quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Músicas Não Tão Ao Calhas - Let Me Go

Já se calculava que Let Me Go, o dueto de Avril Lavigne e Chad Kroeger - vocalista dos Nickelback e, agora, marido da cantora - seriam o terceiro single do seu álbum homónimo. Também se sabia que era possível que este single fosse lançado mais ou menos nesta altura, ainda antes do CD. No entanto, fomos todos apanhados de surpresa quando, quase sem aviso, Let Me Go foi lançada como single na passada segunda-feira.


"And two goodbyes led to this new life"

Composta por Avril, Chad e David Hodges dos Evanescence, Let Me Go é uma balada, conduzida pelo piano, acompanhada por violinos, sempre muito evidentes, bateria e, em certos momentos, uma batida muito discreta, só distinguível com headphones, que me faz lembrar uma pulsação. O tom melancólico, algo gótico, faz lembrar o álbum Under My Skin, músicas como Together. No entanto, as comparações mais gritantes são mesmo baladas dos Nickelback: músicas como Hero e Savin' Me. Let Me Go acaba, até, por ter algumas semelhanças com o cover que a Avril gravou de How You Remind Me. Não que isto constitua surpresa. Conforme já afirmei aqui, era expectável. E, tal como calculei, este lado dos Nickelback é compatível com o estilo da Avril.

A participação de Chad nos vocais e a sua provável influência na composição dão a Let Me Go aquilo que falta a Here's to Never Growing Up e Rock N Roll: o fator novidade. As vozes de Avril e Chad soam bem juntas - no entanto, fiquei um bocadinho desapontada com o facto de o Chad apenas cantar os vocais de apoio (ou backvocals) no refrão. Acho que haveria maior impacto caso ambos tivessem cantado os vocais principais em coro, se a voz do Chad tivesse tido maior destaque, em particular nos "Oh..." após os refrões. O "it's too late" do final da segunda estância ficou demasiado prolongado, devia ter sido cantado da mesma maneira como o primeiro foi. Por outro lado, a Avril fez coisas diferentes com a sua voz. Temos como exemplo os "Don't let me go, don't let me go" no final do último refrão e o arrepiante "Love's never too late" - esse, sim, merecia ser esticado ou, pelo menos, ter sido seguido de um "Oh" que se prolongasse pelo refrão. A parte final da música, o "outro" instrumental, está talvez um pouco longo de mais, mas confere uma aura de mistério à música e os vocais desvanecidos combina com a imagem dos ecos, na letra.


Esta foi a primeira canção em que a Avril e o Chad colaboraam - tanto vocalmente como em termos de composição. Segundo os mesmos, inicialmente Let Me Go era apenas sobre uma separação. Só que, entretanto, apaixonaram-se, ficaram noivos, não faria muito sentido lançarem um feat sobre o término de um relacionamento. Logo, alteraram a música de modo a incluir uma reconciliação. Acabou por ser uma boa ideia, na minha opinião, pois músicas de rompimento são o que não falta na discografia da Avril. A história de Let Me Go fica, assim, mais interessante. Há quem diga que cada um dos cantores fala de relações passadas e depois, na parte final, falam da relação um com o outro. É uma interpretação possível. Eu, no entanto, prefiro interpretar a música como a história de um relacionamento que precisava de uma rotura temporária, para que cada uma das partes resolvesse os seus problemas de modo a poderem começar de novo. De qualquer forma, à parte a história, em termos de qualidade de letra, não se pode falar de uma evolução significativa - o conceito das recordações de que é necessário abdicar já é recorrente, com destaque para a música My Happy Ending.

Estou particularmente curiosa em relação ao videoclipe de Let Me Go. Ando a torcer para que não façam um vídeo estilo Nickelback - geralmente os vídeos deles são protagonizados por atores contratados, a banda limita-se a aparecer interpretando a música. Se fizerem isso com Let Me Go, os fãs atiram-se ao ar, eu incluída. Estamos todos à espera de momentos Chavril. Eu, aliás, imagino um vídeo num cenário semelhante àquele onde se casaram e onde fizeram uma sessão fotográfica para a revista italiana Glamour.


Não fiquei desiludida com este primeiro feat original da Avril mas não posso dizer que este me tenha arrebatado, como aconteceu noutros lançamentos de músicas, quer da Avril quer de outros. Let Me Go é um single mais interessante, mais inovador do que os que o precederam e já ando a cantá-lo por aí mas não faz mais do que isso. Quero ver se o álbum Avril Lavigne terá músicas ainda melhores, por que me apaixone a sério. Posso também estar a ficar demasiado exigente... Em todo o caso, Let Me Go ajuda-nos a ligar com a síndrome de privação de músicas novas, consequente destes adiamentos todos do quinto disco da cantora. Faltam, agora, vinte e seis dias do lançamento oficial e já conhecemos as quatro músicas - venham as restantes!

Músicas Não Tão Ao Calhas - Let Me Go


Já se calculava que Let Me Go, o dueto de Avril Lavigne e Chad Kroeger - vocalista dos Nickelback e, agora, marido da cantora - seriam o terceiro single do seu álbum homónimo. Também se sabia que era possível que este single fosse lançado mais ou menos nesta altura, ainda antes do CD. No entanto, fomos todos apanhados de surpresa quando, quase sem aviso, Let Me Go foi lançada como single na passada segunda-feira.



