sexta-feira, 18 de abril de 2014

Músicas Não Tão Ao Calhas - Breakaway

Até agora, a rúbrica Músicas Não Tão Ao Calhas têm estado reservadas a singles recém-lançados. Não é o caso desta entrada. Não faria sentido falar da demo de Breakaway na voz de Avril Lavigne, que apareceu na Internet no início deste mês, na rubrica Músicas Ao Calhas porque... não ser poderia dizer que era "ao calhas". Deste modo, a partir destes momento, as entradas de Músicas Não Tão Ao Calhas passam a incluir situações semelhantes a esta. Embora seja pouco provável voltar a acontecer algo do género tão cedo.


"I'll spread my wings and I'll learn how to fly
I'll do what it takes, 'til I touch the sky"

Breakaway foi composta por Avril em colaboração com Matthew Gerrard e Bridget Benenate aquando da preparação de Let Go. A cantora, no entanto, não gostou da canção. Cheguei a ler uma entrevista em que ela afirma que lhe recordava demasiado um cântico de igreja. A canção foi sendo passada de cantor para cantou, de produtor para produtor, a cantautora canadiana Samantha Moore chegou a gravar a sua versão. No entanto, acabou por ser a cantora americana Kelly Clarkson, vencedora da primeira edição do American Idol, a gravá-la para a banda sonora do filme O Diário da Princesa 2, de 2004. O single teve tanto sucesso que Kelly incluiu-o no seu segundo álbum de estúdio, tendo mesmo batizando-o com o nome da música. Tendo em conta a qualidade da canção, bem como a sua popularidade, os fãs de Avril Lavigne sempre desejaram ouvir Breakaway na voz da cantautora canadiana. E na noite de 31 de março, vimos o nosso desejo realizado quando vazou na Internet uma demo de Breakaway cantada pela Avril.

Olhando para a letra da canção, dá para ver que esta é praticamente uma biografia de Avril, mais pessoal que a larga maioria da sua discografia. Ela que cresceu em Napanee, no Ontário, uma terra demasiado pequena para o seu potencial como cantora. A música chega a ter alguns ecos de Mobile. Mais recentemente, Daydreaming, do último ábum dos Paramore, acaba por ter um tema muito semelhante.

Por outro lado, a letra de Breakaway é indubitavelmente mais poética que a larga maioria do material musical de Avril, o que me faz pensar que a jovem cantora tenha tido, na altura, uma generosa ajuda na escrita da mesma. Duante muito tempo, à semelhança de muitos fãs, lamentei o facto de Avril não ter querido ficar com a música. No entanto, agora que conheço a versão original e reflito melhor sobre o assunto, não sei se a letra de Breakaway encaixaria em Let Go - porque Breakaway é música de álbum de estreia - ao lado de letras como Complicated e Sk8er Boi.


Eu digo que Breakaway e a biografia de Avril mas, em boa verdade, serviria de biografia a muito boa gente, cantores e não só. A qualquer pessoa que se tenham visto obrigada e/ou tenha desejado abandonar o seu lar para perseguir o seu sonho. Não me é difícil pensar em outros exemplos. Kelly é um desses casos, daí que não me choque que ela tenha ficado com a música.

Ouvi pela primeira vez a versão dela na rádio em 2006, sensivelmente na mesma altura em que se ouvia Because of You em todo o lado. De alguma forma, soube logo que tinha sido Avril a compô-la. A música atraiu-me facilmente, com a sua melodia agradável, refrão poderoso, letra que me fazia pensar na minha cantora preferida. Há que dar mérito a Kelly por ter sido capaz de interpretar bem a música, dar-lhe poder, emoção. Dizer, também, que o tratamento musical foi adequado, conferindo um carácter grandioso. Existe apenas uma única "falha" - se é que se pode chamar isso - na versão de Kelly. Mas já lá vamos.


Em 2008, apareceu na Internet uma demo de Breakaway cantada por Samantha Moore que, alegadamente, terá garantido a Samantha um contrato discográfico. Nesta versão, Samantha introduziu uma série de variações à melodia original. Na altura, gostei mais da versão de Samantha do que da de Kelly, sendo a primeira a que ouvia regularmente.

Até ter acesso à versão de Avril.

Nota-se de imediato que esta é apenas uma demo, de qualidade que deixa a desejar. Tem algumas semelhanças com a demo de Naked de que falei na última entrada, sobretudo pela maneira como a sua voz surge algo hesitante e imatura. Muitos fãs chegaram a duvidar que fosse mesmo Avrl a cantar, mas é definitivamente ela. As suas nuances características, sobretudo em Let Go, são notórias no refrão. De início, fiquei desiludida por a interpretação de Avril se assemelhar mais à de Kelly que à de Samantha. Depressa o ultrapassei porque... é a Avril. Ela é a minha voz preferida e, para ser sincera, a maneira como ela canta a palavra "breakaway" antes do primeiro refrão é, pura e simplesmente, perfeita. Além de que, de uma maneira estranha, os vocais suaves dela nesta música ajudam a acalmar.


Num artigo recente, que aborda esta versão de Breakaway, é defendido que a interpretação de Avril é algo imatura, quase amadora, em comparação com a interpretação ardente de Kelly Clarkson. Eu, no entanto, apesar de concordar que a faixa precisaria, naturalmente, de ser regravada antes de ser lançada, acredito que a maneira inocente como Avril a canta é mais adequada à música. É este, aliás, o único "defeito" da versão de Kelly: é uma interpretação demasiado madura. Na minha opinião, a letra de Breakaway reflete melhor uma jovem cantora numa fase muito precoce da sua carreira, ainda inocente, com sonhos por realizar; não tanto alguém que já atingiu o sucesso e que já está à vontade no mundo que sonhou conquistar.

Breakaway era uma de duas músicas não lançadas por Avril que eu desejava desesperadamente ouvir na voz dela. A outra é Daydream. Desta, apenas se conhece uma versão reduzida na voz da cantautora canadiana, mas suficiente para se perceber que é uma música extraordinária, diferente de toda a restante discografia dela. A música chegou a ser cantada por Demi Lovato numa fase muito precoce da sua carreira - foi assim que a conheci, aliás - acabando por ser gravada por Miranda Cosgrove. Ao menos ficámos com uma versão completa e em boa qualidade da música mas, mesmo assim, para mim não é suficiente pois Avril canta-a com muito mais emoção. Cheguei a recear nunca ouvir Daydream completa na voz de Avril. No entanto, depois do que aconteceu com Breakaway, fiquei de novo com esperanças. É uma questão de ter paciência...


Entretanto, na semana passada, os Linkin Park anunciaram o nome e data de lançamento do seu sexto álbum de originais. Chamar-se-à The Hunting Party e será lançado, oficialmente, no dia 17 de junho. Confesso que o nome e capa me recorda a série Arrow e, sobretudo, os Jogos da Fome. Mike Shinoda afirmou em entrevista que, conforme o primeiro avanço, Guilty All the Same, indiciava, neste álbum a banda californiana não se limita a regressar às origens, vai ainda mais longe, faz como que uma prequela a Hybrid Theory. Tal como se suspeitava, será o trabalho mais pesado da banda. Admito que estou curiosa.

