segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Músicas Não Tão Ao Calhas - A Light that Never Comes e Stay the Night


"The night gets darkest right before dawn"

Os Linkin Park lançaram recentemente uma faixa em colaboração com o DJ Steve Aoki intitulada A Light that Never Comes. A faixa já havia sido apresentada ao vivo no mês passado, no festival de música japonês Summer Sonic, aquando da atuação de Steve Aoki.

Tal como seria de esperar de uma colaboração com um DJ, A Light that Never Comes contém muitos elementos da atual disco pop que domina as rádios. O que, como seria de esperar, está a causar polémica entre os fãs da banda, saudosistas do estilo dos primeiros álbuns dos Linkin Park.

Um aparte só para comentar que ando a reparar que, em praticamente todos os vídeos do YouTube de um determinado musical, existe sempre pelo menos um comentário do género: "Tenho saudades dos [inserir nome da banda] de antigamente". Regra geral, as pessoas são avessas à mudança, à evolução. Não há nada a fazer. Parece que sou das poucas que prefere que os seus artistas preferidos se reinventem a si mesmos, ainda nem que sempre goste do resultado de tal evolução.

Mas regressando ao assunto do texto. Como estava a dizer, A Light that Never Comes acaba por ser um cruzamento do estilo dance pop atual - dubstep, auto-tune - com elementos icónicos, dos Linkin Park: o rap de Mike Shinoda, o refrão cantado por Chester Bennington, a atitude in-your-face, à New Divide, de que tanto gosto, compatível com filmes de ação e videojogos - a música, aliás, foi desbloquada através do jogo LP Recharge para o Facebook. A música acaba, de resto, por se assemelhar a um remix dubstep de Lost in the Echo. A letra recorda, aliás, não apenas o segundo single de Living Things, como também a de Burn it Down e New Divide. Sento estas três das minhas músicas preferidas da banda, não é de admirar que goste imenso de A Light that Never Comes.

Também não admira que lhe tenha montado outro AMV do Pokémon. Acho que é um dos melhores que fiz nos últimos tempos.




Os efeitos de auto-tune não ficam mal na voz do Chester e até combinam com o estilo da música. Ao mesmo tempo, fico satisfeita por não terem adicionado tais efeitos no rap de Mike, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com Until It Breaks - seria demasiado. Por outro lado, a letra acaba por ser o grande calcanhar de Aquiles de A Light that Never Comes - para além de reutilizar conceitos já muito batidos noutras músicas dos Linkin Park, torna-se repetitiva. Além disso, a segunda estância ficou demasiado curta. Para não falar do cliché "What don't kill you makes you more strong", que nem sequer está gramaticalmente correto. Podiam ter usado um bocadinho mais a imaginação, não é?

Em suma, gostei do resultado final desta colaboração embora, em boa verdade, como diz a minha irmã, "O Steve Aoki não fez nada" - Os pontos fortes da música vêm da parte dos Linkin Park, a produção confere a A Light that Never Comes o seu próprio carácter mas não mais do que isso. A faixa encontra-se incluída num EP que será lançado no final do próximo mês, que conterá remixes de faixas do último disco da banda, Living Things - no caso de serem remixes de dubstep, não me surpreenderia se ficassem parecidos com A Light that Never Comes.

Entretanto, parece que a banda se encontra em estúdio a preparar o seu sexto álbum que - e isto sou eu a especular - deverá ser editado no próximo ano. Consta que as músicas terão um estilo diferente de A Light that Never Comes - mas não me chocava se voltassem a enveredar-se pelo dubstep. Sendo os Linkin Park caracterizados por teorias híbridas, é mais do que natural que procurem evoluir, experimentar novas sonoridades. Ao mesmo tempo, espero que evoluam um bocadinho em termos de letras, que experimentem temáticas novas - mas que não deixem de produzir músicas compatíveis com AMV's!

Eu sei, sou exigente.



"We'll let this place go down in flames
Only one more time"

De resto, acho que me estou a converter ao dubstep, tendo em contra que os Linkin Park não foram os únicos artistas de que gosto a lançar recentemente uma faixa nesse género musical. Hayley Williams, vocalista dos Paramore, lançou também, na semana passada, uma música em parceria com Zedd, chamada Stay the Night. Já não é a primeira vez que a Hayley empresta a voz para canções fora da banda e do seu género - há três anos fez o mesmo com Airplanes de B.o.B., uma parceria que, na minha opinião, foi bem sucedida.

Ora, penso que a parceria que deu à luz Stay the Night também foi bem sucedida. Ao contrário do que aconteceu com Airplanes, Hayley não se limitou a cantar dois versos para o refrão, ela canta a música toda e terá, inclusivamente, escrito a letra - até que ponto, não sei. 

Stay the Night é uma faixa conduzida pelo piano a que se juntam elemento da eletropop atual. Gosto do facto de não ser uma faixa de dubstep pura, dos momentos em que só se ouve a voz de Hayley e do piano. A letra, que fala de um casal que passa uma última noite juntos antes da ruptura, não é nada de especial - consegue-se destacar-se de outras músicas deste género ao não ser completamente vazia de significado mas não faz mais o que isso - mas julgo que se nota o toque da Hayley. Adicionaram alguns efeitos à voz dela mas não em demasia, apenas o suficiente para combinar com o estilo musical. Tal como acontece com A Light That Never Comes, o produtor pouco faz pela música - não parece muito diferente de outras faixas do género - é a Hayley quem carrega Stay the Night nas costas. Ou melhor, nas cordas vocais. E, apesar de preferir mil vezes os trabalho de Hayley nos Paramore, considero este projeto lateral bem conseguido, tal como Airplanes o foi.


Não manterei este blogue inativo por muito tempo, não apenas por causa da crítica a Goodbye Lullaby, mas também porque não ficaremos por aqui em termos de música nova - os Within Temptation preparam-se para lançar o primeiro single do seu novo álbum, no próximo dia 27 - que é também o aniversário de Avril Lavigne.

É engraçado o que está a acontecer este ano: os Within Temptation vão lançar um single no aniversário da Avril. Esta, por sua vez, lançará o seu álbum homónimo no dia de anos de Bryan Adams. Isto se não for adiado novamente... Três vezes na madeira!!!

