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domingo, 20 de outubro de 2013

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #6

Sexta parte da crítica retrospetiva de Goodbye Lullaby:

12) Remember When
 

"It never crossed my mind
That there would be a time
For us to say goodbye" 

Esta é outra música provavelmente sobre o divórcio, composta a solo pela Avril. Em termos de produção e sentimento, assemelha-se imenso a I Will Be. Mais uma vez, a produção (ironicamente, pelo próprio Deryck Whibley, de quem se divorciou) merece cinco estrelas. A minha parte favorita da música é o final do segundo refrão, em que esta “explode”, realçando a angústia presente do princípio ao fim.

A canção debruça-se sobre nostalgia, sobre a dor de um relacionamento terminado, que relembra aquilo que foi, os momentos felizes, em que se julgava que duraria para sempre, mas que se acabaram por perder. Mas, no meio de isso tudo, a Avril está firme na sua decisão de acabar tudo.

É capaz de ser a melhor letra de todo o Goodbye Lullaby e a voz da Avril exprime de forma, mais uma vez, primorosa, toda a emoção da música. Dá mesmo para sentir a dor dela – eu, pelo menos, afligi-me quando a ouvi pela primeira vez, sobretudo com os versos “Now I’m alone again, where do I begin?”. Em suma, é mais uma obra de arte que se junta à extensa galeria da sua discografia.

13) Goodbye


"I have to go"

Esta faixa foi composta e produzida a solo pela Avril. Aquando da edição de Goodbye Lullaby, esta considerava Goodbye a melhor música que alguma vez compôs. Não sei dizer se é a melhor, mas, pelo menos até agora, nenhuma outra é tão emotiva, pelo menos não de uma fora tão crua, tão cristalina, como esta.

A produção é muito simples, baseando-se quase exclusivamente em piano, guitarra acústica, violinos (mais presentes do que o habitual), mas é a suficiente. A letra é muito simples, mas é cantada de uma forma muito crua, muito sentida, e tem a vantagem de ser aplicável a diversas situações. A Avril compô-la sobre o seu divórcio, talvez para se convencer a si própria que era altura de parar, que tinha de deixar o seu casamento para trás. Nesse aspecto, faz sentido vir a seguir a Remember When. Em RW, toma a decisão de se ir embora. Em Goodbye, despede-se. Mas a canção também podia ser sobre uma mãe que abandona o filho, sobre alguém que está a morrer, ou simplesmente alguém que tem de deixar o seu amado por motivos de força maior – como que em jeito de prelúdio para When You’re Gone e Wish You Were Here. Em todo o caso, a música pega naquele tipo de dor mesmo profunda, íntima, crua, que se torna desconfortável quando vista de fora. Não é, por isso, de admirar que a Avril não se ache capaz de cantá-la ao vivo.

Goodbye assemelha-se em muitos aspectos a Run, dos Snow Patrol, (embora eu prefira a versão da Leona Lewis). Outra canção parecida, menos conhecida, é Our Farewell, dos Within Temptation, que também tem características de canção de embalar.

Já que estou a fazer comparações com outras músicas, tenho de referir a faixa Exit Song, dos Sum 41. Este também é o tema final do mais recente álbum deles, Sreaming Bloody Murder e, embora em termos estritamente musicais, não tenha muito a ver com Goodbye, a mensagem assemelha-se bastante. Julgo que o Deryck a compôs com intenções parecidas com as com que a Avril compôs Goodbye, embora com uma emoção ligeiramente diferente - uma aceitação resignada.




Ora, um ano após a edição de Goodbye Lullaby, em jeito de encerramento do ciclo desse álbum, a Avril lançou um vídeo para Goodbye (a partir de 1m45s). Não é exatamente um videoclipe, é mais uma curta-metragem: o vídeo não trabalha para a música, a música trabalha para o vídeo. Neste, a Avril interpreta uma personagem feminina que espera o seu amado num quarto de hotel. Vêmo-la preparando-se para recebê-lo, vestindo lingerie, ensaiando poses sensuais. Acabamos por perceber que não é completamente genuíno, que provavelmente é apenas para agradar ao amante que nunca chega a aparecer.

Este vídeo oferece múltiplas interpretações possíveis, tanto para a curta-metragem como para a própria música. Uma delas é a hipótese de o vídeo ser uma metáfora do seu casamento falhado com Deryck Whibley: de como ela tentava desesperadamente manter uma farsa ou algo que já não existia, uma ilusão, ao ponto de mentir a si mesma. Até ao momento em que a verdade a atinge.

Por outro lado, a mim também me faz lembrar, um pouco, a vida e morte de Marilyn Monroe. Deixo desde já bem claro que sei muito pouco sobre a falecida atriz, tudo o que sei aprendi com o Wikipédia, uma mão-cheia de artigos de revistas e jornais, estes sobretudo a propósito do aniversário da sua morte, no verão do ano passado, e pouco mais. Aquilo de que falarei aqui é pura especulação. Mas lembro-me de ler sobre a sua vida, sobre o seu estatuto de símbolo sexual, com a sua sensualidade ingénua - suponho que não muito diferente da da personagem de Goodbye. Imagino que a fama tivesse dado a Marilyn a ilusão de que era amada. Não me surpreenderia que ela se tivesse suicidado quando essa ilusão se desfez - quando percebeu que estava sozinha, que sempre estivera sozinha. A diferença é que a personagem que Avril interpreta teve a coragem de se levantar, de atirar com todas as máscaras, de sair do metafórico quarto de hotel e recomeçar a sua vida.

É claro que não estou a dizer que foi por isso que Marilyn se suicidou. Tal como afirmei acima, estou apenas a especular, quase a ficcionar. Mas podia ter sido. Se não com ela, talvez com outras celebridades femininas, ou não, mortas ou não, tanto do passado como - e isto é o mais triste - dos dias que correm.

É curiosa a forma como uma música com uma letra aparentemente tão vaga se torna tão rica, por tantos motivos. No contexto do disco  a que dá o nome, Goodbye não se limita a ser a última faixa (ou penúltima) de Goodbye Lullaby: funciona mesmo como epílogo do álbum, uma conclusão de tudo  por que se passou e se refletiu em cada uma das músicas do disco. Assinalo, por fim, o último refrão em que se ouve “Goodbye… Lullaby” no fundo – acho que ficou interessante, já que acabou por ser esse o nome do álbum – e a parte final, com os violinos, que encerram, não só a música, mas também o CD de certa forma, de uma forma misteriosa e linda.

Depois desta, só falta uma parte, em que falarei da faixa que falta e tecerei algumas considerações finais. Estamos, agora, a dezasseis dias da edição do quinto álbum, homónimo mas que, ao que parece, estará disponível em stream no iTunes uma semana antes. Como tal, vou tentar publicar a última parte ainda antes do próximo fim-de-semana. Entretanto, se quiserem ler as outras partes...

PRIMEIRA PARTE
SEGUNDA PARTE
TERCEIRA PARTE
QUARTA PARTE
QUINTA PARTE

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #6


Sexta parte da crítica retrospetiva de Goodbye Lullaby:

12) Remember When
 

 



"It never crossed my mind
That there would be a time
For us to say goodbye" 

Esta é outra música provavelmente sobre o divórcio, composta a solo pela Avril. Em termos de produção e sentimento, assemelha-se imenso a I Will Be. Mais uma vez, a produção (ironicamente, pelo próprio Deryck Whibley, de quem se divorciou) merece cinco estrelas. A minha parte favorita da música é o final do segundo refrão, em que esta “explode”, realçando a angústia presente do princípio ao fim.

A canção debruça-se sobre nostalgia, sobre a dor de um relacionamento terminado, que relembra aquilo que foi, os momentos felizes, em que se julgava que duraria para sempre, mas que se acabaram por perder. Mas, no meio de isso tudo, a Avril está firme na sua decisão de acabar tudo.

É capaz de ser a melhor letra de todo o Goodbye Lullaby e a voz da Avril exprime de forma, mais uma vez, primorosa, toda a emoção da música. Dá mesmo para sentir a dor dela – eu, pelo menos, afligi-me quando a ouvi pela primeira vez, sobretudo com os versos “Now I’m alone again, where do I begin?”. Em suma, é mais uma obra de arte que se junta à extensa galeria da sua discografia.


 



13) Goodbye




"I have to go"

Esta faixa foi composta e produzida a solo pela Avril. Aquando da edição de Goodbye Lullaby, esta considerava Goodbye a melhor música que alguma vez compôs. Não sei dizer se é a melhor, mas, pelo menos até agora, nenhuma outra é tão emotiva, pelo menos não de uma fora tão crua, tão cristalina, como esta.

A produção é muito simples, baseando-se quase exclusivamente em piano, guitarra acústica, violinos (mais presentes do que o habitual), mas é a suficiente. A letra é muito simples, mas é cantada de uma forma muito crua, muito sentida, e tem a vantagem de ser aplicável a diversas situações. A Avril compô-la sobre o seu divórcio, talvez para se convencer a si própria que era altura de parar, que tinha de deixar o seu casamento para trás. Nesse aspecto, faz sentido vir a seguir a Remember When. Em RW, toma a decisão de se ir embora. Em Goodbye, despede-se. Mas a canção também podia ser sobre uma mãe que abandona o filho, sobre alguém que está a morrer, ou simplesmente alguém que tem de deixar o seu amado por motivos de força maior – como que em jeito de prelúdio para When You’re Gone e Wish You Were Here. Em todo o caso, a música pega naquele tipo de dor mesmo profunda, íntima, crua, que se torna desconfortável quando vista de fora. Não é, por isso, de admirar que a Avril não se ache capaz de cantá-la ao vivo.

Goodbye assemelha-se em muitos aspectos a Run, dos Snow Patrol, (embora eu prefira a versão da Leona Lewis). Outra canção parecida, menos conhecida, é Our Farewell, dos Within Temptation, que também tem características de canção de embalar.