A data de lançamento é que é algo problemática para mim. Neste momento, não disponho de tanto tempo como há uns meses - Breakaway apareceu na Internet no início do mês e só estou a publicar sobre isso agora! A altura do lançamento de The Hunting Party, ainda por cima, coincide com o Mundial de futebol - será um dia depois do primeiro jogo da Seleção Portuguesa. Não prometo, por isso, publicar a crítica a este álbum no dia certo, tal como tenho feito.

Antes disso, temos ainda o concerto do Rock in Rio - que talvez mereça uma entrada. Continuo, também, convencida de que haverá segundo single algures no próximo mês. Ou, no mínimo, uma música inédita no concerto. Entretanto, em princípio, no próximo mês falarei do álbum novo de uma banda "nova" que comecei a ouvir muito ultimamente. Até lá... vão-se mantendo ligados.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Breakaway

Até agora, a rúbrica Músicas Não Tão Ao Calhas têm estado reservadas a singles recém-lançados. Não é o caso desta entrada. Não faria sentido falar da demo de Breakaway na voz de Avril Lavigne, que apareceu na Internet no início deste mês, na rubrica Músicas Ao Calhas porque... não ser poderia dizer que era "ao calhas". Deste modo, a partir destes momento, as entradas de Músicas Não Tão Ao Calhas passam a incluir situações semelhantes a esta. Embora seja pouco provável voltar a acontecer algo do género tão cedo.

 

 



"I'll spread my wings and I'll learn how to fly
I'll do what it takes, 'til I touch the sky"


Breakaway foi composta por Avril em colaboração com Matthew Gerrard e Bridget Benenate aquando da preparação de Let Go. A cantora, no entanto, não gostou da canção. Cheguei a ler uma entrevista em que ela afirma que lhe recordava demasiado um cântico de igreja. A canção foi sendo passada de cantor para cantou, de produtor para produtor, a cantautora canadiana Samantha Moore chegou a gravar a sua versão. No entanto, acabou por ser a cantora americana Kelly Clarkson, vencedora da primeira edição do American Idol, a gravá-la para a banda sonora do filme O Diário da Princesa 2, de 2004. O single teve tanto sucesso que Kelly incluiu-o no seu segundo álbum de estúdio, tendo mesmo batizando-o com o nome da música. Tendo em conta a qualidade da canção, bem como a sua popularidade, os fãs de Avril Lavigne sempre desejaram ouvir Breakaway na voz da cantautora canadiana. E na noite de 31 de março, vimos o nosso desejo realizado quando vazou na Internet uma demo de Breakaway cantada pela Avril.

Olhando para a letra da canção, dá para ver que esta é praticamente uma biografia de Avril, mais pessoal que a larga maioria da sua discografia. Ela que cresceu em Napanee, no Ontário, uma terra demasiado pequena para o seu potencial como cantora. A música chega a ter alguns ecos de Mobile. Mais recentemente, Daydreaming, do último ábum dos Paramore, acaba por ter um tema muito semelhante.

Por outro lado, a letra de Breakaway é indubitavelmente mais poética que a larga maioria do material musical de Avril, o que me faz pensar que a jovem cantora tenha tido, na altura, uma generosa ajuda na escrita da mesma. Duante muito tempo, à semelhança de muitos fãs, lamentei o facto de Avril não ter querido ficar com a música. No entanto, agora que conheço a versão original e reflito melhor sobre o assunto, não sei se a letra de Breakaway encaixaria em Let Go - porque Breakaway é música de álbum de estreia - ao lado de letras como Complicated e Sk8er Boi.




Eu digo que Breakaway e a biografia de Avril mas, em boa verdade, serviria de biografia a muito boa gente, cantores e não só. A qualquer pessoa que se tenham visto obrigada e/ou tenha desejado abandonar o seu lar para perseguir o seu sonho. Não me é difícil pensar em outros exemplos. Kelly é um desses casos, daí que não me choque que ela tenha ficado com a música.

Ouvi pela primeira vez a versão dela na rádio em 2006, sensivelmente na mesma altura em que se ouvia Because of You em todo o lado. De alguma forma, soube logo que tinha sido Avril a compô-la. A música atraiu-me facilmente, com a sua melodia agradável, refrão poderoso, letra que me fazia pensar na minha cantora preferida. Há que dar mérito a Kelly por ter sido capaz de interpretar bem a música, dar-lhe poder, emoção. Dizer, também, que o tratamento musical foi adequado, conferindo um carácter grandioso. Existe apenas uma única "falha" - se é que se pode chamar isso - na versão de Kelly. Mas já lá vamos.




Em 2008, apareceu na Internet uma demo de Breakaway cantada por Samantha Moore que, alegadamente, terá garantido a Samantha um contrato discográfico. Nesta versão, Samantha introduziu uma série de variações à melodia original. Na altura, gostei mais da versão de Samantha do que da de Kelly, sendo a primeira a que ouvia regularmente.

Até ter acesso à versão de Avril.

Nota-se de imediato que esta é apenas uma demo, de qualidade que deixa a desejar. Tem algumas semelhanças com a demo de Naked de que falei na última entrada, sobretudo pela maneira como a sua voz surge algo hesitante e imatura. Muitos fãs chegaram a duvidar que fosse mesmo Avrl a cantar, mas é definitivamente ela. As suas nuances características, sobretudo em Let Go, são notórias no refrão. De início, fiquei desiludida por a interpretação de Avril se assemelhar mais à de Kelly que à de Samantha. Depressa o ultrapassei porque... é a Avril. Ela é a minha voz preferida e, para ser sincera, a maneira como ela canta a palavra "breakaway" antes do primeiro refrão é, pura e simplesmente, perfeita. Além de que, de uma maneira estranha, os vocais suaves dela nesta música ajudam a acalmar.




Num artigo recente, que aborda esta versão de Breakaway, é defendido que a interpretação de Avril é algo imatura, quase amadora, em comparação com a interpretação ardente de Kelly Clarkson. Eu, no entanto, apesar de concordar que a faixa precisaria, naturalmente, de ser regravada antes de ser lançada, acredito que a maneira inocente como Avril a canta é mais adequada à música. É este, aliás, o único "defeito" da versão de Kelly: é uma interpretação demasiado madura. Na minha opinião, a letra de Breakaway reflete melhor uma jovem cantora numa fase muito precoce da sua carreira, ainda inocente, com sonhos por realizar; não tanto alguém que já atingiu o sucesso e que já está à vontade no mundo que sonhou conquistar.

Breakaway era uma de duas músicas não lançadas por Avril que eu desejava desesperadamente ouvir na voz dela. A outra é Daydream. Desta, apenas se conhece uma versão reduzida na voz da cantautora canadiana, mas suficiente para se perceber que é uma música extraordinária, diferente de toda a restante discografia dela. A música chegou a ser cantada por Demi Lovato numa fase muito precoce da sua carreira - foi assim que a conheci, aliás - acabando por ser gravada por Miranda Cosgrove. Ao menos ficámos com uma versão completa e em boa qualidade da música mas, mesmo assim, para mim não é suficiente pois Avril canta-a com muito mais emoção. Cheguei a recear nunca ouvir Daydream completa na voz de Avril. No entanto, depois do que aconteceu com Breakaway, fiquei de novo com esperanças. É uma questão de ter paciência...