O novo single dos Within Temptation chama-se Paraside (What About Us) e é cantado em conjunto com Tarja, a vocalista da antiga banda, também de metal sinfónico, Nightwish (nota para mim mesma: ouvir-lhes a discografia um dia destes). Temos tido direito a várias previews, sendo o vídeo acima uma das mais recentes. O instrumental não parece diferir muito da sonoridade do álbum anterior, The Unforgiving, embora tenha alguns elementos interessantes. O refrão, contudo, não está a conseguir convencer-me até agora, não parece ter grande força. No entanto, admito que tenho gostado mais da música à medida que a vou ouvindo mais vezes, sobretudo quando as previews são colocadas lado a lado, como no vídeo abaixo. Quero, por isso, esperar pela música inteira, até porque estou curiosa em relação ao papel de Tarja em Paradise, quando não está a cantar o refrão juntamente com Sharon.


O single será lançado sob a forma de um EP que incluirá três demos de faixas novas do CD: Let Us Burn, Silver Moonlight e Dog Days. Estes, ao menos, compensam os fãs pelo adiamento de um álbum inicialmente previsto para o Outono deste ano. Também já tivemos direito a previews dessas faixas, como podem ouvir - previews essas que não me dizem por aí além, embora pareçam promissoras. Mais uma vez, terei de esperar pelo lançamento dessas demos para formar opiniões. Opiniões essas que expressarei aqui no blogue, como habitual.

Como podem ver, entre isto e o novo álbum da Avril, os próximos tempos vão ser bastante excitantes, terei bastante sobre que escrever aqui no blogue. Neste momento, faltam quatro dias para o lançamento do EP Paradise (What About Us) e quarenta e três dias para o lançamento de Avril Lavigne.

Músicas Não Tão Ao Calhas - A Light that Never Comes e Stay the Night



"The night gets darkest right before dawn"


Os Linkin Park lançaram recentemente uma faixa em colaboração com o DJ Steve Aoki intitulada A Light that Never Comes. A faixa já havia sido apresentada ao vivo no mês passado, no festival de música japonês Summer Sonic, aquando da atuação de Steve Aoki.

Tal como seria de esperar de uma colaboração com um DJ, A Light that Never Comes contém muitos elementos da atual disco pop que domina as rádios. O que, como seria de esperar, está a causar polémica entre os fãs da banda, saudosistas do estilo dos primeiros álbuns dos Linkin Park.

Um aparte só para comentar que ando a reparar que, em praticamente todos os vídeos do YouTube de um determinado musical, existe sempre pelo menos um comentário do género: "Tenho saudades dos [inserir nome da banda] de antigamente". Regra geral, as pessoas são avessas à mudança, à evolução. Não há nada a fazer. Parece que sou das poucas que prefere que os seus artistas preferidos se reinventem a si mesmos, ainda nem que sempre goste do resultado de tal evolução.

Mas regressando ao assunto do texto. Como estava a dizer, A Light that Never Comes acaba por ser um cruzamento do estilo dance pop atual - dubstep, auto-tune - com elementos icónicos, dos Linkin Park: o rap de Mike Shinoda, o refrão cantado por Chester Bennington, a atitude in-your-face, à New Divide, de que tanto gosto, compatível com filmes de ação e videojogos - a música, aliás, foi desbloquada através do jogo LP Recharge para o Facebook. A música acaba, de resto, por se assemelhar a um remix dubstep de Lost in the Echo. A letra recorda, aliás, não apenas o segundo single de Living Things, como também a de Burn it Down e New Divide. Sento estas três das minhas músicas preferidas da banda, não é de admirar que goste imenso de A Light that Never Comes.


Também não admira que lhe tenha montado outro AMV do Pokémon. Acho que é um dos melhores que fiz nos últimos tempos.






Os efeitos de auto-tune não ficam mal na voz do Chester e até combinam com o estilo da música. Ao mesmo tempo, fico satisfeita por não terem adicionado tais efeitos no rap de Mike, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com Until It Breaks - seria demasiado. Por outro lado, a letra acaba por ser o grande calcanhar de Aquiles de A Light that Never Comes - para além de reutilizar conceitos já muito batidos noutras músicas dos Linkin Park, torna-se repetitiva. Além disso, a segunda estância ficou demasiado curta. Para não falar do cliché "What don't kill you makes you more strong", que nem sequer está gramaticalmente correto. Podiam ter usado um bocadinho mais a imaginação, não é?

Em suma, gostei do resultado final desta colaboração embora, em boa verdade, como diz a minha irmã, "O Steve Aoki não fez nada" - Os pontos fortes da música vêm da parte dos Linkin Park, a produção confere a A Light that Never Comes o seu próprio carácter mas não mais do que isso. A faixa encontra-se incluída num EP que será lançado no final do próximo mês, que conterá remixes de faixas do último disco da banda, Living Things - no caso de serem remixes de dubstep, não me surpreenderia se ficassem parecidos com A Light that Never Comes.

Entretanto, parece que a banda se encontra em estúdio a preparar o seu sexto álbum que - e isto sou eu a especular - deverá ser editado no próximo ano. Consta que as músicas terão um estilo diferente de A Light that Never Comes - mas não me chocava se voltassem a enveredar-se pelo dubstep. Sendo os Linkin Park caracterizados por teorias híbridas, é mais do que natural que procurem evoluir, experimentar novas sonoridades. Ao mesmo tempo, espero que evoluam um bocadinho em termos de letras, que experimentem temáticas novas - mas que não deixem de produzir músicas compatíveis com AMV's!

Eu sei, sou exigente.

 




 

"We'll let this place go down in flames

Only one more time"

De resto, acho que me estou a converter ao dubstep, tendo em contra que os Linkin Park não foram os únicos artistas de que gosto a lançar recentemente uma faixa nesse género musical. Hayley Williams, vocalista dos Paramore, lançou também, na semana passada, uma música em parceria com Zedd, chamada Stay the Night. Já não é a primeira vez que a Hayley empresta a voz para canções fora da banda e do seu género - há três anos fez o mesmo com Airplanes de B.o.B., uma parceria que, na minha opinião, foi bem sucedida.

 

Ora, penso que a parceria que deu à luz Stay the Night também foi bem sucedida. Ao contrário do que aconteceu com Airplanes, Hayley não se limitou a cantar dois versos para o refrão, ela canta a música toda e terá, inclusivamente, escrito a letra - até que ponto, não sei. 