Já que estou a fazer comparações com outras músicas, tenho de referir a faixa Exit Song, dos Sum 41. Este também é o tema final do mais recente álbum deles, Sreaming Bloody Murder e, embora em termos estritamente musicais, não tenha muito a ver com Goodbye, a mensagem assemelha-se bastante. Julgo que o Deryck a compôs com intenções parecidas com as com que a Avril compôs Goodbye, embora com uma emoção ligeiramente diferente - uma aceitação resignada.






Ora, um ano após a edição de Goodbye Lullaby, em jeito de encerramento do ciclo desse álbum, a Avril lançou um vídeo para Goodbye (a partir de 1m45s). Não é exatamente um videoclipe, é mais uma curta-metragem: o vídeo não trabalha para a música, a música trabalha para o vídeo. Neste, a Avril interpreta uma personagem feminina que espera o seu amado num quarto de hotel. Vêmo-la preparando-se para recebê-lo, vestindo lingerie, ensaiando poses sensuais. Acabamos por perceber que não é completamente genuíno, que provavelmente é apenas para agradar ao amante que nunca chega a aparecer.

Este vídeo oferece múltiplas interpretações possíveis, tanto para a curta-metragem como para a própria música. Uma delas é a hipótese de o vídeo ser uma metáfora do seu casamento falhado com Deryck Whibley: de como ela tentava desesperadamente manter uma farsa ou algo que já não existia, uma ilusão, ao ponto de mentir a si mesma. Até ao momento em que a verdade a atinge.



Por outro lado, a mim também me faz lembrar, um pouco, a vida e morte de Marilyn Monroe. Deixo desde já bem claro que sei muito pouco sobre a falecida atriz, tudo o que sei aprendi com o Wikipédia, uma mão-cheia de artigos de revistas e jornais, estes sobretudo a propósito do aniversário da sua morte, no verão do ano passado, e pouco mais. Aquilo de que falarei aqui é pura especulação. Mas lembro-me de ler sobre a sua vida, sobre o seu estatuto de símbolo sexual, com a sua sensualidade ingénua - suponho que não muito diferente da da personagem de Goodbye. Imagino que a fama tivesse dado a Marilyn a ilusão de que era amada. Não me surpreenderia que ela se tivesse suicidado quando essa ilusão se desfez - quando percebeu que estava sozinha, que sempre estivera sozinha. A diferença é que a personagem que Avril interpreta teve a coragem de se levantar, de atirar com todas as máscaras, de sair do metafórico quarto de hotel e recomeçar a sua vida.

É claro que não estou a dizer que foi por isso que Marilyn se suicidou. Tal como afirmei acima, estou apenas a especular, quase a ficcionar. Mas podia ter sido. Se não com ela, talvez com outras celebridades femininas, ou não, mortas ou não, tanto do passado como - e isto é o mais triste - dos dias que correm.

É curiosa a forma como uma música com uma letra aparentemente tão vaga se torna tão rica, por tantos motivos. No contexto do disco  a que dá o nome, Goodbye não se limita a ser a última faixa (ou penúltima) de Goodbye Lullaby: funciona mesmo como epílogo do álbum, uma conclusão de tudo  por que se passou e se refletiu em cada uma das músicas do disco. Assinalo, por fim, o último refrão em que se ouve “Goodbye… Lullaby” no fundo – acho que ficou interessante, já que acabou por ser esse o nome do álbum – e a parte final, com os violinos, que encerram, não só a música, mas também o CD de certa forma, de uma forma misteriosa e linda.

Depois desta, só falta uma parte, em que falarei da faixa que falta e tecerei algumas considerações finais. Estamos, agora, a dezasseis dias da edição do quinto álbum, homónimo mas que, ao que parece, estará disponível em stream no iTunes uma semana antes. Como tal, vou tentar publicar a última parte ainda antes do próximo fim-de-semana. Entretanto, se quiserem ler as outras partes...

PRIMEIRA PARTE
SEGUNDA PARTE
TERCEIRA PARTE
QUARTA PARTE
QUINTA PARTE

sábado, 12 de outubro de 2013

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #5

Quinta parte da crítica retrospetiva de Goodbye Lullaby, agora que estamos a vinte e quatro do lançamento oficial de Avril Lavigne. Esta parte inclui a música de que gosto menos neste CD e a de que gosto mais.

9) Not Enough


"You were stealing me away"

Esta é a última música da setlist do álbum que a Avril compôs colaborando com outra pessoa. Not Enough foi quase de certeza composta acerca do divórcio de Deryck Whibley e, em termos de significado, assemelha-se muito a Together (se bem que com menos dramatismo), com um toque à My Happy Ending; no fundo, diz: Isto não está a resultar. O solo de guitarra acústica com que começa, as batalhas frenéticas e os vocais exprimem bem esse conflito interior, a angústia de quem vê a sua relação falhar, sem poder fazer nada para impedi-lo, e se vê obrigada a desistir.

Esta é a canção de que gosto menos neste álbum. Não por achar que ela é pior do que as outras, porque não o é. À semelhança de quase todas as músicas do Goodbye Lullaby, possui qualidade musical, é uma obra de arte à sua maneira. Só que, a mim, não me diz muito, não me cativou como outras me cativaram. Em todo o caso, alguém que tenha passado por um término de um relacionamento semelhante pode perfeitamente identificar-se com esta música.

 10) 4 Real


"And now I'm stuck in the moment
And my heart is open
Tell me that you feel the same, oh..."

Esta é a minha música preferida de todo o álbum. Foi composta e produzida a solo pela Avril; talvez tenha sido a primeira canção que ela produziu em toda a sua carreira.

A parte instrumental é muito simples, constituída quase só pela guitarra acústica e a bateria discreta. Na verdade, é a voz da Avril é o instrumento principal, carrega toda a música. A letra é simples, fala sobre o nascimento do amor, é cantada com fluidez, com sentimento etéreo que se torna mais evidente na terceira estância. Esta é, na verdade, a melhor parte da música. Assemelha-se à terceira estância de Hot, só que aperfeiçoada. É capaz de ser um dos melhores segmentos músicais de toda a carreira da Avril. No fim, temos uma balada de amor, doce e romântica, com sentimento semelhante a Naked, outra que sempre foi uma das minhas preferidas.


 11) Darlin


"You're not the only one who's been through it"

Esta era a música em relação à qual me sentia mais curiosa, antes do lançamento do Goodbye Lullaby. Foi das primeiras que foram anunciadas, a Avril chegou mesmo a mencioná-la, de passagem, numa entrevista em 2008. É capaz de ser a faixa sobre a qual ela falou mais de todo o CD. Esta foi a segunda canção que a Avril compôs em toda a sua vida (a primeira foi Can’t Stop Thinking Of You), quando tinha catorze ou quinze anos. Ela tentou gravá-la para o Let Go, mas não a deixaram.

Darlin é uma faixa maioritariamente acústica, à qual vão sendo discretamente acrescentados violinos, piano e bateria, em que a voz da Avril sobressai. Mais uma vez, cinco estrelas para a produção feita pelo Deryck. Tenho pena de não termos tido acesso à versão instrumental em boa qualidade, sobretudo depois deste excerto prometedor:


A letra é um pouco inocente, notando-se que foi uma menina de quinze anos a compô-la, sobre ser-se forte para ultrapassar as dificuldades, mais uma vez, em consonância com a mensagem geral do álbum. Também deixa uma mensagem de empatia, de já-passei-por-isso-e-sei-que-é-difícil. A Avril pode tê-la composto sobre a irmã, sobre um amigo, sobre um colega, talvez sobre as habituais complicações da adolescência – nesse aspecto, faz lembrar um pouco as músicas de Let Go e Under My Skin que ajudaram muitos de nós, os fãs mais velhos, a ultrapassar essa fase. E agora, como disse uma vez no Twitter aquando do aniversário de Under My Skin, há-de ajudar os fãs mais novos, que estão a passar por isso neste momento. Em todo o caso, fica a pergunta: quem é que foi ou foram as alminhas iluminadas que não a deixaram gravar esta música antes?

A canção não tinha grande potencial comercial para servir de single, embora um videoclipe baseado nas recordações que esta música despoleta na Avril (ela tocando a música na sala de estar da casa onde cresceu para a sua mãe) fosse interessante. No entanto, uma das coisas que mais me intriga é o facto de esta música nunca ter sido tocada ao vivo, até ao momento. Que ela não toque 4 Real ou Remember When, músicas sobre as quais ela quase nunca falou, não me surpreende. Agora, não tocar uma música sobre a qual disse tanto, que esteve tantos anos na gaveta antes de ser editada, que tem tantas histórias a ela associadas (as primeiras incursões da Avril pela composição, o dia em que conheceu o Deryck e lhe tocou esta música e ele, não sei quantos anos depois, produzindo-a…) é que me causa imensa confusão.


Leiam as outras partes desta crítica:
PRIMEIRA
SEGUNDA
TERCEIRA
QUARTA

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #5

Quinta parte da crítica retrospetiva de Goodbye Lullaby, agora que estamos a vinte e quatro do lançamento oficial de Avril Lavigne. Esta parte inclui a música de que gosto menos neste CD e a de que gosto mais.

 

9) Not Enough


 

 



"You were stealing me away"

Esta é a última música da setlist do álbum que a Avril compôs colaborando com outra pessoa. Not Enough foi quase de certeza composta acerca do divórcio de Deryck Whibley e, em termos de significado, assemelha-se muito a Together (se bem que com menos dramatismo), com um toque à My Happy Ending; no fundo, diz: Isto não está a resultar. O solo de guitarra acústica com que começa, as batalhas frenéticas e os vocais exprimem bem esse conflito interior, a angústia de quem vê a sua relação falhar, sem poder fazer nada para impedi-lo, e se vê obrigada a desistir.