THE_HUNTING_PARTY_2.jpg


 




Entretanto, na semana passada, os Linkin Park anunciaram o nome e data de lançamento do seu sexto álbum de originais. Chamar-se-à The Hunting Party e será lançado, oficialmente, no dia 17 de junho. Confesso que o nome e capa me recorda a série Arrow e, sobretudo, os Jogos da Fome. Mike Shinoda afirmou em entrevista que, conforme o primeiro avanço, Guilty All the Same, indiciava, neste álbum a banda californiana não se limita a regressar às origens, vai ainda mais longe, faz como que uma prequela a Hybrid Theory. Tal como se suspeitava, será o trabalho mais pesado da banda. Admito que estou curiosa.

A data de lançamento é que é algo problemática para mim. Neste momento, não disponho de tanto tempo como há uns meses - Breakaway apareceu na Internet no início do mês e só estou a publicar sobre isso agora! A altura do lançamento de The Hunting Party, ainda por cima, coincide com o Mundial de futebol - será um dia depois do primeiro jogo da Seleção Portuguesa. Não prometo, por isso, publicar a crítica a este álbum no dia certo, tal como tenho feito.

Antes disso, temos ainda o concerto do Rock in Rio - que talvez mereça uma entrada. Continuo, também, convencida de que haverá segundo single algures no próximo mês. Ou, no mínimo, uma música inédita no concerto. Entretanto, em princípio, no próximo mês falarei do álbum novo de uma banda "nova" que comecei a ouvir muito ultimamente. Até lá... vão-se mantendo ligados.

domingo, 23 de março de 2014

Músicas Ao Calhas - Naked e similares

Já faz algum tempo desde a última vez que falei de um tema de Avril Lavigne numa entrada de Músicas ao Calhas. Hoje quero falar daquela que tem sido, de maneira constante desde as primeiras audições, uma das minhas músicas preferidas da cantautora canadiana - mas cujo significado demorei alguns anos a compreender. E tal como fiz com Innocence e Nobody's Home, falarei também de músicas que abordam temas semelhantes.



"You see right through me and I can't hide"

Naked é uma balada rock, proveniente do primeiro álbum de Avril Lavigne, Let Go. Começa com notas de órgão - que se tornam a marca da música - seguida da guitarra acústica que a conduz. Depressa se juntam a bateria e a guitarra elétrica, no refrão. A terceira parte da música é indubitavelmente a melhor, a mais emocionante, com os vários instrumentos soltando-se e os vocais extremamente expressivos de Avril, terminando apenas com a voz dela e a guitarra acústica. Referir, rapidamente, que nas versões ao vivo, acrescentava-se um solo de guitarra, que também fica muito bem.

A letra de Naked fala de intimidade, da liberdade de se ser quem verdadeiramente é junto da pessoa que se ama. Fala de aceitação, de ausência de segredos, de muros. De uma nudez em termos emocionais, em suma. No entanto, também é legítimo atribuir um carácter sexual à letra. Na minha opinião, ele existe, mas de uma maneira muito romântica. No fundo, em Naked há uma mistura única de romantismo, intimidade, inocência e erotismo, revelando-se uma canção muito emotiva e surpreendentemente madura, se tivermos em conta que a Avril a terá composto quando tinha dezasseis ou dezassete anos.

A interpretação vocal da cantautora transmite bem esse carácter híbrido da música. A voz dela em todo o álbum Let Go, de resto, é a minha preferida de todos os discos dela até ao momento. No seu álbum de estreia, esta surge muito pura, com nuances que nunca mais conseguiu repetir. Tal voz funciona muito bem em Naked. Regressando à terceira parte da música, gosto muito dos yeah-yeah-yeah, dos through que se prolongam com os backvocals por detrás mas, sobretudo, aquele baby mesmo no final, extremamente expressivo e perfeito.


Existe uma versão demo da música, naturalmente com menos qualidade que a versão final, incluída no álbum. Esta possui, no entanto, algo que, na minha opinião, ficou a faltar na versão do disco: uma secção de violinos - embora estes estejam presentes na versão instrumental da música. Em termos de interpretação vocal, fazem falta vários elementos, como os yeah-yeah-yeah e o baby no fim. De uma maneira geral, a interpretação está bem melhor na versão definitiva. No entanto, vale a pena ouvir este demo, tanto pela curiosidade como pelo instrumental.

Entre as músicas com temas similares a Naked que escolhi para esta entrada, encontram-se dois temas de Bryan Adams. Um deles é She's Got A Way.



"Such a mystery, how she seems to know, every part of me"

She's Got a Way faz parte de 11, o último álbum de estúdio do cantautor canadiano, sendo uma das minhas canções preferidas deste disco. A letra fala de alguém com quem não é possível mentir ou fingir, que nos conhece demasiado bem e nos deixa completamente desarmados. Esta canção tem versões diferentes - uma com mais guitarra elétrica e um remix, por Chicane (que já tinha feito a sua versão de Cloud Number Nine) - mas só gosto da que vem no álbum original. A do vídeo acima é muito semelhante. A sonoridade está de acordo com o próprio conceito do álbum: guitarras discretas, com solos que funcionam como segunda voz, piano, bateria suave. E a interpretação de Bryan, suave, terna como só ele sabe fazer, combina perfeitamente com a letra.


"I wanna know you like I know myself"

A segunda canção de Bryan Adams deste grupo é Inside Out, do álbum On a Day Like Today - embora a tenha ouvido pela primeira vez na compilação The Best of Me, há já onze anos. Esta tem uma sonoridade grave e intimista, proporcionada por notas de órgão, baixo, guitarra elétrica. A letra que expressa a vontade de saber tudo sobre a amada, conhecê-la a fundo, ser íntimo dela. Sempre considerei Inside Out uma música extremamente tocante, ao ponto de, durante os primeiros anos, me fazer frequentemente chorar quando a ouvia - não sei bem explicar porquê.


"You see all my light, 
And you love my dark"

 Passemos agora a Everything, uma das primeiras canções que conheci de Alanis Morissette, há dez anos. Já afirmei anteriormente que o carácter que Alanis expressa na sua música - personalidade forte, politicamente incorreta, terra-a-terra sem deixar de ter uma faceta espiritual - me recorda a minha personagem principal feminina, Bia. Everything vai nessa linha, pela maneira como a narradora descreve, sem pudores nem eufemismos, todos os seus defeitos e virtudes e a maneira como o seu amado está ciente de tudo isso e, em vez de a criticar ou de se afastar, ainda a ama mais por isso. Quanto à sonoridade, não há muito a dizer: é o típico rock ligeiro de Alanis.


"But no one in this world knows me the way you know me
So you'll porbably always have a spell on me..."

A última música de que quero falar nesta entrada é Hate that I Love You, de Rihanna e Ne-Yo. Não sou fã desta cantora, gosto de meia dúzia de singles dela - que não é ela a compôr - e detesto uns quantos outros. Hate that I Love You é, provavelmente, a minha favorita dela. Em termos de sonoridade, é uma típica balada R&B, guiada pela guitarra acústica, ritmada por batidas, bastante agradável e adequada à temática da canção. Em termos de interpretação vocal, nada a assinalar. Posso não ter grande opinião acerca de Rihanna e da sua carreira, mas ela canta bem. A letra é mais profunda que a maioria das canções de Rihanna. Fala sobre alguém que nos conhece a fundo e que amamos, talvez contra vontade, ao ponto de ficarmos completamente à mercê dessa pessoa e vermos isso usado contra nós.