 

Stay the Night é uma faixa conduzida pelo piano a que se juntam elemento da eletropop atual. Gosto do facto de não ser uma faixa de dubstep pura, dos momentos em que só se ouve a voz de Hayley e do piano. A letra, que fala de um casal que passa uma última noite juntos antes da ruptura, não é nada de especial - consegue-se destacar-se de outras músicas deste género ao não ser completamente vazia de significado mas não faz mais o que isso - mas julgo que se nota o toque da Hayley. Adicionaram alguns efeitos à voz dela mas não em demasia, apenas o suficiente para combinar com o estilo musical. Tal como acontece com A Light That Never Comes, o produtor pouco faz pela música - não parece muito diferente de outras faixas do género - é a Hayley quem carrega Stay the Night nas costas. Ou melhor, nas cordas vocais. E, apesar de preferir mil vezes os trabalho de Hayley nos Paramore, considero este projeto lateral bem conseguido, tal como Airplanes o foi.




Não manterei este blogue inativo por muito tempo, não apenas por causa da crítica a Goodbye Lullaby, mas também porque não ficaremos por aqui em termos de música nova - os Within Temptation preparam-se para lançar o primeiro single do seu novo álbum, no próximo dia 27 - que é também o aniversário de Avril Lavigne.

É engraçado o que está a acontecer este ano: os Within Temptation vão lançar um single no aniversário da Avril. Esta, por sua vez, lançará o seu álbum homónimo no dia de anos de Bryan Adams. Isto se não for adiado novamente... Três vezes na madeira!!!

O novo single dos Within Temptation chama-se Paraside (What About Us) e é cantado em conjunto com Tarja, a vocalista da antiga banda, também de metal sinfónico, Nightwish (nota para mim mesma: ouvir-lhes a discografia um dia destes). Temos tido direito a várias previews, sendo o vídeo acima uma das mais recentes. O instrumental não parece diferir muito da sonoridade do álbum anterior, The Unforgiving, embora tenha alguns elementos interessantes. O refrão, contudo, não está a conseguir convencer-me até agora, não parece ter grande força. No entanto, admito que tenho gostado mais da música à medida que a vou ouvindo mais vezes, sobretudo quando as previews são colocadas lado a lado, como no vídeo abaixo. Quero, por isso, esperar pela música inteira, até porque estou curiosa em relação ao papel de Tarja em Paradise, quando não está a cantar o refrão juntamente com Sharon.




O single será lançado sob a forma de um EP que incluirá três demos de faixas novas do CD: Let Us Burn, Silver Moonlight e Dog Days. Estes, ao menos, compensam os fãs pelo adiamento de um álbum inicialmente previsto para o Outono deste ano. Também já tivemos direito a previews dessas faixas, como podem ouvir - previews essas que não me dizem por aí além, embora pareçam promissoras. Mais uma vez, terei de esperar pelo lançamento dessas demos para formar opiniões. Opiniões essas que expressarei aqui no blogue, como habitual.

Como podem ver, entre isto e o novo álbum da Avril, os próximos tempos vão ser bastante excitantes, terei bastante sobre que escrever aqui no blogue. Neste momento, faltam quatro dias para o lançamento do EP Paradise (What About Us) e quarenta e três dias para o lançamento de Avril Lavigne.

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #2

Segunda parte da crítica a Goodbye Lullaby. Podem ler a primeira parte AQUI. Hoje falamos de Push e Wish You Were Here e, depois, faremos uma rápida antevisão a Avril Lavigne, o quinto álbum homónimo - porque suspeito que, em breve, aparecerão previews das músicas e estas especulações deixarão de fazer sentido.

3) Push




"You and me, we can both start over..."

Push é uma faixa acústica composta pela Avril e pelo seu melhor amigo (BBF – best boi friend) Evan Taubenfeld - para aqueles que não sabem, o Evan foi o guitarrista principal da banda da cantora durante os primeiros dois anos da sua carreira. Ele acabou por deixar o lugar, para tentar a sua sorte como cantor, mas os dois têm-se mantido amigos muito próximos ao longo destes últimos dez, onze anos, e compuseram músicas juntos para os álbuns Under My Skin, The Best Damn Thing e Goodbye Lullaby.

Em termos estritamente musicais, Push lembra Torn, de Natalie Imbruglia, e Kiss Me, dos Sixpence None The Richer. Fala sobre amor, como este nem sempre é tão fácil como as pessoas pensam. Uma coisa que muitos de nós não devem saber é o verdadeiro significado da expressão que dá o nome à música: “when push comes to shove” é uma expressão idiomática que significa “quando as coisas chegam a um ponto em que se tem de tomar uma decisão”. E, no caso de Push, essa decisão tem de vir de ambas as partes – e essa é a mensagem principal. E, no fim, vale a pena, porque é de amor que se trata. A música faz lembrar a música do Evan, “Story Of Me And You”, se bem que esta última faixa seja um bocadinho mais suave enquanto que, em Push, temos um cheirinho da Avril mais durona.

Uma das melhores partes da música é quando o Evan canta uns versos. A voz dele soa primorosa ao lado da voz da Avril – isto é mais uma prova da extraordinária química musical que sempre existiu entre eles. A repetir no futuro, por favor!

Infelizmente, parece que não teremos direito a nenhuma parceria musical entre a Avril e o Evan no álbum homónimo da cantora.

A Avril sempre disse que esta era uma das suas músicas preferidas do GL e, por sua vontade, seria o segundo single (ou – e isto sou só eu a especular – o primeiro). Acabou por não ser, mas, na minha opinião, tinha potencial para isso. De qualquer forma, Push é mais uma bela música que se junta à lista de composições extraordinárias, fruto de colaborações entre a Avril e o Evan, bem como mais uma que, tal como já referi aqui no Álbum, à semelhança de várias outras músicas da cantora, se torna uma faixa-termo-de-comparação.

4) Wish You Were Here




"You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here"

Esta sempre foi uma das faixas mais populares do Goodbye Lullaby. Não constitui, portanto, surpresa que tenha sido escolhida para terceiro single.