Esta é a canção de que gosto menos neste álbum. Não por achar que ela é pior do que as outras, porque não o é. À semelhança de quase todas as músicas do Goodbye Lullaby, possui qualidade musical, é uma obra de arte à sua maneira. Só que, a mim, não me diz muito, não me cativou como outras me cativaram. Em todo o caso, alguém que tenha passado por um término de um relacionamento semelhante pode perfeitamente identificar-se com esta música.

 10) 4 Real

 



"And now I'm stuck in the moment
And my heart is open
Tell me that you feel the same, oh..."


Esta é a minha música preferida de todo o álbum. Foi composta e produzida a solo pela Avril; talvez tenha sido a primeira canção que ela produziu em toda a sua carreira.

A parte instrumental é muito simples, constituída quase só pela guitarra acústica e a bateria discreta. Na verdade, é a voz da Avril é o instrumento principal, carrega toda a música. A letra é simples, fala sobre o nascimento do amor, é cantada com fluidez, com sentimento etéreo que se torna mais evidente na terceira estância. Esta é, na verdade, a melhor parte da música. Assemelha-se à terceira estância de Hot, só que aperfeiçoada. É capaz de ser um dos melhores segmentos músicais de toda a carreira da Avril. No fim, temos uma balada de amor, doce e romântica, com sentimento semelhante a Naked, outra que sempre foi uma das minhas preferidas.


 11) Darlin




"You're not the only one who's been through it"

 

Esta era a música em relação à qual me sentia mais curiosa, antes do lançamento do Goodbye Lullaby. Foi das primeiras que foram anunciadas, a Avril chegou mesmo a mencioná-la, de passagem, numa entrevista em 2008. É capaz de ser a faixa sobre a qual ela falou mais de todo o CD. Esta foi a segunda canção que a Avril compôs em toda a sua vida (a primeira foi Can’t Stop Thinking Of You), quando tinha catorze ou quinze anos. Ela tentou gravá-la para o Let Go, mas não a deixaram.

 

Darlin é uma faixa maioritariamente acústica, à qual vão sendo discretamente acrescentados violinos, piano e bateria, em que a voz da Avril sobressai. Mais uma vez, cinco estrelas para a produção feita pelo Deryck. Tenho pena de não termos tido acesso à versão instrumental em boa qualidade, sobretudo depois deste excerto prometedor:




A letra é um pouco inocente, notando-se que foi uma menina de quinze anos a compô-la, sobre ser-se forte para ultrapassar as dificuldades, mais uma vez, em consonância com a mensagem geral do álbum. Também deixa uma mensagem de empatia, de já-passei-por-isso-e-sei-que-é-difícil. A Avril pode tê-la composto sobre a irmã, sobre um amigo, sobre um colega, talvez sobre as habituais complicações da adolescência – nesse aspecto, faz lembrar um pouco as músicas de Let Go e Under My Skin que ajudaram muitos de nós, os fãs mais velhos, a ultrapassar essa fase. E agora, como disse uma vez no Twitter aquando do aniversário de Under My Skin, há-de ajudar os fãs mais novos, que estão a passar por isso neste momento. Em todo o caso, fica a pergunta: quem é que foi ou foram as alminhas iluminadas que não a deixaram gravar esta música antes?

 

A canção não tinha grande potencial comercial para servir de single, embora um videoclipe baseado nas recordações que esta música despoleta na Avril (ela tocando a música na sala de estar da casa onde cresceu para a sua mãe) fosse interessante. No entanto, uma das coisas que mais me intriga é o facto de esta música nunca ter sido tocada ao vivo, até ao momento. Que ela não toque 4 Real ou Remember When, músicas sobre as quais ela quase nunca falou, não me surpreende. Agora, não tocar uma música sobre a qual disse tanto, que esteve tantos anos na gaveta antes de ser editada, que tem tantas histórias a ela associadas (as primeiras incursões da Avril pela composição, o dia em que conheceu o Deryck e lhe tocou esta música e ele, não sei quantos anos depois, produzindo-a…) é que me causa imensa confusão.


Leiam as outras partes desta crítica:
PRIMEIRA
SEGUNDA
TERCEIRA
QUARTA


sábado, 5 de outubro de 2013

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #4

Continuamos a recordar Goodbye Lullaby agora que estamos a um mês do lançamento oficial de Avril Lavigne. Podem ler as partes anteriores desta crítica AQUI, AQUI e AQUI. Hoje falamos de I Love You e Everybody Hurts.

7) I Love You 

 




"Yeah, the reason I love you
Is all that we've been through"


Esta é uma doce canção de amor, se bem que não se limite a amor romântico. É uma espécie de Smile acústico, mais suave, com um cheirinho a Things I’ll Never Say. A Avril vai enumerando aquilo que gosta acerca do rapaz, isto numa voz doce de menina tímida declarando o seu amor. O verso “I like the way you misbehave when we get wasted” é muito engraçado – é como que uma marca da Avril e contraria um bocadinho o tom romântico da música. A faixa é predominantemente acústica mas a batida dá um certo carácter dançante. A música ganha, ao mesmo tempo, maior animação e maior sentimento depois do segundo refrão graças aos acordes frenéticos e aos vocais: estes e a terceira estrofe catapultam a música para um último refrão e um final em grande.

 

A Avril afirmou que compôs esta música pensando numa das pessoas que mais ama no Mundo. E, como não podia deixar de ser, nós, os fãs, interrogamo-nos sobre quem será esse indivíduo. Eu aposto em Deryck Whibley, o ex-marido com quem, contudo, continua a ter uma boa relação, sobretudo por causa do verso “Even though we didn’t make it through, I am always here for you”. Em todo o caso, quem quer que seja este amor, a Avril não tem medo de dizer que o ama. E se tivermos em conta que, nos álbuns anteriores, ela parecia hesitar em dizer, preto no branco, o que verdadeiramente sentia, isto é definitivamente uma evolução.

A Avril chegou a dizer numa entrevista recente que I Love You podia ter sido single. Eu acho que tinha perfil para isso.

 

À semelhança de Smile, I Love You é também uma música que podia vir dos fãs para a Avril. Eu, pelo menos, gosto do sorriso dela, do estilo, da vibração, de o seu carácter de estrela, da sua beleza, das maluquices que faz quando se embebeda (ou mesmo quando está sóbria), etc, etc. Basicamente, adoro-a por ela ser como é e por eu e a sua música já termos passado por bastante juntas. 

 

8) Everybody Hurts






"So many questions, so much in my mind

So many answers I can't find..."

 


Esta é uma das minhas preferidas do álbum e também outra das mais populares entre os fãs. Se não é uma das melhores músicas da Avril é, pelo menos, uma das melhores produzidas. Os acordes de guitarra, os arpejos, os arranjos de violinos, os vocais (em particular na parte final da canção) estão todos muito bem colocados, fazendo da música uma verdadeira obra de arte. Bom trabalho, Deryck!

 

O único “defeito” é que a sequência de acordes é sempre a mesma, excepto na terceira estrofe, o que pode baralhar uma pessoa que a canta. Até a Avril se baralhou de todas as vezes que a cantou (não que tenham sido muitas, mas…). E já que se fala disso, gostei muito de vê-la cantar Everybody Hurts ao vivo com o Evan. Sempre os imaginei cantando-a ao vivo, cada um com a sua guitarra acústica, tal como fizeram.

 

A letra é muito simples e repetitiva mas, como o costume, a Avril canta-a com genuína emotividade. A mensagem faz-me lembrar um pouco as b-sides de Let Go, em particular, Move Your Little Self On, mas espelha um pouco o amadurecimento da Avril, a maneira como ela aprendeu a não se deixar abater pela dor. No fundo, a mensagem de Everybody Hurts é muito semelhantes à do álbum num todo: toda a gente sofre de vez em quando mas não devemos deixar que isto nos vença, há que continuar a lutar e, eventualmente, encontrar-se-á uma saída.

 

Não sei se é coincidência ou não, mas a mensagem não difere muito da da música homónima cantada pelos R.E.M. Também o título “Everybody Hurts” é bastante limitativo nesse aspecto, isto é, com este título era difícil a música ter uma mensagem diferente. Em todo o caso, Everybody Hurts é mais uma prova de que as músicas que nascem da parceria entre ela e Evan Taubenfeld costumam ser das melhores. Tenho pena é que o álbum Avril Lavigne não inclua nenhuma dessas - tanto quanto sei.

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #4

Continuamos a recordar Goodbye Lullaby agora que estamos a um mês do lançamento oficial de Avril Lavigne. Podem ler as partes anteriores desta crítica AQUI, AQUI e AQUI. Hoje falamos de I Love You e Everybody Hurts.

7) I Love You 



"Yeah, the reason I love you
Is all that we've been through"

Esta é uma doce canção de amor, se bem que não se limite a amor romântico. É uma espécie de Smile acústico, mais suave, com um cheirinho a Things I’ll Never Say. A Avril vai enumerando aquilo que gosta acerca do rapaz, isto numa voz doce de menina tímida declarando o seu amor. O verso “I like the way you misbehave when we get wasted” é muito engraçado – é como que uma marca da Avril e contraria um bocadinho o tom romântico da música. A faixa é predominantemente acústica mas a batida dá um certo carácter dançante. A música ganha, ao mesmo tempo, maior animação e maior sentimento depois do segundo refrão graças aos acordes frenéticos e aos vocais: estes e a terceira estrofe catapultam a música para um último refrão e um final em grande.