Todas estas canções, à sua maneira, mostram que amar implica sinceridade, baixar as defesas, permitirmo-nos ser vulneráveis, abandonarmo-nos em mãos alheias, correndo o risco de sairmos magoados. Pode ser uma maldição, pode mudar-nos mais do que desejaríamos, para melhor ou para pior. Isto é um dos motivos pelos quais, tal como afirmei anteriormente, apesar da minha costela romântica, me sinto tão relutante em apaixonar-me a sério. Não consigo imaginar-me expondo-me dessa maneira perante qualquer um... ou qualquer uma. No entanto, a ver se mantenho essa convicção se ou quando cair nessa armadilha.


O meu interesse pela carreira de Avril Lavigne já não é o que era há uns anos, por diversos motivos. Por o seu mais recente álbum não me ter entusiasmado por aí além e por, neste momento, andar mais interessada noutros artistas. Poucas notícias relevantes têm surgido sobre a Avril, este ano. A cantautora esteve em digressão pela Ásia, nos últimos meses mas, pelo que tenho visto em fotografias e vídeos do YouTube - o que não é muito, admito - o conceito tem sido muito semelhante ao da digressão anterior, The Black Star Tour. Pior do que tudo, anda a faltar-lhe presença em palco. Tal lacuna tem-se tornado mais evidente para mim agora, que estou mais familiarizada com o desempenho em palco de artistas como Hayley Williams dos Paramore, Mike e Chester dos Linkin Park, e Sharon dos Within Temptation.

Por outro lado, os próximos singles do seu álbum homónimo foram anunciados recentemente. Em primeiro lugar, Hello Kitty será lançada na Ásia, uma jogada que considero inteligente. A música é, por várias razões, perfeita para o mercado asiático - noutros mercados, contudo, o resultado seria demasiado imprevisível. Esta acaba por ser a solução ideal: por um lado, eu não queria, de todo, ter Hello Kitty como single. Por outro, não podia deixar de reconhecer que a canção tem um certo potencial que não seria sensato desperdiçar. Com esta decisão, toda a gente ganha.

Mas ainda quero ver o que fazem com o videoclipe. Estou com um bocadinho de medo...

Entretanto, Avril anunciou, também, que Give You What You Like será lançada como single a nível mundial. Já se especulava há algumas semanas que a escolha para o quarto single, sem ser Hello Kitty, seria entre Bad Girl e esta música. Mais uma vez, fiquei contente com a decisão tomada. Apesar de gostar muito de Bad Girl, para a rádio esta seria demasiado agressiva e... explícita. Give You What You Like é bem mais adequada, na minha opinião. É uma das melhores do quinto álbum, tanto em termos musicais como de letra, uma das mais amadurecidas.

É, aliás, interessante compararmos Naked com Give You What You Like: uma das músicas mais antigas com uma das mais recentes, duas canções que abordam temas parecidos mas de maneiras bem distintas.

Por muito de goste de várias músicas do álbum Avril Lavigne, canções anteriores a esse disco são bem mais marcantes. Em particular as mais clássicas, como Naked, as que me fizeram apaixonar por Avril e que continuam a ter o mesmo impacto de sempre. Ou mesmo maior pois, à medida que vou amadurecendo, conhecendo música nova, vou ficando cada vez mais ciente da genialidade destes primeiros temas, descobrindo outros motivos para adorá-los. É por isso, também, que ainda não desisto de Avril Lavigne - por ainda ter a esperança de que, mais cedo ou mais tarde, torne a lançar músicas que me surpreendam pela positiva.

Músicas Ao Calhas - Naked e similares

Já faz algum tempo desde a última vez que falei de um tema de Avril Lavigne numa entrada de Músicas ao Calhas. Hoje quero falar daquela que tem sido, de maneira constante desde as primeiras audições, uma das minhas músicas preferidas da cantautora canadiana - mas cujo significado demorei alguns anos a compreender. E tal como fiz com Innocence e Nobody's Home, falarei também de músicas que abordam temas semelhantes.

 



 

"You see right through me and I can't hide"

 

Naked é uma balada rock, proveniente do primeiro álbum de Avril Lavigne, Let Go. Começa com notas de órgão - que se tornam a marca da música - seguida da guitarra acústica que a conduz. Depressa se juntam a bateria e a guitarra elétrica, no refrão. A terceira parte da música é indubitavelmente a melhor, a mais emocionante, com os vários instrumentos soltando-se e os vocais extremamente expressivos de Avril, terminando apenas com a voz dela e a guitarra acústica. Referir, rapidamente, que nas versões ao vivo, acrescentava-se um solo de guitarra, que também fica muito bem.

 

A letra de Naked fala de intimidade, da liberdade de se ser quem verdadeiramente é junto da pessoa que se ama. Fala de aceitação, de ausência de segredos, de muros. De uma nudez em termos emocionais, em suma. No entanto, também é legítimo atribuir um carácter sexual à letra. Na minha opinião, ele existe, mas de uma maneira muito romântica. No fundo, em Naked há uma mistura única de romantismo, intimidade, inocência e erotismo, revelando-se uma canção muito emotiva e surpreendentemente madura, se tivermos em conta que a Avril a terá composto quando tinha dezasseis ou dezassete anos.

 

A interpretação vocal da cantautora transmite bem esse carácter híbrido da música. A voz dela em todo o álbum Let Go, de resto, é a minha preferida de todos os discos dela até ao momento. No seu álbum de estreia, esta surge muito pura, com nuances que nunca mais conseguiu repetir. Tal voz funciona muito bem em Naked. Regressando à terceira parte da música, gosto muito dos yeah-yeah-yeah, dos through que se prolongam com os backvocals por detrás mas, sobretudo, aquele baby mesmo no final, extremamente expressivo e perfeito.




Existe uma versão demo da música, naturalmente com menos qualidade que a versão final, incluída no álbum. Esta possui, no entanto, algo que, na minha opinião, ficou a faltar na versão do disco: uma secção de violinos - embora estes estejam presentes na versão instrumental da música. Em termos de interpretação vocal, fazem falta vários elementos, como os yeah-yeah-yeah e o baby no fim. De uma maneira geral, a interpretação está bem melhor na versão definitiva. No entanto, vale a pena ouvir este demo, tanto pela curiosidade como pelo instrumental.

Entre as músicas com temas similares a Naked que escolhi para esta entrada, encontram-se dois temas de Bryan Adams. Um deles é She's Got A Way.






"Such a mystery, how she seems to know, every part of me"

 

She's Got a Way faz parte de 11, o último álbum de estúdio do cantautor canadiano, sendo uma das minhas canções preferidas deste disco. A letra fala de alguém com quem não é possível mentir ou fingir, que nos conhece demasiado bem e nos deixa completamente desarmados. Esta canção tem versões diferentes - uma com mais guitarra elétrica e um remix, por Chicane (que já tinha feito a sua versão de Cloud Number Nine) - mas só gosto da que vem no álbum original. A do vídeo acima é muito semelhante. A sonoridade está de acordo com o próprio conceito do álbum: guitarras discretas, com solos que funcionam como segunda voz, piano, bateria suave. E a interpretação de Bryan, suave, terna como só ele sabe fazer, combina perfeitamente com a letra.