Wish You Were Here mistura a mensagem de When You’re Gone com a melancolia e a vulnerabilidade de I’m With You. A voz da Avril está no ponto certo; ela, em muitas canções, canta o refrão em notas muito agudas e isso nem sempre favorece a sua voz. Aliás, nesta música, ela soa absolutamente mágica, encantatória, fazendo-nos querer voltar a ouvir a música outra e outra vez. A letra fala sobre saudade, de uma maneira simples. Na altura, os fãs especularam sobre quem a teria inspirado: se Deryck, o ex-marido, cujo divórcio parece ser o tema de várias músicas deste álbum, se Brody, o namorado da altura. Não há maneira de se ter a certeza mas a Avril diz que a música tem uma mensagem geral, universal, já que toda a gente, nalguma altura da vida, se apaixona e sofre quando está afastada do seu amor. Isso para mim chega.

A minha parte favorita da música é a terceira, em que a mistura dos versos falados, os vocais por detrás, as notas de piano resultam numa sequência muito bela e emotiva.

Muitos ficaram surpreendidos, alguns até desiludidos, com a simplicidade do videoclipe mas este reflete muito bem a temática do Goodbye Lullaby: sentimentos agridoces, realidade nua e crua, sem produção para disfarçar. Há quem diga que foi por baixo orçamento mas eu tenho a impressão que era mesmo isto que a Avril queria: que nos focássemos no sentimento e na incrível interpretação vocal.


Entretanto, já saiu há algum tempo a tracklist do álbum Avril Lavigne. Chegou a sair outra, em que era Here's to Never Growing Up a abrir o disco, mas já se provou que era falsa, que a oficial é a que é mostrada e cima. Eu fiquei com uma certa pena pois acho que o primeiro single seria uma faixa mais adequada para abrir o CD.

Alguns dos títulos já eram conhecidos. Nomes como Hello Kitty e Bad Girl já tinham aparecido em sites de registos de músicas - mas eu pensava que o primeiro, quanto muito, seria um jingle ou um tema-título para a respetiva série animada que a Avril teria composto e/ou interpretado. Mas parece que é uma música a sério, sobre a marca e a boneca japonesa, de cujos produtos a Avril sempre afirmou ser fã. Segundo a mesma, a música terá influências eletrónicas e incluirá uns versos em japonês. Confesso que estou um bocadinho receosa do que aí vem, que não sei bem o que esperar, mas definitivamente tenho a curiosidade despertada.

Bad Girl conta com a participação de Marilyn Manson nos vocais e, segundo a Avril, será uma faixa pesada e sedutora. Let Me Go será também um dueto, desta feita entre Avril e Chad Kroeger, vocalista dos Nickelback e, agora, marido dela. Ele participou na composição da larga maioria - se não tiver sido em todas - das faixas de Avril Lavigne, o que confere um interesse extra a este álbum visto que eles se apaixonaram em estúdio, aquando da composição destas músicas. Let Me Go, segundo o que eles disseram, é uma música sobre o fim de um relacionamento - a mim, faz-me pensar em Goodbye - mas em que, no fim, se reconciliam. Estou à espera de uma balada rock, no estilo habitual dos Nickelback mas que nem por isso deixa de ser compatível com o material da Avril. Pensa-se, com bastante certeza, que este será o terceiro single deste álbum. Em todo o caso, estou curiosa tanto em relação a Let Me Go como em relação a Bad Girl pois, sem contar com a participação de Evan em Push, serão os primeiros duetos originais da Avril.


Os restantes títulos, de uma maneira geral, têm o mérito de serem fora do vulgar, despertarem curiosidade, apesar de recear que as músicas se revelem demasiado futéis, como por exemplo Bitchin' Summer. Sippin' On Sunshine faz-me lembrar Walking On Sunshine e Runnin' On Sunshine... e não gosto de nenhuma destas músicas. Por outro lado, muita gente tem associado Hush Hush ao tema das Pussycat Dolls - a mim, no entanto, cheira-me que será uma música diferente, uma canção de amor, mais porque, até ao momento, as últimas faixas dos álbuns da Avril têm sido todas baladas. Give You What You Like já foi também mencionada pela Avril, que tê-la-á, inclusivamente, referido-a como uma das suas melhores músicas. Muitos têm pensado nela como uma balada mas, a mim, o título faz-me pensar numa música mais para o sensual, estilo Hot.

O título que, no entanto, me desperta maior interesse, depois de Bad Girl, Hello Kitty e Let Me Go, é You Ain't Seen Nothing Yet. A própria expressão "Ainda não viste nada" (a tradução do título) aguça a curiosidade, independentemente das circunstâncias. Para além disso, contudo, a mim recorda-me duas músicas de Bryan Adams: I thought I'd seen everything e dois versos de Not Romeo Not Juliet "You thought you've seen it all, but you ain't seen nothing yet".

De uma maneira geral, acho que a Avril está a tentar ser menos politicamente correta - isso resultou muito bem em Girlfriend, cuja composição foi quase acidental. Nota-se isso em Here's to Never Growing Up e em Rock N Roll. Eu aprecio a intenção, ainda que os resultados nem sempre tenham esse efeito. Em todo o caso, isto tudo não passa de especulação. Não seria a primeira vez em que os títulos que, antes do lançamento de um CD, me passavam mais despercebidos se revelassem as minhas músicas preferidas. Só nos resta esperar. E enquanto aguardamos as histórias das músicas de Avril Lavigne, continuaremos a recordar as histórias de Goodbye Lullaby, bem como a analisar as histórias de outras músicas a serem lançadas em breve, ou já lançadas (mais informações em entradas futuras).

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #2

Segunda parte da crítica a Goodbye Lullaby. Podem ler a primeira parte AQUI. Hoje falamos de Push e Wish You Were Here e, depois, faremos uma rápida antevisão a Avril Lavigne, o quinto álbum homónimo - porque suspeito que, em breve, aparecerão previews das músicas e estas especulações deixarão de fazer sentido.

3) Push

 





"You and me, we can both start over..."



Push é uma faixa acústica composta pela Avril e pelo seu melhor amigo (BBF – best boi friend) Evan Taubenfeld - para aqueles que não sabem, o Evan foi o guitarrista principal da banda da cantora durante os primeiros dois anos da sua carreira. Ele acabou por deixar o lugar, para tentar a sua sorte como cantor, mas os dois têm-se mantido amigos muito próximos ao longo destes últimos dez, onze anos, e compuseram músicas juntos para os álbuns Under My Skin, The Best Damn Thing e Goodbye Lullaby.