A Avril afirmou que compôs esta música pensando numa das pessoas que mais ama no Mundo. E, como não podia deixar de ser, nós, os fãs, interrogamo-nos sobre quem será esse indivíduo. Eu aposto em Deryck Whibley, o ex-marido com quem, contudo, continua a ter uma boa relação, sobretudo por causa do verso “Even though we didn’t make it through, I am always here for you”. Em todo o caso, quem quer que seja este amor, a Avril não tem medo de dizer que o ama. E se tivermos em conta que, nos álbuns anteriores, ela parecia hesitar em dizer, preto no branco, o que verdadeiramente sentia, isto é definitivamente uma evolução.

A Avril chegou a dizer numa entrevista recente que I Love You podia ter sido single. Eu acho que tinha perfil para isso.

À semelhança de Smile, I Love You é também uma música que podia vir dos fãs para a Avril. Eu, pelo menos, gosto do sorriso dela, do estilo, da vibração, de o seu carácter de estrela, da sua beleza, das maluquices que faz quando se embebeda (ou mesmo quando está sóbria), etc, etc. Basicamente, adoro-a por ela ser como é e por eu e a sua música já termos passado por bastante juntas. 

8) Everybody Hurts



"So many questions, so much in my mind
So many answers I can't find..."

Esta é uma das minhas preferidas do álbum e também outra das mais populares entre os fãs. Se não é uma das melhores músicas da Avril é, pelo menos, uma das melhores produzidas. Os acordes de guitarra, os arpejos, os arranjos de violinos, os vocais (em particular na parte final da canção) estão todos muito bem colocados, fazendo da música uma verdadeira obra de arte. Bom trabalho, Deryck!

O único “defeito” é que a sequência de acordes é sempre a mesma, excepto na terceira estrofe, o que pode baralhar uma pessoa que a canta. Até a Avril se baralhou de todas as vezes que a cantou (não que tenham sido muitas, mas…). E já que se fala disso, gostei muito de vê-la cantar Everybody Hurts ao vivo com o Evan. Sempre os imaginei cantando-a ao vivo, cada um com a sua guitarra acústica, tal como fizeram.

A letra é muito simples e repetitiva mas, como o costume, a Avril canta-a com genuína emotividade. A mensagem faz-me lembrar um pouco as b-sides de Let Go, em particular, Move Your Little Self On, mas espelha um pouco o amadurecimento da Avril, a maneira como ela aprendeu a não se deixar abater pela dor. No fundo, a mensagem de Everybody Hurts é muito semelhantes à do álbum num todo: toda a gente sofre de vez em quando mas não devemos deixar que isto nos vença, há que continuar a lutar e, eventualmente, encontrar-se-á uma saída.

Não sei se é coincidência ou não, mas a mensagem não difere muito da da música homónima cantada pelos R.E.M. Também o título “Everybody Hurts” é bastante limitativo nesse aspecto, isto é, com este título era difícil a música ter uma mensagem diferente. Em todo o caso, Everybody Hurts é mais uma prova de que as músicas que nascem da parceria entre ela e Evan Taubenfeld costumam ser das melhores. Tenho pena é que o álbum Avril Lavigne não inclua nenhuma dessas - tanto quanto sei.

sábado, 28 de setembro de 2013

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #3

Terceira parte da crítica a Goodbye Lullaby. Podem ler a anterior AQUI.

5) Smile




"It's been a while since everyday and everything has felt this right"

Esta é que acabou por ser o segundo single de Goodbye Lullaby. Com uns acordes de guitarra eléctrica e batida incrivelmente contagiantes e dançantes, esta música, à semelhança de What The Hell, traz a Avril roqueira, doida, selvagem – a diferença é que o namorado, em vez de se queixar, gosta disso e fá-la feliz de novo. Conceito que seria, de novo, abordado em Rock N Roll.

Esta música é claramente autobiográfica e, quase de certeza, dedicada ao namorado da altura, Brody Jenner. Os versos “I woke up with a new tattoo, your name was on me and my name is on you” são bastante explícitos, visto que ambos têm os nomes tatuados um no outro. O facto de ser pessoal, honesta, torna esta canção melhor do que outras, como, por exemplo, Gilfriend, que, apesar de também serem mais para o pop, são muito mais vazias de significado. É precisamente esse o ponto forte desta faixa: combina primorosamente o lado mais brincalhão e roqueiro da Avril com o seu lado mais romântico e sentimental, que é explorado no resto do Goodbye Lullaby. E o videoclipe joga bem com isso. Por um lado, temos a Avril com a guitarra eléctrica, num cenário que faz lembrar He Wasn’t. Por outro lado, temo-la a preto e branco, recolhendo pedaços de vidro que simbolizam dor, desespero e devolvendo a alegria, a esperança – cenas que também fariam sentido num eventual videoclipe de Darlin ou Everybody Hurts.

Devo dizer que gosto bastante destas cenas porque, no fundo, é o que a Avril me tem feito diversas vezes: quando andava deprimida, quando estava a ter um mau dia, a música dela, novidades dela (músicas novas, álbuns a caminho…) animaram-me, deram-me um motivo para aguentar. E sei que o mesmo tem acontecido com a larga maioria dos fãs da Avril. Aliás, a própria música Smile podia ter vindo de nós para ela. No meu caso, pelo menos, o lançamento de Goodbye Lullaby, coincidiu com uma fase particularmente feliz na minha vida - a altura em que "O Sobrevivente" foi aceite para publicação, algo que surpreendeu toda a minha família pela positiva. O lançamento de Goodbye Lullaby contribuiu ainda mais para essa alegria e o tema de Smile até se encaixava, pela maneira como a revelação da minha paixão pela escrita foi tão bem aceite. Smile acaba por ser a música do ano de 2011, que foi um dos mais felizes da minha vida. 

Muitos dizem que Smile é que devia ter sido o primeiro single e eu concordo com eles. Não só porque faria melhor ponte entre o The Best Damn Thing e o Goodbye Lullaby, mas porque toda a campanha - em que eu e muitos fãs participámos - foi o primeiro trending topic do Twitter para o qual contribuí - acerca do lançamento de What The Hell na Noite de Ano Novo, teria sido muito mais interessante se tivesse sido com Smile. Podíamos dizer: “Avril Lavigne is back and that’s why we smile”. Podíamos ter feito a contagem decrescente assim: “3… 2… 1… Smile, bitches!”. Podíamos verdadeiramente dizer “It’s been a while since everyday and everything has felt this right” porque a Avril estava finalmente de volta. Percebem a ideia?

Em todo o caso, fico feliz por Smile se ter tornado single: assim terá mais hipóteses de ser tocada ao vivo, mais pessoas ficaram a conhecê-la, apesar de o desempenho não ter sido grande coisa É o meu single preferido de Goodbye Lullaby.

6) Stop Standing There



"If you asked me to,
I just might be with you"

A Avril compôs esta música sozinha, em sua casa, ao piano. É a única cujos bastidores foram filmados e exibidos no DVD extra do Goodbye Lullaby. O tema lembra muito as b-sides de Let Go Why e All You Will Never Know, fala sobre o tipo que parece não saber o que sente ou, se o sabe, não o dá a entender enquanto a rapariga sabe que gosta dele, que quer estar com ele. A bola está do lado dele mas não há maneira de ele a chutar.

A produção que o Butch Walker fez, com a guitarra acústica, a batida e as palmas deram à música um toque à anos 50, como disse a Avril, tornando-a agradável ao ouvido, contagiante. Também se ouve o orgãozinho que o Butch toca no Making-Off no segundo refrão e este cria um enfeito engraçado. E a voz da Avril soa invulgarmente doce.

Há só uma coisa que me faz confusão: nos créditos, diz que a Avril toca piano nesta música - e é isso que acontece nas apresentações ao vivo -  mas, por mais que oiça a versão do CD, não encontro piano nenhum. Talvez a demo da música tivesse, mas a versão final não tem. Estranho…


Numa altura em que faltam pouco mais de cinco semanas para o lançamento de Avril Lavigne e esta começa a promovê-lo a sério a minha ansiedade e entusiasmo agudizam-se. Sobretudo depois de a cantora ter revelado que a maioria nas canções do seu álbum homónimo tem bastante história e alguma profundidade, sendo familiar e, ao mesmo tempo, experimental, que os dois primeiros singles acabam por ser os mais pop do CD. Suponho que 17 seja um bom exemplo disso. Eu confesso-me aliviada, pois cheguei a recear que todo o álbum fosse como Here's to Never Growing Up e Rock N Roll, que em pouco ou nada inovam relativamente ao material antigo da Avril. Embora não esteja a ver de que maneira é que canções como Hell oKitty, Sippin' On Sunshine ou Bitchin' Summer podem ser "profundas". Mesmo assim, não convém estar a tirar conclusões antes, sequer, de ouvir as músicas - tenho a certeza que vou ser surpreendida, que vamos todos ser surpreendidos. Faltam 38 dias. Que estes passem a correr!

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #3

Terceira parte da crítica a Goodbye Lullaby. Podem ler a anterior AQUI.

5) Smile

 


 


 


 

"It's been a while since everyday and everything has felt this right"

Esta é que acabou por ser o segundo single de Goodbye Lullaby. Com uns acordes de guitarra eléctrica e batida incrivelmente contagiantes e dançantes, esta música, à semelhança de What The Hell, traz a Avril roqueira, doida, selvagem – a diferença é que o namorado, em vez de se queixar, gosta disso e fá-la feliz de novo. Conceito que seria, de novo, abordado em Rock N Roll.

 

Esta música é claramente autobiográfica e, quase de certeza, dedicada ao namorado da altura, Brody Jenner. Os versos “I woke up with a new tattoo, your name was on me and my name is on you” são bastante explícitos, visto que ambos têm os nomes tatuados um no outro. O facto de ser pessoal, honesta, torna esta canção melhor do que outras, como, por exemplo, Gilfriend, que, apesar de também serem mais para o pop, são muito mais vazias de significado. É precisamente esse o ponto forte desta faixa: combina primorosamente o lado mais brincalhão e roqueiro da Avril com o seu lado mais romântico e sentimental, que é explorado no resto do Goodbye Lullaby. E o videoclipe joga bem com isso. Por um lado, temos a Avril com a guitarra eléctrica, num cenário que faz lembrar He Wasn’t. Por outro lado, temo-la a preto e branco, recolhendo pedaços de vidro que simbolizam dor, desespero e devolvendo a alegria, a esperança – cenas que também fariam sentido num eventual videoclipe de Darlin ou Everybody Hurts.