 



"I wanna know you like I know myself"

A segunda canção de Bryan Adams deste grupo é Inside Out, do álbum On a Day Like Today - embora a tenha ouvido pela primeira vez na compilação The Best of Me, há já onze anos. Esta tem uma sonoridade grave e intimista, proporcionada por notas de órgão, baixo, guitarra elétrica. A letra que expressa a vontade de saber tudo sobre a amada, conhecê-la a fundo, ser íntimo dela. Sempre considerei Inside Out uma música extremamente tocante, ao ponto de, durante os primeiros anos, me fazer frequentemente chorar quando a ouvia - não sei bem explicar porquê.



 

"You see all my light, 
And you love my dark"

 Passemos agora a Everything, uma das primeiras canções que conheci de Alanis Morissette, há dez anos. Já afirmei anteriormente que o carácter que Alanis expressa na sua música - personalidade forte, politicamente incorreta, terra-a-terra sem deixar de ter uma faceta espiritual - me recorda a minha personagem principal feminina, Bia. Everything vai nessa linha, pela maneira como a narradora descreve, sem pudores nem eufemismos, todos os seus defeitos e virtudes e a maneira como o seu amado está ciente de tudo isso e, em vez de a criticar ou de se afastar, ainda a ama mais por isso. Quanto à sonoridade, não há muito a dizer: é o típico rock ligeiro de Alanis.




"But no one in this world knows me the way you know me
So you'll porbably always have a spell on me..."

A última música de que quero falar nesta entrada é Hate that I Love You, de Rihanna e Ne-Yo. Não sou fã desta cantora, gosto de meia dúzia de singles dela - que não é ela a compôr - e detesto uns quantos outros. Hate that I Love You é, provavelmente, a minha favorita dela. Em termos de sonoridade, é uma típica balada R&B, guiada pela guitarra acústica, ritmada por batidas, bastante agradável e adequada à temática da canção. Em termos de interpretação vocal, nada a assinalar. Posso não ter grande opinião acerca de Rihanna e da sua carreira, mas ela canta bem. A letra é mais profunda que a maioria das canções de Rihanna. Fala sobre alguém que nos conhece a fundo e que amamos, talvez contra vontade, ao ponto de ficarmos completamente à mercê dessa pessoa e vermos isso usado contra nós.

Todas estas canções, à sua maneira, mostram que amar implica sinceridade, baixar as defesas, permitirmo-nos ser vulneráveis, abandonarmo-nos em mãos alheias, correndo o risco de sairmos magoados. Pode ser uma maldição, pode mudar-nos mais do que desejaríamos, para melhor ou para pior. Isto é um dos motivos pelos quais, tal como afirmei anteriormente, apesar da minha costela romântica, me sinto tão relutante em apaixonar-me a sério. Não consigo imaginar-me expondo-me dessa maneira perante qualquer um... ou qualquer uma. No entanto, a ver se mantenho essa convicção se ou quando cair nessa armadilha.




 



O meu interesse pela carreira de Avril Lavigne já não é o que era há uns anos, por diversos motivos. Por o seu mais recente álbum não me ter entusiasmado por aí além e por, neste momento, andar mais interessada noutros artistas. Poucas notícias relevantes têm surgido sobre a Avril, este ano. A cantautora esteve em digressão pela Ásia, nos últimos meses mas, pelo que tenho visto em fotografias e vídeos do YouTube - o que não é muito, admito - o conceito tem sido muito semelhante ao da digressão anterior, The Black Star Tour. Pior do que tudo, anda a faltar-lhe presença em palco. Tal lacuna tem-se tornado mais evidente para mim agora, que estou mais familiarizada com o desempenho em palco de artistas como Hayley Williams dos Paramore, Mike e Chester dos Linkin Park, e Sharon dos Within Temptation.

Por outro lado, os próximos singles do seu álbum homónimo foram anunciados recentemente. Em primeiro lugar, Hello Kitty será lançada na Ásia, uma jogada que considero inteligente. A música é, por várias razões, perfeita para o mercado asiático - noutros mercados, contudo, o resultado seria demasiado imprevisível. Esta acaba por ser a solução ideal: por um lado, eu não queria, de todo, ter Hello Kitty como single. Por outro, não podia deixar de reconhecer que a canção tem um certo potencial que não seria sensato desperdiçar. Com esta decisão, toda a gente ganha.

Mas ainda quero ver o que fazem com o videoclipe. Estou com um bocadinho de medo...

Entretanto, Avril anunciou, também, que Give You What You Like será lançada como single a nível mundial. Já se especulava há algumas semanas que a escolha para o quarto single, sem ser Hello Kitty, seria entre Bad Girl e esta música. Mais uma vez, fiquei contente com a decisão tomada. Apesar de gostar muito de Bad Girl, para a rádio esta seria demasiado agressiva e... explícita. Give You What You Like é bem mais adequada, na minha opinião. É uma das melhores do quinto álbum, tanto em termos musicais como de letra, uma das mais amadurecidas.

É, aliás, interessante compararmos Naked com Give You What You Like: uma das músicas mais antigas com uma das mais recentes, duas canções que abordam temas parecidos mas de maneiras bem distintas.

Por muito de goste de várias músicas do álbum Avril Lavigne, canções anteriores a esse disco são bem mais marcantes. Em particular as mais clássicas, como Naked, as que me fizeram apaixonar por Avril e que continuam a ter o mesmo impacto de sempre. Ou mesmo maior pois, à medida que vou amadurecendo, conhecendo música nova, vou ficando cada vez mais ciente da genialidade destes primeiros temas, descobrindo outros motivos para adorá-los. É por isso, também, que ainda não desisto de Avril Lavigne - por ainda ter a esperança de que, mais cedo ou mais tarde, torne a lançar músicas que me surpreendam pela positiva.



domingo, 9 de março de 2014

Músicas Não Tão Ao Calhas - Guilty All The Same

Na semana passada, a banda californiana Linkin Park lançou, algo inesperadamente, o primeiro single do seu sexto álbum de estúdio, ainda sem título, de edição prevista para junho. A música chama-se Guilty All the Same e conta com a participação do rapper Rakim.

 



 



"You want to point your finger

But there's no one else to blame"

 

O que se destaca mais em Guilty All the Same (por algum motivo, ando a dizer na minha cabeça Guilty All the Way... enfim) é a sua sonoridade. Depois de dois álbuns com uma forte componente eletrónica, e em diametral oposição ao forte dubstep de A Light that Never Comes, o novo single  dos Linkin Park tem um som rock muito pesado, cru, visceral, metaleiro - o mais parecido com isto que conheço são certas músicas dos Sum 41, em particular do seu último álbum. Guilty All the Same possui longas sequências instrumentais, incluindo uma introdução de minuto e meio. É dominada por guitarras elétricas, com destaque para a sequência de abertura e encerramento, que se torna a imagem de marca da música, e um riff  que mimetiza a melodia. Possui, ainda, uma bateria que não se contenta com o papel hoje em dia reservado aos sintetizadores, que repetem o mesmo padrão de batida do princípio ao fim, com poucas variações. Ainda se ouve piano, primeiramente na já referida introdução de minuto e meio, imitando a sequência de marca da musica; é ouvido, depois disso, no apoio às estâncias.

 

Nesta música tão pesada, a melodia revela-se surpreendentemente cativante, em particular nas estâncias. Nada a apontar à interpretação de Chester Bennington, embora ele pudesse ter complementado a música com um dos seus icónicos gritos. Talvez receassem que a música ficasse demasiado pesada. No entanto, não me custa imaginar o Chester apimentando a interpretação ao vivo de Guilty All the Same dessa forma muito sua.