 

Em termos estritamente musicais, Push lembra Torn, de Natalie Imbruglia, e Kiss Me, dos Sixpence None The Richer. Fala sobre amor, como este nem sempre é tão fácil como as pessoas pensam. Uma coisa que muitos de nós não devem saber é o verdadeiro significado da expressão que dá o nome à música: “when push comes to shove” é uma expressão idiomática que significa “quando as coisas chegam a um ponto em que se tem de tomar uma decisão”. E, no caso de Push, essa decisão tem de vir de ambas as partes – e essa é a mensagem principal. E, no fim, vale a pena, porque é de amor que se trata. A música faz lembrar a música do Evan, “Story Of Me And You”, se bem que esta última faixa seja um bocadinho mais suave enquanto que, em Push, temos um cheirinho da Avril mais durona.

 

Uma das melhores partes da música é quando o Evan canta uns versos. A voz dele soa primorosa ao lado da voz da Avril – isto é mais uma prova da extraordinária química musical que sempre existiu entre eles. A repetir no futuro, por favor!

Infelizmente, parece que não teremos direito a nenhuma parceria musical entre a Avril e o Evan no álbum homónimo da cantora.

 

A Avril sempre disse que esta era uma das suas músicas preferidas do GL e, por sua vontade, seria o segundo single (ou – e isto sou só eu a especular – o primeiro). Acabou por não ser, mas, na minha opinião, tinha potencial para isso. De qualquer forma, Push é mais uma bela música que se junta à lista de composições extraordinárias, fruto de colaborações entre a Avril e o Evan, bem como mais uma que, tal como já referi aqui no Álbum, à semelhança de várias outras músicas da cantora, se torna uma faixa-termo-de-comparação.

4) Wish You Were Here






"You're always there, you're everywhere
But right now I wish you were here"

Esta sempre foi uma das faixas mais populares do Goodbye Lullaby. Não constitui, portanto, surpresa que tenha sido escolhida para terceiro single.

Wish You Were Here mistura a mensagem de When You’re Gone com a melancolia e a vulnerabilidade de I’m With You. A voz da Avril está no ponto certo; ela, em muitas canções, canta o refrão em notas muito agudas e isso nem sempre favorece a sua voz. Aliás, nesta música, ela soa absolutamente mágica, encantatória, fazendo-nos querer voltar a ouvir a música outra e outra vez. A letra fala sobre saudade, de uma maneira simples. Na altura, os fãs especularam sobre quem a teria inspirado: se Deryck, o ex-marido, cujo divórcio parece ser o tema de várias músicas deste álbum, se Brody, o namorado da altura. Não há maneira de se ter a certeza mas a Avril diz que a música tem uma mensagem geral, universal, já que toda a gente, nalguma altura da vida, se apaixona e sofre quando está afastada do seu amor. Isso para mim chega.

A minha parte favorita da música é a terceira, em que a mistura dos versos falados, os vocais por detrás, as notas de piano resultam numa sequência muito bela e emotiva.

Muitos ficaram surpreendidos, alguns até desiludidos, com a simplicidade do videoclipe mas este reflete muito bem a temática do Goodbye Lullaby: sentimentos agridoces, realidade nua e crua, sem produção para disfarçar. Há quem diga que foi por baixo orçamento mas eu tenho a impressão que era mesmo isto que a Avril queria: que nos focássemos no sentimento e na incrível interpretação vocal.




Entretanto, já saiu há algum tempo a tracklist do álbum Avril Lavigne. Chegou a sair outra, em que era Here's to Never Growing Up a abrir o disco, mas já se provou que era falsa, que a oficial é a que é mostrada e cima. Eu fiquei com uma certa pena pois acho que o primeiro single seria uma faixa mais adequada para abrir o CD.

Alguns dos títulos já eram conhecidos. Nomes como Hello Kitty e Bad Girl já tinham aparecido em sites de registos de músicas - mas eu pensava que o primeiro, quanto muito, seria um jingle ou um tema-título para a respetiva série animada que a Avril teria composto e/ou interpretado. Mas parece que é uma música a sério, sobre a marca e a boneca japonesa, de cujos produtos a Avril sempre afirmou ser fã. Segundo a mesma, a música terá influências eletrónicas e incluirá uns versos em japonês. Confesso que estou um bocadinho receosa do que aí vem, que não sei bem o que esperar, mas definitivamente tenho a curiosidade despertada.

Bad Girl conta com a participação de Marilyn Manson nos vocais e, segundo a Avril, será uma faixa pesada e sedutora. Let Me Go será também um dueto, desta feita entre Avril e Chad Kroeger, vocalista dos Nickelback e, agora, marido dela. Ele participou na composição da larga maioria - se não tiver sido em todas - das faixas de Avril Lavigne, o que confere um interesse extra a este álbum visto que eles se apaixonaram em estúdio, aquando da composição destas músicas. Let Me Go, segundo o que eles disseram, é uma música sobre o fim de um relacionamento - a mim, faz-me pensar em Goodbye - mas em que, no fim, se reconciliam. Estou à espera de uma balada rock, no estilo habitual dos Nickelback mas que nem por isso deixa de ser compatível com o material da Avril. Pensa-se, com bastante certeza, que este será o terceiro single deste álbum. Em todo o caso, estou curiosa tanto em relação a Let Me Go como em relação a Bad Girl pois, sem contar com a participação de Evan em Push, serão os primeiros duetos originais da Avril.




Os restantes títulos, de uma maneira geral, têm o mérito de serem fora do vulgar, despertarem curiosidade, apesar de recear que as músicas se revelem demasiado futéis, como por exemplo Bitchin' Summer. Sippin' On Sunshine faz-me lembrar Walking On Sunshine e Runnin' On Sunshine... e não gosto de nenhuma destas músicas. Por outro lado, muita gente tem associado Hush Hush ao tema das Pussycat Dolls - a mim, no entanto, cheira-me que será uma música diferente, uma canção de amor, mais porque, até ao momento, as últimas faixas dos álbuns da Avril têm sido todas baladas. Give You What You Like já foi também mencionada pela Avril, que tê-la-á, inclusivamente, referido-a como uma das suas melhores músicas. Muitos têm pensado nela como uma balada mas, a mim, o título faz-me pensar numa música mais para o sensual, estilo Hot.