 

Devo dizer que gosto bastante destas cenas porque, no fundo, é o que a Avril me tem feito diversas vezes: quando andava deprimida, quando estava a ter um mau dia, a música dela, novidades dela (músicas novas, álbuns a caminho…) animaram-me, deram-me um motivo para aguentar. E sei que o mesmo tem acontecido com a larga maioria dos fãs da Avril. Aliás, a própria música Smile podia ter vindo de nós para ela. No meu caso, pelo menos, o lançamento de Goodbye Lullaby, coincidiu com uma fase particularmente feliz na minha vida - a altura em que "O Sobrevivente" foi aceite para publicação, algo que surpreendeu toda a minha família pela positiva. O lançamento de Goodbye Lullaby contribuiu ainda mais para essa alegria e o tema de Smile até se encaixava, pela maneira como a revelação da minha paixão pela escrita foi tão bem aceite. Smile acaba por ser a música do ano de 2011, que foi um dos mais felizes da minha vida. 

 

Muitos dizem que Smile é que devia ter sido o primeiro single e eu concordo com eles. Não só porque faria melhor ponte entre o The Best Damn Thing e o Goodbye Lullaby, mas porque toda a campanha - em que eu e muitos fãs participámos - foi o primeiro trending topic do Twitter para o qual contribuí - acerca do lançamento de What The Hell na Noite de Ano Novo, teria sido muito mais interessante se tivesse sido com Smile. Podíamos dizer: “Avril Lavigne is back and that’s why we smile”. Podíamos ter feito a contagem decrescente assim: “3… 2… 1… Smile, bitches!”. Podíamos verdadeiramente dizer “It’s been a while since everyday and everything has felt this right” porque a Avril estava finalmente de volta. Percebem a ideia?

 

Em todo o caso, fico feliz por Smile se ter tornado single: assim terá mais hipóteses de ser tocada ao vivo, mais pessoas ficaram a conhecê-la, apesar de o desempenho não ter sido grande coisa É o meu single preferido de Goodbye Lullaby.

6) Stop Standing There

 

 



 

"If you asked me to,

I just might be with you"

 

A Avril compôs esta música sozinha, em sua casa, ao piano. É a única cujos bastidores foram filmados e exibidos no DVD extra do Goodbye Lullaby. O tema lembra muito as b-sides de Let Go Why e All You Will Never Know, fala sobre o tipo que parece não saber o que sente ou, se o sabe, não o dá a entender enquanto a rapariga sabe que gosta dele, que quer estar com ele. A bola está do lado dele mas não há maneira de ele a chutar.

 

A produção que o Butch Walker fez, com a guitarra acústica, a batida e as palmas deram à música um toque à anos 50, como disse a Avril, tornando-a agradável ao ouvido, contagiante. Também se ouve o orgãozinho que o Butch toca no Making-Off no segundo refrão e este cria um enfeito engraçado. E a voz da Avril soa invulgarmente doce.

 

 

Há só uma coisa que me faz confusão: nos créditos, diz que a Avril toca piano nesta música - e é isso que acontece nas apresentações ao vivo -  mas, por mais que oiça a versão do CD, não encontro piano nenhum. Talvez a demo da música tivesse, mas a versão final não tem. Estranho…




Numa altura em que faltam pouco mais de cinco semanas para o lançamento de Avril Lavigne e esta começa a promovê-lo a sério a minha ansiedade e entusiasmo agudizam-se. Sobretudo depois de a cantora ter revelado que a maioria nas canções do seu álbum homónimo tem bastante história e alguma profundidade, sendo familiar e, ao mesmo tempo, experimental, que os dois primeiros singles acabam por ser os mais pop do CD. Suponho que 17 seja um bom exemplo disso. Eu confesso-me aliviada, pois cheguei a recear que todo o álbum fosse como Here's to Never Growing Up e Rock N Roll, que em pouco ou nada inovam relativamente ao material antigo da Avril. Embora não esteja a ver de que maneira é que canções como Hell oKitty, Sippin' On Sunshine ou Bitchin' Summer podem ser "profundas". Mesmo assim, não convém estar a tirar conclusões antes, sequer, de ouvir as músicas - tenho a certeza que vou ser surpreendida, que vamos todos ser surpreendidos. Faltam 38 dias. Que estes passem a correr!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #2

Segunda parte da crítica a Goodbye Lullaby. Podem ler a primeira parte AQUI. Hoje falamos de Push e Wish You Were Here e, depois, faremos uma rápida antevisão a Avril Lavigne, o quinto álbum homónimo - porque suspeito que, em breve, aparecerão previews das músicas e estas especulações deixarão de fazer sentido.

3) Push




"You and me, we can both start over..."

Push é uma faixa acústica composta pela Avril e pelo seu melhor amigo (BBF – best boi friend) Evan Taubenfeld - para aqueles que não sabem, o Evan foi o guitarrista principal da banda da cantora durante os primeiros dois anos da sua carreira. Ele acabou por deixar o lugar, para tentar a sua sorte como cantor, mas os dois têm-se mantido amigos muito próximos ao longo destes últimos dez, onze anos, e compuseram músicas juntos para os álbuns Under My Skin, The Best Damn Thing e Goodbye Lullaby.

Em termos estritamente musicais, Push lembra Torn, de Natalie Imbruglia, e Kiss Me, dos Sixpence None The Richer. Fala sobre amor, como este nem sempre é tão fácil como as pessoas pensam. Uma coisa que muitos de nós não devem saber é o verdadeiro significado da expressão que dá o nome à música: “when push comes to shove” é uma expressão idiomática que significa “quando as coisas chegam a um ponto em que se tem de tomar uma decisão”. E, no caso de Push, essa decisão tem de vir de ambas as partes – e essa é a mensagem principal. E, no fim, vale a pena, porque é de amor que se trata. A música faz lembrar a música do Evan, “Story Of Me And You”, se bem que esta última faixa seja um bocadinho mais suave enquanto que, em Push, temos um cheirinho da Avril mais durona.

Uma das melhores partes da música é quando o Evan canta uns versos. A voz dele soa primorosa ao lado da voz da Avril – isto é mais uma prova da extraordinária química musical que sempre existiu entre eles. A repetir no futuro, por favor!

Infelizmente, parece que não teremos direito a nenhuma parceria musical entre a Avril e o Evan no álbum homónimo da cantora.

A Avril sempre disse que esta era uma das suas músicas preferidas do GL e, por sua vontade, seria o segundo single (ou – e isto sou só eu a especular – o primeiro). Acabou por não ser, mas, na minha opinião, tinha potencial para isso. De qualquer forma, Push é mais uma bela música que se junta à lista de composições extraordinárias, fruto de colaborações entre a Avril e o Evan, bem como mais uma que, tal como já referi aqui no Álbum, à semelhança de várias outras músicas da cantora, se torna uma faixa-termo-de-comparação.

4) Wish You Were Here




"You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here"

Esta sempre foi uma das faixas mais populares do Goodbye Lullaby. Não constitui, portanto, surpresa que tenha sido escolhida para terceiro single.

Wish You Were Here mistura a mensagem de When You’re Gone com a melancolia e a vulnerabilidade de I’m With You. A voz da Avril está no ponto certo; ela, em muitas canções, canta o refrão em notas muito agudas e isso nem sempre favorece a sua voz. Aliás, nesta música, ela soa absolutamente mágica, encantatória, fazendo-nos querer voltar a ouvir a música outra e outra vez. A letra fala sobre saudade, de uma maneira simples. Na altura, os fãs especularam sobre quem a teria inspirado: se Deryck, o ex-marido, cujo divórcio parece ser o tema de várias músicas deste álbum, se Brody, o namorado da altura. Não há maneira de se ter a certeza mas a Avril diz que a música tem uma mensagem geral, universal, já que toda a gente, nalguma altura da vida, se apaixona e sofre quando está afastada do seu amor. Isso para mim chega.

A minha parte favorita da música é a terceira, em que a mistura dos versos falados, os vocais por detrás, as notas de piano resultam numa sequência muito bela e emotiva.

Muitos ficaram surpreendidos, alguns até desiludidos, com a simplicidade do videoclipe mas este reflete muito bem a temática do Goodbye Lullaby: sentimentos agridoces, realidade nua e crua, sem produção para disfarçar. Há quem diga que foi por baixo orçamento mas eu tenho a impressão que era mesmo isto que a Avril queria: que nos focássemos no sentimento e na incrível interpretação vocal.


Entretanto, já saiu há algum tempo a tracklist do álbum Avril Lavigne. Chegou a sair outra, em que era Here's to Never Growing Up a abrir o disco, mas já se provou que era falsa, que a oficial é a que é mostrada e cima. Eu fiquei com uma certa pena pois acho que o primeiro single seria uma faixa mais adequada para abrir o CD.

Alguns dos títulos já eram conhecidos. Nomes como Hello Kitty e Bad Girl já tinham aparecido em sites de registos de músicas - mas eu pensava que o primeiro, quanto muito, seria um jingle ou um tema-título para a respetiva série animada que a Avril teria composto e/ou interpretado. Mas parece que é uma música a sério, sobre a marca e a boneca japonesa, de cujos produtos a Avril sempre afirmou ser fã. Segundo a mesma, a música terá influências eletrónicas e incluirá uns versos em japonês. Confesso que estou um bocadinho receosa do que aí vem, que não sei bem o que esperar, mas definitivamente tenho a curiosidade despertada.