 

Sobre a letra, não há muito a dizer. Aborda um tema tipicamente Linkin Park, com críticas a pessoas que julgam que sabem tudo, que têm sempre razão, que encontram defeitos em tudo exceptuando elas mesmas. Não é particularmente original nem memorável, mas não é má. É definitivamente melhor que A Light that Never Comes. Eu até gosto da estrutura das estâncias.

 

A terceira parte da música, com o rap, é a de que gosto menos. Na minha opinião, falta energia à interpretação de Rakim, esta não condiz com o carácter da música. Bastava, pura e simplesmente, o tom subir uma oitava. Não sou capaz de compreender esta participação especial, tirando o facto de Mike Shinoda - o habitual rapper dos Linkin Park - ter afirmado ser grande fã de Rakim, mas eu penso que Mike faria melhor trabalho. A letra do rap traça críticas ao capitalismo, à indústria musical, mas, mais uma vez, nada de particularmente memorável ou fora do vulgar.





Segundo declarações de Chester e Mike, a sonoridade do álbum novo estará dentro deste estilo, que penso ser o mais pesado de sempre da banda, mais pesado ainda que os primeiros álbuns. Mike afirmou que queria "preencher um vazio" existente na rádio dos dias de hoje. Eu pergunto-me se a intenção dos Linkin Park será, realmente, ressuscitarem o estilo musical. A ser verdade, será de louvar, estarão a fazer um favor a inúmeras bandas de rock que não conseguem, ou não querem, adaptar-se ao eletro-pop da rádio atual. Esperemos é que sejam bem sucedidos, o que não está garantido. Uma coisa é agradarem aos fãs hardcore, que nunca alinharam muito no estilo dos últimos álbuns. Outra coisa é a reação do mundo da música geral a este estilo pouco radiofónico.

 

Intenções nobres à parte, visto que o álbum só sairá em junho, ou mesmo depois (espero não ter uma nova situação à Avril Lavigne, o álbum), talvez se lance um segundo single em finais de abril, inícios de maio. Talvez, à semelhança do que aconteceu em 2012, apresentem uma ou outra música inédita no concerto do Rock in Rio, a que vou assistir.

Guilty All the Same não teve, para mim, o mesmo impacto que Burn it Down teve quando saiu. Acho até que gosto mais de A Light that Never Comes, apesar de ser mais imperfeita - coisas incompreensíveis. O que não me impede de gostar muito de Guilty All the Same, de ansiar pelo resto do álbum. Quer-me parecer que, com os Linkin Park e Hydra, dos Within Temptation, 2014 será o ano do metal para mim. Vai ser engraçado.


Neste momento, encontro-me em estágio, pelo que tenho menos tempo aqui para o blogue. No entanto, vou tentar não deixá-lo ao abandono durante demasiado tempo. Não deixem de visitá-lo, de vez em quando.

Músicas Não Tão Ao Calhas - Guilty All The Same

Na semana passada, a banda californiana Linkin Park lançou, algo inesperadamente, o primeiro single do seu sexto álbum de estúdio, ainda sem título, de edição prevista para junho. A música chama-se Guilty All the Same e conta com a participação do rapper Rakim.


"You want to point your finger
But there's no one else to blame"

O que se destaca mais em Guilty All the Same (por algum motivo, ando a dizer na minha cabeça Guilty All the Way... enfim) é a sua sonoridade. Depois de dois álbuns com uma forte componente eletrónica, e em diametral oposição ao forte dubstep de A Light that Never Comes, o novo single  dos Linkin Park tem um som rock muito pesado, cru, visceral, metaleiro - o mais parecido com isto que conheço são certas músicas dos Sum 41, em particular do seu último álbum. Guilty All the Same possui longas sequências instrumentais, incluindo uma introdução de minuto e meio. É dominada por guitarras elétricas, com destaque para a sequência de abertura e encerramento, que se torna a imagem de marca da música, e um riff  que mimetiza a melodia. Possui, ainda, uma bateria que não se contenta com o papel hoje em dia reservado aos sintetizadores, que repetem o mesmo padrão de batida do princípio ao fim, com poucas variações. Ainda se houve piano, primeiramente na já referida introdução de minuto e meio, imitando a sequência de marca da musica; é ouvido, depois disso, no apoio às estâncias.

Nesta música tão pesada, a melodia revela-se surpreendentemente cativante, em particular nas estâncias. Nada a apontar à interpretação de Chester Bennington, embora ele pudesse ter complementado a música com um dos seus icónicos gritos. Talvez receassem que a música ficasse demasiado pesada. No entanto, não me custa imaginar o Chester apimentando a interpretação ao vivo de Guilty All the Same dessa forma muito sua.

Sobre a letra, não há muito a dizer. Aborda um tema tipicamente Linkin Park, com críticas a pessoas que julgam que sabem tudo, que têm sempre razão, que encontram defeitos em tudo exceptuando elas mesmas. Não é particularmente original nem memorável, mas não é má. É definitivamente melhor que A Light that Never Comes. Eu até gosto da estrutura das estâncias.

A terceira parte da música, com o rap, é a de que gosto menos. Na minha opinião, falta energia à interpretação de Rakim, esta não condiz com o carácter da música. Bastava, pura e simplesmente, o tom subir uma oitava. Não sou capaz de compreender esta participação especial, tirando o facto de Mike Shinoda - o habitual rapper dos Linkin Park - ter afirmado ser grande fã de Rakim, mas eu penso que Mike faria melhor trabalho. A letra do rap traça críticas ao capitalismo, à indústria musical, mas, mais uma vez, nada de particularmente memorável ou fora do vulgar.


Segundo declarações de Chester e Mike, a sonoridade do álbum novo estará dentro deste estilo, que penso ser o mais pesado de sempre da banda, mais pesado ainda que os primeiros álbuns. Mike afirmou que queria "preencher um vazio" existente na rádio dos dias de hoje. Eu pergunto-me se a intenção dos Linkin Park será, realmente, ressuscitarem o estilo musical. A ser verdade, será de louvar, estarão a fazer um favor a inúmeras bandas de rock que não conseguem, ou não querem, adaptar-se ao eletro-pop da rádio atual. Esperemos é que sejam bem sucedidos, o que não está garantido. Uma coisa é agradarem aos fãs hardcore, que nunca alinharam muito no estilo dos últimos álbuns. Outra coisa é a reação do mundo da música geral a este estilo pouco radiofónico.

Intenções nobres à parte, visto que o álbum só sairá em junho, ou mesmo depois (espero não ter uma nova situação à Avril Lavigne, o álbum), talvez se lance um segundo single em finais de abril, inícios de maio. Talvez, à semelhança do que aconteceu em 2012, apresentem uma ou outra música inédita no concerto do Rock in Rio, a que vou assistir.

Guilty All the Same não teve, para mim, o mesmo impacto que Burn it Down teve quando saiu. Acho até que gosto mais de A Light that Never Comes, apesar de ser mais imperfeita - coisas incompreensíveis. O que não me impede de gostar muito de Guilty All the Same, de ansiar pelo resto do álbum. Quer-me parecer que, com os Linkin Park e Hydra, dos Within Temptation, 2014 será o ano do metal para mim. Vai ser engraçado.