 

"And two goodbyes led to this new life"


Composta por Avril, Chad e David Hodges dos Evanescence, Let Me Go é uma balada, conduzida pelo piano, acompanhada por violinos, sempre muito evidentes, bateria e, em certos momentos, uma batida muito discreta, só distinguível com headphones, que me faz lembrar uma pulsação. O tom melancólico, algo gótico, faz lembrar o álbum Under My Skin, músicas como Together. No entanto, as comparações mais gritantes são mesmo baladas dos Nickelback: músicas como Hero e Savin' Me. Let Me Go acaba, até, por ter algumas semelhanças com o cover que a Avril gravou de How You Remind Me. Não que isto constitua surpresa. Conforme já afirmei aqui, era expectável. E, tal como calculei, este lado dos Nickelback é compatível com o estilo da Avril.

A participação de Chad nos vocais e a sua provável influência na composição dão a Let Me Go aquilo que falta a Here's to Never Growing Up e Rock N Roll: o fator novidade. As vozes de Avril e Chad soam bem juntas - no entanto, fiquei um bocadinho desapontada com o facto de o Chad apenas cantar os vocais de apoio (ou backvocals) no refrão. Acho que haveria maior impacto caso ambos tivessem cantado os vocais principais em coro, se a voz do Chad tivesse tido maior destaque, em particular nos "Oh..." após os refrões. O "it's too late" do final da segunda estância ficou demasiado prolongado, devia ter sido cantado da mesma maneira como o primeiro foi. Por outro lado, a Avril fez coisas diferentes com a sua voz. Temos como exemplo os "Don't let me go, don't let me go" no final do último refrão e o arrepiante "Love's never too late" - esse, sim, merecia ser esticado ou, pelo menos, ter sido seguido de um "Oh" que se prolongasse pelo refrão. A parte final da música, o "outro" instrumental, está talvez um pouco longo de mais, mas confere uma aura de mistério à música e os vocais desvanecidos combina com a imagem dos ecos, na letra.

 


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Esta foi a primeira canção em que a Avril e o Chad colaboraram - tanto vocalmente como em termos de composição. Segundo os mesmos, inicialmente Let Me Go era apenas sobre uma separação. Só que, entretanto, apaixonaram-se, ficaram noivos, não faria muito sentido lançarem um feat sobre o término de um relacionamento. Logo, alteraram a música de modo a incluir uma reconciliação. Acabou por ser uma boa ideia, na minha opinião, pois músicas de rompimento são o que não falta na discografia da Avril. A história de Let Me Go fica, assim, mais interessante. Há quem diga que cada um dos cantores fala de relações passadas e depois, na parte final, falam da relação um com o outro. É uma interpretação possível. Eu, no entanto, prefiro interpretar a música como a história de um relacionamento que precisava de uma rotura temporária, para que cada uma das partes resolvesse os seus problemas de modo a poderem começar de novo. De qualquer forma, à parte a história, em termos de qualidade de letra, não se pode falar de uma evolução significativa - o conceito das recordações de que é necessário abdicar já é recorrente, com destaque para a música My Happy Ending.

Estou particularmente curiosa em relação ao videoclipe de Let Me Go. Ando a torcer para que não façam um vídeo estilo Nickelback - geralmente os vídeos deles são protagonizados por atores contratados, a banda limita-se a aparecer interpretando a música. Se fizerem isso com Let Me Go, os fãs atiram-se ao ar, eu incluída. Estamos todos à espera de momentos Chavril. Eu, aliás, imagino um vídeo num cenário semelhante àquele onde se casaram e onde fizeram uma sessão fotográfica para a revista italiana Glamour.




Não fiquei desiludida com este primeiro feat original da Avril mas não posso dizer que este me tenha arrebatado, como aconteceu noutros lançamentos de músicas, quer da Avril quer de outros. Let Me Go é um single mais interessante, mais inovador do que os que o precederam e já ando a cantá-lo por aí mas não faz mais do que isso. Quero ver se o álbum Avril Lavigne terá músicas ainda melhores, por que me apaixone a sério. Posso também estar a ficar demasiado exigente... Em todo o caso, Let Me Go ajuda-nos a ligar com a síndrome de privação de músicas novas, consequente destes adiamentos todos do quinto disco da cantora. Faltam, agora, vinte e seis dias do lançamento oficial e já conhecemos as quatro músicas - venham as restantes!

sábado, 5 de outubro de 2013

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #4

Continuamos a recordar Goodbye Lullaby agora que estamos a um mês do lançamento oficial de Avril Lavigne. Podem ler as partes anteriores desta crítica AQUI, AQUI e AQUI. Hoje falamos de I Love You e Everybody Hurts.

7) I Love You 

 




"Yeah, the reason I love you
Is all that we've been through"


Esta é uma doce canção de amor, se bem que não se limite a amor romântico. É uma espécie de Smile acústico, mais suave, com um cheirinho a Things I’ll Never Say. A Avril vai enumerando aquilo que gosta acerca do rapaz, isto numa voz doce de menina tímida declarando o seu amor. O verso “I like the way you misbehave when we get wasted” é muito engraçado – é como que uma marca da Avril e contraria um bocadinho o tom romântico da música. A faixa é predominantemente acústica mas a batida dá um certo carácter dançante. A música ganha, ao mesmo tempo, maior animação e maior sentimento depois do segundo refrão graças aos acordes frenéticos e aos vocais: estes e a terceira estrofe catapultam a música para um último refrão e um final em grande.