Bad Girl conta com a participação de Marilyn Manson nos vocais e, segundo a Avril, será uma faixa pesada e sedutora. Let Me Go será também um dueto, desta feita entre Avril e Chad Kroeger, vocalista dos Nickelback e, agora, marido dela. Ele participou na composição da larga maioria - se não tiver sido em todas - das faixas de Avril Lavigne, o que confere um interesse extra a este álbum visto que eles se apaixonaram em estúdio, aquando da composição destas músicas. Let Me Go, segundo o que eles disseram, é uma música sobre o fim de um relacionamento - a mim, faz-me pensar em Goodbye - mas em que, no fim, se reconciliam. Estou à espera de uma balada rock, no estilo habitual dos Nickelback mas que nem por isso deixa de ser compatível com o material da Avril. Pensa-se, com bastante certeza, que este será o terceiro single deste álbum. Em todo o caso, estou curiosa tanto em relação a Let Me Go como em relação a Bad Girl pois, sem contar com a participação de Evan em Push, serão os primeiros duetos originais da Avril.


Os restantes títulos, de uma maneira geral, têm o mérito de serem fora do vulgar, despertarem curiosidade, apesar de recear que as músicas se revelem demasiado futéis, como por exemplo Bitchin' Summer. Sippin' On Sunshine faz-me lembrar Walking On Sunshine e Runnin' On Sunshine... e não gosto de nenhuma destas músicas. Por outro lado, muita gente tem associado Hush Hush ao tema das Pussycat Dolls - a mim, no entanto, cheira-me que será uma música diferente, uma canção de amor, mais porque, até ao momento, as últimas faixas dos álbuns da Avril têm sido todas baladas. Give You What You Like já foi também mencionada pela Avril, que tê-la-á, inclusivamente, referido-a como uma das suas melhores músicas. Muitos têm pensado nela como uma balada mas, a mim, o título faz-me pensar numa música mais para o sensual, estilo Hot.

O título que, no entanto, me desperta maior interesse, depois de Bad Girl, Hello Kitty e Let Me Go, é You Ain't Seen Nothing Yet. A própria expressão "Ainda não viste nada" (a tradução do título) aguça a curiosidade, independentemente das circunstâncias. Para além disso, contudo, a mim recorda-me duas músicas de Bryan Adams: I thought I'd seen everything e dois versos de Not Romeo Not Juliet "You thought you've seen it all, but you ain't seen nothing yet".

De uma maneira geral, acho que a Avril está a tentar ser menos politicamente correta - isso resultou muito bem em Girlfriend, cuja composição foi quase acidental. Nota-se isso em Here's to Never Growing Up e em Rock N Roll. Eu aprecio a intenção, ainda que os resultados nem sempre tenham esse efeito. Em todo o caso, isto tudo não passa de especulação. Não seria a primeira vez em que os títulos que, antes do lançamento de um CD, me passavam mais despercebidos se revelassem as minhas músicas preferidas. Só nos resta esperar. E enquanto aguardamos as histórias das músicas de Avril Lavigne, continuaremos a recordar as histórias de Goodbye Lullaby, bem como a analisar as histórias de outras músicas a serem lançadas em breve, ou já lançadas (mais informações em entradas futuras).

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #2

Segunda parte da crítica a Goodbye Lullaby. Podem ler a primeira parte AQUI. Hoje falamos de Push e Wish You Were Here e, depois, faremos uma rápida antevisão a Avril Lavigne, o quinto álbum homónimo - porque suspeito que, em breve, aparecerão previews das músicas e estas especulações deixarão de fazer sentido.

3) Push

 





"You and me, we can both start over..."



Push é uma faixa acústica composta pela Avril e pelo seu melhor amigo (BBF – best boi friend) Evan Taubenfeld - para aqueles que não sabem, o Evan foi o guitarrista principal da banda da cantora durante os primeiros dois anos da sua carreira. Ele acabou por deixar o lugar, para tentar a sua sorte como cantor, mas os dois têm-se mantido amigos muito próximos ao longo destes últimos dez, onze anos, e compuseram músicas juntos para os álbuns Under My Skin, The Best Damn Thing e Goodbye Lullaby.

 

Em termos estritamente musicais, Push lembra Torn, de Natalie Imbruglia, e Kiss Me, dos Sixpence None The Richer. Fala sobre amor, como este nem sempre é tão fácil como as pessoas pensam. Uma coisa que muitos de nós não devem saber é o verdadeiro significado da expressão que dá o nome à música: “when push comes to shove” é uma expressão idiomática que significa “quando as coisas chegam a um ponto em que se tem de tomar uma decisão”. E, no caso de Push, essa decisão tem de vir de ambas as partes – e essa é a mensagem principal. E, no fim, vale a pena, porque é de amor que se trata. A música faz lembrar a música do Evan, “Story Of Me And You”, se bem que esta última faixa seja um bocadinho mais suave enquanto que, em Push, temos um cheirinho da Avril mais durona.

 

Uma das melhores partes da música é quando o Evan canta uns versos. A voz dele soa primorosa ao lado da voz da Avril – isto é mais uma prova da extraordinária química musical que sempre existiu entre eles. A repetir no futuro, por favor!

Infelizmente, parece que não teremos direito a nenhuma parceria musical entre a Avril e o Evan no álbum homónimo da cantora.

 

A Avril sempre disse que esta era uma das suas músicas preferidas do GL e, por sua vontade, seria o segundo single (ou – e isto sou só eu a especular – o primeiro). Acabou por não ser, mas, na minha opinião, tinha potencial para isso. De qualquer forma, Push é mais uma bela música que se junta à lista de composições extraordinárias, fruto de colaborações entre a Avril e o Evan, bem como mais uma que, tal como já referi aqui no Álbum, à semelhança de várias outras músicas da cantora, se torna uma faixa-termo-de-comparação.

4) Wish You Were Here






"You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here"

Esta sempre foi uma das faixas mais populares do Goodbye Lullaby. Não constitui, portanto, surpresa que tenha sido escolhida para terceiro single.

Wish You Were Here mistura a mensagem de When You’re Gone com a melancolia e a vulnerabilidade de I’m With You. A voz da Avril está no ponto certo; ela, em muitas canções, canta o refrão em notas muito agudas e isso nem sempre favorece a sua voz. Aliás, nesta música, ela soa absolutamente mágica, encantatória, fazendo-nos querer voltar a ouvir a música outra e outra vez. A letra fala sobre saudade, de uma maneira simples. Na altura, os fãs especularam sobre quem a teria inspirado: se Deryck, o ex-marido, cujo divórcio parece ser o tema de várias músicas deste álbum, se Brody, o namorado da altura. Não há maneira de se ter a certeza mas a Avril diz que a música tem uma mensagem geral, universal, já que toda a gente, nalguma altura da vida, se apaixona e sofre quando está afastada do seu amor. Isso para mim chega.

A minha parte favorita da música é a terceira, em que a mistura dos versos falados, os vocais por detrás, as notas de piano resultam numa sequência muito bela e emotiva.

Muitos ficaram surpreendidos, alguns até desiludidos, com a simplicidade do videoclipe mas este reflete muito bem a temática do Goodbye Lullaby: sentimentos agridoces, realidade nua e crua, sem produção para disfarçar. Há quem diga que foi por baixo orçamento mas eu tenho a impressão que era mesmo isto que a Avril queria: que nos focássemos no sentimento e na incrível interpretação vocal.




Entretanto, já saiu há algum tempo a tracklist do álbum Avril Lavigne. Chegou a sair outra, em que era Here's to Never Growing Up a abrir o disco, mas já se provou que era falsa, que a oficial é a que é mostrada e cima. Eu fiquei com uma certa pena pois acho que o primeiro single seria uma faixa mais adequada para abrir o CD.

Alguns dos títulos já eram conhecidos. Nomes como Hello Kitty e Bad Girl já tinham aparecido em sites de registos de músicas - mas eu pensava que o primeiro, quanto muito, seria um jingle ou um tema-título para a respetiva série animada que a Avril teria composto e/ou interpretado. Mas parece que é uma música a sério, sobre a marca e a boneca japonesa, de cujos produtos a Avril sempre afirmou ser fã. Segundo a mesma, a música terá influências eletrónicas e incluirá uns versos em japonês. Confesso que estou um bocadinho receosa do que aí vem, que não sei bem o que esperar, mas definitivamente tenho a curiosidade despertada.

Bad Girl conta com a participação de Marilyn Manson nos vocais e, segundo a Avril, será uma faixa pesada e sedutora. Let Me Go será também um dueto, desta feita entre Avril e Chad Kroeger, vocalista dos Nickelback e, agora, marido dela. Ele participou na composição da larga maioria - se não tiver sido em todas - das faixas de Avril Lavigne, o que confere um interesse extra a este álbum visto que eles se apaixonaram em estúdio, aquando da composição destas músicas. Let Me Go, segundo o que eles disseram, é uma música sobre o fim de um relacionamento - a mim, faz-me pensar em Goodbye - mas em que, no fim, se reconciliam. Estou à espera de uma balada rock, no estilo habitual dos Nickelback mas que nem por isso deixa de ser compatível com o material da Avril. Pensa-se, com bastante certeza, que este será o terceiro single deste álbum. Em todo o caso, estou curiosa tanto em relação a Let Me Go como em relação a Bad Girl pois, sem contar com a participação de Evan em Push, serão os primeiros duetos originais da Avril.