O título que, no entanto, me desperta maior interesse, depois de Bad Girl, Hello Kitty e Let Me Go, é You Ain't Seen Nothing Yet. A própria expressão "Ainda não viste nada" (a tradução do título) aguça a curiosidade, independentemente das circunstâncias. Para além disso, contudo, a mim recorda-me duas músicas de Bryan Adams: I thought I'd seen everything e dois versos de Not Romeo Not Juliet "You thought you've seen it all, but you ain't seen nothing yet".

De uma maneira geral, acho que a Avril está a tentar ser menos politicamente correta - isso resultou muito bem em Girlfriend, cuja composição foi quase acidental. Nota-se isso em Here's to Never Growing Up e em Rock N Roll. Eu aprecio a intenção, ainda que os resultados nem sempre tenham esse efeito. Em todo o caso, isto tudo não passa de especulação. Não seria a primeira vez em que os títulos que, antes do lançamento de um CD, me passavam mais despercebidos se revelassem as minhas músicas preferidas. Só nos resta esperar. E enquanto aguardamos as histórias das músicas de Avril Lavigne, continuaremos a recordar as histórias de Goodbye Lullaby, bem como a analisar as histórias de outras músicas a serem lançadas em breve, ou já lançadas (mais informações em entradas futuras).

sábado, 14 de setembro de 2013

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #1


Ao longo dos últimos meses, tenho deixado aqui o Álbum um pouco ao abandono. Como já afirmei em entradas anteriores, tenho andado mais voltada para outras escritas e, de resto, tem-me faltado assunto para este blogue. Por esse motivo, e também em jeito de preparação para o lançamento do quinto álbum de Avril Lavigne, homónimo, marcado para o dia 5 de novembro (sim, eu sei que tinha dito que saía a 24 de setembro. Não perguntem), vou publicar uma crítica ao seu quarto álbum, Goodbye Lullaby, que escrevi, há coisa de dois anos, poucos meses após o seu lançamento. Já a tinha publicado no Fórum Avril Portugal, agora torno a publicá-la após acrescentar algumas coisas (como já aqui falei, a opinião de uma pessoa muda com o tempo). Vou publicá-la em várias partes - ainda não sei o número exato - ao longo destas últimas semanas antes do lançamento do quinto álbum.

Seguindo a ordem da tracklist oficial...

1) Black Star



"Be whatever you can be"

A Avril compôs esta faixa entre concertos da The Best Damn Tour para servir de música-tema da sua primeira fragrância, com o mesmo nome. Já conhecíamos uma parte da música desde o anúncio do perfume, em 2009, mais ou menos na altura em que começaram a surgir as primeiras informações relativas ao quarto álbum da Avril. Os artigos da altura, falando de uma canção de embalar que se tornava épica, estilo Coldplay, induziu muitos fãs em erro, fazendo-os esperar uma canção mais complexa.

Black Star é, na verdade, uma faixa muito simples. Ao longo de todo o minuto e meio repete-se a mesma sequência de notas agudas de piano, dando-lhe, de facto, a sonoridade de uma canção de embalar, que depois é acompanhada por outra sequência de piano e um arpejo de guitarra. A letra é muito simples mas gira um pouco à volta do slogan do perfume homónimo: “Be your own star”.



Durante a Black Start Tour - sim, esta digressão foi batizada com o nome desta música - entre 2011 e 2012, esta era a faixa que abria os concertos. Como poderão ouvir, tem um arranjo diferente, com mais elementos, destaque para as guitarras elétricas e para a bateria. Talvez a Avril tivesse gravado uma versão semelhante a esta, talvez fosse dessa que os tais artigos de 2009 falavam. Em todo o caso, apesar de gostar desta versão, considero que a que entrou no álbum é a mais adequada ao tom do disco. Até porque a musicalidade de uma canção de embalar condiz com a abertura de um disco chamado Goodbye Lullaby.

Além de ser a introdução ao álbum, a música tem um carácter especial para os fãs por vários motivos. Primeiro, por ser o tema do primeiro perfume da Avril (e, na minha opinião, o mais original até à data). Segundo, porque a estrela sempre foi, desde Let Go, um dos símbolos preferidos da Avril. Terceiro, porque foi esse o nome escolhido pela própria cantora para apelidar os fãs. Devo confessar que não acho assim tanta piada a estes género de nomes para denominar uma legião de fãs - Beliebers, Directioners, etc. Pode-se, ainda, insinuar que existirão razões comercias por detrás da escolha do nome, tanto para os fãs como para a digressão - afinal, é o nome do perfume da Avril! No entanto, confesso que simboliza bem o espírito de ser fã da Avril, pelo menos no que toca a mim - porque a mensagem da música e do perfume consiste, vá lá, numa interpretação livre, em ser-se fiel à própria identidade e em seguir os seus próprios sonhos. E a verdade é que, tal como já afirmei aqui no blogue, no que toca a ambos estes aspetos, a Avril tem sido a minha maior inspiração.

2) What the Hell



"I just need to be a little crazy..."

Esta é a faixa mais pop de todo o disco e, provavelmente, de toda a carreira musical da Avril. Não se enquadra, de maneira nenhuma, em Goodbye Lullaby. Ficou, desde o primeiro anúncio, bem claro que a faixa só fora incluída no CD por motivos comerciais. Muitos contestam o facto de ter sido o primeiro single quando não tem nada a ver com o resto do álbum. Eu acho que até fez sentido termos contactado com a música, pela primeira vez, separadamente do resto de Goodbye Lullaby. Se tivesse surgido juntamente com as outras músicas ia parecer ainda mais um outlier. Na verdade, o ideal teria sido se tivesse sido deixada de fora do CD.

Mas foquemo-nos na música em si mesma. Esta é cantada num tom descontraído, brincalhão, contagiante, à semelhança de Sk8er Boi e Girlfriend. A sua mensagem essencial é de rebeldia, de espontaneidade, de viver o momento. Não difere muito das mensagens de outras músicas como Anything But Ordinary, Freak Out, a b-side Take Me Away e, posteriormente, Here's to Never Growing Up e Rock N Roll. E, para exemplificar, a Avril conta uma história politicamente incorrecta (mais uma vez, recordando Girlfriend) de uma miúda que só se quer divertir, ir para a borga e esfrega isso na cara do namorado que, de resto, nem sequer a valoriza. Dá a ideia que, primeiro, compuseram o refrão, e só depois é que fizeram o resto. Outras histórias podiam ter sido contadas: alguém que se despede de um emprego que odeia, alguém que quebra uma dieta e desata a comer doces, alguém que rouba o namorado a outra, alguém que tem um exame no dia seguinte mas nem sequer pega nos livros, alguém que arranja coragem para se declarar à pessoa de quem gosta…

A música pode não se enquadrar no CD, pode não ser nada de extraordinário, pode ser o típico single da Avril, a chamada feel-good song, pode até ser um pouco fútil, mas não deixa de ser uma boa canção, à sua maneira. Para mim, tornou-se especial porque estimulou-me a fazer coisas que antes eu considerava demasiado extremas, que antes me assustavam demasiado. E, para mim, isso é mais importante do que todos os pontos fracos que já foram mencionados.