 

A Avril afirmou que compôs esta música pensando numa das pessoas que mais ama no Mundo. E, como não podia deixar de ser, nós, os fãs, interrogamo-nos sobre quem será esse indivíduo. Eu aposto em Deryck Whibley, o ex-marido com quem, contudo, continua a ter uma boa relação, sobretudo por causa do verso “Even though we didn’t make it through, I am always here for you”. Em todo o caso, quem quer que seja este amor, a Avril não tem medo de dizer que o ama. E se tivermos em conta que, nos álbuns anteriores, ela parecia hesitar em dizer, preto no branco, o que verdadeiramente sentia, isto é definitivamente uma evolução.

A Avril chegou a dizer numa entrevista recente que I Love You podia ter sido single. Eu acho que tinha perfil para isso.

 

À semelhança de Smile, I Love You é também uma música que podia vir dos fãs para a Avril. Eu, pelo menos, gosto do sorriso dela, do estilo, da vibração, de o seu carácter de estrela, da sua beleza, das maluquices que faz quando se embebeda (ou mesmo quando está sóbria), etc, etc. Basicamente, adoro-a por ela ser como é e por eu e a sua música já termos passado por bastante juntas. 

 

8) Everybody Hurts






"So many questions, so much in my mind

So many answers I can't find..."

 


Esta é uma das minhas preferidas do álbum e também outra das mais populares entre os fãs. Se não é uma das melhores músicas da Avril é, pelo menos, uma das melhores produzidas. Os acordes de guitarra, os arpejos, os arranjos de violinos, os vocais (em particular na parte final da canção) estão todos muito bem colocados, fazendo da música uma verdadeira obra de arte. Bom trabalho, Deryck!

 

O único “defeito” é que a sequência de acordes é sempre a mesma, excepto na terceira estrofe, o que pode baralhar uma pessoa que a canta. Até a Avril se baralhou de todas as vezes que a cantou (não que tenham sido muitas, mas…). E já que se fala disso, gostei muito de vê-la cantar Everybody Hurts ao vivo com o Evan. Sempre os imaginei cantando-a ao vivo, cada um com a sua guitarra acústica, tal como fizeram.

 

A letra é muito simples e repetitiva mas, como o costume, a Avril canta-a com genuína emotividade. A mensagem faz-me lembrar um pouco as b-sides de Let Go, em particular, Move Your Little Self On, mas espelha um pouco o amadurecimento da Avril, a maneira como ela aprendeu a não se deixar abater pela dor. No fundo, a mensagem de Everybody Hurts é muito semelhantes à do álbum num todo: toda a gente sofre de vez em quando mas não devemos deixar que isto nos vença, há que continuar a lutar e, eventualmente, encontrar-se-á uma saída.

 

Não sei se é coincidência ou não, mas a mensagem não difere muito da da música homónima cantada pelos R.E.M. Também o título “Everybody Hurts” é bastante limitativo nesse aspecto, isto é, com este título era difícil a música ter uma mensagem diferente. Em todo o caso, Everybody Hurts é mais uma prova de que as músicas que nascem da parceria entre ela e Evan Taubenfeld costumam ser das melhores. Tenho pena é que o álbum Avril Lavigne não inclua nenhuma dessas - tanto quanto sei.

Avril Lavigne - Goodbye Lullaby (2011) #4

Continuamos a recordar Goodbye Lullaby agora que estamos a um mês do lançamento oficial de Avril Lavigne. Podem ler as partes anteriores desta crítica AQUI, AQUI e AQUI. Hoje falamos de I Love You e Everybody Hurts.

7) I Love You 



"Yeah, the reason I love you
Is all that we've been through"

Esta é uma doce canção de amor, se bem que não se limite a amor romântico. É uma espécie de Smile acústico, mais suave, com um cheirinho a Things I’ll Never Say. A Avril vai enumerando aquilo que gosta acerca do rapaz, isto numa voz doce de menina tímida declarando o seu amor. O verso “I like the way you misbehave when we get wasted” é muito engraçado – é como que uma marca da Avril e contraria um bocadinho o tom romântico da música. A faixa é predominantemente acústica mas a batida dá um certo carácter dançante. A música ganha, ao mesmo tempo, maior animação e maior sentimento depois do segundo refrão graças aos acordes frenéticos e aos vocais: estes e a terceira estrofe catapultam a música para um último refrão e um final em grande.

A Avril afirmou que compôs esta música pensando numa das pessoas que mais ama no Mundo. E, como não podia deixar de ser, nós, os fãs, interrogamo-nos sobre quem será esse indivíduo. Eu aposto em Deryck Whibley, o ex-marido com quem, contudo, continua a ter uma boa relação, sobretudo por causa do verso “Even though we didn’t make it through, I am always here for you”. Em todo o caso, quem quer que seja este amor, a Avril não tem medo de dizer que o ama. E se tivermos em conta que, nos álbuns anteriores, ela parecia hesitar em dizer, preto no branco, o que verdadeiramente sentia, isto é definitivamente uma evolução.

A Avril chegou a dizer numa entrevista recente que I Love You podia ter sido single. Eu acho que tinha perfil para isso.