Os restantes títulos, de uma maneira geral, têm o mérito de serem fora do vulgar, despertarem curiosidade, apesar de recear que as músicas se revelem demasiado futéis, como por exemplo Bitchin' Summer. Sippin' On Sunshine faz-me lembrar Walking On Sunshine e Runnin' On Sunshine... e não gosto de nenhuma destas músicas. Por outro lado, muita gente tem associado Hush Hush ao tema das Pussycat Dolls - a mim, no entanto, cheira-me que será uma música diferente, uma canção de amor, mais porque, até ao momento, as últimas faixas dos álbuns da Avril têm sido todas baladas. Give You What You Like já foi também mencionada pela Avril, que tê-la-á, inclusivamente, referido-a como uma das suas melhores músicas. Muitos têm pensado nela como uma balada mas, a mim, o título faz-me pensar numa música mais para o sensual, estilo Hot.

O título que, no entanto, me desperta maior interesse, depois de Bad Girl, Hello Kitty e Let Me Go, é You Ain't Seen Nothing Yet. A própria expressão "Ainda não viste nada" (a tradução do título) aguça a curiosidade, independentemente das circunstâncias. Para além disso, contudo, a mim recorda-me duas músicas de Bryan Adams: I thought I'd seen everything e dois versos de Not Romeo Not Juliet "You thought you've seen it all, but you ain't seen nothing yet".

De uma maneira geral, acho que a Avril está a tentar ser menos politicamente correta - isso resultou muito bem em Girlfriend, cuja composição foi quase acidental. Nota-se isso em Here's to Never Growing Up e em Rock N Roll. Eu aprecio a intenção, ainda que os resultados nem sempre tenham esse efeito. Em todo o caso, isto tudo não passa de especulação. Não seria a primeira vez em que os títulos que, antes do lançamento de um CD, me passavam mais despercebidos se revelassem as minhas músicas preferidas. Só nos resta esperar. E enquanto aguardamos as histórias das músicas de Avril Lavigne, continuaremos a recordar as histórias de Goodbye Lullaby, bem como a analisar as histórias de outras músicas a serem lançadas em breve, ou já lançadas (mais informações em entradas futuras).

sábado, 14 de setembro de 2013

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #1


Ao longo dos últimos meses, tenho deixado aqui o Álbum um pouco ao abandono. Como já afirmei em entradas anteriores, tenho andado mais voltada para outras escritas e, de resto, tem-me faltado assunto para este blogue. Por esse motivo, e também em jeito de preparação para o lançamento do quinto álbum de Avril Lavigne, homónimo, marcado para o dia 5 de novembro (sim, eu sei que tinha dito que saía a 24 de setembro. Não perguntem), vou publicar uma crítica ao seu quarto álbum, Goodbye Lullaby, que escrevi, há coisa de dois anos, poucos meses após o seu lançamento. Já a tinha publicado no Fórum Avril Portugal, agora torno a publicá-la após acrescentar algumas coisas (como já aqui falei, a opinião de uma pessoa muda com o tempo). Vou publicá-la em várias partes - ainda não sei o número exato - ao longo destas últimas semanas antes do lançamento do quinto álbum.

Seguindo a ordem da tracklist oficial...

1) Black Star



"Be whatever you can be"

A Avril compôs esta faixa entre concertos da The Best Damn Tour para servir de música-tema da sua primeira fragrância, com o mesmo nome. Já conhecíamos uma parte da música desde o anúncio do perfume, em 2009, mais ou menos na altura em que começaram a surgir as primeiras informações relativas ao quarto álbum da Avril. Os artigos da altura, falando de uma canção de embalar que se tornava épica, estilo Coldplay, induziu muitos fãs em erro, fazendo-os esperar uma canção mais complexa.

Black Star é, na verdade, uma faixa muito simples. Ao longo de todo o minuto e meio repete-se a mesma sequência de notas agudas de piano, dando-lhe, de facto, a sonoridade de uma canção de embalar, que depois é acompanhada por outra sequência de piano e um arpejo de guitarra. A letra é muito simples mas gira um pouco à volta do slogan do perfume homónimo: “Be your own star”.



Durante a Black Start Tour - sim, esta digressão foi batizada com o nome desta música - entre 2011 e 2012, esta era a faixa que abria os concertos. Como poderão ouvir, tem um arranjo diferente, com mais elementos, destaque para as guitarras elétricas e para a bateria. Talvez a Avril tivesse gravado uma versão semelhante a esta, talvez fosse dessa que os tais artigos de 2009 falavam. Em todo o caso, apesar de gostar desta versão, considero que a que entrou no álbum é a mais adequada ao tom do disco. Até porque a musicalidade de uma canção de embalar condiz com a abertura de um disco chamado Goodbye Lullaby.

Além de ser a introdução ao álbum, a música tem um carácter especial para os fãs por vários motivos. Primeiro, por ser o tema do primeiro perfume da Avril (e, na minha opinião, o mais original até à data). Segundo, porque a estrela sempre foi, desde Let Go, um dos símbolos preferidos da Avril. Terceiro, porque foi esse o nome escolhido pela própria cantora para apelidar os fãs. Devo confessar que não acho assim tanta piada a estes género de nomes para denominar uma legião de fãs - Beliebers, Directioners, etc. Pode-se, ainda, insinuar que existirão razões comercias por detrás da escolha do nome, tanto para os fãs como para a digressão - afinal, é o nome do perfume da Avril! No entanto, confesso que simboliza bem o espírito de ser fã da Avril, pelo menos no que toca a mim - porque a mensagem da música e do perfume consiste, vá lá, numa interpretação livre, em ser-se fiel à própria identidade e em seguir os seus próprios sonhos. E a verdade é que, tal como já afirmei aqui no blogue, no que toca a ambos estes aspetos, a Avril tem sido a minha maior inspiração.

2) What the Hell



"I just need to be a little crazy..."

Esta é a faixa mais pop de todo o disco e, provavelmente, de toda a carreira musical da Avril. Não se enquadra, de maneira nenhuma, em Goodbye Lullaby. Ficou, desde o primeiro anúncio, bem claro que a faixa só fora incluída no CD por motivos comerciais. Muitos contestam o facto de ter sido o primeiro single quando não tem nada a ver com o resto do álbum. Eu acho que até fez sentido termos contactado com a música, pela primeira vez, separadamente do resto de Goodbye Lullaby. Se tivesse surgido juntamente com as outras músicas ia parecer ainda mais um outlier. Na verdade, o ideal teria sido se tivesse sido deixada de fora do CD.

Mas foquemo-nos na música em si mesma. Esta é cantada num tom descontraído, brincalhão, contagiante, à semelhança de Sk8er Boi e Girlfriend. A sua mensagem essencial é de rebeldia, de espontaneidade, de viver o momento. Não difere muito das mensagens de outras músicas como Anything But Ordinary, Freak Out, a b-side Take Me Away e, posteriormente, Here's to Never Growing Up e Rock N Roll. E, para exemplificar, a Avril conta uma história politicamente incorrecta (mais uma vez, recordando Girlfriend) de uma miúda que só se quer divertir, ir para a borga e esfrega isso na cara do namorado que, de resto, nem sequer a valoriza. Dá a ideia que, primeiro, compuseram o refrão, e só depois é que fizeram o resto. Outras histórias podiam ter sido contadas: alguém que se despede de um emprego que odeia, alguém que quebra uma dieta e desata a comer doces, alguém que rouba o namorado a outra, alguém que tem um exame no dia seguinte mas nem sequer pega nos livros, alguém que arranja coragem para se declarar à pessoa de quem gosta…

A música pode não se enquadrar no CD, pode não ser nada de extraordinário, pode ser o típico single da Avril, a chamada feel-good song, pode até ser um pouco fútil, mas não deixa de ser uma boa canção, à sua maneira. Para mim, tornou-se especial porque estimulou-me a fazer coisas que antes eu considerava demasiado extremas, que antes me assustavam demasiado. E, para mim, isso é mais importante do que todos os pontos fracos que já foram mencionados.


Publicarei a segunda parte desta crítica mais tarde, daqui a uma semana ou talvez mais. Tenho uma ou outra entrada - isto é, textos inéditos - planeada que talvez escreva e publique antes. Em todo o caso, mantenham-se ligados.

Faltam 52 dias para o lançamento de Avril Lavigne.

SEGUNDA PARTE

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #1




Ao longo dos últimos meses, tenho deixado aqui o Álbum um pouco ao abandono. Como já afirmei em entradas anteriores, tenho andado mais voltada para outras escritas e, de resto, tem-me faltado assunto para este blogue. Por esse motivo, e também em jeito de preparação para o lançamento do quinto álbum de Avril Lavigne, homónimo, marcado para o dia 5 de novembro (sim, eu sei que tinha dito que saía a 24 de setembro. Não perguntem), vou publicar uma crítica ao seu quarto álbum, Goodbye Lullaby, que escrevi, há coisa de dois anos, poucos meses após o seu lançamento. Já a tinha publicado no Fórum Avril Portugal, agora torno a publicá-la após acrescentar algumas coisas (como já aqui falei, a opinião de uma pessoa muda com o tempo). Vou publicá-la em várias partes - ainda não sei o número exato - ao longo destas últimas semanas antes do lançamento do quinto álbum.

Seguindo a ordem da tracklist oficial...

1) Black Star





"Be whatever you can be"


A Avril compôs esta faixa entre concertos da The Best Damn Tour para servir de música-tema da sua primeira fragrância, com o mesmo nome. Já conhecíamos uma parte da música desde o anúncio do perfume, em 2009, mais ou menos na altura em que começaram a surgir as primeiras informações relativas ao quarto álbum da Avril. Os artigos da altura, falando de uma canção de embalar que se tornava épica, estilo Coldplay, induziu muitos fãs em erro, fazendo-os esperar uma canção mais complexa.

 

Black Star é, na verdade, uma faixa muito simples. Ao longo de todo o minuto e meio repete-se a mesma sequência de notas agudas de piano, dando-lhe, de facto, a sonoridade de uma canção de embalar, que depois é acompanhada por outra sequência de piano e um arpejo de guitarra. A letra é muito simples mas gira um pouco à volta do slogan do perfume homónimo: “Be your own star”.