Publicarei a segunda parte desta crítica mais tarde, daqui a uma semana ou talvez mais. Tenho uma ou outra entrada - isto é, textos inéditos - planeada que talvez escreva e publique antes. Em todo o caso, mantenham-se ligados.

Faltam 52 dias para o lançamento de Avril Lavigne.

SEGUNDA PARTE

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #1




Ao longo dos últimos meses, tenho deixado aqui o Álbum um pouco ao abandono. Como já afirmei em entradas anteriores, tenho andado mais voltada para outras escritas e, de resto, tem-me faltado assunto para este blogue. Por esse motivo, e também em jeito de preparação para o lançamento do quinto álbum de Avril Lavigne, homónimo, marcado para o dia 5 de novembro (sim, eu sei que tinha dito que saía a 24 de setembro. Não perguntem), vou publicar uma crítica ao seu quarto álbum, Goodbye Lullaby, que escrevi, há coisa de dois anos, poucos meses após o seu lançamento. Já a tinha publicado no Fórum Avril Portugal, agora torno a publicá-la após acrescentar algumas coisas (como já aqui falei, a opinião de uma pessoa muda com o tempo). Vou publicá-la em várias partes - ainda não sei o número exato - ao longo destas últimas semanas antes do lançamento do quinto álbum.

Seguindo a ordem da tracklist oficial...

1) Black Star





"Be whatever you can be"


A Avril compôs esta faixa entre concertos da The Best Damn Tour para servir de música-tema da sua primeira fragrância, com o mesmo nome. Já conhecíamos uma parte da música desde o anúncio do perfume, em 2009, mais ou menos na altura em que começaram a surgir as primeiras informações relativas ao quarto álbum da Avril. Os artigos da altura, falando de uma canção de embalar que se tornava épica, estilo Coldplay, induziu muitos fãs em erro, fazendo-os esperar uma canção mais complexa.

 

Black Star é, na verdade, uma faixa muito simples. Ao longo de todo o minuto e meio repete-se a mesma sequência de notas agudas de piano, dando-lhe, de facto, a sonoridade de uma canção de embalar, que depois é acompanhada por outra sequência de piano e um arpejo de guitarra. A letra é muito simples mas gira um pouco à volta do slogan do perfume homónimo: “Be your own star”.





Durante a Black Start Tour - sim, esta digressão foi batizada com o nome desta música - entre 2011 e 2012, esta era a faixa que abria os concertos. Como poderão ouvir, tem um arranjo diferente, com mais elementos, destaque para as guitarras elétricas e para a bateria. Talvez a Avril tivesse gravado uma versão semelhante a esta, talvez fosse dessa que os tais artigos de 2009 falavam. Em todo o caso, apesar de gostar desta versão, considero que a que entrou no álbum é a mais adequada ao tom do disco. Até porque a musicalidade de uma canção de embalar condiz com a abertura de um disco chamado Goodbye Lullaby.

 

Além de ser a introdução ao álbum, a música tem um carácter especial para os fãs por vários motivos. Primeiro, por ser o tema do primeiro perfume da Avril (e, na minha opinião, o mais original até à data). Segundo, porque a estrela sempre foi, desde Let Go, um dos símbolos preferidos da Avril. Terceiro, porque foi esse o nome escolhido pela própria cantora para apelidar os fãs. Devo confessar que não acho assim tanta piada a estes género de nomes para denominar uma legião de fãs - Beliebers, Directioners, etc. Pode-se, ainda, insinuar que existirão razões comercias por detrás da escolha do nome, tanto para os fãs como para a digressão - afinal, é o nome do perfume da Avril! No entanto, confesso que simboliza bem o espírito de ser fã da Avril, pelo menos no que toca a mim - porque a mensagem da música e do perfume consiste, vá lá, numa interpretação livre, em ser-se fiel à própria identidade e em seguir os seus próprios sonhos. E a verdade é que, tal como já afirmei aqui no blogue, no que toca a ambos estes aspetos, a Avril tem sido a minha maior inspiração.

 

2) What the Hell






"I just need to be a little crazy..."

Esta é a faixa mais pop de todo o disco e, provavelmente, de toda a carreira musical da Avril. Não se enquadra, de maneira nenhuma, em Goodbye Lullaby. Ficou, desde o primeiro anúncio, bem claro que a faixa só fora incluída no CD por motivos comerciais. Muitos contestam o facto de ter sido o primeiro single quando não tem nada a ver com o resto do álbum. Eu acho que até fez sentido termos contactado com a música, pela primeira vez, separadamente do resto de Goodbye Lullaby. Se tivesse surgido juntamente com as outras músicas ia parecer ainda mais um outlier. Na verdade, o ideal teria sido se tivesse sido deixada de fora do CD.

Mas foquemo-nos na música em si mesma. Esta é cantada num tom descontraído, brincalhão, contagiante, à semelhança de Sk8er Boi e Girlfriend. A sua mensagem essencial é de rebeldia, de espontaneidade, de viver o momento. Não difere muito das mensagens de outras músicas como Anything But Ordinary, Freak Out, a b-side Take Me Away e, posteriormente, Here's to Never Growing Up e Rock N Roll. E, para exemplificar, a Avril conta uma história politicamente incorrecta (mais uma vez, recordando Girlfriend) de uma miúda que só se quer divertir, ir para a borga e esfrega isso na cara do namorado que, de resto, nem sequer a valoriza. Dá a ideia que, primeiro, compuseram o refrão, e só depois é que fizeram o resto. Outras histórias podiam ter sido contadas: alguém que se despede de um emprego que odeia, alguém que quebra uma dieta e desata a comer doces, alguém que rouba o namorado a outra, alguém que tem um exame no dia seguinte mas nem sequer pega nos livros, alguém que arranja coragem para se declarar à pessoa de quem gosta…


A música pode não se enquadrar no CD, pode não ser nada de extraordinário, pode ser o típico single da Avril, a chamada feel-good song, pode até ser um pouco fútil, mas não deixa de ser uma boa canção, à sua maneira. Para mim, tornou-se especial porque estimulou-me a fazer coisas que antes eu considerava demasiado extremas, que antes me assustavam demasiado. E, para mim, isso é mais importante do que todos os pontos fracos que já foram mencionados.