À semelhança de Smile, I Love You é também uma música que podia vir dos fãs para a Avril. Eu, pelo menos, gosto do sorriso dela, do estilo, da vibração, de o seu carácter de estrela, da sua beleza, das maluquices que faz quando se embebeda (ou mesmo quando está sóbria), etc, etc. Basicamente, adoro-a por ela ser como é e por eu e a sua música já termos passado por bastante juntas. 

8) Everybody Hurts



"So many questions, so much in my mind
So many answers I can't find..."

Esta é uma das minhas preferidas do álbum e também outra das mais populares entre os fãs. Se não é uma das melhores músicas da Avril é, pelo menos, uma das melhores produzidas. Os acordes de guitarra, os arpejos, os arranjos de violinos, os vocais (em particular na parte final da canção) estão todos muito bem colocados, fazendo da música uma verdadeira obra de arte. Bom trabalho, Deryck!

O único “defeito” é que a sequência de acordes é sempre a mesma, excepto na terceira estrofe, o que pode baralhar uma pessoa que a canta. Até a Avril se baralhou de todas as vezes que a cantou (não que tenham sido muitas, mas…). E já que se fala disso, gostei muito de vê-la cantar Everybody Hurts ao vivo com o Evan. Sempre os imaginei cantando-a ao vivo, cada um com a sua guitarra acústica, tal como fizeram.

A letra é muito simples e repetitiva mas, como o costume, a Avril canta-a com genuína emotividade. A mensagem faz-me lembrar um pouco as b-sides de Let Go, em particular, Move Your Little Self On, mas espelha um pouco o amadurecimento da Avril, a maneira como ela aprendeu a não se deixar abater pela dor. No fundo, a mensagem de Everybody Hurts é muito semelhantes à do álbum num todo: toda a gente sofre de vez em quando mas não devemos deixar que isto nos vença, há que continuar a lutar e, eventualmente, encontrar-se-á uma saída.

Não sei se é coincidência ou não, mas a mensagem não difere muito da da música homónima cantada pelos R.E.M. Também o título “Everybody Hurts” é bastante limitativo nesse aspecto, isto é, com este título era difícil a música ter uma mensagem diferente. Em todo o caso, Everybody Hurts é mais uma prova de que as músicas que nascem da parceria entre ela e Evan Taubenfeld costumam ser das melhores. Tenho pena é que o álbum Avril Lavigne não inclua nenhuma dessas - tanto quanto sei.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Livros Opostos


Vi neste blogue uma série de perguntas intitulada Livros Opostos, uma TAG, como diz a autora do blogue, que já vinha de vídeos do YouTube mas a que ela respondeu por escrito por, tal como eu, preferir expressar-se através desse meio. Achei graça às perguntas dessa série pelo que decidi respondê-las também, aqui no Álbum. Estas vêm em português do Brasil, pelo que vou adaptá-las ao português de Portugal. Assim, a primeira pergunta é...

1) Qual foi o primeiro livro da tua coleção e qual foi o último que compraste?

Não me lembro do meu primeiro livro visto que vivi sempre rodeada deles, quer livros infantis, quer os policiais da minha mãe. O primeiro livro "a sério" que me lembro de ler é o "Rosa, Minha Irmã Rosa", de Alice Vieira.

O último que comprei foi o "A Chama de Sevenwaters", de Juliet Marillier.

2) Um livro por que pagaste pouco e outro por que pagaste muito.

Lembro-me de ter comprado o livro "Abre os Olhos, Alex!", de Kate Andrews, por pouco mais de três euros, faz agora uma década. Era um daqueles livros para pré-adolescentes que agora não me diz nada mas de que, na altura, gostei muito.

Por outro lado, lembro-me de pagar à volta de vinte euros por "Herança", de Christopher Paolini (falo sobre esse livro e respetiva coleção AQUI).

3) Um livro com protagonista homem e um com protagonista mulher.

Com protagonista homem, temos "A Cidade dos Deuses Selvagens", de Isabel Allende que, na verdade, é o primeiro de uma triologia da qual fazem parte, também, "O Reino do Dragão de Ouro" e "O Bosque dos Pigmeus".

Com protagonista mulher, indico "A Filha da Floresta", o primeiro e o meu preferido dos livros da série Sevenwaters que conta, até agora, seis títulos, cada um deles protagonizado por uma personagem feminina forte, embora de uma forma diferente das protagonistas anteriores.

4) Um livro que leste depressa e outro que leste devagar.

Tenho vários exemplos de leituras rápidas. Uma das mais recentes (embora tenha sido há mais de um ano, já) diz respeito a "Os Jogos da Fome", de Suzanne Collins - li para aí numa noite e numa tarde.

Para leitura lenta, indico "Nómada", de Stephenie Meyer. O livro é enorme e não é o género de histórias que nos façam virar as páginas febrilmente. Levei uma semana - o que, para mim, é muito, tendo em conta que estava de férias. (falo mais sobre esse livro AQUI).

5) Um livro com capa bonita e um com capa feia.

Todos os livros do Ciclo da Herança de Paolini têm belas capas. Uma das que gosto mais é a do primeiro, "Eragon".

Não gostei da capa da edição de "O Plano Infinito" de Isabel Allende que a minha mãe já tem há alguns anos e que li durante este verão.

