal responsável pelas mensagens das músicas, logo, dos álbuns. Para mim, essa é a parte mais importante, é o que me liga aos Paramore.


Porque este é, de resto, o principal motivo pelo qual este álbum teve um impacto tão grande em mim, mais do que a maior parte da música tem. Já o disse várias vezes aqui no blogue que, no finla, é o conteúdo da música que faz com que esta se torne verdadeiramente imortal - muito por colher inspiração dela. Paramore tem feito mais do que isso: as músicas, as mensagens por detrás, uma ou outra declaração sobre as mesmas, a própria história recente da banda, têm-me ensinado imenso, têm-me ajudado a descodificar a vida, a descobrir quem sou, aquilo que se passa comigo - sobretudo agora que me encontro à beira de um ponto de viragem. Coisas que já sabia e que estou a redescobrir, coisas que preciso de saber mas que ainda estou a tentar aprender.

Saber, por exemplo, quando ignorar as opiniões dos demais. Aprender que apenas seu sei o que é ser eu, percorrer o caminho que percorro, aceitar que não sou como toda a gente, que não faço o que é suposto fazer, que não sou normal e não tenho de o ser - em teoria, sei isto desde que tenho quinze anos mas, na prática, nem sempre consigo ignorar o que os outros pensam de mim.

Reconhecer que tudo o que tenho é sonhos, que vivo a meio gás e que está nas minhas mãos mudar isso, por assustador que seja. Porque muitas vezes, somos nós mesmos a impedirmo-nos de sermos felizes. Não esquecer que o Mundo Real é duro e tentará deitar-nos abaixo de todas as maneiras possíveis e imaginárias mas, se há pessoas a conseguirem sobreviver nele, também devo conseguir.


Aprender, também, que, por vezes, a maneira de ganhar a guerra não é derrotando o inimigo mas sim abraçando-o - quer literalmente, quer nos múltiplos sentidos figurados. Fazendo as pazes, perdoando, quer aos outros como a nós mesmos.

Pelo que vou vendo pela Internet, não apenas no que toca aos Paramore, o mesmo acontecendo com outros artistas, os fãs preferem embarcar em discussões sobre o sexo dos anjos, comparando o material novo com o antigo, muitas vezes desenterrando a velha questão da partida dos irmãos Farro. Eu prefiro focar-me naquilo que a música traz à minha vida. Se esta é mainstream ou indie é irrelevante. Se é conservadora ou inovadora é secundário - dái que o CD Avril Lavigne tenha ficado abaixo do EP dos Simple Plan: este podia trazer muito pouca novidade, ainda menos que o álbum da cantautora canadiana, ms as músicas deram mais. O álbum Paramore, esse, deu imenso: ajudou a clarificar o sentido da vida. Este devia, de resto, ser o principal propósito da Arte. Também serve de inspiração à minha escrita precisamente porque esta é, igualmente, a minha maneira de descodificar o Mundo.

Um dos meus desejos para 2014 é poder vê-los ao vivo outra vez, desta feita tocando as canções deste álbum. Não me importava que fossem ao Rock in Rio mas, depois de os ter visto no Alive, queria vê-los num concerto em nome próprio, de longa duração, não apenas com os singles mas, também, com as favoritas dos fãs mais hardcore - como por exemplo My Heart e Let The Flames Begin. Aguardo, igualmente, com ansiedade o vídeo de Ain't It Fun, bem como o single seguinte (Last Hope! Last Hope! Last Hope!). Entretanto, tenciono voltar a falar de músicas dos Paramore em entradas futuras. Mas, sobretudo, desejo que a banda continue a fazer músicas de qualidade, que continue a crescer connosco e a ajudar-nos a decifrar o Mundo.

2014 dificilmente será tão rico musicalmente como 2013 foi. Já sabemos que os Within Temptation lançarão Hydra no final de janeiro. E aquela hipótese do álbum natalício de Avril Lavigne. Consta também que os Linkin Park se encontram, neste momento, em estúdio. Também não torceria o nariz a uma eventual participação dos mesmos no Rock In Rio. Em relação ao resto... não sei. Só o tempo o dirá.

Em termos pessoais, será um ano bastante decisivo. O ano em que espero acabar, finalmente, o meu curso. Um dos meus receios é que, quando estiver em estágio, deixe de ter tempo para escrever. Quero ver se consigo concretizar os vários planos de entradas que tenho acumulado nos meus cadernos - alguns dos quais há vários meses - antes do início do estágio mas não será fácil pois, no próximo mês, vou ter exames. Pelo meio, ainda queria avançar no meu quarto livro - escrevi oito capítulos ao longo do verão mas pouco mais escrevi depois disso.

Por outro lado, sou uma escritora caprichosa, que já escreveu mais em tempo de aulas do que em férias. Se em cerca de dezasseis anos de vida arranjei quase sempre tempo para escrever, não será agora que isso irá mudar. Como sempre, alguns dos melhores momentos deste ano corresponderam àqueles em que estive a escrever para os meus livros. Tenho a certeza de que, nesse aspeto, 2014 não será diferente. Sobretudo se o fizer catalisada por músicas novas dos meus artistas preferidos.

Deixo, então, aqui um voto de boas entradas em 2014, agradecendo aos meus seguidores, desejando que continuem a acompanhar o álbum ao longo do próximo ano. Que 2014 traga muitas alegrias, entre as quais boa música, bons livros, filmes e séries. Feliz Ano Novo!



domingo, 29 de dezembro de 2013

Música de 2013 #2 - Within Temptation

 

Faço aqui uma referência a Within Temptation, que esste ano lançou dois singles, um deles com um EP de demos anexado. O segundo, aliás, Dangerous, um dueto com Howard Jones, foi lançado há pouco mais de uma semana. Não escrevi a habitual crónica de Músicas Não Tão Ao Calhas porque ainda não consegui analisá-la como queria - só agora é que consegui encontrar a letra - e, do pouco que analisei, não tenho muito a dizer sobre ela. Mistura a sonoridade típica de Unforgiving com sintetizadores e um ritmo absurdamente rápido, que pede headbangs desde o primeiro minuto. Ainda não passei disso. Prefiro dar tempo, ir ouvindo a música com mais calma ao longo das próximas semanas. Mais tarde, quando sair o álbum, comentá-la-ei devidamente.

Não devia, aliás, falar dos Within Temptation na Música de 2013. Este ano ocorreram apenas os preliminares, a diversão a sério começará com o lançamento do novo álbum. Nas palavras dos mesmos, este disco representará diferentes lados da banda. Curiosamente, tivemos dois álbuns assim, mais para o eclético, este ano. Só que, ao contrário dos suspeitos do costume cá do blogue, os Within Temptation tiveram um bocadinho mais de imaginação e, em vez de batizarem o álbum com o seu próprio nome, inspiraram-se na Hidra de Lerna, o monstro de múltiplas cabeças da mitologia grega - simbolizando, precisamente, o carácter multifacetado do disco. Hydra será editado dia 31 de janeiro - pena não ser uma semana antes, para sair no dia do meu aniversário. Não tenho nenhuma expectativa em especial. Apenas espero que Hydra esteja ao nível a que os Within Tempation nos habituaram.

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