Neste momento, encontro-me em estágio, pelo que tenho menos tempo aqui para o blogue. No entanto, vou tentar não deixá-lo ao abandono durante demasiado tempo. Não deixem de visitá-lo, de vez em quando.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

The Hunger Games/Os Jogos da Fome



Ando para escrever sobre a série de livros da autoria de Suzanne Collins e respetivas adaptações cinematográficas há já algum tempo. É uma das sagas da moda e eu, à semelhança de muita gente, li os livros mais ou menos na altura em que saiu o primeiro filme. Não digo que os livros sejam dos meus preferidos mas, definitivamente, foram dos que mais me marcaram nos últimos anos, de uma maneira perturbadora até.

ALERTA SPOILER: Este texto contém revelações do enredo tanto dos livros como dos filmes da série The Hunger Games/Os Jogos da Fome. A leitura só é aconselhada caso tinham lido os três livros, até para a própria compreensão deste texto.

Vou começar por falar do primeiro livro, que deu o nome à série: The Hunger Games/Os Jogos da Fome. Nesta altura do campeonato, já toda a gente conhece as premissas: o mundo pós-apocalíptico e distópico, o governo opressivo, o contraste entre o luxo obsceno e degradante e a miséria medieval dos distritos mais desfavorecidos, o conceito dos Jogos da Fome. O único aspeto que não me convence em Panem é a ausência de uma qualquer obrigatoriedade de veneração dos líderes. As crianças não são obrigadas a cantar o hino nacional de olhos no presidente e no primeiro-ministro, como em Portugal, nem a expressão "Obrigado, Querido Líder" se encontra entre as suas primeiras palavras. A política de medo, sem nenhuma espécie de paternalismo que a atenuasse, facilitou a adesão do povo à revolta, bastou "uma mão-cheia de bagas" e a esperança revelou-se "mais forte que o medo" Se o povo tivesse sido (melhor) ensinado a venerar o presidente Snow, talvez a revolução não se teria alastrado tão "facilmente".

Mas este é apenas um pormenor.


Nisto surge Katniss, toda a gente sabe como. Uma jovem endurecida pelas dificuldades por que passou, em particular após a morte do pai e consequente depressão da mãe. Surge também Peeta, filho do padeiro, que ajudara Katniss anteriormente, num momento em que todas as portas se haviam fechado para a jovem. Enquanto Peeta se revela mais ingénuo, Katniss é mais cínica, sempre se questionando sobre as verdadeiras intenções do jovem padeiro, sem perceber que ele está a ser sincero, que os seus sentimentos são verdadeiros. Nos dois primeiros livros, aliás - pelo menos, da primeira vez que os li - Peeta não me é uma personagem mais apelativa: demasiado submisso e, muitas vezes, representando um fardo para Katniss na arena. Só no fim do terceiro livro é que compreendi verdadeiramente a personagem - mas já aí vamos.

Na minha opinião, se o primeiro volume é o melhor de trilogia não sei, mas é definitivamente o que se lê com mais facilidade. Tem um enredo mais linear, o ritmo é constante e eu, pelo menos, não conseguia parar de ler, precisava de saber desesperadamente como iria Katniss sobreviver aos Jogos.


Antes de prosseguirmos, quero referir brevemente que todo o conceito da "Girl on Fire/A Rapariga em Chamas" recordou-me, deste início, a obra portuguesa Felizmente Há Luar, de Luís de Sttau Monteiro, que aliás aborda temas semelhantes aos Jogos da Fome. Sempre torna o livro mais apelativo aos alunos do 12º ano, quando o estudam em Portugês - isto se ainda fizer parte do programa.

O segundo volume não é tão sólido como o primeiro. Em Catching Fire/Em Chamas, são abordadas as sequelas dos acontecimentos do livro anterior, em particular da maneira como Katniss e Peeta conseguiram sobreviver aos Jogos da Fome, quando a ideia era só haver um vencedor. O truque que os dois tributos usaram para não terem de matar o outro ou matarem-se a si mesmos é interpretado como um desafio ao poder instituído. São, assim, plantadas as sementes da revolta. Katniss é obrigada a tentar controlar o fogo que ela ateou acidentalmente mas não é bem sucedida, obrigando o Capitólio a tomar medidas.


Quando li o livro pela primeira vez, as hesitações de Katniss em aderir à revolta irritaram-me. Hoje sei que são mais do que justificadas - mais sobre isso adiante. Depois de Katniss, finalmente, aceitar passar do modo de fuga ao modo de luta, aquilo que me parecia ser o fluxo natural da história é interrompido pelo Quarteirão. Apesar de, de certa forma, esta edição especial dos Jogos da Fome fazer sentido - sobretudo depois de o filme dar uma explicação melhor, a mim pareceu-me um bocadinho enfiada a martelo. Além disso, os últimos capítulos estão demasiado confusos, penso que só compreendi verdadeiramente tudo o que tinha acontecido quando vi o filme.

O terceiro volume da trilogia, Mocking Jay/A Revolta, revelou-se algo confuso da primeira vez que o li. A ação decorre um pouco aos solavancos, com Katniss profundamente afetada, tanto física como psicologicamente, pelas duas participações nos Jogos da Fome, indo constantemente parar ao hospital, por motivos variados. Mas, ainda que o ritmo da história saia prejudicado, tudo isto faz sentido se formos a ver que a protagonista foi e continua a ser, ao longo do livro, ferida de todas as maneiras possíveis e imaginárias. Por outro lado, existe, na minha opinião, um excesso de personagens - eu, pelo menos, senti dificuldades em lembrar-me de quem é quem.

Neste volume, Katniss encontra-se a colaborar com o Distrito 13, responsável pela revolução em Panem. Apesar de, aparentemente, estarmos agora com os "bons", notei desde início que estes recorriam exatamente aos mesmos meios do Capitólio, seja pela filosofia "quem não é por nós, está contra nós", pela exploração política e mediática da imagem de Katniss, pela chantagem, pelo derrame de sangue. Daí que a relação entre Katniss e os rebeldes seja sempre pautada pela desconfiança. De certa forma, ajudou a atenuar a revelação no final, ainda que o choque não tenha deixado de existir.


É também para o fim que surgem outras falhas no livro. Começando pelo assalto ao Capitólio - uma óbvia compensação pela ausência de Jogos da Fome neste livro - cujo objetivo não me convence, visto que a batalha a sério decorre noutra frente. Sendo até essa a responsável pela vitória dos rebeldes. Também me parecem pouco credíveis as ruas armadilhadas do Capitólio e os mutantes para ali atirados. Por fim, já no rescaldo da revolução, por muito que tente, não sou capaz de compreender que Katniss tenha votado "sim" a uma edição dos Jogos da Fome com crianças do Capitólio. OK, no fim o voto não tem efeitos práticos, mas é algo que continua a fazer-me confusão. Apesar destas falhas, gosto muito da maneira como o livro acaba.

Antes de partir para as alegações finais, quero falar das adaptações cinematográficas dos dois primeiros livros. Ambos os filmes estão bem feitos, de uma maneira geral, muito por causa do excelente desempenho do elenco. Destaco Jennifer Lawrence, uma atriz que tenho vindo a admirar cada vez mais, que corporiza de maneira excelente a complexidade de Katniss, as suas diferentes camadas. Em termos de história, ambos os filmes estão extremamente fiéis aos livros, conseguindo em certas alturas superá-los. Momentos como a Ceifa, no primeiro, e o discurso no Distrito 11 no segundo, são retratados com emoção mais pungente nos filmes.