6) Um livro português e um livro estrangeiro.

Para livro português, o melhor exemplo que encontro diz respeito a "Os Maias", de Eça de Queiroz.

Para livro internacional, escolho o meu preferido de Isabel Allende: "Zorro - O Começo da lenda"

7) Um livro mais fino e um mais grosso.

Um livro fino de que gosto muito ainda hoje é o "Felizmente Há Luar, de Luis de Sttau Monteiro - tendo em conta que é uma peça de teatro, não é de admirar que seja fino.

O primeiro livro grosso que me lembro de ler foi o "Harry Potter e a Ordem da Fénix". Era tão grande e a minha ansiedade tanta que andei com dores de cabeça enquanto o li. Lembro-me, também, de os jornais afirmarem que muitos jovens lendo o livro pela primeira vez andavam com sintomas semelhantes.

8) Um livro de ficção e um de não-ficção.

Para livro de ficção vou escolher "O Enigma das Cartas Anónimas" - apenas um entre os inúmeros policiais de Agatha Christie cujo estilo adoro.

O meu livro preferido de não-ficção é o "A Pátria Fomos Nós", de Afonso Melo (mais sobre esse livro AQUI).

9) Um livro meloso e um livro de ação.

O último livro meloso que li foi "Um Dia Perfeito", de Nora Roberts - de vez em quando, este tipo de leituras sabem bem, apesar de não ser nem de longe nem de perto o meu tipo de livros preferido.

Para livro de ação, indicarei "O Adversário Secreto", mais uma vez de Agatha Christie - ela devia ter escrito mais livros protagonizados por Tommy e Tuppence.

10) Um livro que te deixou feliz e um que te deixou triste.

Penso que todos ficámos felizes com o final de "Harry Potter e os Talismãs da Morte". 

Por outro lado, um dos que me deixou mais triste foi o livro "Goa ou o Guardião da Aurora", de Richard Zimmler. Uma pessoa acompanha o crescimento do protagonista, é natural que simpatize com ele. No meu caso, houve a agravante adicional de o associar ao Alex, a minha personagem principal. Não admira que tenha ficado de coração partido com a maneira como o livro acabou.



Se alguém quiser pegar, também, nesta TAG, não se esqueça de dar os respetivos créditos. E, já agora, coloque o link do texto ou vídeo nos comentários desta entrada. Boas leituras!

Livros Opostos


Vi neste blogue uma série de perguntas intitulada Livros Opostos, uma TAG, como diz a autora do blogue, que já vinha de vídeos do YouTube mas a que ela respondeu por escrito por, tal como eu, preferir expressar-se através desse meio. Achei graça às perguntas dessa série pelo que decidi respondê-las também, aqui no Álbum. Estas vêm em português do Brasil, pelo que vou adaptá-las ao português de Portugal. Assim, a primeira pergunta é...

1) Qual foi o primeiro livro da tua coleção e qual foi o último que compraste?

Não me lembro do meu primeiro livro visto que vivi sempre rodeada deles, quer livros infantis, quer os policiais da minha mãe. O primeiro livro "a sério" que me lembro de ler é o "Rosa, Minha Irmã Rosa", de Alice Vieira.

O último que comprei foi o "A Chama de Sevenwaters", de Juliet Marillier.

2) Um livro por que pagaste pouco e outro por que pagaste muito.

Lembro-me de ter comprado o livro "Abre os Olhos, Alex!", de Kate Andrews, por pouco mais de três euros, faz agora uma década. Era um daqueles livros para pré-adolescentes que agora não me diz nada mas de que, na altura, gostei muito.

Por outro lado, lembro-me de pagar à volta de vinte euros por "Herança", de Christopher Paolini (falo sobre esse livro e respetiva coleção AQUI).

3) Um livro com protagonista homem e um com protagonista mulher.

Com protagonista homem, temos "A Cidade dos Deuses Selvagens", de Isabel Allende que, na verdade, é o primeiro de uma triologia da qual fazem parte, também, "O Reino do Dragão de Ouro" e "O Bosque dos Pigmeus".

Com protagonista mulher, indico "A Filha da Floresta", o primeiro e o meu preferido dos livros da série Sevenwaters que conta, até agora, seis títulos, cada um deles protagonizado por uma personagem feminina forte, embora de uma forma diferente das protagonistas anteriores.

4) Um livro que leste depressa e outro que leste devagar.

Tenho vários exemplos de leituras rápidas. Uma das mais recentes (embora tenha sido há mais de um ano, já) diz respeito a "Os Jogos da Fome", de Suzanne Collins - li para aí numa noite e numa tarde.

Para leitura lenta, indico "Nómada", de Stephenie Meyer. O livro é enorme e não é o género de histórias que nos façam virar as páginas febrilmente. Levei uma semana - o que, para mim, é muito, tendo em conta que estava de férias. (falo mais sobre esse livro AQUI).

5) Um livro com capa bonita e um com capa feia.

Todos os livros do Ciclo da Herança de Paolini têm belas capas. Uma das que gosto mais é a do primeiro, "Eragon".

Não gostei da capa da edição de "O Plano Infinito" de Isabel Allende que a minha mãe já tem há alguns anos e que li durante este verão.

6) Um livro português e um livro estrangeiro.