Durante a Black Start Tour - sim, esta digressão foi batizada com o nome desta música - entre 2011 e 2012, esta era a faixa que abria os concertos. Como poderão ouvir, tem um arranjo diferente, com mais elementos, destaque para as guitarras elétricas e para a bateria. Talvez a Avril tivesse gravado uma versão semelhante a esta, talvez fosse dessa que os tais artigos de 2009 falavam. Em todo o caso, apesar de gostar desta versão, considero que a que entrou no álbum é a mais adequada ao tom do disco. Até porque a musicalidade de uma canção de embalar condiz com a abertura de um disco chamado Goodbye Lullaby.

 

Além de ser a introdução ao álbum, a música tem um carácter especial para os fãs por vários motivos. Primeiro, por ser o tema do primeiro perfume da Avril (e, na minha opinião, o mais original até à data). Segundo, porque a estrela sempre foi, desde Let Go, um dos símbolos preferidos da Avril. Terceiro, porque foi esse o nome escolhido pela própria cantora para apelidar os fãs. Devo confessar que não acho assim tanta piada a estes género de nomes para denominar uma legião de fãs - Beliebers, Directioners, etc. Pode-se, ainda, insinuar que existirão razões comercias por detrás da escolha do nome, tanto para os fãs como para a digressão - afinal, é o nome do perfume da Avril! No entanto, confesso que simboliza bem o espírito de ser fã da Avril, pelo menos no que toca a mim - porque a mensagem da música e do perfume consiste, vá lá, numa interpretação livre, em ser-se fiel à própria identidade e em seguir os seus próprios sonhos. E a verdade é que, tal como já afirmei aqui no blogue, no que toca a ambos estes aspetos, a Avril tem sido a minha maior inspiração.

 

2) What the Hell






"I just need to be a little crazy..."

Esta é a faixa mais pop de todo o disco e, provavelmente, de toda a carreira musical da Avril. Não se enquadra, de maneira nenhuma, em Goodbye Lullaby. Ficou, desde o primeiro anúncio, bem claro que a faixa só fora incluída no CD por motivos comerciais. Muitos contestam o facto de ter sido o primeiro single quando não tem nada a ver com o resto do álbum. Eu acho que até fez sentido termos contactado com a música, pela primeira vez, separadamente do resto de Goodbye Lullaby. Se tivesse surgido juntamente com as outras músicas ia parecer ainda mais um outlier. Na verdade, o ideal teria sido se tivesse sido deixada de fora do CD.

Mas foquemo-nos na música em si mesma. Esta é cantada num tom descontraído, brincalhão, contagiante, à semelhança de Sk8er Boi e Girlfriend. A sua mensagem essencial é de rebeldia, de espontaneidade, de viver o momento. Não difere muito das mensagens de outras músicas como Anything But Ordinary, Freak Out, a b-side Take Me Away e, posteriormente, Here's to Never Growing Up e Rock N Roll. E, para exemplificar, a Avril conta uma história politicamente incorrecta (mais uma vez, recordando Girlfriend) de uma miúda que só se quer divertir, ir para a borga e esfrega isso na cara do namorado que, de resto, nem sequer a valoriza. Dá a ideia que, primeiro, compuseram o refrão, e só depois é que fizeram o resto. Outras histórias podiam ter sido contadas: alguém que se despede de um emprego que odeia, alguém que quebra uma dieta e desata a comer doces, alguém que rouba o namorado a outra, alguém que tem um exame no dia seguinte mas nem sequer pega nos livros, alguém que arranja coragem para se declarar à pessoa de quem gosta…


A música pode não se enquadrar no CD, pode não ser nada de extraordinário, pode ser o típico single da Avril, a chamada feel-good song, pode até ser um pouco fútil, mas não deixa de ser uma boa canção, à sua maneira. Para mim, tornou-se especial porque estimulou-me a fazer coisas que antes eu considerava demasiado extremas, que antes me assustavam demasiado. E, para mim, isso é mais importante do que todos os pontos fracos que já foram mencionados.


Publicarei a segunda parte desta crítica mais tarde, daqui a uma semana ou talvez mais. Tenho uma ou outra entrada - isto é, textos inéditos - planeada que talvez escreva e publique antes. Em todo o caso, mantenham-se ligados.

Faltam 52 dias para o lançamento de Avril Lavigne.

SEGUNDA PARTE

sábado, 4 de agosto de 2012

Avril Lavigne


Já publiquei cá no blogue duas críticas a álbuns musicais e tenciono publicar mais umas quantas nos próximos tempos. No entanto, sinto que, antes de mais nada, devia ter falado sobre a minha maior referência no que toca a música, aquela com quem comparo, quer consciente quer inconscientemente, praticamente todo e qualquer cantor ou banda: a minha cantora preferida: Avril Lavigne.

Faz mais ou menos agora nove anos desde que a conheci, quando comecei a ouvir I'm With You várias vezes na rádio. Não me tornei imediatamente fã, pelo menos não conscientemente. Contudo, ao longo dos meses que se seguiram, ainda antes de saber o nome dela, dava por mim cantarolando: "Isn't anyone trying to find me? Won't somebody come take me home?". Mais tarde, conheci Complicated e Sk8er Boi na rádio e, quando saiu o Under My Skin (o segundo álbum dela), comecei a ver os videoclipes de Don't Tell Me e My Happy Ending - até à data, dois dos meus preferidos, juntamente com Complicated e Alice. Finalmente, comprei os dois CD que ela havia lançado até à altura (Let Go e Under My Skin) e fiquei fã. Agora, há já uns bons sete ou oito anos, tem-se mantido como a minha cantora feminina preferida. 

Existem muitos motivos para tal. A sua voz, inconfundível, inimitável, que considero a melhor voz feminina do Mundo. O facto de ter músicas para todas as ocasiões, de praticamente cada uma das músicas da sua discografia ser diferente de todas as outras, sem se desviar do estilo pessoal - quer dizer, tem algumas exceções mas até agora, não encontrei um único cantor ou banda que conseguisse ter um trabalho musical tão variado, sem perder a sua identidade. A maneira como mete o seu cunho pessoal em tudo o que faz, como é genuína, não recorrendo a artifícios, a alter-egos, a máscaras, por motivos comerciais, para aumentar a popularidade, ao contrário do que fazem a maioria das cantoras femininas hoje em dia, como me ensinou a ser assim, a ser fiel a mim mesma, aos meus princípios, independentemente de isso agradar a outros ou não.



Podia escrever mais umas duzentas linhas sobre os motivos pelos quais adoro a Avril, mas vou passar ao motivo principal. Avril Lavigne é uma das razões principais - se não for a principal - pela qual neste momento sou uma autora publicada. Por vários motivos. Para começar, as músicas dela têm servido de fonte de inspiração, algumas delas seriam a banda sonora perfeita de certos momentos dos meus livros. Além disso, a Avril despeja a sua personalidade, os seus gostos, o seu coração, nas coisas que faz, sejam estas a sua música, a sua linha de roupas, os seus perfumes, a sua Fundação. Eu procurei fazer o mesmo com a minha escrita. Sei perfeitamente que, na sua essência mais básica, os meus livros não são absolutamente originais. No  entanto, tenho sempre procurado recorrer aos meus gostos, às minhas paixões,  aos meus estudos, às minhas crenças, de modo a criar algo que, ainda que não seja propriamente único, não possa ser criado por mais ninguém.


A maior razão de todas, contudo, é o facto de ela, com o seu exemplo, com a mensagem que tem transmitido, através das suas músicas e não só, ter-me ensinado o que mais ninguém me ensinou: a acreditar em mim própria, a saber o que quero, a lutar por isso, independentemente das opiniões dos demais. Foi ela quem me deu a coragem de verter a minha alma no meu livro e de fazer com que ele fosse publicado.

É por estas e por outras que me é quase impossível ser imparcial em relação à Avril. Não que ela esteja acima das minhas críticas, longe disso. Mas a verdade é que eu hei de gostar de praticamente qualquer coisa que a Avril faça, qualquer música que a Avril lance. Mesmo que ela lançasse um CD fraquíssimo,  eu haveria de gostar à mesma e de passar os dias seguintes a ouvi-lo e a cantá-lo outra e outra vez. Mesmo que as músicas nada tivessem a ver comigo, mesmo que eu as detestasse, haveria sempre de arranjar motivos para as adorar. Ou por ser o primeiro material inédito em muito tempo, ou porque até tem uma certa piada, ou porque gosto daquele segmento, ou simplesmente porque sim, porque foi a Avril a compô-la e a interpretá-la. Sou maluca a esse ponto! Quer isso esteja certo ou errado, adoro a música dela para lá do racional. E a verdade é que, até ao momento, não há mais nenhum cantor ou banda que tenha conseguido cativar-me a esse ponto, que me faça gostar quase automaticamente de qualquer coisa que grave, que me faça cantar e dançar, que me faça rir e chorar, que tenha influenciado tanto a minha maneira de pensar e agir, que me tenha encorajado, com a sua mensagem e o seu exemplo, a seguir o meu próprio sonho, que me tenha inspirado em tantos sentidos, que traga tanta alegria à minha vida…

Em suma, que me perdoem este ostensivo, confesso e militante favoritismo, mas, para o bem e para o mal, não há, nunca houve e, provavelmente, nunca voltará a haver, outro cantor ou banda como Avril Lavigne!

E como que para provar que não estou sozinha nisto, que existem outros como eu cá em Portugal, divulgo aqui um vídeo feito por fãs portugueses - incluindo eu própria, embora o meu contributo não seja muito significativo - precisamente para declarar o nosso amor pela cantora canadiana e fazer-lhe um apelo para que venha a Portugal.

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