Outra vantagem em relação ao texto original diz respeito à inclusão de cenas pontuais não centradas em Katniss, que clarificam o enredo. Cenas que não eram possíveis num livro escrito na primeira pessoa, mas que fazem falta. É por estas e por outras que eu, provavelmente, não conseguiria escrever um livro na primeira pessoa. Gosto demasiado de apresentar a história sob perspectivas diferentes.

Estou com alguns receios relativamente à adaptação do terceiro livro. Primeiro, por estar dividido em dois filmes - uma decisão claramente comercial mas que duvido que seja a mais adequada à história. Outra preocupação prende-se com o substituto de Philip Seymour Hoffman.

Conforme já afirmei no início deste texto, os Jogos da Fome são uma das sagas mais populares da atualidade mas, na minha opinião, são muito mais do que um mero fenómeno infanto-juvenil ou uma série de blockbusters. Aliás, por vezes a intensa mediatização dos filmes irrita-me, pois estes acabam por passar por mais fúteis do que realmente são. Os Jogos da Fome podem ter como público-alvo o infanto-juvenil mas a verdade é que a série aborda questões bem sérias, sendo o tema principal a guerra e tudo o que com ela se relaciona: o conflito entre humanidade e sobrevivência, o combate à violência com violência. Quanto à crítica à cultura dos reality shows, muito referida a propósito destas obras, na minha opinião, assume um carácter secundário. O tema do "pão e do circo" - que de resto inspiraram a história - não está assim tão pouco batido. Outra das grandes falhas do sistema político em Panem é, aliás, o facto de o pão e o circo serem apenas dados à população do Capitólio, uma minoria. Por contraste, a população da larga maioria dos distritos passa fome e os Jogos não lhes servem de entretenimento - pelo contrário, são um pesadelo.


Por entre esta mediatização toda, Katniss é frequentemente apresentada como uma típica heroína feminina, uma badass com o seu arco e flechas, a anti-Bella Swan. Eu, no entanto, mais do que uma heroína, vejo-a como uma vítima. Ela oferece-se para substituir a irmã nos Jogos da Fome, é certo, mas depois disso passa a ter muito pouco a dizer sobre o seu destino. É usada sem dó nem piedade por ambos os lados da guerra, incluindo gente em quem confiava, quase sempre sob ameaça de perder a própria vida ou a daqueles que ama. Os únicos momentos em que verdadeiramente brilha são - conforme chega a ser afirmado em Mocking Jay - quando ela segue os seus próprios instintos, sem que ninguém lhe diga o que fazer. Contudo, demasiadas vezes tais atitudes apenas pioram uma situação já difícil. A sua relutância em Catching Fire pode frustrar mas, com o avançar da história, torna-se compreensível pois acontece tudo aquilo que ela temia e ainda mais: a sua terra natal é destruída, Peeta é torturado e submetido a lavagem cerebral, ela mesma sofre todo o tipo de ferimentos, vários amigos - incluindo a própria irmã - são assassinados. Katniss pode parecer uma heroína, mas não passa de um símbolo, de um peão, tudo o que faz é sobreviver - com grande dificuldade.

É o que acontece na guerra, na vida real. Tal como alguém diz - não sei se no livro ou no filme - "não há vencedores, apenas sobreviventes". Não há heroísmo, não há glória, apenas se cumprem ordens, se procura sobreviver e, quanto muito, proteger os companheiros - algo que, muitas vezes, implica cometer atrocidades e que, tal como Peeta afirma, "custa tudo o que se é". E os soldados, frequentemente, não passam de peões a quem os líderes recorrem quando não conseguem resolver os seus diferendos de outra maneira. E eu interrogo-me se esses líderes terão, de facto, noção das sequelas que ficam nos soldados, sem nunca desaparecerem por completo.


Nesse aspeto, os Jogos da Fome levam essa realidade até à última escala, na medida em que os soldados, os peões, são crianças.

De igual modo, é abordada a maneira como, na urgência de combater a opressão, a ditadura, se corre o risco de nos transformarmos precisamente naquilo que odiamos, no preço que é necessário pagar. O fogo é muito bonito, mas queima. No final de Mocking Jay, o regime cai, os Jogos da Fome são abolidos, é dado a entender que a democracia é instituída em Panem. Será que isso vale todo o sangue derramado, todo o sofrimento provocado? E, no entanto, teria sido melhor ficar tudo na mesma, com os distritos na miséria, crianças morrendo todos os anos, em direto na televisão?

São perguntas que ficam por responder no fim da história. É também por esta altura que, pelo menos pela parte que me toca, sobe a consideração por Peeta. Por, por entre tantas manifestações do pior da natureza humana, ele ir conseguindo manter a gentileza, algum do seu idealismo, acabando, no fim, por se tornar num símbolo de esperança, de "renascimento em vez de destruição", no fundo, do melhor lado na natureza humana.


Há que dar crédito a Suzanne Collins por ter sido capaz de ter contado esta história de uma forma acessível aos jovens - embora eu talvez ficasse demasiado perturbada se tivesse lido os livros há meia dúzia de anos - que transmite a sua mensagem de forma eficaz, sem cair em infantilizações ou lamechices: algo extremamente difícil de conseguir. Eu, pelo menos, não sei se conseguiria.

Não é possível evitar fazer comparações com a vida real. Pensar no nosso país, no nosso regime ditatorial, na sorte que tivemos por o 25 de abril ter sido relativamente pacífico, com "apenas" quatro mortos e quarenta e cinco feridos - demasiados danos, mesmo assim. Pensar, não apenas nas restrições à liberdade, mas também nos presos políticos, torturados e assassinados pela PIDE por tentarem mudar o regime - ouvi alguns testemunhos no programa "Limite da Dor" da Antena1. Indigno-me quando oiço pessoas comparando o sistema político atual com os anos da ditadura. Ou suspirando por um regresso de Salazar. O nosso regime atual pode ter muitos defeitos mas, entre muitas melhorias, não matamos nem torturamos presos políticos, tanto quanto sei. Demasiadas vezes, dá-me a sensação de que as pessoas tomam a liberdade por garantida - algo que considero perigoso.

Penso também na Coreia do Norte, cujas atrocidades lá cometidas apareceram nas notícias, recentemente. Penso nos confrontos na Ucrânia, atualmente, em como é tão fácil uma simples manifestação resvalar para a violência e tenho sempre medo de que aconteça o mesmo em Portugal.

É por todas estas reflexões que induz que os Jogos da Fome são uma obra que se destaca sobre as demais. E embora eu não deixe de reconhecer o valor de um mero entretenimento - sobretudo para aqueles cujas vidas são já suficientemente difíceis para, no seu tempo livre, irem meterse em ficção igualmente sombria, ou ainda mais - eu preciso de obras que me inspirem desta forma. Os Jogos da Fome tiveram, indubitavelmente, o mérito de me oferecer uma nova perspetiva sobre este género de ficção, depois de anos em contacto com ele, escrevendo sobre ele. Daí que, naturalmente, me sirva de ajuda na escrita. Digo mais: se, como escritora, o meu trabalho for capaz de induzir nem que seja um terço deste tipo de reflexões, considerá-lo-ei um sucesso.

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