Para livro português, o melhor exemplo que encontro diz respeito a "Os Maias", de Eça de Queiroz.

Para livro internacional, escolho o meu preferido de Isabel Allende: "Zorro - O Começo da lenda"

7) Um livro mais fino e um mais grosso.

Um livro fino de que gosto muito ainda hoje é o "Felizmente Há Luar, de Luis de Sttau Monteiro - tendo em conta que é uma peça de teatro, não é de admirar que seja fino.

O primeiro livro grosso que me lembro de ler foi o "Harry Potter e a Ordem da Fénix". Era tão grande e a minha ansiedade tanta que andei com dores de cabeça enquanto o li. Lembro-me, também, de os jornais afirmarem que muitos jovens lendo o livro pela primeira vez andavam com sintomas semelhantes.

8) Um livro de ficção e um de não-ficção.

Para livro de ficção vou escolher "O Enigma das Cartas Anónimas" - apenas um entre os inúmeros policiais de Agatha Christie cujo estilo adoro.

O meu livro preferido de não-ficção é o "A Pátria Fomos Nós", de Afonso Melo (mais sobre esse livro AQUI).

9) Um livro meloso e um livro de ação.

O último livro meloso que li foi "Um Dia Perfeito", de Nora Roberts - de vez em quando, este tipo de leituras sabem bem, apesar de não ser nem de longe nem de perto o meu tipo de livros preferido.

Para livro de ação, indicarei "O Adversário Secreto", mais uma vez de Agatha Christie - ela devia ter escrito mais livros protagonizados por Tommy e Tuppence.

10) Um livro que te deixou feliz e um que te deixou triste.

Penso que todos ficámos felizes com o final de "Harry Potter e os Talismãs da Morte". 

Por outro lado, um dos que me deixou mais triste foi o livro "Goa ou o Guardião da Aurora", de Richard Zimmler. Uma pessoa acompanha o crescimento do protagonista, é natural que simpatize com ele. No meu caso, houve a agravante adicional de o associar ao Alex, a minha personagem principal. Não admira que tenha ficado de coração partido com a maneira como o livro acabou.



Se alguém quiser pegar, também, nesta TAG, não se esqueça de dar os respetivos créditos. E, já agora, coloque o link do texto ou vídeo nos comentários desta entrada. Boas leituras!

domingo, 29 de setembro de 2013

O Poder dos Introvertidos


Há algumas semanas, enquanto folheava a revista Activa do mês de agosto, dei com um artigo intitulado "O Poder Secreto dos Introvertidos". Falava sobre um livro escrito por Susan Cain, intitulado, precisamente "Silêncio - O Poder dos Introvertidos num Mundo que não pára de falar". Mais tarde, quando pesquisei sobre o assunto, encontrei o vídeo acima das conferências TED, com um discurso da mesma Susan Cain. Essencialmente, tanto no livro como discurso, a autora desmonta todo o estigma das pessoas mais introvertidas, defendendo que o Mundo necessita de valorizar os mais solitários em vez de os marginalizar.

Sendo eu, desde tenra idade, uma pessoa introvertida, com predisposição para falar pouco e me isolar (palavra que, por motivos que explicarei mais à frente, ainda hoje possui, para mim, uma conotação negativa), não imaginam o bem que faz ao meu ego ouvir tais argumentos.

Entre os vários pontos fortes dos introvertidos, encontra-se a inteligência e a criatividade. Não vou falar da inteligência pois não concordo com muitas das ideias pré-concebidas que continuam a circular por aí - não acho que seja fixa, que seja algo com que nascemos e que nunca se altera; acredito plenamente que pode ser desenvolvida bem como pode regredir. Também acho que não se limita ao QI, aos resultados académicos, que existem vários tipos de inteligência, cada um com a sua utilidade.


No entanto, não me choca o facto de várias teorias e/ou descobertas científicas - de Charles Darwin, Albert Einstein - livros, peças musicais, enfim, todo o tipo de obras de arte, que hoje fazem parte do nosso quotidiano, da nossa cultura, tenham sido concebidas por pessoas apreciadoras de solidão. Atividades como a leitura, a escrita, o desenho, a pintura, a composição de música, não se realizam em grupo, geralmente. Defende-se que esta maior criatividade e eficácia se deve ao facto e estas pessoas "refletirem", serem capazes de ouvir, tomar decisões mais ponderadas e ter ideias inovadoras.

Eu diria mesmo que, da mesma forma, os introvertidos possuem um maior sentido crítico. Não apenas por serem bons ouvintes, por pensarem antes de falar, mas também por, não tendo tanta necessidade de conviver, não sentem tanto a pressão de agradar aos demais para serem aceites num grupo. E pelo o fenómeno que Susan Cain descreve no vídeo acima: a tendência de adotarmos a opinião do alfa do grupo.

Um dos aspetos que é realçado várias vezes é que, contrariamente ao que se pensa, não se pode dizer que os introvertidos não gostem do convívio. Os mais reservados acabam, aliás, por serem melhores ouvintes, por terem menos predisposição para inconfidências que os mais extrovertidos.

Não admira que, de vez em quando, me procurem para desabafos.