Publicarei a segunda parte desta crítica mais tarde, daqui a uma semana ou talvez mais. Tenho uma ou outra entrada - isto é, textos inéditos - planeada que talvez escreva e publique antes. Em todo o caso, mantenham-se ligados.

Faltam 52 dias para o lançamento de Avril Lavigne.

SEGUNDA PARTE

sábado, 31 de agosto de 2013

Músicas Ao Calhas - Nothing I've Ever Know

Alerta Spoiler: este texto contém revelações sobre o enredo do filme de animação Spirit: Stallion of the Cimmarron, bem como do livro A Herança, de Christopher Paolini, pelo que só é aconselhável lê-lo caso tenha esteja familiarizado com ambas as obras.



"I found myself somewhere I never thought I'd be"

Já anteriormente falei aqui no blogue do filme de animação Spirit, bem como da sua banda sonora. Hoje quero falar-vos de mais uma faixa dessa banda sonora, chamada Nothing I've Ever Know, uma música de amor. É uma faixa que conheço há quase onze anos, de que sempre gostei imenso, mas cujo significado só compreendi há menos de dois anos.

Em termos musicais, encaixa no resto da banda sonora do filme, se bem que possua as suas particularidades. É uma balada conduzida por notas de guitarra acústica, que funcionam quase como uma segunda voz. Até ao primeiro refrão, a música resume-se, praticamente, à voz e à guitarra. Por altura do refrão, aparecem acordes de guitarra acústica. No início da segunda estância, junta-se a bateria suave e o arranjo de violinos, inicialmente discretos, tornando-se mais intensos no segundo refrão, no auge emotivo. Tal como toda a banda sonora do filme, esta faixa é uma autêntica obra de arte musical.

A condizer com a beleza da música, está a sua letra. De uma maneira simples, esta conta a história de alguém que foi apanhado de surpresa pelo amor, que provavelmente está a lidar com ele pela primeira vez, e vê toda a sua vida, todo o seu ser, alterados por causa disso.

Tal como praticamente todas as músicas da banda sonora do filme, Nothing I've Ever Known descreve bem a situação de Spirit, o protagonista equino, num determinado momento da película. Praticamente desde que nascera, tudo o que Spirit amara e desejara fora a sua terra natal. Tudo o que fizera ao longo do filme, desde que fora capturado pelos colonizadores americanos, fora tentar, com todas as suas forças, regressar a casa. Nada mais lhe interessava. Só que, agora, estava a apaixonar-se por Rain, a égua do índio que o resgatara dos colonizadores - o que, pela primeira vez, lhe dava um motivo para ficar. A narração de Matt Damn resume bem a situação de Spirit, aliás: "Pela primeira vez na minha vida, o meu coração estava dividido."

No final do filme, após uma série de peripécias, Rain opta por ir viver com Spirit, na terra natal deste - um final feliz para a história mas deve ter sido também difícil para a égua deixar para trás o seu lar e o seu dono por amor.


Existe outra história ficcional a que Nothing I've Ever Known se pode aplicar, de que já falei aqui no blogue - a história de Murtagh e Nasuada do livro A Herança, de Christopher Paolini. Já falei nesta entrada sobre o papel que esta história de amor teve no desenlace da saga - quero desenvolver esse assunto um pouco mais. Murtagh habituara-se, desde criança, a proteger a sua própria vida a todo o custo contra um mundo que sempre o usara ou desprezara, em que muito poucas pessoas se importavam verdadeiramente com ele. Murtagh colocava-se sempre a si mesmo em primeiro lugar (e, mais tarde, o seu dragão) pois tudo o que alguma vez possuíra na vida era ele mesmo.

Tudo isso muda quando se apaixona por Nasuada, prisioneira de Galbatorix. Tal afeição dá-lhe, pela primeira vez na sua vida, um motivo para se sacrificar, para pôr as necessidades de outros acima das suas. Isto altera-o de tal forma que o liberta da escravidão de Galbatorix, permitindo-lhe fazer o correto.

Já tive casos de personagens surpreendidas e alteradas pelo amor em histórias minhas e, agora, ando a desenvolver uma história semelhante no meu quarto livro. Neste caso, a personagem em questão também se altera ao apaixonar-se mas não se sentirá tão dividido pois, apesar de inicialmente não saber lidar com ele, perceberá depressa que o amor o tornará uma pessoa melhor.

Tal como ficou aqui demonstrado, o amor pode ser assim, violento ao ponto de nos fazer rever as nossas convicções, de nos sujeitarmos a coisas que, se calhar, antes consideraríamos impensáveis. É por isso que, apesar de durante muito tempo ter desejado apaixonar-me a sério, tal como toda a gente deseja, hoje tenho algum receio de que isso aconteça. É certo que tenho explorado paixões dessas na minha escrita, que estas histórias de que falei têm, à sua maneira, finais felizes. Mas, na vida real, o que acontece quando fazemos coisas apenas por amor e, depois, o romance acaba ou a paixão arrefece?



Passando à frente dessa questão, é engraçada a maneira como as músicas vão ganhando novos significados com o tempo, tal como aconteceu com Nothing I've Ever Known. É algo que me acontece com alguma frequência, sobretudo desde que tenho aqui o Álbum. Existem mesmo casos de músicas que continuam a ganhar novos significados, mesmo depois de eu ter escrito sobre elas, ao ponto de ter vontade de reescrever essas entradas. Tal como existem casos em que passo a gostar ainda mais das músicas depois de as ter esmiuçado aqui no blogue.

O pior é que, quase um ano depois de Músicas Ao Calhas, começo a ficar sem ideias. É por isso que não tenho escrito tão frequentemente aqui no blogue. Por isso e porque, neste momento, ando concentrada na escrita do meu quarto livro. No entanto, não devo ficar demasiado tempo sem escrever aqui para o Álbum visto que se aproxima música nova. Podem, por isso, continuar por aí...
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