Susan Cain argumenta ainda que, surpreendentemente, os extrovertidos não são os melhores lideres. Podem ser melhores em termos de carisma e oratória, como já foi afirmado em cima em defender o seu ponto de vista, mas, se calhar, não são tão bons em conteúdo - faz-me lembrar a discussão lógica versus retórica que estudei em Filosofia. Os extrovertidos gostam mais de mandar, entusiasmam-se com as suas próprias ideias, são impulsivos. Em contraste, os introvertidos são mais cautelosos e, tal como já foi dito anteriormente, são mais recetivos às ideias dos outros. Cain chega a invocar nomes com Elianor Roosevelt, Gandhi, Rosa Parks, Barack Obama, que na verdade são (ou foram) pessoas mais metidas nas suas conchas. É verdade que passam muito tempo no centro das atenções mas - pelo menos no caso dos três primeiros exemplos - faziam-o, não por gostarem, mas porque não tinham escolha. Para fazerem vingar os seus princípios, para, de facto, serem a mudança que desejavam ver no Mundo, tiveram de engolir a sua falta de à-vontade e falar às multidões, com os resultados que se conhecem.

Isto recorda-me uma citação do último livro do Harry Potter, uma das várias afirmações sábias de Dumbledore - de que os melhores líderes não são aqueles que ambicionam o poder pelo poder, mas sim aqueles para quem o poder, a liderança, é apenas uma ferramenta para concretizar as suas convicções.

De resto, conforme Susan Cain afirma, a subvalorização das pessoas reservadas é relativamente recente - ela dá o exemplo das religiões, cujos profetas testemunhavam as grandes revelações quando estavam sozinhos. Foi só a partir do século vinte, num mundo cada vez mais global, que a extroversão foi valorizada. Um mundo cada vez mais global, ironicamente graças a invenções dos chamados bichos-do-mato.


Foi assim que se formou o estigma, que se torna cruel, por vezes. Como todos os estigmas o são, de resto. A obsessão com a vida social. As bocas do género: "Ai e tal, eu não tenho tempo para ler, eu tenho uma vida". Em suma, a ideia de que a afinidade para a solidão é um defeito, quase uma deficiência.

E, no entanto, acho que o estigma já foi pior. Nos últimos anos, com o advento da Internet, dos blogues, do YouTube, das redes sociais, tornou-se mais fácil aos introvertidos expressarem a sua criatividade, as suas ideias, e encontrarem pessoas com interesses semelhantes. Há quem diga que estas tecnologias andam a promover o isolamento, a tornar as pessoas mais solitárias - mas eu penso o contrário. Penso que, com a Internet, já ninguém tem de se sentir sozinho. Porque uma pessoa pode estar rodeada de outros e estar sozinha. Mas não terá muita dificuldade em encontrar quem partilhe os seus ideais, as suas paixões, através da Internet.

Por outro lado, Jennifer Lawrence, uma das atrizes da moda, adorada por toda a gente por ser invulgarmente terra-à-terra (ou, pelo menos, representar bem esse papel), tem dito várias vezes que não é do género de sair à noite, que prefere passar os serões a ver televisão, que muitas vezes às onze da noite já só pensa em ir para a cama, provando que ser "fixe" não significa necessariamente levar o estilo de vida típico de Hollywood. Por fim, com as novas tecnologias, com pessoas como Steve Jobs, Mark Zuckerberg, os chamados nerds ou geeks, qualquer que seja a designação correta, começam a ganhar popularidade.


Aproveito, já agora, para dizer que, apesar de tudo, a sociedade continua a simplificar demasiado as pessoas. Já aqui falei que me irritam os rótulos em música - os rótulos em pessoas ainda me irritam mais. Susan Cain defende, precisamente, que o Mundo não se divide em introvertidos e extrovertidos. Que casa pessoa em a sua própria maneira de lidar com o contacto com os demais, a sua proporção de introversão e extroversão. Não me é difícil pensar em exemplos. Voltemos a Jennifer Lawrence, por exemplo: conforme já foi dito neste texto, ela não é do género de ir a muitas festas; no entanto, em entrevistas destaca-se pelo seu completo à-vontade, por ser alegre e bem humorada. Suponho que ela seja aquilo a que Cain chama, numa tradução possível, ambivertidos. Aqueles que, nas palavras da autora, aproveitam o melhor de ambos os mundos.

Agora vou falar do meu caso. Tendo eu sido sempre reservada, tal como já revelei, a minha mãe sempre tentou corrigir-me esse "defeito", à semelhança do que, certamente, acontece com todos os introvertidos. Chegou mesmo a dizer-me que era má educação estar com outras pessoas e não falar - hoje, contudo, apercebo-me que as pessoas mais difíceis de aturar são aquelas que nunca se calam.

Não pensem, no entanto, que tudo o que a minha mãe conseguiu com isto foi reprimir-me. Ela também me ensinou a ser mais simpática e agradável para com as pessoas, capacidades que, sejamos francos, são essenciais, básicas, para vivermos em sociedade.


Pior para mim foi o Secundário. Na escola que frequentei, gostavam de pensar que cultivavam valores como a união, a amizade, e outras coisas muito bonitas em que, no entanto, bastava raspar à superfície para perceber que não passava de hipocrisia. Queriam à força que fôssemos todos amigos e nunca passava despercebido que eu gostava de isolar-me durante os intervalos. Na verdade, passava grande parte desse tempo fechada na casa de banho a escrever, a aprender a ser a escritora que sou hoje. Uma das piores coisas que me podem fazer é obrigar-me a conviver e era isso que me faziam. Eu só queria que me deixassem em paz. Se eu queria isolar-me, o "problema" era meu, a pressão deles apenas fazia com que me sentisse ainda mais marginalizada. Talvez eu tivesse sido mais feliz durante o Secundário se, entre outras coisas, me tivessem deixado integrar-me na turma à minha maneira. Até porque, quando não me pressionavam, eu até convivia normalmente, até conversava - e eles ficavam sempre tão surpreendidos!

E a verdade é que eu aprendi a gostar de conversar com as pessoas, de conviver. Já existiram situações em que eu me sentia deprimida e uma simples conversa sobre séries com colegas minhas foi suficiente para me consolar. E com pessoas da minha idade ou mais novas é fácil falar, o assunto "aulas" é suficiente para fazer uma conversa fluir. É claro que daí a confiar nas pessoas, a fazer amizades, vai um grande passo - porque hoje toda a gente tem segundas intenções.

Para além da minha escrita, um dos motivos que me levam a procurar a solidão - ou uma das desculpas que dou a mim mesma - é, também, sentir que as pessoas não têm pachorra para os meus interesses, as coisas de que falo nos meus blogues, as minhas manias. Daí que a minha irmã seja uma das minhas pessoas preferidas - porque partilhamos vários interesses e, sobretudo, aturamos as maluquices uma da outra. 


Depois, tenho as pessoas que conheci na Internet, através das redes sociais, do Fórum Avril Portugal, dos meus blogues. Algumas, há já vários anos. Admito que podem não ser consideradas relações verdadeiras, podem ser só "amigos do Facebook" mas a quem, por vezes, me sinto mais próxima do que a quem vejo quase todos os dias. Porque, tal como um desses amigos me disse há pouco tempo, conhecem o nosso interior antes de conhecerem o nosso exterior. Antes de estarem sujeitos aos enganos da aparência. Da mesma forma, muita gente da minha família ficou surpreendida quando eu, no ano passado, fui convidada para ir ao A Tarde É Sua, Especial Seleção, (pormenores AQUI) e aparentava perfeito à-vontade, estava alegre e comunicativa. Chegaram mesmo a dizer:

- Aquela não é a Sofia!

Na verdade, estava de facto nervosíssima, mas também me sentia bem, feliz - porque aquelas pessoas tinham gostado do meu blogue ao ponto de fazerem questão de me trazerem ao programa, de me ouvirem falar sobre ele. Fizeram-me sentir aceite, mesmo admirada, graças a algo que era muito importante para mim - e que, na minha família, é frequentemente objeto de desdém.

As únicas alturas em que me sinto em perfeita harmonia com as multidões é, de resto, em concertos ou em jogos de futebol. Porque, para além da escrita e de outras atividades mais intimistas, duas das melhores sensações do Mundo são gritar "GOLO!" em uníssono com um estádio inteiro e cantar as nossas músicas preferidas em altos berros, em coro com dezenas de milhares de pessoas.



Susan Cain não diz, contudo, que devemos todos deixar de conviver. Até porque o isolamento em excesso torna-se prejudicial. Noto, aliás, uma certa contradição nos argumentos dela, quando diz que os introvertidos são mais abertos às opiniões dos outros. Ora, se uma pessoa se isola demasiado, tem maiores probabilidades de se tornar egoísta, de perder empatia. Da mesma maneira, os mais extrovertidos, por contactarem frequentemente com outras pessoas, podem perfeitamente tornar-se mais conhecedores da natureza humana, mais tolerantes. E o convívio também é importante para o sentido crítico - toda a gente precisa de ser questionada de vez em quando ou corre o risco de ficar demasiado preso às suas ideias. As conversas, os debates, podem, deste modo, ser extremamente enriquecedores ao ajudarem-nos a ver as questões sob diferentes prismas, prismas que, se calhar, nunca nos tinham ocorrido. Nestes assuntos aprendi que não se pode generalizar. Em linha com o que disse há pouco, as pessoas não são assim tão simples, cada caso é um caso e, que diabo, somos sete mil milhões! Como podemos ter a arrogância de julgar saber como é que todas as pessoas são?

O que se pede, no fundo, é tolerância, equilíbrio. Não que deixemos de estimular (sem as forçar) as pessoas a conviverem, a socializarem, porque isso também é importante, mas que se acabe com os estigmas todos contra os introvertidos, que se tente "curá-los" do mal. O que se quer é que se respeite a personalidade de cada pessoa, que lhe seja dado espaço, caso seja esse o seu desejo, para abraçar a solidão. O Mundo só tem a ganhar com isso. No meu caso, na maior parte do tempo, abraço a solidão para me dedicar à minha escrita, seja ela para os meus livros ou para os meus blogues Não me arrogo ao pensar que o Mundo perderia caso eles não existissem mas são uma parte de mim que tenciono cá deixar antes de morrer. E isso para mim é o suficiente para ir deixando se me sentir mal comigo mesma por me achar diferente de toda a gente, em vários aspetos. E para dizer "Não!" a pessoas como a minha mãe ou a minha antiga diretora de turma que me pressionem para ser menos "antissocial", para lhes esfregar no nariz que a introversão não é defeito, é feitio, podendo mesmo ser, por todos os motivos aqui listados, uma força.
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